01 junho 2008

Crato - FESTIVAL DA CANÇÃO - Prorrogação do Prazo de Inscriçoes.

Comunicado:


Em virtude do dia 31 de maio ser em um sábado e a data ser o prazo final para entrega de inscrição do Festival Cariri da Canção, a comissão organizadora achou por bem prorrogar o prazo de entrega para o dia 2 de junho de 2008, segunda-feira.
Agradecemos a compreenção de todos.

Vicente de paulo Fuisca
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Festa do Pau da Bandeira: Fé e Carnavalização - Por Océlio Teixeira de Souza


A festa de Santo Antônio/Em Barbalha é de primeira
A cidade toda corre/(É um fuzuê medonho)/Pra ver o pau da bandeira
Olha quanta alegria/Que beleza/A multidão faz fileira
Hoje é o dia/Vamos buscar o pau da bandeira
Homem, menino e mulher/Todo mundo vai a pé
A cachaça na carroça/Só não bebe quem não quer
Só se ouve o comentário/Lá na Igreja do Rosário
Que a moça pra ser feliz/Reza assim lá na Matriz:
Meu Santo Antônio, casamenteiro.
Meu padroeiro, esperei o ano inteiro.
(Luiz Gonzaga)

A música dos compositores Alcymar Monteiro e João Paulo Júnior, imortalizada na voz do saudoso Luiz Gonzaga, retrata com poesia, singeleza e riqueza de significados uma das maiores festas populares do Brasil contemporâneo: a Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio de Barbalha. A Festa marca a abertura dos festejos em homenagem a Santo Antônio de Pádua e constitui-se numa festa dentro da festa do padroeiro de Barbalha.

A devoção a Santo Antônio, no Brasil, remonta ao período colonial. O teólogo e historiador Vergílio Gamboso, citando Frei Antônio de Santa Maria de Jaboatão, afirma que no Brasil dos primórdios “não era raro encontrar mais de uma imagem do Santo no altar … e que cada família fazia questão de ter o “seu” SA!”. [1]

Com o decorrer dos tempos Santo Antônio se tornou um dos santos mais queridos do Brasil. É o Santo com o maior número de Freguesias, cerca de 228, conforme afirma Câmara Cascudo em seu Dicionário do Folclore Brasileiro. Essa popularidade, ao que parece, se deve a sua múltipla especialidade: santo casamenteiro, santo das coisas perdidas e santo do ‘pão dos pobres’.[2] Em Barbalha, a devoção ao taumaturgo de Lisboa remonta ao ano de 1778, quando teve inicio a construção da capela em sua homenagem. A exemplo de muitas outras cidades brasileiras, Barbalha cresceu e se desenvolveu em torno da igreja do seu santo padroeiro.

A devoção a Santo Antônio em Barbalha foi enriquecida por um elemento novo: o cortejo com o mastro pelas ruas da cidade, seguido do hasteamento da bandeira. Instituído oficialmente, em 1928, o cortejo, ao longo dos anos trinta do século passado, caracterizou-se por ser uma expressão religiosa oficial, marcado pela piedade, fé e sacrifício em homenagem ao Santo Padroeiro. A partir dos anos quarenta, porém, o cortejo passou por um processo de popularização e carnavalização, conforme a concepção de M. Bakhtin. Para este autor, o carnaval medieval e renascentista constituía-se na “segunda vida do povo, baseada no princípio do riso. É a sua vida festiva.” Ou seja, o carnaval representava, mesmo que temporariamente, a criação de um segundo mundo, baseado na inversão brincalhona dos valores e hierarquias estabelecidos e na exaltação da abundância, da fertilidade e do baixo corporal[3]. Nesse processo, dois carregadores tiveram papel fundamental: um criador de gado e marchante, Vicente de Moça, nos anos quarenta; e um velho ferreiro, Melquíades Veloso, nos anos cinqüenta e sessenta. Os dois foram os responsáveis pela transformação do cortejo na Festa do Pau da Bandeira.

Atualmente, a Festa do Pau da Bandeira é um evento de grandes proporções. No dia de sua realização milhares de pessoas acorrem a Barbalha para acompanhar o cortejo. No último ano, 2007, estima-se que cerca de oitenta mil pessoas participaram da festa. Mas, quem são os homens que carregam o grande pau que servirá de mastro à bandeira de Santo Antônio? Quais são os significados desse ritual para os carregadores do pau?

Historicamente, os carregadores são homens das camadas populares. Assim tem sido desde os primeiros anos do Cortejo do Pau da Bandeira até os dias de hoje. As profissões ocupadas pelos homens que têm carregado o pau da bandeira, ao longo desses 80 anos, são as mais diversas. No entanto, dois grupos têm se destacado: os marchantes, que vêm desde a época de Vicente de Moça, e os “chapeados”, que foi um grupo que predominou nos anos 60 e início dos 70.

Atualmente, o grupo que se destaca entre os carregadores e que são considerados os “enfrentantes” é composto pelo chamado “grupo do mercado”. São cerca de 15 carregadores experientes. A maioria é constituída por marchantes, mas há também pequenos comerciantes, pintores, pedreiros, agricultores e outras profissões. Esse grupo constitui, informalmente, a comissão de organização e coordenação da Festa. Eles se revezam entre carregar o pau e coordenar, junto com o Capitão do Pau, os demais carregadores.

Vamos agora aos significados do Cortejo do Pau da Bandeira. Quero aqui destacar dois. Primeiro, o sentido de inversão: o Cortejo que deveria ser um ato religioso de piedade, fé e sacrifício em homenagem ao Santo Padroeiro, conforme orientação da hierarquia eclesiástica, foi transformado num espaço de afirmação social e religiosa dos carregadores, homens simples que, no dia-a-dia, ocupam posições sociais e religiosas inferiores. Eles, aos poucos, criaram uma forma própria de reverenciar e homenagear o padroeiro do município, marcada pela irreverência, pelas brincadeiras, pelo lúdico, enfim pelas suas experiências de vida. O espaço do Cortejo do Pau da Bandeira não pertence ao padre ou ao prefeito, mas sim a eles. Nesse espaço, as regras e as normas são estabelecidas pelos carregadores.

Um segundo significado que quero destacar é o Cortejo enquanto ritual de passagem da adolescência para a vida adulta e espaço de afirmação masculina. O objetivo de todo carregador é chegar à cabeça do pau, ou seja, carregar o pau na sua ponta mais pesada. Para tanto, existe uma disputa entre eles, que começa ainda na adolescência.

Nos anos 40 do século passado, as crianças e adolescentes iniciavam sua participação carregando as tesouras, pedaços de paus usados em X para auxiliar no levantamento do mastro. São muitos os relatos dos carregadores antigos, ou dos ex-carregadores, nesse sentido, como este a seguir: “O ano de 48, eu me achava com 14 anos. Eu posso dizer que eu participei de carregar o pau da bandeira, por que eu não ia carregar o pau, mas já tava carregando as tesouras. (...) Mas olhe então, por essa razão que eu me criei vendo aquele incentivo, que todo mundo só queria carregar o pau da bandeira era no pé do pau. Então foi isso que eu quis ocupar um lugar”.[4]

A realização e o prazer de carregar o pau na sua parte mais grossa são motivos de orgulho, expressos, sobretudo no momento do encontro do Cortejo com a multidão que aguarda o mastro na cidade. “Pra mim era tudo na vida aquele negocio ali... Era mesmo que tá no céu”, descreve um ex-carregador, referindo-se aos anos 50 e 60, quando esse encontro ocorria na Igreja do Rosário. Já outro carregador, também dos anos 50 e 60, descreve dessa forma a emoção do encontro: “A vontade é que se pudesse se levava só, porque aquela parte é a mais emocionante.”.

Para finalizar, quero destacar um fato, ocorrido provavelmente em meados dos anos 80, que demonstra de forma emblemática a importância que o carregamento do pau tem na vida dessas pessoas. O relato é de um antigo carregador: “Houve um ano que o pau muito pesado e ele atrasou e padre Euzébio quis trazer o pau da bandeira arrastado por um trator, rebocado por um trator. Aí houve exatamente uma revolta, por que ninguém..., os componentes do pau da bandeira gritaram lá que ninguém apegava, que trator nenhum do mundo encostaria naquele pau pra carregar ele. Então ele tinha que ser arrastado era no braço dos homens e não arrastado por trator.”

Océlio Teixeira de Souza, professor e pesquisador da cultura popular.

Referências
[1] GAMBOSO, Vergílio. Vida de Santo Antônio. Aparecida (SP): Santuário, 1994.
[2] CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do Folclore Brasileiro. 6 ed. Belo Horizonte/São Paulo: Itatiaia/Edusp, 1988.
[3] BAKHTIN, Mikhail . A cultura popular na Idade Média e no Renascimento: o contexto de François Rabelais. 2 ed. São Paulo/Brasília, Hucitec/Edunb, 1993.
[4] Os nomes dos carregadores ou ex-carregadores foram mantidos em sigilo com o intuito de preservar sua identidades, bem como a privacidade dos mesmos.

SILVANA MANGANO E O NOSSO ROSTO

Este post é um paradoxo. Ou melhor, uma salada para falar da vida e da morte. Invertendo o curso do tempo, começando pela morte. Ontem 31 de maio foi o dia mundial da luta contra o tabaco. Inegavelmente uma grande pandemia que atingiu todas as culturas humanas a partir de uma planta descoberta nas Américas e utilizada de modo ritualístico pelos nativos. O tabagismo é tão expressivo que atinge todos os componentes das doenças da atual civilização: a pouca educação, a dependência psicológica e química, a pobreza associada, os piores efeitos sobre o corpo inteiro e têm repercussão social pois contamina, por ser uma fumaça, as pessoas ao lado do fumante.



Em 1989 morreu uma das mais belas mulheres do século XX. Aos 59 anos, nascida em Roma, filha de um siciliano com uma inglesa, no ano de 1930. Foi casada com o produtor e ciumento Dino de Laurentis, parceiro de Carlo Ponti, marido de Sophia Loren. Em razão do ciúme de Laurentis, Silvana não foi a protagonista da famosa cena com Mastroianni na Fontana de Trevi em La Dolce Vita. Silvana, embora tendo morado em Hollywood não era dada a badalações e após se divorciar do marido foi viver no eixo entre Paris e Madrid.


Silvana Mangano, grande fumante, morreu em Madrid após uma cirurgia para retirada de um câncer de pulmão.

Entre os grandes filmes de Silvana Mangano estão por ordem cronológica inversa: Olhos Negros (1987) de Mikita Mikalkov; Violência e Paixão (1974) de Visconti; Ludwig, a paixão de um rei - (1972) de Luchino Visconti; Decameron - (1971) de Píer Paolo Pasolini; Morte em Veneza - (1971) de Visconti; Teorema - (1968) de Pasolini; Edipo Rei - (1967) de Pasolini; A grande guerra (1959) de Mario Monicelli e Arroz Amargo (1949) de Giuseppe de Santis. Este é o filme que projeta a atriz. Silvana trabalhou em mais vinte filmes se destacando pelo prestígio a produção Ulisses (1955), Barrabás (1961), além de As Cinco Mulheres de 1960 e o Dunas de David Lynch.
O You Tube tem excelentes cenas de Silvana Mangano. Sem dúvida era uma mulher com todos os requisitos que este gênero humano possui. Têm o dom de baixar o ímpeto guerreiro e caçador a forças sobrenaturais de absoluta incompreensão. Até porque mesmo a exegese desta força não é suficiente para impedi-la de agir. Os homens se tonteiam ao olhar, a uma expressão corporal, às coxas que lembram sustentáculos, às mamas que suportam a sobrevivência, aos lábios que douram a aridez da crosta terrestre. E Silvana Mangano sendo apenas ela mesma como evento imantado no devir do tempo e do espaço nos retém com o olhar decidido que após o aprisionamento seduzido, nos diz: tudo ainda pode acontecer, inclusive nada.


Claro que o tanto dito, tem uma causa no tempo de ontem e hoje. Aliás de um tempo mais universal para nós os brasileiros, especialmente os nordestinos. Partimos o tempo em três pedaços e vamos para a metade dele. Lá encontraremos o belíssimo filme de Giuseppe Tornatore de 1989, ano em que Silvana Mangano se tornou lenda definitiva. E no filme numa sessão de época do Cinema Paradiso uma cena com uma canção espanhola que me deixou confuso: era uma canção brasileira ou não? A letra: Ya viene el negro zumbon, Bailando alegre el baion Repica la zambomba. Y llama a la mujer Tengo gana de bailar el nuevo compass Dicen todos cuando me ven pasar "¿ Dhica , donde vas?" "Me voy a bailar, el baion!" Então baion é ou não é o baião do velho Gonzaga?

O filme que vemos no Cinema Paradiso, agora indo no tempo mais para o início, é um clássico de Silvana Mangano, chamado ANNA, filmado em 1951 (dirigido por Alberto Lattuada) com Vittorio Gassmann e Ralf Vallone, para o qual Perez Prado fez a música El Negro Zumbón. Aí duas coisas são evidentes. A cultural musical brasileira já tinha uma indústria fonográfica poderosa e seus sucessos invadiam outras culturas. Carmem Miranda é um símbolo desta exportação. O filme O Cangaceiro, de 1953 do diretor Lima Barreto, e menção especial do festival de Cannes, deu repercussão ao que o Gonzaga já inventara. Em 1946, o internacional conjunto 4 Ases e um Coringa gravara a música de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira: eu vou mostrar pra vocês/ como se dança o baião..E claro o mundo fonográfico americano, dono das marcas cubanas, adotou o nosso ritmo como igual.


Quem visitar o You Tube procurando pelo El Negro Zumbón, encontrará as cenas maravilhosas de Silvana Mangano ao ritmo misturado de rumba e baião. Ela até começa a cena dando alguns passos parecido com o xaxado a moda cangaceira. Silvana tem o crédito de cantora, tanto no filme quanto no disco, mas quem canta é Flo Sandon, cantora italiana. Sandon fez muito sucesso no pós guerra, ganhou o festival de San Remo de 1953 e teve sua carreira empurrada pelo próprio filme. Em 1954 Silvana Mangano fez o filme Mambo, no qual, novamente, retornam as misturas cubano-brasileiras (que o cinema americano adorava, incluindo Carmem Miranda em muitas iguais) em que a atriz tenta cantar em português. Um português tão sofrível que pouco se entende, vejam, também no You Tube.

Agora vejamos como o século XX que não nos pareceu nosso, na verdade o foi. O Brasil esteve entre as grandes culturas mundiais e ainda continua. Basta que compreendamos o nosso próprio rosto. Quando o Dihelson grita por uma qualidade melhor para música dos sertões nordestinos tem um senso de realidade. Quando peço para que o produtores e os prefeitos promovam a fotografia do Pachelly Jamacaru é que nela encontramos a nossa alma. A condição para ser no mundo civilização ainda continua e continuará sendo reconheço o meu rosto.

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Fotos: Dihelson Mendonça
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LULA para OBAMA: "Quem desmatou suas florestas, não pode dar palpite na política ambiental do Brasil"

"OBAMA, VAI DEVAGAR COMPANHEIRO!"



Lula diz que não admite palpites de países poluidores na política ambiental do Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira que não vai admitir que países que não têm "uma árvore em pé" dêem palpites à política ambiental brasileira. Lula cobrou respeito e afirmou que o Brasil não tem que aprender mas sim ensinar ao mundo como é que se preserva.

"O que nós não admitimos é que, quem não cuidou das suas florestas, quem não preservou e desmatou tudo e é responsável pela maioria dos gases de efeito estufa emitidos no ar, não dê palpites no Brasil. Pelo amor de Deus, deixe que nós cuidamos das nossas coisas aqui", afirmou Lula.

Querem Tomar a Amazônia

Reportagem publicada no jornal americano "The New York Times" no último dia 18 afirmou que a sugestão feita por líderes globais de que a Amazônia não é patrimônio exclusivo de nenhum país está causando preocupação no Brasil.

No texto intitulado "De quem é esta floresta amazônica, afinal?", assinado pelo correspondente do jornal no Rio de Janeiro Alexei Barrionuevo, o jornal diz que "um coro de líderes internacionais está declarando mais abertamente a Amazônia como parte de um patrimônio muito maior do que apenas das nações que dividem o seu território".

O jornal cita o ex-vice-presidente americano Al Gore, que em 1989 disse que "ao contrário do que os brasileiros acreditam, a Amazônia não é propriedade deles, ela pertence a todos nós".
Reação

Esta não é a primeira vez que Lula reage às críticas externas sobre a política ambiental brasileira. Em evento no Rio na última segunda-feira, Lula disse que o povo brasileiro é o dono da Amazônia. Ele destacou que é preciso diminuir o desmatamento e as queimadas na região e criticou a interferência de países estrangeiros no debate.

"É muito engraçado que países que são responsáveis por 70% da poluição do planeta agora ficam de olho na Amazônia, como se fosse apenas nossa a responsabilidade de fazer o que eles não fizeram todos os anos passados. O mundo precisa entender que a Amazônia brasileira tem dono. É o povo brasileiro, que são os índios, os seringueiros, os pescadores, mas também somos nós, que temos consciência que é preciso diminuir o desmatamento e as queimadas."


Toda essa polêmica veio à tona depois que OBAMA, virtual vencedor das eleições americanas e futuro "GOVERNADOR DO MUNDO", já disse que a "AMAZÔNIA É RECURSO GLOBAL"...

O futuro da Amazônia

Causou apreensões e temores no Brasil o longo artigo publicado em 18 de maio, no "The New York", o mais importante jornal norte-americano, sob o título "De quem é essa floresta tropical?" O artigo registra o aumento do coro dos líderes internacionais que declaram abertamente que a Amazônia não pertence apenas ao Brasil e aos outros países que dividem o seu território, mas é propriedade de todas as nações. O coro foi engrossado ontem pelo pré-candidato democrata à Presidência dos EUA, Barack Obama(foto), que divulgou documento classificando a Amazônia como "recurso global".

Matéria publicada na Folha de São paulo, republicada no Blog "O Democrato" e editada.

A Interpretação Freudiana da Festa do "Pau da Bandeira" em Barbalha




Segundo Sigmund Freud, o grande médico austríaco e criador da Psicanálise, ao realizar seus estudos sobre a Psiqué humana e a etiologia das neuroses, pôde constatar que certos atos até então considerados "normais" e inseridos na tradição dos povos, era na realidade, atos de expiação por "delitos" reais ou imaginários desses povos. Assim é que em várias culturas, determinados tipos de comportamento não eram permitidos, por despertar a "ira dos deuses", e portanto, trazer desgraça aos povos. Com o tempo, uma grande quantidade de crendices e atos conjuratórios passou a fazer parte do que Freud acabou definindo como "uma neurose obsessiva e compulsiva universal", para caracterizar diversas religiões, ampliando assim a atuação dos sintomas clássicos de uma neurose obsessiva e compulsiva, no qual, o paciente para livrar-se de algo pior, passa a executar diversos pequenos atos aparentemente sem maior significado prático, mas com grande significado para o paciente, que acredita piamente que se não os fizer, poderá atrair para si coisas terríveis. Assim nascem as superstições e as crendices, segundo a psicanálise.

Um dos grandes méritos da Psicanálise enquanto ciência que estuda a psiqué, foi descobrir o caráter sexual implícito em muitos atos humanos, disfarçados em coisas aparentemente banais. Iniciados por Freud com o clássico estudo da interpretação dos Sonhos, um de seus trabalhos mais famosos, a constatação de toda uma simbologia que denota claramente uma tendência à sexualidade como explicação aos atos humanos foi-lhe muito evidente. Freud chega a afirmar que nos sonhos, uma grande quantidade de cenas e objetos, descritos por ele como "objetos oníricos", podem ser reconhecidos como objetos fálicos e diversos atos aparentemente normais tomariam o aspecto do próprio coito. É a forma que a mente se utiliza para reprimir os desejos proibidos pela sociedade, ou por uma instância psíquica conhecida por "Superego" do indivíduo, que é formado na infância pela introjeção dos pais ( e que alguns chamam de Consciência ), com o conjunto de leis, normas de conduta e ética para a construção de uma sociedade que reprime determinados tipos de comportamento. Assim, reprimidos durante a vigília, é que o indivíduo os ativa em sua forma onírica, disfarçando-o em simbologias. Freud, muito acertadamente apercebeu-se disto ao examinar diversos pacientes neuróticos, e curando-os da dura crítica de seus superegos; Passou a analisar o próprio comportamento obsessivo e compulsivo da humanidade, ao escrever obras tais como "Totem e Tabu", "O Mal-estar na civilização" e "Moisés e o Monoteísmo". Nessas obras, o genial médico austríaco consegue fornecer visões jamais imaginadas pela história sobre a explicação de muitos comportamentos coletivos.

Seguindo a linha de raciocínio de Sigmund Freud, e toda a Psicanálise, não é tão difícil analisar certas tradições, como a festa do Pau da Bandeira, que acontece todos os anos na cidade de Barbalha-CE, em que em determinado dia do ano, apenas os homens saem para a floresta ( numa atitude sorrateira, que se pode caracterizar como uma forma furtiva de busca do meio de acasalamento, início de namoro em busca da prêsa, da caça, ou melhor, da virgem ), a fim de cortarem uma imensa árvore que é assim chamado de "O pau da Bandeira" ( o próprio símbolo fálico ), a fim de trazê-lo para o centro da cidade, envolto em bebedeiras, e cantando vitórias, onde por alguns dias esse mastro é mantido ali, de forma ereta, viril, para impressionar, e supostamente serve de mastro para a bandeira da festa ( em outras culturas, isso seria o equivalente ao ato de renovar os ciclos vitais, e louvar a fertilidade ).

Ora, o próprio santo homenageado pela festa é o Santo Antônio, conhecido como o Santo casamenteiro, pois há a crença de que esse santo teria a propriedade de propiciar o casamento ( novamente a idéia de fertilidade e procriação ). Algumas mulheres acreditam que se tocar no "pau da bandeira" seus desejos de casamento poderão se tornar realidade. E aqui fazemos a constatação do poderoso simbolismo sexual que existe nesse mastro, pois, venerado pela multidão, acaba se tornando o elemento mais importante da festa, mais até do que o próprio santo homenageado. Na verdade, as pessoas veneram aquilo que vêem, veneram o mastro ereto. Os homens o veneram como símbolo da virilidade, e por isso mesmo, cada um se esforça em demonstrar a sua masculinidade e força ao trazer para a cidade o melhor mastro disponível, provando aos seus companheiros que é viril e forte, rivalizando com eles, e por outro lado, as mulheres o veneram pelo fato de que ele ( o mastro ), representar os seus desejos mais íntimos e reprimidos por uma sociedade ainda conservadora, que crê no casamento como a única solução possível e permitida para a execução sem pecado do coito. Assim, como em todas as eras da humanidade, as idéias de exibição de força ao sexo feminino, demonstrando a virilidade, o simbolismo da fertilidade, a veneração a objetos considerados sagrados e a expiação por atos considerados pecaminosos e auto-flagelação continuam íntimamente relacionados e omnipresentes. É como se retrocedêssemos à idade média, onde os casos de auto-flagelação para a expiação dos pecados e aobtenção do perdão divino eram atos práticos absolutamente normais e até incentivados como explicação para as tragédias pessoais, geralmente atribuídas a algum pensamento erótico ou ato em que o autor desejava reprimir ou havia cometido.

Sendo assim, vemos em Barbalha, à luz dos ensinamentos deixados por Sigmund Freud, um verdadeiro banquete para a Psicanálise, onde ali, encontram-se todos os elementos que justificam a repressão subconsciente e muitas vezes até consciente de uma sociedade baseada em tradições que reprimem a sexualidade do indivíduo, e escolhe uma época para a sempre dualidade: A orgia e a Expiação pelos atos. Como qualquer festa religiosa, ao mesmo tempo em que há um lado considerado "sagrado", há outro lado "profano", como o próprio carnaval do Brasil, que significa "O Vale da Carne", época de liberação, em que em seguida, após toda a orgia nababesca, vem o quê ? A quarta-feira de cinzas, dia especial onde muitos que participaram das bebedeiras e orgias do carnaval vão ORAR, a fim de expiar os "pecados", e onde inicia-se um período de vigília denominado Quaresma, onde até então, era considerado pecado se comer carne ( CARNEaval = carnaval ), então, após o vale da carne, há o período da expiação.

Em Barbalha, a simbologia não é diferente, apenas mudam os símbolos, de festa para festa. A celebração da fertilidade, todos os anos pela retirada de mais uma árvore da floresta ( que bem poderia ser o mesmo mastro, mas aí quebraria todo o simbolismo sexual envolvido no ritual da fertilidade e virilidade ).

Concluindo: Essas tradições de expiação encontram-se tão arraigadas no comportamento das sociedades humanas, que é quase impossível aos olhos desatentos e despojados da manta de crenças e crendices e rituais colecionados pelos povos, perceberem o que de fato o são:

Espetáculos coletivos ( teatro ), de celebração da fertilidade, derivados do homem primitivo e de uma sociedade totêmica, exteriorização de desejos sexuais reprimidos, quer pelo coletivo, quer pela força da repressão mental, e a consequente expiação anual de atos considerados pecaminosos; E como toda festa religiosa, ao final, um representante do grande "pai que está nos céus" os perdoa, a fim de que possam passar mais um ano executando os atos que lhes são próprios dos seus instintos mais primitivos e básicos, normais, pilares de qualquer socidade, mas reprimidos para manifestação pública durante as outras épocas do ano.

E vemos assim que o velho Sigmund Freud mais uma vez tinha razão, quando acertadamente demonstra a sexualidade implícita através da interpretação de muitos dos rituais humanos, mas somente são capazes de aceitá-los ou compreendê-los, aqueles que possuem os olhos e a mente abertos à verdadeira interpretação dos comportamentos humanos mais íntimos, mas ao mesmo tempo, tão explícitos.

Por: Dihelson Mendonça
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Cinema - Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal

( Filme comentado na nossa seção de Cinema, pelo cinéfilo "Demétrius Tarantino" )

Um dos filmes mais esperados do ano chegou ao mundo no dia 22 com o intuito de ser o grande recordista de bilheteria do ano. Falar de Indiana Jones é sempre agradável, uma trilogia que marcou uma época, com suas homenagens as séries dos anos trinta,a junção de George Lucas e Steven Spielberg, um Harrison Ford carismático e mitologias próximo ao real.

Com uma pretensão de Spielberg que disse que se o filme não alcançar os 400 milhões ele irá doar todo seu dinheiro arrecadado, O reino da Caveira de Cristal trata a nova aventura, que começa no deserto em 1957 - no auge da Guerra Fria. Indy (Harrison Ford) e seu ajudante Mac (Ray Winstone) escaparam por pouco de um encontro com nefastos agentes soviéticos em um campo de pouso remoto. Agora, o Professor Jones voltou à sua casa na Universidade Marshall – apenas para descobrir que as coisas foram de mal a pior. Seu amigo e reitor da escola (Jim Broadbent) explica que as ações recentes de Indy o tornaram alvo de suspeita e que o governo está pressionando a universidade para que o demita.

Ao deixar a cidade, Indiana conhece o rebelde jovem Mutt (Shia LaBeouf), que tem enorme desprezo pelo arqueólogo, mas também uma proposta: Se ele ajudar Mutt em uma missão com razões extremamente pessoais, Indy pode deparar-se com um dos maiores achados arqueológicos de todos os tempos: A Caveira de Cristal de Akator, um lendário objeto de fascinação, superstição e medo. Mas conforme Indy e Mutt partem para os cantos mais remotos do Peru - terra de tumbas ancestrais, exploradores esquecidos e uma suposta cidade de ouro - eles rapidamente percebem que não estão sozinhos em sua jornada.

Agentes soviéticos também estão em busca do artefato, entre eles a fria e devastadoramente bela Irina Spalko (Cate Blanchett), cujo esquadrão de elite está cruzando o globo atrás da Caveira de Cristal, que eles acreditam que ajudará o império soviético a dominar o mundo. Indy e Mutt precisam encontrar uma maneira de enganar os soviéticos, seguir a impenetrável trilha de mistério, enfrentar inimigos e amigos de moral questionável e, acima de tudo, impedir que a poderosa Caveira de Cristal, caia nas mãos erradas.

As inspirações ainda do roteiro do Frank Darabont (um sonho de liberdade) recusado pelos padrinhos mágicos (George e Spielberg) foi lapidada por David Koepp e muitos outros roteiros foram descartados. Mas nada como um frenético escapismo de hoje, onde o Indiana teria que se igualar a Homem aranha, Harry Potter e Batman. Muito criativo, muito criativo mesmo. Cate Blanchett com seu sotaque forçado.

Esta quarta obra fez jus ao hiato de mais de 20 anos. Que venha o quinto!

CINECARIRI 2 - Horários: 15:30; 18:00; 20:30

Tel:3571-3322


Matéria publicada na nossa seção de cinema, chamado "Cinemania Cariri", um Blog que faz parte do Blog do Crato, comandado por Demétrius Tarantino, um grande especialista em cinema
. Visite sempre o Cinemania Cariri e veja as últimas dicas de filmes para você e sua família em resenhas feitas por quem entende e ama o cinema.

Visite:
Cinemania Cariri - www.cinemaniacariri.blogspot.com
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