30 setembro 2008

Enviei os Convites de membros do Blog do crato para cada E-mail.

Quem não recebeu, me avisa...

Olá, Amigos,

Já enviei convites de AUTOR/ESCRITOR para os nomes listados na mensagem abaixo, e inclusive a outros que não estavam na listagem, como a Carla Prata do SESC, e o Alexandre Lucas, do Coletivo camaradas.

Peço agora que vocês abram seus e-mails, e tendo recebido os convites enviados pelo Google:
"Você foi convidado a contribuir para o Blog de Dihelson Mendonça"

Abra o convite e siga as instruções contidas nele.
Geralmente é apenas clicar em um link e vai para uma página aonde você personaliza o nome que deseja que apareça nas suas Postagens. Isso dá pra mudar depois, cada pessoa pode editar.

Por gentileza, façam isso o mais breve possível, a fim de me liberar do trabalho de editar os textos e ficar a verificar os comentários, que agora podem ser escritos diretamente por vocês membros/Autores:

PARABÉNS AOS NOVOS MEMBROS DO BLOG DO CRATO !!

Abraços,

Dihelson Mendonça

Frase do dia!


Não demore para aproveitar a vantagem de uma vantagem
honesta que se apresente.
Autor desconhecido

Meus amigos, vamos facilitar meu trabalho ! - IMPORTANTE -

Atenção, Amigos:

Carlos Eduardo Esmeraldo,
Amilton Silva
Antonio Morais
João Ludgero,
Dr. Valdetário,
Luiz Cláudio Brito
Nijair Pinto
João Paulo
Samuel Teles,
Tânia Peixoto,
Vicente de Paulo Fuísca,
Ernani Brígido,
José Nilton de Figueiredo,
Dr. Heládio,
Alexandre Lucas,

Amigos, enfim chegou a hora!
Pretendo transformá-los em membros permanentes/Autores do Blog do Crato. Seus comentários não necessitarão passar pela minha revisão, embora eu possa fazer alguns consertos, se autorizado, e também, cada um poderá postar seus próprios artigos, independente de mim.

O motivo do meu pedido é que todos os artigos ( e graças a Deus são muitos ), primeiro vêm para mim, para depois liberar. Como todo mundo aí da lista já "é de casa" não precisa mais eu ficar editando os artigos de vocês, o que me dá um trabalho muito grande todo dia.

Então, para que vocês se tornem Autores/Membros, eu vou enviar mensagem convite para cada um por e-mail. Basta seguir as instruções lá contidas. Geralmente, tem um link que se deve clicar e ir preenchendo uma pequeno questionário. Com isso, chegará até mim, a mensagem de que vocês confirmaram ser membros.

Por gentileza, façam isso.
É prioridade agora.
Vou enviar os convites pelo seu e-mail cadastrado e fico no aguardo.
Para facilitar minha vida, peço a todos dessa lista me enviar POR E-MAIL uma confirmação.

Um grande abraço,

Dihelson Mendonça
30/09/2008 - 08h55
Portugal poderá buscar médicos de família no Brasil


São Paulo - Enquanto a União Européia anuncia que vai criar novas restrições para a entrada de profissionais e de imigrantes em geral, Portugal vive uma polêmica diferente. O país debate se deve ou não "importar" médicos, principalmente da América Latina. Segundo o Ministério da Saúde de Portugal, há falta de médicos de família e a ministra Ana Jorge deixou claro que vai negociar com governos latino-americanos a possibilidade de que o mercado português seja suprido.O objetivo é levar clínicos-gerais. A assessora do ministério, Joana Refega, confirma que o Brasil está no radar e que estudos estão sendo feitos para avaliar quais países seriam alvo da iniciativa. O tema pode ser objeto de uma conversa com o ministro brasileiro da Saúde, José Gomes Temporão, que deve fazer uma visita a Portugal no próximo mês."Nós temos muitas pessoas sem médicos de família. O número de médicos de família neste momento ainda não é suficiente para podermos atender a todos", afirmou a ministra, sem dar números. Um dos problemas, segundo o ministério, é que a maioria dos médicos formados acaba buscando uma especialização, entre outros motivos, para garantir um melhor salário. O mesmo problema, aliás, ocorre no Brasil.Outro motivo do déficit de médicos é que profissionais espanhóis que foram a Portugal trabalhar nos últimos anos agora estão saindo do país em busca de melhores salários. Até três anos atrás, a carência de profissionais da saúde em Portugal era preenchida principalmente por espanhóis. "A vinda dos médicos da Espanha começou em 1999. Chegaram a ser mais de 2.200. Hoje são 1.800", diz o presidente da Associação dos Profissionais de Saúde Espanhóis em Portugal, Xoan Gómez.Algumas entidades alertam que há um excedente de médicos em Portugal e que a solução não seria importar, mas redirecionar os profissionais. Em Portugal, existe 1,7 médico para cada 500 pessoas. O problema é que muitos estão concentrados no Porto e em Lisboa. A Ordem dos Médicos alega que já existem 4,2 mil médicos estrangeiros exercendo a profissão no país, mais de 10% do total em Portugal. Só do Brasil são 600. Dos demais países da UE são outros 2,5 mil, enquanto os países africanos de língua portuguesa contribuem com 261. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Dragão Esmeraldo

Exposição antecipa comemorações de 80 anos do escultor Sérvulo Esmeraldo

Parece, à primeira vista, um grande livro tridimensional de geometria, com círculos, quadrados e linhas espalhados pelo espaço. Mas ora, se a matemática fosse assim tão bonita, certamente não daria dor de cabeça para aprender. Acontece que junto ao cálculo está a visão singular de um dos principais artistas da chamada arte construtivista, reconhecido no Brasil e no exterior. Com extrema sensibilidade e apuro técnico, o cearense Sérculo Esmeraldo transforma formas e volumes em uma experiência estética marcante. Seus números transfiguram-se em arte, que hoje domina boa parte da paisagem urbana de Fortaleza, a exemplo da escultura na Praça da Sé (Fonte Cinética em Aço, 2002), hoje desativada.

Um apanhado significativo dessa trajetória poderá ser conferido a partir de hoje, em vários espaços do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, com a exposição “Sérvulo Esmeraldo por Mota Machado”. Patrocinada pela construtora e com curadoria de Dodora Guimarães, a mostra reúne obras dos últimos 40 anos do escultor, inclusive peças inéditas no Ceará. A exposição antecipa ainda a comemoração aos 80 anos de vida de Esmeraldo, que faz aniversário em 27 de fevereiro de 2009. O presente fica para o público da cidade.

Oito décadas cederam ao artista virtudes típicas da experiência. Paciente e sereno, sua fala é pausada, mas nunca desatenta ou ausente de uma certa ternura. É assim ao lembrar os primeiros indícios pela inclinação artística, ainda menino. “Quando dizia, por exemplo, ‘olha que diferente aquele galho’, meus amigos não entendiam. É um tipo de olhar para observar certas coisas não muito evidentes”, recorda.

Tal sensibilidade despertou no jovem a curiosidade pelo funcionamento das coisas, suas estruturas e formas. Na adolescência dedicou-se ao desenho e conheceu a técnica da xilogravura. Também trabalhou com argila. “Comecei pelo barro, havia uma olaria na fazenda do meu pai. Argila e madeira são materiais que estão à mão e são fáceis de trabalhar, bom para quem está começando. Depois passei para o metal, fazia pequenos objetos com retalhos de cobre, até jóias”, lembra.

Materiais

Transferido para o Liceu do Ceará, em Fortaleza (após o Ginásio Diocesano do Crato o expulsar por conta de suas leituras “subversivas” - na ocasião, o bode expiatório foi um livro de Jorge Amado), aproximou-se dos integrantes da Sociedade Cearense de Artes Plásticas - Scap. A participação no VI Salão de Abril, em 1950, rendeu-lhe um prêmio.

No ano seguinte ruma para São Paulo, visando a Faculdade de Arquitetura - à época o curso que mais se aproximava da fomação em artes plásticas. “Fiz vestibular para a Fau (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, da USP). Só havia 30 vagas, fiquei em 32°”, relembra entre risos. Nesse entremeio, trabalhou na Empresa Brasileira de Engenharia (EBE) e no jornal Correio Paulistano, como ilustrador. Em 1957, o adido cultural da França, então de passagem por São Paulo, comparece a uma exposição sua no MAM. “Ele disse que meu trabalho era muito bom e sugeriu tentar uma bolsa do Governo Francês. Me inscrevi e fui selecionado”, recorda Esmeraldo.

Foi na capital francesa onde realmente aprofundou sua formação artística. “Fiquei lá por 20 anos. Estudei na Escola Superior de Belas Artes, fazendo litogravura. Também trabalhei no ateliê do artista Friedlaender por dois anos. Daí já comecei a voar com asas próprias, a vender algumas gravuras em pequenas galerias. Fui despojando minha produção até chegar a uma concepção minimalista”, analisa.

Nesse sentido, para Esmeraldo, a influência da técnica é primordial. “Instintivamente já tinha me orientado para aquilo, pelo próprio proceder da gravura, que requer grande economia de meios. Essa economia atinge o pensamento. Como minha maneira de ser também era de simplificar, fui apurando meu trabalho e atingi um ponto de limpeza incomum para a gravura em metal na época. Então acho que dei um passo”, acredita o artista.

Vôos

A partir de 1975 iniciou processo de retorno ao Brasil. Uma vez em território tupiniquim, precisou adaptar os materias utilizados e, conseqüentemente, sua linguagem. “Na França, encontra-se facilmente acrílico e mármore de qualidade. No Ceará, o aço é mais comum. O material acaba funcionando como indutor: o mármore, por exemplo, tem determinadas limitações. Diria que implica em uma escolha”, acredita.

Nesta nova exposição, relevos, gravuras, objetos e esculturas de Sérvulo Esmeraldo encontram-se espalhados por cinco ambientes. Em duas salas do Memorial da Cultura cearense estão peças em aço pintado, com formas geométricas, produzidas entre 1980 e 2008. O caminho se estende pelo hall da livraria, a rampa e a Praça Verde, que abriga a última escultura feita pelo artista, de seis metros de altura. O percurso termina no MAC, onde estão peças realizadas entre 1968 e 2008, em acrílico, mármore, metal e outros materias. O destaque vai para a série “Excitables”, objetos que requerem a interação do espectador por meio de eletricidade estática. Ttrabalho que teve início ainda na França e deu bastante visibilidade ao escultor na arte cinética.

A abertura da exposição contará com a presença da historiadora e crítica de arte Aracy Amaral, que está escrevendo um livro sobre a obra de Sérvulo Esmeraldo.

ADRIANA MARTINS
Repórter

Mais informações:

´Sérvulo Esmeraldo por Mota Machado´: Abertura hoje, às 19h, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (R. Dragão do Mar, 81). Contato: 34888600. Até 16/11.

Extraído do Jornal Diário do Nordeste de 30 de setembro de 2008.

Hoje no DN - Campanha estimula voto consciente


Contra corrupção

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Eleitores aproveitaram o mote da campanha para incentivar participação ativa da cidadania (Foto: Antônio Vicelmo)

Crato. Um encontro de duas gerações. O velho advogado e promotor de Justiça, Raimundo de Oliveira Borges, com 101 anos, e os jovens promotores e Élder Ximenes e Plácido Barroso Rios. Era o passado e o presente numa simbiose de experiência e sabedoria com a competência e o entusiasmo. Foi assim que foi definida solenidade durante a qual Oliveira Borges encabeçou a lista de assinaturas para o projeto de iniciativa popular que tem o objetivo de impedir a candidatura de candidatos ficha suja.

Ao subscrever o abaixo-assinado, Borges deu uma lição de ética e democracia à nova geração de aplicadores do Direito, afirmando que o fortalecimento das instituições só será alcançado com o voto livre e consciente. A Campanha deu prosseguimento à mobilização realizada na Praça da Sé, durante a última sexta-feira, quando foi realizado o dia D de Combate à Corrupção. A solenidade foi aberta pela juíza eleitoral Geritsa Montezuma, que chamou a atenção dos eleitores para as conseqüências do voto. Em seguida, em tom ecumênico, falaram o pastor da Igreja Batista do Crato, Samuel Macedo Lobo; e o bispo da Diocese, dom Fernando Panico.

Na parte artística, a maior atração foi a dupla de repentistas Silvio Granjeiro e Francinaldo Oliveira, que se revezou com versos, criticando os políticos corruptos. O ato público só terminou à noite.

O Comitê de Combate à Corrupção distribuiu um modelo de título eleitoral, com uma mensagem do poeta alemão Bertolt Brecht (1913-1956), com os seguintes dizeres: “O pior analfabeto, é o analfabeto político”. Na visão do autor, a irresponsabilidade do voto pode acarretar o surgimento de mazelas como a desigualdade social e entraves para o desenvolvimento humano.

Reportagem: Antonio Vicelmo
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PEQUENO GRANDE HOMEM

Carlos Eduardo Esmeraldo

Acho que não havia ainda completado seis anos de idade quando o conheci. Nessa época, eu vivia livre nos matos do Sítio São José, ouvindo o canto dos pássaros, o mugir das vacas, o apito do engenho, a passagem dos trens a pouco mais de cem metros da nossa casa. Mel, alfenins, rapadura e garapa morna da cana recém-moída eram os meus quitutes prediletos. Tamanha carga de açúcar adicionada à minha alimentação, associada à minha rebeldia contra o uso da escova de dentes, levou-me a uma noite mal dormida, que eu jamais esquecerei. Um dentinho de leite estragado foi a causa daquela minha primeira noite de insônia. Ainda hoje, quase sessenta anos depois, escuto a voz doce e suave da minha mãe, tentando acalmar o meu choro: “Amanhã vou lhe levar ao doutor Aníbal para ele obturar esse seu dente.”
No dia seguinte, levantamos da cama cedo e fomos rumo ao Crato numa das “Sopas do Anselmo”, como chamávamos os velhos ônibus, cujas carrocerias eram adaptadas de velhos caminhões, e que transportavam pela poeirenta estrada velha os moradores do Crato para o Juazeiro, e vice-versa. Da praça onde os ônibus estacionavam para o consultório do doutor Aníbal era um pulinho só. Após algum tempo de espera, que para mim pareceu não ter fim, eu e mamãe fomos introduzidos no consultório do doutor Aníbal. Aos meus olhos de criança estava diante de um homem muito grande. Segurou-me fortemente e, num piscar de olhos me sentou numa cadeira esquisita. Em seguida, ele mandou que eu abrisse a boca e se dirigiu a um canto da sala para pegar um instrumento que me pareceu ser um alicate. Os humildes moradores do São José que tinham seus dentes extraídos, ou melhor: “arrancados”, como diziam eles, contavam horrores das extrações de dente. Então segurei firme com as duas mãozinhas o seu braço e disse: “O senhor não vai arrancar não!” E ele, com voz calma e tranqüilizadora, respondeu: “Calma rapaz, eu vou só extrair.” Na minha doce inocência pensei que ele desejava dizer, com outra palavra que eu não conhecia, que ia apenas obturar o meu dente. Foi uma operação indolor e logo fomos dispensados. Na saída para a rua, depois de cuspir na raiz de um enorme pé de fícus que existia defronte ao consultório e ver a prostrada de sangue, exclamei para mamãe: “Que doutor enrolão! Ele disse que ia extrair e fez foi arrancar!” Desnecessário dizer que fiquei mal-acostumado. Desse dia em diante, quando um dentinho de leite amolecia, insistia que ele fosse extraído pelo doutor Aníbal. Ele foi meu dentista por quase meio século. Não somente meu, mas de todos da minha família.
O tempo passava e anualmente tinha de ir ao dentista. Não sei se existe alguém que goste de ir ao dentista. Eu pelo menos não gostava e continuo assim nos dias atuais. Horas de espera no consultório lotado de clientes. Naquela época, não havia esse requinte de marcar horário. O atendimento no consultório do doutor Aníbal era por ordem de chegada. E até seus filhos entravam na fila. Por isso, eu mal chegava do colégio, almoçava às pressas para ser o primeiro da fila. Na fila de espera, eu olhava curiosamente o movimento da casa, que tinha as duas salas da frente reservadas para o consultório e o restante como residência da família. A cada ano nascia uma criança na casa do doutor Aníbal. Ao todo: oito filhos geneticamente distribuídos: quatro homens, quatro mulheres, dois homens morenos e dois louros, duas morenas e duas louras. Quando eu já tinha mais ou menos uns doze anos de idade, comecei a notar que uma das filhas do meu dentista tinha uma beleza que me chamava à atenção, além de uma acentuada meiguice, destacada pela bela e entoada voz quando cantava: “hei você aí, me dá um dinheiro aí...!” Observava, sem jamais ser notado, quando ela saia para a escola com sua fardinha branca sobreposta por um pequeno avental de quadradinhos azuis. Jamais poderia imaginar naquela época, que aquela filha do meu dentista seria minha mulher e doce companheira por essas estradas da vida. Mas o meu futuro sogro, além de filho de um velho amigo do meu pai, era também um de seus melhores amigos. Nos feriados do carnaval e da semana santa, uma caravana de amigos de papai ia para nossa fazenda “Mão Esquerda”, no Pernambuco. Entre esses amigos estavam o prefeito Ossian Araripe, Jósio Araripe, Antonio Luis, Chico Piancó, doutor Aníbal e dona Maria Eneida. Ficava chateado porque eles não levavam os filhos.
Todos os dias de minha vida eu agradeço a Deus por ter proporcionado a graça de casar com Magali, uma das filhas do doutor Aníbal. Ela é tudo aquilo que os olhinhos do meu coração de criança enxergavam e muito mais. Juntamente com seus irmãos, todos eles são herdeiros da simpatia, do caráter, do senso de justiça e respeito ao ser humano, principalmente aos mais pobres, aliado à fidalguia, atributos adquiridos do doutor Aníbal e dona Maria Eneida.
Além dessas qualidades que aqui relacionei, o meu sogro, quando na juventude, era um desportista aplicado. Certa vez, o diretor da Coelce, Espedito Cornélio me disse que nos anos quarenta o doutor Aníbal era o melhor jogador de basquete da seleção cratense. Na hora achei que ele estava falando de outra pessoa. Esta minha dúvida somente foi dissipada no dia em que estávamos no Aeroporto do Juazeiro, para embarcar alguém da família, e lá nos encontramos com o coronel Adauto Bezerra. Ele nos cumprimentou e perguntou: “Aníbal, você ainda joga basquete?” Confirmada mais essa qualidade do meu sogro, depressa descobri outras tantas com muita facilidade: sua inteligência privilegiada era uma delas. No dia em que completou cinqüenta anos de sua formatura no CPOR, fui com ele até a sede da 10a Região Militar para as comemorações. O general comandante lhe entregou uma condecoração e disse para todos os presentes que, até aquela data nenhum aluno do CPOR havia superado as notas do aluno Aníbal Viana de Figueiredo. Ele havia sido aprovado com a nota igual a dez em todas as provas. Nesse instante, olhei para ele e me ocorreu que ele ficou achando que aquele elogio não era com ele, tão simples e desprovido de vaidade ele era. Se alguém lhe dirigisse um gracejo, ele respondia com outro maior ainda. Certa vez estava em sua casa e ele só me chamava de Eduardo. Como ele estava com mais de oitenta anos e num processo de esclerose, pensei que ele me confundia com seu outro genro Eduardo Siebra. E então brinquei com ele: “Isto é que é gostar do seu genro Eduardo Siebra. Só me chama pelo nome dele.” E ele retrucou imediatamente: “Seu nome não é Carlos Eduardo?” Numa prova de que a inteligência não envelhece e nem desaparece com o passar do tempo.
Apesar de ter o seu consultório sempre lotado de clientes, o doutor Aníbal nunca fez fortuna com a profissão. Tratava com a mesma distinção ricos e pobres, mesmo quando estes não podiam lhe pagar. Um depoimento que mais me impressionou, foi dado por um homem simples, que veio cumprimentá-lo, certo dia na Praça da Sé, ao lado da Igreja. Depois este homem me segredou: “Nunca esqueço um grande favor que ele me fez. Bati na porta dele às duas horas da madrugada, com uma chuva forte. Eu estava morrendo com uma dor de dente. Ele levantou-se e foi ao consultório me atender. Perguntei quanto lhe devia e ele me disse que não precisava pagar nada. Então quando eu ia saindo para casa, ele me perguntou: Onde você mora? Na Batateira, respondi. E o doutor me disse: Espere aí que eu vou lhe deixar em casa. E foi tirar o carro da garagem.”
Era assim o meu sogro. Pequeno no tamanho, mas grande nas atitudes. Um dos melhores dentistas do Crato de seu tempo, um exemplo de profissional, extraordinária pessoa humana, modelo de verdadeiro cristão e referência para a odontologia cearense.