20 novembro 2008

Encantados

Foto-montagem por Claude Bloc



Meus sonhos querem viver
Inteiros
Imersos na poesia
Pairar dispersos pelos versos
Bailar pelas entrelinhas...
E em cada estrofe,
Entre rimas e cenários,
Abrir uma janela,
Onde me ponho sozinha
A dedilhar meu rosário...

Meus sonhos querem viver
Nas nuvens
Querem pousar nos portos
Nos umbrais da noite
Vadios e sem rumo...

Meus sonhos querem aportar
No ocaso,
Á última luz do sol
Sempre famintos, despertos
Ávidos e bizarros.

Meus sonhos
Querem viver!
Viver apenas...
...E sobreviver
Encantados
No meu olhar.

Texto de Claude Bloc

Descaso Ambiental - Por Lucieldo Moreira


N
a posição que exerço hoje aqui no Crato, tenho percorrido diversos locais de nosso município e de nosso Cariri como um todo. E por onde eu ando me deparo com situações altamente agressivas para com o meio ambiente, não existe respeito por nada, a desgraça do dinheiro é quem manda geral, princípios, éticas, bom senso e tudo mais foram engolidos pela ambição desgovernada que impera a nossa volta, interesses pessoais com zero por cento de preocupação do que iremos deixar para as gerações futuras, loteamentos sendo abertos desordenadamente próximos as margens de rios e encostas o que com certeza usaram o leito dos rios para jogarem esgotos e tudo mais. Se resolvo ir a Barbalha de longe avisto a torre de fumaça expelida pela fabrica de cimento poluindo a todo vapor o nosso céu, mais fazer o que eles estão com suas licenças em dias, então pode. Seguindo do Crato para a ponta da serra me deparo com uma fabrica de tijolos com sua violenta chaminé poluindo nossos ares e sem falar na destruição que se estão fazendo na barreira em frente, mais tudo isso pode, pois eles estão com suas licenças para destruir em dias. Seguindo para o Grageiro o cidadão pega um trator de esteira e desmata abusivamente para fazer um loteamento com uma rua de 7m e lotes minúsculos, pois o que vai mais interessar pra ele é a quantidade doa a quem doer, mais ele tem a licença pra desmatar concedida pela SEMACE, fazer o que?

Estou cansado e ao mesmo tempo preocupado com o futuro de meus filhos, que correm o sério risco de não ver essas situações que vejo hoje por conta do que está sendo destruído não existir mais.


LUCIELDO MOREIRA
CORRETOR DE IMÓVEIS
CRATO-CE

Solstícios e Equinócios

O mundo se refizera, magicamente, com a chegada das primeiras águas. As árvores trajavam vestido novo. Os pássaros anunciavam aos quatro ventos a chegada da boa nova, num canto de anunciação. Os semblantes molhavam-se também do verde da esperança. O velho recolhido na concha da rede, súbito, ressuscitou com a natureza. Juntou um pouco do ar que lhe restava e sussurrou aos filhos, telegraficamente, aquelas que se prenunciavam suas últimas palavras:
--- Basta! ... parem os remédios...façam minha vontade...me levem para o Mocotó !
O menino, sorrateiramente, se escondia por entre as bananeiras, enquanto ouvia um bulício , uma algazarra para o lado do açude da fazenda. As folhas úmidas das últimas chuvas lhe encharcavam o corpo ternamente. Baleadeira a tiracoclo, umas duas rolhinhas no embornal, se foi serpenteando por entre as folhas e flores. O jasmineiro incensava o mundo com um perfume inconfundível. Finalmente, por trás de um cambuí, conseguiu observar a imagem que nunca mais lhe saiu da lembrança. Meninas púberes, com seios rijos e os primeiros pelos enegrecendo os delicados montinhos , saltitavam no meio das águas. O menino , embevecido, teve sua primeira revelação : descobriu que o prazer é líquido.
O homem contemplava a vida ao derredor com um ar desesperado. Aquilo que um dia tinha sido uma aquarela, hoje, tomara um tom gris, transformara-se em nanquim. Um único juazeiro, à beira do rio totalmente seco, teimava em manter o verdor passado. Só. Carcaças da criação, ossos reluzentes, tremulavam ao sol inclemente, decorando de forma irregular o chão da fazenda . Couros espichados em varas faziam-se bandeiras desfraldadas da morte. Recendia por todos poros do universo um distante ar de decomposição. Dissolvia-se a paisagem, fundiam-se faces esquálidas, como bonecos de neve expostos ao sol. Na sala da casa da fazenda um caixão de um azul celeste abrigava um anjinho no seu último leito. Duas velas procuravam atônitas o acompanhamento de algumas lágrimas que escorriam languidamente de olhos cansados de dissolução. O homem mal percebeu o contraste. Em meio à paisagem áspera e ressequida, a vida refazia-se amorfa e gelatinosa.
As árvores se despiam das suas folhas e lançavam suas vestes por sobre os caminhos , atapetando as veredas e trilhas com uma colcha de retalhos multicolorida. O sensual strip-tease arrebatou o rapazinho. As visíveis mudanças do tempo se antenavam com suas profundas transformações interiores. A natureza estendia seu tapete que como que lhe abrindo estradas inúmeras e possíveis a seguir, a trilhar. Teria, como a Chapeuzinho Vermelho, que escolher entre o caminho da floresta , o do rio ou tantos, tantos outros igualmente inseguros e arriscados e sempre com o encontro inevitável com o lobo, no final. Trazia ainda na boca o gosto do beijo da namorada e nos dedos a memória olfativa do passeio por relevos e depressões úmidas, aquele cheiro tesudo que jamais evaporaria de suas mãos, emprenhando sua vida de vontade e cio. Olhou ,detalhadamente, o manto colorido das folhas e seguiu o canto da sereia. A existência, mais que nuca lhe pareceu firme, sólida, como o falus que carregava incomodamente entre as pernas.
O velho fitou delicadamente a promessa de paisagem verde que se estendia, a não mais se ver, da varanda da casa do Mocotó. Repolteado numa preguiçosa, contemplou o cajueiro fartamente florido e comentou a abundância da safra vindoura. O bem-te-vi lhe entoou um canto familiar de alvíssaras. O pequizeiro já pendia com os frutos pequeninos e a boca se encheu de água na perspectiva do baião-de-dois futuro. A chuvinha fina da noite umedecendo o esterco no curral reacendeu no mundo aquele cheiro de campo. Os bezerros amarrados aos pés das vacas, na ordenha , preenchiam a fazenda com seus berros pidões. Num esgar de felicidade, os olhos do velho enevoaram-se .Aos poucos, ele foi percebendo o caráter volátil e gasoso da vida que ciclou, como toda natureza, entre solstícios e equinócios.

J. Flávio Vieira

http://www.simborapramatozinho.blogspot.com

OS GURIS DA RUA CORONEL SECUNDO

Didaticamente, a vida pode ser dividida em três fases: o passado - que já acabou; o presente - em extinção; e o futuro - mera expectativa. Sempre que a vida nos aborrece quando estamos já adultos, sentimos uma necessidade urgente de sorrir e aí recorremos ao passado, se tiver sido bom. Felizmente, todos nós, da rua Coronel Secundo, nos anos cinqüenta, dourados, mesmo os de poucos recursos, gozamos de uma infância feliz, pois tivemos o básico para acharmos a vida prazerosa: um teto, uma família, alimentação suficiente, ótimo ensino público e uma rua, berço e palco do talento de cada um. Acordávamos cedo e nos recolhíamos pouco depois do anoitecer. Nada havia de mais interessante a fazer do que dormir e sonhar. Quanto verde havia: o bosque (hoje a Praça Alexandre Arrais), as matas ciliares do rio Granjeiro (das piabas), a mata de Seu Jéferson e o Sítio Lameiro. Sob essas árvores, sombras queridas se foram e vozes se calaram. A beleza simples, suprema benção das coisas e das criaturas, encontramo-la na memória da infância, no areal do bosque e da nossa rua mais bonita, ainda descalça feito nós, local de matanças hoje inconcebíveis, de borboletas, com nossas camisas, e aos gritos de " alô boy, matalê um"!... Que falta faz a lama e o cheiro desses lugares que pisamos e que nos inundaram até o espírito, a ponto de nenhum banho, ainda hoje, ser capaz de nos lavar. Vejo, admirado, que muitos meninos de agora não mancham as suas roupas com nódoas de caju... que vida sem graça! Nos reencontros dos amigos da rua não catamos os sinais de decadência do outro, mas procuramos amavelmente as marcas dos nossos pequenos pés na areia... Usamos a imaginação e viajamos ao tempo em que as águas do rio eram claras, onde lavamos nossas almas sujas e voltamos alegres e felizes pela rua da qual fizemos estribo para a vida Hoje as pessoas têm pressa. Não param mais para conversar, como fazem as formigas... mas nós da rua Coronel Secundo, não; pois sempre valorizamos o toque interpessoal, antenados que somos com base nos pilares da formação humana, quais sejam: o amor, o respeito e humildade, da grande família parquense pelo bom Deus. O escritor João do Rio, em sua obra "A alma encantadora das ruas", faz uma citação belíssima: "...Eu amo a rua; e esse amor assim absoluto e assim exagerado é partilhado por todos nós. Nós somos irmãos, nos sentimos parecidos e iguais porque nos une, nivela e agremia o amor da rua. É este sentimento imperturbável e indissolúvel, o único que , como a própria vida, resiste às idades e às épocas".Assim somos os filhos da Coronel Secundo: Os Bantim, Correia, Figueiredo, Lóssio, Dantas, Siebra, Martins, Paletó, Chagas, Alencar, Barbosa, Matos, Policarpo, Abath, Pinheiro, Jamacaru...

Crato/CE, 12.11.2008.
João Marni de Figueiredo

ACIDENTE: A TOYOTA MASSACRA A POP...

Onda de Calor aumenta o número de Acidentes

Interrompemos a paz bucólica e as reuniões à luz da lua minguante para informar coisas do mundo real também. Aqui, matéria de Wilson Bernardo ( que por sinal é poeta também ), e conseguiu flagrar esse triste e inesperado evento:

ACIDENTE: A TOYOTA MASSACRA A POP...


Ontem quarta feira na avenida D. de Caxias grave acidente sem vítimas. Segundo especialista, a alta temperatura, com o calor excessivo, faz com que os condutores de automotores fiquem mais desatentos devido ao estado de sonolencia e o nervosismo causando estafa, aumentando o alto risco de acidentes. Portanto senhores condutores, mais atenção no trânsito!

Texto e Fotos: Wilson Bernardo
.

A Rua Senador Pompeu -




Lili Moreira , na esquina da Usina
com seus tangos , em contra-ponto
com os hinos da Igreja.
"Mano a Mano"...
"Oremos Deus " !


A distinta família Calou
Seu Calasans , Dona Mariquinha
e a prole numerosa ,
que eu adotei como minha :
Kleber ,Ênio , Chico , Flaviano ,
Fernando,Carlotinha ,
Salete , Sônia ,
Helenice , Socorrinha ,
Míriam e Verinha.


Bem pertinho dessa casa ,
o salão Paroquial ...
E o Instituto São Vicente
um centro educacional.
Dona Anilda ,Dona Alda...
Lapidando com jeitinho
ensino fundamental.
Celebrando a alegria
tinha o Pe.Frederico
- Um mito !
Distribuía balas e pitos...
Sermões em brados e risos
Naquela escola-modelo ,
todos nós nos conhecemos ...
Por um tempo ,ou por uns anos ,
enquanto dura , a infância !
Os filhos de Dr. Anibal ,
de Eneida Figueiredo,
De Jeferson Albuquerque
e Letícia Figueiredo.
Dona Almina , Dr. Borges,
Raimundo Maia , Teresinha Pirão,
Hermano Teles , Paulo Frota,
Derval Peixoto , Ossian
Chico Alencar , Moreirinha
Seu Hubert, Edméia , Nemésio,
Os Teixeiras e os Higinos...
e outros que eu não lembro.
Quem não amaria uma escola
com parque de diversão,
campinho pra jogar bola e
piscina ?...
Mergulhos na ilusão !
Professoras como
Almerinda e Lúcia Madeira
Dona Célia e Nadir Brito
Severina Calou ( tão bonita !)...
Todas muito competentes,
nos ensinaram que a vida,
depende da base feita !
No expediente noturno
Adultos tinham sua vez
Um sacrifício bendito
apostado no saber.
As festas de São Vicente ,
glorioso padroeiro,
Tinham quermesses e bingos...
Bebidas acondicionadas ,
no monstro das geladeiras,
que eram à querosene.
Sinto o gosto desse tempo
me animo nas lembranças
coloridos celofones,
envolvendo algumas prendas ,
que seriam leiloadas,
para apurar o dinheiro.
Valia tudo :
galinha assada, bolos,carga de rapadura,
cachos de banana ,sacas de arroz ,
e a voz de Célio Silva,
que bem se fazia ouvir.


No pedaço dessa rua ...
o oitão da nossa Igreja ,
e os famosos oitis ...
à sombra da nossa paz ,
brincadeiras e folguedos,
e o gosto de ser feliz !
Um Hotel familiar ,
vizinho a Seu Pitias...
Pai de Dr.Dalmir,
de Derval e Seu Delcy.


Vizinhos da minha casa
moravam Seu Antonio Leite,
Maria e Dona Expedita...
Tia Didita ,como a chamava
Salete e Vera Leite.
De noitinha , a calçada
de gente se apinhava
Cadeiras enfileiradas,
acolhiam os namorados,
que namoravam direito!
A meninada , se esbaldava ...
na macaca , na corda,e na roda ...
parecia que sabia
que o tempo passa ligeiro!


Em frente à Juarez Távora ,
uma pequena concentração
de personalidades...
Rosa Amélia , Seu Orestes ,
e a pensão do Misael.
Misael era famoso
pelas mentiras contadas
Mas tudo inofensivo...
Mal a nada,nem fazia ...
Estórias de pescador,caçador ...
A gente nunca confia !


Mais na frente ,o antigo Clube Social ...
E a feira da rapadura ,da corda , e do sisal.
Casa do gerente das Pernambucanas ...
Sons de Charanga ...
Cadê Henrique,minha gente ?


A velha Pasteur,
sem olhar para o Banco do Brasil ,
e desconhecendo totalmente,
a Pague Menos e a Gentil!


Dona Mundinha Saraiva,
na cadeira de balanço,
quando era de tardinha ...
Parecia bem quietinha !


Siqueira Campos...
-A praça dos nossos sonhos !
Que inveja dos Lins...
Fernando , Luiza , Isavan ...
Moravam na sua beira ,
de longe ,a gente via !


Enfim , o quarteirão dos mais societes:
Dona Nadeje ,as Arraes...
Altanita Brito ,Ramiro Maia .
Seu Alfredinho , Seu Pierre ...
A formusura das gatas ...
ou era das garças puras ?


A Penitenciária ...
A Praça da Sé ,
e a rua acabava . ..


Um pouco de tudo
de uma ponta a outra ...


A vida se mistura
Como o melado da cana,
numa salada de frutas !

Dia Nacional da Consciência Negra


Vinte de novembro é o Dia Nacional da Consciência Negra. A data - transformada em Dia Nacional da Consciência Negra pelo Movimento Negro Unificado em 1978 - não foi escolhida ao acaso, e sim como homenagem a Zumbi, líder máximo do Quilombo de Palmares e símbolo da resistência negra, assassinado em 20 de novembro de 1695.

O Quilombo dos Palmares foi fundado no ano de 1597, por cerca de 40 escravos foragidos de um engenho situado em terras pernambucanas. Em pouco tempo, a organização dos fundadores fez com que o quilombo se tornasse uma verdadeira cidade. Os negros que escapavam da lida e dos ferros não pensavam duas vezes: o destino era o tal quilombo cheio de palmeiras.

Com a chegada de mais e mais pessoas, inclusive índios e brancos foragidos, formaram-se os mocambos, que funcionavam como vilas. O mocambo do macaco, localizado na Serra da Barriga, era a sede administrativa do povo quilombola. Um negro chamado Ganga Zumba foi o primeiro rei do Quilombo dos Palmares.

Alguns anos após a sua fundação,o Quilombo dos Palmares foi invadido por uma expedição bandeirante. Muitos habitantes, inclusive crianças, foram degolados. Um recém-nascido foi levado pelos invasores e entregue como presente a Antônio Melo, um padre da vila de Recife.

O menino, batizado pelo padre com o nome de Francisco, foi criado e educado pelo religioso, que lhe ensinou a ler e escrever, além de lhe dar noções de latim, e o iniciar no estudo da Bíblia. Aos 12 anos o menino era coroinha. Entretanto, a população local não aprovava a atitude do pároco, que criava o negrinho como filho, e não como servo.

Apesar do carinho que sentia pelo seu pai adotivo, Francisco não se conformava em ser tratado de forma diferente por causa de sua cor. E sofria muito vendo seus irmãos de raça sendo humilhados e mortos nos engenhos e praças públicas. Por isso, quando completou 15 anos, o franzino Francisco fugiu e foi em busca do seu lugar de origem, o Quilombo dos Palmares.

Após caminhar cerca de 132 quilômetros, o garoto chegou à Serra da Barriga. Como era de costume nos quilombos, recebeu uma família e um novo nome. Agora, Francisco era Zumbi. Com os conhecimentos repassados pelo padre, Zumbi logo superou seus irmãos em inteligência e coragem. Aos 17 anos tornou-se general de armas do quilombo, uma espécie de ministro de guerra nos dias de hoje.

Com a queda do rei Ganga Zumba, morto após acreditar num pacto de paz com os senhores de engenho, Zumbi assumiu o posto de rei e levou a luta pela liberdade até o final de seus dias. Com o extermínio do Quilombo dos Palmares pela expedição comandada pelo bandeirante Domingos Jorge Velho, em 1694, Zumbi fugiu junto a outros sobreviventes do massacre para a Serra de Dois Irmãos, então terra de Pernambuco.

Contudo, em 20 de novembro de 1695 Zumbi foi traído por um de seus principais comandantes, Antônio Soares, que trocou sua liberdade pela revelação do esconderijo. Zumbi foi então torturado e capturado. Jorge Velho matou o rei Zumbi e o decapitou, levando sua cabeça até a praça do Carmo, na cidade de Recife, onde ficou exposta por anos seguidos até sua completa decomposição.

“Deus da Guerra”, “Fantasma Imortal” ou “Morto Vivo”. Seja qual for a tradução correta do nome Zumbi, o seu significado para a história do Brasil e para o movimento negro é praticamente unânime: Zumbi dos Palmares é o maior ícone da resistência negra ao escravismo e de sua luta por liberdade. Os anos foram passando, mas o sonho de Zumbi permanece e sua história é contada com orgulho pelos habitantes da região onde o negro-rei pregou a liberdade.

Fontes: Dpnet.com.br
O Dia On-Line
Feranet21.com.br

Somos todos filhos da cópula

Tiquinho. Onze anos. Ruivo como um Viking. Sardas por todo o território corporal. Enferrujado e, sem qualquer preconceito, enfezado até com a sombra. Tal, em face de um espírito muito desconfiado. Provavelmente tenha adquirido tal desconfiança pelo seu estado diferenciado entre tantos mamelucos. Mas todos sabiam que a matriz estava no próprio apelido: tiquinho. Apelido: este coroamento social que nos aplicam, sem que queiramos a monarquia. E o apelido chegou a Tiquinho por uma incompreensão de Bobôco.

Bobôco, lápis de carpinteiro por trás da orelha, óculos fundo de garrafa e uma surdez de fazer inveja a uma porta. E tudo ocorreu numa roda de adultos quando Tiquinho, ainda não tinha esta alcunha. Acontece que Antonio da Bibia, enquanto dava umas baforadas em seu lasca peito, olhava para um menino à época com seis anos, brincando numa agitação que só ele possuía entre os outros. Vendo aquele menino dourado, até nas sobrancelhas e cílios, Antonio comentou: este menino é igual um periquito. Não qualificou o pássaro todo, mas todos entenderam que era um periquito australiano. Nisso, Bobôco que tentava pescar algum retalho da conversa, se admirou do que Antonio tinha chamado o menino e na sua interpretação de mouco perguntou: prequitinho? Todo mundo caiu na gargalhada e aí o primeiro patamar do enfezamento de Tiquinho.

A situação ficou tão difícil, foi tanto menino com roncha das pedradas de Tiquinho que, afinal, uma convenção entre pais e as demais crianças evoluiu o Prequitinho para o Tiquinho de hoje em dia. Não que Tiquinho gostasse mais do nome, preferia o seu original Elvis, todos sabemos em homenagem a quem, embora se tenha em contas que se os pais tivessem consciência histórica o chamaria de Erik, o Vermelho ou algo assemelhado. Mas Tiquinho deu para a adaptação social do menino ocorrer, embora não sem atritos. Como este que segue.

Tiquinho chegou em casa mais vermelho que o seu dourado ruivo. Vinha suando muito, com aquele exalar de cheiros que só os ruivos têm. Entrou de casa adentro como se buscasse a arma de uma vingança. Nisso o avô percebe o vulcão e pergunta o que houve. O menino esbraveja com todas as imprecações que o dicionário guardara por tantos séculos. O avô tonto de tanta sinonímia, afinal consegue uma explicação. Valdir, um vizinho, tinha dito que Tiquinho era filho de uma cópula (isso para amenizar os leitores, pois disse mesmo foi outro sinônimo para tal palavra). Aquilo era uma desfeita com a mãe dele, com ele e com toda a família. Agora ele tinha que honrar a dignidade familiar com uma grande vingança.

O avô, sábio com os entreveros do tempo que trabalhou nos seringais da Amazônia, foi acalmando o neto com alguns detalhes. Descascando o assunto como se faz com uma cana. Primeiro procurando que o neto verbalizasse o que entendia por aquele xingamento. Depois procurando universalizar a situação, afinal somos todos filhos de cópulas. Aí Tiquinho, muito envergonhado tempera com o avô se naquela generalização havia o prazer, o gozo que tanto o catecismo cristão criticava através dos sete pecados capitais. Afinal, ficou claro que o pai de Tiquinho copulava com a mãe dele e que aquilo ao invés de luxúria era uma bonachisse do Pai Eterno pelos termos do crescei e multiplicai-vos. Situação resolvida? Nem tanto.

No dia seguinte chega a reclamação de olho inchado em Valdir. O avô cobra aquela atitude de Tiquinho. Este responde: isso é para nunca mais ele me deixar em dúvida.

Futebol - Atualização - Por: Amilton Silva



Internacional é finalista na Sul Americana
O Internacional goleou na noite de ontem (19) no Beira Rio completamente lotado , a equipe do Chivas do México por 4 X 0, gols de Nilmar (2) e DAlessandro(2).Apesar de poder perder por um gol de diferença, o Colorado não tomou conhecimento do adversário e aplicou uma sonora goleada.Pela primeira vez, após a criação da Sul Americana , um clube brasileiro chega a final da competição.O Inter aguarda o vencedor da partida de hoje à noite entre Argentino Juniors e Estudantes.

Série A

Com um jogo isolado, será inicada hoje a 36ª rodada do Brasileirão Séria A. No Orlando Scarpelli, em Santa Catarina, O Figueirense que ocupa a 19ª posição com 35 PG, recebe o Náutico 16º com 40 PG.O Figueirense estréia o treinador Pintado ex jogador do São Paulo, que terá a difícil missão de lutar para não ser rebaixado para Série B.O Náutico que vem de uma grande goleada no Cruzeiro por 5 X 2, Lutará por uma vitória para se garantir na elite do fubetol brasileiro.

Por: Amilton Silva - Editor de Esportes do Blog do Crato.
Patrocínio: AMILTON SOM - A Melhor Loja de CDs e DVDs do Cariri.

Limbo - Por: Claude Bloc

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É tarde. A noite já se insinua por sobre a serra como um artífice vagaroso compondo uma sinfonia. Primeiro o silêncio, a pausa. E, aos poucos, os sons noturnos parecem mover-se por entre a folhagem. O Sol suspira. A Terra boceja e num sopro lírico, contido, desliza suave, embrenhando-se no lusco-fusco do ocaso.

Posto-me impávida nesse cenário. Observo atenta. Mover-me seria quebrar o encantamento. Quero esvaziar-me, quero apenas sentir esse êxtase que a cena provoca.

Então, resisto à palavra que orbita insinuante. Quero antes fartar-me desses aromas noturnos, dessa umidade, para não vir a poetizar o óbvio. Sinto-me no limbo da espera...

Pouco a pouco o céu se fecha. Vejo estrelas. Seriam estrelas? Percebo que elas habitam em mim. Abrigo-as no interior desse novelo que me enche o peito como se me pertencessem, como se lhes permitisse uma vida eterna.

Resta-me a noite. A noite em minha memória. A noite já passada que guarda reflexos azuis de solidão. A das lembranças ternas que guarda a interioridade do silêncio. ...E esse olhar celeste que atravessa minha estrada.

Vou-me ao encontro de meus passos deixados na areia. Lá encontrarei os teus.

Texto de Claude Bloc
Foto de Claude Bloc
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A Turma da Mônica Araripe... Blog da Mônica !

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No ar desde 2007, um site verdadeiramente "Otimista" em todos os sentidos, para as pessoas que buscam mensagens de paz, de alegria, de humanismo, é o website de Mônica Araripe. Refletindo o perfil de uma mulher forte, dinâmica, e ao mesmo tempo tão humana, foi que eu construí seu website. Aliás, estou construindo desde 2007, pois o mesmo está constante processo de expansão, com a inclusão em breve de várias seções, com música, fotos, curiosidades, entrevistas. Nele, Mônica sempre consegue "garimpar" mensagens lindas, como essas que ela gentilmente nos brinda aqui no Blog do Crato. Internauta infatigável, amante da noite, ela consegue encontrar verdadeiras pérolas de amizade, de fé na vida e da eterna busca da felicidade. E consegue! basta fazer uma visitinha ao Blog da Mônica que a gente começa a ler as mensagens e já se sente bem melhor, e acreditando em dias melhores. Eu apenas comecei, mas ela é quem supre de todo um conteúdo toda semana. Mais uma gentileza dessa grande mulher, que é um símbolo de luta, de "Tato" , de trato com o Ser Humano, de gentileza e de profunda generosidade e sobretudo, humanismo.

Visite:

www.monicaararipe.com

Por: Dihelson Mendonça
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Protesto no Cariri - CE-292 é interditada por mineradoras


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Com faixas e cartazes, os trabalhadores da mineradoras de pedra cariri realizaram o protesto na CE-292, que teve tráfego interrompido por uma “montanha” de cascalho colocado na via para servir de obstáculo ao tráfego (Foto: ANTÔNIO VICELMO)

O tráfego na CE-292 foi interrompido na manhã de ontem por mineradoras em protesto contra ação do Ibama

Nova Olinda. Operários e proprietários de empresas de mineração dos municípios de Nova Olinda e Santana do Cariri interditaram, ontem pela manhã, a CE-292, numa manifestação de protesto contra o fechamento de três mineradoras que trabalham na extração de calcário laminado, conhecido na região como pedra cariri, destinada a pisos e revestimentos. A ação que provocou o protesto foi realizada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e pela Polícia Federal, com autorização do Ministério Público Federal (MPF). Segundo dirigentes do Ibama, a operação continua e outras empresas em situação irregular poderão ser fechadas.

A rodovia foi interrompida com três carradas de lajes despejadas no meio da pista, onde os manifestantes ergueram faixas de protesto contra o MPF e o Ibama. Além das três companhias interditadas, outras 20 empresas paralisaram as atividades em solidariedade. A interdição do tráfego foi iniciada às 8 horas e prosseguiu até por volta das 13 horas, quando os manifestantes aceitaram proposta apresentada pelo Ibama, para realização de uma reunião no Ministério Público Federal de em Juazeiro do Norte, ontem à tarde.

O objetivo foi discutir a possibilidade de liberação de licenças para o funcionamento legal das mineradoras interditadas na última terça-feira. Até o fechamento desta edição, a reunião ainda não havia concluído a pauta de discussão.

O presidente da Cooperativa de Mineração dos Produtores da Pedra Cariri (Colidira), Francisco Idemar Alencar, afirmou que “mais de dois mil funcionários” estão desempregados nos municípios de Santana do Cariri e Nova Olinda, que têm sua economia fundamentada na exploração das jazidas de calcário, principalmente, nesta época do ano, quando a estiagem provoca desemprego na zona rural.

Idemar critica o que ele classifica de arbitrariedade. Segundo afirma, o funcionário do Ibama, acompanhado da Polícia Federal, não apresentou nenhuma ordem judicial antes de fechar as empresas. As três empresas interditadas terão de pagar um total de R$ 35 mil em multas por descumprimento à legislação ambiental.

Em resposta, o chefe da fiscalização do Ibama, Rolfran Cacho Ribeiro, que acompanhou a operação, informou que está cumprindo uma orientação do MPF e dos órgãos ambientais que estão preocupados com a degradação provocada pelas mineradoras.

Descumprimento
Em Santana do Cariri e Nova Olinda, funcionam 58 empresas mineradoras. A grande maioria, segundo Rolfran, não cumpre a legislação. A exploração é feita em área de proteção ambiental. Ao tomar conhecimento dos protestos, o chefe de fiscalização disse que o objetivo é combater o funcionamento ilegal de empresas. “O papel do Ibama é cumprir a legislação”, esclareceu.

De acordo com o chefe do escritório do Ibama no Cariri, Francisco Sales, “falta só tudo” às empresas-alvo da operação. Ele se referiu, especificamente, à falta de licenciamento ambiental e da realização do Cadastro Técnico Federal, junto ao Ibama. O procedimento é necessário para empresas que exploram recursos naturais. Até ontem pela manhã, só havia sido detectado o Cadastro Técnico de oito empresas entre as que atuam na extração mineral no Cariri. No caso de algumas, faltava, mesmo assim, o envio do relatório anual de atividades, segundo Sales.

Quanto à localização das empresas na Área de Proteção Ambiental (APA) do Cariri, disse que há parte que funciona dentro e outra fora da reserva. Ele informou que o levantamento preciso deve ser feito pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com o uso de GPS.

Já o assessor de imprensa da Prefeitura de Nova Olinda, Francisco Ranilson Silva, informou que o prefeito Afonso Domingos Sampaio encontra-se em Fortaleza, tentando a liberação das empresas de mineração para funcionamento, enquanto os advogados vão solicitar a dispensa das multas.

Ranilson informou que a Prefeitura vai cobrar da Secretaria do Meio Ambiente do Estado (Semace) a liberação da licença para funcionamento das mineradoras, uma vez que os proprietários das empresaram apresentaram recibos de pagamento das licenças.

Para amenizar os impactos da interdição da CE-292 na manhã de ontem, a Prefeitura colocou uma ambulância e um carro pequeno para facilitar o transporte de pessoas doentes que eventualmente tivessem necessidade de chegar ao seu destino. Durante a interdição, não registrou-se grandes filas de veículos porque os carros pequenos utilizaram um desvio por estrada de terra por cima da Serra do Araripe.

Cerda de dez homens da Polícia Militar esteve no local durante toda a realização do protesto. O trabalho dos guardas também evitou a formação de filas de veículos no trecho.

Quando os manifestantes decidiram liberar a rodovia, um trator de uma das mineradoras foi acionado para retirar todo o cascalho que estava na pista, servindo como obstáculo ao tráfego.

ANTÔNIO VICELMO/ ÍCARO JOATHAN
Repórteres

POLÊMICA

"Estamos preocupados com a degradação ambiental provocada pela mineradoras".
Rolfran Cacho Ribeiro
Chefe de Fiscalização do Ibama

"Mais de dois mil funcionários estão desempregados nas mineradoras de municípios do Cariri".
Francisco Idemar Alencar
Presidente da Colidira

MULTA
R$ 35mil é o valor da multa que as três mineradoras interditadas pelo Ibama terão de pagar, por descumprimento à legislação ambiental. A operação continua e outras empresas poderão ser fechadas

Mais informações:
Semace
Em Fortaleza: (85) 3101.5520
No Crato: (88) 3102.1888
Ibama - escritório Cariri
(88) 3523.1999

Reportagem: Antonio Vicelmo
Fonte: Jornal Diário do Nordeste