06 novembro 2008

Uma Rua chamada Saudade


“Marreco” contempla a rua modernosa com um mal disfarçado ar da mais tenra saudade. Ainda menino, no início dos dourados anos 50, açoitado pela seca, chegado do interior, encontrou na pequena viela seu mundo. Era apenas um pequeno quarteirão, imprensado entre a pomposa rua Mons Esmeraldo e a Almirante Alexandrino. Parecia até que uma autoridade eclesiástica e outra militar tentavam isolar a vielazinha do resto da cidade de Frei Carlos. Eram apenas 150 metros que se faziam, palmo a palmo, um templo aos deuses Baco e Dionísio. Cidade em plena emergência comercial e cultural, a partir da década de 40 , o início da Nélson Alencar começava numa fazendola de Pedro Felício, com currais para pecuária, ali nas proximidades da hoje Diretoria Estadual de Educação. Este pequeno trecho, tão grávido da história sentimental cratense, recebeu o batismo de todos seus súditos : Rua da Saudade! Pois a longa avenida dedicava seu primeiro quarteirão à boêmia, se estendendo até o Cemitério Municipal na outra extremidade. Vida e morte colocadas caprichosamente numa mesma reta, veredas de uma mesma travessia.
“Marreco” lembra ainda hoje como a vida palpitava naqueles velhos tempos. Quando a cidadezinha fechava suas portas e janelas à noite, a ruazinha travestia-se de Cinderela. Homens diurnos e sisudos esqueciam os livros de caixa e os balcões e se esbaldavam no álcool, na dança, nos prazeres da carne. Não carregavam consigo qualquer peso na consciência, o casamento mostrava-se, a maior parte das vezes, uma instituição burocrática, uma linha de montagem de filhos. O prazer era uma mercadoria exposta à venda nas prateleiras da ruazinha, igual às quinquilharias que negociavam durante o dia nos empórios e magazines. Periodicamente, o estoque de meninas se renovava e havia ampla divulgação no comércio local. Vindas de Fortaleza, Recife e da Bahia, traziam consigo o bouquet infalível da juventude. Ali também as moças perdidas, enxotadas de casa como animais, terminavam por se encontrar, por se estabelecerem na mais antiga de todas as profissões. Na esquina da Mons Esmeraldo, a rua começava, apoteoticamente, com o “Bar Tamandaré” de Geraldo Saldanha e no seu sobrado a mais famosa boate do Cariri, a de “Glorinha”. A partir daí as boates apinhavam todo quarteirão com nomes mais que famosos: a de Luiz Bitu, a de Antero, , a de Maria Augusta & Zé Alves, a de Dionísio Carcundinha, a de Expedito Sá, a de Pedro do Lameiro, a de Maria Alice, uma das mais formosas mulheres que já pisaram o solo caririense. Sem falar na de Odilon, pai de Expedito Magro, este que depois assumiu o nome artístico de Célio Silva e acabou se tornando um dos nossos maiores seresteiros. A Saudade tinha divertimento para tudo quanto era orçamento: os abastados procuravam as casas mais sofisticadas e os estudantes e o Zé povinho se aboletavam na chamada “Farinhada”. Bares especializavam-se ainda na jogatina e a mãe do grande Zé dos Prazeres , um dos nossos músicos mais famosos, vendia, pela manhã, na calçada, uma cabeça de porco com macaxeira para recobrar as forças desgastadas nas libações noturnas.
O tempo escoou-se no incessante tic-tac do relógio da Praça Francisco Sá. O Crato mudou, os costumes metamoforsearam-se. A cidade cresceu e, de repente, a ruazinha se tornou central . O que se fazia às escondidas começou a ter muitas testemunhas e, a cidade, terminou por engolir a ruazinha. Por outro lado a liberdade sexual das novas gerações tornou obsoleta a antiga atividade: o Bordel foi substituído pelo Motel.
“Marreco” conclui que no início dos anos 60, a juíza de Crato Auri Moura Costa fez um ultimato : em 24 horas a rua deveria ser evacuada. Claro que a exeqüibilidade de uma medida tão radical e abrupta seria muito difícil. A mais antiga das profissões tinha uma bagagem guerreira invejável. A partir daí, no entanto, a Rua da Saudade foi paulatinamente se esvaziando. As boates se foram transferindo para outra periferia, agora acima da Estação Ferroviária, que se passou a chamar de “Gesso”. Continuaram, no entanto, alguns estabelecimentos dedicados ao mesmo mister, até a semana passada, quando, definitivamente fechou a última boate da ruazinha, agora , adaptada aos novos tempos, dedicando-se, mais à venda de drogas baratas. Tomada por pequenas lojas comerciais a viela, no entanto, ainda mantém um certo ar retrô , um clima perceptivelmente urderground.
Havia um certo estigma premonitório no nome da ruazinha, lê-se nos olhos baços de “Marreco”. Templo de boêmios , de bêbados, de putas e poetas, conheceu mais que ninguém a alma desta cidade. Conviveu com suas pulsões mais profundas, com aquela argamassa de ambições, desejos, frustrações, desigualdades que cimenta todas nossas relações humanas. Assistiu a toda uma geração de cratenses desnudos de todos véus das convenções sociais. Fragilidades, fraquezas, perversões, defeitos expostos como uma carniça fervilhante. A extremidade que celebrava a vida esmaeceu pouco a pouco e a outra que apontava para a morte começou a ficar cada dia mais brilhante. Hoje, mais do que nunca, ela merece o nome de Rua da Saudade.

J. Flávio Vieira


Oficina no Cariri orientará sobre Edital de Ponto de Cultura 2008



Com o objetivo de esclarecer sobre o preenchimento dos formulários do Edital do Ponto de Cultura edição 2008 promovido pela Secretaria Estadual da Cultura e Ministério da Cultura será realizada uma oficina nesta sexta-feira, dia 07, das 8h30 às 11 horas, na Universidade Regional do Cariri – URCA. A oficina é destinada aos dirigentes de organizações de caráter social e cultural. As instituições selecionadas para serem Ponto de Cultura poderão recebem repasse financeiro de até R$ 180.000,00 num período de três anos. A Oficina é resultado da parceria da Secult com a Pró-Reitoria de Extensão da URCA.

Serviço:
Oficina de Preenchimento de Formulários do Edital Ponto de Cultura 2008 MinC e Secult
Dia: 07/11/2008
Horário: 8h30 às 11h00
Local: Sala do Curso de Pedagogia – Campus Pimenta
Proex: (88)3102-1200

Projeto Leituras Negras discute influência africana na cultura Brasileira




Nesta terça-feira, dia 11 de novembro, no Salão de Atos URCA e na Praça dos Quatro Bancos.


A influência do povo africano na cultura brasileira, a partir da música, da dança e da religiosidade será a temática do Projeto Leituras Negras que realizará no dia 11, uma extensa programação. As atividades serão realizadas no Salão de Atos da URCA no período da manhã e tarde e pela noite na Praça dos Quatro Bancos no Bairro Seminário (Crato) terá apresentação do grupo de dança afro Afoxé Oba Orun. O bairro Seminário foi escolhido para apresentação por reunir diversos terreiros da religião de Matriz Africana. O evento é aberto ao público e tem o como foco contribuir para a formação dos militantes negros e dos professores do Ensino Básico, tendo em vista a Lei 11. 645, que inclui no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”.
O evento contará com palestra do sobre “ A religiosidade de matriz africana”, tendo como palestrante Leno Farias – Ogan Alabê Axé Olóioba, diretor da União Nacional pela Igualdade Racial – Unegro e mestre do batuque do maracatu Vozes da África e a palestra A influência africana na musicalidade brasileira, palestrante Jean Alex – músico, integrante do maracatu Sol na Macambira, graduando em Pedagogia e pesquisador da musicalidade africana.
Os alunos e professores da Escola Profissionalizante Virgilio Távora (Instituição de Ensino de Tempo Integral - Crato) fará um relato da experiência do projeto que vem sendo desenvolvido na Escola sobre a questão racial.
Já o Afoxé Oba Orun, é um grupo que além de se reunir para fazer a dança profana dos orixás, eles fazem um estudo sobre as religiões de matriz africana, Umbanda e Candomblé especificamente.
O projeto Leituras Negras é desenvolvido pelo Instituto Ecológico e Cultural Martins Filho –IEC, vinculado a Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Regional do Cariri – URCA em conjunto com o movimento Negro, como é o caso da União Pela Igualdade Racial – Unegro, Grupo de Valorização Negra do Cariri – Grunec e a 18ª. Crede.



Programação:

Dia: 11 de novembro ( terça-feira)

Manhã
Relato de experiência da Escola de Ensino Profissionalizante Gov. Virgilio Távora
Palestra: A religiosidade de matriz africana
Palestrante: Leno Farias – Ogan Alabê Axé Olóioba, diretor de União Nacional pela Igualdade Racial – Unegro e mestre do batuque do maracatu Vozes da África
Local: Salão de Atos – URCA

Tarde
Palestra: A influência africana na musicalidade brasileira
Palestrante: Jean Alex – músico, integrante do maracatu Sol na Macambira, graduando em Pedagogia e pesquisador da musicalidade africana.

Noite
Apresentação Afoxé Oba Orun
Local: Praça dos Quatro Bancos
Bairro: Seminário Crato

Serviço:
Projeto Leituras Negras
Instituto Ecológico e Cultural Martins Filho – IEC/Proex/URCA
(88) 3102-1212 ramal 2424






Poema saudade


Um dia a maioria de nós irá se separar. Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que compartilhamos. Saudades até dos momentos de lágrimas, da angústia, das
vésperas de finais de semana, de finais de ano. Enfim... Do companheirismo
vivido.

Podemos nos telefonar, conversar algumas bobagens... Passarão dias, meses, anos... Até este contato tornar-se cada vez mais raro.
Vamos nos perder no tempo...

Um dia nossos filhos verão aquelas fotografias e perguntarão:
Quem são aquelas pessoas? Diremos que eram nossos amigos. E isso vai doer tanto... A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar uma vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente...

Quando o nosso grupo estiver incompleto... Nos reuniremos para um
último adeus de um amigo. Entre lágrimas, nos abraçaremos. Faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante.

Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vida isolada do passado. E nos perderemos no tempo mais uma vez. Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixe que a vida passe em branco e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades...

“Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos”

Vinícius de Moraes

Convocação para Zé Flávio, Marcos Leonel e Zé Nilton Figueiredo

Olá, Amigos,

Estou convocando vocês para ficarem preparados para fazermos uma pequenina gravação de uma frase para ir para o meu CD, pode ser ?

Só que estou com um problema que aconteceu ontem aqui no HD do computador do estúdio, e por sorte não afetou o material já gravado, eu tinha backups. Só que já virei 2 noites tentando salvar esse HD e ainda deve levar mais uns 2 dias para voltar tudo ao normal, pois provavelmente eu terei de trocar de HD. Então vou contactar vocês: José Flávio, Marcos Leonel e José Nilton para falarem aqui uma frase cada um, de no máximo uns 10 a 15 segundos, para eu colocar no CD.

Vão pensando aí sobre o que vcs desejam deixar registrado em 15 segundos da sua vida, rs rs

Sinceros Abraços,

Dihelson Mendonça

O vôo


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Faz doze minutos que estamos no ar. A previsão é de quarenta minutos de vôo até a primeira escala. Aqui em cima, sem o trânsito e o engarrafamento louco das ruas apertadas das metrópoles, acho que chegaremos sem atraso! Dúvidas, medo, angústia, observações – ainda estou na poltrona de referência 7C... Resolvo escrever. Agora sim! Poltrona 7A – janela. A aeromoça acaba de passar coçando a orelha. Nunca tinha visto uma aeromoça num momento tão íntimo. Afinal, não é todos os dias que esbarramos com uma aeromoça, ainda mais coçando a orelha! Acompanho-a até a cabine do piloto pra não perder nenhum detalhe dessa cena inusitada.

As luzes internas da aeronave estão apagadas. Tateando as linhas da minha agenda, sem a noção exata do que escrevo, sinto as palavras fluírem sem que as veja claramente. Acendo a luz interna localizada junto ao teto, mas as leis da Física me fazem fechá-la. Prefiro a beleza escura lá fora, com lépidos espasmos de luz, aos caprichos visuais de ver aquilo que escrevo. Far-me-ei cego por instantes para que brilhem de mim, nessa bela noite de lua minguante, as impressões deste noviço viajante.

Lá fora, nuvens aparentemente brancas, outras acinzentadas, formam um imenso tapete que se confunde ora com copas cinzentas de árvores seculares ora com fumaças gigantescas de um incêndio dantesco. Tudo gera frenesi. O dualismo entre a visão do mar de nuvens e a verossimilhança com o pavor de imensas fumaças, excitam-me. Tenho ímpetos de caminhar sobre esse mar aéreo, mas também sou um homem de pouca fé! A sensação de voar por sobre as nuvens dá um ar de grandeza. Sinto-me um deus, um Ícaro moderno, que não cai, talvez em função de ser noite.

Estamos sobrevoando entre dois imensos mundos: um que, acima de nós, talvez seja a morada de um Deus onisciente, onipresente e justo; abaixo, um mundo de deuses fúteis venerados por seguidores perdidos na própria ignorância. Somos tão pequeninos aqui dentro. As pessoas estão silenciosas. Algumas aflitas, quem sabe. O que se passa na mente de cada um dos tripulantes? Será que todos se sentem pequenos aqui?

Sobrevoamos pequenos focos de luz que se destacam como ilhas no imenso breu da madrugada sombria que avança. Há sucessões desses pequenos blocos de luz, formando arenas de um grande circo, de verdadeiros picadeiros de shows da vida humana, pois de onde estou, apenas imagino o palco de cada um deles. Imaginar que de onde parte essa luz há tanta dor, tanta desigualdade e tanta gente miserável causa arrepios! Tanta beleza há nessa macrovisão das grandes cidades. Quanta dor há, entretanto, no caos da microscopia caótica da celeuma social.

Outro bloco de nuvens. Agora, nada mais vejo além da turbina que me encara estática, bem do meu lado esquerdo... Essa luz vermelha piscando! O piloto manobra a aeronave e uma imensa área, de luzes brancas e alaranjadas surge... Sobrevoamos agora, nessa viagem silenciosa e reflexiva, um outro circo onde, certamente, outras histórias de vida, noutros palcos, coexistem nesse imenso teatro universal da vida humana.

Novamente me vem a idéia de grandeza. Não aquela noção puramente matemática de como as coisas são mensuradas em função de um referencial, mas algo muito além disso. Uma noção de sentir-se frágil, talvez impotente, diante de algumas situações da vida: da miséria, da desigualdade social, da ingerência pública, da inversão dos valores morais. Acho que nem todos os passageiros estão aflitos aqui em cima. Talvez a rotina de vôos endureça o coração dos homens e esses momentos de introspecção deixam de existir com o tempo.

Parece que aterrissaremos. É, estamos descendo, sim. Engraçado. Ainda não ouvi o fraseado que me persegue sempre que penso em voar. Até agora não ouvi nada de “senhoras e senhores, apertem os cintos...” Devem ter olvidado esse aspecto histórico tão importante da aviação brasileira. Deixe-me mudar de poltrona. Sentei-me junto à janela porque o lugar estava vazio, mas preciso retornar ao meu lugar de origem antes que a aeromoça que coça a orelha volte! Sei que não levarei uma bronca por isso, mas receio sorrir pra ela e ser tachado de passageiro impertinente no exato instante da aterrissagem.

Nijair Araújo Pinto

Do meu livro ‘Crônicas e mais um conto.’

Futebol: Por Amilton Silva - Atualização


Fluminense vence partida adiada

O Fluminense venceu na noite de ontem (05), no estádio Orlando Scarpelli em Santa Catarina, a equipe do Figueirense. A partida que havia sido iniciada na quinta feira da semana passada, foi adiada em virtude de falta de energia elétrica aos 15 minutos do primeiro tempo, quando o Flu vencia por 1 X 0, gol marcado pelo meio campo Arouca.Diante de muita chuva , a partida foi reiniciada aos 15 minutos, pernancendo o placar até o final do jogo, com o resultado o tricolor das larangeiras saiu da zona de rebaixamento, e ocupa agora a 14 ª posição na classificação geral.O próximo adversário do Fluminense será o Cruzeiro no mineirão.

Copa Sul Americana
Envolvido numa grande crise financeira o Botafogo empatou na noite de ontem (05), no engenhão , em 2 X 2 com o Estudiantes da Argentina e ficou eliminado da próxima fase da competição.O fogão que perdeu o campeonato carioca , foi eliminado da Copa do Brasil e está distante de uma vaga para a libertadores, tem como unico consolo conseguir uma vaga para próxima edição da Sul Americana.O lance curioso da partida aconteceu quando o zagueiro André Luiz após fazer o gol de empate, mostrou cartão amarelo para o juiz e foi eliminado da partida. Dando prioridade ao campeonato Brasileiro, o Palmeiras foi a Argentina com um time misto e foi eliminado da Sul Americana,ao perder por 2 X 0 para o Argentinos Jrs.Na primeira partida jogando em casa houve outra derrota por 1 X 0. Agora o objetivo do Verdão será o título do Brasileirão de 2008. Única equipe representante do Brasil na Sul Americana, o Internacional joga hoje contra o maior papão de títulos internacionais na América do Sul, o Boca Juniors, em Bueno Aires. O Internacional venceu a primeira partida no Beira Rio por 2 X 0 , e leva uma grande vantagem para se classificar.

Por: Amilton Silva - Editor de Esportes do Blog do crato
Foto: Fonte: UOL.

Seca deixa 423 cidades em situação de emergência no Nordeste

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A seca já fez com que 423 municípios decretassem situação de emergência no Nordeste. Sete Estados da região foram atingidos pelo fenômeno. O Ceará possui o maior número de cidades em situação emergencial: 138. Em seguida vem a Bahia, com 122. O governo cearense distribuiu cerca de 300 toneladas de alimentos nos municípios atingidos pela estiagem. No semi-árido baiano houve perda total da lavoura de milho. Em Itabuna, uma das dez maiores cidades do Estado, há racionamento de água em alguns bairros. O governo e as prefeituras das cidades envolvidas pela seca têm distribuído água em carros-pipa para minimizar os efeitos da estiagem. No Piauí, 59 cidades estão em situação de emergência. Cerca de 60 carros-pipa foram contratados pelo governo do Estado. Em torno de 28 mil cestas básicas devem ser encaminhadas às regiões mais atingidas. O número de municípios com decreto emergencial em razão da seca em Pernambuco é de 38. Destes, 27 estão no sertão e 11 no agreste do Estado. O coordenador da Codecipe (Coordenadoria de Defesa Civil do Estado), major Ivan Ramos, disse que em algumas regiões não chove há mais de sete meses, mas que se trata de uma situação típica no semi-árido.

Na Paraíba, 41 municípios, estão em situação de emergência. Em Alagoas o número chega a 17, e em Sergipe, oito. O Ministério da Integração Nacional liberou, anteontem, R$ 15 milhões para a Operação Pipa. O valor é destinado à continuidade do programa de distribuição de água por intermédio de carros-pipa em municípios atingidos pela seca. Com a verba, 250 municípios nos Estados da BA, CE, PB, PE, PI, RN, SE, TO e MG serão atendidos. Neste ano o o governo federal reconheceu 364 decretos de situação de emergência em razão da seca. O decreto municipal de estado de emergência precisa seguir regras fixadas pela União, para que os municípios tenham acesso a recursos. A partir do reconhecimento do decreto de emergência pela Sedec (Secretaria Nacional de Defesa Civil) os municípios estão aptos a receber ajuda extra do governo federal.

JOSÉ EDUARDO RONDON,
LUIZ FRANCISCO e
RENATA BAPTISTA, da Agência Folha
Foto:
faztudodenovo.blogspot.com

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Para quem estiver em Fortaleza não deve perder! OSESP se Apresenta !


MÚSICA

Osesp no parque

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Neschling regeu a Osesp no palco do Theatro José de Alencar, em 2004, na passagem mais recente por Fortaleza: expectativa de novos concertos concorridos (Foto: Thiago Gaspar)

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Orquestra na estrada: a Osesp troca a Sala São Paulo por igrejas, teatros e parques Brasil afora

A Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo retorna a Fortaleza, para duas apresentações. A primeira este domingo, no Parque do Cocó. Na segunda-feira é a vez do TJA

A mais prestigiosa orquestra brasileira, em um concerto ao ar livre na capital cearense. Definitivamente o fortalezense ganha um bom motivo para agregar um programa diferenciado a este domingo: ouvir a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, alforriando a música erudita de seu confinamento às salas e teatros. O Parque do Cocó será palco para a interpretação de obras reconhecidas pelo grande público, por parte da orquestra cuja história conta com a decisiva colaboração do maestro cearense Eleazar de Carvalho.

A Osesp chega a Fortaleza também para uma apresentação, com um programa diferente, na noite de segunda-feira, no Theatro José de Alencar, palco onde foi aplaudida na última passagem por aqui, em dezembro de 2004. Noite de trânsito paralisado, ingressos esgotados e cadeiras extra, dado o interesse despertado pelo concerto. Naquela ocasião, o regente titular e diretor artístico da orquestra, John Neschling, comentava a turnê nacional da formação comparando-a à correria e ao frissom geralmente causados por bandas de rock. Desta vez, a turnê está no começo - com apresentações na Bahia, em Sergipe, Paraíba e Pernambuco, antes da capital cearense.

´A gente começou agora, né? Da outra vez, a gente começou em Brasília, fez Goiânia, Manaus... Até chegar em Fortaleza já tínhamos passado por vários lugares´, recorda Neschling, contrariando o próprio estereótipo ao se mostrar bem-humorado no diálogo com o Caderno 3 por telefone, desde as proximidades de Aracaju. ´E também não sei se porque da última vez a gente viajou junto com o Capital Inicial (risos)... Todo lugar que a gente ia, eles estavam também´.

O início da turnê 2008 é visto de forma alvissareira pelo maestro, que se tornou célebre pela reestruturação da Osesp, dando novo fôlego financeiro e político à orquestra a partir de 1997. Mas também dividindo opiniões - por exemplo, sobre a fama de ´linha dura´, o diálogo com os tucanos paulistas e os R$100 mil mensais de salários, pautas de recorrentes matérias e comentários. ´Agora, tocamos em Salvador três vezes, numa igreja, no Teatro Castro Alves e na Concha Acústica. E sempre cheio! Acho que estamos cumprindo com a nossa missão´, avalia, estendendo o olhar positivo ao atual momento da orquestra, em cujo comando permanece até 2010. ´A Osesp tá avançando sempre. Cada vez mais estabelecida, com mais assinantes, mais concertos, mais qualidade, mais projetos...´.

A atitude positiva não diminui nem com os ventos da propalada crise financeira internacional - os quais, ao menos por enquanto, não afetam o navegar da Osesp, afirma Neschling. ´A crise não nos atingiu ainda. Temos um contrato de gestão, e o que é necessário é que a Fundação Osesp renegocie esse contrato a partir de 2010. Mas não acho que é a Osesp que vai fazer diferença no Estado´, ameniza o regente. ´Às vezes o dólar sobe muito, e uma parte substancial do nosso orçamento depende do dólar. Espero que o Conselho consiga negociar bem´.

Sobre o financiamento da estrutura necessária a uma orquestra sinfônica - incluindo a contratação de músicos e a manutenção de um espaço próprio, como a Sala São Paulo -, o maestro reconhece que, apesar da crescente participação da iniciativa privada, a presença do Poder Público ainda é essencial. ´A participação privada jamais cobrirá todos os gastos da orquestra, ainda mais se ela se dispuser a fazer o trabalho que a Osesp faz´, destaca, sobre o grupo cujo orçamento anual supera os R$ 55 milhões. ´Em São Paulo temos tido um apoio muito grande da população e da iniciativa privada, pela qualidade da orquestra. A gente espera poder diminuir a participação do Estado e conseguir que a participação privada aumente. Mas nunca será uma orquestra privada´.

Desafino, mesmo, só quando o tema é o confronto com o ex-regente adjunto da Osesp, Roberto Minczuk, que, após supostas divergências sobre participações em outras orquestras e eventos, passou de braço direito a desafeto de Neschling. A secura das poucas palavras do maestro parece dizer muito: ´Eu nem lembro mais desse episódio´.

Ao ar livre

O repertório do concerto de domingo, no Parque do Cocó, deverá incluir obras conhecidas também pelo público nem sempre atento à música erudita. Entre obras de autores como Wagner, Tchaikovsky, Glinka, Verdi e Bruch, trechos de ´O Guarani´, de Carlos Gomes, e o famoso ´Bolero´ de Ravel devem fazer parte da apresentação, embora o programa não esteja de todo definido, como Neschling faz questão de ressaltar.

´Na verdade, não tá certo ainda. O programa dos concertos ao ar livre muda de dia pra dia, dependendo do que a orquestra toca. Temos ainda um concerto ao ar livre em João Pessoa antes, e vamos ver qual vai ser o programa´, deixa em aberto. ´Mas as apresentações como essa, ao ar livre, são sempre com um repertório um pouco mais acessível, sempre com obras mais populares, privilegiando o público´.

Lembrado de que, na turnê de 2004, o público de Fortaleza não pôde assistir à aclamada interpretação da Osesp para uma das obras de Gustav Mahler, então presente no programa executado em outras capitais, o maestro faz questão de justificar. ´O palco do Theatro José de Alencar é menor. Então vamos fazer o Brahms (a Sinfonia Nº1 em dó menor, Op. 68). O que não quer dizer nada, porque Brahms é tão bom quanto´.

Sobre outras obras a serem executadas em Fortaleza, Neschling destaca ainda ´Encantamento´ - ´Uma peça belíssima de Camargo Guarnieri, que estamos fazendo na abertura do concerto do Theatro José de Alencar´ - e ´O Guarani´ - ´Uma obra muito representativa, que é quase como o Hino Nacional. Não há uma razão especial, mas tocamos muitas vezes´.

Reportagem de Dalwton Moura
Jornal Diário do Nordeste