12 março 2009

"Deseducação" na Educação - Por: José Nilton Mariano Saraiva

É emblemático que o colapsar da escola pública direciona significativo contingente de alunos oriundos de famílias da classe média para os onerosos e nem sempre eficientes colégios particulares, à busca daquilo que o governo constitucionalmente deveria provir, mas não o faz: a oferta de um ensino de qualidade.
Como, entretanto, só o lucro fácil e a qualquer preço é o primado-mór da iniciativa privada, os que aderem a tal expediente literalmente quebram a cara, já que a questionável pedagogia adotada prima pela ineficiência e descalabro programático, enquanto o quadro de professores nem sempre detém a qualidade devida, frustrando, assim, expectativas.
Em conseqüência, e como não poderia deixar de ser, haja alunos despreparados, pais decepcionados e mães estressadas.
Em função disso, e até por isso mesmo, assiste-se, no âmbito de determinadas instituições particulares de ensino, o uso de expedientes os mais escusos, abjetos e deploráveis na tentativa de mostrar uma excelência inexistente, nem que para tanto a ética e a falta de escrúpulos sejam solenemente ignoradas.
Assim é que, no último ano do ensino médio (antigo científico), alguns colégios, tidos como “de ponta”, infiltram espiões que aliciam e cooptam os potenciais alunos que se destacam nos colégios concorrentes, oferecendo-lhes toda sorte de facilidades (bolsa de estudo, pagamento de transporte, material escolar e até uma certa gratificação mensal, etc), a fim que aceitem concluir aquela etapa final do estudo na outra instituição.
Ou seja: não obstante o aluno tenha cursado todo o difícil e penoso périplo estudantil (maternal, ABC, ciclo básico, fundamental e 2/3 do ciclo médio) no colégio “A”, onde realmente adquiriu todo o cabedal de conhecimento ofertado no decorrer de no mínimo doze anos de diuturna labuta, repentinamente, em caso de sucesso e aprovação no vestibular (e porque o pai deixou-se aliciar pelo vil metal), tende a figurar, DESONESTAMENTE, em vistosos outdoors espalhados pelos quatro cantos da cidade, como um dos campeões do colégio “B” (onde cursou apenas e tão-somente o último ano do ciclo médio).
Como o Colégio “A” (o de origem), compreensível e HONESTAMENTE computa tal aluno como um dos seus campeões, a totalização final dos números efetuada pelos diversos colégios nunca “bate” com os números dos aprovados divulgados pelas nossas muitas universidades (públicas e privadas).
Assim, sobram campeões em nossos vestibulares.
Reflexo da “deseducação” na educação ou, se preferirem, da lamentável e inadmissível prevalência da desonestidade sobre a honestidade.
Esta é a verdade, nua e crua, doa a quem doer !!!
(e não existe nenhuma "grosseria" no que estamos afirmando).

Autoria e postagem: José Nilton Mariano Saraiva

4 comentários:

  1. O autor tem razão sobre esse tema. O que existe é uma indústria para a realização de vestibulares.

    E os vestibulares são na verdade o que?

    São provas de igual conteúdo para pessoas que estudaram em condições de extrema desigualdade, daí vermos estudantes inteligentes que não tiveram a devida instrução e mesmo com potencial são barrados na porta das universidades e outros medianos, porém bem instrumentalizados com o acesso garantindo.

    No meio disso, os que conseguem furar este bloqueio, virando alguns até matéria jornalística.

    É a reprodução da desigualdade.

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  2. CORREÇÃO QUE SE FAZ NECESSÁRIA:
    Onde se lê: "...nem que para tanto a ética e a falta de escrúpulos sejam solenemente ignoradas" favor considerar "...nem que para tanto a ética e escrúpulos sejam solenemente ignorados".
    Falha nossa (de novo, outra vez, novamente!)

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  3. Prezado José Nilton Mariano

    E a cada nova turma que tem acesso às Universidades, o número de alunos despreparados aumenta cada vez mais. Um casal amigo, com dois filhos, alunos muito bons, estudavam gratuitamente num desses colégios de ponta aqui de Fortaleza, onde a mãe era professora. Resolveram mudar um dos filhos para o Colégio Militar, onde realmente se tem o melhor ensino fundamental e mádio do Estado, juntamente com o CEFET. A mãe foi sumariamente demitida do colégio. Em 1992, meu filho mais velho, hoje Engenheiro Eletricista da Coelce, prestou vestibular. A Universidade Federal fez uns tipos de provas diferentes. Resultado: naquele ano, apenas 05 (cinco) alunos foram aprovados no curso de Engenaharia Elétrica. E em todos os cursos, com exceção de medicina, as vagas não foram preenchidas, obrigando a UFC fazer um segundo vestibular. Para mim, foi a maior prova da falência do ensino brasileiro. Parabéns pelo tema. Este assunto precisa ser discutido pela sociedade, a fim de que se viabilizem as mudanças que se fazem necessárias na Educação.

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  4. Prezado Carlos Esmeraldo,
    Que precisa ser discutido não há como se contestar, são favas contadas; agora, que eles (os integrantes da máfia dos cursinhos) farão o possível e o impossivel prá para manter o statu quo, disso também não tenhamos dúvidas.
    Com relação àquele outro assunto, já recebemos a manifestação do Dihelson e do Zé Flávio; apreciaríamos e agradeceríamos uma sua manifestação a
    respeito(independentemente se positiva ou negativa).

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