10 fevereiro 2009

Quando os cearenses dominarem o mundo - Por: José Nilton Mariano Saraiva

Todo mundo sabe que o cearense está em tudo que é canto. Em geral, o cearense é aquele sujeito baixinho, narigudo, orelhas de abano, que é guardador de carro em São Paulo, chef de um restaurante em Nova York ou o designer que bolou o logo da Eurocopa, em Portugal. O que pouca gente sabe é que, na verdade, isso é uma bem arquitetada jogada que visa colocar gente nossa em postos chaves da administração mundial. Quando estivermos prontos, será deflagrada a grande tomada de poder e meu conselho é que você fique imediatamente amigo ou amante de um cearense, pois sabe como é: pros amigos tudo, para os inimigos, a lei! Tomaremos o poder a partir de uma senha pré-estabelecida, que só um cearense saberá o significado oculto. Aos berros de queima raparigal as hostes de cabeças-chatas invadirão os parlamentos, palácios, todos os jornais e as redes de TV do mundo livre. Ninguém desconfiaria que Astrogildo Hipólito, humilde faxineiro da CNN, na verdade é um professor do LIA, que rapidamente conectará a rede de Atlanta para nossos propósitos. Elegeremos um papa cearense, Raimundo I, vulgo Raimundão primeiro e único, que canonizará Padre Cícero e determinará que daí por diante em todas as igrejas católicas a hóstia seja feita com macaxeira. Essa simples burla papal fará com que a economia do Ceará dê um salto. O único problema é achar uma “mitra” que caiba na cabeça do papa, mas nós cearenses sabemos improvisar: Raimundo I usará uma “fronha de travesseiro” enquanto não se encomenda outra. A Literatura de Cordel ganhará status de arte maior, e Expedito Pimpão ganhará o Nobel de Literatura com seu livrinho “A moça que engravidou do cavalo e a Besta da sua mãe”. Nas artes plásticas, os desenhos com areia colorida irão ocupar alas e alas do Lovre, em Paris; para arranjar espaço para as garrafinhas de areia colorida, todas aquelas velharias do Turner e do Delacroix serão levadas para decorar a salinha do faxineiro ou serão jogadas no Sena. A Monalisa fica, pois na avaliação de Sebastião Macambira, vulgo pé-de-mesa, novo curador do museu, ela é uma “cabôca” danada de aprumada. O novo secretário geral da ONU será Roberval Benedito, que resolverá o conflito Israel/Palestina doando vastas extensões do sertão cearense pros brigões. A ata de doação será concisa e formal. Nas suas palavras: “olha aqui, bando de mulambeiros, a terra é seca do mesmo jeito e o mar é da mesma cor. Deixem de frescura, acabem com a viadagem que vocês nem vão notar a diferença e o Ceará ainda é maior que aquela tripinha de Gaza”. A famigerada música cearense ganhará status de melhor do mundo. Numa revanche histórica, teremos as categorias de música anglo-saxão e artista bretão no Grammy, para dar uma chance a esses aculturados, já que nossa música será hegemônica. O mesmo se dará com o Oscar: bolaremos uma categoria que premiará o melhor filme de cangaço, melhor cena de amor numa jangada e melhor mocotó, este para as atrizes mais pernudas. Para apresentar o Oscar, nada de John Stewart: o nosso Tiririca será o escolhido e Didi Mocó destronará Chaplin como ícone da comédia. O rodeio será substituído pela vaquejada, a Coca-Cola pela água de coco, Ipanema por Jericoacoara, chiclete por piquis, Gandhi por Antônio Conselheiro, Átila por Virgulino Ferreira e por aí vai. Nova York, será rebatizada de Nova Quixeramobim e vamos trocar aquela estátua cafona por uma enorme gostosa de biquini. Yeah! Não vejo como o plano possa falhar, pois cada vez mais nossos agentes se espalham pelo mundo todo. Só nos resta esperar, de preferência no fundo de uma rede, ouvindo o cantor das multidões, Bartô Galeno, enquanto as engrenagens giram por si. Adeus e até a vitória final!

Autor: desconhecido - Postado por: José Nilton Mariano Saraiva

3 comentários:

  1. Meu caro Jose Nilton.

    Eu era gerente do Bicbanco, Agencia Crato, lá pelos idos dos anos de 1990. Fui para uma reunião de Diretoria em São Paulo. Um diretor que era meu amigo Dr. Antonio Pompeu de Araujo, me convidou para almoçar num restaurante Espanhol. Garçon muito alinhado, muito educado, falando um bom espanhol etc. Dr. Pompeu arranhando um espanhol perguntou para o garçon: qual é sua região lá na espanha? Ele respondeu, eu não sou espanhol não, eu sou cearense lá de Cariré.

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  2. Morais,

    Sem maiores responsabilidades, no tempo da nossa solteirice andamos a conhecer um pouco desse Brazilzão.
    No Rio de Janeiro, em São Paulo, em Curitiba e em Porto Alegre, cansamos de esbarrar com cearenses exercendo a função de garçon ou cozinheiro de restaurantes (eram provenientes de São Benedito, Crato, Ubajara, Quixadá, Iguatu, Tianguá e por aí vai).
    E como eles vibravam ao saber da nossa origem.
    Em Curitiba, por exemplo, que enfrentava à época uma terrível seca (cartazes com a expressão "a falta d'agua é fogo", foram distribuidos nos elevadores e corredores do hotel); e foi num dos elevadores que um jovem ascensorista, ao notar o nosso sotaque, perguntou se éramos cearense; ao respondermos afirmativamente, que sim, e do Crato, ele abriu um largo sorriso e identificou-se como de São Benedito; aproveitou para dizer que estava "adorando" a falta d'agua na cidade, porque só assim "eles", sulistas, podiam aquilatar o sofrimento do nordestino.
    Coisas da vida...

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  3. Muito bom esse texto. Já o conhecia, mas um diferencial. No texto que li o secretário da ONU era ninguém menos que Seu Lunga. Diz o texto: "Somente seu Lunga do alto da sua paciência para arbitrar os conflitos no Oriente Médio. E emenda: Na hora do bate boca entre os chefes de estado seu lunga diria - Ô seus magote de corno vamu parar de briga besta. Oxente, será possível!" e por aí vai. É hilário.

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