xmlns:fb='http://www.facebook.com/2008/fbml' xmlns:og="http://opengraphprotocol.org/schema/"> 25/12/2008 | Blog do Crato
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VÍDEO - CONVERSA FRANCA - O DESCASO NO CRATO - Dihelson Mendonça ( 30-11-2017 ).
Estamos de volta com as transmissões da TV Chapada do Araripe ( E agora, com alguns programas ao vivo ). Serão vários programas abordando temas diversos, como a realidade da nossa região, do Ceará e do mundo; Programas científicos, atualidade, entrevistas, e transmissão de eventos ao vivo. ( Veja o vídeo e compartilhe ). www.tvchapadadoararipe.com



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25 dezembro 2008

PRÉ-SAL - Viabilidade Comprovada

Nota do Blog do Crato:

O José Nilton Mariano escreveu esse artigo, mas é muito técnico. Esqueceu por exemplo, de dizer ao leitor comum, o que diabos é pré-sal. Diferentemente do que alguns poderiam pensar que se tratasse de algum tempero usado antes do sal da panela, trago aqui antes, uma definição que ajudará o leitor a compreender esse artigo posterior:

O que é Pré-Sal:

A camada pré-sal é um gigantesco reservatório de petróleo e gás natural, localizado nas Bacias de Santos, Campos e Espírito Santo (região litorânea entre os estados de Santa Catarina e o Espírito Santo). Estas reservas estão localizadas abaixo da camada de sal (que podem ter até 2 km de espessura). Portanto, se localizam de 5 a 7 mil metros abaixo do nível do mar.

Artigo do José Nilton Mariano:

Mesmo conscientes que o petróleo é um recurso finito, limitado, não renovável e cujo arrefecimento natural das reservas impõe uma constante busca de novas jazidas, ainda assim a nação brasileira foi agradavelmente surpreendida, em 2007, com a auspiciosa notícia da descoberta dos megadepósitos do pré-sal, com portentosas reservas estimadas em 80 bilhões de barris de petróleo de boa qualidade e potencial de posicionar o Brasil num invejável quinto lugar no ranking mundial de reservas e, até – pasmem ! - elevando-o à condição de futuro exportador.
Ninguém, entretanto, em sã consciência, desconhece um detalhe por demais relevante: será hercúleo e, porque não dizer, monumental o desafio tecnológico para extrair o petróleo dos depósitos situados além das - até então - insondáveis e imperscrutáveis profundezas oceânicas, sob adversas e quilométricas camadas de rocha e sal de difícil perfuração (chega a 7.000 metros a profundidade).


Inconteste recordista mundial e líder absoluta na tecnologia de prospecção em áreas ultraprofundas, a Petrobrás encontra-se, hoje, em posição de vanguarda e liderança na nova província petrolífera do pré-sal, onde é concessionária majoritária dos principais blocos já leiloados.
Por seu respeitável histórico e sua excelência tecnológica, nenhuma empresa ou concorrente está mais preparada e capacitada do que a estatal brasileira para liderar o empreendimento exploratório do pré-sal, realizando o sonho da nossa independência econômica.
Aos que questionam se com a atual derrocada do preço do barril de petróleo de 140 para 40 dólares compensaria se meter em tal empreitada, uma certeza: estudos realizados indicam que mesmo o barril chegando a 35 dólares a exploração tende a ser viável e lucrativa, embora, evidentemente, com uma margem de lucro não muito atrativa.
Como, entretanto: a) a cotação de 140 dólares por barril jamais passou de uma mera bolha especulativa, assim como o valor de 40 dólares é algo irreal; b) nenhuma crise dura “ad aeternum”; c) o produto é essencial à alavancagem desenvolvimentista de qualquer nação, desenvolvida ou não; e d) haverá sempre a possibilidade de redução da produção, pela Opep, a fim de obrigar uma elevação da cotação do barril; acreditamos, sim, na tendência de que os preços se estabilizem na faixa entre 60 a 80 dólares, dentro em breve.
Afigura-se-nos, pois, viável a exploração do pré-sal.

José Nilton Mariano Saraiva

Genocídio Homossexual?

A Folha de São Paulo, neste dia 09 de dezembro de 2008 traz uma carta, no “Painel do Leitor” discutindo notícias recentes sobre assassinatos de homossexuais em uma praça de São Paulo, que vêm sendo correntemente investigados pela polícia. Nela, o missivista fala de um “genocídio de homossexuais” que estaria ocorrendo no Brasil. Obviamente, como cristãos e cidadãos ordeiros dessa nação brasileira, somos contra qualquer assassinato. Acreditamos até que a punição corrente para esses crimes seja por demais suave, quando comparada com as determinações bíblicas que especificam a pena de morte para a retirada da vida de pessoas que são formadas à imagem e semelhança de Deus. No entanto, esse rótulo de “genocídio homossexual” é curioso, estranho e intrigante.

O autor da carta e da expressão é um militante da causa homossexual, de presença amiúde nas páginas dos jornais. Com um currículo impressionante, ele é Chefe do Departamento de Antropologia da Universidade Federal da Bahia; membro da Comissão Nacional de Aids, do Ministério da Saúde (CNAIDS) e do Conselho Nacional de Combate à Discriminação do Ministério da Justiça. Para que não paire a falsa idéia de que ele é prestigiado apenas pelo presente governo, o Sr. Luiz Mott foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem do Rio Branco pelo presidente Fernando Henrique Cardoso.

Ele é um dos principais promotores da chamada “lei contra a homofobia” (PLC 122/2006), que tramita no Senado Federal e que já foi alvo de alguns posts neste Blog (veja aqui, aqui e aqui). Promove, também, outras leis semelhantes que estão sendo aprovadas por municípios e estados desse nosso país. Uma das pérolas nauseabundas de sua lavra é um texto no qual coloca em dúvida a historicidade de Jesus, para, a seguir, afirmar que se há qualquer veracidade nos relatos bíblicos, o que sobressai é um Jesus que é sodomita ativo e um apóstolo João como um de seus amantes. Paro por aqui, sem entrar em detalhes mais obscuros e pornográficos de outros textos de sua autoria e promoção. Informo, em adição, que o Luiz Mott tem contestado algumas acusações que tem recebido, em vários blogs, nesta sua página.

Interessa-me, na realidade, analisar a sua expressão e a divulgação freqüente de que atravessamos um “genocídio homossexual” em nosso país. Uma das estatísticas mais utilizadas (faça uma pesquisa no Google) é a de que “a cada três dias um homossexual é assassinado no Brasil” (veja, por exemplo, aqui e aqui). Essa tem sido a principal bandeira para promover o malfadado Projeto de Lei já mencionado, supostamente contra a homofobia. Recentemente, estive em um evento e ouvi um Ministro de Estado repetir essa mesma estatística, sem pestanejar, nem ponderar. A inferência desse número, é que isso retrataria uma brutalidade e ataque intenso aos homossexuais em nosso país. Os gays necessitariam, portanto, da proteção dessa lei contra tal intolerância. Para chegar a esses números, e afirmar que, no Brasil, “tivemos 122 mortes, neste ano, superando o México e os Estados Unidos”, Mott compilou os seus dados através do método duvidoso de referir-se às notícias dos jornais, por inexistência de “estatísticas oficiais”. Segundo Mott, o Brasil atravessa um “homocausto” (trocadilho que procura associar a morte de homossexuais ao Holocausto)!

Repetindo, acredito na lei de Deus e em seus princípios de justiça, bem como na dignidade humana. Repudio, portanto, qualquer tipo de assassinato ou crueldade contra qualquer pessoa. Sobre essas estatísticas e sobre a terminologia que está sendo utilizada, entretanto, pondero o seguinte:

1. Em primeiro lugar, a utilização da expressão “genocídio” é interessante, curiosa e contraditória. A palavra tem a sua origem com o trabalho do judeu polonês, Raphael Lemkin, que protestava as ações dos “atos bárbaros” da Alemanha nazista. Em 1944, ele cunhou o termo em seu livro “O Domínio do Eixo na Europa Ocupada”. Lemkim pegou a palavra grega “genos”, que significa “raça”, “tribo”, “grupo étnico”, unindo-a ao sufixo latino “cidium”, que significa “ato de matar”, “assassinato” - resultando na palavra genocídio, ou seja, o assassinato de uma raça ou de um grupo étnico. Quando um homossexual se refere a assassinatos de homossexuais como sendo “genocídio homossexual”, está atribuindo um determinismo genético ao homossexualismo (equacionando a prática com “raça”, “tribo”, “grupo étnico”). Ocorre que, curiosamente, eles próprios têm se posicionado contra a noção de que existe uma inclinação biológica ou genética à prática. Afinal, uma das grandes bandeiras do movimento gay é sobre “o direito de opção sexual”: ser-se aquilo que se quer ser, em vez de procurar ser aquilo que biologicamente são. Rebelam-se contra a noção de que Deus criou dois sexos, e não três ou quatro. Colocam na pessoa a definição de sua sexualidade, e não no Criador. Pois bem, ao clamar “genocídio”, contradizem-se em sua própria argumentação.

2. Segundo, alguma coisa está sendo perdida nessa estatística. A cada ano, 50.000 brasileiros são assassinados, o que dá 138 brasileiros por dia, ou 414 a cada três dias. Se a questão é que “um homossexual é assassinado a cada três dias”, isso dá 1 a cada 414 pessoas. Ou seja, 0,25% dos assassinatos totais.

3. Ocorre que “... o movimento gay declara que o número de homossexuais na população brasileira atinge o percentual de 10%...”. Juntando essas duas afirmações, se verídicas (procedem, ambas dos grupos gays) chega-se à conclusão que morrem menos homossexuais do que o restante da população (414 x 10% = 41). Isto é, morrem 40 vezes menos homossexuais do que heterossexuais. De acordo com essas estatísticas distorcidas, a melhor forma de escapar com vida, no Brasil, é virar gay.

4. A questão, que essa discussão evita, é que mata-se indiscriminadamente no Brasil e isso não é restrito a um segmento ou grupo em particular. É verdade que falar genericamente dos assassinatos, da falta de lei, da violência contra os cidadãos, não “dá mídia” nem impressiona tanto, quanto as estatísticas do Mott. Por exemplo, o movimento Rio de Paz fez recente manifestação nas praias cariocas apontando a cruel estatística de que somente nos últimos dois anos, na cidade do Rio, há o registro de 9.000 desaparecidos. Destes, 6.300 foram presumidamente assassinados e nunca retornarão aos lares. Vários desses foram mortos com requintes de crueldade, no chamado “micro-ondas”, onde as pessoas condenadas a morrer são colocadas em pneus nos quais toca-se fogo, carbonizando a vítima. Esse “crematório individual”, praticamente impede a identificação dos restos mortais. Isso é um arremedo tropicalizado, mais sofisticado e mais cruel, daquilo que a gang de Winnie Mandela, na África do Sul (conhecida como Mandela Football Club) praticava contra os desafetos (lá, era um pneu, só, em chamas, colocado ao redor do pescoço), nas décadas de 70/80. Antônio Carlos Costa (líder do Rio de Paz) aponta que se fez um escarcéu enorme com 138 ativistas políticos que desapareceram na época do regime militar, mas ninguém aparenta dar a mínima com esses desaparecidos e essa matança indiscriminada de agora.

5. É curioso, portanto, que um grupo específico, manipule dados e formule estatísticas enganosas. É intrigante, que na contabilidade do Sr. Mott, homossexuais só morrem – eles não matam. É surpreendente como realidades são ignoradas, como no caso desses assassinatos mencionados no início deste texto, no Parque dos Paturis, em Carapicuíba ninguém aponta que o principal suspeito, preso em 10 de dezembro de 2008, um ex-PM, aparenta ser igualmente homossexual. Ele procurava encontros naquela localidade (uma das testemunhas informou que esteve com ele em um motel, nas vizinhanças). A mídia Esquece que os “ativos” são igualmente homossexuais. E assim, com essas frases e “estatísticas” de efeito, contando com apoio e projeção governamental, os gays e simpatizantes procuram impor uma lei da mordaça heterofóbica, sob o suposto manto de uma pretensa proteção à violência social que impera em nossas plagas; quando a violência não enxerga cor, raça ou sexo. Pior, ainda, é que essa lei é voltada contra as convicções e liberdades religiosas; contra princípios de acato à instituição da família, em vez de contra criminosos de verdade e assassinos de fato.

A triste realidade é a de que o governo tem abdicado de suas responsabilidades de proteção à vida, como sendo a prioridade número um de suas funções. Sofrer violência não é característica de um grupo específico, mas é conseqüência da impunidade e da omissão do estado. Provavelmente deveríamos formar um grupo: os OHEBÓrfãos Heterossexuais do Estado Brasileiro. Quem sabe conseguimos promulgar uma lei que nos proteja?
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autor: Solano Portela
Fonte http://tempora-mores.blogspot.com/

Por: João Paulo Fernandes

Encontro dos Participantes dos Blogs do Cariri em Janeiro através de uma Oficina de Escrita Literária.



Confraternização e Cultura

Estaremos organizando um encontro ( uma reunão ) entre as pessoas que fazem parte dos Blogs do Cariri, de 12 a 17 de janeiro em Crato, principalmente do Blog do Crato e CaririCult que se interessam por Literatura. Todos os Escritores, Poetas, Comentaristas estão convidados. Nesse sentido, é que a nossa grande amiga Socorro Moreira organizou para esse encontro, uma forma de nos aperfeiçoarmos na escrita de textos, ampliando nosso conhecimento, através de uma Oficina de Produção Literária que repasso os detalhes para todos, de como participar:

Oficina de Criação Literária de 12 a 17 de janeiro.
Aos amigos e colaboradores dos blogs : Cariricult e Blog do Crato, e outros.
Vagas limitadas : 20

Oficina da Escrita

Uma Oficina da Escrita, que podemos denominar igualmente de Oficina de Criação Literária, pode também ser chamada de laboratório de produção criativa de textos - um espaço de experimentação do pensamento criativo na escrita., e, por extensão, na linguagem literária. O nosso programa tem o objetivo de despertar e orientar o exercício da escrita poética e da narrativa, através da prática sistemática da escrita-leitura em grupo-reescrita. Os encontros são em grupo, durante uma semana, sob a coordenação e supervisão de um professor-orientador.

No decorrer do curso, o aluno experimenta sua capacidade de escrever com criatividade, reencontra a capacidade de imaginar, enquanto constrói uma intimidade com a palavra e a confiança de enfrentar o papel em branco. A frase habitual “Não tenho o que escrever”, vai sendo substituída pela surpresa de ver seus textos acontecendo um atrás do outro, surpreendentemente, prazerosamente, sem os bloqueios costumeiros.

Estabelecida essa amizade com a escrita, aprofundamos então o processo de construção da linguagem propriamente dita, a partir das operações poéticas, chegando até os elementos fundamentais da narrativa aplicados à crônica e ao conto. Nesse momento, o exercício da crítica passa a acompanhar as leituras dos textos, com o rigor devido a uma boa redação (clareza, originalidade, riqueza de vocabulário, coesão, gramática, ortografia, ritmo, etc), porém administrado de modo a se respeitar o desenvolvendo do processo criativo.

A experimentação com texto proporciona resultados muito rápidos quanto ao desbloqueio do medo de escrever, que vêm habitualmente ligados aos tabus culturais que não prevêem a expressão individual, nem tampouco o nascimento da voz singular de cada um de nós. Observamos também, e na mesma medida, um imediato interesse pela leitura de outros autores, assim como uma curiosidade legítima com as questões de gramática ,ortografia , e outros aspectos formais da escrita, até então evitados ou mesmo ignorados. Finalmente, podemos afirmar que todo o mecanismo envolvido no sistema do idioma, nesse modo de trabalhar a escrita, se ressuscita, abrindo caminho para o grande prazer de manejar bem as palavras na descoberta de novos mundos.

OBJETIVOS

* Viver experiências propiciadoras do prazer da escrita.
* Trabalhar uma grande variedade de tipos de texto.
* Melhorar a expressão escrita no plano das convenções gráficas e no plano das regras sintáticas, semânticas e pragmáticas.
* Praticar processos e mecanismos de textualização progressivamente mais complexos.
* Divulgar os textos produzidos em documentos que circulem, sob diferentes formas, de modo a que venham a ser lidos por leitores interessados.


O QUE IREMOS VER:

Textualidade – Diálogo entre textos

PROSA: Textos: Narrativo, Descritivo e Dissertativo.
Crônica
Conto X Romance
Fábula
Texto Jornalístico – Editorial
Prosa Poética
Resumo X Resenha

POESIA:

Verso, Rima, Estrofes, Sílabas Métricas
Ritmo, Versos livres
Trovas
Haikai
Novos Estilos: Duplix, Rondel (e o mote), Indriso

PARTICULARIDADES DA LÍNGUA

Uso do Infinitivo
Porque, por que, porquê, por quê
Uso da vírgula
Reforma ortográfica

LINGUAGEM SUBJETIVA

*Exercícios de Criação Literária

Professora Claude Bloc
Janeiro de 2008
Crato - CE
Período : 12 a 17.01.09
Carga Horária : 20 h
Horário : das 15 às 18 h
Local : URCA

Programação :


12.01.09 - Palestra de Abertura - José do Vale Pinheiro Feitosa - 14 h
12 a 17.01.09 - Oficina da Escrita - Instrutora - Claude Bloc - das 15 às 18 h
17.01.09 - Encerramento - Emerson Monteiro - 18 h.

Ficha de inscrição:
Nome
Endereço e telefone
Atividades profissionais

Pagamento da Inscrição : Através de depósito

BRADESCO:
Agência: 0771-4
Conta Corrente: 10.558-9
Depósito identificado.
valor : 50,00

Maiores informações :
Telefones de Socorro Moreira : 35232867 ou 88089685

Manifeste seu desejo de participar do encontro e Oficina de Criação Literária através de comentários ou por telefone para os números acima, já que as vagas são limitadas.

Por: Socorro Moreira e Dihelson Mendonça

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Frase do dia

Não existe um caminho
para a felicidade.
A felicidade é o caminho.
Mahatma Gandhi

Algumas considerações sobre o Geopark Araripe (final)

GEOPARK: encontro da ciência com os ritos, mitos e lendas do Homem-Cariri
por Armando Lopes Rafael (*)




A tradição oral do Cariri
Existe na cidade de Nova Olinda uma ONG denominada Fundação Casa Grande-Memorial Homem-Cariri. Criada em 1992, a partir da restauração da Casa Grande da Fazenda Tapera, que foi construída em 1717 no lugar da aldeia dos índios Cariús-Cariris – onde hoje está Nova Olinda – esta ONG faz um trabalho de preservação das lendas e mitos que contam a história do Homem-Cariri. A Fundação Casa Grande tornou-se uma escola de gestão cultural que tem como missão educar crianças e jovens através dos programas de Memória, Comunicação, Artes e Turismo. Ela divulga fatos guardados e transmitidos oralmente, através dos tempos, pelas populações nativas. São narrações onde se misturam fatos reais e históricos, formando acontecimentos enriquecidos pela fantasia. Essas lendas procuram dar explicação a acontecimentos misteriosos ou sobrenaturais.

Os mitos, segundo o diretor da Fundação Casa Grande, Alembergue Quindins, são narrativas que possuem um forte componente simbólico. Persiste, no imaginário das camadas mais simples da população caririense, o que acontecia com os povos da antigüidade. Aqueles não conseguiam explicar os fenômenos da natureza, através de definições científicas. Por isso criavam mitos, com o objetivo de dar sentido às coisas do mundo. Os mitos também serviam como uma forma de passar conhecimentos e alertar as pessoas sobre perigos, defeitos e qualidades do ser humano. Deuses, heróis e personagens sobrenaturais se misturavam com fatos da realidade, para dar sentido à vida e ao mundo.
O Cariri é pródigo dessas narrativas, conservadas no imaginário de sua gente. Abaixo falaremos de duas tradições caririenses: uma imaginária (A Pedra da Batateira), outra real (A imagem da Mãe do Belo Amor), ambas entrelaçadas, constituindo-se, ao mesmo tempo, imaginárias e reais.



A lenda da Pedra da Batateira
Rosemberg Cariri (*)

"A Mãe do Belo Amor", foto de Jackson Bantim

((*) Cineasta. O texto acima foi extraído do livro “Eu Sou a Mãe do Belo Amor”, do Padre Antônio Vieira, publicado pela IOCE, Imprensa Oficial do Ceará. Fortaleza, 1988.)

Não é grande a distância que vai da lenda à História, do mito à realidade. Ambos se mesclam na confluência dos mesmos fatos e circunstâncias, apenas com as variantes definidoras da rotas trilhadas. O mito completa a História, e esta explicita aquele.
Lendo os originais do livro do Padre Antônio Vieira, “Eu Sou a Mãe do Belo Amor”, acudiu-me à lembrança as estórias ouvidas, ainda na infância, sobre a lenda da Pedra da Batateira, e mais tarde se me aguçou a curiosidade de realizar pesquisas para aprofundamento da temática, por ser, sem dúvida, de alta relevância histórica e sociológica.
Através de muitas crônicas históricas, sabe-se que os índios da chamada, Nação Cariri (Kariri ou Quiriri), os primitivos habitantes do Vale do Cariri e dos sertões nordestinos, do Rio São Francisco à Serra da Borborema, segundo versão de Capistrano de Abreu, provieram de “um lago encantado”, provavelmente do Amazonas ou Tocantins, sendo expulsos dessa região como do litoral pelos Tupinambás e Tupiniquins.
Como se vê, a água era predominante na cultura desses silvícolas. Era tradição serem de uma bravura e ferocidade estupenda, e como símbolo e troféu dos seus feitos épicos e homéricos, se ornamentavam com dentes de tubarão, jacaré e onça.
Os colonizadores, na sua gana predatória de domínio dos campos de criação de gado, tentaram eliminá-los nas chamadas “guerras justas”, cujos embates se alongaram de 1683 a 1713, nos cruentos e desumanos combates, conhecidos historicamente como “Confederação dos Cariris” ou a “Guerra dos Bárbaros”. E os conquistadores só conseguiram dominá-los e massacrá-los, graças ao esforço ponderável dos bandeirantes paulistas, em gente, armas e municiamento. Foi uma guerra de extermínio, autêntico genocídio, como se costumava realizar à revelia da lei e dos princípios éticos e humanitários, nas novas terras descobertas.
Os remanescentes da tribo dos índios Cariris, alocados no Vale Caririense, trouxeram codificada, na sua sensibilidade, intuição e memória, a evocação da imensa Bacia Amazônica, das suas enchentes devastadoras, e não foi difícil à sua fértil imaginação idealizar que todo o Vale Caririense fosse um mar subterrâneo, com imenso caudal represado pela Pedra da Batateira; e precisamente onde hoje está situada a Matriz de Crato fosse a cama da baleia ou “Iara”, a Mãe das Águas, e que, um dia, a Pedra da Batateira rolaria, e todo o Vale Caririense seria inundado, e ninguém conseguiria sobreviver.
Os primeiros missionários que catequizaram os índios Cariris, no primeiro quartel do século XVIII, deixaram como lembrança uma imagem de Nossa Senhora, esculpida em madeira, com 40 centímetros de altura, tendo o Menino Jesus nos braços, a quem deram o nome de “Mãe do Belo Amor”, para atenuar os temores fatídicos da lenda e substituir os maus presságios da “Mãe das Águas” pela proteção carinhosa e afetiva da “Mãe do Belo Amor”. E a imagem foi colocada exatamente sobre uma pedra do Rio Granjeiro, debaixo de um nicho de palha. Quando da instalação da Paróquia, mais tarde, a imagem passou a ser venerada com a invocação de Nossa Senhora da Penha, por duas circunstâncias históricas: o fato de ela ter sido colocada sobre uma rocha, e de que os capuchinhos que construíram a capela de palha, onde se encontra a Igreja-Catedral, eram de origem francesa, donde a singularidade da denominação de “Nossa Senhora da Penha de França”.
Outra versão lendária é a de que os índios vencidos, em lutas anteriores, haviam “encantado” (tampado) a grande nascente da Chapada do Araripe com a Pedra da Batateira, e que as águas acumuladas, no subsolo, acolhiam uma serpente sagrada, que faria deslocar a pedra, e todo o Vale do Cariri seria inundado, e que os índios Cariris voltariam a ser uma nação livre, senhores do mar, viveriam na paz e tranqüilidade de um Paraíso.
A lenda ultrapassou as fronteiras do Cariri, e o cineasta Hermano Penna sustenta a tese de que Antônio Conselheiro, quando se separou de Joana Imaginária, vagava pelos sertões cearenses, tendo trabalhado nos engenhos de rapadura do Cariri, onde certamente colheu os elementos lendários da Pedra da Batateira. Tempos depois, o Conselheiro, seguido pelo grupo de camponeses espoliados dos latifúndios, pregava em pleno sertão adusto da Bahia “que o sertão ia virar mar”. E a profecia se cumpriu. Canudos hoje está coberto pelas águas, e a barragem de Sobradinho e Itaparica cobriram meio mundo.
Fato curioso é que os índios Cariris de Mirandela e Saco do Morcego, catequizados pelos capuchinhos, contribuíram com 300 caboclos flecheiros na defesa da cidadela do Império do Belo-Monte: Canudos.
O mito ainda hoje persiste na memória e imaginação do povo, mesclando-se com outras variantes, de tal forma que muita gente adventícia da Paraíba e Pernambuco, de descendência dos índios Cariris, residente em Juazeiro, recusa-se a morar em Crato, temendo a vingança da Pedra da Batateira.
Padre Cícero Romão Batista, filho de Crato, certamente, na infância, deve ter guardado estórias ouvidas que o induziram a desenvolver, mais tarde, como sacerdote, o culto a Nossa Senhora com a invocação de Mãe das Dores.
Por isso é que o poeta João Cristo-Rei, com ares de profeta, anuncia que, quando se sucederem esses fatos lendários:

“Juazeiro fica trancado e seguro
Cercado de muro sem contradição,
Seu grande mistério se estende e cresce
E nisto aparece o Rio Jordão”

Sempre a força mítica da lenda das águas. E este novo tempo, preconizado pelo poeta, tem a mesma visão do profeta Isaías “com uma nova era de mel e fartura, quando pedra será pão, e o mundo viverá do Belo Amor entre os homens”.
É certo o que diz a sabedoria multissecular da gente simples: “Deus fala pela boca do povo”.
Pesquisas científicas atestam, que há milhões de anos, todo o Ceará, que é murado pelos contrafortes das serras, já foi mar, e um cataclismo telúrico determinou a depressão geológica de que temos o documento sedimentário dos fósseis encontrados no sopé da Chapada do Araripe, e as marcas da erosão nas rochas graníticas e faldas das montanhas, ao embate das ondas revoltas do mar.
Podemos concluir parafraseando Shakespeare: “O povo sabe muito mais do que a nossa vã filosofia”.

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(*) Armando Lopes Rafael é historiador. Sócio do Instituto Cultural do Cariri e Membro-Correspondente da Academia de Letras e Artes “Mater Salvatoris” de Salvador (BA).

Humorista "Luana do Crato" recebe Homenagens


LUANA DO CRATO RECEBEU HOMENAGEM DA PRIMEIRA DAMA DO CRATO.
NESTE ÚLTIMO DOMINGO NO TEATRO RACHEL DE QUEIROZ, A PRIMEIRA DAMA DO CRATO MÔNICA ARARIPE, SUPREENDEU A TODOS QUE ESTAVAM PRESTIGIANDO O SHOW DA LUANA DO CRATO, COM UMA HOMENAGEM QUE EMOCIONOU A TODOS PRESENTES, A PRIMEIRA DAMA ENTREGOU UM BUQUE DE FLORES E UM TROFÉU ARTISTICO SIMBOLIZANDO A ARTE E A CULTURA DO NOSSO MUNICÍPIO, MÔNICA ARARIPE, DESTACOU O VALOR E AMOR QUE O HUMORISTA TEM PELA SUA TERRA NATAL LEVANDO O NOME DO CRATO POR ONDE PASSA, COM SUA ALEGRIA E SEU ALTO ASTRAL E SUA MANEIRA DIVERTIDA DE FAZER HUMOR, O CHEFE DE GABINTE, DR CICERO FRANÇA, REPRESENTAVA O PREFEITO SAMUEL ARARIPE, PARABENIZOU E DISSE QUE O CRATO ESTAVA EM FESTA COM A VITORIA DA LUANA DO CRATO. LUCIANO LOPES FICOU EM SEGUNDO LUGAR NO 5 FESTIVAL DE PIADAS NO SHOW DO TOM E GANHOU O TROFÉU DOS MELHORES DO ANO 2008, O PROGRAMA DA FESTA DA RECORD SERÁ TRANSMITIDA NO SABADO COM APRESENTAÇÃO DE TOM CAVALCANTE E ANA HICKMAN.

MISS E MISTER CRATO 2009 SÃO ACLAMADOS

O PRODUTOR DE EVENTOS, ANDRÉ LACERDA, ACLAMAOU A ESTUDANTE, PRISCILA NELICE NOGUEIRA DE MORAES, FILHA DE MARIA VALDETE NOGUEIRA DE SOUSA E DO VEREADOR DEDE DA GRANJA, NELICE FOI ACLAMADA COMO MISS CRATO 2009 ELA É ESTUDANTE SECUNDARISTA E SONHA EM SER UMA EMPRESARIA BEM SUCEDIDA,JÁ O UNIVERSITÁRIO, YURY GUEDES, FILHO DE ANTONIA MARQUES DE OLIVEIRA E HUMBERTO GUEDES, FOI ACLAMADO COMO MISTER CRATO 2009,ATUALMENTE YURY É PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FISICA E SONHA EM SER UM GRANDE PERSONAL TRAINNER, OS DOIS DISPUTARÃO O MISS E MISTER CARIRI 2009, ANDRÉ LACERDA ACREDITA QUE OS CANDIDATOS SE SAIRÃO BEM NOS CONCURSOS, JA QUE OS DOIS TEM UMA BELEZA BIOTIPICA DE NOSSA REGIÃO, A ACLAMAÇÃO FOI REALIZADA NO TATRO RACHEL DE QUEIROZ, COM AS PRESENÇAS DA PRIMEIRA DAMA MÔNICA ARARIPE, LUANA DO CRATO, DR. CICERO FRANÇA, DIVANE CABRAL ENTRE O PÚBLICO PRESENTE.

Artigo enviado por Mônica Araripe
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Organiza o Natal - Carlos Drummond de Andrade



Olá, amigos do Blog do Crato. Hoje, Natal, 25 de Dezembro. O tempo amanheceu dourado, lindo...Um grande amigo nosso, Carlos Drummond de Andrade, resolveu falar conosco sobre o Natal e através dos laços da imortalidade nos enviou esse excelente artigo sobre o Natal, que eu faço questão de publicar aqui no nosso Blog:

Alguém observou que cada vez mais o ano se compõe de 10 meses; imperfeitamente embora, o resto é Natal. É possível que, com o tempo, essa divisão se inverta: 10 meses de Natal e 2 meses de ano vulgarmente dito. E não parece absurdo imaginar que, pelo desenvolvimento da linha, e pela melhoria do homem, o ano inteiro se converta em Natal, abolindo-se a era civil, com suas obrigações enfadonhas ou malignas. Será bom.

Então nos amaremos e nos desejaremos felicidades ininterruptamente, de manhã à noite, de uma rua a outra, de continente a continente, de cortina de ferro à cortina de nylon — sem cortinas. Governo e oposição, neutros, super e subdesenvolvidos, marcianos, bichos, plantas entrarão em regime de fraternidade. Os objetos se impregnarão de espírito natalino, e veremos o desenho animado, reino da crueldade, transposto para o reino do amor: a máquina de lavar roupa abraçada ao flamboyant, núpcias da flauta e do ovo, a betoneira com o sagüi ou com o vestido de baile. E o supra-realismo, justificado espiritualmente, será uma chave para o mundo.

Completado o ciclo histórico, os bens serão repartidos por si mesmos entre nossos irmãos, isto é, com todos os viventes e elementos da terra, água, ar e alma. Não haverá mais cartas de cobrança, de descompostura nem de suicídio. O correio só transportará correspondência gentil, de preferência postais de Chagall, em que noivos e burrinhos circulam na atmosfera, pastando flores; toda pintura, inclusive o borrão, estará a serviço do entendimento afetuoso. A crítica de arte se dissolverá jovialmente, a menos que prefira tomar a forma de um sininho cristalino, a badalar sem erudição nem pretensão, celebrando o Advento.

A poesia escrita se identificará com o perfume das moitas antes do amanhecer, despojando-se do uso do som. Para que livros? perguntará um anjo e, sorrindo, mostrará a terra impressa com as tintas do sol e das galáxias, aberta à maneira de um livro.

A música permanecerá a mesma, tal qual Palestrina e Mozart a deixaram; equívocos e divertimentos musicais serão arquivados, sem humilhação para ninguém.

Com economia para os povos desaparecerão suavemente classes armadas e semi-armadas, repartições arrecadadoras, polícia e fiscais de toda espécie. Uma palavra será descoberta no dicionário: paz.

O trabalho deixará de ser imposição para constituir o sentido natural da vida, sob a jurisdição desses incansáveis trabalhadores, que são os lírios do campo. Salário de cada um: a alegria que tiver merecido. Nem juntas de conciliação nem tribunais de justiça, pois tudo estará conciliado na ordem do amor.

Todo mundo se rirá do dinheiro e das arcas que o guardavam, e que passarão a depósito de doces, para visitas. Haverá dois jardins para cada habitante, um exterior, outro interior, comunicando-se por um atalho invisível. A morte não será procurada nem esquivada, e o homem compreenderá a existência da noite, como já compreendera a da manhã. O mundo será administrado exclusivamente pelas crianças, e elas farão o que bem entenderem das restantes instituições caducas, a Universidade inclusive.

E será Natal para sempre.

Ah! Seria ótimo se os sonhos do poeta se transformassem em realidade.

Texto extraído do livro "Cadeira de Balanço", Livraria José Olympio Editora - Rio de Janeiro, 1972, pág. 52.

Carlos Drummond de Andrade
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Crise econômica


Petróleo sofre sua nona queda consecutiva em Nova York
O barril do Brent negociado em Londres caiu a 36,20 dólares, seu menor valor desde 13 de julho de 2004

Os preços do petróleo caíram novamente nesta quarta-feira em Nova York, pela nona sessão consecutiva, acentuando as perdas no final do pregão na véspera do Natal, após o anúncio de um aumento dos estoques de gasolina e derivados nos Estados Unidos. No New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril do West Texas Intermediate ("light sweet crude") para entrega em fevereiro fechou a 35,35 dólares, em queda de 3,63 dólares em relação à terça-feira.

O barril do Brent negociado em Londres caiu a 36,20 dólares, seu menor valor desde 13 de julho de 2004. "O mercado continuará pressionando os preços para baixo até que algo concreto o detenha, como uma escassez física de petróleo", estimou Ellis Eckland, analista independente. Os preços do petróleo abriram em clara baixa e mantiveram esta tendência ao longo da sessão, mas a queda foi acentuada no final, apesar da certa estabilidade nas reservas semanais nos Estados Unidos, segundo Eckland.

Os estoques de gasolina subiram em 3,3 milhões de barris, a 207,3 mb, superando a alta esperada de um milhão de barris. As reservas de produtos destilados (diesel e combustível de calefação) aumentaram em 1,8 milhão de barris, alcançando 135,3 mb, quando os analistas previam a estabilidade.

Já as reservas de petróleo caíram em 3,1 milhões de barris, a 318,2 mb, na semana concluída em 19 de dezembro, o que surpreendeu os analistas, que previam uma alta de 200 mil barris. Mas os números do consumo das últimas quatro semanas revelam uma queda de 4,2% em relação ao mesmo período do ano passado, confirmando a queda livre na demanda. O consumo de gasolina caiu 2,7% e o de produtos destilados, 5,1%.

Algumas considerações sobre o Geopark Araripe (2ª Parte)

GEOPARK:
encontro da ciência com os ritos, mitos e lendas do Homem-Cariri
por Armando Lopes Rafael (*)

As romarias ao Padre Cícero (um santo não-oficial da Igreja Católica), feitas por populações sertanejas que acorrem, em certas datas do ano, a Juazeiro do Norte são outro forte componente da cultura regional. (Na foto ao lado a Procissão da Romaria das Candeias) Essas romarias começaram a acontecer no final do século XIX, por conta da fama de santidade e de “milagreiro” atribuída ao Padre Cícero. Ao longo do seu processo evolutivo, elas incorporaram e conservam até hoje alguns rituais, praticados nas três fases da peregrinação: a viagem, a chegada e o retorno do romeiro. O principal componente é de caráter religioso: participação nas missas e procissões; confissão dos pecados e a comunhão reparadora; visita aos lugares considerados sagrados pelo romeiro– Capela de N.Sra. do Perpétuo Socorro (onde está sepultado o Padre Cícero), Santuário da Mãe das Dores, igrejas de São Francisco e do Sagrado Coração de Jesus. Também é considerado um local sagrado pelos romeiros a colina do Horto (onde ficam a grande estátua do Padre Cícero e a pedra do “Santo Sepulcro”), visita obrigatória aos que vêm renovar sua fé na cidade-santuário.
Por outro lado, o sagrado convive com o profano. Os romeiros executam uma coreografia, não ensaiada, com chapéus de palha na cabeça e rosários no pescoço. Soltam fogos. Assistem ás exibições das rabecas na Dança de São Gonçalo. Compram, no comércio e nas feiras ao ar livre, imagens de santos, peças artesanais, remédios fitoterápicos e produtos alimentícios, típicos do Cariri, como a rapadura e a “batida” (ambas subprodutos da cana-de-açúcar), doces de buriti, dentre outros.
Como bem definiu o escritor Gilmar de Carvalho: Diante de tanta fé e de tanta festa, que diferença faz que ele (Padre Cícero) seja ou não santo oficial? Poderá haver maior homenagem do que essa canonização espontânea, essa devoção que cresce, cada vez mais, essa cidade que transborda alegria, bodejando salmos, esperando sinais, na atualização desse momento maior que é epifânico, encontro do homem com o divino?

A URCA, ao longo dos seus 20 anos de existência, não se manteve estanque ou isolada das comunidades localizadas no território da sua atuação. A Universidade sempre procurou compartilhar com a sociedade os conhecimentos produzidos na Academia. Para tanto, promoveu simpósios, seminários e palestras. Firmou convênios e realizou pesquisas. E até mesmo quando seu Conselho Universitário outorgou a alguma personalidade o título de Professor Honoris Causa, fê-lo sempre em reconhecimento à contribuição que o homenageado deu para o conhecimento e divulgação do homem e do meio nordestino.
No caso específico do Geopark Nacional do Araripe, uma das preocupações da URCA tem sido o resgate da herança e o redescobrimento do elemento nativo, oriundo da etnia Cariri. Sabe-se que a contribuição indígena foi – e continua sendo – importantíssima para a variegada composição das ricas manifestações populares da região.

O homem da Chapada do Araripe (foto abaixo à direita ) é vinculado umbilicalmente a sua terra, semelhante a uma árvore, cujas raízes sugam do chão os nutrientes para viver.
É obrigação de a Universidade divulgar essa profunda ligação homem-terra, o que, aliás, já vem sendo feito. Urge difundir os saberes e fazeres do Homem-Cariri. Aprender seu conhecimento sobre a flora, o processo da escolha da melhor fibra para a produção de peças artesanais – como a peneira e a urupema – e conhecer o barro utilizado para produzir o melhor pote.

Resgatar as atividades das Casas de Farinha, locais onde os operários entoam canções plangentes, em meio ao trabalho das “raspadeiras” e dos “puxadores” de roda. Outras atividades do homem caririense estão a merecer esse resgate, como o vaqueiro da Chapada, os cortadores da pedra laminada de calcário, os produtores do carvão da serra...

Ritos, mitos e lendas
Na história primeva do Vale do Cariri, ganhou destaque uma cachoeira – localizada no município de Missão Velha – que era apresentada como um lugar misterioso e sagrado para os primeiros habitantes do Vale: os índios Cariris. Estes, naquele aprazível sítio, interagiam com a natureza. Na cachoeira existe a Pedra da Glória, donde, ainda hoje, a voz humana é projetada com sons metálicos. Dizem que essa pedra era o local escolhido pelos silvícolas para suas cerimônias místicas.
O imaginário popular conservou muitas lendas, a partir da Cachoeira de Missão Velha (foto abaixo à direita) Falava-se na existência de passagens subterrâneas que, partindo do local, levariam a castelos encantados, cheios de tesouros. Traços da cultura da Península Ibérica? Na realidade, um contraste com o estado de penúria de parte da população que vivia e vive marginalizada do exercício da cidadania. Nos dias atuais, esta Cachoeira virou local para encontros dos adeptos do Candomblé, religião introduzida no Brasil pelos escravos negros, e que vem crescendo, ultimamente, até nas pequenas cidades do interior brasileiro. Esta outra realidade do presente, da qual o Cariri não pode fugir.

Quem sabe, vem daí esta interação – que perdura até os dias de hoje – entre o Homem-Cariri e a terra que lhe serve de habitat. Dotada de belas paisagens – emolduradas pela Serra do Araripe – a Região do Cariri é muito mais do que um vale fértil, privilegiado de águas abundantes, onde predomina o verde das matas e dos canaviais. Aqui foi plasmada uma cultura sui generis, formada por duas correntes. A primeira é remanescente das manifestações culturais dos índios Cariris. A segunda, que se fundiu com a primeira, teve origem na Península Ibérica e foi trazida pelo colonizador branco. Desta última conservamos as festas do Pau da Bandeira, que abrem as novenas dos padroeiros das cidades do Cariri. Uma coisa uniu essas duas correntes: a simbiose com a terra, que influenciou e modificou os costumes importados.
(continua)

(*) Armando Lopes Rafael é historiador. Sócio do Instituto Cultural do Cariri e Membro-Correspondente da Academia de Letras e Artes “Mater Salvatoris” de Salvador (BA).

UM ANO NOVO ENTRE NÓS

Desejo a todos que o ano de 2009 seja realizado como tempo por nós realizado. Mesmo que nossos interesses não sejam os mesmos, mesmo que divergentes, espero que a cada um lhe caiba a parcela de realizações necessárias ao aprendizado e à sabedoria geral.

Aproveito para lhes oferecer um presente especial: estarei ausente do blog pelos próximos 40 dias. Em fevereiro nos reencontraremos nestas setas que cruzam o éter entre o nordeste e sudeste do país.

Sol, Lua - (Diálogo nos bastidores) - Socorro Moreira X Claude Bloc


Nos bastidores, quando se comenta algum trabalho aqui postado, surge, muitas vezes, a oportunidade de um diálogo entre textos. Isto acontece no exato momento em que a sintonia se estabelece e provoca uma imersão em pensamentos confluentes... Quando a imaginação encontra a percepção da idéia. Quando a palavra salta e se apropria da página. Quando a alma é provocada e interage. Quando o sentimento converge...
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Poema original em preto por Socorro Moreira / Duplix em azul por Claude Bloc:

Encontros
nos claros e escuros do tempo ...
Encontros
nas extensões mentais
nas diagramações da alma...

Acontece
sempre de repente
o fluxo (contínuo) de imagens,
na corrente da mente
Acontece
no sonho , na esquina ,
num ponto de chegada ou de partida ...
Música , cheiro , fotografia
a consciência da ausência
das afinidades,
Reencontros ...
Até com o desconhecido
gestual e linguagem
que a alma identifica.

Um momento novo
sentimento antigo
ansiedade, vetor temporal
emoção crescente
fogo que abrasa
luz incandescente
nascendo e morrendo ...
Sol, lua
Noite e dia !

Lendo você , encontro-me comigo !

"White Christmas"



White Christmas
Bing Crosby

"I'm dreaming of a white Christmas
Just like the ones I used to know
Where the tree tops glisten
And children listen
To hear sleigh bells in the snow
I'm dreaming of a white Christmas
With every Christmas card I write
May your days be merry and bright
And may all
Your Christmases be white
I'm dreaming of a white Christmas
Just like the ones I used to know
Where the tree tops glisten
And children listen
To hear sleigh bells in the snow
I'm dreaming of a white Christmas
With every Christmas card
I write May your days be merry and bright
And may all your Christmases
May all your Christmases
May all your Christmases
May all your Christmases be white
I'm dreaming of a white
Christmas with you
Jingle Bells
All the way, all the way "




Meu filho dorme, como um recém-nascido.
(Estou vivendo o mais quieto Natal da minha vida).


Não espero Papai Noel
Ele chega
com um saco de surpresas
em minha vida ,
todos os dias ...
As vezes ...
Com uns versos do Barroso
Uma poesia do Sávio
Um conto do Zé Flávio,
Uma discursão filosófica Do Vale
Um episódio histórico do Armando , Rafael
Um comentário musical do Dihelson
Uma foto do Pachelly
Um poema do Leonel , do Bernardes
Um delicioso texto do Lupeu ...
Uma lição de vida do Emerson
Os textos dos amigos do blogdocrato
Um toque mágico da Claude ...


Não seriam
Salatiel e o Dihelson
o nosso Papai Noel ?


Natal é dia de reflexão
Amor, solidariedade ,
paz e compaixão ...
Em pauta ...
Programação de vida
-Nosso dia a dia
Escolhemos a arte
- Filosofia de vida
Escolhemos a amizade
- Lar e aconchego
Escolhemos o encontro
- Humor e brincadeira
Escolhemos - nos ...
- Eternos parceiros !


Quando eu era pequena , ouvíamos nesta noite , Bing Crosby ( era a música preferida do meu pai). Passeávamos antes de dormir ,na Rua Santos Dumont , Bárbara de Alencar e Dr. João Pessoa. Iluminadas , ofereciam opções de presentes , distribuidos em bancas , montadas caprichosamente. Calungas, bolas coloridas , brinquedos de celulose , em miniaturas ... Preços módicos , acessíveis. Em casa , uma galinha ou peru caipiras , assados no forno do fogão à lenha , nos esperavam , acompanhados de uma farofa dos miúdos. Algumas guloseimas entravam no cardápio , naquela noite : biscoito e guaraná champagne , passas , castanhas do Pará , nozes, bolos caseiros ( não conhecíamos o panetone). Depois do passeio e ceia , os adultos nos faziam dormir , e compareciam à missa do galo . Na madrugada , sorrateiramente , colocavam os nossos presentes , no pé da nossa cama. De manhãzinha, as calçadas ficavam repletas de meninos felizes, exibindo patinetes, bonecas, velocípedes e bicicletas.

Minha mãe tinha o carinho de fazer camisolas novas pra gente usar naquela noite. Receberíamos a visita importante de um anjo , representante do povo lá de cima.
Já tínhamos feito o enxoval do Menino Deus , em orações, durante todo o mês de dezembro.
Quando pequena, lá na Fazenda do Piauí, minha avó , arranjava pequenos buquês de flores silvestres , amarrava-os com fitinhas , e lhes presenteavam ... a ela e a todos da família.
Fomos acostumados a esses pequenos mimos. Presentes não custam caro. Os mais belos são impagáveis. Os verdadeiros são gratuitos ... A gente deseja uns aos outros um Natal de paz e amor. Esse ano eu consegui... Na quietude da minha casa , vou dormir feliz !
Declaro em voz firme , e bem baixinho : Eu amo os meus amigos !

- A todos, a minha paz !

Socorro Moreira

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