09 novembro 2008

JUAZEIRO DO NORTE PODE ESQUENTAR AINDA MAIS?



Os alunos do Terceiro Ano do Ensino Médio da Escola Paraíso sediada na cidade de Juazeiro do Norte, orientados pelo Professor de Geografia João Ludgero, desenvolveram pesquisa para identificar a formação de Ilhas de Calor na cidade de Juazeiro do Norte.
Os pesquisadores identificaram que o intenso crescimento populacional da cidade, potencializa a urbanização e o aumento da concentração de pessoas em atividades do terciário e secundário. Esse crescimento populacional seguido de uma urbanização desordenada tem contribuído para o surgimento de um fenômeno climático conhecido como “Ilha de Calor”. Esse tipo de fenômeno é caracterizado pela distribuição espacial do campo de temperatura sobre a cidade que apresenta um máximo, como se fosse uma ilha quente localizada. Alterações da umidade do ar, da precipitação e do vento também estão associadas à presença de ilha de calor urbana.
Nas cidades de latitudes tropicais devido à alta intensidade da radiação solar incidente as ilhas de calor urbanas ocorrem durante o dia, agravando a sensação e o desconforto devido à elevação da temperatura e à redução da umidade relativa do ar.
A origem das ilhas de calor decorre da presença de edificações e das alterações da paisagem feitas pelo homem nas cidades. A superfície urbana apresenta particularidades em relação à capacidade térmica e densidade dos materiais utilizados: asfalto, concreto, telhas, solo exposto, enfim, uma infinidade de adaptações à vida urbana que acabam favorecendo essa concentração de calor próximo à superfície. Entre as principais causas das ilhas de calor no Juazeiro temos temos:

01 - Efeitos da poluição do ar: o efeito de interação entre a radiação e a poluição atmosférica constituída de partículas e de diferentes gases, como os gases do efeito estufa (CO, CO2, O3, hidrocarbonetos, entre outros) provoca alterações locais no balanço de energia e radiação que podem ser associadas à formação das ilhas de calor urbanas. Uma série de reações químicas e fotoquímicas podem ocorrer em ambiente urbano poluído. O aumento da irradiância de onda longa da atmosfera em direção às superfícies urbanas associada ao aumento da concentração dos gases do efeito estufa sobre as cidades (C02, metano) modifica o balanço de energia (radiação e fluxos de calor) da superfície e da atmosfera.

02 - Fontes antrópicas de calor: Emissões antrópicas de calor e umidade associadas à queima de combustíveis fósseis, ar condicionado, entre outras podem contribuir em muito para o maior aquecimento urbano.

03 - Efeito da redução das áreas verdes: Decréscimo da evapotranspiração pela impermeabilização das superfícies urbanas e redução de áreas verdes na cidade. A reduzida fração de área vegetada em áreas fortemente urbanizadas diminui a extensão das superfícies de evaporação (lagos, rios) e de evapotranspiração (parques, bosques, jardins, bulevares). Assim, as atividades humanas alteram os microclimas urbanos e as condições de conforto ambiental das cidades. A impermeabilização dos solos devido à pavimentação e desvio da água por bueiro e galerias, o que reduz o processo de evaporação e evapotranspiração urbana, modificando o balanço hídrico da superfície urbana podendo aumentar a vulnerabilidade da população a enchentes e deslizamentos de terra.

04 - Uso de materiais muito absorvedores da radiação solar (de baixa refletividade): Maior acumulação de calor durante o dia devido às propriedades de absorção pelos materiais utilizados na construção da cidade (ou urbanização) e sua emissão durante o período noturno.
Sendo assim os pesquisadores do Colégio Paraíso – Juazeiro do Norte, identificaram como os principais responsáveis pelo aumento da temperatura em Juazeiro do Norte foram: Efeitos da poluição do Ar, Fontes antrópicas de calor e a redução das areas verdes.
Diante da tabela abaixo não foi identicado Ilhas de Calor em Juazeiro do Norte, pois as mesmas só ocorrem quando é diagnosticado uma diferença de 7º C de um bairro (central) em relação ao outro (periferia).

BAIRRO HORÁRIO TEMPERURA DIFERENÇA
Centro 14:00 38,5° C 4,5º C
Novo Juazeiro 14:00 34° C
Centro 14:00 35º C 1,5º C
Lagoa Seca 14:00 33,5º C
Centro 16:00 39º C 3º C
Tiradentes 16:00 36º C
Centro 15:00 38º C 4º C
Aeroporto 15:00 34º C

Percebe-se que as ilhas de calor estão se formando, onde fica ai o alerta para o próximo gestor da cidade administre este crescimento desordenado, preocupando-se em aumentar mais as áreas verdes deste município e planejar melhor o desenvolvimento do sítio urbano deste município, onde implante a agenda 21 do mesmo e consiga congregar crescimento urbano com melhoria da qualidade de vida, pois as ilhas de calor agravam as ondas de calor com conseqüências sobre o aumento da mortalidade de idosos e doentes que apresentem redução em sua capacidade de termorregulação corpórea e de percepção da necessidade corpórea de hidratação (idosos e pacientes com doenças mentais ou de mobilidade).
Dentro do próprio centro urbano já é notável uma pequena diferença entre as temperaturas de bairros centrais e bairros residenciais da periferia da cidade.
Juazeiro do Norte, que apesar de não ser um centro econômico e de pessoas tão grande quanto cidades como o Rio de Janeiro ou São Paulo, já apresenta sinais visíveis de formação de ilhas de calor principalmente no centro do município.
Aproveito para parabenizar meus alunos do Colégio Paraíso, que tanto se esforçaram para fazer existir esta pesquisa pioneira no diagnóstico de Ilhas de Calor. Ressalto ainda a importância de uma pesquisa empírica, onde os alunos tiveram a oportunidade também de perceber a existência da cidade formal e informal, ou seja, onde o poder público de fato atua no município de Juazeiro, podendo ver em locus ao vivo e a cores as grandes disparidades sociais neste imenso centro religioso tão carente de IGUALDADE, E FRATERNIDADE.

Alunos dos 3º anos do Ensino Médio do Colégio Paraíso
Professor – João Ludgero – Geógrafo
Especialista em Geopolítica e Direito Ambiental


O PODER SEM PUDOR.

Li outro dia, um relato mencionado o coronelismo de outrora e lembrando uma preciosidade atribuída ao austero Cel. Mario da Silva Leal, chefe político da UDN na região centro sul do estado. Deputado Estadual por duas legislaturas e que fez historia por sua destacada liderança das décadas de 30, 40, 50.
Proprietário de um grande latifúndio com base territorial no município de São Mateus, hoje Jucás.
O comentário sustenta que se o Cel Mario oferecesse guarida a qualquer recomendado de amigo não tinha nem perigo da Policia entrar nas Tabocas, onde morava. Os macacos voltavam da primeira cancela.
Em uma escola municipal, do Poço do Mato, hoje Caipú, a professora perguntou para o aluno: Dilermando onde está o sujeito desta oração? Xavier matou Joaquim!
Dilermando cravou a resposta no ato: Na fazenda do Cel Mario Leal fessôra!

Uma história viva - Edilma Saraiva Rocha




Dia de euforia , na pequena cidade chamada Crato. Hoje será inaugurada sua primeira praça , pelo Prefeito : Siqueira Campos.
Estamos em 13 de Dezembro do ano de 1917.
As modistas finalizam os bordados e arremates com fitas de cetim. As rendas vieram da capital para dar mais elegância e estilo aos figurinos das damas da cidade. Chapéus delicados, sapatos em saltos e meias, no estilo da época. Os alfaiates colocam em fileiras os ternos de linho branco e azul-marinho dos cidadães que logo chegarão para buscá-los .
Para abrilhantar a elegância do momento , os pequenos engraxates não podem ficar de fora : Dez meninos de terninhos curtos , engravatados, prontos para entrar em ação. Tudo tinha que ser perfeito !
O Prefeito Siqueira Campos estava acompanhado do Governador do Estado , José Sabóia , filho de Sobral.
Ao pisarem na praça , inicia-se o som da Banda Municipal. Entre os músicos , um flautista , hoje renomado - Martins Filho. E tudo é festa ! A música em alto tom , chega em todos os lares,
e as pessoas correm de longe para apreciarem o momento . A praça é pequena , mas graciosa.
Criação do urbanista,meu avô , Júlio Saraiva Leão. Filho da terra, cuidadoso , em todos os seus detalhes : o coreto , a partir daquela data , passará a funcionar , religiosamente , todos os domingos; fileiras de bancos de madeira com apoio de ferro fundido, arrodeando-os; os lampiões de Flandres foram produzidos pelo mais exímio dos artesões locais.; na paisagem , fileiras de palmeiras, e figos , que trariam sombra aos sentadores da praça.; pequenos canteiros protegidos por cerquinhas de madeira , guardavam os lindos buquês de hortências de várias cores.
No discurso de inauguração foi estabelecido o compromisso de cuidar e zelar por aquele valioso presente , todos os cidadães , incluindo , comerciantes e moradores mais próximos.
As pessoas passaram , e o tempo voou !
Em 6 de novembro de 2008, voltei a minha cidade , mais uma vez. Da rua da Vala , hoje Tristão Gonçalves, atravessei a Mons. Assis Feitosa , e deparei-me com a praça, onde tantas vezes voltiei de braços dados , nas paqueras de domingo ( anos 60), e não senti mais a mesma áurea dos tempos dourados.
As árvores sentiram a dor da mudança com o corte de seus galhos.No momento , poucos podem usufruir de suas sombras. Nos canteiros , já não existem flores... Em seu lugar , pedras frias , a envolver uma coluna com um relógio ,e a estátua de Siqueira Campos , que parece observar tudo ao seu redor , através das suas lentes.
Resta um engraxate , descendente daqueles dez primeiros , e o único espaço coberto não abriga a música , e sim , revistas e jornais a espera dos seus consumidores.
A história da praça está por baixo das pedras Cariris , e detalhes em granito a moda do momento.
Assistindo , ainda majestoso e elegante , a todas estas mudanças , o antigo prédio do Cassino ,
que encerra tantos segredos e fatos, vistos ,diante daquela praça ...
Por um momento fechei os meus olhos e imaginei esculturas que representassem as damas da época.; o colorido das flores plantadas pelo meu avô , harmonizadas com o verde das nossas matas ; lindos jarros com palmeirinhas em seus cantos , dando aconchego aos pequenos bancos; flores aos pés do seu fundador , numa justa homenagem.
Não é mais a mesma praça ...
Foram-se os jardins ...


P.S. Edilma Saraiva Rocha é talentosa artista plástica , filha do casal Edilson Rocha e Telma Saraiva. Amante do nosso Crato , prometeu-nos , na sequência , muitas das suas memórias.

Então é Natal?


Gente, tô passada com a pressa dos comerciantes em empurar o Natal goela abaixo da clientela. A cada ano que passa parece que o espírito natalino, que a estas alturas já é encosto natalino, toma conta das pessoas mais cedo. Recém vamos para a segunda semana de novembro - no-vem-bro - e os shoppings estão decorados com festões, pisca-piscas, lamê dourado, lantejoulas, glitter e todo aquele exagero de traquitanas produzidos na China já foram despejados pela cidade, incomodando nossa visão.
Pô, ainda acho que o pior de tudo isso é que quando chega a verdadeira época de festas - final de dezembro - todos já estamos saturados do tal espírito natalino. Adoro a época de festas, de celebrar, de projetar coisas boas e de desejar o bem (a quem bem merece, é claro), mas ter os sentidos bombardeados massivamente, cansa. E dê-lhe Simone cantando sua versão brazuca pra Happy Christmas, do Lennon. Ahhhhh!
Claro que toda essa promoção precoce ocorre para que o comércio venda mais, cada vez mais. Mas daí eu não entendo uma coisa. Quem diabos compra presente de Natal um mês antes? Quem guarda presentes por tanto tempo? O Velho Noel que sequer existe, ou melhor, mora nas carteiras daqueles que podem arcar com a sua chegada? Quem monta pinheirinho de Natal em novembro?
Se o Natal é a celebração do nascimento de Cristo, até o próprio deve ficar incomodado com tanta divulgação para a festa, faltando mais de um mês para o evento. Mas também, quem é que lembra dele quando o importante da festa está em dar e receber presentes, gastar, gastar, comprar, comprar. É, e Jésus foi barrado na própria festa.

Ane Meira - Fonte Yahoo de notícias

Por:João Paulo Fernandes

Curiosidades do Crato - De 1950 a 2008, o que mudou na praça?

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Fonte: Gazeta de Notícias - Luis José dos Santos.

As Notícias da Semana no Cariri


Coluna Tarso Araújo


SERVIÇO SOCIAL

O governo municipal do Crato, através da Secretaria de Ação Social, em parceria com o Centro de Referência em Assistência Social (Cras), Vila Alta está disponibilizando um estágio para alunas do curso de serviço social da Faculdade Leão Sampaio. Dentro desse contexto, o grupo de estagiárias realizou, na última sexta-feira, na sede do Cras, uma tarde educativa. Cerca de 50 crianças e adolescentes atendidas pelo centro participaram de variadas atividades. Na ocasião, foram proferidas palestras sobre DST/AIDS, noções de higiene, bem como jogos, recreações, gincanas, distribuição de brindes e lanches.

INICIAÇÃO CIENTÍFICA
A Faculdade Paraíso (FAP) vai realizar, no período de 10 a 12 de dezembro, o I Encontro de Iniciação Científica. O tema do encontro será "Multiculturalismo, Inovação e Empreendedorismo Social". A iniciativa visa aglutinar pesquisas científicas feitas por profissionais e estudantes da Região do Cariri. A Faculdade Paraíso, que pretende ser universidade em um futuro próximo, quer ampliar os espaços para a produção científica. O encontro tem total apoio da direção geral da instituição.

SERVIDORES
Os servidores estaduais ligados à Secretaria de Saúde do Estado realizaram, nesta última semana, em Crato, uma assembléia para discutir a mobilização da categoria pelo Plano de Cargos Carreiras e Salários (PCCS). O evento se deu na Praça da Sé. No mesmo dia, professores fizeram um protesto contra o Governo do Estado, já que o governador Cid Gomes (PSB) entrou na Justiça contra o piso salarial da categoria.

SINTRAF
O Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura Familiar (Sintraf) está com a regional do Crato instalada. O evento contou com a presença de trabalhadores da agricultura familiar, na sede da entidade, no centro do Crato. José Valdo, do distrito de Santa Fé, será o coordenador geral da entidade, que trabalho o fortalecimento das lutas dos trabalhadores do setor.

FUTEBOL
O Crato Esporte Clube tem uma nova diretoria. Na última sexta-feira, já com a renúncia total da diretoria anterior, foi empossado Kiki de Alphaville com novo presidente do time. O Azulão do Cariri disputa a segunda divisão do campeonato cearense da segunda divisão. São oito anos na segundona. Haja sofrimento e nada do time chegar à elite do futebol cearense.

EMANCIPAÇÃO
O distrito de Ponta da Serra, em Crato, instala neste domingo a Associação pela Emancipação de Ponta da Serra. O evento acontecerá no Pólo de Atendimento Edvardo Ribeiro, na sede do distrito. Ponta da Serra está entre os distritos cearenses que têm todas as condições de se transformar em cidade.

PAPAI NOEL
No dia 29 de novembro, o Papai Noel chega ao Cariri Shopping. Será um dia de muita alegria, principalmente, para a criançada. O bom velhinho sairá de Crato, na Praça da Sé, percorrerá Barbalha, o centro de Juazeiro, chegando ao Cariri Shopping. Neste Natal, o shopping vem caprichando na decoração e na promoção para seus clientes. Vai dar um carro zero quilômetro para um sortudo que fizer suas compras no maior centro de compras do Cariri.

PONTOS DE CULTURA
Com o objetivo de esclarecer sobre o preenchimento dos formulários do edital do Ponto de Cultura edição 2008, promovido pela Secretaria Estadual da Cultura do estado do Ceará e Ministério da Cultura, ocorreu na última sexta-feira na Universidade Regional do Cariri (Urca) uma oficina destinada aos dirigentes de organizações de caráter social e cultural. As instituições selecionadas para serem Ponto de Cultura poderão recebem repasse financeiro de até R$ 180.000,00 num período de três anos.

LÍNGUA PORTUGUESA
Professor Flávio Queiroz, dando início a curso especial de redação para concursos e vestibulares. Considerado um dos melhores professores da língua portuguesa em nossa Região, Flávio Queiroz dia desses deu um grande susto em todos nós. Teve um problema de saúde, mas já está se recuperando. Volta agora, em grande estilo, ensinando tudo o que sabe (e não é pouco) sobre nossa língua portuguesa.

GUERRA
Uma guerra sem tamanho. A luta pelo poder no Sindicato dos Servidores Municipais do Crato está prejudicando a categoria. Enquanto grupos lutam para ver quem fica com a fatia maior do bolo, a categoria ainda não viu ser aprovado o Plano de Cargos Carreira e Salários (PCCS). Sindicalistas brigando entre si acabam com as conquistas de qualquer categoria profissional.

ANOTE : MOSTRA DE CULTURA
Após meses de preparação e muita correria, teve início ontem, sábado, a décima edição da Mostra Sesc Cariri de Cultura. Há 10 anos, por intermédio do Sesc Ceará, a força da tradição popular entra em contato com produções artísticas contemporâneas de vários pontos do País e de fora dele. Durante a 10ª Mostra Cariri de Cultura, esses encontros vão tomar as ruas, praças, teatros, clubes e galpões de Crato, Juazeiro do Norte e Nova Olinda (pólos centrais), além de outras 15 cidades por onde a mostra pede passagem, levando fragmentos da extensa programação. Na programação, grupos de tradição popular, apresentações circenses e performances, além de grande programação musical. Serão grupos de todo o Cariri, que trazem à tona as matrizes culturais nordestinas, com reisados, maneiro paus, bandas cabaçais, cocos e bacamarteiros.

TREM DO CARIRI
O prefeito eleito de Juazeiro Manoel Santana (PT), ao lado do secretário das Cidades, Joaquim Cartaxo, e do vice-prefeito Roberto Celestino, numa visita ao Trem do Cariri. O governador Cid Gomes também estava no evento. Eles discutiram as obras de conclusão do trem.

HISTÓRIA
Historiador Armando Lopes Rafael, que vem dando uma contribuição significativa para a redescoberta da história do Cariri.

CONSTRUÇÃO CIVIL
Empresário Felipe Néri, da construção civil, apostando no amplo crescimento do setor na Região do Cariri.

Fonte: Tarso Araújo.

Futebol - Atualização - por: Amilton Silva

Vasco vence e saiu da zona de rebaixamento

Apoiado por mais de 21 mil torcedores que lotaram o estádio São Januário na noite de ontem (8), o Vasco venceu por um a zero , gol de penalti marcado aos 25 minutos do segundo tempo, e questionado pela equipe santista. Após dois minutos da marcação do penalti, Edumundo que entrou na etapa final , finalizou com categoria e deu a vitória que tira a equipe vascaina da vice lanterna e coloca-a na 15ª posição provisoriamente, já que hoje (9), será completada a rodada que teve início na noite de sábado(9).Por outro lado, o Santos que vinha de uma derrota de 1 X 0, no clássico contra o Palmeiras,se complicou e terá que vencer no mínimo uma partida das quatros que faltam, para finalizar o campeonato, e se livrar do rebaixamento.

São Paulo vence no sufoco e continua Líder

Em jogo dramático realizado no Canindé, o São Paulo venceu a Portuguesa por 3 X 2, e continua líder e forte candidato ao título do Brasileirão 2008. Os gols do Tricolor foram marcados por Borges duas vezes e Zé Luiz aos 42 minutos do segundo tempo.Pela Portuguesa descontou Jonas duas vezes.Demontrando sorte de campeão, o tricolor paulista ainda tomou uma bola no travessão já nos acréscimos através do atacante Edno da Lusa.

Figueirense perde em casa e situaçao fica complicadissima

Mesmo jogando no Orlando Scarpelli, o Figueirense não consegui segurar a fraca equipe do Atlético paranaense, e perdeu por dois a zero gols marcados por A Alan Bahia e Rafael Moura.Com o resultado o Figueirense ocupa agora a 19ª posição com 35 pontos ganhos, e o Atlético deixa a zona de rebaixamento e sobe para 14ª com 38 pontos Ganhos.

Série B


Faltando quatro rodadas para o término da Série B, O Corinthians sagrou-se campeão da competição, ao derrotar o Criciúma por 2 X 0, no estádio Heriberto Hulse, em Santa Catarina, com gols de Chicão e Cristian.O Timão ainda foi beneficiado pelo empate de 1 X 1 entre CRB e Avaí. O Santo André venceu a fraca equipe do Fortaleza pelo placar de 3 X 0. Finalizando a rodada o ABC venceu o Barueri por 3 X 0.

Por: Amilton Silva, Editor de esportes do Blog do Crato.

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Penitentes resistem no Cariri


RELIGIOSIDADE POPULAR

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No Sítio São João, lugar considerado místico pelos moradores, uma Lua misteriosa apareceu acima dos penitentes Cícero e Pedro (Foto: Antônio Vicelmo)

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Pedro Tenório, penitente-decurião, mostra o cacho de disciplina, instrumento de auto-flagelação

Pela primeira vez, um grupo de penitentes de Farias Brito decide conceder entrevista e revelar mistérios

Farias Brito. Remanescentes de um antigo grupo de penitentes do Cariri mantêm viva a tradição de venerar a Deus, martirizando o corpo contra os pecados. Eles varam a madrugada, nas estradas ermas e poeirentas do sertão, a procura de cruzes e cemitérios abandonados. Em Farias Brito, dois agricultores de um antigo grupo de oito penitentes cumprem um ritual que foi iniciado no ano de 1955.

De um lado, a Serra do Quincuncá que, segundo os moradores, abriga lobisomens e caiporas. Do outro, a Vila Nova Betânia, cujo nome foi inspirado na aldeia israelense de Betânia, nas cercanias do Monte das Oliveiras, perto de Jerusalém, onde, segundo a Bíblia, Jesus Cristo transmitiu alguns de seus ensinamentos antes da sua crucificação.

O clima ficou mais místico, quando, em uma foto feita pela reportagem, apareceu um sinal estranho, parecido com uma lua cheia, do lado direito da fotografia. A imagem foi mostrada pelo visor da máquina aos presentes, que ficaram surpresos, uma vez que o céu estava limpo. Não havia nenhum sinal de Lua. Os professores Eldinho Pereira e Miralva Guedes, que acompanharam a reportagem e mais um grupo de moradores da localidade, testemunharam o que eles classificaram de fenômeno inexplicável, mesmo porque, segundo os moradores, a Lua tem uma trajetória diferente na localidade rural.

A foto foi feita entre 18 e 17 horas do último dia 29. Era Lua nova, quando, segundo o calendário lunar, o hemisfério da lua voltado para a Terra não reflete nenhuma luz do Sol. A Lua nova só é visível durante os eclipses do Sol que, aliás, só acontecem durante esta fase lunar. Neste período, o ângulo entre Sol, Terra e Lua é praticamente zero. A Lua nova nasce por volta das 6h da manhã e se põe às 18h, ou seja, ela transita pelo céu durante o dia.

Entre os moradores do Sítio São João, onde foi feita a foto, em frente à capela de Nossa Senhora Aparecida, foi levantada a suspeita de que era um objeto não identificado que teria cruzado a Serra do Quincuncá. Apareceu a versão de que poderia ser um “fogo fátuo”, uma luz azulada que pode ser avistada em cemitérios, pântanos ou brejos. A ciência explica que o fogo fátuo é a inflamação espontânea do gás dos pântanos (metano), resultante da decomposição de seres vivos: plantas e animais típicos do ambiente natural.

É neste ambiente, cercado de crenças, lendas e misticismo, que os dois eremitas dão continuidade a uma prática religiosa fundamentada na adoração, obediência, oração e penitência, tudo isso corporificado em ritos estranhos que chegam a beirar o limite do racional, pelos menos sob a ótica da sociedade contemporânea que acredita viver a plenitude da pós-modernidade.

Um dos seus rituais é a auto-flagelação que só ocorre na Semana Santa. Açoitam-se com três lâminas de ferro bem amoladas medindo cinco por quatro centímetros, amarrados numa tira de couro, até escorrer sangue das costas. Acreditam que é uma forma de purgar os pecados. O agricultor Cícero Rosendo diz que vai cumprir esta penitência até o fim de sua vida. “Foi uma promessa que fiz para não faltar inverno. Tenho que cumpri-la”, promete.

Segredo

A irmandade, como eles próprios gostam de ser chamados, ainda mantém o segredo, “guardado a sete chaves”, de não identificar os seus integrantes. Antigamente, ninguém, nem mesmo a família, sabia quem participava daquela confraria secreta que se reunia nas caladas da noite e andava nas estradas com o rosto coberto, vestido com roupas medievais, portando instrumento de auto-flagelação, entoando benditos e amedrontando as crianças com o seu cantochão característico.

A indumentária dos penitentes se compõe ainda das seguintes partes: o hábito santo, cacho-disciplina (carregada ao pescoço) e o cordão de São Francisco amarrado à cintura. Há uma “liberalidade” no que se refere ao colorido dos seus hábitos. Alguns grupos se utilizam do preto, do azul e do vermelho sendo que, especificamente em Farias Brito, o vermelho é a cor escolhida pela maioria dos seguidores.

O mistério começa a ser desvendado. Por solicitação do historiador Eldinho Pereira da Silva, que mostrou a importância que eles têm para a cultura popular, o líder do grupo, Pedro Tenório, resolveu receber a reportagem do Diário do Nordeste. Pela primeira vez, eles mostram a cara, antes era coberta com mantos brancos e, também, quebraram o silêncio sobre o que eles consideram mais sagrado: a devoção.

ORIGEM DO GRUPO
Tradição começou no século passado

Penitente-decurião rememora a origem do grupo, no ano de 1955 do século passado, na zona rural do Cariri

Farias Brito. O decurião, líder do grupo, Pedro Tenório, conta que em meio à seca de 1955, ele e outros camponeses foram aconselhados por Eduardo Freire, um proprietário residente no Sítio Riacho da Roça, a formar um fervoroso grupo de oração. Com a morte de Freire, e a aceitação dos sacrifícios por alguns membros, os trabalhos doutrinários continuaram na localidade.

Com o correr dos anos, os integrantes foram morrendo. Outros se entregaram à bebida. Restaram somente os primos e compadres Pedro Tenório e Cícero Rosendo, irmanados no sofrimento, na devoção e na esperança de encontrar o que não conseguiram na terra: “um mundo de paz e alegria, junto a Deus”, segundo destacam.

“Hoje, na classe de hoje, ninguém quer penitência, meu amigo. Quer saber é de um forró, é de uma tertúlia, é disso e daquilo outro”, lamenta Pedro Tenório, complementando: “Na Semana Santa, não respeita nem a sexta-feira, que nem o senhor sabe que em dia de sexta-feira tem é bares aberto, com o povo bebeno pinga, botano boneco”. Ao fazer o desabafo, o velho penitente lamenta o comportamento da juventude que, segundo afirma, “está totalmente voltado às coisas mundanas, ao pecado”.

O velho decurião, com 77 anos de idade, já não acalenta mais a esperança de conseguir outros companheiros de penitência. O seu sectarismo religioso é demonstrado num pedido: “Quando eu morrer, quero ser enterrado com a roupa de penitente, o cacho-disciplina e o cordão de São Francisco”.

O Dia de Finados, para eles, não é um dia de penitência. É um momento de reflexão, de rezar pelas almas. Por isso, eles não se auto-flagelam nesta data. A auto-flagelação é praticada, com mais intensidade, na Semana Santa.

Trata-se de um ritual marcado pela autodisciplina imposta ao corpo, como forma de “salvar cruzes” pertencentes a almas sofredoras e de se aproximar do Criador celeste por meio da devoção. A interrupção da súplica cristã acontece já ao entardecer, com o grupo ajoelhado diante de uma cruz, um chicote de couro com navalhas à mão e o sangue correndo pelas costas dilaceradas durante o ritual.

No fim de semana anterior, pela passagem para o Dia de Finados, eles fizeram o ritual de “salvar as cruzes”, que consiste em rezar e cantar nos pés das cruzes de beira de estrada. Os penitentes cumprem também a tradição de pedir esmolas nas casas dos sítios. Num ritmo dolente, eles cantam: “Se alevanta pecador/ Faz o teu sinal da cruz/ Se tiver dormindo acorde/ E ouça o pranto de Jesus/ Se os teus pés já resistiu/ E alguém já acendeu a luz/ O irmão nos dê uma esmola/ Pela chaga de Jesus”.

O professor e historiador, Eldinho Pereira da Silva, analisa que nesse cântico há um discurso explícito e recorrente sobre o sofrimento de Jesus em prol da salvação da humana. Ainda que de forma subjetiva, no mesmo texto, também é disseminada a idéia de jejum como uma virtuosa representação, uma continuação do sofrimento necessário para o pagamento dos pecados. Todavia, essa busca espiritual por meio do sofrimento físico, constitui uma prática do tipo pessoal e disjunta das propostas de libertação social, coletiva. Mesmo assim, o tempo passa e seus adeptos não desistem do chamado sagrado.

Quando o dono da casa demora a se levantar, na intenção de cansar Pedro Tenório e os demais pedintes, eles cantam o seguinte: “Jesus quando andou no mundo/ Dizia a São Pedro assim/ Jesus quando andou no mundo/ Dizia a São Pedro assim/ Quem não quer pobre na porta/ Também não quereis a mim!”’. Ao relembrar as pregações de Jesus os penitentes colocam o proprietário sonolento em situação difícil, até que apareça e dê a esmola.

SAIBA MAIS

Medieval

Considerada uma manifestação religiosa inerente ao Dia de Finados e uma das mais importantes relacionadas à Semana Santa, a procissão de penitentes é uma tradição de origem medieval e ibérica. Trazida pelos conquistadores portugueses, o cortejo espalhou-se por diversos lugarejos do sertão nordestino.

Benditos

Normalmente, os devotos apresentam-se cantando antigos benditos, adaptados conforme costumes e linguajar locais. No entanto, estimulado pelas secas, epidemias e atrocidades que marcaram o final do século XIX, ou mesmo, por um intenso misticismo que atribuía toda desgraça às transgressões humanas, a auto-flagelação ganhou fôlego novo.

Extinção

Foi assim que a idéia de penitenciar o corpo para purificar a alma chegou até os místicos dos dias atuais. A prática religiosa, no entanto, tende a desaparecer, já que não há novos seguidores.

Mais informações:
Professores Eldinho Pereira da Silva e Miralva Gudes
Crato, (88) 3523.7347

ANTÔNIO VICELMO
Repórter

O QUE ELES PENSAM
Ritual lembra comovente peça teatral

Em meio aos sons de cânticos, chicotes e gemidos, eis que surge o sangue humano. Para os devotos, o sangue simboliza o martírio de Cristo em prol da salvação humana. O ritual de penitência lembra uma comovente peça de teatro ao ar livre. Mas logo se percebe que o fervor religioso evoca a mais rústica e tradicional das formas de religiosidade popular em nosso meio. Evoca as dificuldades de sobrevivência dos camponeses em uma sociedade injusta e complexa. O fenômeno é uma prova da resistência aos novos padrões culturais da sociedade moderna.

Eldinho Pereira da Silva
Historiador

Mesmo vistos por alguns membros da Igreja como o resultado de um “desvio da interpretação bíblica”, os penitentes do Cariri continuam firmes em sua árdua missão. Herdeiros de uma tradição que hoje o próprio clero desaprova, porque os sacrifícios diminuem o homem ao invés de valorizar a sua relação com Deus, eles se inserem no contexto da religiosidade popular enraizada na região. Atualmente, os padres já não levam mais ao pé da letra o livro do Apocalipse, escrito pelo apóstolo João e se preparam para uma nova evangelização e ardor missionário.

Miralva Guedes
Professora e pesquisadora

Fonte: Jornal Diário do Nordeste

Missão Resgate reúne 5 mil pessoas no Crato


RELIGIÃO

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Geraldo conquista as pessoas pela simplicidade. Sem nenhum anúncio, ele está em cima do palco, de guitarra em punho, cantando música sacra (Foto: Antônio Vicelmo)

O missionário Geraldo Correia Braga esclarece que o foco do encontro no Crato não é a cura dos doentes, mas a oração

Crato. Um fenômeno religioso vem acontecendo no Crato. Enquanto os padres reclamam da pouca freqüência dos fiéis nas missas dominicais, um jovem missionário da Missão Resgate, uma organização católica que nasceu dentro da Igreja, está enchendo a Quadra Bicentenário. De repente, cerca de cinco mil pessoas, a maioria jovem, ocupa todos os espaços da quadra esportiva. A solução para atender à demanda foi instalar um telão do lado de fora para auxiliar pessoas que estavam voltando para casa por falta de lugar.

A principal atração é o advogado Geraldo Correia Braga, 29 anos, casado, fundador da Missão Resgate, um grupo religioso que nasceu na capela da Casa de Caridade do Crato, com a finalidade de resgatar jovens entregues às drogas e ao alcoolismo. O grupo cresceu com a “força do Espírito Santo”. Esta é a explicação apresentada por Geraldo para justificar o crescimento de sua organização religiosa. Ele tem cara de padre, jeito de padre, mas não é padre. “Quero mostrar que mesmo casado, tenho condições de evangelizar”, diz.

Na conversa com o público, nenhuma cobrança. Nada de pecado. Até grupos evangélicos participam. “Essa experiência é renovada a cada dia por meio da oração e do estudo da Bíblia”, diz Geraldo, acrescentando que “a oração nos mantêm em contato íntimo com Cristo, que derrama sobre nós seu incomparável dom do Espírito”.

Ao contrário dos padres e pastores missionários das diversas religiões que usam o poder do marketing para atrair os fiéis, Geraldo conquista as pessoas pela simplicidade. Ele passa pelo meio da multidão, em direção ao palco instalado no meio da quadra, sem chamar a atenção. Sem nenhum anúncio, ele está em cima do palco, de guitarra em punho, cantando uma música sacra. A música é intercalada por uma oração de improviso. O Espírito Santo é invocado a todo instante.

A multidão entra em êxtase. De olhos fechados, mãos para cima, eles rezam com fervor. Alguns ficam imobilizados, parecendo haver perdido qualquer contato com o mundo exterior. A juíza, Maria Zilma Capibaribe, diz que é levada pelo Espírito Santo. Ela lembra que, há 10 anos, se curou de um tumor maligno. “Nascer do Espírito significa que o Espírito nos dá a chance de recomeçar. É mais do que uma mudança de comportamento. O Espírito nos transforma de dentro para fora, cumprindo a promessa: ´Darei a vocês um coração novo´”.

O missionário esclarece que o foco do encontro não é a cura dos doentes. Porém, toda semana são apresentados resultados de curas de pessoas que foram desenganadas pelos médicos. “Na verdade, o que a maioria das pessoas deseja é um espaço mais descontraído para rezar”, diz Geraldo, lembrando que “a religiosidade é um fator marcante em quase todos os povos do mundo”.

A explicação para o fenômeno é que o ser humano, mesmo depois da queda de Adão, tem saudade do Criador. Por mais que determinado grupo esteja distante da influência de outras sociedades, há, pelo menos, a consciência sobre manifestações sobrenaturais, mundo espiritual ou práticas religiosas.

“Quando você ouve a história da transformação de uma pessoa que deixa um estilo de vida imoral e se volta para Deus, tornando-se assim um cônjuge fiel e um pai provedor, lembre-se de que cada passo dado na direção dessa completa transformação veio como resultado da motivação do Espírito Santo”, prega Geraldo.

“A Missão Resgate preenche um espaço que a Igreja não conseguiu conquistar. Está falando uma linguagem nova, pelo Espírito Santo”, diz o padre Rocildo Lima. Destaca que a Igreja precisa descobrir novo caminho de evangelização.

FIQUE POR DENTRO
Como foi criada a Missão Resgate no Crato

Fundada há oito anos, a Missão Resgate tinha o objetivo inicial de prestar assistência a jovens drogados. Com o passar dos anos, o movimento cresceu. Hoje, cada um dos encontros realizados sempre na quarta-feira, na quadra Bicentenário, reúne mais de cinco mil pessoas. A direção conseguiu a doação de um terreno onde será construída sua sede. Este ano, foi erguida uma capela na Rua Pedro II, ao lado da casa-sede da Igreja.

Mais informações:
Organização Católica Missão Resgate
Rua Pedro II, Centro do município do Crato, Ceará
(88) 9208.8151

Antônio Vicelmo
Repórter.Fonte: Jornal Diário do Nordeste

Crato Ontem e Hoje... - Por Francisco P. Teles.

Crato, 08/11/2008

Caro Dihelson;

Sou Francisco P. Teles, pai de Samuel P. Teles, colaborador do seu blog. Como cratense de nascimento, amo o Crato e gosto muito das matérias escritas sobre o Crato da minha juventude. Por esta razão estou copiando logo abaixo um artigo muito bem escrito datado de 14/01/2003. Caso seja do seu interesse, pode repassar para seu blog.
Também sou seu leitor e admirador.

CRATO ontem e hoje

Crato das cadeiras nas calçadas e os vizinhos se confraternizando, se dialogando sobre assuntos do dia a dia. Dona Nininha Pereira, Dr. Tadeu e D. Zenilda, senhor João Lima e D. Zezinha, Zenir, Papai e Mamãe... Rua Nelson Alencar.
Crato das Praças bonitas e jardins repletos de rosas, “La França Amélia; Sangue de Cristo” e canteiros de “boa noite,”, sem nenhuma invasão pública. Crato da Praça Francisco Sá, do Cristo da Coluna da Hora, hora marcada por relógio de badalar afinado e pontual.
Crato da Estação Ferroviária, de familiares e amigos ansiosos a espera do bater do sino avisando que o trem já se aproximava. Crato dos chapeados carregando malas de pessoas que a pé, fagueiras e conversando, dirigiam-se para suas casas ou Crato Hotel. Crato, dos automóveis, na sua maioria pretos, fretados, conduzindo os mais abastados às sua residências. Crato, do jornaleiro, olha “O Correio e O Povo”, quem quer? quem quer comprar? Papai, assíduo comprador.
Crato, da festa de setembro da Padroeira N. S. da Penha, das quermesses, dos partidos azul e vermelho, do vai e vem das mocinhas cada dia vestindo sua roupa nova e a expectativa dos encontros escondidos com namorados e flertes dirigidos a rapazes sonhadores e românticos.
Crato, do Colégio Diocesano, seu internato e externato masculino. Padre Montenegro na direção do ensino, oferecendo aos estudantes locais e dos municípios circunvizinhos, um aprendizado de nível. Taí para provar os inúmeros nomes ilustres de homens que passaram por este setor educacional.
Crato, do Colégio Santa Teresa de Jesus, das madres Feitosa, Celina e irmã Alves, minha primeira professora de piano. Crato, das estudantes de saia vermelha e pregas, blusas branca e cambraia, mangas e meias longas, sentadas no patamar da igreja da Sé, ou namorando no beco da igreja, aguardando o iniciar das aulas e esquecendo as mesmas, correndo apressada para encontrar o portão aberto, controlado pela fiel Toinha.
Crato, do professor Arnaldo Salpeter, professor de piano, exímio músico que tocava e regia a orquestra que animava os bailes do Crato Tênis Clube para sua seleta sociedade e proporcionava concerto de piano, dos quais eu fazia parte.
Crato, do mês de junho frio, das festas juninas caracterizadas com carro de boi, como transporte, moças e rapazes vestidos a caráter, Guiomar minha prima, era uma graça na sua roupa e ensaiando um linguajar matuto.
Crato, da Praça Siqueira Campos, local de encontro diário, enfatizando os sábados e domingos, dos jovens, velhos e crianças e onde nasciam flertes, namoros e posteriores casamentos. Tinha ainda a retreta.
Crato, do Cine Cassino, seu primeiro cinema, Cine Moderno, os filmes românticos, seriados do Zorro e os filmes do Gordo e o Magro.
Crato, da sorveteria Glória, do meu avô Luiz Martins, onde saboreávamos um sorvete com frutas naturais e um cachorro quente, como nunca mais vi igual.
Crato, do “Circo Teatro Show”, dos palhaços de perna de pau, hoje tem palhaçada? tem sim senhor, respondia a galera.
Crato, do banho na “nascente”, local turístico da época, belo pela sua simplicidade e quando só a natureza era arquiteta.
Crato, do Lameiro, dos seus sítios, seus pés de manga-rosa e espada, de olhos dágua. Dona Zulmira e o Sr. Aderson Alencar, dos engenhos de rapadura, da garapa e do alfinim.
Crato, do Seminário, ficando no alto, suas inúmeras janelas, coberto por vegetação verde, de onde saiu tantos padres, padre Vieira e do mons. Rocha. Crato, católico e de tantas igrejas.
Crato, do Rotary Club, seus sócios, entre estes os srs. Candido Monteiro, Jéferson Albuquerque, Orestes, Alexandre Sauli Mourão, meu pai, um dos seus presidentes.
Crato, da Amplificadora Cratense, da crônica “Boa Noite para você”, como fundo musical contendo a música de Glen Miller, e lida pelo competente radialista Wilson Machado.
Crato, da Ave Maria às 18.00 h. do Natal à meia noite, com homenagem ao Deus Menino “Papai Noel”. O que é que você tem? E eu criança a espera de presente.
Crato, de D.Ceicinha, parteira experiente e querida, que através de suas mãos trouxe tantas crianças ao mundo, no Crato de ontem e que se transformaram no Crato de hoje, em gente culta, meus irmãos Ivens Roberto, engenheiro civil, Antonio Marcelo, médico, Mourão, economista, Alexandre, engenheiro mecânico e com ele tantos outros.
Crato, da minha saudade, de minha juventude, das colegas Maria Lucia, Jadey, Aracy, La Salete, Irismar, Ivone, Marfisa e Yta Aires, Arety do senhor Jorge Lucetti e D. Auxiliadora (lamentavelmente mortos), hoje tão sofrida pela incapacidade de sua família não compreender a gravidade e os delírios da esquizofrenia.
Crato, da rádio Araripe, seus programas, suas músicas escutadas – Trio Los Panchos, “Solamente uma vez, Nora Ney, Trio Iraquitan, Nelson Gonçalves, entre outros, os mambos e boleros, ritmos sensuais, e um convite a dançar de rosto e corpo colados”.
Crato, de hoje, moderno, de antena parabólica, da televisão, que contribuiu para o recuo das cadeiras nas calçadas.
Crato, do clube de Campo Grangeiro, sofisticado, construído ao pé da serra, com seus jardins, piscinas e bicas, carente de mais divulgação, pois nada tem a dever a outros pontos turísticos do país.
Crato, de clubes de campo SERRANO e ITAYTERA, também belos pela sua essência e a espera de promoção.
Crato, dos barzinhos, em vez das praças. Crato, das mocinhas vestindo “Jeans”, em substituição as roupas sofisticadas das outras décadas. Das anáguas.
Crato, repleto de carros, motos, ônibus, do avião, mas sem o trem, criminosamente desativado.
Crato, das ruas asfaltadas, que saudade do paralelepípedo, menos quente e mais resistente e eu de bicicleta, corpo esguio, cabelos longos ao vento, felicidade expressa no rosto.
Crato, tanto ontem como hoje, hospitaleira, amiga, culta. Pólo cultural, Crato da Universidade, dos escritores e poetas, do geólogo nato Hermógenes Martins, meu tio e hoje, nome de rua.
Crato, cidade tanto ontem como hoje, verde, linda, com a serra do Araripe, guardando e emoldurando as belezas nela contidas. Crato, de ontem da minha infância e principio de adolescência, quando vivi os momentos mais felizes da minha vida.
Crato, onde o riso fazia parte do meu ser e se lágrimas algumas vezes banharam minha face, foram de alegria ou por casinhos de amor.
Crato, que aprendi a amar desde a mais tenra idade e que até hoje, mesmo morando distante, trago-a presa à mente, em recordação do passado, e hoje, pelo progresso e fidelidade da lembrança.
Crato, quando vou até aí lhe piso, lhe cheiro, e meus olhos passeiam pelo seu corpo, formados pelas suas ruas, suas praças, seus recantos tão queridos e guardados dentro de mim.
Crato, que se transforma em amor quando a você retorno, encosto-me e no encontro lhe repasso um abraço, um cochicho, um balbuciar, com vontade de gritar para fazer ecoar por toda a planície que faz o Cariri um muito obrigado, por ter lhe conhecido. Vivido com você no aconchego e no chamego e ainda ter oportunidade de movida pela inspiração e veia poética, traçar um paralelo entre o Crato de ontem e Crato de hoje e cientificar para meus filhos e para mim, COMO AMO VOCÊ.

Maria Iara de Araújo Mourão
Assistente Social, funcionária pública.
Órgão: Secretaria de Saúde do Estado do Ceará
Fortaleza – Ce.