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Foto: Posse do novo secretário de Segurança de Crato - Dihelson Mendonça


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01 Março 2009

Notícia de Vital Importância para os Cratenses: O Caldeirão será revitalizado !


Nota do Blog do Crato:

Uma Notícia de vital importância para o Crato! A revitalização do Sítio Caldeirão, com a preservação da nossa história e desse importante acontecimento que teria levado ao massacre de mais de 400 pessoas na década de 30. Fala-se inclusive em bombardeio aéreo sobre o local, a fim de destruir uma comunidade que ousou enfrentar a dura realidade climática do local, transformando-o num verdadeiro oásis, onde a fartura era o prato do dia, e isso se tornou uma afronta aos governantes da época que não viram com bons olhos a idéia de comunidade organizada e comandada pelo beato Zé Lourenço. É portanto, de suma importância e até louvável que a administração atual do Crato esteja dando esse passo firme na restauração e preservação de uma parte importante da nossa história, auxiliado por tantas outras pessoas que durante muitos anos lutaram para ver isso tudo acontecer, dentre eles quero ressaltar a pessoa de Wilton Dedê e de Rosemberg Cariry, que inclusive filmou o seu clássico "O Caldeirão de Santa Cruz do Deserto" preservando em película, os fatos e a história ocorridos no local. A matéria é do Diário do Nordeste edição de hoje, Domingo, 29 de Fevereiro de 2009.

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Igrejo de Santo Inácio Loyola é um dos poucos equipamentos já recuperados no Caldeirão da Santa Cruz do Deserto (Foto: Elisângela Santos)

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Morador Raimundo Batista mostra local onde será construído o museu no Caldeirão, atrás da casa construída, na época, pelo beato José Lourenço. Recuperação do Parque Histórico Caldeirão da Santa Cruz do Deserto começará ao fim da quadra invernosa.

Crato. O Caldeirão da Santa Cruz do Deserto marcou a história com um grande massacre. Oficialmente, 400 pessoas mortas pelas milícias do Exército Brasileiro e Polícia Militar do Estado. Extra-oficial, mais de mil pessoas, entre mulheres e crianças. Agricultores que tinham como armas os seus instrumentos de trabalho. Enxadas e foices. A barbárie de patrocínio oficial, acontecida há 74 anos, teve maior amplitude na sua divulgação somente nos anos 70. Mas o local passará a ter uma nova visibilidade, com o projeto de Revitalização do Parque Histórico do Caldeirão da Santa Cruz do Deserto.

Hoje, resta um pequeno sítio sem fartura, em uns confins de terra no Crato, com os caldeirões, abastecidos das chuvas da insipiente quadra invernosa, e a igreja que tem como padroeiro Santo Inácio de Loyola, onde há missa uma vez por ano, em 22 de setembro, desde que foi criada a Romaria do Caldeirão. Também um muro de lajes, por trás da pequena igreja, onde foi construído o cemitério, a casa do morador, erguida na época do beato líder, José Lourenço, e, no alto, as ruínas da casa do mentor da primeira ação de extermínio e ataque aéreo da História do Brasil.

A primeira parcela para investimento na obra já foi liberada pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Cultura. São R$ 300 mil com contrapartida de R$ 60 mil da Prefeitura do Crato. Segundo a secretária de Cultura do município, Danielle Esmeraldo, a perspectiva é que as obras sejam iniciadas no próximo mês de abril ou logo que a quadra invernosa se encerre.

Várias visitas técnicas já foram realizadas no local e outras estão programadas, a fim de colher vestígios. A secretária diz que o trabalho de intervenção terá acompanhamento minucioso de historiadores e arqueólogos. “Teremos todo o cuidado para não interferir nas edificações históricas. O objetivo é justamente preservar o pouco que ainda resta”, diz. E isso é preciso mesmo. A capela onde é celebrada a missa em memória das centenas de pessoas mortas e os corpos desaparecidos está em boas condições, mas dois vãos da única casa que resta desabaram. O morador Raimundo Batista de Lima, 63 anos, há 13 reside no Caldeirão. Disse que chegou ao local e tudo estava abandonado, mas como não tinha outro lugar para ir com a esposa e 14 filhos, decidiu morar ali. O projeto original de construção do parque foi idealizado pelo cineasta e ex-secretário da Cultura de Crato, Rosemberg Cariry, que fez o filme sobre o massacre: “Caldeirão da Santa Cruz do Deserto” . Avaliado em mais de R$ 1 milhão, a idéia prevê melhores condições de acesso, pois até o local são mais de 30km do Centro do Crato, 12 em estrada carroçável.

Os registros históricos narram que o massacre aconteceu no dia 10 de setembro de 1936. Mas no dia 22 de setembro, período da Romaria ao Caldeirão, quando uma multidão vai ao local, será inaugurada a primeira fase do projeto. Um grande espetáculo para reconstituir a tragédia histórica está sendo planejado pela secretaria. Junto a isso, haverá um trabalho de conscientização da comunidade sobre a realidade histórica, envolvendo moradores do assentamento 10 de abril, área vizinha.

MASSACRE OFICIALIZADO
Cova dos mortos é local desconhecido

Crato. Um terreno fértil. Um local onde não havia necessidade de comércio. O regime era comunitário. O lema de fé e trabalho preponderava. Era uma vida diferente de todos os sítios existentes na região. Um foco de resistência para o governo. Mas para os agricultores analfabetos, homens, mulheres e crianças que procuravam o jeito certo de viver, nem de longe se sabia de teorias. Era calo na mão. Diziam que para lá eram mandados os degredados que chegavam ao Juazeiro. E o povo pobre do Nordeste tinha notícia da fartura do Caldeirão. Um chão enriquecido com suor de um povo trabalhador. Uma década depois, molhado com o sangue de uma gente que até hoje continua esquecida, sem reparação do governo. As famílias inteiras mortas foram enterradas num valado. Ninguém até hoje sabe onde. Suspeita-se que num local chamado de Mata dos Cavalos, na Serra do Cruzeiro, na região, ou no próprio Caldeirão. Para tentar minimizar os erros do passado e fazer justiça, o advogado Otoniel Ajala Dourado, diretor da organização SOS Direitos Humanos e membro da Comissão de Defesa e Assistência da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-CE), entrou com uma ação contra o Governo Federal e pede que o Exército brasileiro informe o local da vala coletiva na qual os camponeses foram enterrados.

José Lourenço chegou a fugir para Pernambuco, onde morreu aos 74 anos, de peste bubônica, tendo sido levado por uma multidão para Juazeiro, onde foi enterrado no Cemitério do Socorro. O beato era considerado líder santo. Homem dedicado à oração e ao trabalho. Remanescentes falam da sua postura íntegra.

Desabamento

O morador Raimundo Batista diz que desde a sua chegada no Caldeirão procurou preservar o que ainda havia ali. A igreja estava cheia de formigueiro e a casa onde mora, a única que sobrou da época, foi recuperada. Só que parte desabou no inverno do ano passado. Por trás da casa será construído o museu. A notícia que tem do beato vem dos próprios pais. Na época, moravam em terras vizinhas do Caldeirão, no Monte Alverne. De lá, chegavam notícias do homem de muita fé e que ajudava os outros.

Para o morador, nunca houve o menor receio de residir na área. No alto e de frente para a igreja, estão as ruínas da casa que pertenceu ao beato. O local deverá ter um cuidado especial, conforme a secretária de Cultura, Danielle Esmeraldo. O projeto justifica a urgência em se resgatar todos os registros que permanecem vistos no local, com a finalidade de reintegrá-lo ao cotidiano da população. Vários trabalhos científicos já foram feitos por pesquisadores do Brasil e exterior. Seu Raimundo diz que as visitas ao local são constantes. Quase toda semana aportam turistas e estudiosos na área. A meta é fornecer uma estrutura com atrativos culturais, turísticos e históricos, trazendo como elemento a memória histórica da experiência vivenciada.

Mais informações:
Secretaria de Cultura do Crato
Centro Cultural do Araripe, S/N
Crato - Ceará
(88) 3523.2365
www.crato.ce.gov.br

ELISÂNGELA SANTOS
Repórter

Fonte: Jornal Diário do Nordeste


1 comentários:

A. Morais disse...

Dihelson.

Postarei em breve um texto denominado: A ultima vitima do Caldeirão. Conta a historia da destruição total do Caldeirão que finalmente será revitalizado.

Um abraço.

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