03 novembro 2008

O Crato de Frei Carlos - Aglézio de Brito

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No século XVIII, nos idos do ano de 1740, chegava a esta Região do Cariri, nas terras onde hoje está localizado o Município do Crato, um frade capuchinho, da ordem de São Francisco, chamado Frei Carlos Maria de Ferrara. De Nacionalidade Italiana, a Frei Carlos foi dada a incumbência de aqui dirigir um aldeamento indígena catequético da tribo dos Cariús, o qual ficou conhecido por Missão do Miranda.

A sede do aldeamento, no começo, funcionou na localidade onde hoje é o Bairro Pinto Madeira. Posteriormente foi transferido para o local onde atualmente é a Praça da Sé. O grande desafio de Frei Carlos, além do ensino da religião, da alfabetização e da orientação para o trabalho produtivo, era a aproximação pacífica do silvícola com o homem branco os quais, àquela época, já habitavam a região. Nesse trabalho catequético, aos poucos foram chegando ao Aldeamento os primeiros homens brancos, advindos da Bahia, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Paraíba, Sergipe, tendo-se notícia do Capitão Antônio Pinheiro Lobo e Mendonça, casado com Joana Bezerra de Menezes; Cel. Silvestre Ribeiro da Silva, Alferes Simão Cabral Melo; Cap. João Carneiro de Morais; etc, que, juntamente com os silvícolas, deram origem à sociedade Cratense.

O aldeamento se desenvolveu a tal ponto que, por determinação do Governo de Portugal, na pessoa do ouvidor, Vitorino Pinto Barbosa, no ano de 1764, precisamente no dia 21 de junho, foi elevado à categoria de vila. A essa vila foi dado o nome de Crato, o mesmo nome de uma cidade de Portugal, também por determinação da coroa portuguesa, que admoestava os seus súditos no Brasil/Colônia no sentido de darem às localidades brasileiras nomes de cidades portuguesas. O Crato de Frei Carlos nasceu assim.

Por: AGLÉZIO DE BRITO Advogado.
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Finados... - José Flávio Vieira


Hoje, Finados... Dia de reverenciar nossos muitos mortos – não só os antepassados, mas os muitos mortos que existem em cada um de nós e que foram tombando, ao longo da vida, nos jardins das emoções, nas ante-salas das ilusões, nos vestíbulos dos desenganos... Mortos que se foram sepultando nos nossos cemitérios interiores, no passar dos momentos, no embrutecimento paulatino que nos vai causando a vida, na perda da sensibilidade e da beleza do simples... Por isso hoje, é, em verdade, o dia de todos nós, o dia desta pessoa avessa, estranha, alheia à verdadeira beleza íntima das coisas, desta árvore que o tempo aos poucos foi dilacerando o miolo e engrossando a casca, deste bicho que perdeu a capacidade de sentir e de chorar, deste robô em que o cotidiano nos transformou.
A morte inicia-se no nascimento, no primeiro vagido do bebê ao contemplar a luz e, a partir daí, é um não parar de morrer, um pouco a cada instante, um tanto a cada hora e o tic-tac do relógio é como se fora o destino a mastigar e deglutir a nossa vida... Quando, um belo dia, a indesejada das gentes - como a denominava Bandeira – bate à nossa porta, vem, pobre dela, carregar um corpo já sugado de emoções, vazio de vida, oco de sensações... Um corpo inerte, no máximo preenchido de uma substância amorfa que os Homens convencionaram chamar de amor...
Assim, hoje, piedosamente, acende uma vela para a Felicidade que um dia certamente existiu em ti, sem que tu nunca a conhecesses por esse nome e que foi pouco a pouco ficando nas margens do caminho... Ora pelo amor que um dia já te invadiu a alma, sem te pedir licença, sem se autodenominar amor, sem convenções, com credo e religião próprios e que se foi dilacerando aos poucos, quando os Homens resolveram por pôr-lhe limites, por estabelecer-lhe fronteiras, por dar-lhe ética, moral e definições...Reza pelo cadáver da sensibilidade que um dia teve tanta vida em ti, que te deu rumo aos passos e que te dava olhos para ver o mundo e as pessoas sob um ângulo mais verdadeiro, esta que foi morrendo aos poucos nos embates do dia-a-dia, na competitividade que a sociedade criou e que viste sepultada no dia em que te faltaram lágrimas nos olhos ao ver uma criança faminta... Leva uma flor ao túmulo do Menino que um dia habitou em ti, aquele para quem a vida era uma dádiva, para quem ser feliz estava apenas no abrir os olhos e sentir; o Menino que tinha medo do papa-figo, do bicho-papão e que os sentia próximos na vida-morte que já desabrochava...
Finados... Hoje, também é teu Dia, reza por ti...

J. Flávio Vieira

PS- Para Tereza Abath que tanto celebra a vida.

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A fusão do Itaú e do Unibanco


Depois de quinze meses de negociação sigilosa, o Itaú e o Unibanco estão se unindo para formar o maior banco privado do país - e um dos vinte maiores do mundo - com um patrimônio líquido de 51 bilhões de reais. Agora a nova instituição passar a chamar-se Itaú Unibanco Holding e terá um conselho de administração composto de 14 integrantes - seis deles indicados pelo Itaú e pela família Moreira Salles.
O presidente do conselho será Pedro Moreira Salles e o presidente executivo Roberto Setúbal. O contrato da fusão foi assinado hoje. Depois de quatro décadas, o Bradesco deixa de ser o maior banco privado brasileiro. Pelo tamanho que se tornou o gigante Itaú Unibanco, não há banco em vista para o Bradesco comprar para voltar a ser o número 1. Entre os dez maiores bancos brasileiros, além dos estatais CEF e Banco do Brasil, estão os estrangeiros HSBC e Santander - quatro possibilidades que já se pode descartar previamente.

Crato terá em breve agência do Itaú Unibanco Holding

Prosseguem, em ritmo acelerado, as obras de remodelação de prédio na Rua Senador Pompeu – quase em frente à Praça Siqueira Campos – onde será instalada, até o final do ano, a filial de Crato do Itaú Unibanco Holding. Do alto dos seus 41,3 bilhões de dólares, o Itaú/Unibanco passa a ser o quarto maior grupo em valor de marcado da América Latina. Fica atrás somente da Petrobras (109 bilhões de dólares), Vale (68 bilhões de dólares) e a mexicana America Movil (54 bilhões de dólares). Tomou a posição que era do Bradesco, segundo dados da Economatica.

Crônicas do Sitio Rosto e Adjacências



Dia de Finados


O Bruxo do Sítio Rosto


O ano era 1968, e eu não entendia muita coisa do que se passava na política do país. Tanta era a propaganda governamental que acabei achando que era assim mesmo: “ninguém segura este país”, “Brasil, ame-o ou deixe-o”, “esse é um país que vai pra frente”. Aliás, fui o orador da turma que se diplomava no ginasial, no Ginásio Pedro Felício Cavalcanti, que naquele tempo era pago. Só pude cursá-lo graças a um dos maiores beneméritos do Crato e do Ceará, o grande Dr. Humberto Macário de Brito que, num laivo de crença e entusiasmo,após uma cruciante sabatina, me concedeu uma bolsa de estudo para quatro anos, tempo de integralização do curso ginasial. Hoje e sempre não terei dúvidas de que o Dr. Humberto foi seguramente um dos responsáveis pela minha formação acadêmica.
Pois bem, ainda hoje, o meu eterno prof. Eli Menezes, lembra com aguçada gozação, daquele meu arroubo juvenil, ao proclamar para um auditório lotado de muitas autoridades, logo na abertura da minha peroração, a frase que lida hoje, representa a mais digna empulhação do regime militar: Ninguém segura este país !
Minha alienação era confrontada pelo viés político e bem dosado do eminente prof. Felix, uma sumidade no Português, na Literatura, nas artes, principalmente na música e nos jograis. Nesta mesma noite da colação de grau, ele dirigiu um jogral cuja peça havia sido censurada internamente. O autor da peça, ou da poesia era Manuel Bandeira, e a poesia era “O Bicho”, do livro Belo Belo, do príncipe dos poetas brasileiros.
- Não, essa temática é muito forte, não pode ser dita por enquanto...”- cautelosamente prevenia a minha querida diretora, a elegante profa. Elsa Ramos.
O prof. Felix, então, nos levou uma outra peça para ser recitada pelo jogral. De sua criatividade, ele nos fez recitar de um a cem, onde cada membro do jogral encenava num palavreado ora “a basso”, ora “alegro”, ora “alegro ma non tropo”, ora “vivace” cada seqüência de cinco números. Exemplo:
Eu começava: um, dois, três, quatro, cinco, dando um tom a esta seqüência. Em seguida, uma colega falava: seis, sete, oito, nove, dez, já com outro movimento e entonação. E assim por diante... Assim fomos recitando números até completar o número cem. Fomos aplaudidos de pé ! Gênio, nosso professor, o barbalhense Edmilson Felix.
Mas estou contando tudo isto como que para amenizar o sofrimento de falar dos mortos, de finados. Aliás, esta palavra finado é incrível. Vocês já pararam para pensar no seu campo semântico ? Esta é uma outra história que gostaria de um dia palestrar sobre.
Mas, Manuel Bandeira, o grande vate pernambucano, desconstrói um pouco do que esta comemoração pontificou na nossa memória cultural, e aí é onde eu enfio na sua cachola o meu pé atrás com a palavra “finados”. Leiam só que ele disse no seu consagrado livro Libertinagem:

Poema de finados

Amanhã que é dia dos mortos
Vai ao cemitério. Vai
E procura entre as sepulturas
A sepultura de meu pai.

Leva três rosas bem bonitas.
Ajoelha e reza uma oração.
Não pelo pai, mas pelo filho:
O filho tem mais precisão.

O que resta de mim na vida
É a amargura do que sofri.
Pois nada quero, nada espero.
E em verdade estou morto ali.

(O Bruxo do Sítio Rosto)

Farias Brito - Ensino municipal será prioridade

Farias Brito

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Praça da Matriz, do município de Farias Brito, distante 481,1km de Fortaleza. Cidade terá nova gestão para incentivar o desenvolvimento (Foto: MANOEL LIMA (06/05/2007))

Novo gestor, Dr. Vandervelder, pretende enfocar sua administração ao promover melhorias na educação

Farias Brito. Município da região do Cariri com nome de filósofo, Farias Brito entrará o ano de 2009 tendo como principal desafio melhorar a qualidade da educação pública oferecida aos cerca de sete mil alunos da rede municipal. É o que afirma o prefeito eleito José Vandervelder Freitas Francelino, vencedor do último pleito com 65% dos votos. Para cumprir esta meta, o médico Dr. Vandervelder, como é conhecido, pretende construir novas escolas nos distritos e incrementar a infra-estrutura daquelas já existentes.

Segundo o prefeito eleito, a administração de Farias Brito será facilitada por uma estrutura construída ao longo dos 12 últimos anos, quando o próprio Dr. Vandervelder foi eleito por duas vezes e depois fez o sucessor, o atual prefeito José Maria Gomes. Ele exemplifica esse projeto com a saúde pública, que conta com nove equipes do Programa Saúde da Família (PSF), um hospital na sede e postos de saúde nos distritos. “Pela população de Farias Brito, seriam necessárias seis equipes, mas contamos com nove. Comparado com municípios do mesmo porte que o nosso, a nossa saúde é uma das melhores”, afirma.

A criação de empregos e geração de renda, principalmente para os mais jovens, é outra das preocupações do próximo prefeito. Para ele, um dos principais problemas identificados foi a falta de oportunidades no próprio município para os jovens que saem da escola. Dr. Vandevelder afirma que vai investir na educação profissionalizante para atender esta demanda. “Vamos fomentar também o associativismo entre os artesãos, por meio de cooperativas e estimulando a participação deles em feiras, até mesmo de outros municípios”, diz.

Na infra-estrutura, as estradas serão reformadas. O futuro prefeito explica que, para conservar os oito novos ônibus escolares que a prefeitura está recebendo ainda este ano, as vias devem estar prontas antes do período das chuvas, que ocorrem no período de janeiro a abril. A maior parte dos recursos de Farias Brito vem dos repasses estaduais e federais. Para ampliar a capacidade de investimento municipal, o futuro gestor pretende realizar eventos nas áreas cultural, esportiva e de agronegócios. Ele usará o terreno do Parque Municipal de Vaquejadas para construir um centro de eventos, para as festas juninas e do Festival de Violeiros de Farias Brito.

Mais informações:
Prefeitura Municipal de Farias Brito
Rua José Alves Pimentel, 87
CEP: 63185-000
(85) 3544.1223

Fonte: Jornal Diário do Nordeste.