27 março 2009

Para Claude Bloc e todas as decantações do amor com primado de cada um - por José do Vale Pinheiro Feitosa

Não é para todos,
há quem de todos é parte distinta,
própria, sem muito da regra,
ou a falta da similitude.

E para eles o meu afeto de diferença,
apenas sem cobrança do eixo mediano,
dizer o quanto os admiros,
são a afirmativa de muitas possibilidades.

Com o carinho por todos,
dirigo-me à aqueles da radicalidade dos limites,
Em busca da vida até a morte,
como estes besouros que findam após a cópula,
juntando dois destinos manifestos,
a perpetuação da espécie,
e a finitude do indivíduo.

Como o Antechinus sp, marsupial das florestas,
que fogem de todas as regras da monogamia,
se relacionando com inúmeros parceiros,
tantos os machos quanto as fêmeas,
mas nesta orgia de possibilidade,
qual sêmen se perpetuaria na procriação?

Então o macho tem uma longa ejaculação,
dura horas vinculado a uma fêmea,
ao final a perpetuação do seu patrimônio genético,
geralmente morre por problemas nos rins,
por fome e sede ou alguma infecção.

Daí esta radicalidade da quebra do espelho,
da mesma paisagem apenas refletida,
sem mudanças possíveis,
uma morte pela vida,
a ruptura do último vagão de trem,
o instinto de defesa.

Igual estas manhãs em busca de Abril,
quando as paineiras se abrem em flores rosa,
um rosa claro quase solferino,
quase todas as folhas desaparecem,
toda planta se encontra grávida,
sem a mesmice da fotosíntese,
eis o momento dela ser outras,
tantas paineiras que o relevo,
se torne a cor de suas flores.

Assim como esta doação do amor,
sempre me vi triste na ausência de uma paixão,
que me sacumba até os guardados mais mofados,
mesmo que seja a mesma paisagem na porta de saída,
ofereça-me detalhes novos no tédio cotidiano.

Toda a minha atenção se concentra,
nas pessoas que atravessam o carrasco dos sentimentos,
e na manhã seguinte nos trás um cesto de achados,
mas não de achados largados e inertes,
e sim de achados ativos, que lancetam a alma,
sangram a calmaria deste burgo televisivo,
e como um acorde matinal mostra o quanto,
o sopro da vida é o valor máximo da vida simbolica,
e dos arranjos materiais da sobrevivência.

Por isso louvo a paixão irrefreada,
a paixão decantada gota-a-gota,
a paixão incorrespondida,
a paixão pela vida,
independente da insegurança
da morte.

Por José do Vale Pinheiro Feitosa





Um comentário:

  1. "Igual estas manhãs em busca de Abril,
    quando as paineiras se abrem em flores rosa,
    um rosa claro quase solferino,
    quase todas as folhas desaparecem,
    toda planta se encontra grávida,
    sem a mesmice da fotosíntese,
    eis o momento dela ser outras,
    tantas paineiras que o relevo,
    se torne a cor de suas flores."

    Que poema intenso !
    Percebi os sentimentos humanos numa pira, à mercê dos ventos.
    Se a gente não controlar a direção dos ventos , a gente enloquece !
    Ainda bem que os sentimentos humanos são também quietos !
    Tenho medo da fera irrefreada ... Quando não é alimentada, ela nos devora sem dó , nem piedade.
    Mas, quando nutrida , e transcedida , ela é terapêutica , em todos os sendidos.
    Gosto tanto desses textos que pisoteam a alma humana com lanternas e incensos...
    A vida assume significâncias !


    Não desejo-te o irremediável. Desejo-te a elegria de poder sentir , mesmo aquilo que a gente não explica.


    Abraços,


    Socorro.

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