03 setembro 2008

OLIMPÍADA DE LÍNGUA PORTUGUESA

A Secretaria de Educação do município do Crato em parceria com a 18º. CREDE (Centros Regionais de Desenvolvimento da Educação) realizará a I Mostra dos trabalhos da olimpíada de língua Portuguesa, "Escrevendo o futuro" das escolas municipais e estaduais do Crato. O evento acontecerá amanhã, dia 4, as 18:30h no Teatro Salviano Arrais Saraiva e tem como público alvo alunos, professores, coordenadores e gestores da escolas municipais e estaduais. A programação seguira a seguinte ordem:
18:30h - Exposição dos trabalhos
19:00h - Mensagem : Sapateado
19:10h - Dança : Escrevendo o futuro
19:30h - História: A Caligrafia de Dona Sofia
20:00h - Dança : Memórias e poesias
20:20h - Leitura do textos selecionados
20:40h - Leitura do relato de prática
21:00h - Premiação

por: Tarso Araújo

O golpe da voz do candidato de banda suja no Cariri - Por Tiago Viana

Atenção: O Texto a Seguir é de Total responsabilidade do Sr. Tiago Viana, autor do Blog "Rastreadores de Impurezas".



O golpe da voz do candidato de banda suja no Cariri

Com tanto músico maravilhoso no Crato (CE), para que imitador desafinado a dar o golpe nos ouvidos do povo daquela cidade no horário eleitoral? Na mais explicita malandragem, na expressiva forma da deturpação da realidade, faz-se passar por uma coisa que não é, sem vergonha, nem medo, descaradamente a fazer de besta o povo pequizeiro. No enrolo determinado acima da suspeita de todos, que ingenuamente pensavam ser a voz doce do cantor Fagner, e nem ele sabia que estava ativo na campanha eleitoral do Crato. Espumas ao vento, de fazer levar as sujeiras encobertas pelo sabão, crosta grossa de detritos que não quer sair dos cunhões de ouro, a escorrer o detergente e tentar limpar os ouvidos, os corações dos cratenses. A imundice nem espera a campanha acabar, no ataque das bactérias que fazem cair no erro da corrupção de sons e enganar milhares de ouvintes. Parece ser tudo tão puro, tão belo, tão limpo.

Haja espuma e sabão para limpar a “ficha suja” do candidato, e as ceras dos ouvidos que deixam surdos os juízes. Dizem que é o prefeito que o povo sempre quis? Será que realmente atendeu aos anseios do povo? 15 pancadas na goela do ouvinte, 15 golpes a tapear o mais Zé Mané da encosta do Araripe. Caldeirão fervente de mais de 15 vozes a fiscalizar os desmandos da apropriação indevida dos recursos devidos. Que grotesco! Que abuso! Tudo é fraudulento! Na terra da cultura o 15 quer estrear na soltura. Diz ai que às vezes o 15 se fantasia de 45, o 45 de 43 e por ai vai, na nomenclatura das eleições. Um a imitar o outro, um a parodiar o outro. Mas, tudo parece ser um 15. Quinze Soldadinhos do Araripe a cutucar a urna eletrônica, e secar a fonte do dinheiro fácil.

Se antes das eleições o candidato que quer voltar a se manter no reinado da cidade do doce canavial, atolado até o bolso na “lista suja”, encontra-se na imundice da cronologia ativa, agora cai na mesma tentação de antes, a enganar outra vez o povo do Crato. Repúdio não apenas do cantor que foi falsificado, mas da coletividade de sotaque belo que se deixa ser ludibriada pela canalhice da política, que já está mais do que na hora de ser sepultada a sombra dos pequizeiros.

Também, o mesmo que fez tapear os ouvidos mais sensíveis a verdade, o mesmo que está atolado a “lista suja”, foi o mesmo que não tomou conhecimento com o patrimônio cultural da cidade, o mesmo que mandou derrubar parte da memória do povo cearense e que quase que acaba de vez com o patrimônio arquitetônico da cidade do Crato. Isso sem falar no mando do desmatamento agressivo no Grangeiro de todos, repudiado instantaneamente pelo IBAMA. Meu Padre Cícero, o que este sujeito ainda faz pelas bandas do Crato? Mais uma vez a ilegalidade das ações parece andar de mãos dadas com este cidadão que faz parte da política mais do que tradicional cratense. Ruptura já! Ache bom ou ruim, é isto!


By Tiago Viana™ .
Por: RastreadoreS de ImpurezaS

Diocese ordena mais seis sacerdotes em Crato

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Novos Padres foram ordenados em solenidade na Diocese, por Dom Fernando Panico. (Foto: Antonio Vicelmo)

Crato. A Diocese do Crato ordenou, como parte da programação da Festa da Padroeira Nossa Senhora da Penha e do Dia de Santa Rosa, seis sacerdotes. Os novos integrantes foram formados pelo Instituto de Filosofia e Teologia do Seminário Maior São José do Crato e são oriundos de diversas paróquias. O ordenamento aconteceu durante a celebração realizada na Sé Catedral de Nossa Senhora da Penha, e foi presidida pelo bispo diocesano Dom Fernando Panico.

Em sete anos de seu governo episcopal em Crato, dom Fernando Panico já ordenou, até o momento, 31 padres. A previsão é que aumente mais um, a partir da ordenação do diácono José Adauto dos Santos Alencar, natural de Campos Sales. A estimativa é que seja uma média de cinco sacerdotes ordenados por ano. No total, a Diocese do Crato possui 50 padres.

Os novos padres ordenados assumiram imediatamente as suas paróquias. “Eles vão servir a nossa Igreja romeira e missionária”, disse dom Fernando em sua homilia, lembrando que é tempo de conversão, de convicção e de compromisso para todos os fiéis. “Tempos de respondermos com sinceridade e prontamente ao apelo de Deus para sermos uma Igreja diocesana viva, jovem e santa”.

No rito da ordenação, os candidatos aproximaram-se do bispo e fizeram o propósito de cumprir a missão de “pregar o Evangelho, apascentar o povo de Deus e celebrar o culto divino, principalmente no Sacrifício do Senhor”. Durante o propósito, os ordenandos prometeram respeito e obediência ao bispo e seus sucessores.

Logo em seguida, dom Fernando Panico impôs as mãos sobre os eleitos e rezou a prece de ordenação, pela qual os diáconos se tornam efetivamente presbíteros, ou seja, sacerdotes. O rito de ordenação foi concluído com a vestição, quando os neo-sacerdotes receberam as vestes próprias de padres, e com a unção das mãos e a entrega do pão e do vinho.

Mudanças

Com a posse dos novos padres realizada no Crato, haverá modificação na estrutura da Diocese. O Padre Cícero Alencar Ferreira, da Paróquia Nossa Senhora da Saúde, de Penaforte, que iria integrar a equipe de Formação Vocacional do Seminário São José, será Vigário Paroquial de Nossa Senhora de Fátima, em Crato, substituindo Padre Edson Bantim, que vai cursar Teologia Moral, em Roma, na Itália.

SAIBA MAIS

Sacerdócio

A Ordem Sacerdotal é um dos sete sacramentos do catolicismo que confere o poder e a graça de exercer funções e ministérios eclesiásticos que se referem ao culto de Deus e à salvação das almas, e de o desempenhar santamente.

Perdão

Pela imposição das mãos e pelas palavras do Bispo, este sacramento faz dos homens batizados sacerdotes, atribuindo-lhes os poderes de perdoar os pecados.

Mais informações:
Diocese do Crato
Rua Teófilo Siqueira, 609
Centro - CEP: 63100-010
(88) 3523.7819
(88) 3521.1110

Fonte: Jornal Diário do Nordeste.

Cultura é destaque na região do Cariri


Tradição

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Lançamento de cordéis na Academia dos Cordelistas do Crato contou com poetas da região (Foto: Antonio Vicelmo)

Instituto Cultural do Cariri e Academia dos Cordelistas do Crato promoveram eventos no fim de semana

Crato. Dois acontecimentos culturais marcaram o final de semana no Crato. O primeiro foi a posse do médico João Marni Figueiredo para ocupar a Cadeira Elysio Gomes de Figueiredo, na Seção de Ciências do Instituto Cultural do Cariri. O segundo foi o lançamento de seis cordéis na Academia dos Cordelistas do Crato. A solenidade de posse de João Marni foi aberta com o hasteamento das bandeiras. Depois de prestar juramento, o novo sócio agradeceu a honraria e enalteceu o patrono de sua cadeira, o também médico Elysio Figueiredo. Ele foi saudado pelo sócio, Olival Honor de Brito, que destacou a competência do novo acadêmico como intelectual. A cerimônia foi presidida pelo advogado Manoel Patrício de Aquino, e encerrada com discurso do médico Napoleão Tavares Neves.

O outro acontecimento foi o lançamento de seis cordéis pela Academia dos Cordelistas do Crato, uma entidade que congrega os poetas populares do Cariri e já publicou cerca de 400 títulos de cordéis. No final de semana, a Academia, que é presidida pelo poeta Luciano Carneiro, lançou os cordéis “Dom Helder Câmara”, de Willian Brito; “Ensaio de Canteria”, de Pedro Ernesto e Alcaci França; “Estou Vivendo o Presente, Mas Não Esqueço o Passado”, de José Joel de Souza e Capitão (Francisco Henrique); “Das Obras da Natureza a Mulher é a Mais Bonita”, de José Severo Gomes; “Padre Verdeixas”, Eugênio Dantas, e “As Bonequeiras do Pé de Manga do Crato”, de autoria de Maria do Rosário Lustosa.

Fundação

O Instituto Cultural do Cariri foi fundado em 4 de outubro de 1953, e instalado oficialmente em 18 de outubro de 1953 no Crato, com um total de 20 cadeiras. Entidade de fomento e publicação de obras literárias de autores do Cariri cearense por meio da Revista Itaytera de triagem anual desde 1953. A Academia dos Cordelistas do Crato foi fundada em 1991 pelo folclorista Eloi Teles de Morais e é composta por poetas populares de diversos segmentos da sociedade: dentistas, agrônomos, professores, carroceiros, trabalhadores rurais, dona-de-casa e aposentados.

Fonte: Jornal Diário do Nordeste.

Fotos - Dr. Heládio

Esta foto , foi feita no pôr do Sol , nas colinas do sítio Estiva, municícipio de Santana do Cariri, durante o adeus ao meu colega e amigo dr. Valdir. A quietude desta paisagem e, minhas lágrimas de saudade, sem dúvida alguma, foi um presente do nosso grande Arquiteto Universal:


Quando a fé se envolve com o folclore‏:


Nosso povo: cores e felicidade.‏:


Fotos: Dr. Heládio
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Séculos e féculas - Por: Nijair Pinto

Não há maldade em nenhum gênesis – pensa um homem a quem costumam chamar de Riájin.
Ele observa o mundo diante de si e suas feições naturais. Perscruta o sorriso da floresta virgem, quase imperceptível naquela noite de eclipse lunar, e se delicia com a brisa que sopra carinhosamente por quase todo o perímetro do alpendre da casa bucólica que escolhera como refúgio. Incrustada numa rocha, a vetusta construção, edificada ainda no Império, possui numerosos e enormes quartos e uma mobília compacta que em nada se compara aos aglomerados que se esfacelam ainda no decurso do pagamento efetuado em numerosas parcelas. Os prazos se alongam no tempo, mas a volatilidade construtiva reduz a durabilidade do bem numa desproporção tão assustadora quanto à praticidade da confecção do novel adorno. Os móveis, assim como toda a arquitetura, eram imponentes e exigiam um respeito soberano que se impõe como uma força em si mesma. Os atuais modelos, tão padronizados quanto o modo de pensar, de agir e de falar das pessoas, encontram amparo em apelos subliminares que nos iguala e nos nivela ao rés do chão.
As paredes foram erigidas em blocos de quatro tijolos. Especulou-se, por ocasião da recente reforma, uma arquitetura mais leve – idéia sumariamente refutada por Riájin, um amante do antiquado e, principalmente, da mística arquitetura, ainda hoje pesquisada e admirada por especialistas, anterior ao concreto.
Da cadeira, onde o movimento pendular sugeria infinita quietude, simbolizando o tique-taque do indelével tempo, ele também pensa na humanidade. Entende a grandeza das montanhas, das florestas e dos mares. Tentando inutilmente contrariar a intangibilidade física, ele fita o olhar ao plano do seu campo visual, paralelamente ao solo. Não há dúvida. Não há temor. Não há insegurança. Há única e tão somente uma busca. O solitário homem de meia idade tenta se imiscuir no negrume da floresta, a não mais de vinte metros de onde se encontra; ele quer penetrar num mundo quase completamente inatingível aos olhos. A acuidade visual que o invade naquele momento é apenas o retrato em preto e branco de um microcosmo multifacetado que a monocromia da noite o priva naquele instante. E o que dizer do mar, do imenso azul harmoniosamente complementado com o anilado halo do firmamento? Ele pensa na vida e no seu clico, do nascimento à morte. No mundo de águas onde se protege o feto; na vida cheia de tons amarronzados decorrentes dos trabalhos e dos embates que a sobrevivência nos impõe; desde as mais singelas às exageradamente pomposas, são todas essencialmente cíclicas e efêmeras.
É o homem que está no ponto mais alto, sobrepujando as demais belezas terrenas – pensa. – É ele o ápice da criação. Livre e criativo, somente o homem possui o dom da palavra. Somente ele influencia conscientemente o devir.
Onde nasce o rio que banha esta paisagem? Ele é puro! Ele nasce de um tênue filete da vida mineral, consolidando-se em virtude da força que exorbita da união de suas minúsculas partículas. Qual a origem do homem que se banha nesse mesmo rio? Ele se transforma a cada novo banho? O tempo modifica o homem e o rio como acreditavam os antigos sábios da antiguidade grega? Ou é apenas mais um estático espectador de um conchavo universal de aparências e de máscaras genuinamente projetadas, contrastando com a dinâmica física dos corpos? Mas por quem? Com que intenção? E se há eternidade como a entender quando somos tão passageiros e frágeis?
O rio quando percorre seu álveo e se mistura à paisagem, arrasta raízes, dá mais vida ao solo e se transmuta ao trocar experiências adquiridas ao toque do arrasto junto ao outro, com seus naturais e próprios elos que se firmam ao longo do percurso... Mas o rio pode mudar o destino de suas águas, continuando rio.
Há um homem mau, mas há o homem amparado pela graça.
‘O rio só atinge seu objetivo porque aprendeu a contornar seus obstáculos’. O homem, ao romper seu destino, decompõe-se em si mesmo e o que havia se reduz ao caos.
Temos uma terra. Vejam nossa prole, que maravilha! Ah! Se os homens repartissem com o mesmo quilate característico das multiplicações.
– Pai, o senhor viu como a lua está linda?
– Vi sim, bebê!
– Pegue uma estrela pra mim!
– Não prometo agora, mas quando a próxima estrela cair do céu, você pode ter certeza de que fui eu quem a derrubou pra você!
– Oba, pai! Será que ela cai ainda hoje?
– Elas são opiniosas e teimosinhas iguais a você, sabia? Não acha melhor a gente esperar que uma delas venha a cair, o que acha?
– Queria uma aqui na minha mão! E se ela cair e quebrar? Ela está tão alta...
– Vai deitar, bebê! E sonhe com uma estrela, bem grandona, descendo do céu e caindo suavemente bem aqui, ó, na palma da sua mão!
– Faz cosquinhas, pai! – respondeu minha filha, puxando a mão antes que eu me fizesse cadente. – Bênção, pai! Vou dormir e sonhar com a estrela mais linda!
– Isso você não pode!
– Por quê?
– Porque a estrela mais linda do mundo é você!
Ela me deu um beijo no rosto e me abraçou.
– Oba! Sou a estrela mais linda!
Como explicar para minha filhinha que minha promessa, criando uma inocente e profunda inspiração, nunca se realizaria em sua completude, apesar das dificuldades e dos conflitos da nossa existência? Quiçá ela um dia se deslumbrasse com a estrela cadente... Mas o contato com aquela mãozinha, a materialização do pueril sonho erigido graças ao amor de um pai, deixaria marcas e sofrimento. Os sonhos precisam se concretizar? Há sonhos que se realizam descortinando a lucidez da ilusão e provocando desalento. Melhor enxertar a dor da realidade com o tempero do imaginário. Os pés juntos ao chão nos permitem sonhos; sonhar desapercebidamente pode derreter nossa divina cera, tornando-nos estrelas soltas ao bel prazer da gravidade.
O homem ensejou o advento de uma fantasia. Toda criação é do bem, perdendo seu curso benigno quando nos impomos, a nós mesmos, individual e coletivamente, a insígnia da auto-suficiência. Na escassez fraternal, afogamo-nos em nosso egoísmo e impomos ao nosso semelhante o abjeto holocausto da escravidão.
O homem resolve se levantar. Vai à cozinha. Bebe água. Retorna ao ponto inicial e fecha mais um ciclo, sem muitas teias nem ramificações. Afinal, os complexos emaranhados nada mais são que simples elos que se superpõem.
A brisa o acompanha em todos os passos. Ele tem a sensação de estar sendo abraçado pelo bento. Sorri.
No quarto, a filha, já adormecida, parece sobressaltada e repete, com a palma da mão estendida, uma única palavra:
– Aqui! Aqui! Aqui!
Isso mesmo, filhinha. – pensa o pai. – Corra atrás dos seus sonhos que eles acabarão exatamente ‘aí’, na palma da sua mãozinha. – Ele não a vê, mas o silêncio que impera dentro dos compartimentos da velha casa alpendrada denuncia o menor impulso sonoro dissipado. Os regulares e cadenciados sons do deambular unitário do alvissareiro homem, durante o trajeto até a cadeira vazia que ainda o abriga em pensamento, são substituídos pelo pendular movimento do balançar da cadeira secular. Perquirindo o mais íntimo da alma, o homem descansa também o corpo abatido incessantemente pelas marcas do tempo.
O eclipse se desfaz no firmamento a passos largos. Das pseudo-trevas a que se submetera, a lua desponta, surgindo num matiz amarelado, denunciando cansaço. Há quanto tempo estaria ali a nos vigiar? Parecia derrotada após longos anos como testemunha ocular de tantas atrocidades; mas o tom alaranjado, como a refletir uma medalha de ouro conquistada há priscos tempos, faz a lua de outrora emocionar-se ao relembrar o mais puro e intenso amor inspirado no céu, ao som das trombetas; revive as cenas do recorrente tema do amor, externadas ao som dos acordes de trovadores medievais; e se envaidece quando, ao som de um violão, um mancebo se valeu da sua luz para declamar, em poesia melódica, uma ária exaltando o cúpido cupido. Mas é esta mesma lua que nos faz recordar dos lobos e de seus uivos – lobo do homem, homem lobo... Onde existiria e reside a verdadeira metonímia marsupial? Quem seria a criatura e o criador? Mais próximo de sua realidade territorial, o homem pensa no saci-pererê, mesmo sem haver qualquer relação entre sua mística e a lua? Sente um arrepio e se transporta para o distante mundo dos vampiros. Seriam nossos lobos modernos, algozes metamorfoseados pela alegórica imaginação do homem? Quem primeiro nasceu: o lobo ou o vampiro? O silêncio ou a miríade de sons que nos atormenta o mundo hodierno?
E continua o homem absorto em suas digressões...
O olhar lançado ao infinito por tantos poetas que buscaram no primeiro dos nossos satélites a luz da palavra perfeita que antecederia declarações de amor, não poderia ter sido o mesmo sentimento que impulsionara iluminadas almas desbravadoras do mundo terreno, onde a luz do luar os guiou à mercê das estrelas. Oh, luar de estrelas, amoleça esses corações!
Houve descobrimentos. Festas. Missas; desbravamentos, guerras e maldições também.
Os navios, enquanto criaturas, eram bons. Eles asseveravam a força do vento no embate entre límpidos estandartes de velas catalisadoras do deslocamento. Os navegantes... Eles propiciaram o êxodo, mas não pregaram justiça. A liberdade que os ventos prometiam, colimada pelo prisma da luz divergente do arco-íris de cristal, transformou-se em deliberada maldade, oprimindo os novos povos que surgiam. Foram viajantes, navegantes, escravos, aventureiros, piratas e bandeirantes. Todos eles alvos do tempo e agora não mais que lembranças para as gerações que se sucedem. As criaturas mudaram, mas a regras do jogo se mantêm, pois não se sustenta o garbo sem a fragilidade da servidão.
Os homens não querem livrar-se do egoísmo – pensa Riájin, o homem assim chamado pelos amigos. Na realidade, um estranho recém chegado ao lugarejo e cheio de comportamentos esquisitos – comentam os moradores. Quase nada se sabe sobre ele. Apenas as obrigações paternas conseguem tirá-lo da proteção que aquele ambiente aprazível, apesar de solitário, proporcionava.
É um homem taciturno, mas não era misantropo como se dizia pelos arredores.
Trocava poucas palavras com os agregados da casa – não por maldade ou ojeriza. Nunca tratou nenhum deles com avania. Ele apenas se prendia constantemente a suas próprias reflexões, mas, ao menor interesse de um dos ajudantes, ele se punha a esmiuçar sobre a vida, as pessoas e as coisas.
Àquela hora da noite, apenas o caseiro o observa, atento. Ele se aproxima do homem e o silêncio, apenas quebrado pelos silvos uníssonos da brisa, é interrompido pela voz grave e melosa do morador:
– O senhor está sem sono?
– Não. Estou sem sonhos...
Silêncio.
– Carece de sonhar ainda?
– Claro! Ainda estou vivo e a intensidade da existência se esvai ao cerrar-se do derradeiro sonho.
– Prosa bonita, patrão. Também sonho com meu lugarzinho pra morar, só meu e da minha patroazinha que está em casa agora. A vida pra mim sempre foi duvidosa. Vida de trabalho, de sofrer...
Vida onde o alvorecer de cada dia nada mais é que a sucessão do crepúsculo que finda permeado pela madrugada cheia de encantos e de mistérios.
– Ouço trombetas! – grita o homem, em voz altiva. – Ouço os gritos dos navegadores... Agora um religioso celebra uma missa, a primeira, e nos abençoa a todos. Ele diz que esta terra é gloriosa, cheia de encantos. São séculos de escravidão! Quão maravilho parece ser meu feérico mundo. Já são séculos de escravidão – repete Riájin quando é interrompido:
– Trombetas? Navegadores? O padre é o Padim Ciço? Precisa dormir, patrão.
– Não. Preciso é acordar do meu sono e buscar minha própria estrela antes que ela caia em mãos de piratas ou de quaisquer outros malfeitores.
– O senhor parece mesmo é de ter endoidado, patrão... Incomodo?
– Não, você não incomoda. Sente-se. Vou contar pra você a história de um sonho.
E lá do alto, no exato momento em que se inicia a narração, uma solitária estrela cai. O encantamento da queda revela que os sonhos são apenas o intocável reflexo dos nossos momentos de inconsistente lucidez.

Nijair Araújo Pinto

Crato-CE, 17 de agosto de 2008.

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BNB lança edital de seleção de propostas para compor programação dos seus centros culturais em 2009

FORTALEZA, 03.09.2008 – O Banco do Nordeste do Brasil (BNB) acaba de lançar o edital de seleção de propostas artísticas para participação nas programações dos Centros Culturais BNB-Fortaleza, Cariri (em Juazeiro do Norte, região sul do Ceará) e Sousa (no alto sertão paraibano), durante o ano de 2009. Com o objetivo de orientar os artistas, produtores, gestores culturais e demais interessados no preenchimento dos formulários-proposta do referido edital, os Centros Culturais BNB-Fortaleza (rua Floriano Peixoto, 941 – Centro – fone: (85) 3464.3108), Cariri (rua São Pedro, 337 – Centro – Juazeiro do Norte – fone: (88) 3512.2855) e Sousa (rua Cel. José Gomes de Sá, 7 – Centro – fone: (83) 3522.2980) realizarão um elenco de oito oficinas, no período de seis (próximo sábado) a 24 deste mês.

Serão ministradas três oficinas em Fortaleza (dias 6 e 12, ambas às 14h; e 18, às 10h), três no Cariri (dias 6, às 17h; 12, às 15h; e 24, às 17h), e duas em Sousa (dias 16 e 23, ambas às 16h). As oficinas terão duração média de três horas. Os interessados podem apresentar propostas nas áreas de artes cênicas, artes visuais, literatura, música, manifestações artísticas da tradição cultural nordestina, atividades culturais infantis, cursos de apreciação de arte e oficinas de formação artística. Todas as informações (edital e formulários) para inscrição de propostas estão disponíveis desde a última segunda-feira, 1º, no portal do BNB (www.bnb.gov.br/cultura). O BNB recebe propostas até o próximo dia 30, e o resultado da seleção será divulgado em 5 de dezembro deste ano. Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail cultura@bnb.gov.br ou pelos fones (85) 3464.3108 (Fortaleza), (88) 3512.2855 (Cariri) e (83) 3522.2980 (Sousa). As inscrições devem ser feitas mediante entrega de formulários-proposta, específico para cada uma das atividades, devidamente preenchido com letra legível ou digitado, assinado pelo responsável pela proposta e acompanhado dos respectivos anexos. Qualquer pessoa física ou jurídica pode apresentar projetos para as três unidades do CCBNB. A entrega do formulário-proposta pode ser feita, pessoalmente, nos seguintes locais, dias da semana e horários:

CENTRO CULTURAL BANCO DO NORDESTE-FORTALEZA

Rua Floriano Peixoto, 941 – Centro
Fortaleza-CE
Fone: (85) 3464-3108
(De terça a sábado, no horário de 10h às 20h; e domingo, de 10h às 18h)

CENTRO CULTURAL BANCO DO NORDESTE-CARIRI

Rua São Pedro, 337 - Centro
Juazeiro do Norte-CE
Fone: (88) 3512-2855

(De terça a sábado, no horário de 13h às 21h)

CENTRO CULTURAL BANCO DO NORDESTE-SOUSA

Rua Cel. José Gomes de Sá, 07 - Centro
Sousa-PB
Fone: (83) 3522-2980

(De terça a sexta-feira, no horário de 13h às 21h, e sábado, de 14h às 22h)

Centro Cultural Banco do Nordeste
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O CRATO PRECISA DE POLÍTICA HABITACIONAL
Por Amadeu de Freitas

O déficit habitacional no Brasil ainda é muito grande. O que denuncia essa realidade são famílias morando sob o mesmo teto, as precárias condições de moradia da população que vive em áreas de risco, assim como a baixa renda de grande parcela da população que impossibilita o pagamento do aluguel de um imóvel digno.
No Crato a situação não é diferente de muitos municípios brasileiros. A diferença reside no fato de que em nosso município as administrações municipais nunca se preocuparam em desenvolver um programa habitacional para a população de baixa renda, tendo como meta a diminuição desse déficit. Quando o Governo do Estado tinha a companhia habitacional essa população teve acesso à casa própria através dos financiamentos subsidiados e dessa forma surgiram os diversos conjuntos habitacionais que temos hoje. Depois que a política habitacional passou a ser implementada pelo Governo Federal em parceria com os municípios, o Crato deixou de construir casa para o povo.
Ter um lugar para morar é o primeiro passo para a estruturação de um lar e de uma família. Evidentemente que morar não é somente ter a casa, mas também o emprego, o transporte, o saneamento básico, os sistemas de saúde e de educação funcionando. Através de um programa habitacional, o município pode construir e apoiar a melhoria de habitações da população de baixa renda com o apoio do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social do Governo Federal.
Outra ação importante que o Governo Municipal pode realizar no âmbito da habitação é a regularização fundiária das áreas ocupadas sem a devida titulação dos moradores. O Crato possui inúmeras áreas irregulares que, através da Lei Federal denominada Estatuto das Cidades, podem ser regularizadas e os posseiros passarem a proprietários legais para com segurança poder fazer investimentos de melhoria em suas habitações.
Com os recursos disponibilizados pelo Governo Federal e o apoio do Governo do Estado aos municípios para construção de habitações populares não justifica o Crato não ter uma política habitacional destinadA à população com renda inferior a três salários mínimos. Como estamos em plena campanha eleitoral que vai eleger um governo para os próximos quatro anos, nada mais oportuno que analisar as propostas dos candidatos para saber quem discute esse assunto com compromisso de implementar um programa de moradia popular para enfrentar a dívida habitacional que o município tem para com seu povo.

Amadeu de Freitas – foi vereador do Crato pelo PT e é atualmente Superintendente do INCRA no Ceará.