09 fevereiro 2009

Será Que Vai Ter Festa No Castelo? Por Luiz Cláudio Brito de Lima


Não bastassem os problemas que afligem a sofrida população brasileira, estampada corriqueiramente nos principais meios de comunicação, os brasileiros foram surpreendidos – se é que pode utilizar essa denominação ingênua – com dados estarrecedores acerca de um parlamentar; dão conta às informações que esse representante popular, é proprietário de um “castelo” (isso mesmo um “castelo”, com todas as características, modos, detalhes, etc.) avaliado em mais de 25 milhões de reais – é tanto zero, que achei melhor escrever por extenso – segundo consta esse imóvel não teria sido declarado junto à justiça eleitoral ( que novidade....) , obrigação essa com amparo/previsão legal. Além do fato de ser proprietário dessa relíquia, tudo conforme matérias jornalísticas veiculadas na mídia, o Excelentíssimo deputado recolheria dos seus funcionários a verba atinente ao fundo de garantia por tempo de serviço, todavia, não repassava para a previdência social (o que, diga-se de passagem, é gravíssimo), além de outras fraudes trabalhistas.

Entretanto, comentam-se em “bocas miúdas” (impossível tratar dessa forma, pois se a mídia já tem conhecimento...) que ronda no congresso nacional, mais especificamente na câmara dos deputados, uma espécie de acordo, inclusive já com seu inicio no momento em que o parlamentar renunciou ao cargo de segundo vice-presidente e corregedor da câmara. Que acordo seria esse? Ora, o senhor deputado federal, renunciaria aos cargos mencionados – o que de fato já o fez, sendo inclusive aceito a renuncia pelo presidente da câmara – e em seguida, após uma “investigação” nas várias denuncias contra o político, esse seria absolvido, não correndo o menor risco de ser cassado, ou seja: abre mão dos cargos, e nós o “absorveremos” de novo. Resumindo: tudo acaba em pizza....

Quando ouço uma noticia como essa, confesso que fico por horas tratando de esquecê-la, procuro concentrar-me em meu trabalho, lembro de meus filhos, apanho um livro diferente, imagino que comentar esse tipo de informação acaba sendo um desserviço a alguns poucos, que seria mais útil comentar culinária, ou falar de esporte, por fim, um assunto mais “agradável”. Entretanto reflito com maior sensatez, penso justamente no futuro dos meus filhos, quem sabe netos, e chego à conclusão que devemos sim nos manifestar, extravasar o sentimento de repúdio, de inconformismo, insatisfação com boa parte desses senhores congressistas (vale também às assembléias legislativas e câmaras municipais) que pensam somente em seus “umbigos”, que não enxergam nada a frente que não seja interesse próprio, que só aprovam medidas de cunho social, quando “ganham” alguma coisa em troca. É bem verdade que existe exceção no meio desse mar enlameado, é verdade também que esse grupo que exerce de fato o verdadeiro significado da palavra “política”, encontra enormes dificuldades para deixar transparecer que naquela casa reina o bom senso, labuta-se em nome da coletividade, busca a igualdade social, tenta-se (ao menos) possibilitar ao cidadão brasileiro viver com dignidade, saúde, educação, enfim que seja permitido sentir na essência o que a Constituição de 1988 prevê em seus principais artigos e incisos, afinal, essa é ou não a constituição cidadã?

Façamos aqui um apelo aos verdadeiros políticos que representam literalmente a população brasileira, aos senhores parlamentares que atuam no campo ético, que não permitam conchavos, acordos nefastos, benevolência com àqueles que não a merecem; que atuem com firmeza, punindo, extirpando do seio do congresso nacional todo parlamentar indigno de lá estar; que transmitam a todos os brasileiros que a justiça existe; que a igualdade social é o objetivo primordial; que a fome deixará de existir e a educação alcançará seu ápice; que seremos um País bem preparado, com maior geração de empregos; que viveremos com saúde e que nossos filhos pensarão em terminar os estudos, cursar uma boa universidade pública, e contribuir para o desenvolvimento cientifico, tecnológico do Brasil.

Em contra-partida, façamos nós todos uma reflexão acerca de nosso comportamento diante esses fatos, qual a responsabilidade de cada um, contribuímos ou não para a sua ocorrência. Infelizmente chego a conclusão que somos partícipe nesses fatos lamentáveis, digo isso por uma questão elementar: de que forma esse senhor chegou até o poder? Como se deu o processo de diplomação desse político? Indiscutível que a elevação de cidadão comum a cidadão “especial” decorreu de um ato nosso, quando saímos de nosso lar, naquele domingo em que deixamos o convívio com a família e fomos exercer nosso direito sagrado: o voto. O grande problema é que, na grande maioria das vezes, exerce-se muito mal esse direito, colocamos pessoas para nos representar sem ao menos saber nada sobre esse cidadão, sua conduta, sua vida pregressa, seu campo de atuação profissional, não nos preocupamos em fazer da forma que agimos com àqueles que vão trabalhar no interior de nossas casa, buscando dados complementares, falando com outras pessoas que tiveram aquele individuo como funcionário; a nossa omissão é um dos grandes aliados para que fatos como esses continuem tomando conta dos noticiários, enquanto não houver consciência, a imagem de nossos políticos será essa. Dessa forma, façamos também um apelo ao povo brasileiro, prestem atenção, atentem para a importância de seu voto, não o troque por nada, nem por um “castelo”.

Uma nação vive de exemplo, se amolda em personalidades conhecidas, segue meia dúzia que aparecem com maior freqüência na mídia, buscam comportamento tidos como “corretos”, daí a importância de demonstrar a toda a população quais as condutas não devem ser seguidas, que se apropriar de dinheiro alheio é crime, que mentir não cresce o nariz, porém, diminui o caráter, enfraquece a alma; que uma pessoa que ganha aproximadamente doze mil reais por mês (o que, diga-se de passagem, é um valor elevado para a média salarial do Pais) mesmo assim, não tem condições de adquirir um “castelo” de vinte e cinco milhões de reais; que a conquista de bens materiais é gradativa e demorada, que a aquisição repentina de bens, pode ter quatro origens: trabalho, herança, jogo de azar ou meios ilícitos, esses dois últimos devem a todo custo ser excluídos; esse é o momento adequado para o nosso congresso nacional “dar exemplo” ao povo brasileiro, demonstrar a sua importância, seu poder, sua finalidade social; em caso contrario, restará a população brasileira uma lição de impunidade e utilização de todos os meios inadequados para se obter sucesso, e o grande problema desse mal exemplo será se todos pretenderem ter seu “castelo” a qualquer custo....

Por Luiz Cláudio Brito de Lima

3 comentários:

  1. Luis Claudio.

    Parabens pelo texto.

    Veja bem amigo, se não fosse a ganancia pelo prestigio do deputado ninguem saberia de suas cruezas. Renunciou ao cargo de corregedor e está a salvo. Se não serve para ser corregedor não serve tambem para ser deputado, voce não acha?
    Abraços.

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  2. Prezado Morais, voce sempre fazendo cometánrios pertinentes.Olha só que interessante,como bem observado pelo amigo,caso estivesse ficado "quieto",é provavél que naõ fosse alvo das denúncias, porém, querendo "somar" um pouco mais, foi colhido na calada da noite.Penso que o parlamentar em comento não serve para vice-presidente, ainda mais corregedor, acredito ainda, que nem como deputado federal/estadual, quem sabe como corretor?(espero não ter ofendido a excelente classe dos corretores, a intenão não foi essa).Abraços meu amigo.Luiz Cláudio Brito de Lima

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  3. Agora o DEM fala em expulsão do Deputado.
    O partido fez campanhas com dinheiro sujo, nadaram de braçada sabendo de onde o dinheiro vinha, e de repente querem posar de virgem.
    Todo bandido quando é flagrado com a mão na massa, aparece posando de inocente, sempre arrumando desculpas para o seu envolvimento.
    O saco de gatos é grande.

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