12 outubro 2008

Nas mãos das Crianças - Homenagem pelo 12 de Outubro

Nas mãos das crianças o mundo vira um conto de fadas, porque na inocência do sorriso infantil,tudo é possível, menos a maldade.Crianças são anjos, são pedaços de Deus que caíram do céu para nos trazer a luz viva que há de fazer ressuscitar a verdade que vive escondida em cada um. De braços abertos a criança não cultiva inimigos, sua tristeza é momentânea. De olhos abertos a criança não enxerga o feio, o diferente, apenas aceita o modo de ser de cada um que lhe dirige o caminho.De ouvidos atentos a criança gosta de ouvir tudo como se os sons se misturassem formando uma doce vitamina de vozes, vozes que ela pode imitar, se inspirar para crescer. Questionando, brincando, a criança está sempre evoluindo, achando esse mundo um Paraíso,mas a criança sabe no seu interior o que é o amor e quer sugá-lo como se fosse seu único alimento,não lhe dê uma mamadeira de ódio, pois com certeza sua contaminação seria fatal e inesquecível. Criança me lembra: cor, amor, arco-íris, rosas, doce de brigadeiro, tintas das cores: vermelha, laranja, azul, amarelo; me lembra cachoeira, pássaros, dia de festa. Ser criança é estar de bem com a vida, é ter toda a energia do Universo em si.Feliz Dia DAs Crianças!


Lula colhe os frutos das políticas de Estado aplicadas no Brasil


Jorge Marirrodriga
Em Buenos Aires (Argentina)

O presidente do Brasil gosta de dizer que "Deus é brasileiro". E os que o escutaram nos últimos dias durante a campanha para as eleições municipais, realizadas no domingo, começam a se perguntar até que ponto Luiz Inácio Lula da Silva fala brincando ou a sério. Porque a verdade é que o gigante sul-americano, eternamente a ponto de decolar, parece ter alçado vôo definitivamente. E não só em termos econômicos ou de estabilidade política. O Brasil assumiu a responsabilidade de exercer ativamente a liderança regional, pondo em prática uma doutrina empunhada por todos os governos do país, segundo a qual a América do Sul é a área de influência estratégica desse país.Vendo a trajetória do Brasil nos últimos anos, poucos lembram que apenas em 2002, quando Lula estava prestes a chegar à presidência do país na liderança do Partido dos Trabalhadores (PT), o ex-sindicalista passou as últimas semanas de sua campanha eleitoral tranqüilizando os mercados financeiros e garantindo que o Brasil mudaria, mas as regras do jogo seriam respeitadas. Lula demonstrou que no Brasil existe uma realidade rara na América Latina: políticas de Estado. E o presidente mais popular do continente - em 13 de outubro receberá em Toledo (Espanha) o Prêmio Dom Quixote -, que lidera uma idéia de esquerda distante do populismo, está colhendo os frutos semeados por ele mesmo. Mas também assistiu à concretização de grandes projetos iniciados por seus antecessores.O Brasil se sente forte e seus vizinhos confiam nele. Um exemplo: a imagem registrada há duas semanas do presidente boliviano, Evo Morales, sentado à mesa de negociação junto com dirigentes regionais que negam sua autoridade e lideram um conflito que ameaça se transformar em guerra civil, só é explicável pela intervenção direta do presidente brasileiro e seu Ministério das Relações Exteriores.Outro dado: na semana passada, Lula transformou a cidade de Manaus no epicentro da futura rede de comunicações transamericana. No mapa, Manaus encontra-se literalmente sepultada pela selva amazônica, mas o projeto brasileiro não foi recebido com a menor sombra de ceticismo por seus vizinhos, como teria ocorrido há alguns anos. As propostas brasileiras já não provocam um levantar de sobrancelhas irônico entre os diplomatas vizinhos, especialmente os do sul.Mas a excelente imagem internacional do presidente - muito melhor que no interior de seu país, como costuma acontecer - não basta para justificar esse doce momento brasileiro. Com uma economia que atua como um grande aspirador, o Brasil capta US$ 90 de cada US$ 100 que chegam à América do Sul em forma de investimento estrangeiro. Seus 180 milhões de habitantes e uma segurança jurídica só igualada pelo Chile na região transformam o país em um dos mercados mais atraentes do mundo. Há décadas começou a pesquisar os biocombustíveis. Hoje é o maior produtor de etanol do mundo e praticamente todo o seu parque automobilístico funciona em maior ou menor grau com combustíveis não derivados do petróleo. Os EUA não duvidaram - ou não tiveram outro remédio - em procurar Lula como aliado para lançar os biocombustíveis em escala mundial e o brasileiro aceitou o convite, consciente de que a energia lhe permitirá aumentar de maneira decisiva a influência de seu país no continente.Apesar de vir de uma esquerda combativa como é o sindicalismo brasileiro, Lula - ao contrário do que fazem muitos presidentes sul-americanos - não faz distinções a priori entre amigos e inimigos. Esse presidente que só fala português tem uma boa relação com mandatários de todo o espectro político, de George W. Bush a Hugo Chávez. E ao mesmo tempo o Brasil se expressa com toda a dureza quando considera necessário. Da mesma forma lança advertências à Venezuela sobre seu papel na Bolívia ou aplica medidas de estrita reciprocidade no tratamento de cidadãos de países como Espanha, Canadá e EUA. Nas fronteiras brasileiras todos os cidadãos americanos devem ser submetidos ao mesmo processo - perguntas, impressões digitais eletrônicas, fotos e pagamento de taxas - por que passam os brasileiros quando chegam aos EUA.Lula continuou e deu novos argumentos a uma tarefa iniciada por seus antecessores e que é fundamental para conquistar a liderança regional. O Brasil chefia a alternativa mais séria e viável ao projeto americano que prevê uma área de livre comércio do Alasca à Terra do Fogo. Evitando a tentação de recorrer só à ideologia, o presidente brasileiro pôs sobre a mesa números, dados e resultados para defender que essa fusão ocorra em blocos: um dos maiores, o Mercosul, é liderado pelo Brasil. E quando é necessário adota boas idéias alheias que acabarão aparecendo como suas. Assim, na semana passada Lula aprovou a criação do Banco do Sul, uma idéia de Hugo Chávez, da qual o brasileiro retirou toda a carga antiamericana.A diferença fundamental entre o Brasil e seus vizinhos é que o primeiro vê a jogada de longe. Lula encarou um novo movimento americano que, embora não cause preocupação do ponto de vista prático, o faz enquanto símbolo. Washington decidiu reativar sua IV Frota baseada na Flórida, mas será destinada a patrulhar as águas do Atlântico Sul. Exatamente águas nas quais o Brasil descobriu reservas de petróleo que estariam entre as maiores do mundo. "Estamos preocupados", reconheceu o presidente brasileiro à imprensa local. Para o Brasil, o Atlântico Sul se transformou em uma área de interesse estratégico e só está disposto a dividi-la com a África do Sul, país com que estreitou relações político-econômicas de forma exponencial nos últimos anos, e se resigna à crescente presença britânica em uma extensa área ao redor das ilhas Falkland/ Malvinas.O Brasil tem boa imagem e Lula sabe aproveitá-la. Tarimbado em décadas de discussões políticas e em seu segundo e último mandato, o inquilino do Palácio do Planalto aprendeu a tourear com as questões espinhosas. "Crise? Pergunte ao Bush. A crise não é minha", responde quando interrogado.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
Visite o site do El País

Centenário de Nascimento de Cartola.



Se vivo fosse , estaria completando hoje 100 anos um dos maiores compositores da musica popular Brasileira. Angenor de Oliveira , nasceu no Rio de Janeiro,era cantor, poeta se destacando como compositor.Uma das mais conhecidas composição As rosas não falam, foi gravada pelos maiores cantores da MPB brasileira. O sol nascerá foi regravada mais de 600 vezes. Cartola faleceu aos 72 anos , no dia 30 de novembro de 1980, vítima de câncer.

Por: Amilton Silva.

Estarei Voltando Hoje ao Crato...

Olá, Gente!

Bom domingo para todos.
Estou ainda em Fortaleza. Aproveito para cumprimentar todo o pessoal de Fortaleza que acessa o Blog do Crato. Encontrei alguns até na festa em que tocamos lá na praia do Cumbuco.
Comunico ainda que estarei voltando hoje à noite ao Crato, e dizer que temos muitos e-mails e mensagens para serem liberadas. Se alguém escreveu algum artigo ou comentário e este ainda nao apareceu no Blog, é porque precisa da liberação. Amanhã de madrugada ( segunda , estarei já liberando tudo isso ).

Um grande abraço,
Até a volta...

Dihelson Mendonça

Por que o mercado ainda não reage?

Bilhões de dólares já foram lançados no mercado para estancar a crise, mas calmaria não veio.

De acordo com os especialistas, o problema agora não é mais falta de crédito, mas de confiança. A resposta deve ser lenta

Desde o agravamento da crise mundial, bilhões e mais bilhões de dólares já foram injetados no mercado financeiro mundial. As respostas, porém, ainda são tímidas. O problema, argumentam os especialistas, já não é mais a falta de liquidez, mas permanece a falta de confiança, que faz com que investidores continuem sacando seus recursos. E a recuperação dessa confiança é um processo bem mais lento do que a aprovação de pacotes de socorro financeiro. Para Alcides Leite, professor da Trevisan Escola de Negócios, um retorno mais efetivo depende de uma ação conjunta mais profunda do que a redução dos juros. Segundo ele, esse corte pelo Fed (Federal Reserve) em conjunto com outros Bancos Centrais já aponta para um nível de coordenação e organização positivo, não visto até então, mas ainda não é o suficiente. Assim como não foram os US$ 1,4 trilhão colocados no mercado pelos EUA e outros governos no Japão e na Europa. A expectativa é que o plano anunciado pelo G7, sexta-feira, ajude a aliviar a situação.

O mercado está travado porque todos preferem manter seus recursos em caixa. ´O problema é a falta de confiança no futuro. Enquanto essa confiança não for restabelecida, as empresas não giram e os negócios param de acontecer´, comenta o economista Ênio Viana. Este é um processo lento, que pode levar semanas ou meses: ´Ainda temos muitas interrogações. A única coisa que sabemos é que não é uma crise passageira´.

Carlos Eduardo Oliveira, conselheiro do Corecon-SP (Conselho Regional de Economia de São Paulo) explica que a quebra de grandes instituições nos Estados Unidos e Europa trouxe um efeito ´bola de neve´ no crédito, mercado e parceiros. Este ano, 13 bancos faliram nos Estados Unidos.

´A falta de confiança foi generalizada, os bancos perderam muitos recursos e agora precisam se alavancar, mas isso leva tempo´, diz.

Alcides Leite acredita que o clima só irá melhorar após o saneamento do sistema financeiro, com a retirada de títulos ruins do mercado e também de instituições, seja para recuperá-las ou fechá-las. Ele argumenta que ´a medida do que forem se mostrando ações coordenadas, o mercado voltará a ter confiança, ainda que lentamente´. Um processo em que uma peça puxa a outra e que pode levar meses para a retomada do motor da economia.

Carlos Eduardo de Oliveira afirma que´os bancos ainda não estão emprestando com receio do que irá acontecer e a economia não funciona sem crédito´. A expectativa é que com o ajuste do mercado — com dívidas, títulos ruins e instituições irresponsáveis expurgados — empresas e governos se adaptem à nova realidade de financiamentos menores. Com isso, os especialistas acreditam que a dinâmica do crédito se normalizará e a economia aos poucos voltará aos eixos.

Mônica Lucas
Repórter

COMENTÁRIO DE CARLOS EDUARDO ESMERALDO:
No Brasil, há uma grande torcida pela jornalões golpistas e meios de comunicação em geral, que torcem para que o impacto da crise americana destroce a nossa economia. A serviço dos partidos da oposição golpista, eles estão de olho em 2010 e vêm como única forma de destronar um governo que atualmente conta com oitenta por cento de aprovação, um caos geral na economia.

Coluna de Elio Gaspari


Elio Gaspari
Por qué no te callas, Lula?
Publicado em 12/10/2008

Agência O Globo


Para o bem de todos, Nosso Guia precisa aprender a ficar calado diante da crise financeira. Suas bobagens comprometem a credibilidade do país. Em setembro, falando na ONU, ele disse o seguinte: “Das Nações Unidas, máximo cenário multilateral, deve partir a convocação para uma resposta vigorosa às ameaças que pesam sobre nós”. Quem conhecer uma pessoa capaz de acreditar que a ONU tem capacidade, estrutura e autoridade para tratar desse assunto ganha uma passagem de ida e volta a Cuba. Quem conhecer duas ganha só a de ida.
Semanas depois, tratando da capotagem da Sadia e da Aracruz, que torraram R$ 2,7 bilhões em operações cambiais exóticas, Nosso Guia acusou as empresas de estarem apostando contra o real. Falso. Elas perderam dinheiro porque apostaram a favor. Mesmo que estivesse certo, não fica bem para um presidente da República o comportamento que o jornalista americano Murray Kempton atribuiu aos editorialistas: “Depois da batalha, eles vão ao campo e matam os feridos”.
Admita-se que sua teoria da “marolinha” foi conversa de palanqueiro. Até porque dias depois, tratando do problema, disse que “não sabemos o seu tamanho”. Releve-se a sua interpretação da geografia ao dizer que “até agora, graças a Deus, a crise americana não atravessou o Atlântico”. Foi a segunda vez que Nosso Guia relacionou a travessia do Atlântico com um percurso Norte-Sul. Em geral, as pessoas associam essa travessia às viagens de Colombo (de barco) e Charles Lindbergh (de avião), no sentido Leste-Oeste (ou o contrário).
Administrando uma crise que botou a Bolsa de joelhos, meia dúzia de bancos no vermelho e o dólar a R$ 2,30, o presidente da República pode fazer tudo, menos tratá-la com olhar de marqueteiro. Foi isso que George Bush fez nos último 12 meses. Pagará o preço de uma vergonhosa saída da Casa Branca.
Quem trata a crise como coisa pitoresca num personagem pitoresco se transforma. Como ele mesmo já disse, a crise exige “juízo e responsabilidade”. Sobretudo dele.

Onde fica o cemitério dos Deuses mortos ?



Algum enlutado ainda regará as flores de seus túmulos?


Houve uma época em que Júpiter era o rei dos deuses, e qualquer homem que duvidasse de seu poder era ipso facto um bárbaro ou um quadrúpede. Haverá hoje um único homem no mundo que adore Júpiter?E que fim levo Huitzilopochtli? Em um só ano – e isto foi há apenas cerca de quinhentos anos – 50 mil rapazes e moças foram mortos em sacrifício a ele. Hoje, se alguém se lembra dele, só pode ser um selvagem errante perdido nos cafundós da floresta mexicana.Falando em Huitzilopochtli, logo vem à memória seu irmão Tezcatilpoca. Tezcatilpoca era quase tão poderoso: devorava 25mil virgens por ano. Levem-me a seu túmulo: prometo chorar e depositar uma couronne des perles. Mas quem sabe onde fica? (...)Arianrod, Nuada, Argetlam, Morrigu, Tagd, Govannon, Goibniu, Gunfled, Odim, Dagda, Ogma, Ogurvan, Marzin, Dea Dia, Marte, Iuno Lucina, Diana de Éfeso, Saturno, Robigus, Furrina, Plutão, Cronos, Vesta, Engurra, Zer-panitu, Belus, Merodach, Ubililu, Elum, U-dimmer-an-kia, Marduk, U-sab-sib, Nin, U-Mersi, Perséfone, Tammuz, Istar, Vênus, Lagas , Belis, Nirig, Nusku, Nebo, Aa, En-Mersi, Sin, Assur, Apsu, Beltu, Elali, Kusky-banda, Mami, Nin-azu, Zaraqu, Qarradu, Zagaga, Ueras.Peça ao seu vigário que lhe empreste um bom livro sobre religião comparada: você encontrará todos eles devidamente listados. Todos foram deuses da mais alta dignidade – deuses de povos civilizados –, adorados e venerados por milhões. Todos eram onipotentes, oniscientes e imortais. E todos estão mortos.”


H. L. Mencken

O NOSSO SANSÃO

Carlos Edurado Esmeraldo

No Sítio Pau Seco, aí pelo final dos anos quarenta e nas décadas seguintes, surgiu um homem extraordinário. Era conhecido por Zé Moreira e tido por muitas pessoas como um novo Sansão, posto que dotado de uma força descomunal. Filho de um humilde leiteiro, Zé Moreira trabalhava no Engenho do Pau Seco. Era uma verdadeira máquina. Imaginem que ele alimentava a caldeira do engenho, tirando água de um cacimbão, através de um balde atado a uma corda, que por ele era puxada. Essa operação era refeita repetidas vezes ao dia. Em seguida, ele transportava essa água para uma pequena caixa d’água que abastecia a caldeira. Para isso, utilizava-se de seis latas, dessas usadas como vasilhame de querosene, cada uma com capacidade estimada de uns 20 litros. As latas eram presas por uma corda a uma pequena travessa de madeira, denominada pelos rurícolas de galão e suspensas sobre o pescoço do Moreira, três latas de cada lado do seu corpo. Um trabalho desses já era demais para um homem normal. Porém Zé Moreira, além disso, tratava do gado leiteiro, ajudava a tirar o leite pela manhã, preparava a ração das vacas e bezerros e abastecia de água os serviços domésticos da casa grande. Tamanha atividade física exigia uma boa alimentação. Lembro-me que o almoço do Zé Moreira não cabia num prato comum. Assim sendo, ele comia numa bacia de folha-de-flandres quase do mesmo tamanho daquelas bacias brancas para o asseio das mãos, ainda existentes nas salas de jantar das casas do nosso sertão. Desnecessário afirmar que esta refeição, realizada três vezes ao dia, era composta de arroz, feijão, carne, farinha de milho e pequi, tudo dosado numa boa quantidade.

Até hoje se mantém gravada na minha memória uma incrível cena que presenciei. No lusco-fusco do final de tarde de outubro, uma grande boiada passava pela estrada do Pau Seco em direção ao Juazeiro. Um dos vaqueiros parou, disse a quem pertencia aquele gado e pediu pousada por aquela noite. Imediatamente obteve autorização para que a boiada fosse colocada na bagaceira do engenho, junto com outros animais que ali passavam a noite bebericando tiborna e comendo bagaço verde e palhas da cana. No dia seguinte, acordei mais ou menos às cinco horas da manhã, com a voz do meu pai perguntando por que o engenho ainda estava parado àquela hora. Os trabalhadores responderam que havia um touro brabo no meio do gado, botando todo mundo para correr. Naturalmente, aquele boi ficara bêbado por exceder-se na tiborna, um rescaldo da destilação do alambique, que deixa enfurecido qualquer animal que não tenha o hábito de prová-lo. Levantei-me a tempo de ver o touro escavando o chão, formando em torno dele uma enorme nuvem de poeira escura. Os próprios vaqueiros que conduziam a boiada sentiam-se desencorajados para prender aquele valente boi. Quando Zé Moreira avistou aquela cena, ignorando os protestos dos seus companheiros de trabalho, que temiam por sua sorte, entrou firme na bagaceira e esperou o boi partir para cima dele. Com a rapidez de um praticante de luta livre segurou os chifres daquele touro enfurecido e deu um giro de aproximadamente 90° na cabeça do paquiderme. A fera caiu de uma vez só, provocando um surdo ruído ao bater com o corpo no chão. Um choque de cinqüenta arrobas contra o solo seco. Os vaqueiros depressa se encheram de coragem e laçaram o boi. Ajudados pelo Sansão do Cariri conduziram-no para o meio da boiada que esperava no caminho, um pouco mais adiante.

A família do Zé Moreira era composta por uma mulher cega e dois de seus cinco filhos também cegos. A cegueira não impedia sua mulher de fazer os serviços domésticos, além de realizar pequenos consertos de costura. Era admirável como ela conseguia enfiar a linha pelo buraquinho estreito da agulha. Não sei se devido a esse infortúnio, Zé Moreira gostava de beber uma “branquinha” e espairecer um pouco nos seus dias de folga. Então, largava-se para o Crato ou Juazeiro, onde quer que houvesse um forrobodó. Certa vez estava num “samba” que se realizava próximo à estação ferroviária do Juazeiro. Convidou uma jovem para dançar e ela respondeu que não dançava com velhos. O sangue juntamente com a cachaça subiu-lhe à cabeça. Segurou a moça pelo vestido, à altura dos seios e deu um forte sacolejo para o alto, que a jovem subiu alguns centímetros acima do nível do mar, de modo que, o seu vestido ficou preso nas mãos do Zé Moreira. O tempo fechou nesse “samba” e o sarrafo comeu solto. Era Zé Moreira contra uns dez homens que não conseguiram domá-lo. Dois policiais que estavam na estação, viram a confusão, rapidamente chegaram ao local da festa e agarraram nosso Sansão. E ele, com a serenidade que lhe era peculiar, começou a pedir calma aos dois policiais, enquanto apertava o braço de cada um deles com tanta força, que eles o soltaram; desistiram de prendê-lo e saíram imediatamente do local. A coisa serenou e o Moreira pedia que o tocador voltasse com a música. De repente, chegou um caminhão carregado de policiais. Era demais! O nosso herói vendo que seria preso e espancado por aquele batalhão, correu pela linha do trem em busca do São José. A polícia seguiu em seu encalce até a saída do Juazeiro. Quando Zé Moreira ia chegando próximo do São José, extenuado pela correria de mais de seis quilômetros, tropeçou num dormente da ferrovia, caiu e exclamou como se reconhecesse uma derrota: “filhos de uma égua, ainda vêem em atrás de mim esse tempo todo!”