28 março 2009

Conversa de sábado - por José do Vale Pinheiro Feitosa

Branco de olhos azuis
Dizer que a atual crise do capitalismo é uma questão étnica (ou racial se preferirem) parece uma “forçação-de-barra”. Um cheiro de preconceito racial. A crise dos louros e olhos azuis deve ter feito muito galego não sair da cama. Como estamos numa “democracia” da poliça, como se diz por aqui quem tem c...tem medo. Eu mesmo se tivesse olhos azuis só usaria óculos escuros, até naquelas noitadas do bem bom a dois. Agora vocês imaginam se, além disso, você é louro, dos olhos azuis e nasceu na Europa ou nos EUA? Deveria cagar de medo desde a fala presidencial.

Hoje fui andar na rua e encontrei Pirrita, um mulato que conserta panela ali na esquina da Jardim Botânico. Dei bom dia e estranhei o ar pachorrento dele, um tanto folgado de personalidade no espaço que o mundo lhe deu. Perguntei o motivo de tanta folga ao que respondeu: pelo menos neste dia nós não fomos os suspeitos de sempre.

Financiamento eleitoral
O Ancelmo Góis falando sobre as doações das empreiteiras para políticos (tanto as “por fora” quanto as “por dentro): há políticos honestos que usam grana só nas campanhas. Mas há políticos ladrões que embolsam parte ou mesmo todo o dinheiro. Entenderam o Ancelmo? Nem eu: então a diferença não é o poder econômico deturpando o processo eleitoral. Por isso que não é freqüente se atribuir ao povo as más escolhas e, no entanto persistir a dúvida, pois as pessoas são compradas pelo poder econômico. Sua consciência é turvada por dois mecanismos no mínimo: a) pela pobreza com necessidades permanentes e b) já que é para empregar o rico, pelo menos eu levo o meu.

Andando na Lagoa uma pessoa esperando um ônibus no ponto: vou me candidatar, empregar todo mundo na campanha financiada e depois viver as delícias do parlamento. Saí andando com a certeza que falar sobre política no sentido grego era um anacronismo imenso no Brasil. Política é uma profissão que se evolui juntando caraminguás e se aliando a poderosos interesses. O jeito foi dar uma corridinha para que o colesterol desta última conclusão não me entupa o cérebro, enquanto este se diluía na paisagem anacrônica da Lagoa (o verde que se perde no concreto).

Os blogs da minha terra deixa a gente....
Os blogs são o que são. Os do Crato, por exemplo, não poderiam deixar de falar em religião. Debater o papa. Falar de excomunhão. Dificilmente poderiam deixar de ter ideologia de esquerda e direita. Claro ter muita saudade. Falar na crise econômica. Levantar as emergências do tempo. Sem dúvida precisam de um pé no governo para sua sustentabilidade. Ter brigas como se na praça. Noticiar as políticas públicas e os eventos de dor, festejo e alegrias. Quanto mais tais feitios se encontrem num verdadeiro painel em formato vertical, mais próximo são os blogs da própria região.

Outro dia troquei e-mails com uma pessoa dos blogs. Olá onde estás escrevendo agora? Não encontrei teus ótimos textos e poesias! Ao que me respondeu: cansei, não tenho saco para aquele ambiente. Estranhei e me fiz entender: mas como? Se o ambiente é diverso, tem tanto debate, há um levantamento contínuo de questões novas? Ele rebateu: é o que imaginas. Tens escrito muito neles nos últimos dias não percebes o quanto minhas razões de ausência estão bem sustentadas. As coisas estão emperradas, rodam sobre o mesmo centro como uma província de amigos. Aí eu parei de rebater o escritor (a). Pensei que exista quem não escreva por ocupação intensa, outros por se dedicar ao próprio blog, mas é certo que outros se cansaram do assunto e dos escritores de lá. Desliguei o computador com a sensação que seria bom, também, dar um tempo. Só um tempo. Afinal domingo é folga e segunda volto.

Por José do Vale Pinheiro Feitosa

Um comentário:

  1. Meu Caro José do Vale,

    Não são poucas as pessoas que me dão notícia e eu mesmo tenho presenciado sua movimentação através de vários sites da internet, inclusive em Fóruns e listas de discussão e com assuntos bem diferentes dos tratados aqui. Eu mesmo recebo vários deles.

    O interessante é que vc se adapta bem ao ambiente em que escreve. É um verdadeiro escritor profissional.

    Abraços,

    Dihelson Mendonça

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