18 outubro 2008

Campanha contra o Forró: "Eu quero meu sertão de volta".

Nos últimos dez anos tenho viajado freqüentemente pelo sertão de Pernambuco, e assistido, não sem revolta, a um processo cruel de desconstrução da cultura sertaneja com a conivência da maioria das prefeituras e rádios do interior. Em todos os espaços de convivência, praças, bares, e na quase maioria dos shows, o que se escuta é música de péssima qualidade que, não raro, desqualifica e coisifica a mulher e embrutece o homem.

O que adianta as campanhas bem intencionadas do governo federal contra o alcoolismo e a prostituição infantil, quando a população canta "beber, cair e levantar", ou "dinheiro na mão e calcinha no chão" ? O que adianta o governo estadual criar novas delegacias da mulher se elas próprias também cantam e rebolam ao som de letras que incitam à violência sexual? O que dizer de homens que se divertem cantando "vou soltar uma bomba no cabaré e vai ser pedaço de puta pra todo lado" ? Será que são esses trogloditas que chegam em casa, depois de beber, cair e levantar, e surram suas mulheres e abusam de suas filhas e enteadas? Por onde andam as mulheres que fizeram o movimento feminista, tão atuante nos anos 70 e 80, que não reagem contra essa onda musical grosseira e violenta? Se fazem alguma coisa, tem sido de forma muito discreta, pois leio os três jornais de maior circulação no estado todos os dias, e nada encontro que questione tamanha barbárie.

E boa parte dos meios de comunicação são coniventes, pois existe muito dinheiro e interesses envolvidos na disseminação dessas músicas de baixa qualidade.

E não pensem que essa avalanche de mediocridade atinge apenas os menos favorecidos da base de nossa pirâmide social, e com menor grau de instrução escolar. Cansei de ver (e ouvir) jovens que estacionam onde bem entendem, escancaram a mala de seus carros exibindo, como pavões emplumados, seus moderníssimos equipamentos de som e vídeo na execução exageradamente alta dos cds e dvds dessas bandas que se dizem de forró eletrônico. O que fazem os promotores de justiça, juízes, delegados que não
coíbem, dentro de suas áreas de atuação, esses abusos?

Quando Luiz Gonzaga e seus grandes parceiros, Humberto Teixeira e Zé Dantas criaram o forró, não imaginavam que depois de suas mortes essas bandas que hoje se multiplicam pelo Brasil praticassem um estelionato poético ao usarem o nome forró para a música que fazem. O que esses conjuntos musicais praticam não é forro! O forró é inspirado na matriz poética do sertanejo; eles se inspiram numa matriz sexual chula! O forró é uma dança alegre e sensual; eles exibem uma coreografia explicitamente sexual! O forró é um gênero musical que agrega vários ritmos como o xote, o baião, o xaxado; eles criaram uma única pancada musical que, em absoluto, não corresponde aos ritmos do forró! E se apresentam como bandas de "forró eletrônico"! Na verdade, Elba Ramalho e o próprio Gonzaga já faziam o verdadeiro forró eletrônico, de qualidade, nos anos 80.

Em contrapartida, o movimento do forró pé-de-serra deixa a desejar na produção de um forró de qualidade. Na maioria das vezes as letras são pouco criativas; tornaram-se reféns de uma mesma temática! Os arranjos executados são parecidos! Pouco se pesquisa no valioso e grande arquivo gonzaguiano. A qualidade técnica e visual da maioria dos cds e dvds também deixa a desejar, e falta uma produção mais cuidadosa para as apresentações em geral.

Da dança da garrafa de Carla Perez até os dias de hoje formou-se uma geração que se acostumou com o lixo musical! Não, meus amigos: não é conservadorismo, nem saudosismo! Mas não é possível o novo sem os alicerces do velho! Que o digam Chico Science e o Cordel do Fogo Encantado que, inspirados nas nossas matrizes musicais, criaram um novo som para o mundo! Não é possível qualidade de vida plena com mediocridade cultural, intolerância, incitamento à violência sexual e ao alcoolismo!
Mas, felizmente, há exemplos que podem ser seguidos.

A Prefeitura do Recife tem conseguindo realizar um São João e outras festas de nosso calendário cultural com uma boa curadoria musical e retorno excelente de público. A Fundarpe tem demonstrado a mesma boa vontade ao priorizar projetos de qualidade e relevância cultural.

Escrevendo essas linhas, recordo minha infância em Serra Talhada, ouvindo o maestro Moacir Santos e meu querido tio Edésio em seus encontros musicais, cada um com o seu sax, em verdadeiros diálogos poéticos! Hoje são estrelas no céu do Pajeú das Flores! Eu quero o meu sertão de volta!

Autor: Anselmo Alves
Agradecimento: Ao amigo Fábio Passa Disco
Dedicado a Dihelson Mendonça

Futebol - Atualização - por: Amilton Silva

A 30ª Rodada do Brasileirão Série A, será realizada com grandes clássicos do fubebol brasileiro, neste sábado no estádio Engenhão no Rio de Janeiro, o Botafogo enfrenta o Santos, na oportunidade será homenageado o grande jogador do futebol brasileiro Garrincha. Se vivo fosse, estaria completando neste sábado (18), 75 anos.Em Santa Catarina o Figueirense recebe o Ipatinga e no Beira rio, o Internacional enfrentará o AtleticoPR, que luta para não cair para a segunda divisão.

A rodada sera completada no domingo (19), com outros grandes jogos:

VITORIA X FLUMINENSE
PALMEIRAS X SAO PAULO
CORITIBA X GOIAS
ATLETICO MG X CRUZEIRO
SPORT X NAUTICO
PORTUGUESA X GREMIO
VASCO X FLAMENTO

No classico do futebol carioca, os times estão em posiçoes opostas, enquanto o Flamengo ainda sonha com o título do Brasileirão, o Vasco luta desesperadamente para não ser rebaixado para segundona do próximo ano.

Por: Amilton Silva, editor de esportes do Blog do Crato.

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Por que os pais choram...


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– Nasceu, paizinho! Seu nenenzinho nasceu. – Foi assim que a enfermeira me deu a notícia do nascimento do meu segundo filho. Na realidade, um aviso desnecessário, pois, como pai, tinha a certeza de que os gritos de criança vindos do corredor eram do meu rebento... Ou os pais não podem reconhecer suas crias, ora mais! Por que logo comigo teria que ser diferente?

Procurei alguém da família a fim de compartilhar aquele momento, mas não havia ninguém. Ensaiei um semblante de tristeza, um ar de melancolia. Entretanto, tão logo a moça de branco se afastou de mim e me vi sozinho, caí em prantos, festejando a continuação da minha prole. Dirigi-me a um janelão de vidro ainda guiado pelo choro de criança; pude, finalmente, ver minha esposa, a mãe do meu filho, deitada, conversando com o médico – nem parecia uma multípara recém saída da gestação. Ela me olhou, deu um singelo sorriso e me apontou na direção de um berçário. Lá estava ele, meu filho, na palma da mão da doutora, de frente para mim, todo à vontade... Não deu pra ver o pingolinho do rapazote, mas o danado tinha um ‘par de ovo’, com sacos enormes, que me deixou todo orgulhoso! Ele era mesmo a cara do paizão!

Depois de seguidos todos os ritos e formalidades típicos das profissões nobres, pude ver meu filho. Olhei-o apenas. Estava encoberto por um pano banco e aparentava sentir frio. O médico se aproximou de mim, fez alguns comentários que fiz questão de não entender, e saiu, desejando boa sorte.

Éramos a própria encarnação da felicidade. Observávamos nosso filho detalhadamente. Os cabelos pareciam com os da avó – pretos e duros; os olhos puxavam os da outra avó – pretos e orientalizados; as mãos eram perfeitas, apesar de pequenas – que observação idiota essa! Tão idiota quanto o espanto de um amigo meu que se hipnotizara ao ver um garotinho japonês de cinco anos falando japonês no Japão... E era pra falar o quê!?; pernas compridas – tudo a ver com os tios maternos, verdadeiros varas-pau. Se dependesse do pai, coitadinho, seria um tipinho 1.60 (um ponto sessenta) que passa despercebido quase sempre.

Depois do stress, na realidade não havia stress algum – nem sei o que essa palavra significa. Minha intenção aqui é puramente lobista e usei este verbete para parecer um plumitivo moderno, atento às modificações do mundo. Que pai bobo eu estava saindo. Cheio de frescuras desnecessárias e de modismos tão efêmeros quanto a vida neste plano material. Adormecemos.

Durante a visita matinal do dia seguinte, o médico que assumira o plantão examinou os recém-nascidos e resolveu, sem causa aparente, manter o nosso filho, justamente o nosso filho, por mais um dia no hospital.

Às 18h recebemos as visitas de praxe: as avós, os avôs, alguns tios e a primogênita, que fizera questão de estar presente no momento histórico da transferência das atenções para o novo mancebo da casa. Entre a primeira rebenta e o recém empossado dono dos mimos familiares a diferença era apenas de 12 meses. As avós se deliciavam com tudo. Os avós, orgulhosos, comentavam acerca dos dotes atávicos.

– Eita bicho ‘sacudo’ – comentou meu pai, relembrando e narrando para todos os presentes o modo como encantara minha mãe ao subir num pé de jenipapo. Ao olhar para cima, minha mãe, menina virgem e inocente do interior, assustou-se com as várias amostras da fruta presas em árvores diferentes. Diz o velho que foi a origem de tudo, amor à primeira vista... Esta é uma história longa e impertinente para a ocasião, apesar de digna de menção. O que posso adiantar é que meu pai cotejava a textura e a cor amarronzada dos ‘culotinos’ do neto e se impressionava com a força que havia entre as gerações.

– Pronto, aqui está a máquina que você pediu. Quase me deixa doida com isso... Consegui uma emprestada. – fala minha mãe quebrando o silêncio das avós, coisa rara entre as mulheres (silenciar).

– Obrigado, mamãe! Vamos tirar uma foto? – convidei.

Somente nesse momento percebemos que a rainha destronada estava no quarto. Meu outro bebezinho ao ouvir a palavra ‘foto’ abriu o sorriso e gritou:

– Eu quero também! Quero tirar uma foto com meu irmãozinho!

Click. Click. Click.

Acabou o horário de visitas. Todos saíram. Resolvemos deitar.

Algum tempo depois, que não consigo precisar quanto, acordamos sobressaltados por causa de um grito. Eu e minha esposa nos entreolhamos como a nos perguntar: ‘foi você?’

Não tinha sido nenhum de nós. Olhamos para o bebê e ele estava acordado; as feições demonstravam sinais de dor. Chamamos a médica. Ela o examinou e sem nenhum embuste nos informou:

– O caso dele é de UTI. Tirem-no imediatamente do hospital. Aqui não temos atendimento adequado pra isso.

Angustiados, ligamos para um amigo que nos ajudou no traslado até o hospital indicado pela médica. Já no segundo hospital, o bebê, apresentando sinais patentes de deficiência respiratória, era ignorado por médicos e enfermeiras preocupados com tudo, menos com os pacientes. O processo cianótico se agravava. Percebendo a gravidade do estado de saúde do nosso filho e usando o mesmo instinto animal que nos faz reconhecer o grito dos nossos descendentes, retiramos a criança de lá – sem nenhuma objeção dos profissionais de plantão, registre-se! Eles sequer catalogaram a saída da criança das dependências.

Fomos para o terceiro pronto-socorro. Na minha cabeça infantil de pai, não me sucedia imaginar que houvesse descaso nos hospitais particulares para com crianças providas de um bom plano de saúde. Eu me enganei. Entre a nossa chegada e a entrada da criança na UTI neonatal – conduzida nos braços da avó que, informada, dirigira-se até o local, passaram-se mais de trinta minutos. Nesse ínterim, duas preocupações me deixaram perplexo: a de receber um cheque como garantia (preocupação da atendente) e a de saber o que a esposa havia comido no jantar (preocupação do médico que, sem prestar nenhum suporte ao bebê, saiu para fazer uma ligação para a esposa, momento em que pude ouvir o comentário dele sobre a refeição).

Mas existem anjos em meio a demônios camuflados em peles de cordeiro... Antes de ser conduzido para a UTI, um outro médico, passando pelos corredores do hospital e sentindo nossa aflição, foi ver o indefeso bebê e fez, de próprio punho, o atendimento de emergência, dando à criança o mínimo do suporte necessário para permanecer viva.

Mais espera... Mais angústia... Mais sofrimento. Médicos examinam. Há várias suspeições. Finalmente o veredicto: cardiopatia. O mundo caiu sobre nossos ombros naquele momento. Como poderia? Um bebê concebido com tanto amor¸ esperado com tanta ansiedade. Tantos planos para ele, tantos sonhos elaborados... Tudo obliterado ao som daquela palavra.

– São dois problemas, mãezinha. Um é relativamente simples, mas o outro não é tão comum e sem uma intervenção cirúrgica ele não resistirá por muito tempo.

– Faça o que for preciso, doutora. Aqui somos os pais, apenas. – foi a nossa resposta.

Sete dias de ansiedade até a primeira cirurgia. Ele precisou de sangue, somente aplicado depois da compensação de um outro cheque. Doador voluntário há mais de dez anos, tive que me submeter à humilhação de ver meu filho depender de sangue e ter que esperar até que um cheque, dado como caução, fosse compensado. É este o valor da vida?

Numa das noites, ao chegarmos à ante-sala que dá acesso à UTI, um outro casal sai, resmungando, seguidos por uma enfermeira. A enfermeira se despede dos pais e retorna para o local de repouso dos médicos. Instantes depois, ouço alguém gritando atrás de mim. Estava numa ligação e não dei muita atenção ai que se passava. Desligo o celular. Ao me virar, percebo um dos médicos plantonistas com o dedo indicador em riste, apontado-o para o rosto da minha esposa. Ele esbraveja:

– Mãezinha, se a senhora não confia na equipe, tire seu filho daqui! Não fazemos conta dele aqui.

– O que está havendo, doutor? – intervenho. – Chegamos agora e não sabemos do que o senhor está falando.

Não esperávamos um pedido de desculpas, de forma alguma. Sabemos o pedantismo que invade o ego de alguns profissionais. O que não esperávamos, entretanto, era o comentário que se seguiria. O médico, ainda fora de si, debochando, responde:

– Pois é, mãezinha. Criança é assim mesmo. Hoje está assim, ó (faz o sinal de ‘ok’ com a mão), mas amanhã pode estar assim (e inverte a mão num sinal de negativa, de morte...).

Não sei onde encontrei forças para naquele momento calar-me, simplesmente. Agarrei minha esposa, mãe sem resguardo, e a acalentei como a nos dar forças pra suportar tamanha provação. O médico saiu e fomos nos vestir adequadamente para entrar na UTI.

No sétimo dia ele fez a primeira cirurgia. Foi um sucesso, com uma recuperação acima do esperado. Assim, os preparativos para a segunda intervenção cirúrgica foram feitos sem muita demora. Todos estávamos felizes – ele até mamou, sorvendo o leite materno avidamente. Foi apenas uma vez, mas ela amamentou nosso filho – ele precisava de forças para suportar com heroísmo tudo o que o esperava.

Vinte dois dias de nascido e lá vai nosso filho, guerreiro, para a segunda cirurgia cardíaca da vida dele. Seria a segunda batalha! Previsão do procedimento invasivo: quatro horas e meia. Duas horas depois o médico desce pelo elevador, cabisbaixo. Ele vem até nós e nos informa, quase chorando:

– Tive que fechar tão logo abri a criança. Havia uma colônia de bactérias. Se iniciasse o procedimento ele não resistiria. Lamento.

– Como, doutor!

– Não sei o que houve nem o que fizeram nos exames. Opero quando me avisam que o paciente está pronto, apenas isso. – disse o médico por fim, saindo notadamente decepcionado.

Fomos à direção do hospital e o que nos informaram foi que o raios-X tinha sido tirado de um lado com a criança virada para um lado, mas a colônia de bactérias estaria do outro...

A partir desse dia, as intercorrências ficaram mais freqüentes. Numa noite, enquanto o observava pelo vidro da parede, eu o vi sendo ressuscitado pelos médicos e enfermeiras. A sensação de impotência nesses momentos é funesta. Temos vontade de morrer junto ou trocar de posição, aliviando a dor e o sofrimento de um ser tão frágil, mas já tão sofrido pelas dores naturais da enfermidade, somadas às dores causadas pelo descaso e desamor de profissionais apegados ao lucro em detrimento de crianças com tênue vida.

Eram mais de dez leitos – o número exato não me ocorre agora. Da época em que ele se fez interno, todos os bebês, exceto um do interior do estado, já tinham partido. Era a segunda leva de internos, quase todos cardiopatas, lutando contra a passagem terrena, desejando permanecer por mais tempo e evoluindo como ser e como espírito.

Numa das noites, durante nossas visitas diárias, encontramos a mãe do amiguinho do nosso filho na entrada principal do Hospital, chorando. Pensamos no pior, claro. O que imaginar diante das lágrimas de uma mãe que tem um filho numa UTI?

Estacionamos o carro e fomos ao encontro da senhora saber o que havia acontecido. Ela, quando nos viu, não se conteve e chorou. Era um choro tímido, compatível com as limitações de uma senhora do sertão que veio ao mundo e vive com o filho, sem o apoio do marido e da família, largada no mundo sem eiras nem beiras.

– Estão levando meu filho para outro hospital. Eles me falaram que faz muito tempo que ele está aqui e ele já está dando prejuízo. – ela narrava os fatos e chorava, soluçando.

Eu me via assistindo a uma cena real de um filme de terror, de sado-masoquismo, de tortura... Custava-me acreditar que um médico pudesse agir daquela forma a ponto de revelar a uma mãe aflita as verdadeiras causas da transferência. Naquele mundo de aparências protegido pelas vestes brancas, mundo venerado por toda uma sociedade à margem das agruras vividas dentro das muralhas de Hipócrates, custava mentir, minimizando as dores daquela mãe? Se as aparências são a tônica do castelo demoníaco por que aviltar ainda mais aquela mãe desesperada?

Ainda divagava alheio ao mundo exterior, quando a mãezinha grita:

– Lá vai ele levando meu filho! Oh, meu Deus!

Olhamos em direção à avenida que dá acesso ao hospital. Nitidamente, reconhecemos as feições alegres do médico perscrutando o espaço circunvizinho. Com a transferência do garotinho, mais uma vaga surgiria. Seria mais uma cirurgia... Outra gratificação. Esquecemos nossa dor e nos solidarizamos com aquela aflita e pobre mãe. Perguntei pra onde levariam a criança e rumamos em direção ao hospital.

Na recepção não deram notícia de nenhum recém-nascido egresso do hospital de onde havíamos saído. Mas coração de mãe nunca se engana e minha esposa, acompanhada pela outra mãezinha, decidiu procurar. Muito tempo depois, minha esposa retorna sozinha e chorando:

– Como é que pode uma maldade dessas! Sair com uma criança doente, estado de saúde gravíssimo, deixando a mãe prostrada na porta de um hospital, indefesa e sem nenhum amparo...

Retornamos ao hospital onde o nosso bebê estava internado e não comentamos nada sobre o acontecido. Coincidentemente, outra criança já estava no lugar da que fora expurgada, à fórceps.

Já era a segunda leva de criancinhas trazidas até ali para a via crucis – alguns sobreviveriam, mas todos sairiam dali, pais e filhos, maculados eternamente com o pejo de não ter tido a coragem de ter feito mais. Os vivos e os mortos, todos éramos escravos. Logo entrariam outras crianças para retro-alimentar o doentio e criminoso clico.

Os dias se passam e o estado de saúde do nosso bebê vai se agravando. A médica chefa da equipe prescreve alimentação parenteral, mas ele não a recebe. A criança está definhando e se consumindo a cada dia que passa a olhos vistos.

Num domingo, recebo a ligação do diretor do hospital. Ele me informa que meu filho será retirado da UTI porque está dando prejuízo ao hospital.

– Mas doutor, hoje é domingo. Pra onde levarei meu filho? Ele não suporta ser transferido numa ambulância normal nem tenho dez mil reais para conduzi-lo numa UTI em segurança. Deixe-me tentar alguma saída junto ao outro plano que ele possui.

– Espero uma resposta até meio-dia.

Informei a situação à minha esposa e nos dirigimos até a central de atendimento do nosso outro plano de saúde. Antes, porém, passei na casa de um amigo e pedi uma arma emprestada, sem dar a ele nenhuma explicação. Não sei o que faria ao ver meu filho saindo daquela sala de UTI para a morte. Talvez me matasse, talvez matasse um inocente. Apenas quis me munir de forças de defesa, movido unicamente por um amor de pai. Não sei se o amor mata, mas sabia que o meu amor àquele ser tão dependente e indefeso estava me consumindo as forças e o pouco de sensatez que ainda havia em mim. Pedi forças a Deus e fui.

Durante o atendimento, enquanto conversava com a moça de um dos guichês, um dos auditores do plano, que passava pelo local – certamente movido por forças que desconhecemos – ouviu nosso relato e parou, captando detalhes da narrativa. Num certo instante ele interrompe o atendimento e nos chama, sendo incisivo:

– Olhem, não sei o que fizeram com o bebê de vocês, mas ele tem direito a tudo o que é prescrito. Se os médicos não o fazem é por inteira irresponsabilidade deles!

Eu não esperei o término das explicações. Liguei dali mesmo para o diretor do hospital e narrei sucintamente o que acabávamos de ouvir. Ele me pediu calma e me convidou a ir até o hospital para conversarmos.

Ao chegarmos, o diretor já estava na UTI e meu filho, depois de setenta e dois dias de internação, finalmente estava recebendo a alimentação parenteral, mas já era tarde demais. Dois dias depois recebo uma ligação do hospital me chamando para ir até lá que o nosso filhinho tinha piorado muito. Coração de pai também não se engana. Sabia que ele havia nos deixado e externei essa certeza para minha esposa que me chamou de pessimista. O que me comove é que na noite anterior, durante a visite, nosso bebezinho, que sempre ficava de olhos grudados na mãe, resolveu me olhar mais atentamente como a se despedir. Pressenti o adeus dele chegando a comentar com minha esposa ao retornarmos para casa.

Fomos direto para a UTI. Olhei pelo espelho e vi um pacote branco em cima da cama onde outrora estivera meu nenenzinho, o meu herdeiro, o meu maior sonho e a minha mais adorável criação de homem. Entramos na UTI e naquele momento percebi que havia algo escrito – era o nome dele. Tentei me fortalecer. Olhei para minha esposa que parecia não entender ou não acreditar, mas nosso filhinho estava morto, embrulhado num pano branco – era o nosso presente de Deus, empacotado para a eternidade.

Retirei cada uma das fitas adesivas que fechavam o embrulho. Guardei no bolso direito da calça a fitinha com o nome dele. Somente depois que ele apareceu completamente foi que minha esposa se deu conta da realidade. Tentávamos chorar, mas não havia mais lágrimas. Foram setenta e quatro dias de sofrimento, de decepções e de angústias que culminaram com o desenlace deu uma vida que não era nossa, mas de Deus. Foi apenas um presente que nos foi entregue por diminuto espaço de tempo.

Eu o conduzi nos braços para o necrotério do hospital. Depois eu o levei à casinha onde morávamos, no meu carro. Eu dirigia e minha sogra, juntamente com uma das minhas primas, ia com ele no bando de trás, como a ninar um nenenzinho.

Entrei em casa sem dizer uma palavra. Eu o conduzi até nossa cama de casal, abri novamente o embrulho. Não me importavam as pessoas que estavam ali presentes. Eu simplesmente não as vi.

Ingenuamente, com a pureza que somente as crianças possuem, minha filha, irmãzinha dele, aparece feliz, tão logo eu o coloco deitadinho na cama, e grita para todos ouvirem:

– Oba! Papai do céu trouxe meu irmãozinho pra casa! – ela diz essas palavras e se abraça ao irmão sem vida, feliz.

Todos choram. Eu não conseguia falar nenhuma palavra. Apenas me agarro desesperadamente aos meus dois filhinhos, um que ainda preciso cuida e ver crescer, participando de todos os momentos da vida dele; o outro, que certamente cuidará de mim até meu último suspiro.

Hoje entendo a razão de todo o meu desespero para que minha mãe levasse a máquina de fotografia, pois as fotos tiradas no primeiro dia de vida do meu filho que partiu são as únicas recordações palpáveis que minha obtusa visão de homem consegue enxergar. No meu íntimo, porém, permanecerão indeléveis todos os sorrisos que dele pude vislumbrar, dentre tantos momentos de provação.

Você foi um guerreiro, filho! Não desejamos justiça dos homens nem temos ódio em nosso coração, mas temos uma certeza: a de que você continua vivo e velando por todos nós.

Nijair Araújo Pinto

Crato-CE, 14 de agosto de 2008.
14h57min


Só os fortes são capazes de amar.

(Gandhi)

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Nada como o tempo...

Senadora Parícia Saboia:
"A administração Cid Gomes está sendo um passo atrás na história do Ceará".

A senadora Patrícia Sabóia(PDT) anuncia que será a voz da oposição ao governador Cid Gomes no Senado Federal em Brasília. Após ser derrotada nas urnas para a prefeitura de Fortaleza, Patrícia diz que está satisfeita com o resultado que obteve nas urnas. "Obtive 15% dos votos, sem recursos, enfrentando duas máquinas a do Estado e da prefeitura, mas saio das eleições consciente de ter dito tudo que gostaria. O eleitor de Fortaleza teve a oportunidade de ouvir.
Criticando duramente a forma de administrar o Ceará do governador Cid Gomes, a senadora Patrícia Sabóia denuncia que o atual modelo é mais atrasado até mesmo do que "a época dos coronéis".
Para Patrícia, Cid privilegia a política arcaica do atendimento dos pleitos dos vereadores e não pensa no macro, que é o interesse do povo cearense. "A administração Cid Gomes está sendo um passo atrás na história do Ceará".
Fonte: site Cearágora - Donizete Arruda

Foto do Dia e Previsão do Tempo


Acima: Foto da Rua Cel. Luiz Teixeira, visto a partir da calçada ao lado do Centro Cultural do Araripe. Note ao fundo, a igreja de São Vicente Ferrer. Clique na imagem para ampliar.


Previsão do tempo, segundo o site Climatempo. Não Chove.

Foto: Dihelson Mendonça

Mensagem do Dia - Corrida dos Sapinhos



Era uma vez uma corrida de sapinhos.
Eles tinham que subir uma grande torre e, atrás havia uma multidão, muita gente que vibrava com eles. Começou a competição.

A multidão dizia:

Não vão conseguir, não vão conseguir! Os sapinhos iam desistindo um a um, menos um deles que continuava subindo. E a multidão continuava a aclamar: "Vocês não vão conseguir, vocês não vão conseguir" . E os sapinhos iam desistindo, menos um, que subia tranqüilo, sem esforços. Ao final da competição, todos os sapinhos desistiram, menos aquele. Todos queriam saber o que aconteceu, e quando foram perguntar ao sapinho como ele conseguiu chegar até o fim, descobriram que ele era SURDO. Quando a gente quer fazer alguma coisa que precise de coragem não deve escutar as pessoas que falam que você não vai conseguir.

Seja surdo aos apelos negativos.

Autor desconhecido

Mônica Araripe

Ajuda para o garotinho Rummening, que precisa de transplante de medula !

Solidariedade

Carta do Leitor:

Passadas as eleições e discussões políticas, passou-se também o dia das crianças e as comemorações justas e devidas a cada uma delas. Gostaria muito que você Dihelson Mendonça atentasse no seu blog "que agora passou a ser de todos nós que nos preocupamos com a cidadania" para o caso de um garotinho chamado Rummening de apenas seis aninhos que está precisando muito de um transplante de medula, muitos caririenses já se mobilizaram e se mobilizam a cada dia a fim de encontrar um doador compatível para salvar sua tão pequenina vida! Algumas universidades caririenses, instituições, já se dispuseram e tentam junto com seus alunos se mobilizar a fim de encontrar o abençoado doador! Peço-lhe que se lhe for favorável ajudá-lo, por favor, divulgue o caso desta criança, ele está internado em Fortaleza e apresenta um quadro delicado! As pessoas que se dispuserem a doar entrem em contato com o número 3571-3850 que segundo o que me foi repassado o HEMOCE vai fazer a coleta no local!

Claudia Furtado Brito

Nota:
Com certeza, Cláudia, o Blog sempre foi e é de todos que buscam a cidadania. Está divulgada a sua carta. Conclamamos as pessoas que participem dessa corrente de solidariedade para com o Rummening, e possam ajudá-lo de todas as formas.


Sacrifício de animais diminui em 50% no Centro de Zoonoses


Controle de zoonose

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Eldom Menezes diretor do CCZ do Crato, confirma o uso de anestésicos no sacrifício dos cães (Foto: Antônio Vicelmo)

Depois da publicação da matéria no Diário do Nordeste, o Centro de Zoonoses do Crato reviu o método de sacrifício

Crato. Com a matéria publicada pelo Diário do Nordeste, denunciando o sacrifício de cães, no Centro de Zoonoses do Crato, numa câmara de gás, utilizando o gás carbônico, diminuiu consideravelmente o número de animais doentes sacrificados. Ontem foram mortos dez cachorros, acometidos de calazar, conhecida também por leishmaniose — infecção causada por um protozoário dos cães e transmitida ao homem, tendo como vetor um inseto com o nome popular de palhinha — pela picada nos cães doentes, transmitem ao homem.

O médico veterinário Eldon Menezes, diretor do Centro de Zoonoses do Crato, informou que a partir do dia 16 de setembro, quando foi publicada a denúncia no jornal, foi abolida a utilização da câmara de gás, passando a ser adotado o método recomendado pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), que consiste na aplicação prévia de um anestésico, seguido de uma dose de cloreto de potássio. A execução dos animais está sendo acompanhada por representantes da Sociedade Protetora dos Animais do Crato (SPAC).

Eldon explica que, anteriormente, estava sendo utilizada a câmara com gás carbônico porque era um dos métodos orientados pela resolução 714, do CFMV. Com mudança da lei e a denúncia feita pelo Diário do Nordeste, está sendo utilizado o método atual. São aplicados dois tipos de anestésicos à base de cloridato de kitamina e cloridato de xilazina.

A preocupação agora é com a redução do número de animais doados com patologias. O veterinário adverte que, no momento, o setor de epidemiologia da Prefeitura realiza uma campanha com o objetivo de identificar cães acometidos de calazar, tendo em vista a constatação de três crianças contaminadas com a doença na ladeira do Tamanqueiro.

O veterinário explica que os cães com sintoma de calazar são submetidos a exame de laboratório, cujos resultados são entregues dentro de seis dias. Se derem positivos, o dono do animal pode fazer um segundo exame, na rede particular.

Dois tipos

Existem dois tipos de Leishmaniose. A primeira é visceral, conhecida como calazar, doença sistêmica que circula por todo organismo e acomete alguns órgãos como fígado e baço. O calazar é caracterizado por febre de longa duração e, quando não tratada, evolui para a morte em um ou dois anos após o aparecimento dos sintomas. A outra é a forma tegumentar que atinge a pele ou mucosas, como nariz e boca, assemelha-se à lepra e pode levar à perda do tecido atingido.

Antônio Vicelmo
Repórter
Fonte: Jornal Diário do Nordeste.

Nota do Blog do Crato:

"Ah, depois dessas reportagens todas, o centro de zoonoses e seus operadores talvez coloquem até ar-condicionado e apartamentos de luxo para os cães! apenas por medo da repercussão que isso está trazendo, mas muitas cabeças ainda irão rolar...os que cometeram essas atrocidades contra os animais devem pagar pelos seus crimes."