14 setembro 2008

MEU CARO ANTONIO ALVES MORAIS

Sei que titular uma mensagem com o indefectível "meu caro" se torna por vezes formal e não traduz um verdadeiro sentimento. Mas o meu sentimento pelas pessoas da minha terra se encontra na medida em que a necessidade dela se impõe sobre a minha vida. Eu necessito do Crato para não me reduzir a um monte de carne e osso. Quando evoco o Crato, que não é um passado, um local, o Crato é um território vivo, nele eu me sinto vivo como todo ser humano sente. Existem aqueles, como meu pai José do Vale Arraes Feitosa que buscava esta mesma dimensão humana na religião católica. Aliás não só na religião, também na família e em toda a tradição do seu sertão cearense. Assim sendo o Crato é um encontro de diálogos, de visões de mundo, de puxadas de mundos esquecidos para melhor entender a fotografia de um marca para o futuro. É assim que me sinto bem com todos e me senti especialmente com o Antonio Alves Morais.

Para simplificar a questão partidária: eu não sou filiado ao PT. Mas poderia ter sido chamado de subversivo, apanhado, preso e processado porque lutei contra o regime militar. Poderia ter pegue em armas, caído numa aventura inútil quando em 1969, no momento em que entrava na faculdade, vi minha geração sendo perseguida. Um Decreto próprio para ameaçar estudantes e um Ato Institucional geral para ameaçar a todos. Aliás naquele ano, não fazia nem dois anos que fora treinado pelo próprio exército brasileiro em atos de guerilha, quando cursava o Tiro de Guerra aí no Crato. Por isso andei muito perto de ter sido morto. Se tivesse naquelas organizações que discutiam a possiblidade da luta armada alguém mais próximo, em que tivesse mais afinidade pessoal, certamente teria embarcado na aventura.

De Fortaleza para o Rio e sempre exerci medicina no limite da questão política por trás da saúde pública. Trabalhei muitos anos em favelas aqui no Rio, fiz tese de mestrado sobre tuberculose nesta população com a finalidade de examinar a iniquidade da saúde pública brasileira. Sempre trabalhei com a crítica feroz aos sistemas sociais que deterioram a vida humana para que estes sistemas pudessem ser superados. Depois fui para administração pública, me expus sempre que necessário, nunca deixei de manifestar-me mesmo quando minha opinião tinha pouco peso no que se decidiu. Nunca fui aderente às causas vitoriosas apenas porque o são. Jamais fiz luta política que não tivesse por destino o povo brasileiro em sua amplitude. Resultado, com frequência, dada a natureza histórica do meu tempo, fui derrotado, mas como disse Darcy Ribeiro, "mas não queria me encontrar na posição daqueles que me derrotaram".

Esta longa introdução é para tornar mais claro os debates do qual participo nos quatro blogs aí do Cariri para os quais faço postagem. Quando o Valdetário explicitou aquela história, poderia ocorrer que uma outra disputa que desconheço tivesse por trás dos comentários. Na verdade fui o primeiro a comentar a postagem do Valdetário. Até esperei um pouco da argumentação dos sucessivos comentários para não abrasar ainda mais o debate. Na verdade o querido Armando Rafael com quem costumo trocar palavras sobre o mundo, fez um comentário sobre o Udenismo na mesma postagem. Depois o Antonio escreveu aquele texto sobre os velhos udenistas do Crato.

Nesta altura, como me expliquei no início do texto, me achei em condições de abordar o embate ideológico que não se encontra tão longe assim. A UDN deixou de existir em 1965 com o AI 2 e a matriz social e econômica por trás dos conflitos ideológicos ainda se sustenta. Por isso não é incomum que valores que acompanham o país desde os idos da revolução de 30 ainda estejam presentes na atualidade. Isso é o processo histórico em lenta superação. Por vezes ocorrem rupturas e nos damos conta que algo já não é como antigamente.

Afinal entendo que não sendo parte direta da vida do Antonio, sai do Crato em 1968 (apenas 3 anos do fim da UDN), me inscrevo no seu respeito e amizade até pela identidade que ele tem com os meus antepassados. Mas quero garantir a todos, sem querer ser enxerido, mesmo não sendo corpo móvel neste território do Crato, sou parte desta vida como ela é da minha.

Por último o meu desejo era fazer como os outros que estimulam a presença do Antonio no debate. Mas quando o Armando preferiu dar um tempo nas postagens eu fiquei fazendo uma série de postagens pedindo para que ele não parasse. Afinal o contraditório sustenta a realidade. Fiquei fazendo isso várias vezes, até que o Carlos Rafael ou Salatiel, ponderaram que o Armando desejava ficar calado. Isso temos que respeitar. Até fiquei um pouco envergonhado com o que poderia ser uma forçada de mão sobre o Armando e isso ele não precisava, nunca precisou e nem precisará.

CENTRO DE CONVENÇÕES DO CRATO VEM AÍ ...

O secretário de Cidades Joaquim Cartaxo comunicou ao prefeito Samuel Araripe que no início de 2009 começará a construção do Centro de Convenções do Cariri, localizado no bairro Muriti, em Crato. Numa área de 6 mil metros quadrados o empreendimento está acertado entre o governador cearense e o prefeito cratense desde o ano passado. O Centro de Convenções comportará grandes eventos, um espaço que hoje faz falta no Cariri.O governo fará a obra e a prefeitura já doou o terreno.

Fonte: Jornalista Tarso Araújo
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As Notícias da Semana - Coluna Tarso Araújo

CLIMA TENSO

Em Nova Olinda, o tempo fechou. Esta semana ameaças de morte e agressões físicas movimentaram a eleição na cidade. O juiz Marcelo Wolney, da 53 ª Zona Eleitoral, decidiu, então, chamar a Polícia Federal para garantir a ordem nas eleições. O clima está tenso, uma professora foi agredida e esta semana uma outra foi ameaçada de morte.

TRANQÜILO
Já em Altaneira e em Santana do Cariri, os ânimos estão mais calmos. A disputa se dá em busca do voto na zonas rural e urbana. Os candidatos fazem caminhadas e comícios, além de reuniões nas comunidades. Em Altaneira, disputam a eleição Dorival (atual prefeito) e Delvamberto Soares (PSB), pela oposição. Em Santana do Cariri, José Maia (PSB) lidera uma frente de oposição contra Jesus Garcia (PSDB).

BREJO SANTO
Na cidade de Brejo Santo, mesmo as pesquisas apontando uma larga vantagem para Guilherme Landim (PSB), o candidato Dr. Edmilson (PSDB) intensificou sua campanha esta semana, com várias caminhadas e reuniões ampliadas. Ele acredita na vontade de mudança do povo de Brejo Santo. Já Guilherme não baixou a bola e todos os dias visita comunidades e bairros da zona urbana.

ABACAXI
A cidade de Santana do Cariri desponta como uma das maiores produtoras de abacaxi do Centro-Sul do Estado. A cultura dessa deliciosa fruta está voltando com força, principalmente nos municípios do Cariri Oeste, onde Santana desponta como principal produtor. Os maiores concorrentes dos caririenses são cidades de Paraíba e Pernambuco.

APOIO
Uma campanha vem tomando conta do Crato. A permanência do Desafio Jovem, instituição que trabalha na recuperação de jovens dependentes de drogas. Um problema social que atinge famílias de vários níveis, as drogas tem um inimigo poderoso em Crato. Com dificuldades, o Desafio Jovem apela para que empresários, instituições e a sociedade apóiem financeiramente o projeto, que não pode fechar suas portas.

UNIVERSIDADE
O deputado estadual Professor Teodoro Soares, que já foi reitor da Universidade Regional do Cariri (Urca), durante o aniversário dos 40 anos da Universidade Vale do Acaraú (UVA), falou da importância da UVA para o desenvolvimento regional e, mais ainda, da importância da federalização da mesma. No Cariri, muitos professores e intelectuais gostaram do discurso de Teodoro, já que muitos defendem também a federalização da Urca.

RACHADO
Em uma campanha eleitoral, a unidade de um partido político é muito importante. Entretanto, no Crato, o Partido dos Trabalhadores passa por um momento difícil. Há um racha nas fileiras petistas que engessa o partido. As principais lideranças estão divididas e sem diálogo. Valdetário Brito, principal liderança pública do partido, e Amadeu de Freitas (ex-vereador e hoje superintendente do Incra Ceará) nem se olham.

MEIO AMBIENTE
O curso de pedagogia da Urca realizou, nesta última semana, oficina de material reciclável. Com esta prática, a professora ministrante Maria Neuma Clemente Galvão, autora do livro Educação Ambiental nos Assentamentos rurais do MST, mostrou a importância de aproveitar certos produtos nas práticas pedagógicas. Com esta oficina, as alunas participantes assumem a responsabilidade de desenvolver em uma escola pública a socialização do conhecimento trabalhado, assim, a instituição contribui de certa forma com a formação crítica de novos profissionais.

BIBLIOTECA
A Universidade Regional do Cariri é uma das instituições de ensino superior que receberão apoio para implantação de biblioteca digital de teses e dissertações, conforme condições estabelecidas no edital Edital Chamada Pública Finep/BDB N° 001/2008. O projeto elaborado pela Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (PRPGP) tem à frente o professor Irwin Alencar Menezes, e será o mecanismo de divulgação dos trabalhos realizados pelo Programa de Pós-Graduação Stricto sensu da Urca.

DANÇA
AS unidades do Sesc em Crato e Juazeiro do Norte apresentam neste final de semana o espetáculo de dança "Vozes Nagô". Com coreografia e direção artística de Valéria Pinheiro, o espetáculo "Vozes Nagô", da Academia de Artes Vânia Dutra, resgata a história da cultura afro-brasileira e do negro horizontino por meio da música e da dança contemporâneas. O espetáculo foi concebido com movimentos fortes e expressivos da dança contemporânea e da capoeira, juntamente com a riqueza musical do batuque e do sapateado.


Anote:

Força-tarefa na romaria
A Secretaria de Assistência Social, Trabalho e Cidadania do município promove uma força tarefa durante esse período de romarias em Juazeiro. O objetivo é reduzir o número de situações de vulnerabilidade social, onde muitas crianças e adolescentes são expostas. O trabalho é desenvolvido na forma de plantão por equipes da Seast, principalmente na Colina do Horto (foto). Existem muitos casos de exposição, exploração e falta de cuidados com as crianças na sua maioria por parte de vendedores ambulantes e barraqueiros. Mas não faltam romeiros que, igualmente, enquadram parentes nessas condições às vezes até de uma forma inadvertida. O trabalho envolve o Centro de Referência Especializado de Assistência Social, Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, Conselho Tutelar, Juizado da Infância e Juventude, Banco de Alimentos, Pólo de Atendimento do Horto e alunos dos cursos de Psicologia e Serviço Social da Faculdade Leão Sampaio.

Por: Tarso Araújo - Jornal "O povo" deste Domingo
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Olá, pessoal,

Sabendo usar, não vai faltar...
Essa é uma grande verdade universal. Há alguns meses, liberei a postagem de comentários de forma anônima, contanto que ao final, cada um assinasse o nome e sobrenome, e pudesse até fornecer alguns dados. O pessoal não soube usar e começou a fazer postagens completamente anônimas, inclusive atacando pessoas reconhecidas deste website.

Então, não vejo outra alternativa senão FECHAR a postagem anônima. Quem desejar escrever comentários agora deve ter cadastro no site Google. os comentários ainda assim, serão moderados por nossa equipe antes de ir ao ar, como sempre foram. os comentários ás vezes demoram de 1 a 12 horas para serem liberados, dependendo da nossa disponibilidade em acessar a internet para liberar os mesmos.

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Dihelson Mendonça

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PARA REFLETIR. - Antonio Alves de Morais

Nos últimos meses, enviei alguns textos para o Blog do Crato. O ultimo data de 08.09.2008. Parte foi publicada outra parte não. Porque não tenho senha que autorize a postagem direta.

Reporto-me especialmente a dois deles. No primeiro definir a política como a ciência de somar. Se Junta um daqui, um de lá e quando se chega à maioria se é vencedor. Os petistas do Crato foram para o confronto foi um tal de Sadan pra lá, Amélia pra cá, apoiou um porque precisa manter o emprego para pagar a prestação do carro. Li neste Blog e no jornal Gazeta de Noticias e nunca vi tamanha insensatez e falta de civilidade.

No segundo e ultimo comentário, definir o Crato como uma cidade que prima pela tradição. Os petistas foram mais longe, responsabilizaram pelo grande atraso do Crato, o ranço udenista, indo indiretamente ao tumulo perturbar o repouso eterno de personalidades que viveram há 60, 70 anos e que o único crime que cometeram foi, um dia, terem se filiado a um partido político que foi extinto há mais de 50 anos, a UDN.

Se não for desta vez, resta aos petistas do Crato aguardar quatro anos e então apresentar uma proposta que convença ser a melhor para sociedade ou partir para briga novamente e amargar derrotas.

Dr. Valdetario Brito Siebra, a solidariedade prestada por seus amigos pelo que escreveu um anônimo foi exagerada. Não li razões para tanto estardalhaço. Quem sabe não seja uma reação ao que o hospital impõe ao medico goela a baixo! Médicos dedicados com 10, 15, 20 anos de bons serviços prestados não receberam a devida consideração da parte do hospital. Um dia um deles me disse que havia recebido uma proposta do hospital que a considerava injusta, inaceitável. Estou errado? Blogueiro merda, desocupado, hipócrita, mau caráter etc, não cabia. Não fique vaidoso, saiba que amigo mesmo teria sido o que lhe advertisse para não falar em Sadan, em Amélia, em prestação de carro ou fantasiar uma historia que ninguém imagina possa ser verdade. Um dia você vai reconhecer que fez uma grande asneira. Sair denegrindo a imagem de pessoas gratuitamente não é elegante. Saiba que não existe amizade menor ou maior, grande é aquela que se perde por bobagem. Um dia, quando você passar na calçada da PAZ e encontrar Sadan ou Amélia verá que o brilho dos olhos e o riso já não são os mesmos. Amanha dezenas de amigos seus estarão em sua defesa e recomendando medico para mim, mas um homem publico que pretende representar o seu povo não haverá de conseguir com o apoio só dos amigos.

A política exige sacrifícios. Quando o PT nacional expulsa Heloisa Helena e elege Renan presidente do Senado Federal, quando Lula nomeia Sarney timoneiro de seu governo, quando beija as mãos sagradas de Jader Barbalho, quando demiti o ministro Cristóvão Buarque, quando dar uma reprimenda em Suplicy, quando nomeia o ministro Edson Lobão, quando nomeia Roseana Sarney e Romero Jucá seus lideres no senado e congresso, tudo isto tem um custo muito alto: manter-se governando. Você tem duvidas que se a cambada do PMDB, no senado, bater o pé o país para? Certamente.

Vivemos uma democracia e sua maior prerrogativa é a convivência pacifica de pensamentos diferentes. Não há problemas que alguém me julgue totalmente enganado até porque não vou polemizar. De amanha em diante irei me abster de enviar qualquer comentários para o Blog.

Agradeço a atenção do amigo Dihelson, por quem zelo uma amizade herdada de seu pai, meu grande amigo Damião de Souza. Tenho certeza que o Blog nada perde com a minha ausência e haverá mais espaço para postagem de pessoa melhor qualificada, escrevendo talvez só o que agrade.

A grande maioria dos amigos menciona a indelével personalidade do Professor Jose do Vale Arraes Feitosa. Tive a honra de ser seu amigo. Um dia Eu estava na praça Siqueira Campos Ele se aproximou e disse: Meu Nêgo, o que você vai fazer sábado? Respondi-lhe nada. Você pode ir comigo a Aiuaba “OVELHA” quer falar comigo! Irei respondi. Saímos na alvorada, passamos por Assaré, Antonina, estrada ruim como diabo e para minha surpresa “Ovelha” que ele chamava era o Senhor Dê Feitosa, pai de Pedim e Luis Antonio dois ex-colegas do Colégio Estadual em Crato. Depois de almoçarmos um carneiro gordo retornamos ao Crato. Dona Leonarda, sua genitora era comadre de minha avó Conceição de Morais Feitosa da lagoa dos Currais em Asneiros, madrinha, portanto de minha mãe. Do professor Jose do Vale lembro com saudades e lagrimas.

Abraços.

Antonio Alves de Morais.

O CALDEIRÃO, ENSAIO FOTOGRÁFICO

O CALDEIRÃO DA SANTA CRUZ DO DESERTO.
Segundo o articulador cultural Jackson Bantim, acontece hoje a romaria ao Sítio Caldeirão.

Este ensaio fotográfico é uma viagem imaginária ao Caldeirão. Sua concepção é pura ficção. O autor apenas se permitiu mergulhar na atmosfera que o lugar visitado transpira e inspira. Crato, Caldeirão, setembro de 2008.

Sabe-se que Foi um dos movimentos messiânicos que surgiu nas terras do Crato, Ceará.
A comunidade era liderada pelo paraibano de Pilões de Dentro, José Lourenço Gomes da Silva, mais conhecido por Beato José Lourenço. No Caldeirão, os romeiros e imigrantes trabalhavam todos em favor da comunidade e recebiam uma quota da produção. A comunidade era pautada no trabalho, na igualdade e na Religião.

Sem a proteção de Padre Cícero que falecera em 1934, a fazenda foi invadida, destruída e os sertanejos divididos, ressurgindo novamente pela mata em uma nova comunidade. O caldeirão foi destruído pela primeira vez em 1936, mas o massacre propriamente dito, só veio a ocorrer em 1937 invadida novamente, dessa vez por terra e pelo ar, quando aconteceu um grande massacre, com oficiais 400 mortos. Assim descreve-se na Wikipédia.

Caminhos que levam ao Caldeirão

Cachorros brancos, guardiões das almas dos fiéis.

Outros tempos... a mesma fé!

Flâmula dos Cavaleiros da Santa Cruz do Deserto, que refizeram a caminha do Beato ao seu último refúzio.

Cenas cotidianas no Caldeirão, assim era!

O figurino instiga o passado.

Um mergulho no tempo!

Fotos: Pachelly Jamacaru
"expressamente proibido o uso
deste material fotográfico
sem a autorização do autor."

Conto: Asdrúbal - Por: Luiz Cláudio Brito de Lima

"O homem, quando perfeito, é o melhor dos animais, mas é também o pior de todos quando afastado da lei e da justiça, pois a injustiça é mais perniciosa quando armada, e o homem nasce dotado de armas para serem bem usadas pela inteligência e pelo talento, mas podem sê-lo em sentido inteiramente oposto. Logo, quando destituído de qualidades morais, o homem é o mais impiedoso e selvagem dos animais, e o pior em relação ao sexo e à gula". Aristóteles - "Política", 1252 b.

Menino ainda, porém atento e observador, Asdrúbal acompanhava tudo que acontecia na cidade, participava ativamente de todos os eventos na escola, pedia, implorava para fazer parte, quer seja em peças teatrais, quer seja, em apresentação de trabalhos, adorava falar, conduzir todo o processo.

Aos doze anos foi eleito representante de sala, sempre presente apresentando propostas e levando os anseios dos colegas ao corpo diretivo da escola, era um verdadeiro defensor da sua sala. Mais tarde, já na fase adolescente, foi eleito o representante da escola, detinha todo o “poder”, sabia de tudo, conhecia quase toda a escola, quando passava diziam: “...esse é o futuro prefeito...”, aquilo o enchia de vaidade, de vontade, de querer, porém, era só vontade.

Em um determinado dia foi convidado por um colega que o assessorava no comando do centro acadêmico a saírem da escola, tomar um refrigerante e conversar um pouco sobre seu trabalho. Após lancharem, o amigo lhe apresentou uma proposta de administrar melhor a sua função, disse-lhe que como era sabido, as dificuldades financeiras eram imensas, a escola só lhe fornecia o espaço físico, o resto, era de responsabilidade deles. Sendo assim propôs um “taxa acadêmica” para cobrir as despesas, esse valor seria depositado em uma conta a disposição do centro acadêmico. Asdrúbal ficou indignado, não imaginava que o seu trabalho voluntário, gracioso, transformasse em uma fonte de lucro, discutiu como assessor despediu-se e foi embora.

Em casa pensou na proposta, relutava em não aceitá-la, entretanto, lembrando-se da situação do centro acadêmico, resolveu tentar. No dia seguinte, após conversar melhor com o seu “assessor”, marcou uma reunião e expôs a idéia na escola, em um primeiro momento seus colegas reclamaram, blasfemaram, mais, haja vista seu poder de persuasão conseguiu convencê-los. No mês subseqüente estavam todos colaborando com uma “pequena” taxa para ajudar o centro acadêmico. Logo nos primeiros dias Asdrúbal percebeu que aquela decisão fora a mais acertada em sua vida, pois conseguiu comprar algumas cadeiras, mesas, até o computador – certo que usado – foi possível adquirir.

Com o passar do tempo, a situação financeira pessoal de Asdrúbal complicou-se, precisava de dinheiro, entretanto não disponha, pensou em pedir emprestado, não tinha ninguém que fizesse tal gentileza. Pensou, pensou, e chegou à conclusão que não tinha problema retirar do caixa do centro acadêmico, e assim o fez. Durante muito tempo agiu dessa forma, até que um dia, um aluno pediu que fosse feita uma auditoria nas contas do centro, Asdrúbal relutou, discutiu, afirmou que estavam colocando em duvida sua integridade, sua honra, seus vários anos dedicados a aquela escola, que não era justo..... Porém, após aprovação, bem como a elaboração do laudo da auditoria, descobriu-se um desfalque considerável, muito dinheiro havia sido desviado, utilizado em outros fins que não o do interesse do centro acadêmico. Asdrúbal foi destituído do cargo, instaurou-se uma “cpi” na escola para investigar os delitos cometidos pelo ex-presidente do centro.

Passados meses de investigação a comissão apuradora do suposto delito, entendeu que não restara comprovado a participação do acusado, que tudo não passara de um grande “mal entendido” e que Asdrúbal realmente era um excelente administrador, inclusive lhe foi pedido desculpas formal. Asdrúbal não só as aceitou, como se candidatou novamente ao cargo de presidente do centro acadêmico, inclusive nomeando vários componentes da antiga “cpi escolar” a fazer parte de sua nova gestão.

A narrativa acima, o que, diga-se de passagem, é uma mera ficção desse subscritor, não guardando nenhuma realidade com absolutamente nada nem ninguém, tem sim o escopo de nos fazer refletir acerca desse momento tão importante que se aproxima, qual seja, eleições. A Constituição Federal, nossa lei maior, de forma clara e inequívoca nos garante o direito de votar e ser votado, direito esse conseguido após muitos anos de lutas, sofrimentos e abnegações. O voto, instrumento popular mais poderoso que existe, nos permite eleger pessoas capazes de melhorar a vida de toda uma comunidade, de toda uma nação, são essas pessoas que ditarão as regras durante os próximos anos, são essas pessoas que com discernimento, inteligência e perspicácia formarão uma geração que, se bem instruídos, prosseguirão com a política humana, voltada para o crescimento, ética, e acima de tudo respeito à coisa pública e os irmãos.

Ainda Segundo o filósofo Aristóteles : "Vemos que toda cidade é uma espécie de comunidade, e toda comunidade se forma com vistas a algum bem, pois todas as ações de todos os homens são praticadas com vistas ao que lhes parece um bem; se todas as comunidades visam a algum bem, é evidente que a mais importante de todas elas e que inclui todas as outras tem mais que todas este objetivo e visa ao mais importante de todos os bens; ela se chama cidade e é a comunidade política" (Pol., 1252a).

Por fim, desejo a todos os irmãos brasileiros que antes de exercerem o seu direito sagrado do voto, lembrem-se das palavras do grande filosofo, pois o objetivo é o bem de todos, sendo assim, pesquisem, busquem informações acerca de seu candidato, observem o seu comportamento, a sua postura, o seu compromisso com a coletividade, pois depois de eleito, verificando-se ser um medíocre administrador, teremos que “aturá-lo” quatro anos, e esse período é muito longo, imaginem viajar por quatro anos ao lado de uma pessoa indesejável! Boa sorte a todos.

Luiz Cláudio Brito de Lima

Produção de sacrários é destaque no Cariri

ARTESANATO CATÓLICO

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Artesão Ligeirinho fabrica sacrários que são vendidos, principalmente, para o Estado de Sergipe. Peça integra seu acervo de obras de arte espalhadas pelo Cariri (Foto: Antônio Vicelmo)

Peças produzidas por ´Ligeirinho´ fazem sucesso em Sergipe. Encomendas de novos sacrários aumentam

Crato. Os sacrários, ou tabernáculos, pequenas urnas onde é colocado o cálice com a hóstia consagrada, são fabricados no Crato e vendidos para Sergipe. A peça sacra, considerada como uma das mais importantes dos templos católicos, porque é a casa do Santíssimo Sacramento, é produzida na oficina de Francisco Fábio Amorim, conhecido por “Ligeirinho”, artesão que vem se especializando em objetos sacros.

Da oficina de Ligeirinho, localizada na Rua Ratisbona, em frente ao Restaurante Popular, já saíram altares, cadeiras, candelabros e confessionários que ornamentam as igrejas da região do Cariri. A idéia de fabricar sacrários é da freira cratense, Maria Célia Pinheiro, missionária de Jesus Crucificado, que reside em Sergipe.

Impressionada com a qualidade de um sacrário, em madeira, da capela da Casa de Caridade do Crato, a irmã Maria Célia pediu informações sobre o fabricante. Ficou mais surpresa ainda quando soube que aquela obra de arte é produzida no Crato. O resultado foi a encomenda do primeiro sacrário, doado ao bispo de Estância (SE), dom Marco Eugênio Galrão Leite de Almeida. Quando os padres da Diocese de Estância tomaram conhecimento do sacrário, começaram a solicitar mais peças. Já foram enviados sete. Esta semana, serão remetidos mais sete sacrários para o mesmo Estado.

Modelo

Os sacrários são feitos de cedro, em forma de oratório, com uma cruz na parte de cima. A porta é decorada com cachos de uvas, e ramos de trigo, um cálice e uma hóstia esculpidos na madeira. A parte interna é revestida de fórmica branca. Católico praticante, Amorim não encontrou dificuldades em fabricar os sacrários. O avô e o pai dele, Genésio Amorim e Epifânio Amorim, respectivamente, foram exímios artesãos. São de autoria deles os quadros de formatura dos colégios Santa Teresa e Diocesano. De acordo com orientação da Igreja, o sacrário deve ser inamovível, isto é, fixado num local de destaque da igreja. A maioria é feita com metal. A recomendação é de que o sacrário seja fabricado com matéria sólida e não transparente, levando-se em consideração a máxima segurança para evitar o perigo de possíveis roubos e profanações.

Os sacrários, segundo o artesão, fazem parte do seu acervo de obras de arte espalhadas pela região do Cariri. O artesão tem consciência da importância da peça para os católicos. Ele diz que o sacrário é o morador daquele que deu e continua dando o seu sangue por nós. Na verdade, o sacrário é um divã, onde Cristo, o maior psicanalista de todos os tempos, recebe diariamente dezenas de pessoas para ouvir um grito silencioso: “estou aqui! Venham todos que estão cansados, abatidos, desanimados, que eu os aliviarei”. É assim que a Igreja define a presença de Jesus no sacrário.

Diante do sacrário, as pessoas desabafam em silêncio. Falam de suas angústias, problemas e procuram uma solução. “Ali está o Senhor Nosso”, diz o padre Rocildo Lima, acrescentando que o principal sinal da presença do Santíssimo é o véu que cobre o sacrário. Este véu se chama “conopeu” e costuma ter a cor dos paramentos do dia. Além do conopeu, deve sempre haver uma lâmpada acesa localizada perto do sacrário.

Regulamentação

A norma eclesiástica pede que haja um só sacrário em cada igreja para exprimir a unidade significada na Eucaristia. Torna-se inconcebível que, numa mesma igreja, se guarde a Eucaristia em dois ou mais sacrários. Recomenda-se, igualmente, que a peça esteja na capela chamada do Santíssimo, separada da nave central do ambiente da igreja.

Esta capela deve ser um lugar apropriado para o silêncio e o recolhimento, para a oração e adoração, devidamente adornada e decorada. Desta forma, todas as igrejas deveriam ter a capela do Santíssimo, sobretudo as paroquiais.

O Ritual da Dedicação das Igrejas dá importância a esta capela quando prevê o rito de inauguração. Se não for possível realizar o que se disse, o sacrário será colocado segundo a estrutura de cada igreja e os legítimos costumes de cada lugar, num altar, ou fora dele, procurando que seja a parte mais nobre da igreja, bem ornamentada e visível.

Mais informações:
Marcenaria Montes Claros
Rua Ratisbona, 298
Em frente ao Restaurante Popular do Crato
(88) 8817.9568

ANTÔNIO VICELMO
Repórter


Fonte: Jornal Diário do Nordeste.