23 setembro 2008

A crônica de Pedro Esmeraldo



O Futebol Cratense – De ontem e de hoje
Pedro Esmeraldo


Na década de 1950 subia o morro do Seminário a fim de assistir uma partida futebolística do Crato enfrentando o município do Juazeiro do Norte. Uma multidão frenética aglomerou-se num pequeno estádio improvisado, cercado de arame farpado a fim de impedir a penetração de inclusos as margens do campo.
Era uma partida especial já que o Crato almejava conquistar o campeonato do Certame Interiorano promovido pela APCDEC, Associação Profissional dos Cronistas Desportivo de Ceará.
O Crato tinha bons craques capacitados, com muita garra e técnica podendo enfrentar qualquer equipe sem sofrer alvoroço, por certo e não decepcionariam as qualidades técnicas dessa época.
Por sua vez, o time adversário, também tinha bons valores que faziam todo o torcedor tremer de medo de cair numa amargura com uma derrota indesejada.
Com tudo isso, a torcida vibrava entusiasticamente, ajudando os craques a desempenharem com afinco e partirem em direção às traves adversárias. Lembramos que os Cratenses conquistaram com vibração os loiros da vitória. Citamos por exemplo, esses verdadeiros craques, sem desmerecer os demais, visto que participaram com muito arrojo o desenrolar da partida.
Para se ter uma idéia, nunca se deve esquecer das jogadas clássicas dos jogadores como Enock, Senhor, Mundinho, Antônio da Pensão, Peixe e outro, se não falha a memória foram os baluartes da vitória do Crato.
O time Cratense foi escalado com os seguintes jogadores: Zé Albanito, Senhor, Arrais, Kleber, Mundinho e Brás; Jeremias, Peixe, Antônio da Pensão, Enock e Marcelo. Esse time vibrava entusiasticamente a torcida, comemorando em fogos, pulos e abraços, a cada gol que cometia no time adversário, pois toda a população desceu com velocidade, num só fôlego , o morro do Seminário em direção a cidade.
A partida foi duríssima, vez que o adversário era constituído de bons valores que pode citar alguns, em virtude que não lembrar o nome dos outros, visto que não me interessava a memorizar a presença deles, mas lembro bem dos craques perigosos na arte futibolística: como Piaba, Patu e o Afro-descendente Quixaba. Só que este útimo consideravam o jogador mais perigoso da partida. Em certo momento esse homem arrancou do meio do campo, em alta velocidade e marchou em direção ao gol, deixando toda a torcida esmorecida. Felizmente Deus nos abençoou, enviando a bola em direção às traves, que deixou o Cratense aliviado.
Antes porem, desejo recordar as figuras consagradas com craque de alto relevo, ou seja: Enock, Mundinho, Senhor, Peixe e Antonio da Pensão. Esses verdadeiros craques não faziam vergonha se disputassem partidas em qualquer lugar do Brasil. Hoje em dia, não se vê craque da mesma estirpe do passado. Vem então a horda de desocupados, querendo assumir o comando desportivo, sem nenhuma capacitação técnica, a maioria mercenária para enfrentar o desafio esportivo da temporada.
Antigamente, o Crato não tinha estádio, mas possuía craque; Hoje é o contrário, o Crato tem estádio mas não tem craque o que seria uma vergonha para essa juventude inconseqüente.
É preciso que os políticos, esses que dizem lutadores pelo Crato, devem convencer a juventude, com interesse e entusiasmo, volte a praticar esporte, visto que o desenvolvimento de uma cidade está inserido no desenvolvimento físico da juventude. Senhores políticos: pensem bem, lutem pela sua cidade, tragam mais equilíbrio emocional no desempenho de suas funções.
Crato – CE, 23 de setembro de 2008