xmlns:fb='http://www.facebook.com/2008/fbml' xmlns:og="http://opengraphprotocol.org/schema/"> 02/01/2009 - 03/01/2009 | Blog do Crato
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VÍDEO - VÍDEO DE LANÇAMENTO - Em breve, as novas transmissões TV Chapada do Araripe. Espero que curtam o vídeo de lançamento abaixo, em que há uma pequena retrospectiva de alguns trabalhos, reportagens já feitas ao longo dos muitos anos que fazemos reportagens. ( Veja o vídeo e compartilhe ). www.tvchapadadoararipe.com



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28 fevereiro 2009

A Troça - Por: Dr. José Flávio Vieira


“E qual é a natureza do Deserto ?
é uma terra onde todos vivem uma vida
falsa, fazem a mesma coisa que os outros
fazem, do modo como lhes foi ensinado,
sem que ninguém tenha coragem de viver sua
própria vida.”
Joseph Campbell


Para Campbell (1904-1987), um dos mais profundos estudiosos da Mitologia, existem duas forças inconscientes na raça humana impulsionadoras das histórias mitológicas. A primeira delas é a nossa Finitude . Somos espécie extremamente perecível e de vida curtíssima se comparada , por exemplo, aos reinos mineral ou vegetal ou mesmo a outras espécies menos desenvolvidas como as tartarugas. Este terror da estrada tão curta e com tantos abismos nos assalta a cada passo. A outra delas é a constatação da nossa selvageria intrínseca : para sobrevivermos temos que devorar outras espécies diariamente , vegetais ou animais. Este destino canibalesco nos persegue sem trégua. Parece-nos aterrador , com tanto desenvolvimento humano, com tanto avanço tecnológico, não conseguirmos escapar das mais primárias leis da floresta. Para escapar no planeta , mesmo dentro dos limites apertados da nossa finitude, temos que utilizar meios não diferentes do lobo e do chacal. A maior parte dos mitos, assim, surgem de forças inconscientes que buscam , como um mecanismo de defesa, minorar um pouco esta constatação aterradora: por mais importantes e civilizados que os homens se sintam, não passam de canibais de vida brevíssima.
Assim, os rituais de morte em toda nossa trajetória aqui pela terra são carregados de significado. Quase todos pregam uma possibilidade de transcendência. A vida não é só esta curta passagem terrestre, mas continuaria infinitamente em outras dimensões. As cerimônias religiosas variam histórica e geograficamente, mas todas carregam consigo este potencial mágico de prolongar a existência humana. Algumas em espírito como na Umbanda, no Kardecismo e no Budismo; outras como entre os Cristãos, os islâmicos e os egípcios : em corpo e alma. O anverso e reverso desta mesma moeda estão, como era de se esperar, ligados umbilicalmente e a outra dimensão mágica desta vida é necessariamente um reflexo da dimensão real. Do outro lado colheremos o que plantamos por aqui ou teremos que continuar semeando por lá até que nasçam frutos opimos e saborosos.
Entre nós os rituais fúnebres são bem mais leves entre os Kardecistas, os Budistas e no Camdomblé . Entre os Cristãos percebe-se que , mesmo com a promessa inconteste de ressurreição plena futura , existe uma difícil digestão da partida final. Talvez porque o sentimento de culpa que nos é imposto desde a infância seja aterrorizante. Nascemos já com uma dívida de uma maçã digerida ainda no Gênesis e com a pena eterna da crucificação de Cristo; além dos espectros do inferno e purgatório a nos perseguir. O pavor do julgamento final, por mais misericórdia que se pregue na imagem do Criador, é sempre vultoso. As religiões que acreditam na Reencarnação , por outro lado, apresentam a cômoda possibilidade de se pagar a dívida eterna em módicas prestações reencarnatórias. Diferentemente, em Nova Orleans , o berço do jazz, os funerais começam geralmente acompanhados de bandas afinadíssimas tocando blues , mas a partir de um certo momento, atacam com músicas animadas e carnavalescas e as pessoas dançam e pulam, inclusive o fazem com o próprio caixão, incluindo o falecido no baile. É como se simulassem o ritual de morte-renascimento. Choramos pela morte, mas comemoramos o renascimento neste mesmo instante
Talvez, por tudo isto, o Carnaval, entre nós , seja uma festa tão gigantesca e de tanto significado mitológico. Claro que estou me referindo a um Carnaval como de Olinda e Recife. O de Salvador é uma indústria de entretenimento, perdeu toda característica de uma festa popular. A maisena foi substituída pela Caixa Registradora. O período momino nos dá uma espécie de salvo-conduto religioso. É como se tapássemos os olhos de todos os vigilantes da moralidade por cinco dias. Quebram-se as fronteiras sociais e todas as castas se misturam sem nenhum apartheid. Os códigos de conduta, os rigores do moralismo se esfacelam. Chutamos o traseiro de Apolo e caímos nos braços de Dionísio. Cada um veste seu figurino e , naqueles cinco dias, representa um personagem no grande palco da vida. O empresário se veste de urso, a mocinha de melindrosa, o rapaz de prostituta, o menino de super-herói. Tudo que acontece é perfeitamente transitório e temporário: as relações, as brincadeiras , as danças, os movimentos, os afetos. Simplesmente porque são realizados pelos personagens de que cada um está travestido. Na quarta-feira, despem-se as roupas da Cinderela e os personagens saem de cena, já não é possível encontrar a dona do sapatinho de cristal. Todos os blocos têm uma relação muito suave com a perspectiva da morte. A cada ano vão faltando foliões inveterados. Homenagens são feitas, a saudade claro, existe, mas em nenhum momento se quebra a alegria da festa. Os frevos e os bonecos gigantes eternizam o nome deles : Felinto, Pedro Salgado, Guilherme Fenelon, Raul Morais, Capiba, Nélson Ferreira, Edgar Morais, Batata, Enéas do Galo da Madrugada. Além dos antigos blocos que foram desaparecendo : Bloco das Flores, Andaluz, Pirilampos,Turunas de São José, Apóis Fum. A sensação que todos têm é que , agora, com suas ausências naturais, os que ficam têm que manter a tudo custo alegria e a ludicidade da festa. Existia em Olinda um senhor humilde chamado Mário Raposo e que todo carnaval se vestia de fraque e cartola e incorporava um personagem conhecido por todos : “O Lord”. Há dois anos seu Mário partiu e, defronte da sua casa, na Rua do Amparo, há um pôster extremamente significativo, colocado desde então em todo Carnaval . Um retrato grande do Lord e abaixo : “ Mário Raposo – Saudades Sim, Tristeza Nunca !”.Talvez as Cinzas da Quarta-Feira já tenham sido colocadas estrategicamente depois da folia para jogar água morna no povo, trazendo-os de volta à culpabilidade da vida cotidiana.
O Carnaval traz consigo, assim, este grande potencial mitológico e terapêutico. A existência , quem sabe, é uma espécie de troça chamada de “A Vida é Maravilhosa”. Os foliões terão sempre uns poucos dias para brincar; todos se disfarçarão de muitos personagens neste desfile; muitos irão saindo , pouco a pouco , do corso e os que ficam precisam manter a alegria da festa e, mais, se divertir pelos que ficam e pelos que já não estão presentes. É preciso manter erguido o estandarte da troça: a saudade não poderá nunca se transformar em tristeza. E, como nunca se sabe quando a festa acaba, é mergulhar no passo, antes que no horizonte irrompa a quarta-feira ingrata com suas cinzas de chumbo.

J. Flávio Vieira


Marolas - Por: Claude Bloc

Foto por Claude Bloc
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Onde eu morava havia um açude
em que minha teimosia mergulhava
nas tardes de estio.
Ali também, o sol deslumbrado
brincava infiltrando-se
nas turvas águas de minha incerteza.
Eu era apenas uma menina
cheia de esperanças
e sonhos.
Ficava quieta, concentrada
sozinha,
entre aquela fartura de silêncios
que abrigava meu espetáculo vital.
Tocava o vento
e a marola encrespada
da superfície do espelho
Refletia-me...
Escutava o desabrochar da tarde
esvaziando-se de luz
escondendo o destino
nas vestes insalubres das águas.

Espumas ancoravam nas margens
festejando a noite que vinha
...e um manto de estrelas
faiscava no sereno
à última luz do dia.

A brisa chegava
inconsequente
faceira
e
passeava por sobre o silêncio
escondendo segredos
segredando incertezas
o vento na proa dos sonhos
soprando-me a nuca
emprestando saudades
aos meus desejos.
***
Por: Claude Bloc

De um amigo para outro - Por : Nilo Sérgio Monteiro

Estimado José do Vale,

As referências elogiosas que você me dedicou me envaidecem e certamente provém mais desse coração bondoso que carrega no peito. Fomos contemporâneos de tantas histórias, a mais inesquecível delas é de termos sido colegas da IVª Série Ginasial do glorioso Colégio Diocesano na turma mais eclética e vanguardista que o saudoso Monsenhor Montenegro já topou. Outro dia, José me lembrou em um de seus artigos a saga das paqueras e namoros com as meninas da Praça Siqueira Campos em suas “quilométricas voltas” nos domingos à noite. Lá tudo podia acontecer, ou não! E lembrava: como eu era “amigo” de todas as meninas do Crato e ele estava apaixonado por “alguém”, queria que eu conversasse com ela. Esse “conversar” era a minha arte, hoje o termo seria: “fazer a cabeça”. Socorro Moreira proclama do alto de sua sapiência e extrema capacidade de observação que eu namorei metade das meninas do Crato enquanto a outra metade suspirava! Faz sentido então o apelido que me arrumaram: CD! Esse apelido CD, José lembra, é aquele sujeito doce, mas é um adjetivo qualificativo que de cara ao menos avisado leitor soaria pejorativo. Mas não era! Infelizmente é uma palavra aqui impublicável, mas o caro leitor neste momento já sabe o significado e estará certamente dando uma risadinha. Mas esse apelido adveio da minha natural facilidade de comunicação, especialmente com o sexo oposto. Além do mais, estava em todas as rodas e circulava em todos os grupos. Era convidado pra tudo que é festa, reuniões e eventos. Imaginem que até a Madre Siebra e a Irmã Maria de Fátima me abriam os portões daquela “maravilha” que era o Colégio Santa Teresa, das inesquecíveis e míticas internas. Tudo que era festa a Madre me chamava para organizar. Fora o Padre Confessor, os mestres de obras e peões, homem nenhum pisava lá dentro! Ah! Que maravilha, com minha cara de “santo do pau oco” namorei logo de saída com duas irmãs pernambucanas, não namorei a terceira porque não deu tempo! E para completar o meu “instrumental” não é que o Padre José Honor de Brito (saudades) me chamou um dia e disse-me: Nilo Sérgio, você foi ótimo aluno de Latim e Grego no Seminário, deve escrever bem. De agora em diante você está nomeado o Cronista Social do Jornal. Pronto! Juntou a fome com a vontade de comer! Recordo-me que criei uma coluna denominada: “curtinhas”! Alguém lembra? As socialites do Cariri me cercavam e era um tititi infernal. Na redação tive a honra da conviver e aprender com a amizade dos insuperáveis jornalistas e radialistas: Antonio Vicelmo e Humberto Cabral. E por ai fui indo. Bom mesmo era a chegada das famosas “excursões” com garotas de outras cidades do Cariri para hospedar-se no Colégio. Meu caro José você lembra? Era uma loucura! Choviam os muitos outros galãs da cidade. E naquela rua ficavam pra cima e pra baixo. Ou encostados na casa do nego Zé Ribeiro. E os “pés de valsa” hem? Esses tinham seu momento de glória e a facilidade de passar a famosa cantada. Quem não dançava bem era um suplicio hem José? José carrega ainda hoje, suponho um sorriso franco, enigmático até. Mas jovial e encantador. Sujeito inteligente, arguto, um amigo que eu gostava demais da conta. Mas tinha um defeito: era tímido que só vendo no trato com o sexo oposto. Bom. Só sei que nessa história de leva e trás recados, ajeita namoros, faz as pazes, não me lembro se meu desempenho de “cupido” deu certo para o amigo. Espero que sim! Só sei que sua paixão deu namoro, amor e casamento que descreveu com a maestria de sempre no artigo ao qual me referi no início. Sim José, nós vivemos uma contemporaneidade inesquecível e continuamos a combater um bom combate! Até o nosso encontro que aguardo ansioso. Deus e N. S. da Penha nos guarde até lá.

Por: Nilo Sérgio Monteiro


Nos Leilões do Padre Onofre - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Esta é uma das muitas histórias que o meu amigo Leofredo Pereira costumava contar. Um dos seus companheiros de infância, nos anos cinqüenta, tinha um estranho apelido: De Bronze. Não cheguei a conhecê-lo, mas de tanto ouvir Leofredo contar suas peripécias, imaginei que De Bronze não poderia ser nenhum santo. Depois de haver aprontado muito no Juazeiro, De Bronze foi trabalhar na construção de Brasília, onde imagino que até hoje esteja radicado. Na época, correu a notícia de que De Bronze havia se transformado num homem, para contentamento geral e alívio de toda a população juazeirense. Dois ou três anos depois da sua ida para Brasília, De Bronze voltou de férias, justamente na época das festas de São Miguel. Na primeira noite do leilão, De Bronze reuniu os amigos, Leofredo entre eles e partiram para uma noitada de diversão na quermesse do padre Onofre. De Bronze trazia os dois bolsos laterais de suas calças completamente cheios. Salientava-se de seu interior algo parecido com dois volumosos maços de cédulas de dinheiro vivo. A toda hora, De Bronze batia sobre os bolsos emitindo um som fofo e dizia: “Hoje nós vamos deitar e rolar. Trabalhei duro em Brasília e vamos gastar, beber e comer como reis. Esta é a minha lei”. De Bronze e os amigos ocuparam umas três mesas que foram ajuntadas no centro da quermesse e começaram a arrematar tudo que era posto em leilão: perfumes, quinquilharias diversas e galinhas fritas. O padre Onofre esfregava as mãos de contentamento e dizia para seus auxiliares: “Atendam bem àquele jovem, ele está muito animado e veio de Brasília com os bolsos cheios de dinheiro!” De Bronze parece que intuíra o estado de espírito do padre e a cada instante voltava a bater sobre os dois pacotes que trazia em seus bolsos laterais, repetindo: “Vamos beber e nos divertir pessoal! Tudo aqui é por minha conta. Vou gastar como um príncipe árabe!” E continuava arrematando tudo que era oferecido no leilão. Depois que eles e os amigos estavam fartos de comida e bebida, passou a oferecer as prendas por ele arrematadas às mesas das autoridades presentes àquela festa. O prefeito, o juiz, a sua primeira professora, juntamente com o marido dela, os vizinhos foram todos contemplados. Não esqueceu nem mesmo do delegado, seu velho conhecido de outras noitadas insones que passara na prisão. A admiração era geral. Todos eram unânimes em afirmar que o jovem voltara realmente muito mudado. Ficara rico em Brasília! Tava aí um novo homem! Exclamavam uns para os outros. Finalmente, tarde da noite, já quase às duas horas da madrugada, todos já haviam se retirado, menos De Bronze e os amigos. Alguns já emborcados sobre as mesas dormiam o sono dos justos embriagados. Outros pensativos, sem ao menos saberem ao certo onde estavam. Finalmente o padre Onofre chegou com a conta e disse: “Meu filho, a festa de hoje foi muito animada, graças a você e a seus amigos. Mas infelizmente chegou ao fim e aqui está a sua continha. Deu três mil e novecentos e cinqüenta cruzeiros, o que para um jovem como você, que voltou endinheirado de Brasília, não representa nada.” De Bronze levantou a cabeça e com os olhos semi-cerrados respondeu: “Padre, pode mandar me prender que eu não tenho um tostão!” E surpreso, o Padre Onofre indagou: “Então o que é isto que você traz nos bolsos?” E o De Bronze prontamente lhe respondeu: “São dois pão doce, para eu comer na cadeia!”

(Condensado do livro: “Histórias que vi, ouvi e contei.”)
Por Carlos Eduardo Esmeraldo
Ajudem o blog do Crato: Telefonem para ( 088 ) - 3523-2272. e adquiram o livro "Histórias que vi, ouvi e contei."


Direito de Resposta de Brizola no Jornal Nacional - Por João Paulo Fernandes

Apesar do vídeo ser antigo, " Vale a Pena Ver de Novo". É uma pena que a imprensa cearense se cale perante essa emissora, é lamentável a falta de escrúpulos do jornalismo brasileiro!


"Saudade" - Por: José Nilton Mariano Saraiva

Trancar o dedo numa porta dói; bater com o queixo no chão dói; torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, doem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim.
Mas o que mais dói é... a dor da saudade.
Saudade de um irmão que mora longe; saudade de uma cachoeira da infância; saudade de um filho que estuda fora; saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais; saudade do pai que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade; saudade da gente mesmo...que o tempo não perdoa. Doem essas saudades todas !!!
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos; saudade da presença e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ela no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá; você podia ir para o dentista e ela para a Faculdade, mas sabiam-se onde; você podia ficar o dia sem vê-la, ela o dia sem vê-lo, mas sabiam-se amanhã.
Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é basicamente não saber; não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia; não saber se ela foi à consulta com o dermatologista, como prometeu; não saber se ela tem comido bem por causa daquela mania de estar sempre ocupada; se ele tem assistido às aulas de Inglês, se aprendeu a entrar na Internet e a encontrar a página do Diário Oficial. Se ela aprendeu a estacionar entre dois carros; se ele continua preferindo Malzebier; se ela continua sorrindo com aqueles olhinhos apertados; se ele continua cantando tão bem.
Saudade é não saber mesmo. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos; não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento; não saber como frear as lágrimas diante de uma música; não saber como vencer a dor de um silêncio que nada, nada preenche.
Saudade é não querer saber se ela está com outro, e ao mesmo tempo querer; é não querer saber se ela está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso; é não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim doer, e muito.
Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo e o que você, provavelmente, está sentindo agora, depois que acabou de ler...

Autor: Miguel Falabella - Postagem: José Nilton Mariano Saraiva

Cai Índice de Mortalidade Infantil no Crato - Unicef esclarece Índices

O município do Crato conseguiu reduzir significativamente nos últimos anos a mortalidade infantil no município, graças a um trabalho integrado da saúde. Dados demonstram essa realidade, relacionada as doenças infecciosas e parasitárias como diarréias, pneumonias, principalmente, em crianças menores de um ano. O relatório da Secretaria de saúde demonstra que no período de 1990 a 2007, houve uma redução de 52% da mortalidade infantil. A taxa de mortalidade infantil nos últimos três anos foi de 16 óbitos em 2006, para cada 1000 nascidos vivos; 13 óbitos em 2007, para cada 1000 nascidos vivos, em 2008, foram 12 óbitos para cada 1000 nascidos vivos, de acordo com dados do Departamento de Epidemiologia da Secretaria de Saúde. O acompanhamento realizado pela Secretaria de Saúde, conforme a secretária Nizete Tavares, demonstra claramente que o município tem avançado sensivelmente nesse indicador, o que garante o alcance dos objetivos de desenvolvimento do milênio em nível nacional e mantêm-se abaixo do preconizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que são 20 óbitos para cada 1000 nascidos vivos.

Relatório do Unicef esclarece índices

O Unicef, por meio de carta de esclarecimento sobre os índices de mortalidade infantil, ressalta que tendo em vista a divulgação global do relatório da SITUAÇÃO MUNDIAL DA INFÂNCIA 2009, o escritório do Fundo das Nações Unidas Para a Infância (Unicef), no Brasil esclarece que os valores apresentam nessa publicação ainda não contemplam os dados da rede Intergerencial de Informações (Ripsa), já utilizado pelo Unicef no Brasil como instrumento de monitoramento e análise da situação das mulheres e crianças no Brasil.

As diferentes metodologias utilizadas nos modelos estatísticos globais e em cada país para o cálculo de alguns indicadores apresentam resultados diferenciados. Em nível global, a mortalidade de crianças é calculada e ajustada anualmente por um grupo interagencial, constituído pelo Unicef, OMS, Banco Mundial e Divisões de População e de Estatística das Nações Unidades. Estimativas publicadas em edições consecutivas de diferentes relatórios não podem ser comparadas e usadas para a análise da mortalidade infantil ao longo do tempo, uma vez que estão sujeitas a constantes ajustes e revisões que, em muitos casos, alteram a série histórica. O relatório do Unicef demonstra que, no período de 1990 a 2007, houve uma redução de 62% da mortalidade da infância (menores de 5 anos) e de 59% da mortalidade infantil (menores de 1 ano) no Brasil. Os dados brasileiros, conforme a Ripsa, demonstram que a taxa de mortalidade em menores de 5 anos caiu de 50,6/1000 nascidos vivos em 1991 para 23,1/1000 nascidos vivos em 2007, com uma constante tendência de melhora. Em 2006 e 2007, a taxa caiu de 23,6 para 23,1. Já a taxa de mortalidade em menores de um ano caiu de 45,2/1000 nascidos vivos em 1991 para 19,3/1000 nascidos vivos em 2007, apresentando também uma tendência constante de melhora. Entre 2006 e 2007, a taxa caiu de 20,2 para 19,3.

Fonte: Website Oficial da PMC


Centenário do Poeta - Festa para Patativa do Assaré - Por: Antonio Vicelmo

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Antônio Gonçalves da Silva, o Patativa do Assaré, tornou-se famoso com a poesia do sertão (Foto: JOSÉ LEOMAR)

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Filhos e netos de Patativa em frente à casa restaurada onde nasceu o pai ilustre. O imóvel está com o desenho arquitetônico original preservado (Foto: ANTÔNIO VICELMO)

A partir de amanhã, e até o dia 5, o município do Assaré está em festa para marcar os 100 anos de seu filho maior

Assaré. “Seu doutor só me parece/que o senhor não me conhece/nunca soube quem sou eu/nunca viu minha paioça/minha muié minha roça/nem os fios que Deus me deu”. Ao se autodefinir como um pobre matuto roceiro, o poeta Antônio Gonçalves da Silva, o Patativa do Assaré, nunca imaginou que o seu nome fosse ficar gravado nos principais equipamentos de sua cidade natal. Estrada, emissora de rádio, memorial, universidade e escolas têm o nome do poeta que, se fosse vivo, estaria comemorando 100 anos de idade no próximo dia 5. Patativa nasceu a 5 de março de 1909 na Serra de Santana e morreu em 8 de julho de 2002.

Sete anos depois de sua morte, o nome daquele agricultor sofrido, que se tornou órfão de pai e arrimo da família na adolescência, é o maior referencial de Assaré que, se não fosse o poeta, era mais uma “cidadezinha” perdida nos limites do Cariri com a região dos Inhamuns, a mais seca do Estado. Nem mesmo o Barão de Aquiraz, que foi deputado, senador e também vice-presidente do Ceará e construiu sua casa, no Sítio Infincado, município de Assaré, conseguiu projetar o nome da cidade.

Além das fronteiras
O menino Antônio Gonçalves da Silva, que virou “Senhorzinho” para a família e transformou-se em Patativa para o mundo, ultrapassou as fronteiras do Brasil e está sendo estudado na cadeira de Literatura Popular Universal, sob a regência do professor Raymond Cantel, na Universidade de Sorbonne, França, uma das mais antigas do mundo. Patativa do Assaré, segundo Cantel, era unanimidade no papel de poeta mais popular do Brasil.

Para chegar onde chegou, tinha uma receita prosaica: dizia que para ser poeta não era preciso ser professor. “Basta vê no mês de maio/ um poema em cada gaio/ um verso em cada fulô”. O professor Plácido Cidade Nuvens, reitor da Universidade Regional do Cariri (Urca), que escreveu o livro “Patativa do Assaré e o Universo Fascinante do Sertão”, editado pela Fundação Edson Queiroz, vai incluir na segunda edição a tradução dos poemas de Patativa em francês e italiano. O terceiro capítulo tem o título de “A Triste Partida”, que trata do velório e morte do poeta.

A partir de hoje, a cidade de Assaré se “engalana” para refletir sobre a verdadeira dimensão deste homem e de sua obra, a verdadeira grandeza deste agricultor que construiu uma poesia capaz de colocá-lo, em pé de igualdade, ao lado dos maiores nomes da nossa literatura. Uma das homenagens é a restauração da casa onde Patativa nasceu, na Serra de Santana. Foi mantida a mesma estrutura do imóvel anterior. Até mesmo a janela que foi aberta no quarto escuro onde nasceu Patativa foi fechada por determinação dos arquitetos que acompanharam a restauração.

Museu temático
A idéia, segundo o secretário de Cultura de Assaré, Marcos Salmo, é transformar a casa em um museu temático, onde os visitantes possam encontrar, além de móveis antigos restaurados, objetos pessoais do poeta e fotografias da família. O museu irá destacar ainda Patativa como agricultor, abordando este aspecto da vida do poeta, que, mesmo se enveredando pela cultura popular, sempre esteve próximo às atividades do campo, ao cultivo da terra que lhe serviu de inspiração para criação dos versos.

Os móveis foram restaurados pelo poeta Cícero Batista, que foi companheiro de Patativa do Assaré nos desafios de viola. Um dos objetos restaurados foi um santuário com mais de 100 anos. O filho de Patativa, Afonso Gonçalves, que é carpinteiro, fabricou uma das janelas da casa.

Está semana, os filhos de Patativa, Geraldo, Afonso e Inês, que moram na Serra de Santana, acompanharam os últimos detalhes de reconstrução da casa. “Foi um serviço bem feito, eles reconstruíram até o ‘sótom’, onde eram guardados os legumes”, diz o filho mais velho, Geraldo Gonçalves.

A casa de taipa, chão batido, é o retrato fiel da realidade nua e crua vivida pela família Gonçalves. Ali, entre quatro paredes, na solidão da serra, o poeta construiu o seu mundo. Enquanto irrigava a terra árida com o suor de seu rosto, na luta desesperada pela sobrevivência, Patativa cantava as amarguras e alegrias da vida ao som de uma viola.

Família pobre
Os filhos e netos do poeta, que acompanharam de longe a restauração da casa, têm consciência do que o imóvel representa para a família. “Nele estão guardadas todas as emoções de uma família pobre”, diz Inês Alencar, filha mais velha de Patativa, destacando que a casa “é um sacrário de sonhos e ilusões”. É com este sentimento de saudade e gratidão, mas também de uma timidez própria do povo sertanejo, que os familiares de Patativa participam da festa que marca o centenário do pai famoso. Este que nunca deixou de ser o “Senhorzinho”, ou o repentista tocador de viola que varava as madrugadas das noites sertanejas, com versos incomparáveis.

ANIVERSÁRIO
1909 foi o ano de nascimento do poeta popular Patativa do Assaré, que aniversaria os 100 anos no próximo dia 5 de março e vai ganhar ampla programação em municípios do Cariri e em Fortaleza

ANTÔNIO VICELMO
Repórter

Mais informações:
Prefeitura Municipal de Assaré
Rua Pe. Agamenon Matos Coelho, 148, Centro, Cariri
(88) 3535.1163
(88) 3535.1613


HOMENAGEM AO POETA

Programação terá shows e palestras

Assaré. A programação comemorativa ao Centenário de Patativa do Assaré será aberta amanhã, com um recital de poesias na “Rádio Patativa do Assaré”, seguida de uma concentração no Parque de Vaquejada e cortejo de grupos populares. Para noite estão programadas feiras de artesanato, exposições e apresentações de grupos populares. O ponto alto será a entrega dos certificados de Mestres da Cultura, na praça que tem o nome de Patativa. A programação do primeiro dia será encerrada com show das bandas “Forró Menina Morena”, “Solteirões do Forró”, “Banda Real” e “Santana, o Cantador”.

Para a segunda-feira, estão programadas cantorias na feira-livre, oficinas, apresentação de teatro e cinema no distrito de Aratama, exibição de filmes no Parque de Vaquejadas, inauguração de uma brinquedoteca e, à noite, apresentação da Orquestra Eleazar de Carvalho e shows com “Os Nonatos”, “Forró Primeiro Beijo” e “Mastruz com Leite”.

No dia 3, as apresentações de teatro e cinema serão transferidas para o distrito de Amaro. Os filmes serão exibidos no bairro Moeda. No Memorial Patativa do Assaré será realizada uma audiência sobre economia e cultura, promovida pelo Sebrae. A programação prossegue à noite, com apresentação de projetos sociais do município, encontro de sanfoneiros populares e shows com Gildário do Assaré e Adelson Viana, Cícero do Assaré e Orquestra Kariri, bandas “Cheiro de Menina” e “Cacau com Mel”.

No dia 4, as apresentações teatrais serão feitas no distrito de Genezaré, enquanto os filmes serão exibidos no bairro de José Dodó. No Memorial, serão realizadas palestras com Plácido Cidade Nuvens, professor B.C Neto, cineasta Rosemberg Cariri, professor e poeta José Jesus Leite e o agricultor e poeta Geraldo Gonçalves. O mediador é o professor Luizão. À noite, será realizado o Festival de Cantadores e Repentistas, seguido de lançamento de livros e shows com Ítalo e Reno, Dorgival Dantas, Kaninana do Forró e Açaí com Rapadura.

FIQUE POR DENTRO

Comemoração inclui agenda variada
No dia 5, data de aniversário de Patativa do Assaré, a programação será aberta às 6 horas, com alvorada festiva pelas ruas centrais da cidade, queima de fogos e Banda de Música Manoel de Benta. Em seguida, café literário de artistas, professores e a família do poeta. A partir das 9 horas, a programação será na Serra de Santana, com a inauguração da casa restaurada onde ele nasceu, com a presença d o prefeito municipal, Evanderto Almeida, do vice-governador, Francisco Pinheiro, demais autoridades, artistas e comunidade. No fim da tarde, missa de ação de graças na Matriz de Assaré. À noite, inaugurações e shows com Raimundo Fagner, Waldonys, Dominguinhos e Forró Sacode.

RECONHECIMENTO

Senador quer instituir 2009 como o ano do poeta de Assaré
Assaré. Antes da festa pelos 165 anos de nascimento do Padre Cícero Romão Batista, na segunda quinzena de março, Juazeiro do Norte renderá homenagens ao poeta popular Patativa do Assaré. Uma programação conjunta foi elaborada pelas secretarias de Turismo, Cultura e Educação. “Patativa do Assaré Sorbone” é o tema da programação.

Tramita no Senado Federal, em Brasília, projeto de lei de autoria do senador Inácio Arruda, propondo a instituição de 2009 como Ano Nacional Patativa do Assaré. Entre as obras musicais mais conhecidas do poeta, Inácio Arruda registra “A triste partida”, gravada em 1964 por Luiz Gonzaga, que constitui “um verdadeiro tratado sociológico, econômico e psicológico da saga do migrante, com uma conclusão profética e ousada para a época: é triste o nortista/ tão forte e tão bravo/ viver como escravo/ no Norte e no Sul”.

Fonte: Jornal Diário do Nordeste

Palestra sobre 120 anos do milagre da hóstia


Cariri

Juazeiro do Norte. A professora e parapsicóloga, Maria do Carmo Pagan Forti, vai proferir palestra sobre os fatos extraordinários de Juazeiro do Norte. O encontro, segundo o secretário de Turismo e Romaria deste município, José Carlos, se dá em virtude de 1º de março, amanhã, marcar os 120 anos da primeira transformação da hóstia em sangue, na boca da beata Maria de Araújo e também o início das peregrinações a Juazeiro do Norte na devoção ao Padre Cícero.A expectativa é de um bom público por ocasião da palestra que está marcada para as 20 horas do dia 6 de março, no auditório do Memorial Padre Cícero, com a participação de estudantes, professores e pesquisadores. Os professores, José Carlos, Daniel Walker e Maria do Carmo, também estarão presentes ao evento.

Mestrado

Maria do Carmo fez um trabalho relacionado à beata Maria de Araújo, fruto de tese de mestrado, defendida na Universidade de São Paulo (USP). Como resultado da pesquisa, foi publicado o livro “E Ela fez o Milagre”, relatando os fatos extraordinários de Juazeiro e toda a trajetória da mulher preta, pobre, costureira, que sofreu preconceitos da própria Igreja em relação ao que vivenciou por mais de 100 vezes. O sangramento das hóstias na boca da beata Maria de Araújo, gerado a partir da oferta do Padre Cícero, tomou grandes proporções para a própria Igreja Católica. Por longos anos não se falava publicamente no nome da beata, a protagonista de um milagre que tomou proporções em todo o Nordeste do Brasil e passou a atrair levas de romeiros para o município de Juazeiro do Norte, no Cariri.

Fonte: Jornal Diário do Nordeste
28-02-2009
Carnaval no Crato é sucesso e tranqüilidade marca os festejos

A cidade do Crato que até meados da década de oitenta era brindada com um dos melhores carnavais do Ceará, nesses últimos dois anos volta a respirar os ares da verdadeira ‘Folia de Momo’. Durante cinco dias o cratense e os foliões de diversas localidades da região e estados vizinhos, tiveram a oportunidade de desfrutar dos festejos carnavalescos por toda encosta serrana e das noitadas no Centro Cultural do Araripe, (Largo da RFFSA), com o Carnaval: CRATO AMADO, DO POVO, DA ALEGRIA E DA FOLIA. As festividades tiveram início na tarde da sexta-feira (20) com o grande cortejo do DESFILE DAS VIRGENS, em que homens travestidos de mulheres invadiram as ruas do centro da cidade espalhando humor e deboche ao som de frevos, sambas, marchas etc. Acompanhado por dois trios elétricos, o bloco chegou à noite ao Largo da RFFSA, local escolhido para a culminância do desfile esse ano. Com um contingente estimado em 15 mil pessoas, o tradicional Bloco das Virgens, foi recepcionado por outra multidão que agitava o Centro Cultural do Araripe ao som da frenética Banda EMBALO VIP, que deu continuidade à festa do povo. Com uma programação diversificada, que variava entre vesperais para o público infantil, com TIO BIBI & Cia, e para o pessoal da ‘melhor idade’ com frevos e marchinhas, o encontro dos blocos na tarde da terça-feira com SILVIO E MARCOS ELÉTRICO e as noitadas com as bandas EMBALO VIP e STEFANIE PONTES E BANDA, o Carnaval CRATO AMADO, DO POVO, DA ALEGRIA E DA FOLIA, vem legitimar a consagração da maior festa popular do país com um evento tranqüilo, sadio que abrilhantou a cidade por cinco dias. Para o êxito do Carnaval: CRATO AMADO, DO POVO, DA ALEGRIA E DA FOLIA, a Secretaria da Cultura, Esporte e Juventude, como executora do evento, contou com a parceria das Secretarias Municipais de Saúde, Meio Ambiente e Controle Urbano, Ação Social -por meio de parceria com o Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) e Centro de Referência Especializado em Assistência Social (CREAS) - com órgãos de segurança, a exemplo da Guarda Municipal, Demutran, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros. Parabéns à equipe de produção da Secretaria da Cultura Esporte e Juventude. Parabéns ao Prefeito Samuel Araripe e a Secretária Danielle Esmeraldo. PARABÉNS AO POVO DO CRATO!

Nenhum caso de dengue confirmado em 2009

O município do Crato tem conseguido reduzir a cada ano o número de casos de dengue no município, graças a um trabalho integrado entre a sociedade e poder público. O município do Crato tem travado uma grande luta contra a dengue no município. Tanto que os índices registrados junto à Secretaria de Saúde do Município, enviado para o relatório estadual, têm demonstrado essa realidade. Este ano ainda não foram confirmados casos da doença. Segundo dados do setor de Epidemiologia, foram notificados 19 casos e a Secretaria está aguardando o resultados dos exames. Durante a semana passada foi desencadeada uma grande campanha de prevenção e combate ao mosquito, com base nos dados coletados ano passado. Cerca de 65% dos focos do mosquito foram encontrados nas residências em tambores, tinas, potes, caixas d’água e congêneres. Ano passado foram registrados em Crato 119 casos de dengue, sendo um deles de dengue com complicações e o outros de dengue clássica. Em relação ao ano anterior, 2007, a redução foi significativa, já que os dados de casos confirmados pela Secretaria foi de 1.199 casos de dengue clássica e 38 de dengue com complicação, além de 17 de febre hemorrágica do dengue. Nenhum óbito foi registrado em virtude da doença nesses dois anos. Nos últimos oito anos, um dos piores momentos enfrentados pelo município em relação a dengue foi em 2001, com o registro de 2.114 casos de dengue clássica, 1 com complicação, um de febre hemorrágica do dengue e dois óbitos. em 2005, foram seis óbitos registrados. Conforme e Epidemiologia do Município o número de casos de 2007 ocorreu principalmente em virtude da circulação simultânea de três soropositivos virais e um grande contingente populacional susceptível à doença.

Saúde lança plano de contingência e integra entidades na luta contra a dengue

A Prefeitura Municipal do Crato tem desenvolvido importante trabalho relacionado à dengue, no sentido de combater o mosquito, através de um trabalho conjunto e integrado com a sociedade e secretarias. Agentes de Endemias, Agentes Comunitários de Saúde, técnicos, entidades engajadas e a própria sociedade estão sendo mobilizados no sentido de combater o mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti. A Mobilização Social tem realizado importante trabalho de divulgação, conscientização, e educação junto às comunidades e as escolas. Um plano de contingência foi lançado no início deste ano como forma de chamar a população para o trabalho de combate junto com o poder público. Dentro desse trabalho a Secretaria vem desenvolvendo alguns projetos e planos de combate ao mosquito. O Combate à Dengue não tem Idade, envolve o trabalho voluntário com os idosos nas visitas às residências do município, orientando os moradores. Outro trabalho é o Zero Mosquito, Zero Dengue, além do Festival de Paródias, levando a arte como instrumento de divulgação, Bonecos nas escolas, a adoção do Plano Nacional de Combate ao Dengue (PNCD) e Plano de Contingência, para atuação nos anos de 2008/2009.

Prefeitura lança grande campanha de combate ao Aedes aegypti

Uma grande campanha “O Combate à dengue começa em casa” foi lançada com cortejo pelas ruas, com banda de música, blitze, na ASA e no sinal da quadre Bicentenário, um trabalho de demonstração na praça Siqueira Campo, panfletagem e distribuição de adesivos nos veículos. O trabalho continua com os mutirões nos bairros, envolvendo agentes, técnicos de saúde e a comunidade. Cerca de 300 terrenos baldios foram cadastrados pela Secretaria de Saúde e nesses locais está havendo mutirões de limpeza, no sentido de evitar a proliferação do mosquito. Nesse período de chuvas a divulgação junto aos meios de comunicação e o trabalho dos agentes se intensificam. São ações que o poder público tem realizado, com resultados positivos. Esses índices podem ser minimizados a cada ano, com o apoio e o engajamento da sociedade. Segundo a Secretária de Saúde do Município, se trabalha com uma perspectiva otimista em relação à redução dos índices, mas é importante a população colaborar e se manter alerta, principalmente durante o período de chuvas. O acompanhamento dos trabalhos tem sido de forma efetiva pela Secretária de Saúde, Nizete Tavares, e pelo prefeito Samuel Araripe, que solicita o apoio efetivo da sociedade para juntos, poder público e população, se vencer essa batalha contra o mosquito da dengue. O trabalho da Secretaria envolve uma atividade intensificada, principalmente nas áreas de maior incidência, com distribuição de toucas para potes e cobertas para caixas de água, dentre outros meios de prevenção adotados.

Fonte: Assessoria de Imprensa
Prefeitura Municipal do Crato

Auto Filho, anunciou a verba de R$ 16 milhões para o Fundo Estadual de Cultura de 2009. Pelo menos, 50% desse valor devem ser investidos no Interior‏

Que em 2009 a Cultura seja levada mais a sério, não apenas como um vetor de desenvolvimento socioeconômico (já se sabe que ela é), mas, igualmente, como expressão viva da identidade do nosso povo, seja aqui no Nordeste, seja em qualquer lugar e como possibilidade de intercâmbio com outras culturas. A nossa secretária, Danielle Esmeraldo, está de parabéns pelo trabalho que vem desenvolvendo desde 2008, com a abertura de canais de diálogo entre os vários atores do chamado Sistema de Cultura e com a implementação de atividades diversas no Centro Cultural do Araripe.
Boa leitura!

Tânia Peixoto
"O tempo é o meu lugar, o tempo é minha casa."
(Vitor Ramil)

CEARÁ - Fundo Estadual de Cultura terá R$ 16 mi
Diário do Nordeste - Ícaro Joathan

Autoridades ligadas à cultura no Estado, durante abertura do encontro em Fortaleza (Foto: HAROLDO SABOIA). Valor foi anunciado a gestores municipais de cultura na abertura de encontro que segue até hoje na Capital

Fortaleza. Gestores municipais de Cultura de todo o Estado estão reunidos, desde ontem pela manhã, no Condomínio Espiritual Uirapuru, em Fortaleza, onde participam da primeira edição do projeto Diálogos da Cultura. No evento, o titular da Secretaria da Cultura do Estado (Secult), Auto Filho, anunciou a verba de R$ 16 milhões para o Fundo Estadual de Cultura de 2009. Pelo menos, 50% desse valor devem ser investidos no Interior. O encontro, organizado pela Secult, prossegue até hoje à tarde. Na programação do segundo dia de atividades, está prevista a eleição da nova diretoria do Conselho dos Dirigentes Municipais da Cultura (Dicultura) para o biênio 2009/2011. Outro produto das discussões, segundo Auto Filho, deverá ser a elaboração de um calendário regional turístico-cultural — ou pelo menos da minuta do mesmo — para o Ceará, congregando eventos promovidos pelos municípios, Estado e União.

A destinação de R$ 16 milhões para o Fundo Estadual de Cultura representa um aumento em relação aos R$ 14 milhões de 2008, conforme Auto Filho. A verba inclui o montante destinado aos editais de apoio aos projetos oriundos da sociedade civil nas mais diversas áreas culturais, como teatro, dança, cinema, música, artes plásticas, entre outras.

Calendário de eventos

A elaboração do calendário, que deve começar a ser implementado parcialmente no segundo semestre deste ano e integralmente a partir de 2010, ajudará o Estado a aplicar os recursos “de forma mais racional”, segundo o secretário. A idéia é evitar choques e superposições de eventos. A realização pela primeira vez do Encontro dos Gestores Municipais de Cultura busca alinhar a política cultural do Estado com a dos municípios cearenses. No primeiro dia, foram apresentados projetos e programas desenvolvidos pela Secult. Hoje, haverá maior espaço para reivindicações dos representantes municipais. Um dos tópicos reforçados por Filho é a necessidade de os municípios constituírem, por completo, o Sistema Municipal de Cultura, estrutura prevista dentro do Sistema Nacional de Cultura. Para isso, as prefeituras devem criar uma secretaria ou fundação municipal de cultura, um conselho municipal de cultura e um fundo municipal de cultura, para captar recursos para o setor. Atualmente, apenas 90 municípios cearenses têm o sistema local implantado. “A cultura é vetor de desenvolvimento socioeconômico. Defendemos que o município também invista, e não só a União e o Estado”, cobra o secretário. A partir de 2010, o Governo Estadual priorizará as transferências voluntárias de recursos para as prefeituras que tiverem o sistema completo implantado.

Na opinião da secretária de Cultura do Crato, Danielle Esmeraldo, a parceria com o Estado ajudará a manter e fortalecer a cultura regional, principalmente por meio do aporte de recursos financeiros, a maior dificuldades para as prefeituras do Interior, segundo ela. “Esse estreitamento é muito importante para que o Estado possa reconhecer o potencial e as dificuldades dos municípios para revitalizar e resgatar nossa cultura”, avalia. Quanto ao sistema municipal, Danielle diz que, além da secretaria, já tem as leis do conselho e do fundo municipal prontas, faltando apenas a implantação efetiva.

Mais informações:
Projeto Diálogos da Cultura
Encontro de Gestores Municipais da Cultura do Ceará
Secretaria da Cultura do Estado
(85) 3101.6791

Fonte: Jornal Diário do Nordeste

Por: Tânia Peixoto


27 fevereiro 2009

Abidoral Jamacaru em noite de show!

Centro Cultural BNB, hoje, 27 Fev 2009. A maturidade de um artista!

Cantou com alma!
Tocou-nos!

Discursou!
Recebe o carinho de seu público!

Fotos: Pachelly Jamacaru
"Direitos reservados"

Amor Virtual - Por João Marni de Figueiredo

De tanto ouvir sobre tragédias nos noticiários, fruto de encontros ora do acaso, ora de forma premeditada, envolvendo pessoas inocentes e bandidos, refleti que isso sempre ocorreu, sabe-se lá desde quando; hoje certamente em maior escala e riscos.
A tecnologia vem contribuindo, seja pelo telefone celular ou pelo computador, para esses contatos entre pessoas, muitas vezes envolvendo crianças, e também casais virtuais, sem que os personagens troquem olhares ou sintam o perfume do outro, - dirá o ferormônio, deixando de lado a visão de um certo jeito de andar... Ai veio-me a lembrança de tempos não tão distantes, da prática interiorana na busca pela cara-metade reservada nos altares de Deus, dos sonhos de cada um. Os encontros aconteciam também em qualquer lugar mas, muito freqüentemente, nas praças. A Siqueira campos, aos domingos à noite, era o grande palco onde as garotas passeavam num rito austero e delicado, nunca sozinhas, mas em pequenos grupos, de braços, limpas e cheirosas, em seus vestidos bonitos e pouco insinuantes, repetidos com choro e não menos espetaculares. Desfilavam contornando a praça para uma platéia de marmanjos que ficava à margem, aparentemente alheias a eles em seus segredos. Vez ou outra os olhares se cruzavam furtivamente, deixando alguma dúvida que só seria revelada no giro seguinte.
Confirmado pelo olho no olho, o coração dispara e as pernas – pelo menos as minhas, fraquejavam diante da próxima etapa do passeio, quando lá vem a todo-poderosa, e o homem deixa de ser menino, dirigindo-se à pretendida sem medo de uma “rabissaca”, ou de um “corte”, roubando-a de seu grupo e convidando-a a sentar-se em um dos bancos, no centro daquele carrossel de ilusões, de encanto, de paixões e de decepções... Ainda ouço os risos e os incentivos dos amigos que continuavam a tentar a sorte...
Dali, relações afetuosas se formavam e vingavam, como foram as do meu pai e da minha mãe, e de muitos outros que, como eu, são românticos e nostálgicos e só acreditamos, a exemplo de São Tomé, após termos visto,tocando e cheirado! Talvez a única vantagem de agora é que os pais não precisam mais entrar em casa na ponta dos pés a fim de surpreenderem o namoro dos filhos ou dos netos, pois através da telinha do computador não se escutam as juras de amor, mas apenas o barulho discreto do teclado tocado por mãos que não afagam, transmitindo mensagens ditas por bocas mudas que não beijam, olhos que não vêem e corações que apenas batem mas provavelmente não sentem. Seus aposentos trancados têm um cheiro azedo de suor, chulé e mofo, por proibirem o sol de lá entrar e iluminar-lhes as mentes modernas. À noite, semanalmente, sedentos iguais NOSFERATUS, encontram-se em baladas, num ritual de ficar por alguns instantes, revezando-se num pescoço marmóreo e exaurido, e retornam sem paixão, sem afeto e sem norte.
Tantas modas voltam, mas, infelizmente, tenho a impressão que as praças não têm mais pistas apropriadas para o flerte (expressão caduca e estranha), mas para corridas ou caminhadas cronometradas , silenciosas, individualizadas, daqueles que visam melhorar a condição física pelo culto ao corpo, a despeito de haver ali alguém solitário que ainda hoje arrisca um olhar a partir do circulo externo... Ou será que a vida é que está sempre indo e nós é que, de fato, ficamos?
Crato, CE, 10/12/08.
Por João Marni de Figueiredo.

Estarei no Crato na Segunda-Feira... - Dihelson Mendonça

Pode ir armando o coreto e preparando aquele feijão preto...estou voltando...

Olá, amigos do Blog do Crato. Comunico que estarei chegando ao Crato na próxima segunda-feira, após alguns dias aqui em Fortaleza e em Guaramiranga, por ocasião do Festival de Jazz & Blues, que em 10 anos de existência, só faltei um ano, e fui grande incentivdor deste magnífico projeto que visa divulgar e preservar a música de qualidade do Brasil e do mundo. Durante esse tempo de férias, procurei manter o nosso Blog mesmo à distância, com acesso a internet, fazendo a diagramação, ilustrando os artigos com fotos, que tantas pessoas se esquecem ou têm preguiça de fazer. Procurei também deixá-los sempre atualizados com algumas notícias do Crato que chegam até mim via e-mail. Agradeço bastante a todas as pessoas que nesta minha ausência puderam ajudar a manter esse canal de comunicação da população sempre aberto às diversas manifestações e à informação de maneira geral. Na verdade, nem posso considerar esse distanciamento físico como férias, pois não me ausentei nem por um dia de ler, liberar os comentários e até de comentar sobre certos tópicos. Mas será muito bom retornar à nossa cidade, e reativar a Rádio Chapada do Araripe, e retomar os inúmeros projetos já em andamento.

Um grande abraço a todos,

Dihelson Mendonça

Crato terá R$ 25 milhões da verba do Bird para o Ceará

Seminário São José

A informação é do prefeito Samuel Araripe, observando que o dinheiro faz parte dos US$ 46 milhões que o Bird está emprestando ao Ceará. O governo do Estado vai liberar para a Prefeitura do Crato cerca de R$ 25 milhões para serem empregados em várias obras do município. A informação é do prefeito Samuel Araripe, observando que o dinheiro faz parte dos US$ 46 milhões que o Bird está emprestando ao Ceará visando o desenrolar do Projeto de Desenvolvimento Econômico do Cariri Central. O Prefeito explica que dos R$25 milhões parte será dirigida para o projeto Encosta do Seminário que significa a revitalização do morro do mesmo local. Segundo ele, esse projeto significa a construção de quatro mirantes na parte superior do morro, uma avenida e a correção de quatro erosões que nascem de baixo para cima no citado morro. Além disso, a revitalização de toda a vegetação do morro do Seminário, tudo no valor de R$ 10 milhões. O dinheiro também vai ser empregado na construção do Centro de Feiras e Negócios do Cariri que vai ser no Crato, projeto no valor de R$ 8 milhões. O dinheiro também vai ser endereçado na recuperação das praças centrais do município, projeto de R$3,5 milhões.

Ainda dos R$ 25 milhões uma parte vai ser dedicada a construção do Aterro Sanitário Consorciado. O projeto já foi licitado e o benefício vai ser construído em local que ainda vai ser indicado pelo Ibama, podendo ser no Crato ou em um município periférico. O Aterro tem o valor de cerca de R$ 3,5 milhões que é uma parte do todo de R$25 milhões.

O prefeito aproveitou a oportunidade para visitar a Caixa Econômica Federal quando agilizou o Projeto de Saneamento Ambiental do Crato no valor de cerca R$ 7 milhões. Também esteve no Banco do Brasil para agilizar liberação de recursos para aquisição de máquinas pesadas que vão ser usadas na agricultura para ajudar na produção de cereais.

Fonte: Antonio Viana On-Line

Distrações: Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Distrações? Quem não as tem? Quem, como eu, não guardou a chave do carro naquele bolsinho da frente da calça e antes de sair à rua, procurou desesperadamente pela chave em todos os cantos possíveis da casa, revirando tudo que antes estava em perfeita ordem? Quem não estacionou o carro e deixou a chave na ignição, trancando por fora todas as portas? Confesso que isso aconteceu comigo e o que é ainda pior, com o carro funcionando. Alguém já telefonou para falar com o chefe e disse que gostaria de falar com um sujeito que tinha o seu próprio nome? Pois eu liguei para o meu chefe em Fortaleza, superintendente da Coelce, e disse que gostaria de falar com o Carlos Eduardo Esmeraldo. A secretária que não reconheceu minha voz disse: “O Carlos Eduardo Esmeraldo trabalha no Juazeiro.” “Ah, é? Pois eu sou o Carlos Eduardo Esmeraldo.” Distraído, pretendia dizer de imediato que era eu quem estava falando e as preocupações do dia-a-dia me traíram. Pior ainda foi quando cheguei a minha casa e não vendo o carro na garagem, perguntei: “O Carlos saiu?” E alguém já indagou à secretária qual o telefone de sua própria casa? Pois eu já fiz tudo isso! Velhice? Vá lá que seja, mas quando essas coisas me aconteceram, eu tinha menos de 45 anos. Mas os jovens também têm suas distrações. Um dos meus filhos procurava desesperadamente pela sua toalha de banho que deixara no varal, quando sua mãe observou que ele estava enrolado na própria toalha, como se ela fosse um saiote. Outro dia, um rapazinho meu parente viajava de carro, quando um dos pneus furou. Ao trocar o pneu que estava todo rasgado, distraído, jogou fora a carcaça do pneu substituído com o aro da roda e tudo. Uma distração que lhe custou no mínimo uns cento e cinqüenta reais. Certa vez, sai ao centro da cidade para visitar as livrarias. Ao retornar, cumprimentei Magali que preparava o almoço e disse a ela que já estava em casa e podia servir o almoço. Enquanto aguardava, deitei-me numa rede para ler um dos livros que havia trazido. Meu filho mais novo chegou do colégio, foi até o quarto, tendo perguntado o que eu estava lendo. Depois voltou à cozinha e sua mãe lhe disse. “Seu pai ainda não chegou para que eu bote o almoço na mesa”. “E quem é aquele homem que está lendo lá no quarto?” Perguntou o meu filho.
Gente importante também tem suas distrações. Lembro-me que nos anos oitenta, o jantar do Rotary Clube do Crato era servido pelas senhoras dos rotarianos. Uma delas, que carregava uma pesada travessa de arroz, sentiu que de repente a travessa perdera o peso, como por encanto. Depois de servir a certo senhor de idade, foi que ela notou que havia descansado a bandeja sobre a cabeça dele.
Mas distraído mesmo é um dentista que conheci em Belém. Certa vez ele convidou um amigo para jantar em sua casa. Assim que o amigo chegou, desejando-lhe comunicar que o jantar estava servido, disse para o visitante: “Abra a boca.” Era assim que ele passava o dia falando aos seus clientes. Hoje, aposentado, este dentista mora aqui em Fortaleza. Logo que surgiram os primeiros telefones celulares, daqueles bichos gigantes da Motorola que eram guardados num suporte preso ao cinto das calças, ele foi um dos primeiros a aderir à novidade. Sua filha lhe telefonou e depois de alguns minutos de conversa, a mão desse amigo tocou no suporte do celular e ao senti-lo vazio, disse para a filha: “Minha filha, vou desligar. Aconteceu um problema muito sério, roubaram meu celular!” “Calma papai, o senhor está telefonando de onde?” Perguntou-lhe a filha. “É do celular!” Constatou assim a distração. Esse amigo dentista tem um filho que casou com uma portuguesa e foi morar em Lisboa. Ele resolveu visitá-lo e comprou passagem num vôo da TAP que saia de Fortaleza. Ao receber a passagem, foi informado que iria num novo Boeing da empresa, adquirido no Canadá e que faria o primeiro vôo. O meu amigo preparou-se com muito esmero para essa viagem. Comprou um terno no Domênico e embarcou todo arrumado. Em dado momento do vôo, sentiu vontade de ir ao banheiro. Ao abrir a porta, viu que havia dentro do toalete um distinto senhor. Pediu-lhe desculpas, logo fechando a porta e aguardando que o ocupante do banheiro saísse. Esperou cerca de uns quinze minutos e foi reclamar à comissária: “Moça, não tem outro banheiro? O sujeito que está ai, faz mais de meia hora e não sai.” A comissária abriu a porta do banheiro e disse: “Não há ninguém aqui!” Foi então que meu amigo notou sua elegante imagem refletida no espelho.
Mas distraída mesmo era uma tia afim, já falecida, viúva de um irmão do meu pai. Certo dia, ela estava na porta da sua casa, quando passaram duas mulheres com fama de sapatão. Toinha, uma pessoa que fazia seus serviços domésticos lhe confidenciou: “Madrinha, o povo diz que aquelas duas ali fazem sabão.” “Ò Toinha, pergunta por quanto elas fazem a barra?”
É isso aí! Ninguém está livre de distrações. Aquele que não foi ainda vítima de uma, que atire a primeira pedra. A nós distraídos, só nos resta cantar em forma de oração o refrão de uma música muito bonita: “O acaso vai me proteger, enquanto eu andar distraído. O acaso vai me proteger, enquanto eu andar...”

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Material didático sobre arte será lançado na URCA


Lançamento do material do projeto "O cariri nas tramas da arte, da imagem e da cultura" dia 07. O projeto “O Cariri: nas tramas da arte, da imagem e da cultura”, vislumbra abrir espaço para a valorização do patrimônio artístico-cultural regional por meio de um material de apoio voltado à instrumentalização dos professores que atuam no ensino de Artes nas escolas públicas da região apresentando através da imagem, a estética do cotidiano e produções de artistas populares guiando a efetivação de práticas de ensino comprometidas com a divulgação e compreensão da tradição local através do saber arte e saber ensinar arte. O Projeto foi aprovado no III Edital Público de Incentivo as Artes no Ceará 2005/2006 proposto pela da Secretaria da Cultura do Estado. Esta publicação, organizada dentro de uma maleta artesanal, compreende, uma dupla intencionalidade: ampliar o espaço para a leitura da imagem na sala de aula e, ao mesmo tempo, considerar a riqueza e as expressões Artísticas do Cariri.

Data 07 março 2009
Horário: 19 horas
Local: Salão da Terra – Campus Pimenta URCA

Por: Alexandre Lucas

Habeas-Pinho - Por; José Nilton Mariano Saraiva

Em 1955, em Campina Grande-PB, um grupo de boêmios fazia serenata numa madrugada fria do mês de junho, quando chegou a Polícia e apreendeu o violão. Decepcionado, o grupo recorreu aos serviços do advogado Ronaldo Cunha Lima, então recentemente saído da Faculdade, e que também apreciava uma boa seresta. Ele peticionou em juízo para que fosse liberado o violão. Aquele pedido ficou conhecido como “Habeas-Pinho” e hoje enfeita as paredes de escritórios de muitos advogados e bares de praia do Nordeste. Abaixo, a famosa petição:

HABEAS-PINHO

Exmo.Sr.Juiz de Direito da 2ª. Vara desta Comarca:

O instrumento do crime que se arrola
Neste processo de contravenção
Não é faca, revolver, nem pistola
É, simplesmente, Doutor, um violão;
Um violão, Doutor, que na verdade
Não matou nem feriu um cidadão
Feriu, sim, a sensibilidade
De quem o ouviu vibrar na solidão;
O violão é sempre uma ternura
Instrumento de amor e de saudade
Ao crime ele nunca se mistura
Inexiste entre eles afinidade;
O violão é próprio dos cantores
Dos menestréis de alma enternecida
Que cantam as mágoas e povoam a vida
Sufocando suas próprias dores;
O violão é música e é canção
É sentimento de vida e alegria
É pureza e néctar que extasia
É adorno espiritual do coração;
Seu viver, como o nosso, é transitório
Porém seu destino se perpetua
Ele nasceu para cantar na rua
E não ser arquivo de Cartório;
Mande soltá-lo, Doutor Juiz, pelo amor da noite
Que se sente vazia em suas horas
Para que volte a sentir o terno açoite
De suas cordas leves e sonoras;
Libere o violão, Doutor Juiz
Em nome da Justiça e do Direito
É crime, por ventura, o infeliz
Cantar as mágoas que lhe enchem o peito ?
Será crime e, afinal, será pecado
Será delito de tão vis horrores
Perambular na rua um desgraçado
Declamando ali as suas dores ?
É o apelo que lhe dirigimos
Na certeza do seu acolhimento
Juntando esta petição aos autos nós pedimos
E pedimos também DEFERIMENTO.

Resposta do Juiz Arthur Moura (também um poeta):

Para que eu não carregue remorsos no coração
Determino que seja entregue ao seu dono
Desde logo, o malfadado violão;
Recebo a petição escrita em verso
E, despachando-o sem autuação
Verbero o ato vil, rude e perverso
Que prende, no Cartório, um violão;
Emudecer a prima e o bordão
Nos confins de um arquivo em sombra imerso
É desumana e vil destruição
De tudo que há de mais belo no Universo;
Que seja Sol, ainda que a desoras
E volte à rua, em vida transviada
Num esbanjar de lágrimas sonoras;
Se grato for, por acaso, ao que lhe fiz
Noite de lua, plena madrugada
Venha tocar à porta do Juiz.
Autores: os poetas citados - Postagem: José Nilton Mariano Saraiva

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Blog do Crato

Caso Tv diário

Por onde anda o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Ceará que até o momento não se pronunciou do golpe da Globo contra a TV Diário ? - Por João Paulo Fernandes

Escondida entre as negociações dos patrões com os jornalistas de impresso. Ainda de ressaca da confraternização de carnaval. No meio da obrigatoriedade do diploma do curso de jornalismo. Entravados na luta de salários. Na briga de quem leva mais lombriga para casa. Um miúdo pra cá, uma escritura pra lá. Segue o jornal e a TV nos esconderijos do real.O mundo caindo ao redor e o silêncio esplêndido na corte azul. Sindjorce que sabe homenagear o repórter, sabe fazer protesto na porta de jornal, mas se esquece de prestar solidariedade no momento de censura, no instante de golpe, no segundo de amargura.Será que até em um sindicato a Globo pode? Tudo estático no site do sindicato, na porta e na cabeça dos associados. Paralisado na angústia de chorar e ser obrigado a esconder as lágrimas. De apanhar e ser forçado a engolir o grito. De morrer e ser impedido de sentir a última dor. Sindjorce suturou a boca e se autocensurou. Para quem se diz ter repúdio aos tempos da ditadura, parece se embebedar da mesma formula da servidão da loucura.
Fonte: Rastreadores de impurezas
Atualizações cadastrais do Bolsa Família a partir de março

O setor do Programa Bolsa Família da Secretaria de Ação Social do Crato informa às famílias beneficiárias, que as atualizações cadastrais, tais como: inclusão de crianças, mudança de endereço, mudança de escola e alteração de renda, só poderão ser realizadas a partir do mês de março, em conseqüência de um problema na base de dados. A secretária Liduína Andrade informou que está sendo aguardado o envio de uma nova base de dados, por parte da Caixa Econômico Federal.

Inscrições abertas para curso de teatro e dança

A Escola Municipal de Cultura e Arte - EMCARTE, abriu, inscrições para o curso de Teatro e Dança. Os cursos são gratuitos e destinados a crianças e jovens de idade de 07 a 18 anos da rede pública de ensino. As inscrições e maiores informações na Secretaria da Cultura Esporte e Juventude do Crato, à Rua Teopisto Abath, s/n, Largo da RFFESA, das 8 horas às 17 horas. Telefone (88) 3523-2365. As vagas são limitadas.

Cai índice de mortalidade infantil no Crato

O município do Crato conseguiu reduzir significativamente nos últimos anos a mortalidade infantil no município, graças a um trabalho integrado da saúde. Dados demonstram essa realidade, relacionada as doenças infecciosas e parasitárias como diarréias, pneumonias, principalmente, em crianças menores de um ano. O relatório da Secretaria de saúde demonstra que no período de 1990 a 2007, houve uma redução de 52% da mortalidade infantil.

A taxa de mortalidade infantil nos últimos três anos foi de 16 óbitos em 2006, para cada 1000 nascidos vivos; 13 óbitos em 2007, para cada 1000 nascidos vivos, em 2008, foram 12 óbitos para cada 1000 nascidos vivos, de acordo com dados do Departamento de Epidemiologia da Secretaria de Saúde.

O acompanhamento realizado pela Secretaria de Saúde, conforme a secretária Nizete Tavares, demonstra claramente que o município tem avançado sensivelmente nesse indicador, o que garante o alcance dos objetivos de desenvolvimento do milênio em nível nacional e mantêm-se abaixo do preconizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que são 20 óbitos para cada 1000 nascidos vivos.

Relatório do Unicef esclarece índices

O Unicef, por meio de carta de esclarecimento sobre os índices de mortalidade infantil, ressalta que tendo em vista a divulgação global do relatório da SITUAÇÃO MUNDIAL DA INFÂNCIA 2009, o escritório do Fundo das Nações Unidas Para a Infância (Unicef), no Brasil esclarece que os valores apresentam nessa publicação ainda não contemplam os dados da rede Intergerencial de Informações (Ripsa), já utilizado pelo Unicef no Brasil como instrumento de monitoramento e análise da situação das mulheres e crianças no Brasil.

As diferentes metodologias utilizadas nos modelos estatísticos globais e em cada país para o cálculo de alguns indicadores apresentam resultados diferenciados. Em nível global, a mortalidade de crianças é calculada e ajustada anualmente por um grupo interagencial, constituído pelo Unicef, OMS, Banco Mundial e Divisões de População e de Estatística das Nações Unidades. Estimativas publicadas em edições consecutivas de diferentes relatórios não podem ser comparadas e usadas para a análise da mortalidade infantil ao longo do tempo, uma vez que estão sujeitas a constantes ajustes e revisões que, em muitos casos, alteram a série histórica.

O relatório do Unicef demonstra que, no período de 1990 a 2007, houve uma redução de 62% da mortalidade da infância (menores de 5 anos) e de 59% da mortalidade infantil (menores de 1 ano) no Brasil.

Os dados brasileiros, conforme a Ripsa, demonstram que a taxa de mortalidade em menores de 5 anos caiu de 50,6/1000 nascidos vivos em 1991 para 23,1/1000 nascidos vivos em 2007, com uma constante tendência de melhora. Em 2006 e 2007, a taxa caiu de 23,6 para 23,1. Já a taxa de mortalidade em menores de um ano caiu de 45,2/1000 nascidos vivos em 1991 para 19,3/1000 nascidos vivos em 2007, apresentando também uma tendência constante de melhora. Entre 2006 e 2007, a taxa caiu de 20,2 para 19,3.

O monitoramento realizado pelo Unicef no Brasil demonstra claramente que o País tem avançado sensivelmente nesses dois indicadores, o fato que garante o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio em nível nacional, em relação à mortalidade de menores de 5 anos. O índice geral brasileiro previsto para 2011 será de 14,4 mortes para cada grupo de 1000 crianças menores de um ano de idade. Na próxima edição do relatório sobre a Situação Mundial da Infância, serão utilizados os dados produzidos pela Rede Interagerencial de Informações Para Saúde (Ripsa), composta por 30 entidades técnicas e científicas nacionais, cujas informações são reconhecidas pelo organismo pela sua eficiência, ampla cobertura na coleta de dados e capacidade de agregar variáveis aos indicadores, o que permite um levantamento detalhado e constante.

PREFEITURA MUNICIPAL DO CRATO:
Assessoria de Imprensa

Fotografando o Infotografável... Por: Dihelson Mendonça

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Aonde as palavras não chegam...

Traduzir o intraduzível, documentar algo inatingível à maioria das pessoas; Tentar relatar aquilo que só chega a nós através da percepção do espírito! Fazer uma resenha de um show não como um mero crítico de arte ( que muitas vezes nem entendem daquilo que escrevem como alguém que vivencia ), mas descrever a aura mágica que se apodera de um iluminado quando é tomado pela magia da música em pleno palco. Essa, certamente é uma das mais difíceis tarefas a que alguém possa ser submetido, ou se arvore em realizar.

Pude perceber ao longo de uma existência musical, que os grandes e verdadeiros gênios da música possuem traços comuns. Havendo conhecido alguns pessoalmente como o Brasileiro Hermeto Pascoal e o belga Toots Thielemans, bem como através de vídeos e depoimentos de outros tantos, pude perceber que em todos eles, existe algo de fantástico e eu diria até de sobrenatural, como uma aura que os cerca. A plena facilidade da expressão do espírito através da linguagem daquilo que sempre permanecerá oculto e invisível aos olhos comuns, e inaudível à maioria. Seres tão iluminados que parecem até que são revestidos de uma luz que os guia e os protege. Seres que nos fazem acreditar que do seio desta humanidade, não poderiam ter surgido, mas de outras esferas cósmicas, de outros planetas.

A Luz Azul

Quando Toots Thielemans adentrou ao palco do Teatro José de Alencar ontem, do alto dos seus 87 anos de idade, praticamente carregado por seu contrabaixista e auxiliado pelo pianista, a sala imediatamente foi tomada de aplausos arrebatadores e um espírito de luz azul e PAZ se apoderou de todos que ali se encontravam. O ar da vitória sobre a mortalidade pairou por sobre nossas cabeças, e aplaudiu-se não ao que se via aos olhos, mas ao que não se conseguia explicar. Quando as primeiras notas musicais foram ouvidas, visualizei-as como a uma partitura colorida e perfeita, onde cada nota era escrita de modo a tecer uma melodia somente perceptível ao espírito, e de tal precisão e sentimento que era-me perfeitamente natural, eu diria até óbvia e o único caminho possível, como a água de um riacho que corre pelos veios da terra, já traçados. A melodia vinha de qualquer ponto da escala musical, sem precisar escolher, e brotava totalmente do coração, de todo o mais puro sentimento. Improvisava como alguém que ao longo da vida, nunca perdeu o apetite pela música verdadeira, e o sabor das frutos havia se conservado ao longo da vida, para ser sorvido com a mesma sagacidade. Olhei para o Toots Thielemans e vi a perfeição como já havia visto antes apenas na própria natureza, nas imensas aquarelas das folhagens, do azul celeste e do contorno das montanhas. Ouvi-lo ao vivo, após tantos anos, não foi surprêsa, pois que o ouço desde a juventude, mas serviu para que meu espírito pudesse se libertar dessa casca que chamamos de corpo, e se misturasse aos muitos que pairavam pelo cosmos. Thielemans não falou como um ser humano. Trouxe a linguagem de Deus para os homens de tal forma e êxito que ao longo da apresentação, formamos um imenso cordão energético, como uma oração para o mundo, onde ali vi que há ainda esperanças de um mundo melhor, de paz, de vida e de amor. Não falou com palavras, trouxe uma mensagem de outros mundos. E brilhou praticamente sozinho no palco, com esta aura de energia, pois em volta de si, seus acompanhantes mais próximos ainda estavam a milhões de anos-luz dali, diametralmente opostos, de forma tal que podia-se perfeitamente ouvir que ele estava sozinho brilhando inteiramente revestido de uma aura de azul profundo no palco e pode separar o meramente humano do divino.

E pude perceber através de coisas que só a alma pode compreender, que aquela luz azul ficou impregnada em nós também e saímos mais renovados, como todo aquele que se encontra com um anjo pelo caminho.

Nada do que eu escrever, poderá traduzir aquilo que ouvi, e hoje posso compreender o que Hermeto Pascoal disse certa vez, quando mencionou que não ouvia mais gente desse planeta, mas de outras esferas. Certamente que sim! A grande música possui essa magia, de nos revelar a imortalidade e mostrar que todos os caminhos levam à simplicidade e à natureza, e que acima de tudo, uma grande consciência cósmica ainda rege todos os atos, os fatos, o princípio, o meio e o fim. E a única frase que eu poderia tentar trazudir todo o show de ontem, ainda que pareça ilógico ou irracional é:

"Toots Thielemans é Azul Profundo. Deus nos escutou, e enviou uma mensagem de PAZ através da música!"

Afora isto, qualquer outra descrição parecerá banal e demasiado humano...

Texto e Fotos: Dihelson Mendonça

"Use a IRA em seu favor "- Escreva uma carta de amor ! - Por: Socorro Moreira

Meu bem,


Depois de 25 anos escrevendo memorandos, e em “oitavados”, especializei-me em listas de Supermercados:
- queijo branco
- pão integral, frutas, azeite e uma garrafa de vinho.
Casamento fora do papel, merece carta do amor pensado, escrito, perfumado, e manchado de batom.
(Amassei. Não gostei...)
Vou tentar novamente:


Meu amor,


A noite também chegou por aqui. Já me fez cumprir todos os rituais, antes de dormir... Só falta uma espiada na janela, e fechá-la seguramente, pra que ela não me rapte de ti.
Li alguns textos no blog, deletei e-mails, reencaminhei alguns, abri Windows sucessivos, restaurei artigos que vi na lixeira. Na falta do fogo para queimá-los, salvei-os!
Procurei-te nos sites de músicas, e Diana Krall deu-me teu recado: Fly Me To The Moon. Depois foi o Chico, que pegou pesado, cantando "Vitrines”... E o Vinícius, que também postou um poema: "Conjugação da Ausente".
Pesquisei sonetos de J.G.de Araújo Jorge... Achei-os melosos demais, e fiz umas trocas... Edu Lôbo com Cacaso, na “Toada”, e com Torquato Neto , no "Pra dizer adeus”.
Chega de ensaios!
Finalizo os prefixos musicais com a música “Amado”, por Wanessa da Mata.
Enfim, agora estamos a sós. Eu e pensamento. Pensamento e papel, em conflito ardente. Sem fundo musical. Silêncio total, para ouvir o coração bater, como os tambores do Salgueiro.
Entro na frequência do teu esquecimento, e te acordo... É hora!
Vem cá... O mar veio para cá. Ele acende os mistérios da serra, quando chega a madrugada. Vamos catá-los um por um, desvendá-los. .. Estou farta de segredos invioláveis.
Lembra do começo, que nunca foi?
Lembra do encontro, que esperou sem chegar?
Lembra dos desvios, arrodeios, e esbarrões, nos atropelos dos sentimentos?
O amor chegou mil anos depois! Quase etéreo , atrevido na pureza, racionando carinho... Mas é tão intenso, e tão lindo , que alimenta , mesmo dormindo!
Fui clara?
Fui anônima, ou indiretamente fácil?
Direto é dizer nesse cantinho de papel, em letras tremulas e pequenas, quase indecifráveis: Adoro você!


Um abraço ,

ZenIRA

P.S. “O amor que nos separa é o amor que nos une”.


Socorro Moreira

26 fevereiro 2009

Cinzas - Por: Dr. José Flávio Vieira


Despertou com aquele gosto arenoso na boca, como se tivesse ingerido todas as cinzas da quarta-feira ingrata. Os sons metálicos de um frevo distante e agora quase que ininteligível se dissolviam no ar. As ruas se recobriam com os últimos espólios da guerra dos quatro dias. Confetes e serpentinas se misturavam ao lixo comum , agora já sem asas e magia. Até os rapapés febris dos passistas do “Bacalhau do Batata”, o soldado de Pompéia da folia, pareciam já longínquos e perfeitamente obsoletos.O mundo em volta ia pouco a pouco perdendo seu ar de festa e a vida crua, aguda como a ponta do punhal, voltava a preencher o espaço com um insuportável clima de normalidade. Os homens começavam a arrancar suas máscaras fictícias e, paulatinamente, iam cobrindo a face com aquelas outras mais reais e duradouras. Arlequins sem Colombinas, Catirinas viúvas de seus Mateus , Super-Heróis sem espinafre, amolecidos pela Kriptonita cotidiana, perambulam sem destino num planeta estranho e desconhecido. A La Ursas matracam em compasso ternário as suas matracas. Papangus já sem a proteção do anonimato retornam para casa a fim de prestar contas a suas patroas da fuga do presídio doméstico por tantos dias . Caboclos de Lança fazem a viagem de volta à roça agora já sem o luxo cerimonialista da túnica multi-espelhada e da farta cabeleira multicolor. Como se o ritmo da vida se marcasse agora pelo toque cadenciado, em mantra, do seu chocalho. Os Maracatus, respeitosamente, silenciam seu baque virado e retornam, religiosamente, aos terreiros.

Cuspiu no chão aquele gosto de cabo de guarda-chuva e ficou matutando : a vida se resumia exatamente àquilo : à Festa, à Celebração. A chama acesa e em brasa da existência se consubstanciava no anarquismo inocente do Carnaval. Perdidos todos , sem saber de onde viemos e para onde marchamos, passamos a comemorar a esta louca e misteriosa viagem. Travestidos todos dos nossos desejos mais impenetráveis, abraçando desconhecidos, dançando com figuras aparentemente estranhas e beijando línguas que jamais teremos capacidade de saborear outra vez. Tocamos outros corações com a vara de condão do etéreo e do fugaz e imprimimos um volátil ar de eternidade nos nossos sentimentos. A festa nos abre, quase que imediatamente, a perspectiva sombria do fim-de-festa. O pistão que ataca metalicamente o “Vassourinhas” é o mesmo que logo depois entoará o Toque de Silêncio. A vida se vai escoando assim mais entre bemóis que sustenidos. E adiante, por mais efervescente e estupenda que tenha sido a festividade, as máscaras cairão por terra, as serpentinas perderão sua sinuosidade ofídica e a vida terminará por cobrir-se daquela substância que preenche as gargantas e as quartas-feiras : Cinzas !

J. Flávio Vieira

O papel sujo da Folha de São Paulo - Por: Dr. José Flávio Vieira


Urariano Mota - postado no blog Sapoti da Japaranduba


Em 17 de fevereiro, quando publicou o editorial Limites a Chávez, a Folha de São Paulo não imaginou o ciclone imenso que provocaria. É que lá no texto ela escreveu “...Mas, se as chamadas ‘ditabrandas’ - caso do Brasil entre 1964 e 1985 - partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça...”, de passagem, como se nada fosse, substituindo Ditadura por Ditabranda. E fez mais: ao receber, dias depois, mensagens dos professores Fábio Konder Comparato e Maria Victoria de Mesquita Benevides, que protestaram contra o insulto à memória histórica, a Folha de São Paulo assim respondeu:
“...Quanto aos professores Comparato e Benevides, figuras públicas que até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como aquela ainda vigente em Cuba, sua ‘indignação’ é obviamente cínica e mentirosa”.
Para quê? Essa qualificação, de indignação cínica e mentirosa, aplicada às palavras de dois intelectuais honrados, provocou o gancho, acordou as forças de todo o mundo culto e democrata do Brasil. Com 2.381 assinaturas, lideradas pelo crítico literário Antonio Cândido (2.381 às 16 horas deste 25.2.2009), corre um abaixo-assinado de protesto, que pode ser acessado em http://www.ipetitions.com/petition/solidariedadeabenevidesecomparat/signatures-1.html
Então começaram a voltar à tona histórias e História, do passado da Folha de São Paulo, que contavam, relatavam o seu mais que apoio, a sua participação nos crimes da ditadura militar. Das histórias, todas com dolorosos depoimentos de humanidade e denúncia, a da jornalista Rose Nogueira mais chama atenção, pelo caráter particular da sua posição no tempo. Rose era funcionária do jornal, repórter da Folha, quando foi presa em 1969. No entanto, ela descobriu 27 anos depois que foi punida
“não apenas pela polícia toda-poderosa, pela justiça militar. Ao buscar nos arquivos da Folha de S. Paulo a minha ficha funcional, descubro que, em 9 de dezembro de 1969, quando estava presa no Deops, incomunicável, 'abandonei' meu emprego de repórter do jornal. Escrito a mão, no alto: ABANDONO. E uma observação oficial: Dispensada de acordo com o artigo 482 – letra 'i' da CLT abandono de emprego'. Por que essa data, 9 de dezembro? Ela coincide exatamente com esse período mais negro, já que eles me 'esqueceram´por um mês na cela'. Todos sabiam que eu estava lá. Isso era – e continua sendo – ilegal em relação às leis trabalhistas e a qualquer outra lei, mesmo na ditadura dos decretos secretos. Além do mais, nesse período, se estivesse trabalhando, eu estaria em licença-maternidade" (Do seu artigo "Em corte seco", no livro "Tiradentes um presídio da ditadura", coord. Alípio Freire, Izaías Almada e J.A. de Granville-Ponce – Scipione Cultural – 1997).
E lembrou mais a jornalista, no mesmo texto:
“Cacá nasceu em 30 de setembro, no Hospital 9 de julho, em São Paulo. Fórceps. Uma cirurgia por rotura da parede da bexiga e uma sonda me obrigaram a ficar mais de vinte dias internada. Quando a polícia chegou, o bebê tinha 33 dias e estávamos em casa havia mais de uma semana....
O leite que eu tirava do seio ainda insistia em vazar e minha blusa cheirava a azedo. A febre aparecia todo dia. O leite me fazia pensar que, enquanto estivesse ali, brotando, eu estaria ligada ao meu filho. Dias depois veio o diminutivo do dia me buscar para depoimento. Empurrava-me pela escada, enquanto gritava: ‘Vai, miss Brasil! Sobe essa escada logo, sobe!’
Miss Brasil era o nome de uma vaca leiteira que havia sido premiada. E na sala para onde me levou, o ‘inho’ chamava os outros: ‘Olha a miss Brasil, pessoal! Tá cheia de leite! É a vaca terrorista!’ “.
Ela nunca mais pôde ter outro filho, em consequência das torturas. A parte boa dessa história é que Rose Nogueira continua exercendo a profissão de jornalista. Ela conseguiu dar a volta por cima, trabalha hoje em televisão, e continua a ser útil para o seu filho e para outros filhos do mundo. Apesar do jornal-patrão, apesar do título de Miss Brasil em 1969.


(Também no Direto da Redação, http://www.diretodaredacao.com/)


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