15 novembro 2008

Festança sobre o Vulcão




Óleo de Aurélio Figueiredo
O imperador (à esq.) recebe os 4 500 convidados: O Rio de Janeiro parou para ver o desfile de elegância


Com a República já nos calcanhares, o Império se divertiu à larga no baile da Ilha Fiscal


Jamais o Rio de Janeiro havia servido de cenário para tanto fausto e cintilância. No último dia 9, sábado, os salões do Palácio da Ilha Fiscal, na entrada da Baía de Guanabara, inaugurado em abril passado para abrigar o serviço marítimo da alfândega, foram palco do baile mais extraordinário entre todos os promovidos pelo Império. Foi também o último, o apagar das luzes da monarquia no Brasil, realizado apenas seis dias antes que as forças republicanas instaurassem no país a nova ordem. O baile foi oferecido pelo então presidente do Conselho de Ministros, Visconde de Ouro Preto, aos oficiais do cruzador chileno Almirante Cochrane, que no dia 11 de outubro chegara ao porto, com 300 tripulantes a bordo, em escala de boa vizinhança. E nada foi poupado para que os convidados, que se calcula terem chegado a 4 500, entre eles, é claro, a família imperial, passassem uma noite de sonho e fantasia, revezando-se entre um banquete fenomenal e as contradanças, entre os brindes aos oficiais chilenos e a palestra fina. A festa custou aos cofres públicos cerca de 250 contos de réis, quase 10% do orçamento previsto da Província do Rio de Janeiro para o ano que vem.
Dançou-se muito no baile da Ilha Fiscal, mas o que os convidados não imaginavam, nem o imperador D. Pedro II, é que se dançava sobre um vulcão. À mesma hora em que se acendiam as luzes do palacete para receber os milhares de convidados engalanados, os republicanos reuniam-se no Clube Militar, presididos pelo tenente-coronel Benjamin Constant, para maquinar a queda do Império. "Mais do que nunca, preciso sejam-me dados plenos poderes para tirar a classe militar de um estado de coisas incompatível com sua honra e sua dignidade", discursou Constant na ocasião, tendo como alvo justamente o Visconde de Ouro Preto. Longe dali, ao lado da família imperial, o visconde desmanchava-se em sorrisos ao comandar seu suntuoso festim.
Passados dez dias de sua realização, o baile da Ilha Fiscal ainda é comentado na cidade, seja nas rodas chiques da Rua do Ouvidor, seja nos bairros. Pela forma como mobilizou não apenas os convidados mas também toda a população do Rio de Janeiro e por ter marcado o canto do cisne do Império, pode-se prever que ele ficará inscrito na História da cidade e do país. Já no início da tarde daquele sábado, o Rio de Janeiro passou a viver um clima diferente. Acabou mais cedo do que de costume o movimento no centro, à exceção do que se verificava nas lojas de roupas finas, como a Casa Wellimcamp, a Casa PaIais Royal e a Mme. Roche. Nelas, fervilhavam as senhoras e senhoritas em busca de suas requintadas toaletes de seda, rendas de Bruxelas, chamalote ou veludo.
Nos alfaiates, o movimento não era menor. Os cavalheiros acorriam em busca de suas casacas feitas especialmente para a ocasião. Os mais ousados faziam os últimos ajustes em seus vestons - essa extravagante indumentária recém-surgida no mundo da moda, composta de vestes compridas e pretas com gola, inteiras de seda. Os festeiros se apressavam também para conseguir dar os últimos retoques no trato pessoal. As filas nos barbeiros eram enormes, e muitos cavalheiros que desejavam apenas fazer a barba tinham que esperar pacientemente até que se fizessem nas melenas dos jovens, a ferro quente, as pastinhas, hoje tão populares entre eles. "Os ministros escovavam as casacas para o baile dos arrependido, e a Guarda Nacional narcisava ao espelho a bizarria marcial dos seus figurinos para a batalha das contradanças", assim definiu Rui Barbosa os preparativos. Os cabeleireiros da cidade, estes então, trabalharam a não mais poder. Muitas senhoras, para conseguir vaga num deles, fizeram seus penteados de baile às 9 horas da manhã.
O baile estava marcado para as 8h30, mas desde cedo uma multidão se acotovelava em volta do Cais Pharoux, que dá acesso à ilha, e nas ruas próximas para ver chegarem os convidados. A impressão que se tinha era que boa parte dos 500 000 habitantes com que hoje conta o Rio de Janeiro estava lá. A suntuosidade da festa começava ainda na ponte flutuante montada junto ao cais para o embarque, ornamentada com seis grandes arcos e dois candelabros de gás. Junto a ela, tocava a primeira das seis bandas e orquestras contratadas para animar a festa.
Da ponte, os convivas eram levados até a ilha pela barca Primeira, coberta de tapetes luxuosos e ornamentada com as bandeiras brasileira e chilena. Ainda no cais, o cenário que se erguia das águas da baía era deslumbrante. O Palácio da Ilha Fiscal projetava-se em meio a uma iluminação feérica, feita com 700 lâmpadas elétricas. No alto da torre, um holofote produzia um foco de 60 000 velas, mais da metade da força projetada pela iluminação da Torre Eiffel.
Ao chegar à ilha, os convidados desembarcavam em meio a um bosque. Nas paredes do torreão, um quadro simbolizando a recepção ao navio Almirante Cochrane mostrava ninfas e golfinhos saindo da baía para oferecer ramos de flores aos marinheiros chilenos. Toda a ilha foi ornamentada com bandeiras brasileiras e chilenas, além de 10 000 lanternas venezianas. Seis salões abrigavam as danças. No primeiro deles, as paredes se escondiam sob cachos de flores naturais e palmas. Nos dois maiores, entre tapetes vermelhos, âncoras douradas e prateadas, foram colocados retratos recém-pintados do almirante Cochrane e do almirante Greenfell. Um republicano infiltrado no baile, que dias depois publicou suas impressões na Revista Ilustrada, comenta que a certa altura os salões tornaram-se pequenos para o número de convidados. "Para conseguir o espaço necessário às danças, o senhor Hasselmann, guarda-mor da alfândega, teve de suar, não só o topete, mas também o colarinho, de tal modo que este perdeu toda a compostura e tomou o aspecto de uma simples tripa enrolada no pescoço".
A ceia foi um capítulo à parte na festa. Foram armadas mesas em forma de ferradura, para 250 talheres cada uma. Nas cabeceiras das mesas, dois enormes pavões empalhados estendiam as caudas multicoloridas. Seguiam-se pratos de peixe e de caça colocados alternadamente e, entre eles, havia enormes castelos de açúcar, em cujos torreões foram colocados bombons. À frente de cada prato havia nove copos de feitios diferentes, três brancos e seis coloridos. Por essas mesas, passou um desfile monumental de iguarias que daria para alimentar um exército. Republicano, naturalmente.
A família imperial chegou ao cais pouco antes das 10 horas. D. Pedro II, fardado de almirante, a imperatriz Teresa Cristina e o príncipe D. Pedro Augusto embarcaram primeiro. Quinze minutos depois foi a vez da princesa Isabel e do conde D’Eu. Uma vez no palácio, foram conduzidos a um salão em separado, onde já se achavam reunidos membros do corpo diplomático estrangeiro oficiais e alguns eleitos da sociedade carioca. O guarda-roupa da imperatriz não chegou a causar impressão especial entre os convidados - um vestido de renda de chantilly preta, guarnecido de vidrilhos. A toalete da princesa Isabel, no entanto, causou exclamações de admiração pelo luxo e pela beleza. Ela portava uma roupa de moiré preta listada, tendo na frente um corpinho alto bordado a ouro. Nos cabelos, carregava um diadema de brilhantes.
O grande baile do visconde de Ouro Preto estava marcado inicialmente para o dia 18 de outubro. No dia 14, porém, chegou ao Rio a notícia de que D. Luiz I, rei de Portugal, estava à morte, o que efetivamente ocorreu cinco dias depois. Mesmo envolta em luto, a corte decidiu manter a festa e adiá-Ia para este mês. Para o visconde de Ouro Preto - embora ele tivesse confiança na firmeza do poder monárquico brasileiro - o baile serviria para rebater a disseminação das idéias republicanas com um acontecimento inesquecível, uma marca da solidez do Império.
Tudo foi montado para atingir esse objetivo, e o Rio de Janeiro parou para participar da festa ou apenas assistí-Ia. O ministro chileno, Manoel Villamil Blanco, e o comandante Banem, do Almirante Cochrane, levantaram vivas e moções de solidariedade ao governo brasileiro e ao imperador. Pelos salões desfilou a fina flor da aristocracia, da oficialidade e da sociedade cariocas. Para se ter uma idéia da animação do evento, basta ver a lista, recentemente divulgada, dos despojos encontrados nos salões na manhã do domingo. A lista inclui, por exemplo, oito raminhos de corpete, três coletes de senhora, dezessete ligas, dezesseis chapéus, nove dragonas, treze lenços de seda, nove de linho e quinze de cambraia. Sabe-se lá o que essas moças estavam fazendo quando perderam as ligas. Coisa muita séria não era.
Mal sabiam o visconde de Ouro Preto, o imperador e os convidados ilustres que o baile, em vez de pavimentar a suposta solidez do Império, marcaria o seu último suspiro. É bem verdade que, na corrida aos cofres públicos para organizar festas suntuosas para os oficiais chilenos, Ouro Preto e as hostes monárquicas não estiveram sozinhos. Sabe-se de pelo menos um caso de corporação do Exército - a da Fortaleza de São João - que, não desejando ficar atrás da Marinha nas homenagens aos oficiais do Almirante Cochrane, pediu e obteve verbas do governo imperial para organizar seu ágape. "O tenente-coronel Leite de Castro me escreveu pedindo 1 conto de réis e eu o atendi prontamente" , diz o visconde.
É possível que o próprio imperador, em seu exílio, esteja à essa hora se arrependendo de ter atravessado a Baía de Guanabara rumo à Ilha Fiscal naquela noite faustosa e fatídica. Desde que, na juventude, granjeou fama como um autêntico pé-de-valsa, e do tipo galanteador, D. Pedro nunca mais demonstrou prazer em participar de grandes bailes oficiais e sequer tomou a iniciativa de promovê-los. Numa monarquia, por tradição, é o monarca e sua família que dão o tom da vida social da corte. Se dependesse dele, o tom dos salões cariocas teria sido pálido.
Coube aos grandes anfitriões da cidade, como o barão de Cotegipe e a Mme. Haritoff, movimentarem a sociedade durante o Império, com suas festas inesquecíveis. A princesa Isabel e o conde D'Eu reagiram a essa frieza social de D. Pedro, organizando reuniões animadas no Paço de Petrópolis e no Paço Isabel. Nada disso, porém, encontrava eco no Paço de São Cristóvão. Com o baile da Ilha Fiscal, organizou-se a mais suntuosa das festas para marcar a derrocada de um imperador que detestava festas suntuosas. Certamente, ele poderia ter partido para o exílio sem carregar na bagagem as marcas dessa idéia luminosa do visconde de Ouro Preto.

PELA ARTE POPULAR


No festival cariri das artes, mais uma vez nossa terra em festa.
Carregando a obrigação de tratar da cultura, mais uma vez se vê, pessoas com muitos sonhos. Tão difícil, se sabe, cumprir essa obrigação. Principalmente, considerando que existe todo um jogo de interesses relacionado à comercialização no sentido do alcance de lucro, manipulando os eventos que ocorrem pela sociedade.
Não preciso nem destacar, pois tudo é do conhecimento, ou basta ter um só momento e querer observar.
Pensando que as coisas não acontecem por acaso, vale relembrar as considerações feitas por Gramsci, que há uma classe de intelectuais necessária a uma estrutura existente.
Alguma reflexão há pelas linhas que seguem.
Mesmo considerando o espaço que é criado nesse evento, é uma coisa perigosa uma só entidade ser a grande/única patrocinadora de momentos tão importantes. O SESC é vinculado/subordinado a Federação do Comércio, instituição que tem suas tendências políticas bem definidas.
Claro, pode-se questionar a não atuação de secretarias municipais, universidades, associações representativas de classes etc. Acho, realmente, que tais momentos deveriam ser desenhados como fruto de debates entre agentes relacionados aos interesses locais.
Afirmo mais uma vez e sem nenhum receio que não simpatizo com isso e, faço questão de destacar o respeito às pessoas bem intencionadas e aos vários talentos importantes que nesse espaço circulam.
Há uma programação que é ideal, para alguém: DJ´s como proposta de cultura. Um momento que nada tem de popular, pois se configura em uma festa reservada. Penso se no lugar disso não haveria a oportunidade de criar um espaço e/ou melhores condições para outras pessoas participarem.
Mas, ainda bem que nem tudo é feio: alegria pela luta dos cocos, felicidade pela oportunidade de ter visto expressões artísticas que realmente elevam essa terra.

Leonardo Silveira
Professor da URCA e Músico

UM DAR QUE DEU REPARO

Honestamente falando. Ao correr da pena não é incomum se escrever pelo som. Em popular falares dar e dá nos ressoa na memória como iguais. No caso do Poste que Dar Choque o Nijair levantou a gramática. A conjugação verbal. Do verbo dar. Na verdade o choque com a gramática terminou de maior (ou igual) peso ao choque do poste. Aliás outros erros no texto original existem, um "mas" quando deveria ser "mais", por exemplo. Por vezes erros digitais. E por vezes, mesmo relendo, salta por adesão ao original, tais erros. De qualquer modo, em quanto fira a leitura silenciosa dos mais treinados, a iniciativa, a narrativa e o contéudo continuam sendo o mister do escrever. Então, declarando: errei de fato. Agora, já que uma gramática se levantou no nosso meio segue algumas anotações do dicionário houaiss sobre o uso de "dar" o infinitivo de tal verbo em choque gramatical.

1) a) em algumas acepções, dar funciona como verbo pleno, com seu próprio significado (p.ex., dar um documento a um funcionário = passá-lo às suas mãos); enquanto em inúmeras outras, faz de verbo-suporte, constituindo, com o substantivo (que na gramática tradicional é seu objeto direto), um todo semântico (p.ex., dar um abraço = abraçar); a.1) neste segundo caso, a função do verbo pendula entre a de um elemento de semântica quase vazia e aquela de um verbo não exatamente pleno, mas ainda portador de certo valor semântico maior ou menor, conforme o caso; o estabelecimento de seu sentido depende dos substantivos que com ele ocorrem na posição de objeto, tornando o número de acepções enorme; a.2) quando dar faz de verbo-suporte, o chamado objeto direto não funciona como argumento, tendo, na verdade, a natureza de um predicado, orientando o evento e classificando ou identificando o referente; a.3) por sua importância, diversas acepções de dar, usado como verbo-suporte, estão registradas no corpo deste verbete; diversas outras devem ser procuradas pelo substantivo que faz parte do objeto direto, como de hábito no restante deste dicionário; b) as acp. 2.14, 7, 13 e 19 são exemplos de verbo-suporte cuja voz difere da do seu equivalente pleno: dar na televisão é ser nela noticiado, dar aula é, aqui, receber aula, dar uma topada é tb. padecê-la, dar bicho é ser infestado pela praga: o sujeito sofre a ação, em vez de provocá-la; c) exemplos de concordância por atração com o objeto direto: deram duas horas; vão dar duas horas d) as loc. dar-se a cuidados e dar-se conta foram consid. gal. pelos puristas; 2) conj.irreg.: a) pres.ind.: dou, dás, dá, damos, dais, dão; b) perf.: dei, deste, deu, demos, destes, deram; mais-que-perf.: dera etc.; c) imper.: dá, dê, demos, dai, dêem; d) pres.subj.: dê, dês, dê, demos, deis, dêem; e) imp.subj.: desse etc. f) fut. subj.: der etc.

Um Poema que é só Saudade...


Profundamente

Quando ontem adormeci
Na noite de São João
Havia alegria e rumor
Vozes cantigas e risos

Ao pé das fogueiras acesas.
No meio da noite despertei
Não ouvi mais vozes nem risos
Apenas balões Passavam errantes
Silenciosamente
Apenas de vez em quando
O ruído de um bonde
Cortava o silêncio
Como um túnel.
Onde estavam os que há pouco
Dançavam
Cantavam
E riam
Ao pé das fogueiras acesas?
— Estavam todos dormindo
Estavam todos deitados Dormindo Profundamente.
Quando eu tinha seis anos
Não pude ver o fim da festa de São João Porque adormeci.
Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo
Minha avó
Meu avô Totônio Rodrigues
Tomásia
Rosa
Onde estão todos eles?
— Estão todos dormindo
Estão todos deitados Dormindo Profundamente.

Manuel Bandeira

O.B.S - Dedicado aos amigos do Blog do Crato, A. Morais, Carlos E. Esmeraldo, José Flávio, Socorro Moreira, José do vale e à toda turma de saudosistas daqui, esse belo poema que conheço desde criança, do Manuel Brandeira...

Abraços,

Dihelson Mendonça

15 de Novembro - Proclamação da República !

Acima: gravura do Marechal Deodoro da Fonseca, proclamador da República.

A
Proclamação da República Brasileira é o evento, na História do Brasil, que instaurou o regime republicano no país, derrubando a Monarquia. Ocorreu dia 15 de novembro de 1889 no Rio de Janeiro, então capital do Império do Brasil, na praça da Aclamação (hoje Praça da República), quando um grupo de militares do Exército brasileiro, liderados pelo comandante marechal Deodoro da Fonseca, deu um golpe de estado e depôs o imperador D. Pedro II. Institui-se então a República, sendo nessa data que o jurista Rui Barbosa assinou o primeiro decreto do novo regime, instituindo um governo provisório.Faziam parte do governo provisório, organizado na noite de 15 de novembro, o Marechal Deodoro da Fonseca como presidente e, como ministros, Benjamin Constant, Quintino Bocaiuva, Rui Barbosa, Campos Sales entre outros.

Na tentativa de reduzir a oposição, cada vez maior, o ministro Afonso Celso de Assis Figueiredo, o Visconde de Ouro Preto, elaborou em meados de 1889 um programa de reformas, que incluía: liberdade de culto, autonomia para as províncias, mandatos limitados (não-vitalícios) no Senado, liberdade de ensino, redução das prerrogativas do Conselho de Estado, entre outras medidas. As propostas de Ouro Preto visavam a preservar a Monarquia, mas foram vetadas pela maioria conservadora que constituía a Câmara dos Deputados.

Vários foram os fatores que levaram o Império a perder o apoio de suas bases econômicas, militares e sociais. Da parte dos grupos conservadores: sérios atritos com a igreja católica (na "Questão Religiosa"); o abandono do apoio político dos grandes fazendeiros em virtude da abolição da escravatura, ocorrida em 1888. Da parte dos grupos progressistas: a manutenção, até muito tarde, da escravidão negra no país; a ausência de iniciativas com vistas ao desenvolvimento do país (fosse econômico, político ou social); a manutenção de um regime político de castas e censitário (isto é, com base na renda das pessoas); a ausência de um sistema de ensino universal; os altos índices de analfabetismo e miséria; o afastamento do Brasil em relação a todos demais países do continente americano (fossem da América do Sul, fossem da América do Norte), em virtude da incompatibilidade entre os regimes.

Assim, ao mesmo tempo que a legitimidade imperial decaía, a proposta republicana - percebida como significando o progresso social - ganhava espaço. Entretanto, é importante notar que a legitimidade do Imperador era distinta da do regime imperial: enquanto, por um lado, a população, de modo geral, respeitava e gostava de D. Pedro II, por outro lado tinha cada vez em menor conta o próprio Império. Nesse sentido, era voz corrente na época que não haveria um "III Império", ou seja, a monarquia não continuaria após o falecimento de D. Pedro II (seja devido à falta de legitimidade do próprio regime, seja devido ao repúdio público ao príncipe consorte, marido da princesa Isabel, o francês conde D'Eu).

Embora a frase do líder republicano paulista Aristides Lobo - segundo a qual "o povo assistiu bestializado" à Proclamação da República - tenha feito fortuna, pesquisas históricas mais recentes desmentem essa percepção: é o caso da tese de Maria Tereza Chavez de Mello (A república consentida, FGV, 2007), que indica que a república, antes e depois do 15 de Novembro, era vista popularmente como um regime que traria o desenvolvimento (em sentido amplo) para o país.

No Rio de Janeiro, os republicanos insistiram com o marechal Deodoro da Fonseca, para que ele chefiasse o movimento revolucionário que substituiria a monarquia pela república. Depois de muita insistência dos revolucionários, Deodoro concordou em liderar o movimento.

O golpe militar, que estava previsto para 20 de novembro de 1889, teve de ser antecipado. No dia 14, divulgou-se a notícia (que posteriormente se revelou falsa) de que era iminente a prisão de Benjamin Constant Botelho de Magalhães e Deodoro da Fonseca. Por isso, na madrugada do dia 15 de novembro, Deodoro iniciou o movimento que pôs fim ao regime imperial.

Os revoltosos ocuparam o quartel-general do Rio de Janeiro e depois o Ministério da Guerra. Depuseram o Ministério e prenderam seu presidente, Afonso Celso de Assis Figueiredo, Visconde de Ouro Preto. Na tarde do mesmo dia 15, na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, foi solenemente proclamada a República. D. Pedro II, que estava em Petrópolis, retornou ao Rio. Pensando que o objetivo dos revolucionários era apenas substituir o Ministério, o imperador tentou ainda organizar outro, sob a presidência do conselheiro José Antônio Saraiva. No dia seguinte, o major Frederico Sólon Sampaio Ribeiro entregou a D. Pedro II uma comunicação, cientificando-o da proclamação do novo regime e solicitando sua partida para a Europa, a fim de evitar conturbações políticas.

No final da década de 1880, a monarquia brasileira estava numa situação de crise, pois representava uma forma de governo que não correspondia mais às mudanças sociais em processo. Fazia-se necessário a implantação de uma nova forma de governo, que fosse capaz de fazer o país progredir e avançar nas questões políticas, econômicas e sociais.

Crise da Monarquia

A crise do sistema monárquico brasileiro pode ser explicada através de algumas questões:

- Interferência de D.Pedro II nos assuntos religiosos, provocando um descontentamento na Igreja Católica;

- Críticas feitas por integrantes do Exército Brasileiro, que não aprovavam a corrupção existente na corte. Além disso, os militares estavam descontentes com a proibição, imposta pela Monarquia, pela qual os oficiais do Exército não podiam se manifestar na imprensa sem uma prévia autorização do Ministro da Guerra;

- A classe média (funcionário públicos, profissionais liberais, jornalistas, estudantes, artistas, comerciantes) estava crescendo nos grandes centros urbanos e desejava mais liberdade e maior participação nos assuntos políticos do país. Identificada com os ideais republicanos, esta classe social passou a apoiar o fim do império;

- Falta de apoio dos proprietários rurais, principalmente dos cafeicultores do Oeste Paulista, que desejavam obter maior poder político, já que tinham grande poder econômico;

Diante das pressões citadas, da falta de apoio popular e das constantes críticas que partiam de vários setores sociais, o imperador e seu governo, encontravam-se enfraquecidos e frágeis. Doente, D.Pedro II estava cada vez mais afastado das decisões políticas do país. Enquanto isso, o movimento republicano ganhava força no Brasil.

A Proclamação da República

No dia 15 de novembro de 1889, o Marechal Deodoro da Fonseca, com o apoio dos republicanos, demitiu o Conselho de Ministros e seu presidente. Na noite deste mesmo dia, o marechal assinou o manifesto proclamando a República no Brasil e instalando um governo provisório.

Após 67 anos, a monarquia chegava ao fim. No dia 18 de novembro, D.Pedro II e a família imperial partiam rumo à Europa. Tinha início a República Brasileira com o Marechal Deodoro da Fonseca assumindo provisoriamente o posto de presidente do Brasil. A partir de então, o pais seria governado por um presidente escolhido pelo povo através das eleições. Foi um grande avanço rumo a consolidação da democracia no Brasil.

Fonte: Wikipedia e website www.suapesquisa.com

Futebol - Atualização - por: Amilton Silva



Brasileirão Série B

O Santo André venceu na noite de ontem (14), no Castelão em Fortaleza , equipe do Ceará por 3 X 2. O Ceará que fez uma boa campanha no primeiro turno , com a saída dos atacantes Luiz Carlos e Ciel, está fazendo uma campanha medíocre nesta segunda fase.O Santo Andre abriu o placar aos 13 minutos do primeiro tempo com o atacante Márcio Mixirica.O vozão empatou ainda no primeiro tempo aos 34 minutos com gol de Lúcio, aos 40 minutos veio a virada com O veterano Sérgio Alves.O Santo André que praticamente garantiu a classifacação para Série A de 2009, virou o jogo no final da partida, Osny empatou aos 44 minutos e Jefferson com um golaço virou a partida nos acréscimos.O time do Ceará está a cinco partidas sem vencer e só não preocupa a sua torcida, pela campanha que fez no primeiro turno.Detentor da segunda maior marca , perdendo apenas para a torcida do Campeão Corinthians, a torcida do vozão, compareceu ontem em pequeno número no Castelão.Apenas 2500 torcedores assistaram a derrota do Ceará.

O América RN venceu o São Caetano de virada no estádio Anacleto Camapanella,e respira aliviado já que com a vitória soma 43 pontos ganhos e fica na 15ª posição, quatro pontos acima do Fortaleza que ocupa a 17ª posição na classificação geral.O São Caetano que sonhava com o G 4, com a derrota praticamente deu adeus ao sonho de voltar a elite do futebol brasileiro. Na outra partida realizada ontem pela 36ª , o Bahia venceu o já rebaixado CRB por 2 X 0.O CRB passa a ser chamado agora de CRC, já que no próximo ano participara da Série C do brasileiro.

Hoje(15) será completada a rodada com os jogos:


ABC X MARILIA
PARANÁ X PONTE PRETA
BARUERI X FORTALEZA
BRAGANTINO X AVAI

CORINTHIANS X VILA NOVA

CRUCIÚMA X GAMA

BRASILIENSE X JUVENTUDE


Brasileirão Série A

A 35ª rodada da Série A, do Brasileirão que teve início na quarta feira (12). com a vitória do Atlético mineiro sobre o Vasco por 4 X 1, prossegue hoje com tres jogos.No Maracanã Fluminense enfrenta a Portuguesa. O jogo para ambas as equipes é de extrema importância.O Fluminense precisa da vitória, pois, ocupa a 16ª posição com 37 PG, e a Portuguesa com 36 PG está na 17ª posição, caso seja derrotada praticamente fica eliminada da competição. O Náutico que está na 17ª posição com 37 PG, enfrenta o Cruzeiro que briga pela o título, nos aflitos. Ipatinga lanterna da competição , recebe o Sport de recife .O Ipatinga esta com 31 PG e praticamente rebaixado.Além de vencer todos os jogos que faltam, o Ipatinga terá que torcer por uma combinação de resultados para não cair.

A rodada será completado no domingo dia 16 com as seguintes partidas:

GOIÁS X BOTAFOGO
FLAMENGO X PALMEIRAS

SÃO PAULO X FIGUEIRENSE
SANTOS X INTERNACIONAL
ATLÉTICO PR X VITÓRIA

GRÊMIO X CORITIBA

Por: Amilton Silva - Editor de Esportes do Blog do Crato
.

Vem aí, finalmente o município de Crajubar ??


Região Metropolitana na área do “Crajubar”

Clique para Ampliar

A Região do Cariri terá o município de Juazeiro do Norte como cidade-pólo (Foto: ANTÔNIO VICELMO)

Clique para Ampliar

Clique para Ampliar

Cristo Redentor na cidade do Crato, que também integrará a Região Metropolitana

O desenvolvimento regional do Cariri estará consolidado com a criação de sua Região Metropolitana

Crato. Com uma população de cerca de 500 mil habitantes, as cidades de Crato, Juazeiro e Barbalha, que formam o chamado “Triângulo Crajubar”, deve ser transformada em Região Metropolitana. O prefeito eleito de Barbalha, José Leite Cruz, é um dos defensores da idéia, que já tem proposta na Assembléia Legislativa do Ceará, encaminhada pela Secretaria das Cidades.

Formado em Ciências Econômicas, ex-gerente do Banco do Brasil, com passagens pela superintendência da instituição, José Leite assume a Prefeitura de Barbalha com uma visão técnica do Cariri. Ele destaca que os processos de integração constituem opção para consolidar o mercado regional, integrar as cadeias produtivas, impulsionar a competitividade das empresas, promover o intercâmbio de conhecimento tecnológico e científico e conquistar uma melhor inserção na economia estadual.

“Além disso, a integração fortalece a capacidade de negociação e constitui um valioso instrumento para o nosso desenvolvimento econômico e social”, afirma José Leite, acrescentando que tem conversado com os prefeitos Manoel Santana, eleito em Juazeiro do Norte, e Samuel Araripe, reeleito no Crato. Segundo ele, ambos têm demonstrado interesse no processo da segunda integração regional do Estado — atualmente existe apenas a Região Metropolitana de Fortaleza, integrada por 13 cidades: Caucaia, Maracanaú, Maranguape, Itaitinga, Horizonte, Eusébio, São Gonçalo do Amarante, Pacatuba, Guaiúba, Aquiraz, Pacajus, Chorozinho, além de Fortaleza.

Turismo regional
Um exemplo da necessidade dessa integração, segundo José Leite, é a instalação do aterro sanitário para atender aos três municípios da região do Crajubar. O prefeito eleito de Barbalha apresenta também como argumento o turismo regional que deve ser explorado de forma integral. O prefeito mostrou a importância do trem do Cariri que interligará Crato e Juazeiro. Numa segunda etapa, conforme acredita, Barbalha e Missão Velha poderão ser incluídos no projeto.

“Com isso, haverá uma ligação com a Ferrovia Transnordestina, o que vai facilitar o transporte da nossa cadeia produtiva”, afirma ele. José Leite lembrou que, brevemente, será construído o prédio da Ceasa, em Barbalha, que funcionará como entreposto de abastecimento de hortifrutigranjeiros para todo o Cariri. O novo prefeito também defende a revitalização da Usina Manoel Costa Filho e a Usina de Etanol, que será instalada em Barbalha.

A idéia de criação da Região Metropolitana do Cariri não é nova. O secretário estadual das Cidades, Joaquim Cartaxo, entregou na Assembléia Legislativa um conjunto de proposituras que tem como destaque a que sugere a criação da Região Metropolitana do Cariri.

De acordo com Cartaxo, a Região Metropolitana do Cariri terá Juazeiro do Norte como cidade-pólo e será regulamentada posteriormente por Lei Complementar, que definirá quais municípios farão parte dela. “Acreditamos que a Região Metropolitana representará um novo foco de desenvolvimento capaz de atrair atividades econômicas”.

“É importante dizer que hoje a região do Cariri já é maior em termos de população e desenvolvimento do que a Região Metropolitana de Fortaleza, na época em que ela foi criada, nos anos 70”, destacou o secretário Joaquim Cartaxo.

Agrolomerações urbanas
Uma região metropolitana é um grande centro populacional, que consiste em uma (ou, às vezes, duas ou até mais) grande cidade central (uma metrópole), e sua zona adjacente de influência. Geralmente, regiões metropolitanas formam aglomerações urbanas, uma grande área urbanizada formada pela cidade núcleo e cidades adjacentes, formando uma conurbação. Por exemplo, São Paulo é uma cidade central, com Guarulhos, Osasco e outras cidades adjacentes sendo cidades vizinhas de São Paulo, juntas formando uma conurbação — esse fenômeno é caracterizado pela ligação física entre as cidades, devido à sua expansão geográfica.

Porém, uma região metropolitana não precisa ser obrigatoriamente formada por uma única área contígua urbanizada, podendo designar uma região com duas ou mais áreas urbanizadas intercaladas com áreas rurais.

ANTÔNIO VICELMO
Repórter


INTEGRAÇÃO
"A integração fortalece a capacidade de negociação e promove o desenvolvimento".
José Leite
Prefeito de Barbalha

Mais informações:
Prefeitura Municipal de Barbalha
Rua Princesa Isabel, 187, Centro
(88) 3532.1188
(88) 3532.1640
Fax: (88) 3532.1188

Reportagem: Antonio Vicelmo
Fonte: Jornal Diário do Nordeste

O BOÊMIO - Por: A. MORAIS.



Discorrer sobre as figuras folclóricas do Crato e do Juazeiro, e não incluir Valdir Pereira, seria um erro imperdoável. Boêmio, na expressão da palavra. De raro assomo de espírito, sobretudo, quando estava com umas e outras na cabeça. Amigo sincero. Dissipador dos parcos recursos que possuía. Participava de todas as despesas, exceto quando não dispunha do mocó, cuja situação era logo por ele revelada. Podemos dizer: uma persona grata.

Popularizou-se em alguns casos de “xexeiro”, pessoa que não paga a mundana, após o coito. Numa noitada de um sábado, já ao amanhecer do domingo, Valdir Pereira, solicita da parceira uma cesta para ir ao mercado fazer compras, uma vez que “intencionava” permanecer o dia seguinte em companhia da amante. Logo que deixa o cabaré da Glorinha, joga a cesta fora, e vai embora. Na segunda feira a mundana foi à loja em que o Valdir trabalhava (Casas Pernambucanas), e o agrediu com palavras, chamando-o de xexeiro.

Minha senhora, respondeu o Valdir. Seu Teixeira, é aí na frente.
Eu estou chamando é de xexeiro!
Peixeira! Aqui, só vendemos tecidos.
Uma semana após o calote aplicado em uma rameira, Valdir retorna ao local do crime. Logo que entra é reconhecido pela vitima.
Ao perceber que havia sido identificado adentrou-se pelo corredor, indo esconder-se em um dos quartos.
A mulher desconfiada do único quarto que se encontrava de porta fechada perguntou: Fulana, quem está aí com você é um vermelhinho do Juazeiro? Valdir, tirando do bolso uma nota de cinco mil reis, suplicou:
Diga que é o Negão do Crato.


Por: Antonio Morais

Sou do Crato - Claude Bloc





Sou de Crato____________________________

Já pensei muitas vezes em escrever sobre o Crato, e, maiormente, sobre esse (in)explicável sentimento que todos os cratenses têm pela sua terra. Esse sentimento exacerbado e efervescente que jamais vi em outra, das tantas cidades que conheci... Não sei bem como explicar, mas creio ser um sentir (in)exato, de tão forte, de tão absoluto que se manifesta. Na minha vida errante pelo sul, pelas tórridas ruas de Sobral, pelas ensolaradas praias de Fortaleza, por todos os mais diversos (re)cantos, insalubres ou não, por onde andei, nunca, jamais, encontrei no olhar de toda essa gente que povoou, de alguma forma, meus momentos, o calor intrínseco e “ruidoso” que alimenta a alma de um cratense. ... E fala-se da terrinha com orgulho, com um garbo majestoso de quem renasce a cada sorriso, diante da lembrança contundente dessa terra querida, desse quinhão afetivamente incrustado na alma. Somos, então, todos cúmplices nessa história que escrevo emocionada. E hoje, olho para mim, imersa nessa amálgama, comunicando-me com o universo com um sotaque específico e claro: “sou de Crato e estou morrendo de saudade”... Como todos os que amam minha cidade, orgulho-me de ter crescido por entre essas pessoas todas que hoje ilustram minha memória em tantas linhas da minha prosa. O Crato para mim não é um lugar remoto. Nunca deixei de visitá-lo mesmo em minhas incursões por outras terras. Nunca me senti estrangeira olhando de longe essa saudade inesgotável. As ruas, as pessoas, a vida do/no Crato passeiam em minhas veias a cada alvor do dia, porque nunca deixei de amar a terra, a serra e essa linguagem própria e estranhamente inusitada. Por todos os meus poros vou além deste amor intransitivo, num reconhecimento mútuo que (de)codifico em meus refúgios mentais. O Crato é meu espelho e meu norte. É lá onde me posto neste sutil encantamento em que as melodias do meu estro se deixam quedar absolutamente (in)confessáveis. Sou de Crato... e me utilizo dessa luz insuspeita que me acalenta, para adormecer as coisas, para registrar o abandono a que me impus em outras terras. Perco-me de mim, mas (re)visito-me no Crato. Sufoco-me na emoção de um novo encontro... Viceja em mim a sinfonia única e transparente do passado e os acordes mais dolentes que solfejo em carne viva... Renasço a cada gesto lasso e impaciente De volta, transcendo num limbo florescente e belo: meu Crato!