10 agosto 2008

SOBRE UM COMENTÁRIO SOBRE O ICC



Não condeno o ICC. Apenas acho que somos mal-acostumados a cobrar posturas quando nós mesmos não encampamos atitude nenhuma. O Instituto Cultural do Cariri pode muito bem vir a cumprir o seu papel. É preciso apenas que se reavalie os propósitos e que alguém de visão, capaz e disponível, chegue junto da atual administração ou da futura, pois é um quadro que se renova.
Em comentários sobre o ICC, matéria publicada pelo Dihelson por sinal muito oportuno, sob o título: (CARTA ABERTA AO ICC), alguém em seus comentários, profere palavras de ordem e deboches que não contribuem em nada, nada mesmo! O ICC não fabrica, não elitiza, não classifica e nem desclassifica velhas ou novas gerações! Não imortaliza nem revitaliza. Apenas cumpre o papel de reconhecer valores que a própria sociedade já reconheceu por seus méritos. Ressentimentos à parte! As pessoas que integram o corpo dos agraciados são da maior respeitabilidade e não se ofereceram ou desembolsaram para terem seus nomes por lá, foram reconhecidos pelos atributos e barganha cultural!

O ICC não deve ser visto como “um grupo fechado a valorizar uma elite de velhos escritores”! “Evidentemente não é isso”. Pois se tem um centenário notável como o Dr. Raimundo de Oliveira Borges, tem-se muita gente humilde que faz parte do corpo docente. Tem-se pessoas de gerações distintas como as de: Luciano Carneiro à William Brito, de Glauco Vieira à Antonio Vicelmo, de Francisco Salatiel à Abidoral Jamacaru, João do Crato, Dr. Zé Flávio, Emerson Monteiro à de Dihelson Mendonça e por aí vai... Será que essa gente é pobre culturalmente falando?

Nomes que “ainda”, não configuram no quadro por razões outras, em verdade não são menos imortais na memória de seu povo do que aqueles instituídos por uma instituição. É preciso também entender que o ICC não deve se prestar a ser um órgão controlador de pesos e medidas de valores culturais, não acho que este é o propósito! Deve ser visto como mais um centro de referência do que aqui se produz e atuar como uma casa realizadora de eventos culturais.
Deve ser cuidado, assistido, organizado em sua: DISCOGRAFIA, PINACOTECA, CINEMATECA, BIBLIOTECA e outros atributos que lhe comportam e compete, não só uma casa de cerimôniais de entregas de diplomas, isto é uma verdade.
Porém, nada, nada deve impedir de alguém dirigir-se ao ICC e apresentar o seu trabalho e solicitar que seja cuidado e posto à disposição da comunidade! Evidente que este seu trabalho tenha conteúdo plausível, saudável, enriquecedor de valores instrutivos para a o deleite de futuras gerações!

Se auto-intilular ou se amoldar ao rótulo de marginalidade e se vangloriar disto não é um grande feito. “A marginalidade autoral deveria ser a última a ser reconhecida pelo próprio autor!” A velhice literária, não se define nos relógios do tempo! Não são velhos, aqueles escrevem com a juventude interior dos seus anos vividos!

Cuidemos do que é nosso, pois! Sentemos um tijolo, pintemos uma parede, ofereçamos nossas criações ao ICC. Clamemos por um conselho que escolham os imortais, eximindo desta responsabilidade o Presidente apenas! O que é a imortalidade, senão, uma expressão de reconhecimento de obras, gestos e atitudes que transcendem ao tempo!

Celebremos o ICC e o soergamos em suas horas difíceis, abramos suas portas, e não o fechemos em nossa conduta intelectual. Afinal, o Instituto Cultural do Cariri é uma criança de 54 anos que ainda vislumbra se imortalizar!

Pensando assim, quiçá tenhamos uma memória culturalmente imorredoura!

Pachelly Jamacaru

Crato - Zona Rural - Fotos: Amilton Silva







Abraços,
Bom Domingo.

Fotos: Amilton Silva