20 junho 2008

Floresta verde - Josilson Lobo

A CULTURA E A CURTURA

Caros Amigos,


Este artigo foi escrito em 2001 sobre o verdadeiro abandono dos artistas cratenses na EXPO/CRATO, já naquela época. Parece que o mal é crônico e não tem remédio...



A EXPO/CRATO , hoje cinqüentenária, já tem luz própria e parece até imune a apagões administrativos, políticos e econômicos. Ela tem sobrevivido a toda sorte de intempéries e, independentemente de tudo, tem abalado a nossa cidade, há meio século. A Feira Agropecuária já não tem o viço do passado, já não há gratuidade plena na festa para o povão, mas os setores Turismo e o entretenimento têm mantido fortemente a sua tradição.Invariavelmente, ano após ano, tenho escrito sobre a EXPO, pela sua importância única no Crato (temos já bem poucas coisas do que nos gabar). Preocupa-me , sempre, a manutenção das nossas raízes culturais, coisa , claro, que tem que ser buscada no dia a dia, mas que, a meu ver, pode ser mais amplamente vislumbrada na EXPO : único evento de grande porte do município caririense que um dia já se orgulhou de ser a Cidade da Cultura.

Os Shows , terceirizados, mantiveram uma pobreza de assustar: Axé Music em franca decadência, Bandas que dizem tocar Forró(???) ; ou seja aquilo que se convencionou chamar Música Pra-Pular Brasileira. Muitos cratenses devem ter se orgulhado quando Zeca Baleiro (que fez com Geraldo Azevedo os únicos Shows dignos deste nome ) dedicou o seu ao grande músico cratense Cleivan Paiva, a quem muito admirava. Na sua primeira apresentação aqui em Crato, no ano passado no Crato Tênis Clube, já havia feito o mesmo com Abidoral Jamacaru. O Zeca, artista em franca ascensão no cenário musical brasileiro, reconheceu publicamente o mérito de dois grandes artistas da terra, coisa que a própria cidade não tem feito.

Abidoral, Cleivan, Mane D’Jardim, Dihelson Mendonça , Luiz Carlos Salatiel, simplesmente, mais uma vez , foram impedidos de se apresentar na sua própria cidade, na única festa que ainda sobrevive à nossa derrocada político-econômica. Motivo ? O de sempre: a Secretaria de Cultura ofereceu o mísero cachê de R$ 300,00 para cada Banda da cidade ! Se imaginarmos que cada Banda apresente-se com pelo menos 05 músicos ( muito aquém das importadas e contratadas a peso de ouro) , cada músico receberia a vultosa quantia de R$ 60,00 por apresentação. Entenda-se que esta é a única festa existente na cidade e que, com isso , a Secretaria de Cultura estará contribuindo com exatamente 16 Centavos/dia para manutenção dos maiores artistas cratenses, que poderão comprar diariamente um Dim-Dim e três Bom-Bons. Muitos até podem imaginar que nossos músicos são mercenários, mas é preciso conhece-los para saber do seu desprendimento. O que mais os desaponta, certamente, é o desprestígio total ao seu trabalho, a impossibilidade de pagar condignamente a uma variedade expressiva de músicos para que possam ensaiar e apresentar um show bem produzido, na qualidade artística das produções importadas com cachês altíssimos.

O Crato tem uma imensa dívida para com seus maiores artistas populares. Não falamos aqui apenas da questão meramente financeira: Os Anicetos em recente entrevista disseram que apesar de toda a glória e sucesso, “estão passando precisão”. Falamos de algo muito pior: da total falta de espaço para mostrarem seu trabalho. Basta lembrar que os Cocos, os Reisados e as Bandas Cabaçais continuam se apresentando num ínfimo e antigo palco, hoje já sem nenhuma platéia: “os grandes artistas na parte de baixo, com ingresso , a rafaméia do folclore lá em cima de graça e sem público” “. A presença firme da URCA, este ano, foi a nota mais afinada nesta orquestração pobre e desafinada da nossa programação cultural na EXPO/2001

Já sabemos de antemão a visão estreita que a nossa elite tem dos nossos músicos. Dirão que são uns irresponsáveis, que usam meios pouco ortodoxos para se inspirar, que seu trabalho não tem nenhuma qualidade e que os R$ 300,00 são uma esmola para não morrerem de fome, porque seu trabalho não vale nada.Não parece, definitivamente, ser esta a idéia de Zeca Baleiro e de Hermeto Paschoal, em quem prefiro acreditar mais.

Os nossos governantes precisam entender que a intelectualidade do Crato tem , também, uma clara idéia formada a respeito da EXPO. Comenta-se no dia a dia que ninguém sabe da licitação nos Processos de Terceirização dos Shows, que ninguém conhece claramente o Contrato e que historicamente nunca se soube de um Prestação de Contas clara da nossa Festa maior.Quanto se gastou na Produção? Quanto se apurou com os patrocínios e com a venda das barracas ? Quanto a população paga para ser obrigada a tomar marcas exclusivas de bebidas nas barracas? Quanto a EXPO apurou com a terceirização? Valeu a pena?

Damos uma versão pela outra e não precisa de volta. O futuro desta cidade, apesar dos pesares, está muito mais nas mãos dos nossos artistas do que dos nossos políticos. Quem viver verá! Mas antes que o futuro chegue: se não temos nenhum apreço por nossos artistas populares, já está mais que no tempo de parar de chamar o Crato de Cidade da Cultura, acho que hoje já lhe pega melhor o epíteto de Cidade da Curtura.

Crato 25/07/01


J. Flávio Vieira


CASANOVA DE CASA NOVA


-- Aquilo não é uma mulher, é um cão perdigueiro !

Esta talvez tenha sido a mais perfeita definição da mulher de Salustiano, feita por um de seus amigos, numa mesa de bar. Salu( como era conhecido na patota) sempre fora chegado a uma gandaia. O bordel sempre tinha sido o templo maior de suas oferendas. Seu oratório era preenchido pelos deuses pagãos: Dionísio, Baco e Vênus. Parece que tinha sido castigo! Já entrado nos quarenta, terminara por casar com D. Guilhermina: mulher madurona, sistemática, cuja maior diversão era ir para quermesses e assistir às reuniões de casais com Cristo que Salu acompanhava, a contragosto. Não bastasse tudo isso, a patroa de Salu era extremamente ciumenta. Parecia um cão farejador. Ligava para a repartição do marido inúmeras vezes ao dia, como se estivesse fazendo chamada. Quando o pobre retornava para casa, procedia-se uma revista rigorosa, digna de Sherlock Holmes, em todos os seus pertences e vestes. D. Guilhermina olhava atentamente a Agenda, em busca de telefones suspeitos, ou bilhetes. Revistava ainda cuidadosamente todas as roupas externas e íntimas procurando fragrâncias estranhas, cabelos femininos ou marcas de Batom. Algumas vezes, chegou a examinar, com atenção quase urológica, o próprio corpo de Salu, fingindo-se de mulher envolvente e carinhosa.

Apesar de todo cerco impingido por D. Guilhermina, nosso D. Juan não havia perdido de todo o espírito aventureiro. Como, por mais de uma vez, tinha sido flagrado, com uma ou outra prova material, foi desenvolvendo um ritual digno da CIA ou do MOSSAD. Carregava no porta malas, escondida, uma maleta fechada com um sem número de utilitários : soluções para retirada de manchas, aromas vários para disfarçar perfumes, óleo e graxa para simular “pregos”no carro e justificar atrasos , bateria descarregada( sempre) para justificar celular fora de área e por aí vai...Não bastasse isso, tinha uma rede de auxiliares digna de nota, capaz de falsear vozes, inventar histórias/desculpas mirabolantes, forjar documentos e álibis. A mulher tinha, porém, pacto com o demo: devia ir para o Afeganistão procurar o Bin Laden, diziam os amigos. Um dia, suplicante, pediu que ele a contasse sobre qualquer aventura após o casamento, jurando calma e compreensão, pois, dizia, sua fobia não era de chifre, mas de ser enganada sem saber. Salu, para testar, começou a falar sobre alguns namoricos da infância e, mal tinha passado do segundo, já D. Guilhermina ia quebrando todos os pratos da cozinha no tubo de imagem da TV. Imagina se falo os do pós-matrimônio, pesou Salu, aliviado em meio aos destroços da III Guerra Mundial.

O período de maior aflição passado por Salu, aconteceu depois do caso Diana Bobitt. Vocês lembram ! Sim, foi aquela que, numa crise de ciúmes, cortou o pinto do marido com uma faca de pão, como se fosse salaminho. D. Guilhermina, imediatamente, a tomou como ídolo e até andava com um retrato da emasculadora senhora na bolsinha de dinheiro. Salu entrou em pânico quando descobriu no guarda roupas da esposa ( imaginem o quê !): uma faca Gin Su ! Passou mal, terminou por internar-se em clínica para esgotados mentais. Voltando, inventou , prontamente, que o médico prescrevera comida chinesa típica , para toda a família e, a partir daí, deu fim às cortantes lâminas da casa e passaram a comer com pauzinhos ( para alívio derradeiro dos países baixos e melindrosos de Salu).

A vida assim ia se escoando em meio a esta Guerra Fria. Tamanha perseguição parecia ir dando um tempero todo especial às perigosas escapulidas de Salu. Dia desses, no entanto, o homem voltou a sobressaltar-se. Aparecera nova arma de contra-espionagem no mercado. Ele soube ,através de sua especial rede de informação. No Bar de Seu Louro, os amigos, aflitos, lhe mostraram o recorte de Jornal. Os japoneses inventaram um spray que borrifado na cueca da pessoa, em contato com qualquer resquício de sêmen, torna-se verde e aí, a patroa –perdigueira, ao examinar, poderá ter uma prova concreta da traição cometida. Não bastasse isso ainda desenvolveram um tipo de meia que muda de coloração ,se por acaso for retirada do pé, o que poderia dar evidência de visitas sorrateiras a motéis.Salu gelou! Aquilo nas mãos de Guilhermina seria uma arma perigosíssima. Na sua visão de Casanova, a atitude dos japonas só podia ser despeita com os ocidentais. Inventar uma porcaria destas, só pode ser complexo de inferioridade: por terem um pingolim do tamanho de um alfinete !

Por via das dúvidas, no entanto, desde aquele dia, Salu só anda de chinela, só compra cueca verde-camaleão e ,pra dormir, é com um olho só fechado : o outro “pastora” Guilermina!



J. Flávio Vieira

Eu Também quero Elogiar "O Festival" - Por João Nicodemos

Eu também quero tecer alguns comentários sobre o Festival da Canção. Um evento histórico que revelou para nós, grandes valores da música do cariri e que felizmente está ressurgindo depois de longos anos...
E´de grande importância para a nossa cultura a realização de evendos dessa natureza, pois, favorece o surgimento de novos talentos além de servir de palco para cultuarmos nossos ícones culturais de valor reconhecido.
A equipe da Secretaria Municipal de Cultura, realizou um grande trabalho e conseguiu um ótimo resultado! O pátio da estação , agora revitalizado, é um espaço ideal para este tipo de evento. Um verdadeiro cartão postal da cidade.
Este tipo de trabalho faz o Crato se manter como Capital da Cultura no Ceara, e sua tradição de seleiro cultural está, mais uma vez, justificada!
Considerando que os tempos são outros, e que a ditadura militar foi substiruída por uma forma mais sutil de dominação, agora mais internacional, a ditadura da globalização, via mercado e indústria cultural, tenho duas sugestões que, em meu pensamento, podem auxiliar em futuras realizações, para que atendam mais favoravelmente nossas demandas. Uma delas é que, a exemplo da Mostra de Teatro realizada anualmente pelo SESC, este festival altere seu caráter competitivo, transofrmando-se em mostra, onde todos saem ganhando (com participação no CD ou DVD da mostra) e não apenas os primeiros lugares...
O espírito de competição, está comprovado, não leva à evolução e está mais afinado com o sentimento de dominação, que está degradando a vida no planeta. A solução pode ser desenvolvermos o sentido da COOPERAÇÃO, da mesma forma que as notas musicais co-operam produzindo harmonia.
A segunda sujestão é que a o "Festival", evoluindo para "Mostra", expanda seus limites para além da "Canção" (poesia cantada) e inclua a Música Instrumental, que também é carente de espaços. Bons instrumentistas não faltam, podemos comprovar...
Fico feliz em poder participar democraticamente com as sujestões para um melhor desenvolvimento de nossas ações culturais. Sei, pela minha prática de músico e professor, que o povo gosta de boa música, gosta de bom cinema, boa literatura, da mesma forma que gosta de boa comida. Basta ter livre acesso que se identifica com o que é Bom!

Por: João Nicodemos

Carta do Leitor - Sobre a ExpoCrato - Wilton Dedê em apoio aos Artistas.

Amigos,

Escrevo pouco para o Blogdocrato, mas acompanho diuturnamente o que se passa na minha querida Crato. Parabenizo pelo espaço aberto à luta dos artistas caririenses por espaço na Expocrato. Há tempos não consigo ver o Crato dentro desse evento. Alguém já atentou pra isso?

Quero levar ao conhecimento de vocês que essa luta é antiga e desleal para com os artistas caririenses. Digo-lhe mais, com os artistas de renome no Nordeste. Onde anda Dominguinhos, Alceu Valença, Elba Ramalho, Zé ramalho, e outros tantos que fazem do Nordeste uma vitrine para o país? Por que não temos espaço para Sanfoneiro Carneirinho, Flávio Leandro, Joãozinho do Exu, Herdeiros do Rei? Onde está o espaço e o reconhecimento para o grande sanfoneiro cratense OSWALDINHO que hoje lota as melhores casas de forró na capital? È HORA DE REPENSARMOS A EXPOCRATO.

Referente ao Trio Elétrico, não sei quem o colocou dentro do Parque, mas sei quem o tirou. Fiz parte da comissão que levou pedradas por causa disso, pois estava junto com Antenor Muniz Gomes de Matos, então presidente da festa, que com muita valentia enfrentou as "feras" que defendiam a permanência do trio no parque. Bradavam aos quatro cantos que nós íamos acabar com a festa da exposição. Justiça se faça. Com muita luta ele conseguiu extirpar essa ferida da nossa festa. Prá se ter uma idéia o cachê do trio representava 28% da verba da expocrato na época do prefeito José Aldegundes.

Conseguimos contratar equipamentos e shows locais e nacionais com 20% dessa verba.

Isso prova que é possível colocar o Crato dentro da exposição. A Comissão vende o espaço de shows, então vai uma sugestão: Parte do dinheiro do arrendamento da parte de shows (parte de baixo) seria utilizada para os shows locais. Poderíamos fazer um grande espetáculo com bons equipamentos e cachês dignos.

Concordo com o fato de que o menor culpado nisso tudo é Ricardo Quental. Culpá-lo é igual a culpar o leitor do medidor da Coelce pela falta de energia na rua. Sei que ele é sensível à nossa queixa, mas... Ele está no lugar e no papel de empresário.

Vamos ao lugar certo, resta-nos lutar junto à Comissão Organizadora do evento por esse espaço. Parabéns pelo início da luta. Quero me engajar nessa briga. Contem comigo. Gostaria de saber qual o próximo passo. O que ficou agendado nessa briga?

Por: Wilton Dedê.

EM DEFÊSA DO FORRÓ COM EXCESSÃO

A propósito do artigo escrito abaixo pelo prezado colega José do Vale Feitosa, resolvi tecer algumas considerações importantes sobre o assunto, posto que parecem existir alguns pontos a serem esclarecidos sobre a reivindicação dos artistas locais para a ExpoCrato.

Quando colocamos uma campanha nas ruas que se propõe a reivindicar espaços democráticos na mídia e na Expocrato, não estamos com isso almejando o monopólio. Pelo contrário, estamos lutando pela quebra de um monopólio já exercido pelas estações de rádio em sua programação, e que somente privilegia UM SÓ TIPO de música no Ceará.

Queremos a mídia de forma a dar espaços igualitários a todos os tipos de música, seja MPB, o Baião, o frevo, o Maracatu, o Sertanejo, e até o própria música brega, pois deve haver espaços para todos. O que não se pode tolerar é ligar qualquer meio de comunicação, seja rádio ou TV, e constatar que muitas vezes, uma mesma música está a tocar em todas elas, numa clara formação de cartel, pago por aqueles descompromissados com a verdadeira arte e a cultura. Músicas essas, em sua maioria de letras pornográficas, que incitam os jovens ao alcoolismo, a banalização do papel da mulher na sociedade, a falta de respeito ao ser humano de forma geral.

Quem defender esse tipo de música e comportamento da mídia, só pode ser uma pessoa sem qualquer formação cultural de arte da música e da literatura, pois que não se deve fazer apologia ao crime, às drogas nem à falta de respeito ao ser humano. E haverá hoje, droga maior para a sociedade do que aquilo que se chama de forró eletrônico ? Basta ver o tipo de festa e os tipos de crimes praticados por aqueles que frequentam, consomem e se mantém nesse vício.

Não obstante, se quisermos uma sociedade democrática, e uma mídia que dê espaços a todos, teremos que aceitar que mesmo essas "anomalias musicais" possam ter seu espaço. Deste modo, a música se mantém um veículo muito democrático, pois há música para todos os gostos. E mesmo sabendo que é uma indústria por trás disso tudo que fomenta na cabeças das pessoas esse tipo de diversão neandertalóide, é dever nosso lutar pelo direito de evoluir, que é o grande diferencial entre os seres racionais e irracionais, posto que essa diferença entre racionais e irracionais é a própria evolução em todos os seus aspectos.

Portanto, é extremamente legítima a luta dos nossos colegas de classe, artistas, que foram até a câmara dos vereados dia 18 próximo passado, reivindicar espaços para outros estilos de música no palco principal, e como eles mesmos se referiram no manifesto, contra a "farra da violência".

Abraços sinceros,

Dihelson Mendonça
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EM DEFESA DO FORRÓ SEM EXCESSÃO

Em movimentos coletivos, manifestações populares ou assembléias deliberativas não se pode defender uma manifestação da cultura real e ao mesmo tempo ser crítica dela. O que os coletivos defendem são as manifestações culturais e neste sentido me associo a qualquer coletivo que defenda o forró. Outra coisa bem diferente é criticar a natureza de um forró determinado, de um tipo medíocre ou até degenerado de tratar o ritmo, a poesia e a musicalidade do forró. Por isso, mais uma vez fechando o parágrafo: DEFENDO O FORRÓ (COMO MODO DE RESUMIR BAIÃO, CHOTE, MAZURCA E OUTROS QUE RECEBERAM AS CORES NORDESTINAS) COMO A MAIS VIVA MANIFESTAÇÃO DE UM POVO INTERIORANO.

O futuro da nação brasileira passa por dois grandes movimentos: a) elevar a renda, a educação, cultura e saúde dos mais pobres e b) desenvolver seu imenso interior. E estas coisas andam tão juntas (os pobres das periferias das grandes cidades industriais e litorâneas são os interioranos) que é preciso unidade. Por isso a defesa cultural do interior nordestino, em particular, é importante para o Brasil pois em termos de população é a maior.

O quê o coletivo dos artistas caririense realizou foi a defesa de seu valor e sua valorização na principal manifestação cultural da região. Não os vi como a censura a àquela banda ou a outra manifestação. Não foi isso pelo que li. O quê li e se bem compreendi, é preciso que se entenda o seguinte: a EXPOCRATO é um evento que envolve um mix público e privado. Mas o público é o principal é quem detém a maior parcela de patrimônio. É público o espaço, é público o capital intangível de anos e anos da formatação desta festa; é pública parte do capital em moeda sonante aplicada, é público o espaço licitado etc. Portanto o movimento do coletivo dos artistas tem toda a objetividade e toda a precisão necessária a este tipo de luta. Até acho que têm até mais do que imaginam. TRADUZINDO O QUE SE REVELOU: A EXPOCRATO É UMA POLÍTICA DE GOVERNO E SE CONSTRÓI POLÍTICA DE GOVERNO COM AÇÃO POLÍTICA.

Como da geração que sofreu a ditadura sempre terei dificuldade de apoiar qualquer manifestação que possa ter a censura como fim em si. Uma coisa é criticar, valorizar a boa qualidade da arte, defender a integridade moral e social das pessoas, denunciar o caráter machista ou outro tipo de preconceito que se manifestam nas letras de forró, funks, música baiana ou rocks. Outra é querer por mão de força manietar a manifestação que atrai público e vende disco. Aliás isso foi uma das defesas do capitalismo em relação ao socialismo que pretendeu dar "racionalidade" pelas escolhas estéticas.

Enfim, o coletivo dos artistas caririense deve prosseguir e conquistar um hegemonia local. Têm razão em defender dos Conselhos Municipais de Cultura, criar associações de artistas, trabalharna construção de políticas culturais municipais voltadas para as escolas com a finalidade de criar público para a manifestação artística de qualidade. A luta do coletivo é pela hegemonia de manifestação. É por ela, pois onde se perde espaço é junto ao público. Por último: esta luta tem que se perenizar como uma estratégia de médio prazo para que a programação do próximo ano já mostre uma vitória evidente desta luta. Os empresários não perderão uma só ouvinte no palco principal se houver a fusão entre artistas consagrados nacionalmente e a manifestação local. Isso é tão melhor que eles não têm como resistir.

O Festival Cariri da Canção

Amigos,

Aconteceu. E foi muito, mas muito legal. O Festival Cariri da Canção teve momentos muito bons. Achei de um nível bastante elevado em termos de produção e principalmente da qualidade das músicas apresentadas. Quem esteve no Centro Cultural do Araripe (Café Estação), sabe do que estou falando. Quero aqui deixar o meu carinho todo especial a nossa Secretária de Cultura Danielle Esmeraldo que soube muito bem conduzir esse evento que, diga-se de passagem, é bastante difícil de se produzir, por ser um festival competitivo e que traz diversas discussões. O "nosso" festival retornou e veio com força total, apesar de sabermos que muita coisa ainda precisa melhorar. Acho que tudo ajudou para que tivéssemos os resultados que aconteceram. O apoio da Prefeitura do Crato através de Samuel Araripe que prometeu que o festival saía e realizou, dando total apoio para a secretária Danielle. Às empresas que chegaram junto, como a Grendene e Coelce, puxa, temos muito que enaltecê-las pois são empresas como essas que fazem o diferencial, que colocam a sua marca junto a um evento e que sabe que está apoiando um evento de qualidade. Eu, como produtor, sei muito bem do que estou falando porque esse tipo de festival só acontece realmente porque existem empresas que têm a responsabilidade de dar suporte para que a produção faça acontecer o evento. As dificuldades são enormes, mas somente com o apoio de empresas fortes e que têm responsabilidade cultural é que os festivais, shows, concertos, etc, acontecem. Quero aqui parabenizar a toda a equipe de Danielle Esmeraldo, pois sei o quanto penaram para que tudo ficasse bem afinadinho como ficou.
Críticas? Tenho sim, claro, inclusive já tive a oportunidade de tecê-las pessoalmente à Danielle. São críticas que certamente ela e a sua equipe já recebeu e também percebeu, mas que aqui vou colocar e espero que vocês coloquem as suas também, pois só assim o festival ganha mais corpo e o evento se torna mais forte. Em primeiro lugar o palco. Acho que a produção poderia ter feito um esforço maior para conseguir um palco melhor. Banheiros químicos: como o Café Estação não tem estrutura de banheiros para receber tanta gente, ficou meio complicado a utilização de banheiros, principalmente no primeiro dia, pois nos dias seguintes chegaram alguns banheiros químicos, mas a galera nem sabia e entupia os banheiros do Café Estação. O certo é que houve poucas críticas, tudo bem, mas que elas sirvam para o engrandecimento da festa.
No mais, tenho só que agradecer a oportunidade de estar presente nesse grande evento de resgate. Resgate do nosso maior potencial, que é a qualidade cultural dos nossos artistas caririenses.

Vamos cumprimentar Antonio Vicelmo pela Reportagem abaixo !

Amigos, quem quiser cumprimentar o Jornalista Antonio Vicelmo pela excelente reportagem sobre a reunião na câmara promovida pelo grupo Coletivo Camaradas, podem enviar as mensagens aqui para o Blog do Crato, que retransmitirei a ele imediatamente.

Abraços,

Dihelson Mendonça
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ExpoCrato - Artistas Locais lutam contra a FARRA DA VIOLÊNCIA - Por Antonio Vicelmo - Hoje no Diário do Nordeste.

Basta de Pornografia no Rádio !

A "Farra da Violência" promovida pelo poder público, e com vista grossa pelas autoridades incompetentes deste país, em letras de música pornográfica, incentivando os jovens ao alcoolismo e à degradação da família pelo Cartel do Forró é denunciada no Jornal Diário do Nordeste, nesta bela reportagem de Antonio Vicelmo. Na minha opinião, uma das mais úteis da sua carreira como jornalista, em prol da decência, da moral e dos princípios básicos de civilizaçao, e contra essa bandalheira que chamam de forró eletrônico que está destruindo o Forró autêntico, a verdadeira manifestação cultural do Povo Nordestino. Parabéns, Antonio Vicelmo pela brilhante reportagem !

57ª Expocrato

Grupos lutam por apresentação no palco principal

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Operários trabalham na montagem de barracas e construção de pavilhões para a 57ª Exposição Agropecuária do Crato que acontece em julho (Foto: Antônio Vicelmo)

Artistas locais prepararam documento no qual criticam o privilégio de atrações nacionais na Exposição

Crato. Iniciados os preparativos para a 57ª Exposição Agropecuária do Crato (Expocrato) que será realizada de 13 a 20 de julho. Cerca de 300 operários estão trabalhando dentro do parque na construção e montagem de barracas, estandes, pavilhões e espaços para novos restaurantes e pizzarias. No entanto, na prévia da exposição uma polêmica se inicia: artistas locais denunciam que a organização do evento está privilegiando bandas nacionais, em detrimento dos grupos regionais que, tradicionalmente, integram também a programação no palco principal do evento.

Os artistas regionais estão assinando um documento que será enviado ao governador do Estado, Cid Gomes, e ao Grupo Gestor da Expocrato, solicitando espaço no palco principal e criticando a “valorização da industrial cultural que alimenta a farra da violência”.

O Coletivo Camaradas, grupo de artistas e poetas, se reuniu, ontem, na Câmara Municipal, com o objetivo de elaborar um documento que, segundo Alexandre Lucas, coordenador do grupo, será assinado por artistas regionais, criticando o critério de contratação de artistas por parte do poder público para eventos regionais.

O documento denuncia que o poder público “vem tratando a questão com descaso e incompetência, privilegiando grupos econômicos e interesses alheios à população”. O poder público, de acordo com o grupo, “vem financiando a farra da violência produzida pela indústria cultural, contribuindo para o processo de desumanização e alienação do povo”.

Os artistas dizem ainda que para o grande público só resta uma opção: músicas que fazem apologia à vulgarização sexual, ao machismo, à homofobia, à bestialidade, à violência e às drogas. Ao fazer esta crítica, o grupo de artistas regionais exige espaço no palco principal da Exposição Agropecuária.

Alexandre Lucas esclarece, entretanto, que a crítica não é direcionada exclusivamente à Expocrato. A reclamação é contra todos os eventos patrocinados pelo poder público, entre os quais, a Festa de Santo Antônio de Barbalha e o Juaforró, de Juazeiro do Norte.

O músico Luciano Brayner, integrante do grupo Zambeiros do Cariri, critica o que ela chama de política cultural para a região. Para Luciano, não existe uma articulação regional. O trabalho é feito isoladamente pelos próprios artistas. “Não existem sequer Conselhos Municipais de Cultura”, lamenta.

A empresa Luan Promoções e Eventos Ltda foi contratada para responder pelos shows na Expocrato. Entre as atrações estão a banda Asas de Águia e Zezé de Camargo e Luciano. O investimento, de acordo com o representante desta empresa, Ricardo Quental, fica em torno de R$ 1,7 milhão. Somente com o cachê dos artistas e bandas serão gastos R$ 800 mil.

O palco principal, a ser armado pela Luan, será localizado na parte baixa do parque. Será cercada com madeirite. Naquele espaço, se apresentarão as principais bandas e artistas contratados. Este ano, a organização abriu espaço para cinco bandas regionais que farão apresentações antes do show principal.

“Estamos contratando atrações que trazem público. Quem tem obrigação de abrir espaço para grupos musicais alternativos é o poder público”, diz Ricardo Quental, acrescentando que está pagando R$ 250 mil pelo espaço. Quental esclarece que sua atividade é exclusivamente empresarial.

A parte de cima é destinada a pavilhões de animais, estandes comerciais e industriais, restaurantes e apresentações de artistas regionais, grupos folclóricos e bandas. O presidente do Grupo Gestor da Expocrato, Francisco Leitão de Moura, disse que vai disponibilizar R$ 10 mil para os grupos folclóricos que deverão se apresentar todas as noites dentro do parque.

Movimentação

Francisco Leitão de Moura estima que o evento vai movimentar recursos em torno de R$ 50 milhões. “No ano passado, foram contabilizados R$ 34 milhões”, lembra Leitão, acrescentando que a Expocrato vem crescendo de um ano para o outro.

Este ano, além da exposição agropecuária, haverá uma Exposição Pan-Americana de Cães. Está confirmada também a cobertura do Canal do Boi, com a realização de leilões. A estimativa, segundo Leitão, é a inscrição de mais de cinco mil animais e um público de 50 mil pessoas por dia.

Enquete
O que você acha da organização do evento?

Ricardo Quental
Representante da Luan Promoções
'Contratamos atrações que trazem público. A obrigação de abrir espaço pra grupos alternativos é do poder público.'

Luciano Brayner
Integrante do Zabumbeiros
'O trabalho é feito isoladamente pelos próprios artistas. Não existem sequer Conselhos Municipais de Cultura.'

Alexandre Lucas
Coordenador do Camaradas
'A reclamação é contra os eventos patrocinados pelo poder público, como a festa de Santo Antônio e o Juaforró.'

Antônio Vicelmo
Repórter

Mais informações:
A Expocrato acontecerá no Parque de Exposição Pedro Felício Cavalcante
Avenida Maildes Siqueira, s/n
(88) 3523.2120


Nota do BLOG DO CRATO:

Amigos, isso é o início de uma nova era. Quero parabenizar a todos que estiveram na reunião da câmara dia 18. Eu não pude comparecer devido a estar em Fortaleza, mas todos sabem da minha CAMPANHA CONTRA O FORRÓ ELETRÔNICO que vem de vários anos. Essa "esculhambação" tem que acabar, e as estações de Rádio precisam democratizar os seus espaços, abrindo lugar para outros tipos de música, afinal, nem toda a população é Idiota como sugerem os locutores de rádio e promotores de eventos.

Vejam só a resposta do Sr. Ricardo Quental de que ele é um empresário, quer dinheiro, traz atrações que trazem público. Ele não está errado no seu papel de Judas Iscariotes que entrega Jesus para ser flagelado e dá ao povo Barrabás. Ele é um comerciante, e quer dinheiro. Resta aos artistas locais se unirem e buscar soluções para o problema mesmo. Precisamos batalhar nossos próprios espaços na ExpoCrato, pressionando o governo do Estado, que é o gestor da ExpoCrato.

É preciso que todos se engajem nessa luta, que é de todos!

Dihelson Mendonça - Pianista, Compositor e Arranjador

Fonte: Jornal Diário do Nordeste, edição de hoje, 20 de Julho de 2008.

Lançamento do filme Corpos Sagrados - Por Tânia Peixoto

Nesta sexta 20, a partir das 21h00 o Coletivo Malungo convida você para assistir ao lançamento do filme Corpos Sagrados, da cineasta Mariana Porto. Um documentário que é pura afetação sonora e imagética diante do cortejo de corpos sagrados que abdicaram de si para abraçar o ritual de carregamento do Pau de Santo Antônio em Barbalha, no Cariri cearense. Corpos sagrados são corpos extasiados, dados ao sacrifício, tomados por embriaguez tal que leva-nos a atravessar as molduras rígidas do documentário para emergir com o espaço sensível em que estes corpos podem ser vistos...

O espaço Coletivo Malungo fica na Rua Tristão Gonçalves (rua da vala) 567, centro em Crato-CE.

O evento contará também com a exposição “Cenas de um Cariri” do xilógrafo Maércio Lopes, Lojinha Duo, Gastronomia e muita música.

www.coletivomalungo.wordpress.com

Por Tânia Peixoto.