12 janeiro 2009

CARIRI - Catadores prevêem safra recorde de pequi em 2009

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Pequi é presença certa no prato do sertanejo, dando tempero especial ao baião-de-dois (Foto: ELISÂNGELA SANTOS)

Permanência dos moradores na zona rural de Jardim para colheita do pequi é uma tradição que atravessa décadas

Jardim. Um ano de safra recorde de pequi no Cariri. Essa já é a previsão dos catadores, que, aos poucos, começam a montar os seus barracos de palha e taipa em plena Serra do Araripe. A morada é de pelo menos três meses, período em que se transferem para a mata nativa, a fim de percorrerem todos os dias mais de 30 quilômetros em busca do fruto, para comercializar à beira da CE-060, entre os municípios de Jardim e Barbalha. É comum, durante esta época do ano, se encontrar barraqueiros à beira das estradas, em cima da serra, comercializando o produto.

A permanência dos moradores, em sua maioria do Sítio Cacimbas, pequena vila de moradores da zona rural de Jardim, no acampamento dos pequizeiros, é uma tradição que atravessa décadas. Famílias inteiras se instalam à beira da estrada e lá passam a residir. Já foi criada até entidade para melhor organização do grupo, a Associação dos Catadores de Pequi.

Este ano, cerca de 30 famílias deverão aportar na área. Ano passado, esse número caiu pela metade em virtude da pequena safra. Começou pouco e acabou rápido. Não houve muita variação no preço do pequi ano passado, bastante requisitado pelo caririense neste período. Presença certa no prato do sertanejo, o baião-de-dois ganha um tempero especial. É gosto tradicional.

Duas espécies

No Cariri, há dois tipos de pequi. O do Arisco é um fruto um pouco maior, cuja safra começa um pouco antes do da serra. Também é da região, mas a safra já está quase no fim. Aí vem a variação da espécie, no alto da Chapada, em áreas mais úmidas.

Segundo o presidente da Associação dos Catadores, Isteli Bernardino, o pequi da serra apresenta maior teor de óleo. Por conta disso, a fabricação do óleo ou azeite de pequi também aumenta neste período. Essa é a grande razão da permanência dos moradores. Eles passam a fabricar no período em que a safra atinge o seu pico, em fevereiro.

Conforme o catador Vicente Bernardino, que desde criança começou a ir para o acampamento, ano passado, o preço do óleo chegou a custar R$ 36,00. Este ano, a previsão é que chegue aos R$ 6,00. Há compradores que vão ao local para requisitar uma compra mais significativa de pequi, conforme o catador, e encomendam a fabricação do óleo, chegando a até 400 litros. “No máximo, a nossa produção por conta própria, sem encomenda, pode chegar a 180 litros por mês, porque vendemos o pequi e o óleo juntos”, diz Vicente.

Rotina árdua

Todos os dias, para quem se instala na floresta, acontece o mesmo ritual. Os catadores saem de casa por volta das 3 horas da manhã. Percorrem 18 quilômetros pela manhã e à tarde, muitas vezes, voltam a repetir o percurso. Um trabalho árduo, que segundo Isteli, não compensa se a venda for abaixo de R$ 1,00. “É um sacrifício muito grande para todos nós e passamos a sobreviver da colheita. Tem dia que chego a parar carro na estrada para pedir dinheiro para comprar uma lata de leite”, lamenta.

O grupo é formado por agricultores, em sua maioria. Mulheres e filhos vão junto na tarefa de auxiliar na colheita. As barracas de palha servem de abrigo. Uma das preocupações dos catadores este ano é quanto ao abastecimento de água na região. As crianças também necessitam de transporte escolar.

Alguns catadores chegam a faturar cerca de R$ 400,00 por mês com a colheita. Além de manter a família, o dinheiro é utilizado para o pagamento de plantadores do roçado, que não fica esquecido, já que a safra coincide com o período de chuvas na região. A festa do pequi encerra a safra. Este ano deve acontecer no dia 15 de março. Um momento de celebrar uma tradição de décadas.

ELISÂNGELA SANTOS
Repórter

ENQUETE
Qual a importância do pequi na sua vida?

Cícero Pedro da Cruz
34 ANOS
Catador
A gente sobe para cá para pagar as contas. Pagar o nosso roçado por conta do pequi, uma necessidade financeira.

Wandeilson Bernardino
20 ANOS
Catador
Para mim é uma garantia de ganho para manter a família, pagar as contas, e vem de uma tradição.

Mais informações:
A Comunidade dos Catadores fica na CE-060, na divisa entre os municípios de Jardim e Barbalha (à beira do asfalto), na Floresta Nacional do Araripe

Fonte: Jornal Diário do Nordeste
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Um comentário:

  1. A CHAPADA NÃO É SERRA !

    Caro Dihelson aproveito este espaço para esclarecer e ao mesmo tempo informar para os leitores do Diário do NE e membros de seu Blog, que existe uma grande diferença entre Chapada e Serra. Este imenso paredão rochosa que nos rodeia que muitos insistem em denominá-lo de Serra, na verdade é uma Chapada, a nossa bela CHAPADA DO ARARIPE, e não Serra do Araripe como muitos a denominam. Como disse no início a uma grande diferença entre as duas formas de relevo. A Chapada tem sua natureza geológica formada por rochas sedimentares, ou seja rochas mais jovens que datam do fanerozóico, sendo assim são rochas mais porosas, permeáveis formadas por arenitos e calcário. Devido a estas características é que as Chapadas são pobres em águas superficiais, mas em compensação temos uma grande riqueza em águas subterrâneas, que chegam a romper nas suas encostas, dando origem as nossas nascente. Reforçamos ainda a forma do relevo que lembra uma mesa, por isso denominamos de tabular, predominando um relevo plano no topo e escarpado nas suas vertentes. Por outro temos as Serras, que são cristalinas, ou seja sua estrutura geológica é constituída por rochas ígneas, magmáticas e metamórficas que datam do pré-cambriano, sendo assim bastante velhas com cerca de 2 a 4 bilhões de anos. Seu relevo é bastante acidentado, apresentando geralmente riqueza de água na superfície, com presença de quedas de água como a de Guaramiranga aqui no Ceará.
    Se fossemos aprofundar em uma discussão mais científica com certeza identificaríamos mais diferenciações, porém basta lembramos que nossa Chapada é sedimentar e plana, enquanto as Serras são cristalinas e acidentadas.

    Saudações Geográficas!
    João Ludgero

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