03 agosto 2008

MÚSICOS PROTAGONIZAM CENAS DE AMOR NOS PALCOS DO CENTRO CULTURAL BNB

“Literalmente”, foi o que aconteceu ontem por ocasião do encerramento do III FESTIVAL DE MÚSICA INSTRUMENTAL no Centro Cultural do Banco do Nordeste-Cariri. Dihelson Mendonça e trio deram uma verdadeira demonstração de amor ao que fazem, às suas vocações, levando o público ao êxtase, com cenas de afetividade com os seus instrumentos de trabalho numa relação intimista de tirar o fôlego dos presentes.

Vejam fotos:

Os instrumentos aguardam pacientemente serem "tocados"!


Chegando devagarzinho e fazendo às preliminares, João Neto, este extraordinário músico que permeia o universo cariri, vai aos poucos chamando os demais para o que já podíamos prever: um show de show!


Então alegre e excêntrico entra em cena ele, que não iria deixar por menos, Saul Brito arrancou aplausos ao tocar carinhosamente e com desenvoltura o corpinho de sua batera, arrancou aplausos este rapaz!


A estrela sobe e desce sobre nós o seu brilho incomensurável! Numa noite inspirada, Dihelson Mendonça salpicou estribilhos sobre os presentes em cenas de amor de um Maestro e seus teclados de estimação! O homem estava em seus melhores dias de noites de show! O público só ganhou com isso!


Dando uma canja, como convidado especial, ele, O “Neguinho Demontier”, carinhosamente falando, outra figura do meio musical bastante conhecido, fez bonito ao levar um chorinho bem conduzido com Dihelson e João. Grande participação!


O Trio...


Houve duo!


E o agradecimento a um público fiel e extasiado com tantas cenas de amor! Não podemos deixar de frisar a equalização do som e a iluminação que estava surpreendentemente a favor do espetáculo! Noites assim, são raras!



Fotos: Pachelly Jamacaru
"Direitos reservados"

ARTE NO CARIRI - Demonstração de amor à vida

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O artista Jorge dos Santos, do Crato, fabrica na rua pulseiras, colares, brincos e telas (Foto: Antônio Vicelmo)

Crato. “O artista de rua” é um mágico do espaço, do tempo e da realidade. Eles produzem sonhos e fantasias em forma de objetos que representam, muitas vezes, a sua própria história marcada por sofrimento, desilusões e, ainda, protestos contra a sociedade de consumo ou a forma convencional de viver.

A atividade que essas pessoas desenvolvem é uma das mais comoventes demonstrações de amor à vida e à arte. A rua é o seu palco e o seu cenário. Elas expõem seus trabalhos sem nenhuma ostentação acadêmica. A simplicidade das obras expostas nos gradis das praças ou espalhadas em volta do artista tem a mesma magia do nostálgico som de uma sanfona, quebrando a monotonia do vai-e-vem das ruas.

É o caso de George Jorge dos Santos que transformou a calçada da Rua Dr. João Pessoa, no Crato, em seu atelier e ponto, concorrendo com o comércio de “bugigangas”, a maioria importadas da China. Jorge, que já foi eletricista e bombeiro hidráulico, descobriu que viver da arte, no meio da rua, sem nenhum compromisso com horário e patrão, é uma forma de liberdade que não tem preço.

“Já andei o Brasil de ponta a ponta, conheço todos os Estados, nunca passei fome,” diz Jorge, acrescentando que passar necessidade num País solidário como o Brasil é uma mentira. “Além da solidariedade do povo existe a mãe natureza que nos oferece uma variedade de alimentos”, afirma. A matéria-prima para fabricação de pulseiras, colares e brincos é encontrada no mato, no meio das árvores e dos animais. “Isso aqui, por exemplo, é um rabo de tatu que encontrei num cemitério”, afirma.

Vantagem

Ser um “artista de rua”, seja produzindo, pintando, vendendo quadros, esculturas, bonecas, máscaras, artesanato, palhaçadas, tocando sanfona no meio da feira, exercitando qualquer forma de manifestação artística, tem uma vantagem, o artista negocia seu trabalho diretamente com o consumidor, olhando na cara das pessoas. “Não dá para ficar rico, mas é o suficiente para viver”, analisa Jorge.

Solteiro, pai de um filho que ele deixou em Angra dos Reis (RJ), Jorge encontra na rua a família que ele deixou por aí. “Aqui todos são meus amigos”, confessa, enquanto fabrica um brinco de penas. A rua, segundo Jorge, “é um grande mercado a céu aberto, que abre as portas para todos aqueles que não tem um espaço, um emprego para sobreviver”.

Antônio Vicelmo
Repórter

Fonte: Jornalista Antonio Vicelmo para o jornal Diário do Nordeste
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DEMOCRATIZAÇÃO DA GESTÃO PÚBLICA - Por: Amadeu de Freitas.


A democracia representativa não promove a soberania popular como está escrito nas constituições de diversos países, como a do Brasil. O povo não exerce o controle sobre seus representantes e seus interesses são freqüentemente desrespeitados. Apesar dos avanços na legislação brasileira com vistas a aumentar o controle externo dos órgãos públicos, ainda há muito o que mudar para que a vontade popular prevaleça no exercício do poder público.
Experiências de participação da sociedade na gestão pública são sinais de que é possível, em escala menor e em nível de governo geral, se obter resultados satisfatórios de participação direta e semi-direta da população. No Brasil, o Orçamento Participativo é uma dessas experiências consideradas inovadoras. Por meio da participação direta em algumas fases da discussão do orçamento e da participação através de representação no conselho do orçamento participativo, a população decide os investimentos municipais e fiscaliza a execução orçamentária. Alguns estudiosos do assunto chamam de democracia deliberativa outros de democracia distributiva essa forma de participação.

Preocupados com o grau de corrupção e a desorganização nos governos municipais no final dos anos 1980 e início dos anos 1990, os organismos financeiros internacionais passaram a incentivar e até condicionar a transferências de recursos à adoção de controle social. Essa forma de participação pouco contribui para a democratização do poder, pois sua preocupação é apenas com a eficiência do gasto público. Porém, muitos instrumentos de participação, como os conselhos gestores evoluíram para espaços de planejamento e fiscalização de políticas públicas.
As pesquisas revelam que aonde se conseguiu maiores avanços na democratização da gestão pública através da participação social, geralmente houve a combinação da existência de uma população local organizada com a vontade do gestor ou do grupo político dirigente em promover a participação como forma de alargamento da democracia. De fato essa receita é imprescindível para o que chamamos de construção da democracia participativa. Com a população organizada seus projetos são mais facilmente levados para o espaço público da disputa democrática que são os conselhos, as assembléias, as conferências, as audiências públicas, etc.

Acreditamos que quando a população participa, os instrumentos de controle social e de transparência da gestão pública vão se multiplicando para uma participação cada vez maior. Segundo Rousseau, a participação tem função educativa do povo e promove o sentimento de comunidade, elementos fundamentais para o desenvolvimento da cidadania. Esse potencial da participação por meio de instrumentos inovadores da gestão pública é o que possibilita pensarmos em democratização do poder e não simplesmente em uma participação tutelada.
Não estamos tratando dos meios formais da democracia representativa que se restringem à eleição dos representantes da sociedade no parlamento e eleição dos governos. Falamos dos instrumentos de decisão de governos que precisam sofrer alterações para permitir a participação do povo na tomada de decisões. A isso chamamos de gestão democrática.

Por: Amadeu de Freitas