29 outubro 2008

Blog do Crato homenageia "Chaguinha" engraxate.

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Há poucos dias, o Pedro Esmeraldo, através do seu irmão Carlos Eduardo Esmeraldo postou essa homenagem ao histórico engraxate que habita a praça Siqueira Campos, conhecido por "Chaguinha". No dia, eu procurei e procurei uma foto que eu sabia que tinha dele, entre as mais de 10.000 fotos que já fiz, e não encontrei. Até que hoje, procurando outra coisa, encontrei a referida foto. Então, para não postar somente a foto, posto o artigo do Carlos Esmeraldo, juntamente com a foto. Fica homenagem em dose dupla:

Dihelson Mendonça

Francisco das Chagas Amorim Damasceno, mais conhecido por Chaguinha, desde os dez anos de idade, exerce a profissão de engraxate. Por volta dos anos cinqüenta foi um profissional autêntico, exemplar e eficiente. Chaguinha era de estatura média e vivia numa luta cotidiana pela sobrevivência. Seu ponto de apoio era a Praça Siqueira Campos. Lá, há mais de 50 anos conquistou grandes amizades, equilibrando trabalho com segurança, conseguindo desse modo sua sobrevivência.

Simpático entre toda a população cratense, Chaguinha fez da Praça Siqueira Campos seu habitat natural, ali permanecendo até hoje. Lembramos que, há 55 anos, na data do centenário do Crato à elevação de cidade, Chaguinha engraxou os sapatos do Comandante da 10ª Região Militar, General Humberto de Alencar Castelo Branco, que aqui se encontrava para abrilhantar os festejos comemorativos do centenário da nossa cidade. Anos mais tarde, já Marechal, esse ilustre visitante se tornou o primeiro presidente da república do Regime Militar. Certamente, Chaguinha guarda em sua memória até hoje, a lembrança deste dia.

Nesse mesmo período, havia cerca de dez garotos exercendo juntamente com Chaguinha a profissão de engraxate, disputando espaço na Praça Siqueira Campos. Três desses garotos, cujos nomes não me recordo, conseguiram estudar e trabalhar ao mesmo tempo, com muita dedicação. Esse esforço levou-os à universidade. Um deles se formou em medicina e os outros dois em engenharia. Está aí um grande exemplo para juventude de hoje. Todos devem se dedicar ao trabalho, deixando de lado o comodismo, o desespero e marchando para o caminho do bem e da prosperidade. Portanto, quero homenagear esses trabalhadores humildes que se dedicaram de corpo e alma à sua profissão, principalmente afixando uma placa comemorativa ao Chaguinha, que ofertou um trabalho sério e honesto dentro de sua profissão.

Crato, 26 de outubro de 2008

Pedro Esmeraldo
Foto: Dihelson Mendonça
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O outono das cidades

Emerson Monteiro

De observar as ruas da cidade, notamos forte tendência nos seus atuais moradores para se transferirem ao campo, escapar do barulho e respirar mais libertos da fumaça. Nos fins-de-semana, então, a coisa ocorre sem deixar qualquer dúvida. Os grandes centros, esses viraram só compromisso de segunda a sexta. Depois, fuja quem puder.
Tal avaliação sugere a falência de um sonho que nos alimentou durante muitos séculos. O instinto de procurar vilas e repartir preocupações lotou o espaço das cabeças todo tempo, que povos não pensaram em mais nada como outro modo de racionalizar o povoamento do Globo.
A proposta inicial seria somar forças. Entretanto a sofisticação da vida em grupo gerou dificuldades, no princípio superáveis pelo trabalho partilhado, depois intransponíveis, face ao crescimento exagerado, rompendo previsões de gastos e limitando alternativas para ocupação de toda a mão-de-obra concentrada.
Os núcleos de prosperidade em que se haviam modificado as povoações resultaram nas baías interiores, com classes sociais dilatando sempre o fosso divisório do abismo entre si, desvirtuando o impulso gregário dos indivíduos, subtraídos da ordem natural que ficara no campo. A tendência afluente reverteu-se num isolamento grupal, hoje bebido com náusea nos passeios neuróticos das violentas madrugadas urbanas.
De tal maneira as chagas têm sangrado, que maioria incalculável de cidadãos passou a descrer das soluções comuns, adotando iniciativas fechadas, mesmo em detrimento dos que nada podem.Seriedade não falta para o estudo de tais sintomas. Congressos, mesas redondas, longas, quadradas, sutis discursos, prepotência, pirotecnia. Interesses próprios mascarados de usurpação de atribuições. Fórmulas mágicas preenchem todas as prateleiras - critérios exclusivos nos programas de governo.
Em compensação, risco ocorre no achatamento dessas intenções, vez ficar difícil dizer quem pode ou quem quer só o poder; saborear o mel e descartar o fel. Do pecado na escolha ruim fica um preço a ser pago, tamanho o tempo perdido, multiplicado pelas vidas em jogo, milhares que habitam os guetos das cidades; seria, talvez, a democratização da miséria, invasora dos lares e destruidora da vida social, espécie de submissão aos valores piores, quando se descartou a chance de melhor escolher, vezes perdidas para sempre.
O relógio bem simboliza essa corrida às aversas. Muitos ainda acreditam que possam viver fora do problema, trabalhando nos mesmos escritórios, mesmas lojas, na prática de esconder a cabeça, deixando de fora o corpanzil, exposto ao adversário.
Vem dessas decisões o abandono que se verifica da zona urbana. Quer-se usar e não cuidar. Abandonam as cidades e deixam ao léu da sorte os que mais delas dependem. Participar, sim, mas no interesse dos trechos que ocupem nos cinturões verdes, para onde possam sumir aliviados, graças ao carro, eficaz reunidor de superfícies.
No passado, as guerras reviravam ordens estabelecidas e desfaziam os mais críticos problemas. Depois, técnicas potencializaram a riqueza, comprimindo exércitos no atributo de forçar direitos. Resultado: pólos urbanos transformados em campos de concentração e desavença. Os instrumentos de lazer eletrônico restaram desmantelados, nos cubículos escuros sem ar, nem paz, quais sucatas de luxo.
O retorno ao seio da floresta mais do que nunca antes parece surgir como lenitivo provável; estudiosos da alma humana acreditam mesmo que trazemos dentro de nós o mapa desse percurso, algo semelhante ao que perfizeram os hebreus, na saída do Egito empós da Terra Prometida.

LICITAÇÕES E CONTRATOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

AGLÉZIO DE BRITO
Membro do Instituto BrasiIeiro de Direito Administrativo - IBDA


Com o advento da Constituição Federal de 1988, a Administração Pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sofreu o crivo da necessidade de se efetivarem sobre ela, de maneira concreta, a obediência aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, cuja negligência pelos administradores já se constituía uma tônica na gerência da coisa pública, onde a corrupção grassava sob o manto vicioso da mais vergonhosa impunidade.

Por conta disso, o inciso XXI, do art. 37, estabelece que as obras, serviços, compras e alienações serão contratadas mediante processo de licitação pública que assegure igualdade de condições a todos os concorrentes.

Para regulamentar essas exigências moralizadoras , eis que surde, no ano de 1993, a Lei nº 8.666, alterada pela Lei nº 8.833, de 08 de junho de 1994, instituindo normas para licitações e contratados da Administração Pública.

Ninguém desconhece que as obras, os serviços, as compras e as alienações públicas são os canais por onde flui o dinheiro público e através dos quais os administradores corruptos, Prefeitos, Governadores, Presidente da República, Secretários, assessores, enfim, todos os que lhes mais chegados, se locupletam ilicitamente, quer superfaturando as operações, que recebendo benesses dos executores das obras e dos serviços públicos e dos fornecedores.

A Lei nº 8.666/93 acercou-se de uma série de garantias procedimentais no sentido de evitar as fraudes decorrentes dos pagamentos das obras públicas, dos serviços, das alienações e das compras. Deixou, entretanto, uma porta escancarada para os ladrões do erário público, quando não disciplinou a formação da COMISSÃO DE LICITAÇÃO, responsável pelo processamento e julgamento do certame licitatório. Nomeada sem o menor controle interno, ou externo, ad libitum do administrador, de suas conveniências e interesses pessoais, a COMISSÃO DE LICITAÇÃO quase sempre é constituída de pessoas subservientes e submissas ao gestor público e como tais, a seu mando, maquiam o procedimento da licitação, o edital, as publicações, as propostas, as atas, os pareceres técnicos, etc. Nessa esteira , ao contrário dos princípios constitucionais da moralidade, da legalidade e da igualdade, o processo licitatório brasileiro, torna-se um jogo sujo de cartas marcadas, onde vence aquele que antepactuou com o gestor público, ou com o ordenador da despesa, recebendo os administradores o troco graúdo pelo pagamento com o dinheiro do povo, das obras e serviços superfaturados, das compras muitas vezes fictícias , ou fraudulentas.

Espera-se no projeto de lei que alterará a Lei das Licitações, atualmente em tramitação no Congresso Nacional, sejam minimizadas as oportunidades de improbidades administrativas no processo licitatório, tornando obrigatória na COMISSÃO DE LICITAÇÃO a participação de, pelo menos, dois representantes idôneos do Poder Legislativo escolhidos pela Mesa da Câmara, ou da Assembléia, e dois representantes da sociedade civil eleitos pela comunidade, com o Parecer final do representante do Ministério Público.

Talvez, assim, possamos ter, a moralização e controle externo das compras, obras, serviços e alienações da Administração Federal, Estadual e Municipal mais isenta da sanha dos predadores da coisa pública.

Por: Aglézio de Brito
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COISAS DA REPÚBLICA 1


Iniciamos esta seção com uma notícia
quentinha desta 4ª feira, 29/out/2008

Operação
POLÍCIA FEDERAL
PRENDE FUNCIONÁRIOS
DO IBAMA, DA SEMACE E SEMAM

Operação tem como objetivo combater
o crime de tráfico de influência para a
liberação de licenças ambientais no Estado
A Polícia Federal (PF) do Ceará promove na manhã desta quarta-feira, 29, operação que tem como objetivo combater o crime de tráfico de influência para a liberação de licenças ambientais no Estado. Foram cumpridos quatro mandados de prisão. Está detido Raimundo Bonfim Braga, superintendente do Ibama no Ceará. Também estão envolvidos funcionários da Superintendência Estadual do Meio Ambriente – Ceará (Semace) e Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Controle Urbano (Semam). No fim da manhã, a PF divulgará mais detalhes sobre o caso.
Redação O POVO Online

A ATUAL CRISE NA VISÃO DE TRÊS BAMBAS DA ECONOMIA

Terça Feira no salão de recepções da Câmara de Vereadores do Rio, na Cinelândia, uma reunião para poucos convidados. Políticos, militantes, membros da OAB e ABI, ouviram e debateram com Maria da Conceição Tavares, Carlos Lessa e Reinaldo Guimarães a atual crise econômica. O ex-deputado Vivaldo Barbosa coordenou o evento e a situação dos próximos anos e deste não é nada tranqüila. Nenhuma prática política se manterá igual pois a crise é tão abrangente que o rumo terá que mudar.

Para todos os debatedores a crise é ampla e tem uma importância histórica de relevância. O capitalismo funciona em crises, ao longo do século XX foram mais de 40 delas, porém entre o final do século XIX e até hoje duas crises foram realmente modificadoras. A primeira entre 1870 e 1890, abalou o império inglês e tornou mais violento, acompanhou-se da queda do padrão ouro inglês e seguramente esteve na raiz da primeira guerra mundial e da revolução russa. A segunda nos anos 30 do século XX, na raiz dos regimes nazo-facistas, a segunda grande guerra e o surgimento da hegemonia americana e da bipolaridade entre esta e a União Soviética. Os debatedores foram concordantes que esta crise é equiparável às duas primeiras, os valores do capital e das empresas capitalistas despencaram, a economia real, aquela que influencia sobre os bens e sobre o emprego também se encontra em crise. Os efeitos sociais da crise serão mais marcantes a partir do próximo ano e em 2010 estaremos em plena recessão.

Todos foram unânimes em acusar o modelo neoliberal com o motor da crise, a base estruturas se encontra na desregulamentação e em práticas lesivas à economia real, especialmente numa bolha de crescimento baseado em derivativos financeiros. Em todo o debate esteve em foco a volúpia com que os líderes brasileiros no Governo Fernando Henrique aderiram ao "cassino" financeiro internacional, contaminando toda cadeia produtiva brasileira e nos deixando em situação efetivamente grave. O governo Lula, em menor ou maior escala, dependendo dos compromissos políticos de cada debatedor, foi posto em linha com a crise pelo que deixou de fazer e especialmente pelo comportamento dos juros, do endividamento externo e pela política cambial frouxa.

A sensação de quem assistiu ao debate é que na raiz do problema temos fortes indícios de que a catástrofe nos atingirá igualmente e em maior escala, pois somos um país economicamente pequeno. Que esta catástrofe guarda relação com aquele discurso ideológico dos anos noventa, do Estado Mínimo, da desregulamentação e o Mercado Soberano. Guarda relação com os Governos Fernando Henrique e Lula que afinal não souberam defender um projeto nacional e ficaram a reboque de três grandes áreas da economia brasileira: agronegócio, bancos e produtores de commodities minerais.

A principal marca do debate é que não apareceu, até agora, nenhuma medida prática que proteja o emprego, que sustente a poupança popular e salvaguarde o pequeno patrimônio das famílias. O governo tem atendido aos interesses das três áreas citadas e não adotou medidas regulatórias que dê rumos pois o atual estado das coisas não se sustentará. Finalmente o debate apontou para a necessidade que a sociedade se mobilize, que os partidos políticos definam um programa mínimo de consenso para proteger a nação e o povo brasileiro. A verdade é que a crise é profunda e ameaça até mesmo o patrimônio da nação como a Amazônia e o petróleo do Pré-Sal.

600 mil devotos louvam maior romaria do Estado


Reportagem: Elizângela Santos.

Fiéis do Padre Cícero

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O Santuário dos Franciscanos é um dos locais mais visitados durante a Romaria. Na fonte de Nossa Senhora, os fiéis se refrescam com água benta (Foto: ELIZÂNGELA SANTOS)

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Condimínio das flores em cima da Serra do Araripe, no Crato, espera vender, pelos menos, uma tonelada de flores para as floriculturas da região (Foto: ANTÔNIO VICELMO)

Os romeiros do Padre Cícero recebem serviços asisstenciais durante a programação que começa hoje com missa solene

Juazeiro do Norte. Será aberta na noite de hoje, na Basílica de Nossa Senhora das Dores, com missa solene presidida pelo padre Paulo Lemos, a Romaria da Esperança, conhecida tradicionalmente como Romaria de Finados, considerada a maior do Estado. Este ano, o tema central é “Na Basílica da Mãe das Dores, com o Padre Cícero e São Francisco escolhemos a Vida”. A festa religiosa é a maior em número de romeiros, principalmente do Estado do Pernambuco. A expectativa até domingo é que passe pela cidade cerca de 600 mil pessoas, devotos do Padre Cícero.

A fase das grandes romarias em Juazeiro foi iniciada em setembro, com a festa em louvor à Nossa Senhora das Dores, padroeira da cidade. Deste período para cá, tem sido permanente a presença de visitantes e romeiros. Diariamente ônibus e caminhões paus-de-arara chegam ao município.

Dentro da Romaria de Finados, também vem sendo comemorado o centenário da Capela do Socorro, edificada em 1908. O local é um dos mais visitados em Juazeiro, onde estão sepultados os restos mortais do Padre Cícero. A romaria terá continuidade até o próximo domingo. A Secretaria de Turismo e Romaria vem atuando no sentido de levar mais informações aos visitantes e em parceria com as pastas da Assistência Social, Saúde e Educação. Conforme o secretário Felipe Figueiredo, serão direcionados serviços assistenciais.

Para isso, postos de atendimento à saúde estarão funcionado no Bairro do Socorro, na Basílica de Nossa Senhora das Dores e nos Franciscanos. A segurança e organização no trânsito são pontos fortes por haver um grande fluxo de veículos no Centro da cidade e nas proximidades da Basílica, entre as ruas São Pedro e na Padre Cícero. O secretário Felipe Figueiredo afirma que será disponibilizado para ônibus e caminhões o estacionamento do Luzeiro. Vários banheiros químicos estarão espalhados pela cidade.

Policiamento

Quanto à segurança, principalmente nos locais de maior aglomeração de pessoas, haverá aumento no número de policiais. Felipe Figueiredo destaca a condição atípica desta romaria por estar espalhada em vários bairros da cidade e não somente no Centro. “O policiamento também será fortalecido nos bairros”.

O padre Paulo Lemos, administrador da Basílica, solicitou à Secretaria de Segurança Pública do Estado maior aparato de segurança e uma unidade móvel da Polícia, no sentido de dar mais suporte à segurança no local. O dia 1º, no sábado, data de comemoração do Dia do Romeiro, deverá ser o mais movimentado no local, lotando a Praça do Romeiro, com o show da cantora Joana. Será realizado a partir das 20h30, após a missa solene, às 19h30, celebrada pelo bispo diocesano, dom Fernando Panico.

Este ano, o Conselho Tutelar da Criança e do Adolescente irá intensificar — em parceria com a Secretaria de Assistência Social e outros órgãos de defesa da infância e adolescência — a fiscalização, principalmente nas áreas das barracas, onde é comum encontrar crianças trabalhando. O Conselho também vai coibir crimes como a prostituição infantil.

Segundo a secretária Fátima Catunda, a intenção é voltar os olhares aos pedintes que povoam os lugares de maior concentração e até ocupando espaços de circulação dos peregrinos. Alguns deles utilizam até crianças para sensibilizar na doação de esmolas.

Durante a romaria acontecerão celebrações e mutirões de confissões. As missas na Basílica acontecem às 6h, 9h, 17h e 19h. Na Capela do Socorro, as celebrações serão às 7h, 8h30, 10h, 15h30 e 16h30. As confissões serão das 5 horas às 18 horas. No domingo, haverá a grande celebração, presidida pelo bispo será a partir das 6 horas, na Praça do Romeiro. Outro grande momento acontece com a despedida dos romeiros, na Basílica, ao meio-dia de domingo.

ELIZÂNGELA SANTOS
Repórter

Fonte: Jornal Diário do Nordeste.


Índios Kariri se reúnem com movimentos sociais

Movimentos sociais discutem questão indígena no Crato nesta
quarta-feira, dia 29, na Universidade Regional do Cariri – URCA, às 9
horas, na sala de Vídeo do Campus Pimenta, a intenção da reunião é
fortalecer a luta dos índios Kariri pelo seu reconhecimento
antropológico pela Funai e dar continuidade ao processo de organização
e de defesa de políticas públicas. Na cidade do Crato, os Kariri
residem na comunidade do sitio Poço Dantas, no distrito de Monte
Alverne e desde o ano passado, eles auto se reconhecem índios.
Diversas entidades e órgãos governamentais estão empenhados em
contribuir para a causa indígena no Cariri. Como a URCA, através da
Pró-Reitoria de Extensão, Instituto Ecológico e Cultural Martins
Filho e Centro de Educação, Funasa, Casa Lilás, Conselho da Mulher,
Secretaria de Cultura e da Educação do Crato, Recid, ACB, Caritas
Diocesana e o Instituto da Memória do Povo Cearense – IMOPEC. A
reunião é aberta para novos parceiros.

Serviço:
Informações adicionais no Instituto Ecológico e Cultural Martins Filho
– IEC – Campus Pimenta – Telefone: (88)3102-1212 ramal 2424 falar com
Alexandre Lucas ou Professora indígena Ana Débora (88)9248-0873

Por: Alexandre Lucas

AO MESTRE COM CARINHO!!!!!! - Teresa Abath

AO MESTRE COM CARINHO!!!!!!


Dia 15 de outubro foi comemorado o dia do professor. Passou-se em branco, não fosse por uma carta muito gentil, enviada por Teresa Abath, reclamando que ninguém havia escrito coisa alguma sobre o tema. Devido a nossa contínua falta de tempo, eu mesmo pedi que a própria Teresa pudesse escrever uma homenagem ao Dia do Professor, e aí está:

O Dia do Professor é comemorado no dia 15 de outubro. Mas poucos sabem como e quando surgiu este costume no Brasil. No dia 15 de outubro de 1827 (dia consagrado à educadora Santa Tereza D’Ávila), D. Pedro I baixou um Decreto Imperial que criou o Ensino Elementar no Brasil. Pelo decreto, “todas as cidades, vilas e lugarejos tivessem suas escolas de primeiras letras”. Esse decreto falava de bastante coisa: descentralização do ensino, o salário dos professores, as matérias básicas que todos os alunos deveriam aprender e até como os professores deveriam ser contratados. A idéia, inovadora e revolucionária, teria sido ótima - caso tivesse sido cumprida.

Mas foi somente em 1947, 120 anos após o referido decreto, que ocorreu a primeira comemoração de um dia dedicado ao Professor. A celebração, que se mostrou um sucesso, espalhou-se pela cidade de São Paulo, e pelo país nos anos seguintes, até ser oficializada nacionalmente como feriado escolar pelo Decreto Federal 52.682, de 14 de outubro de 1963. O Decreto definia a essência e razão do feriado: "Para comemorar condignamente o Dia do Professor, os estabelecimentos de ensino farão promover solenidades, em que se enalteça a função do mestre na sociedade moderna, fazendo participar os alunos e as famílias".

Todo dia é Dia do Professor! Pelo menos, tinha que ser.
Pois não há profissão mais voltada para o futuro
de uma sociedade quanto esta: a de mestre.

A base de uma sociedade mais justa e segura só pode ser construída diante da valorização dos profissionais da Educação. A receita é simples: professor bem remunerado, que trabalhe com segurança, tendo à disposição equipamentos e infra-estrutura. O problema é que o investimento em educação não traz retorno a curto prazo, como a conclusão de obras. As autoridades precisam dizer à sociedade como vão continuar tratando aqueles que educam as pessoas que mais amamos neste mundo: nossos filhos e filhas. Qualidade no ensino passa pela valorização dos profissionais. “Como já dizia Paulo Freire, educar é construir, é libertar o ser humano das cadeias do determinismo neoliberal, reconhecendo que História é um tempo de possibilidades e que educar é como viver, exige a consciência do inacabado. Nesse sentido, considero que os professores são agentes pedagógicos principais dessa construção e libertação humana. Mas, lamentavelmente, DESRESPEITO constitui a palavra-chave que sintetiza como os governos tratam os nossos professores. Desrespeito com o seu trabalho de educador, desrespeito com a sua autonomia em sala de aula, desrespeito com seus direitos trabalhistas, sociais e humanos, desrespeito com a sua segurança no trabalho e desrespeito, inclusive, com a sua saúde, conforme sustenta a categoria. “Educar é uma tarefa de extrema importância para a sociedade. O dia 15 de outubro é de homenagens e também de reflexão. A categoria tem sofrido com a falta de valorização e de melhoria salariais. Cabe aos governantes sair do discurso e cumprir minimamente o que manda a lei, aplicando os recursos para a educação – o que se traduzirá em melhores salários para os profissionais e verbas para as escolas.”

Teresa Abath
Assessora do INEP/FALE CONOSCO
Técnica em Assuntos Educacionais
Relações Públicas da ASSINEP
Membro do Comitê de Gestão do INEP
Suplente Fórum dos Servidores INEP
Pró-Carreira
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O Retrato da Saudade - Mary Schultze

O Retrato da Saudade

Eu me lembro, com saudade, de minha vida, no Crato,
e da infância e mocidade quero fazer um retrato.
Papai era um homem fino, de mui negra cabeleira,
com olhar esmeraldino, lembrando a nossa bandeira.
Ele era alto, elegante, vestia terno e gravata;
da poesia era amante, usando a rima em cascata.
Mamãe era muito clara e tinha o rosto rosado,
de uma beleza tão rara como um dia ensolarado.
Ela falava sorrindo, com sotaque nordestino;
o seu sorriso era lindo; seu amor quase divino!
Ela costurava bem, fazendo nossos vestidos
e um bom perfume, também, com limões que eram colhidos
em nosso belo jardim, onde havia lindas flores,
manjericão e alecrim - um jardim de muitas cores.
Meus irmãos, que eram oito, lhe tinham muito respeito
e só Chico, o mais afoito, foi quem nunca tomou jeito.
É pena que ele morreu, tão cedo, coisa medonha,
quando com o carro bateu, numa estrada da Amazônia.
Odete, a mais conservada, já ultrapassou os setenta
e tem sido tão poupada que vai chegar aos noventa.
Rosa e Dária, tão amadas, a morte cedo encontraram;
dela não foram poupadas e para o céu se mudaram.
José, o melhor irmão que alguém poderia ter,
já está noutra dimensão, muita poesia a escrever.
Meu outro irmão que é o Gil, sempre me deixa tristonha;
nunca me escreveu um til, desde que foi pra Amazônia.
Sava e Berna, ainda vivas, moram lá em Fortaleza
e levam vidas ativas, nessa terra de beleza.
Estou vivendo em Terê, perto dos amigos meus,
a cidade onde se vê o belo Dedo de Deus!
Em meu velho coração, guardo saudades, de fato,
da nossa doce união, naquele tempo, no Crato!

Mary Schultze, 29/10/2008
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