19 novembro 2008

As Histórias e Estórias do Crato à luz da Lua Minguante...

Que maravilha de Praça Virtual !


Amigos,

É praticamente impossível a gente comentar cada coisa escrita num Blog, e creio que todos também fazem assim, lêem , mas não comentam. Mas nem seria preciso falar do meu enorme contentamento em ler essas estórias e histórias contadas por todos vocês que viveram naquela fase áurea dessa cidade maravilhosa...tanta coisa que estou lendo aqui que fico emocionado às vezes. Parece até que eu também não tive infância...mas tive. Ainda alcancei algumas coisas também, só que já foi no fim de uma era. Já no fim dos festivais...mas vejam que coisa tão linda essa nossa época atual também, em que como numa praça, estamos todos aqui, vivinhos da silva, a comentar, conversar, como em um banco de praça... isso não tem prêço, para todo o resto existe mastercard... rs rs

Abraços mil...

Dihelson Mendonça

A Rua das Laranjeiras - Para Hamilton Lima Barros


(Informações pautadas na memória de uma menina, que apenas nasceu naquela rua , e passeou suas alpercatas , nas calçadas. Imprecisão histórica ... O resumo de uma verdade ilimitada !)
Antes da Pedra Lavrada , eu nasci nas Laranjeiras , hoje José Carvalho .No mesmo pedaço, aonde moravam Zé Cirilo , Salvina ,os Libórios , os Parentes , os Cardosos , e aonde ficava o Círculo Operário ( que virou Escola, Cinema , salão de eventos , acolhendo discursões de base política /social).
A rua começava com a Padaria de Seu Cirilo. Lá a gente escolhia o pão sovado ou aguado.Comíamos com nata batida do mais puro leite de vaca. Encostada à padaria viviam os seus familiares : Zenira , Zenilda , Zildenir , Francisco José( que foi meu colega no Instituto S.Vicente Férrer). Naquele Instituto , Zenira deu uma das suas grandes contribuições educacionais. Tinha uma energia linda ,vibrante,artística ! Gritava as nossas quadrilhas de S.João de uma forma inconfundível. Mudou tão pouco ,ao longo dos anos ...- É a mesma Zenira !
Numa das casas seguintes, Gilvanda, primeira esposa do Compadre Zé Cirilo ( como o chamava meus pais) ,criava a sua prole. Tia Fantina ( irmã da minha avó Donana) e Gilvanda reinavam na organização da casa. Zé Sérvio, Grijalva , Eugenia , João Antonio e Jorge já haviam nascido . Gilvanda confeitava os nossos bolos de aniversário. Sua casa tinha gosto de festa : limão glacê ! Zé Cirilo entendia tudo de eletrônica , e trabalhava na Rádio Educadora ,desde a sua fundação.
Mais na frente , a casa de Mário Oliveira ( o dono do Cine Cassino) casado com Mildred ,filha de Tia Fausta. Casa glamurosa. Mildred trazia das telas de Hollyood o astral do cinema. Tia Fausta era apaixonada por perfumers franceses , e tinha uma bela coleção , em miniaturas . Foi lá que Miriam Magda completou seus 15 anos. Uma festa de arromba , que eu não tive o prazer de comparecer , pela pouca idade ( menos de 15 anos). Mas eu assisti do meu jeito...!
Na mesma calçada , os Libórios . Salete , a musa maior : atriz e bailarina !
Parede com parede , o salão de beleza de Dona Estela Parente. Frequentei aquele espaço , pela primeira vez , quando contava 4 anos.Cismei de cortar os meus dóceis cachos ,irrefletidamente ... e ficou horrível ! Minha mãe pegou-me pelo braço , e conduziu-me até lá. Frisaram meu cabelo para consertar o estrago. Sai de cara redonda , cabelos curtíssimos , apipocados e com cheiro de queimado. Perdi naquele dia ,qualquer possibilidade de beleza romana , até os nossos dias. Na extensão do salão , a residência dos Bragas. Que menina da época não namorou com um deles ? Ésio, Helder, Élcio , Hélio ...Nem eu , escapei à regra !
Em frente morava Marta de Salvina.Salvina , a mãe de metade das crianças , que vinham ao mundo, no Crato. Fôra enfermeira do Dr. gesteira, e muito com ele aprendera !
Atravessando a rua , tinha ( e ainda hoje existe) a ouriversaria do Seu Teophisto Abath. Grande artesão ,amigo do meu avô Alfredo Moreira Maia ( primo de Emília Moreira - avó da minha amiga Magali) e do Sr. Júlio Saraiva. Dizem as boas línguas , que não existiam homens tão integros e habilidosos , quanto aqueles três. Era um trio famoso !
Na sequência , os fundos do Moderno, propriedade de Seu Macário ,por onde escorria meio mundo de pessoas, depois das sessões de cinema .
A casa de Tia Augusta ( modista famosa, filha de Maria Aires e mãe de Gutemberg ) , os Brizenos , os Duartes ...
Seu Euclides Lima Barros e Dona Neném...A Cratense ...Rua José Carvalho 118 ( Até cantarolei Rua Nascimento Silva , 107) . Ali , Hamilton se achava - Nosso orador da UEC.
No mesmo cinturão , a casa de Dedé França , Zeba , Dona Zélia ( mãe de Nilo Sérgio ), e a Sub-Estação , que gerava energia elétrica para toda a cidade ( antes da luz de Paulo Afonso).
No quarteirão seguinte , depois do Beco de Pe. Lauro , a sanfona genial de Hildelito Parente e um monte de irmãos : mais novos , mais velhos e da minha idade !
Uma pequena concentração dos Honor e Brito ...O casarão de Seu Pergentino ( Pai de Dr. Eldon Cariri , Dona Eunir ( mãe da Bela Piinha).
Do outro lado da calçada , a casa de Salgado , que nos assustava com seus vôos acrobáticos... Um dia a morte o assutou... Mas,pra que lembrar coisas tristes ?
E a minha doce Mãe Candinha ?
Quem nunca provou da chupeta de umburana e mel de abelha , que naquela casa vendia ? Pois aquelas mulheres eram minha bisavó e minhas tias : Amália e Rosália. Lá tinha um papagaio que falava e repetia , tudo que dizíamos.
"Tem café , minha Rosa "? Era o verdinho, imitando a voz de Vicente Cordeiro , meu tio por afinidade... Cego na velhice , mas compensado por um ouvido privilegiado. Tocava acordeon , gaita , realejo... e disso , eu também gostava !
Depois , a rua assumia outro nome...Com preguiça não chego nesta carreira , na casa de Edméia Arraes...
-É outra circunferência , como diria meu amigo Blandino !

PONTO DE ENCONTRO E REENCONTRO DE AMIGOS - Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

Desde que eu comecei a acessar o Blog do Crato, descobri, com muita alegria, que além de ficar bem informada das notícias da minha terra, tenho observado que esse Blog é um ponto de encontro de amigos. Além do mais, me deleito com os textos, pensamentos e poesias que alimentam o meu espírito. É com sentimento de gratidão e admiração que parabenizo o Dihelson por ter proporcionado ao Crato esse importante Blog, que considero o melhor entre os que conheço. Desde que eu e Carlos entramos em contato com esse blog, encontramos e reencontramos muitos amigos. Nós nos enriquecemos muito, já que não existe maior riqueza do que ter amigos. Foi aqui que reencontramos velhos amigos como Armando Rafael, Antonio Morais, José do Vale, José Flávio, Kaika Luiz, Pachelly Jamacaru, José Newton Figueiredo, Socorro Moreira, Glória Pinheiro, Claude Bloc, Mônica Araripe, Emerson Monteiro e fizemos novos amigos como Dihelson, Dr. Valdetário, Luis Wellington, Dimas de Castro e Silva e, também descobrimos alguns parentes: Luis Cláudio Brito e João Ludgero. O mais importante é que tendo maneiras diferentes de pensar, nada disso impede que a amizade cresça cada vez mais. A fogueira se acende quando alguns criticam Lula e outros o defendem. Eu e Carlos estamos no lado dos defensores e admiradores de Lula. Mas nada disso importa. O importante é que o sentimento da amizade esteja além das idéias, pois o verdadeiro amigo é aquele que aceita o outro como ele é: com pensamentos diferentes, defeitos e qualidades. É com esse sentimento de felicidade que tive coragem de escrever essas palavras, já que nunca publiquei nada. Na nossa casa, quem gosta de escrever e contar histórias é o meu marido. Desejei apenas fazer essa homenagem ao Blog do Crato e ao Dihelson que promove tudo isso. Parabenizo também pela Rádio Chapada do Araripe e as lindas fotos do Crato.

Nos ares do Lameiro - Para Samuel Araripe


(Esse texto foi encomendado pela minha mãe: Valdenora Moreira.)

Ossean e Moreirinha foram amigos , desde meninos , quando usavam calças curtas.Tornaram-se adultos , e a amizade persistiu.
Viajaram . Hoje certamente estão num mesmo canto, retocando o afeto,nos planos da eternidade.
Em 1954 , o Crato amanheceu espalhando a coqueluche em todas as casas.Ouvia-se uma orquestra de roncos e desafinos...A garganta e os pulmões nunca trabalharam tanto !
A Medicina , usava como terapêutica , mudança de clima. Meus pais cansandos das noites insones com o barulho rouco do tambor humano, entregaram os pontos.E aí a benção caiu do céu , e foi parar nas mãos de Dr.Ossean ( padrinho de Verônica , minha irmã). Acodiu-nos com uma casa no Lameiro , por tempo indeterminado , até que o sossego fosse restabelecido. Pra facilitar a nossa locomoção , nos emprestou um Jeep _ Ford 51 , e a chave ... Na caçamba , repleta de trecos , até tupi ,o nosso cachorro,encontrou espaço .
Botei o pé na terra . Fiz amizade nas redondezas ...
Eu tinha menos de 3 anos ,mas esse tempo de férias e de cura , nunca me saiu da lembrança. ..
O cheiro das mangas , o doce das siriguelas vermelhas ,o jatobá , que o meu avô Alfredo reverenciava , plantado na casa grande dos Araripe /Alencar.
Caminhávamos até achar umas levadas , aonde a gente mergulhava , mesmo sem saber nadar . O rosa das trepadeiras , as cercas , o bananal ... Bucólico cenário , que eu lia nos contos de fadas , e a minha imaginação compilara . Brinquei com as bonecas de pano , da menina do vizinho Fugia de casa pra lá , e lá ficava . Perdida num conto , que eu não sei contar.
Maria ... Quem sabe , ainda mora lá ?
E Dona Maria do Céu com aquela voz mansa e delicada era cúmplice da generosidade do marido. Comadre ... falava pra minha mãe ... As meninas melhoraram ?
O Ossean do meu pai nem era político , nem era rico ... Era sobretudo o nosso amigo !
Um ano depois veio a se eleger Prefeito do Crato. Enfeitou a Praça da Sé com um lago e patinhos ,deu uma ajeitada no Parque Municipal , nosso bosque oficial. Depois foi Deputado,deputado , deputado ... E a ponte Brasília X Crato , na época foi acessada !
Em 1986 meu pai começou a morrer. Lutou um ano pra continuar a viver ... Dr ossean quando não podia , mandava Samuel ... A presença dos dois se alternava. Apoio moral e material nunca faltaram !
Dr Ossean fez parte de parte das minhas construções mais felizes.
Polvilhava bolsas de estudo por todas as casas , inclusive naquelas que votavam em Seu Pedro Felício ( grande político da nossa cidade).
No Crato de então , o ensino era priorizado , e a urbanização também !
Samuel retomou o caminho. É gestor da cidade mais linda do mundo, aos olhos dos que a amam !
Que Deus o ilumine para que possa fazer uma administração promissora , nesses próximos 4 anos !

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Universitários do Cariri querem ir para Bienal da UNE em Salvador



Michael Marques - um dos articuladores para Bienal da UNE


"Raízes do Brasil: Formação e Sentido do povo Brasileiro" é a temática da Bienal da UNE. Reunião será nesta sexta-feira, dia 21, no Estande da URCA, no Crato.


Os estudantes da região do Cariri estão se articulando para participar de um dos maiores eventos da América Latina de arte, cultura e ciência promovido pelo Movimento Estudantil. Trata-se da 6ª. Bienal de Cultura da União Nacional dos Estudantes – UNE que será realizado no período de 20 a 25 de janeiro de 2009, em Salvador – Bahia. A expectativa é reunir cerca de dez mil pessoas.
O maior festival de arte estudantil da América Latina receberá trabalhos nas seguintes áreas: artes cênicas, música, literatura, ciência e tecnologia, cinema e artes visuais. As inscrições poderão ser efetuadas até o dia 04 de dezembro ( ver regulamento no site da UNE - http://www.une.org.br/)
Uma das dificuldades dos estudantes é o transporte para Salvador. O diretor da UNE-CE, Rudiney Sousa encaminhou documento à Universidade Regional do Cariri – URCA, o qual foi protocolado na Pro - Reitoria de Assuntos Estudantis – PROAE solicitando o transporte dos alunos da referida IES, mas até o momento aguarda um posicionamento da instituição. Alunos de faculdades particulares também estão interessados em participar do evento e se articulam, como é o caso da Fap e FMJ.

Publicação Cientifica
Um dos grandes interesses dos estudantes é garantir a publicação de suas produções cientificas, pois isso conta para seleção de mestrados e enriquece o currículo dos alunos pesquisadores. Para o estudante de Ciências Sociais da URCA, Michael Marques essa é uma oportunidade dos estudantes universitários de todo o país mostrarem o que é produzido nas universidades brasileiras. Ele ressalta que se produz ciência e arte no mundo acadêmico e que essa produção precisa ser socializada.

Reunião sobre a Bienal no Crato

Nesta sexta-feira, dia 21, a partir das 17 horas, os universitários se reunirão no estande da URCA, localizado no Parque de Exposições do Crato para discutir sobre a participação na Bienal e a mobilização para inscrição de trabalhos. A reunião será aberta para os estudantes das diversas universidades e faculdades da Região.



Serviço
6ª. Bienal da UNE
http://www.une.org.br/
Michael Marques – email: michael100182@hotmail.com
Kamilla (88) 92156379
Alison – (88) 88363281

A lenda do Pita


Por que será que todos os que se prestam ao trato com as crônicas vivem revirando as páginas do passado e, de quando em vez, são flagrados em momentos da infância recontando fatos dessa época da existência? Será o mundo adulto assim tão enfadonho e insidioso que somente da infância é que ainda guardamos momentos puros e de real beleza pueril?...

Quando leio os mestres dessa arte literária ao rés-do-chão, lá estão as reminiscências de um passado distante, da infância sempre inusitada e pitoresca de cada um: adoro ler a infância drummondiana contada em crônicas; Os Teixeiras de Rubem Braga, então, espetáculo!... e por que não falar da infância do avô de um homem que brinca de ser cronista?

Quando criança, lá pelos meus oito ou nove anos, adorava ouvir as histórias contadas pelo meu avô Vicente – hoje com noventa e cinco anos de idade. Eram histórias engraçadas no mais autêntico estilo Viriato Corrêa na obra Cazuza. Ainda hoje, não tive a disposição de perguntar se eram historinhas apenas recontadas por meio de um atavismo anônimo ou obras nascidas da veia poeta de um homem fadado ao anonimato existencial, embora digno de uma notoriedade universal – afinal, é meu avô!

Uma dessas historinhas, apesar de já passados mais de vinte anos desde que a ouvi pela derradeira vez, ainda persiste na minha retina. As imagens criadas quando da última audição da obra solta ao vento por palavras certeiras do meu progenitor ainda mexem, altaneiras, dentro de mim, implorando que as ponha num sólido local, eternizando-as ou repetindo-as de modo furtivo se forem réplicas indevidas de um outrora criador. Apesar do medo, de me consideram um plagiador das palavras, do mundo literário; arriscarei, colocando-as num papel ao meu estilo.

Havia num reino mundo distante, além-mar, uma princesa que sonhava casar. Muitos eram os pretendentes, mas aquele que seria o homem digno de desposá-la deveria contar-lhe uma história cujo enigma a bela princesa não soubesse revelar.

Numa casinha, situada à beira de um lago, morava uma família numerosa, era uma prole de onze filhos, todos homens. Um mercador, numa de suas andanças, revelou a todos os moradores do vilarejo onde morava essa feliz família a existência do reino distante e a pretensão da princesa. Os dez irmãos mais velhos foram, um a um, seguindo rumo ao sonho, mas encontraram a morte. O mercador, orientado pela família real, omitia que se o enigma da história fosse descoberto pela bela princesa o contador da história seria guilhotinado para deleite da princesa.

E, assim, em cada nova andança, um dos filhos da mãe entristecida seguia rumo ao fim da existência. Findos todos os mais velhos, apenas o caçula ainda permanecia junto à mãe que já conhecia o fim de cada um dos outros dez filhos.

Chega-se uma nova embarcação. O filho resolve partir. A mãe, num desespero materno, quer dar-lhe outro destino:

– Se tem que morrer, que morra por minhas mãos! Não suporto mais perder meus filhos sem o direito de sepultá-los!

Prepara-lhe uma alimentação e o orienta:

– Quando sentir fome coma esse alimento. Não faça o mesmo que todos os seus outros irmãos que morreram por má alimentação.

E entrega ao filho uma provisão venenosa que o mataria após a primeira refeição. Chora. Abraça o derradeiro filho e o deixa partir...

O menino resolve seguir rumo ao reino por terra. Adorava andar e resolvera criar a história que revelaria à princesa durante o percurso da sua trajetória... Caminha. Caminha. Caminha. Sempre seguido do fiel escudeiro, o cachorrinho de estimação que atendia pelo nome de Pita. Sente fome. Senta-se para comer, mas ao abrir o bornal e segurar a refeição tem o alimento subtraído pelo cachorrinho que salta vorazmente, tomando-lhe o único alimento disponível.

O animal, logo após devorar a alimentação, cai desfalecido. O garoto chora e, somente depois, percebe a ação criminosa do amigo que queria apenas salvar-lhe da morte certa. Não tendo coragem de deixá-lo no caminho, resolve levá-lo como a uma caça abatida, preso às costas. E começa a história:

– ‘Pão matou Pita...’

Após horas de caminhada é interpelado por sete caçadores famintos que observam o animal abatido. Obrigam-no a deixá-los com a caça. Ele diz que é o seu cachorro que havia morrido, mas os caçadores ignoram a história. Tomam-lhe o animalzinho. Fazem uma refeição e, após comerem o alimento, caem mortos deixando com o garoto os sete rifles que conduziam. O garoto verifica cada um dos armamentos e escolhe o melhor deles para conduzir no restante da caminhada. E a história prossegue:

– ‘Pão matou Pita. Pita matou sete e dos sete, escolhi o melhor...’

Agora, com munição e armamento, inicia uma caçada a fim de conseguir a alimentação. Observa um pássaro num galho, atirando em seguida na intenção de abatê-lo. Erra o tiro, mas acerta um outro que estava noutro galho, distante da sua linha de visão. E continua:

– ‘Pão matou Pita. Pita matou sete e dos sete, escolhi o melhor. Atirei no que vi e acertei no que não vi...’

Corre. Alcança o pássaro abatido e procura um espeto para cozê-lo. Como não tem faca, resolve espetá-lo numa estaca que obtém ao quebrar uma cruz deixada na floresta, revelando que ali havia um corpo desfalecido e que fora enterrado num ritual comum aos povos civilizados. Faz um fogo. Alimenta-se. E prossegue:

– ‘Pão matou Pita. Pita matou sete e dos sete, escolhi o melhor. Atirei no que vi e acertei no que não vi. Assei carne com pau santo...’

Agora farto do alimento que a sorte colocara em suas mãos, tem sede. A floresta seca não permite que as fontes límpidas de águas brotem naquela região inóspita. A sede o consome. Nenhuma fonte há para saciá-lo. Quando já se dava por vencido, observa um animal distante. Vai ao encontro dele. O animal, suado, emana sinais de cansaço e de sede... Aproxima-se do animal e, numa atitude de subsistência, sorve-lhe o suor que é retirado com os dedos e, dessa forma, sacia a sede já quase insuportável! Passado o asco da superação humana, conclui por fim a história uma vez que o palácio descrito é vislumbrado por ele, embora ainda longínquo:

– ‘Pão matou Pita. Pita matou sete e dos sete, escolhi o melhor. Atirei no que vi e acertei no que não vi. Assei carne com pau santo. Bebi água que não era nem do céu nem da terra...’ Pronto. Essa será a história que contarei a princesa tão logo tenha oportunidade.

Chega ao palácio e revela o desejo de ser um dos pretendentes ao trono. Dias depois, é levado ao encontro da princesa que o interpela, friamente:

– Qual sua história, plebeu!?

– Minha história, princesa, é a seguinte: ‘Pão matou Pita. Pita matou sete e dos sete, escolhi o melhor. Atirei no que vi e acertei no que não vi. Assei carne com pau santo. Bebi água que não era nem do céu nem da terra. E após isso, estou aqui.’ Do que trata essa história, princesa?

A princesa, enrubescida, chamou seus asseclas e os mentores da corte. Nada. Não tinham uma explicação para o enredo. Por fim, sentencia:

– Peço um tempo para responder!

– Até o amanhecer, princesa, intervém o jovem plebeu, decididamente.

– Até o amanhecer, concorda a princesa. Se ao amanhecer não tiver a resposta, casarei com você!

Amanhece. O jovem plebeu é levado à presença da princesa. Ela o observa e, sem pormenores, revela:

– Não fui capaz de descobrir do que trata a história e, conforme o prometido por meu pai, casar-me-ei com você. Antes, porém, preciso conhecer a verdade uma vez que se for uma história inconsistente, morrerá como um vilão mentiroso e torpe!

– Que seja assim, princesa. Essa é a história da minha peregrinação desde que saí de minha casa até chegar aqui.

E prossegue:

– Todos os meus outros dez irmãos desfaleceram na esperança de desposar a mais bela princesa anunciada pelos andarilhos errantes. Eu, último de uma descendência, também vim em busca disso e trazia comigo um cão que morreu após comer o alimento preparado por minha mãe que talvez não me quisesse como mais uma das vítimas. Com a morte do cão, iniciei a história: ‘Pão matou Pita...’ A carne do meu animal serviu de alimento a sete caçadores famintos que morreram ao fim da refeição. Dos rifles que traziam consigo apanhei o que me pareceu o melhor. E a história prosseguiu: ‘Pão matou Pita. Pita matou sete e dos sete, escolhi o melhor.’

A princesa e todo o seu corpo de júri assistiam ao relato silenciosamente. O jovem plebeu, alheio a tudo, prosseguia, agora mais convicto de si:

– Com o rifle, tentei abater um pássaro que observei numa árvore, mas errei o tiro, atingindo um outro que não vi. Disso veio mais um trecho da história: ‘Pão matou Pita. Pita matou sete e dos sete, escolhi o melhor. Atirei no que vi e acertei no que não vi.’ Por fim, após depenar a caçar e de não ter com o que espetá-la, fiz um espeto improvisado com os restos de uma cruz que havia no caminho. Após a alimentação senti sede e fui saciado bebendo o suor de um cavalo que surgiu, não sei como, diante de mim. Após isso, vislumbrei o palácio onde agora estou contando toda e história que se resume no que relatei ontem: ‘Pão matou Pita. Pita matou sete e dos sete, escolhi o melhor. Atirei no que vi e acertei no que não vi. Assei carne com pau santo. Bebi água que não era nem do céu nem da terra.’

Os conselheiros formaram um cerco junto à princesa e sentenciaram:

– Vivas, ao futuro rei!

Será preciso concluir dizendo em tom solene que foram felizes para sempre? Tudo bem. Eles se casaram e foram felizes para sempre.

Fim.

AMOR, ÔÔÔ AMOR! - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Não sei se esse costume de chamar o bem amado por “amor” em vez de chamar pelo nome, ainda usual em Fortaleza, já chegou ao Crato Acredito que sim. Hoje ao ouvir minha nora a chamar pelo meu filho, na casa de quem estamos hospedados; “Amõôr, ô amôõõr” lembrei-me da minha querida irmã Marialice, falecida aos 42 anos. Essa minha irmã era muito gaiata. Para tudo tinha uma resposta ou uma observação crítica. Nos anos sessenta, havia no Crato um casal de Fortaleza, recém instalado no ramo de armarinhos. Sua mulher só o tratava por “amor” Certo dia, minha irmã precisava comprar algo para enfeitar um vestido ou coisa parecida e foi procurar no armarinho desse casal. A loja estava lotada e somente o marido e a mulher atendiam a clientela. Minha irmã perguntou à mulher: “Quanto custa esse bico?” A mulher gritou para o marido? “Amor, ô amor, quanto custa esse bico?” E o marido ocupado com outras clientes, nada respondia. Então minha irmã emendou; “Seu amor, diga logo quanto custa esse bico que eu estou com apressada.”

Futebol - Atualização - Por: Amilton Silva

Brasileirão Série B

A penúltima rodada do Brasileirão Série B foi iniciada ontem (18) com duas partidas, no Anacleto Campanella em São Caetano, diante de apenas 235 torcedores, o São Caetano venceu de virada a equipe do Juventude por 2 X 1, com todos os gols de pênalti.O Juventude abriu o placar através do atacante Mendes, os gols do São Caetano foram marcados por Luan e Vandinho. Precisando vencer para fugir do raebaixamento, o Paraná goleou o já rebaixado CRB por 4 X 0.Com a goleada o Paraná matematicamente assegurou a sua permanência na Série B do próximo ano.O primeiro tempo ,por sinal muito fraco, terminou em 0 X 0. Todos os gols foram marcados no segundo tempo através dos jogadores: Putuca, Ricardinho, Vágner e Pimpão.

Após vencer o Chivas no México, por 2 X 0, O Internacional pode perderá por um gol de diferença hoje à noite, no Beira Rio,para ir a final da Sul Americana.O Inter não contará com seu melhor jogador da temporada o meia Alex, que está servindo a Seleção Brasileira.O Chivas aposta na sua campanha fora de casa, já que chegou até a semi final obtendo grandes resultados jogando na casa dos adversários.O Internacional tem como trunfo o seu estádio, perdeu apenas duas partidas na temporada.

Por: Amilton Silva, editor de esportes do Blog do Crato.
Num Patrocínio de Amilton SOM.
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CRATO: Animais silvestres são apreendidos

Ação Ambiental

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Araras foram devolvidas espontaneamente pelos criadores ao Ibama no Crato (Foto: ANTÔNIO VICELMO)

A criação de animais silvestres é crime previsto em lei. A apreensão pode resultar em multa e recolhimento do animal

Crato. Numa operação promovida pelo Ibama, com o envolvimento de oito agentes da Polícia Federal, sob o comando do delegado Alan Robson, foram apreendidas dez araras e três jabutis que estavam sendo criados em cativeiro, numa residência no Centro da cidade de Barbalha. Os animais foram levados para Fortaleza a fim de serem soltos numa reserva autorizada.

No rastro da apreensão, foram entregues ao escritório do Ibama do Crato, espontaneamente, mais três araras que estavam sendo criadas clandestinamente. O proprietário assinou um documento, fazendo a doação das aves ao Ibama. O chefe do escritório do Ibama, Francisco Sales, informou que a entrega de animais silvestres ao Ibama é a melhor alternativa porque o doador não responde a processo. No caso dos animais serem apreendidos, será instaurado inquéritos policial e administrativo.

Crime punível
Sales adverte que manter aves da fauna brasileira em cativeiro sem a autorização do órgão ambiental é considerado crime punível conforme a Lei de Crimes Ambientais. “Em hipótese nenhuma os pássaros poderão ser soltos na natureza sem que o Ibama seja informado. A soltura de animais silvestres em locais inadequados também é considerada uma infração”, afirma ele, acrescentando que a operação de apreensão de animais em cativeiro terá prosseguimento na região.

De acordo com a lei, as aves têm que ser cadastradas. Cada criador terá ainda que atualizar a relação de aves de que dispõe, bem como se adequar às novas regras definidas em Instrução Normativa já publicada no Diário Oficial da União. Entre as regras estão a identificação de cada espécie de pássaro canoro com uma anilha metálica específica, fechada e com diâmetros definidos na nova regulamentação ambiental.

A arara, quando criada desde filhote em cativeiro e alimentada na mão, fica mansa com conhecidos e afeiçoa-se especialmente à pessoas que cuidam dela, mas com estranhos mostra-se arredia e, às vezes, até agressiva. Pode aprender a dançar, imitar latidos, assobios e a voz humana. Daí o interesse por parte de criadores amadores e traficantes. Na natureza, esse tipo de ave emite apenas sons e gritos peculiares. Vive em pequenos grupos exceto na época de reprodução, quando se separa aos casais.

No Brasil, o Ibama está autorizando criadouros comerciais da espécie canindé e vermelha e, neste caso, os primeiros casais poderão ser obtidos por meio do próprio Ibama, desde que seja atendida a legislação para criadouros comerciais, ou seja, adequado, por exemplo, com uma chácara e um veterinário responsável.

ANTÔNIO VICELMO
Repórter

DOAÇÃO

"A alternativa para os criadores de aves é fazer a doação ao Ibama. A operação terá continuidade".
Francisco Sales
Chefe do Ibama no Crato

Mais informações
:
Escritório do Ibama no Crato
Praça Joaquim Fernandes Teles, 10, Centro, (88) 3521.1529

Reportagem: Antonio Vicelmo
Fonte: Jornal Diário do Nordeste
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