14 maio 2008

DIREITOS HUMANOS: NÃO SABE O QUE É E NÃO GOSTA

Uma das coisas mais incompreendidas na cultura brasileira é a proteção aos Direitos Humanos. Isso, também, é bem americano. A quantidade de filmes sem tocar de leve no centro da questão dos direitos humanos, mas que mancharam este valor civilizatório é enorme. Aqui todos os dias nos jornais, televisão e rádios, além do noticioso equivocado, até programas existem para atacar as políticas de direitos humanos. Em outras palavras, atacam estas políticas não pelo que elas são, mas exatamente pelo que não são. E o que não são?

As políticas de direitos humanos nunca protegeram a impunidade de criminosos, eximiram a responsabilidade social dos crimes ou abrandaram a devida punição com o intuito de recuperação do infrator. É uma falácia aquela lenga lenga de que os criminosos se tornaram mais audaciosos em razão dos direitos humanos. Não tem sentido dizer-se que os direitos humanos protegem bandidos e acusam policiais. É tão desonesto isso, como se fosse a própria negação dela mesma ao não tratar o policial exatamente com o que ele é: um sujeito de proteção da política de direitos humanos.

De algum modo as nossas classes médias urbanas aderiram ao que há de pior na cultura de países que ainda não realizaram plenamente a transição evolutiva para os Direitos Humanos. Não é incomum que se leia ou se ouçam pessoas revoltadas com um ato criminoso, ou com movimentos reivindicatórios ou mesmo asco preconceituoso contra os outros em que avocam os direitos humanos como uma espécie de saco de pancadas para seus ódios irracionais.

Por outro lado, dada a evolução democrática muito recente, ainda recheada de um passado autoritário, muito desta confusão nasce no meio da própria cultura repressiva e de seus agentes, tanto privado quanto público. As forças militares, policiais e de segurança privada de modo geral agem com violência e procuram se proteger confundindo as pessoas não para o fim em si da educação reparadora da justiça, mas para que imunizem a sua própria ação deletéria.

Para uma clareza: os direitos humanos existem para proteger o cidadão ou o infrator da lei das ações criminosas dos agentes do Estado. Aliás, advogados, juízes, a polícia judiciária e a polícia militar que detém o poder único de investigar, promover o contraditório e submeter o infrator ao rigor da lei, não podem ir além do que o Estado lhes permite. Os direitos humanos existem para proteger o cidadão dos excessos dos agentes do Estado. É isso e tão fundamentalmente isso.

A Injustiça da Mídia Brasileira - Isabellas, Mentiras e VideoTape

Isabellas, Rafaellas, Mentiras e Videotape...


A essa altura do campeonato, soterrados de tanto sensacionalismo em cima da família Nardoni, estamos atrás de alguém que possua uma grande capacidade de avaliação a fim de escrever um artigo porque a Mídia Brasileira anda dando excepcional destaque a esse caso da garota Isabella, quando bem aqui, pertinho, na cidade de Jardim-CE, tivemos um crime hediondo, onde 2 caras que trabalhavam num parque de diversões estupraram e mataram barbaramente uma garotinha de 4 anos de idade, e esse fato, muito pior, não ocupa qualquer posição na mídia.

Isso acontece simplesmente porque a mídia não está interessada na justiça do caso. À Mídia não interessa o bem da família, ou a verdade sobre Isabellas e Rafaellas do Brasil, ela interessa vender o seu peixe, aos tolos, que irrefletidamente, perdem seu tempo com os Big Brothers da vida real do povo brasileiro.

Porque tanto sensacionalismo "global" com aquela garota, quando outras centenas são barbaramente assassinadas em condições igualmente lamentáveis ? Porque tanto alvoroço da mídia em querer extrair toda a dor das pessoas, já cansadas de ver o sangue escorrendo da sua televisão. Enfim, porque toda essa coisa NOJENTA, este espetáculo macabro que a mídia anda fazendo, privando nossos lares de pensamentos sadios e mostrando o lado sádico do Ser Humano, remoendo, divulgando e até incentivando o comportamento irracional do ser humano ?

Profundamente lamentável.

Dihelson Mendonça
www.blogdocrato.com

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O Fim justifica os meios ? - Sobre a decisão do PT de Crato.


V
endo a nota divulgada hoje aqui no Blog do Crato por Amadeu de Freitas, dirigente do PT de Crato, gostaria de tecer algumas considerações:

Sabemos da luta que o Partido dos trabalhadores tem feito a cada eleição, luta muito desigual, diga-se de passagem, para tentar derrotar os chamados "caciques" da política local, atuando como verdadeiros Davi(s) em meio a gigantes Golias. Cada eleição passa, o PT perde as eleições, mas mantêve até então uma postura coerente com seu passado de ética em defêsa de certos princípios que até então eram considerados imutáveis.

Neste ano aconteceu algo inusitado. O Partido dos trabalhadores, juntamente com o Partido Verde foram até a casa do ex-prefeito Walter peixoto, o histórico inimigo político do PT que durante décadas atuaram na cidade como ferrenhos inimigos, para buscar aliança.

Inicialmente, após essa informação vazar à imprensa num furo de reportagem do radialista Tarso Araújo, e ainda aturdidos pela notícia, o candidato ao cargo de vereador pelo PV, Luiz Carlos Salatiel divulgou comentário afirmando que a reunião não foi para "beijar a mão do adversário" e sim para comunicar que o PT e o PV caminham juntos para as eleições de 2008, fato que não havia necessidade de comunicar a Walter Peixoto, em razão de todo o Brasil já saber disso.

Agora, surge uma nova versão para a reunião, muito possivelmente a verdade.
Segundo as palavras de Amadeu de Freitas:

"Quando dirigentes do PT conversam com aliados que outrora estavam em lado oposto, estão cumprindo uma tarefa determinada por uma resolução aprovada democraticamente em encontro partidário. Ninguém está falando em seu nome pessoal ou defendendo interesse próprio. A aliança que o PT está construindo para as eleições de 2008 no município do Crato permitirá o seu retorno à Câmara Municipal, bem como sua influência no futuro governo municipal, algo que desagrada a quem não quer um Legislativo atuante e fiscalizador e muito menos um Poder Executivo sob o controle social."

Então, está tudo esclarecido:
A reunião com pessoas que outrora eram do lado oposto, visa permitir o "seu retorno à Câmara Municipal", dito pelas próprias palavras do dirigente do partido. Está tudo claro agora. Só não está claro de que modo isso se daria, se porventura o PT espera que Walter Peixoto ganhe as eleições e possa levar junto o PT para a câmara municipal numa espécie de barganha política ( até porque Waltim estaria melhor nas pesquisas do que o candidato da coligação a qual o PT pertence ), ou de que outro modo isso seria feito a fim de garantir esse tal "retorno à câmara municipal".

De qualquer modo, na opinião deste colunista, parece que a cada dia que passa, o PT se enrola cada vez mais nessa estória toda. Como eu disse antes, há certas coisas que é melhor não tentar explicar, pois quanto mais se mexe, mais cheira mal...

O pior disso tudo, ainda segundo consta na nota divulgada por Amadeu de Freitas, é que essa resolução não é fruto de uma só cabeça do partido, e sim, de um conjunto de resoluções e decisões internas. Bem, creio que se a resolução fosse de apenas um indivíduo, seria mais fácil contornar a situação, pois bastaria a esse indivíduo ser expulso do mesmo, a fim de ser preservada a "ética". Às vezes, é melhor perder o pé do que o corpo todo! Mas não, a resolução é fruto de decisões internas ( mas não de todos, pois Dr. Valdetário lidera uma ala contrária a esse posicionamento ), de modo que com a última nota, só vem a confirmar a política de que "O Fim justifica os meios" adotada agora pelo PT.

Talvez agora seja mais sensato talvez, parar, refletir e pensar em outros caminhos para o tão esfacelado Partido dos Trabalhadores do Crato, que agora, além de ser um partido sem candidato, se configura num partido que perde a "ética na política", bandeira tão defendida desde a fundação do mesmo, nos anos 80, ao propor aliança com os adversários para chegar ao poder.

Por: Dihelson Mendonça
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A SUCESSÃO MUNICIPAL NO CRATO E O PT - Por Amadeu de Freitas, Dirigente do PT - Crato CE

Desde 1982 o Partido dos Trabalhadores participa de eleições no município do Crato. Em apenas uma delas não apresentou candidatura própria, em 1992, quando indicou o médico Marcos Cunha para ser candidato à vice-prefeito de Raimundo Bezerra, do PMDB. Nas demais eleições o PT, ora saiu sozinho (1982 e 1988), ora fez aliança com o PSB e PCdoB (1996, 2000 e 2004). Esse histórico eleitoral do PT do Crato revela a firmeza na busca do seu projeto de poder local. Deixa claro que o PT não é e não será sigla de aluguel. É um partido político. É um partido de classe, da classe trabalhadora, por isso sua inserção nas lutas e nas organizações dos trabalhadores.
Em 2008, o processo eleitoral ocorre em um quadro partidário modificado com o resultado das eleições de 2006. Com a eleição do Governador Cid Gomes e a derrota dos tucanos no Estado do Ceará, uma nova hegemonia política se constitui com a liderança do PSB, PT, PMDB, PV, PCdoB e outros partidos. Essa nova realidade político partidária tem forte repercussão nos municípios. Partidos ideologicamente identificados como de direita que tinham vinculação com o governo anterior hoje estão na base do atual governo que tem como centro político os principais partidos de esquerda no Estado: PSB, PT e PCdoB. É essa configuração política que impulsiona o Partido dos Trabalhadores a compor uma aliança eleitoral mais ampla do que as de pleitos anteriores.
É de se esperar que partidos da base aliada do mesmo governo tenham interesse por uma aliança com o objetivo de preservar a unidade das forças que dão sustentação política ao governo e derrotar o adversário comum. Pois foi com essa intenção que o PT do Crato, em encontro de seus filiados/as, realizado no dia 20 de abril de 2008, aprovou por maioria a proposta de aliança com os partidos da base do governo Federal e Estadual, indicando o pré-candidato do PV, André Barreto, para encabeçar essa coligação na condição de candidato a prefeito.
Essa tática eleitoral em que o PT abdica da candidatura própria é motivada pela conjuntura política, sem que isso signifique abandono do seu projeto de poder local ou adesismo eleitoreiro. A proposta do PT de uma aliança com esses partidos está condicionada a um programa de governo que contemple a ampliação da democracia através da participação popular na gestão pública, a correta aplicação dos recursos das políticas públicas e o compromisso com uma campanha sem aliciamento do voto.
Quem estabelece critérios como esses para firmar aliança eleitoral e os torna público, não mudou de posição nem tão pouco traiu a confiança da população. Quando dirigentes do PT conversam com aliados que outrora estavam em lado oposto, estão cumprindo uma tarefa determinada por uma resolução aprovada democraticamente em encontro partidário. Ninguém está falando em seu nome pessoal ou defendendo interesse próprio.
A aliança que o PT está construindo para as eleições de 2008 no município do Crato permitirá o seu retorno à Câmara Municipal, bem como sua influência no futuro governo municipal, algo que desagrada a quem não quer um Legislativo atuante e fiscalizador e muito menos um Poder Executivo sob o controle social. Saudações petistas!

Amadeu de Freitas

Dirigente do PT
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Ação macabra - Casal Nardoni - por: José Nilton Mariano Saraiva

Ação macabra

Com o devido respeito aos defensores da causa feminista, o que salta à vista, na tragédia que se abateu sobre o casal Nardoni, é a perceptível ascendência de uma mentalidade forte e autoritária de uma mulher (Anna Carolina) em contraponto à passividade e submissão de um homem (Alexandre).

Na própria entrevista dada pelo casal à televisão (foto ao lado), não foi preciso recorrer-se à psicologia para se constatar um homem acuado e inseguro (porém frio e arrogante), ante uma parceira despachada e resoluta e, mais grave, sem nenhum constrangimento em exercer publicamente (mesmo às lágrimas fingidas), as rédeas da relação (imaginem em sua intimidade possessiva).

Assim, o que ficou claro é que, depois de equivocada avaliação e certamente motivada pelo ciúme doentio em relação à filha do marido com uma outra mulher, adveio e foi posta em prática a ação macabra de “limpar o caminho” para que a atenção do pai se direcionasse exclusivamente aos filhos legítimos, os do casal.

Portanto, aos que se condoem em misericórdia com o chororô de uma jovem mãe que deverá ser afastada do convívio com os filhos menores de idade (que certamente estarão mais bem acompanhados com os avós), apenas uma advertência: lembrem-se do sorriso angelical e pleno de felicidade da inocente Isabela, prematura e brutalmente ceifada do nosso convívio, sem dó nem piedade, por um ato covarde e insano.

E que não venham com a velha ladainha do uso dos direitos humanos na tentativa de amenizar o duro, exemplar e justo castigo que deve privilegiar um crime tão hediondo quanto estúpido.

José Nilton Mariano Saraiva

Fortaleza-CE

A AUTORIA E A RESPONSABILIDADE CIENTÍFICA

A ciência existe para servir ao homem no seu crescimento intelectual e moral. E jamais deverá servir aos interesses escusos e mesquinhos. O espaço da universidade não é o mesmo espaço do lado de fora dela. Quando peretencemos ao meio acadêmico assumimos tacitamente um acordo de compromisso com os valores, critérios e ideais científicos. O ato científico requer responsabilidade e maturidade de quem escolhe esse caminho de produção de conhecimento. Por isso, não se deve misturar o espaço e discurso doxológico com o espaço e discurso epistemológico. E o espaço acadêmico em qualquer parte do mundo segue o critério de responsabilidade e autoria de quem elabora um discurso acadêmico ou teoria. Nesse sentido, não se admite no espaço acadêmico a construção de conhecimento sem a identidade de seu autor. Isso está implícito e é uma lei dentro do meio acadêmico. Assim sendo, não se admite a invisibilidade de quem quer que seja. Em outras palavras, um cientista invisível é um charlatão! A visibilidade dentro do processo de construção do conhecimento científico é uma exigência sine qua non para a legitimidade e legalidade do caminho científico. E é exatamente o desocultamento da realidade que torna esse processo de investigação um caminho respeitado e legitimado pelas sociedades modernas. A função da ciência é desocultar e tornar visível o fenômeno ou processo invisível aos olhos do senso comum. E para tanto todo o processo de descoberta científica precisa ser visível aos olhos da academia - que é quem de fato legitima o caminho percorrido. Nesse sentido, a verdade científica é um processo de transparência que vai desde a escolha do tema até a escolha dos instrumentos de coleta, análise dos dados e construção da linguagem. Logo, sendo a ciência um espaço de transparência e busca da verdade ela não admite o ocultamento intencional de quem se propõe a fazer ciência. E sendo assim a academia se difere do resto da sociedade porque sua finalidade é transformar o duvidoso, ambíguo e aparente em leis e princípios claros, comprováveis e fundamentados. Na medida em que, aceitamos a prática de ocultamento ou desvirtuamento das verdades no seio da academia estamos corroborando para uma prática danosa ao processo científico, que em essência é democrático, transparente, crítico e visível. Em outras palavras, ao cientista é dada a liberdade de defender e criticar qualquer tese desde que seja fundamentada e tenha autoria. E que nessa autoria exista originalidade, ou seja, não seja cópia de uma outra. Assim, devemos banir dentro das universidades as práticas anti-científicas que só confundem e enganam os iniciantes e postulantes a função de cientistas: os alunos. Não cabe, portanto, dentro da universidade se propagar textos ou matérias sem a assinatura de seus autores. Porque o cientista oculto, covarde, medroso e sem escrupulos não é e nunca será um cientista de fato. Até porque existe uma ética acadêmica que é a de tornar visível o conhecimento produzido e permitir a sua constatação, por qualquer outro cientista, do que se diz e do caminho que se fez para se chegar aquela construção de verdade científica.
Em síntese, o cientista tem a liberdade de defender qualquer tese, p. ex.: a bondade do demônio ou a santidade humana, mas para isso terá que se fundamentar e mostrar para a academia o caminho epistemológico que fez. Nada é absoluto e definitivo em ciência. Mas, com certeza, os verdadeiros cientistas odeiam falácias e astúcias enganosas no processo científico. Xô charlatão ou dono da verdade! Prof. Bernardo Melgaço da Silva – (88)9201-9234

O MUNDO POR UM FIO DE DESORDEM E DESTRUIÇÃO DE VALORES, JUSTIÇA E NATUREZA

...editado. Artigo já publicado hoje de manhã.

Prof. (DSC) Bernardo Melgaço da Silva
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Polêmica do capacete


Caros Amigos,
Com a polêmica rediviva da exigência legal do uso do capacete por usuários de motos, republico este artigo de Agosto\2007.




Moto & Terremoto

Sei que o sábado é dia de potoca e de miolo de pote mas, meus amigos, permitam-me comentar um pouco a grande polêmica na cidade nos últimos dias.A questão local mais palpitante, que tomou de assalto as ondas do Rádio, foi justamente a exigência do nosso DEMUTRAN pelo uso do capacete nos garupeiros de motos em nosso município. Os noticiários ficaram cheios de protestos que nasceram dos mototaxistas e chegaram até os usuários do cavalo de aço. Para todos a cobrança pareceu absurda e de difícil execução. Como imagino que em ano pré-eleitoral a sensibilidade fica à flor da pele, resolvi falar deste assunto antes que o caso seja resolvido política e não legal ou tecnicamente.
Vamos por partes, comendo pelas beiradas como quem degusta prato de papa. O mototaxismo surgiu na nossa região por volta de 1994. Todos admitiam que a moto não parece se adequar ao transporte coletivo. Indiscutível a sensação de liberdade que o motociclismo proporciona. Ótimo para a atividade esportiva, para o rápido transporte de documentos, até então não se tinha pensado em utilizá-lo, em larga escala, como táxi. A nova profissão ganhou muitos adeptos. Numa região com profundo índice de desemprego, a nova atividade surgiu como uma saída rápida para as classes mais desfavorecidas que compraram veículos baratos, com pagamento a longo prazo e com baixo custo de manutenção. Por outro lado, o povo passou a ter grande acessibilidade a esta nova e barata forma de transporte coletivo. Houve dificuldades iniciais com a regulamentação da atividade, aparentemente e salvo melhor juízo, sem amparo legal. A pressão política da sociedade, na nossa região, terminou por vencer os obstáculos e o poder público , a contragosto, resolveu fechar os olhos para o mototaxismo , abrindo-os para a possibilidade de votos futuros. Hoje, na cidade, devemos ter mais de três mil profissionais, regulamentados ou não, transportando pessoas e exercendo também as funções de moto-boy : considerável fatia de quase de 3% da nossa população. Há de se considerar, pois, que ,desde o princípio, o mototaxismo nasceu à fórceps e banhado numa certa mácula de contravenção.
Em 1997 surgiu o nosso Código Nacional de Trânsito, através da Lei Federal No. 9503. No seu Art. 244, ele reza que o não uso do capacete pelo condutor da moto ou pelo garupeiro ou o transporte de crianças com menos de 7 anos em moto perfaz falta gravíssima punida com multa, suspensão do direito de dirigir e apreensão da carteira de habilitação. Do ponto de vista legal, pois, não há o que se discutir, lei é para ser cumprida e , por tratar-se de lei federal, qualquer modificação possível tem que necessariamente ser realizada naquela esfera de governo. O Ministério Público, pois, tem amplo e indiscutível direito de fazer cumprir a lei. De nada adiantam passeatas, protestos em rádio e pressões em cima do DEMUTRAN , da Câmara ou do Executivo Municipal. Pedir que a lei não seja cumprida , na verdade, torna-se a exigência descabida igual a solicitar que as entidades reguladoras solicitar cometam um crime.
Fujamos um pouco do terreno legal, até porque, definitivamente, esta não é nossa área. A violência no trânsito na nossa cidade já é um problema de Saúde Pública. Em Fortaleza , ano passado, foram mais de 4000 acidentes de moto, com mais de 35 mortes. No Crato, após a introdução do mototaxismo houve um acentuado acréscimo no número de acidentes e as mortes são muito freqüentes. O Hospital São Vicente de Barbalha em 2005 atendeu mais de 350 casos de traumas neurológicos e, destes, mais de 70% ocorreram em condutores de moto. O mais preocupante é que as vítimas : mortos, amputados, sequelados neurologicamente, são sempre jovens em plena fase produtiva de suas vidas. O uso do capacete, no condutor da moto e no passageiro, é, assim, uma obrigatoriedade não só legal, mas médica. Trafegar sem o capacete corresponde a saltar do trapézio sem rede embaixo.
Na minha visão, de pobre e vesgo cronista semanal, a questão está fechada. O uso do capacete é obrigatório, o transporte de crianças pequenas proibitivo. A regulamentação da atividade de mototaxista surgiu de um clamor da população e hoje é uma realidade inequívoca e irreversível. Dá sustento a muitas e muitas famílias e trouxe grande fluidez ao transporte da população no Crato. Junto vieram problemas esperáveis como uma importante sobrecarga nas seguradoras quanto ao uso do DEPVAT ; um acréscimo considerável dos gastos com a saúde; o uso do transporte por pessoas inabilitadas, bandidos e pistoleiros e uma importante elevação no número de acidentes e mortes no trânsito. Coloquemos tudo isto na balança. O que se precisa para encontrar um caminho que atenda a todos ? Sabemos que o grande empecilho ao uso do capacete pelo garupeiro diz respeito a questões higiênicas. Entendo, perfeitamente, que ele é uma utensílio absolutamente pessoal, assim como uma roupa íntima. Mas porque , ao invés de lutar pelo inevitável, não se busca soluções juntos ? O matotaxismo seguro é do interesse de toda população.
Difícil que cada passageiro possa adquirir e portar o seu próprio capacete. Estudemos, então, soluções paralelas. Pode-se buscar uma maneira de proceder à higienização dos capacetes diariamente. Quem melhor os higienizar auferirá maior número de clientes. Além disso, existe a possibilidade de ser fornecido ao passageiro uma touca plástica , descartável, destas que se usa em Centro Cirúrgico e que pode ser atada ao pescoço e cobrir toda cabeça antes da aposição do capacete. A touca poderia ser , inclusive, fornecida pela Secretaria de Saúde que mais que ninguém tem interesse no uso continuado deste instrumento de segurança com fins de diminuir seus custos com Hospitais e UTI´s . Como sempre o impacto da nova medida é apenas inicial, com o passar do tempo passará a ser mais uma rotina. Lembram da grita com a fiscalização eletrônica entre Crato e Juazeiro ?
Na pior das hipóteses é muito mais fácil tratar piolhos e caspas do que traumas neurológicos e ortopédicos graves e a segurança será sempre o item mais importante quando se pensa em subir no avião ou montar numa moto. Quem teve a criatividade de criar um transporte alternativo, barato e acessível como o moto-táxi certamente saberá encontrar soluções inteligentes para o uso contínuo e higiênico do capacete.



O processo de Tarso Araújo... liberdade de imprensa...continuação.



Vistos, etc .

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Cuidam os autos de procedimento instaurado para apurar prática de delito tipificado no artigo 139, do Código Penal Brasileiro, com as causas de aumento previstas no artigo 14, incisos 11 e 111, do mesmo diploma legal, supostamente perpetrado por Antônio de Tarso Araújo Bastos (identificado nos autos).

Segundo relato na representação de fls. 03/05, o Promotor de Justiça Antônio Marcos da Silva de Jesus foi vítima de difamação perpetrada por Antônio de Tarso Araújo Bastos, quando o mesmo ao comentar uma recomendação de lavra do
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representante do Ministério Público, quanto à necessidade de rigorosa fiscalização pelo DEMUTRAN da conduta prevista no art. 244, inciso V, do CTB (impossibilidade de condução de crianças menor de 07 (sete) anos em motocicleta, motoneta e ciclomotor), o fez de maneira ofensiva, como se a recomendação fosse um ato de perseguição à classe dos mototaxistas.

Na audiência preliminar, não houve composição civil dos danos. Na mesma ocasião, o autor do fato recusou a proposta de transação penal, fato que ensejou a interposição de ação penal, mediante a denúncia de fls. 64/66.

Na denúncia, o representante do Ministério Público pede a condenação do denunciado pelo crime previsto no art. 139, com as causas de aumento contidas no art. 14, incisos 11 e 11I,'dk Lei Substantiva Penal. Na mesma peça, requer a concessão de liminar para "imediata retirada das expressões difamatórias" do site ORKUT.

Passo a apreciar o pedido Iiminar:

Analisando as "expressões difamatórias", observo, à princípio, realmente o denunciado que apresentou informações equivocadas, à medida em que, responsabilizou o Promotor de Justiça Antônio Marcos da Silva de Jesus, pela proibição .~ontida no artigo 244, inciso V, do Código de Trânsito Brasileiro, causando, como bem mencionado na peça delatória, desconforto entre a classe mototaxista e o Promotor, pois este último aparece na condição de perseguidor, quando, na realidade, estava exercendo suas atribuições e velando pela incolumidade física dos munícipes.
À luz de tais observações, a manutenção das "expressões difamatórias" poder.á acarretar represálias por parte dos mototaxistas ao Dr. Antônio Marcos, colocando em risco sua segurança, fato este mais que justificado para a imediata retirada dos textos transcritos na representação.
Saliente-se, ademais, com base no princípio da razoabilidade, que presente o risco à incolumidade de uma pessoa, inexiste ato atentatório à liberdade de expressão do denunciado, pois entendo prudente, a retirada do texto que não trata do assunto de maneira informativa, mas, sim, ofensiva e equivocada.
Oficie-se ao Gestor do site ORKUT determinando a imediata retirada dos textos ofensivos mencionados na denúncia, até ulterior deliberação.
À Secretaria para designar audiência de instrução e julgamento, COM
URGÊNCIA.
Expedientes e intimações necessárias.
Crato/CE, 30 de abril de 2008.

SIRLEY CINTIA PACHECO PRUDENCIO
JUIZA DE DIREITO


Universidade Federal do Ceará e a pílula que dá cheiro e emagrece

Pílula dá cheiro e emagrece, diz pesquisador

Enviado em Notícias, Pesquisas Científicas de Anderson Porto | 11 de Maio de 2008 @ 20:50

Cápsula feita de quitosana e óleo de lavanda foi criada pela Universidade Federal do Ceará.
Alérgica a desodorantes, técnica de laboratório usa produto que faz o corpo exalar cheiro.

Luciana Rossetto Do G1, em São Paulo

Cápsula contém quitosana e óleo de lavanda, substâncias que são eliminadas pelo suor (Foto: Divulgação/Polymar)

Escolher um desodorante pode parecer uma tarefa simples, mas não é para quem sofre com alergias. Nem sempre é fácil conseguir um produto que não agride a pele e tem odor agradável. E justamente por não conseguir encontrar nada que não causasse irritação, uma técnica de laboratório resolveu parar de passar desodorante e passou a "comê-lo".

Mesmo produtos sem álcool e indicados por dermatologistas provocavam coceira, vermelhidão e irritavam a pele de Olga Maria Ramos, 50 anos. Por causa do clima quente em Fortaleza, ela conta que precisava lavar as axilas várias vezes por dia para evitar o odor de suor e, freqüentemente, ficava "constrangida" quando "tinha de levantar o braço." O martírio terminou quando ela descobriu a "pílula de perfume".

A pílula de perfume foi desenvolvida pelo Parque de Desenvolvimento Tecnológico (Padetec) da Universidade Federal do Ceará (UFC buscar), em 2004. A cápsula contém quitosana e óleo de lavanda, substâncias que são eliminadas pelo suor. O resultado é que o corpo passa a exalar o aroma – "muito suave", segundo Afrânio Craveiro, diretor do Padetec e coordenador de pesquisa do projeto da cápsula de perfume.

"A quitosana é um produto usado tradicionalmente para emagrecimento, porque é uma fibra natural que absorve gordura. Nós juntamos a propriedade do óleo de lavanda com a quitosana, então a pessoa combate o colesterol, elimina gordura e exala o cheiro. É o mesmo princípio das pílulas de alho, que também exalam cheiro, mas um que não é agradável", diz Craveiro.

Apesar do cheiro contínuo, Olga Maria afirma que nunca ficou enjoada. "É um perfume fraco e não acho enjoativo para o dia-a-dia. Meu marido e meu filho nunca reclamaram, pelo contrário, já que antes eu sofria com o problema do suor. Agora, eu posso até ir à academia sem passar vergonha", diz.

De acordo com o pesquisador, não há contra-indicações, já que é natural e não prejudica o organismo, além de ajudar a combater o colesterol. Porém, não pode ser consumida por pessoas que têm alergia a frutos do mar.

É preciso ingerir seis cápsulas durante um dia e, a partir do segundo dia, já é possível sentir a liberação do aroma. Por enquanto, apenas o cheiro de lavanda está disponível, mas os pesquisadores já prepararam fragrâncias de cravo e canela.

Desde 2006, a pílula criada no Padetec começou a ser produzida e vendida pela empresa Polymar.

Proteção ao meio ambiente

Craveiro afirmou que a pílula foi desenvolvida quando os pesquisadores do Padetec estudavam o problema ambiental causado e pelo acúmulo de resíduos de crustáceos. Os pesquisadores retiram a quitosana da carapaça de crustáceos.

"As carapaças de camarão, siri, lagostas e outros frutos do mar são descartadas de maneira incorreta e poluem o meio ambiente. Nós transformamos esses resíduos em um produto natural que combate o colesterol e ajuda a não poluir o ambiente", diz Afrânio. "No Japão, a quitosana já é usada em produtos medicinais há duas décadas."

Projeto contra a poluição

Além de absorver gorduras do organismo, os pesquisadores descobriram que a substância tem de absorver até oito vezes o seu peso em óleo. De acordo com Craveiro, o Padetec faz pesquisas para eliminar vazamento de petróleo de mares e rios com a quitosana.

Atualmente, existem três pesquisas que estudam como a substância pode ser usada contra a despoluição.

"Jogamos esferas magnetizadas em cima da mancha de óleo. Elas chupam o produto e, depois, são puxadas por meio de um duto para um navio. O princípio é parecido para o de spray. As partículas coagulam o óleo, que se transforma em uma espécie de massa, que também é tirada da água. Outra possibilidade é o uso de filtros de quitosana, que retém o óleo e permite a saída da água purificada", diz Craveiro.

Craveiro explicou que o óleo ou petróleo absorvido pode ser separado quimicamente do material, que pode ser reaproveitado novamente depois.

Anvisa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa buscar) afirmou que as pílulas de perfume, vendidas com o nome Fybersense, têm registro como alimento natural. O uso é livre, ou seja, não precisa de prescrição médica.

Segundo a Anvisa, o produto não pode ser vendido como medicamento ou cosmético.

Serviço

O Fybersense é vendido pelo site da empresa Polymar e também em lojas de produtos naturais em todo o país. O frasco com 90 cápsulas custa cerca de R$ 35.

Cometário sobre a liberdade de imprensa

Excelente este artigo do JORNAL DO CARIRI.
Li-o, com emoção, consciente de mais um resgate da verdade histórica.
Nestes tempos medíocres de hoje como faz falta a figura de um estadista do porte de Dom Pedro II.
a figura ciclópica dela demandaria muitas análises. Fiquemos apenas no item: liberdade de imprensa...
Quando fez sua primeira viagem ao exterior (em 1871, com 46 anos de idade e 31 anos como Imperador) Dom Pedro II deixou uma série de recomendações à Princesa Isabel (que o substituiria à frente do Poder Moderador) Era os “Conselhos à regente” nos quais deu a seguinte ênfase:
- “A imprensa se combate com a imprensa”.

Já naquele tempo havia os eternos sectários que chamavam a imprensa de “golpista”. E isso, porque a imprensa ridicularizava o aspecto físico do Imperador. Chamado de Rei Caju, por causa do queixo saliente, ou de Pedro Banana, em razão da sonolência provocada pelo diabetes, o imperador era criticado tanto por jornais monarquistas quanto republicanos, em que grassava a militância pela mudança de regime. Dom Pedro II não se deixava abalar:
- "Os ataques ao imperador não devem ser considerados pessoais"
E deixava a imprensa livre para criticar, dentro do pensamento de Santo Agostinho:

- “Prefiro os que me criticam porque me corrigem aos que me elogiam porque me corrompem”

Outra declaração de Dom Pedro II:
- "A nossa principal necessidade política é a liberdade de eleição; sem esta e a de imprensa não há sistema constitucional na realidade, e o ministério que transgride ou consente na transgressão desse princípio é o maior inimigo do estado e da monarquia".

Bom lembrar que um mês e meio depois do golpe militar de 15 de novembro de 1889, que impôs o regime republicano ao Brasil, o Marechal Deodoro da Fonseca implantou a censura à imprensa, que havia sido tão importante para o movimento republicano.

Parece que – mesmo nos dias atuais – Deodoro continua inspirando muita gente...

Comentário de Armando Rafael

BRASIL BANDOLEIRO EXPULSA A MORENA MARINA


A ex-ministra do meio ambiente, Marina Silva é uma ativista. Portanto em seu adjetivo a raiz da palavra ação. Dado a primeira característica vamos à segunda. Marina tem território e seu território é a Amazônia, assim sendo o seu ativismo junta espaço, cultura, política e humanismo. Sim e meio ambiente. Agora a terceira característica da ex-ministra Marina Silva: ela é um símbolo do desenvolvimento sustentável. Não da inércia, mas da ação inteligente, racional de que o planeta não suporta a ação destes eternos roedores que nem sabem para que tanto roem.

O presidente Lula é um nordestino fugido do subdesenvolvimento. Tornou-se operário metalúrgico e enfrentou, na luta trabalhista, a ganância do capitalista que tanto do produzido quer como naco para si próprio. Lula ampliou sua privilegiada inteligência com o pensamento paulista, universitário, com as lutas sociais pelo país e com a militância política no partido do qual foi um dos fundadores. Para desespero de quem não saiu do quarto mofado e cheio de aranhas do passado que não volta mais, Lula é e era um dos brasileiros mais preparados para exercer a presidência da república. Quem diz diferente o diz por dois motivos: por inércia de ação ou por ação política contraditória ao trabalhismo que Lula representa.

Agora junte os dois parágrafos e temos o problema de hoje, dia 14 de maio de 2008, do governo Lula. Isso contando as comemorações de fazendeiros, madereiros e garimpeiros pela saída de Marina do Meio Ambiente. Comemoram, a rigor, o meio ambiente apenas para si mesmos. Os megaprojetos que impactam a Amazônia estão livres dos "empecilhos" das políticas ambientais e da simbologia da presença de Marina. Como ela mesma disse: perco o pescoço, mas não perco a cabeça. Marina não podia, mesmo que quisesse ser diferente. Lula pode ser diferente de sua origem?

Os bandoleiros da civilização brasileira têm governadores, têm ministros, têm juízes, desembargadores, ministros superiores do poder judiciário, têm deputados e senadores. Os bandoleiros têm mídia, têm grana para comprar consciências, têm pistoleiros para executar e júri popular para se soltarem. Têm tudo isso, mas não têm a Marina, morena, que é bonita com o que Deus lhe deu. Seu corpo esguio, vestido como uma indiana que se comunica com os céus, a cabeça dobrada em sinal de que carrega as verdades atuais, a voz sofrida que alerta a todos o que lhes ocorrerá no futuro.

E o governo Lula tem um grande problema. Quem quer que venha ocupar o ministério virá com a sombra maligna que abrirá as pernas para interesses imediatistas, que não consideram o futuro. O governo perde em política, em conteúdo programático e por tabela provoca desgastes nos partidos de esquerda e nos movimentos sociais. A questão ambiental é, no atual estágio da civilização, a maior questão do capitalismo. Sem a salvaguarda simbólica de um forte movimento ambiental com reforçado estofo político o governo Lula poderá, pela saída da Marina, pagar um alto preço que esgarce a própria origem do presidente.

Agora ficam claros os problemas de demarcação das terras indígenas, a discussão da inflação dos alimentos, os licenciamentos ambientais, o liberalismo das posições de Mangabeira Unger. Aliás, este secretário, que pensou um dia, pela genialidade que se auto-atribui, completar o que Marx e Weber deixaram pelo caminho, se resume, no meu entender, a mero liberal da costa leste americana. Um liberal de Harvard. Pois o liberalismo econômico e a flexibilidade dos direitos sociais estão na raiz dos projetos de futuro do Mangabeira.

Acontece que assim como o ultraliberal Friedman disse que não havia jantar de graça, sabe-se que não existe uma saída de Marina que seja de graça. Isso é que é ideologia de classe e que se resume à equação: padronizar tudo de acordo com os interesses econômicos politicamente predominantes. Padroniza-se se combatendo fortemente a diversidade: ambiental, cultural, política e humana. Por isso pode-se terminar a primeira manhã sem um símbolo de defesa ambiental dizendo-se: vai-se um governo pendular mas não a Marina e tudo que ela representa.

A imprensa livre e seus inimigos

A excelente biografia de D. Pedro II, escrita por José Murilo de Carvalho, deixa uma imagem especialmente generosa do imperador. Como diria o biógrafo, ele teria sido o mais republicano de nossos líderes, apesar de monarca. Chego a duvidar do acerto dessa metáfora, quando observo que, no Segundo Reinado, conforme o próprio autor, nunca houve tanta liberdade de imprensa no Brasil. A complacência do imperador com os órgãos jornalísticos era tamanha que nem mesmo sua majestática pessoa era poupada de críticas agudas, charges desrespeitosas e matérias destrutivas. A maior parte, diga-se, sem lastro na verdade. Como se podia atacar livremente a vítima, que não reagiria sob hipótese alguma, os jornais davam passagem à fúria persecutória. D. Pedro II considerava o abuso na liberdade de imprensa um preço baixíssimo a pagar em nome de conservar no Brasil os valores da Civilização.



Com a República, as relações com a imprensa mudaram radicalmente. Até a década de 1960, a melhor forma de silenciar jornais e jornalistas incômodos era o “empastelamento” e o exílio, respectivamente, ao exemplo da destruição da redação de “O Globo” e o degredo de Júlio de Mesquita, do “Estado de São Paulo”, nos anos 1930-1950. Até o Governo Sarney, a censura foi outro mecanismo eficaz de calar a verdade jornalística. Sonetos de Luís Vaz de Camões eram estampados nas páginas dos grandes veículos, como protesto à supressão de matérias inteiras pelos censores oficiais. Com a redemocratização, especialmente após a Constituição de 1988, os inimigos da liberdade de imprensa ficaram órfãos. Desapareceram os agentes por intermédio dos quais impediam a atuação independente dos jornalistas, a turba dos “empasteladores” e os famigerados agentes de censura.



Nos últimos 5 anos, a impaciência dos inimigos da imprensa livre chegou a níveis extremos. Era necessário sujar as mãos e amordaçar ou esganar aqueles irresponsáveis que, com suas palavras, escritas ou faladas, punham abaixo edifícios inteiros de corrupção e peculato, espantando quadrilheiros como pequenos mamíferos roedores que abandonam os navios ao primeiro sinal de naufrágio. Descobriu-se um meio: a intimidação judiciária.



No Reino Unido, a pátria da liberdade de imprensa, são comuns – e até corriqueiros – os processos contra os tablóides ingleses, que muita vez violam a intimidade e a vida privada de alguns súditos britânicos. O processo judicial é um meio democrático de se resolver essas desavenças e de conter os abusos da imprensa. No Brasil, porém, descobriu-se que o ingresso maciço de ações contra um jornalista ou órgão de imprensa é uma força intimidatória das mais eficientes. Ajuízam-se dezenas de ações, em foros diferentes, com alegações estapafúrdias e pedindo-se indenizações vultosas. A esperança do autor da ação é que, ante o volume e a diversidade de comarcas por onde tramitam os processos, haja uma perda de prazo e, com isso, o jornalista seja condenado, mesmo que tenha o melhor Direito. O frio calculismo desses estrategistas também se manifesta quanto à percepção do elevado custo financeiro do acompanhamento de tantas ações. Honorários advocatícios, diárias, deslocamento para diferentes comarcas ou termos judiciários. Eles contabilizam o tempo que se perde na reunião de provas, na construção de linhas de defesa e o desagradável molestar de amigos e conhecidos para que figurem como testemunhas.



No Brasil, chegou-se a um paradoxo. Exercer livremente o dever constitucional de informar tornou-se algo perigoso, como nas oito primeiras décadas do século XX. O Poder Judiciário, especialmente o Supremo Tribunal Federal, após a Constituição de 1988, tem-se revelado um fiel defensor das liberdades de expressão e de pensamento. A sociedade brasileira, contudo, deve compreender que os inimigos da imprensa livre são a vanguarda do exército da intolerância, do obscurantismo e do autoritarismo.



Otavio Luiz Rodrigues Jr., professor universitário em Brasília (IDP) e Fortaleza (FA7), doutor em Direito Civil pela Universidade de São Paulo, membro da Asociación Iberoamericana de Derecho Romano, Oviedo, Espanha.

Artigo publicado na edição de ontem, 13 de maio de 2008, do Jornal do Cariri

Porque seu comentário demora a aparecer no Blog do Crato ?

Vejo que alguns comentaristas ficam impacientes e enviam até 6 comentários repetidos, achando que houve algum tipo de erro ao postar. Não houve! O fato é que todos os comentários passam por uma revisão antes de serem liberados para o público. Chama-se isso de moderação. Esse procedimento é adotado em todos os grandes sites, e onde há responsabilidade com a informação trafegada. Eu, Dihelson Mendonça, sou o moderador do blog. Eu libero as mensagens. Praticamente 100% das mensagens que chegam são liberadas. Mas isso leva algum tempo no processamento e nem sempre eu estou disponível 24Hs para liberá-las. Peço-lhes paciência !

Portanto, se seu comentário ainda não apareceu no Blog, aguarde algumas horas, pois ele será liberado assim que eu tomar ciência que ele existe. Se passar mais que 24Hs, aí sim, pode ter havido algum problema. Os únicos comentários que vão diretamente sem passar pela moderação são dos Autores do Blog. Temos cerca de 50 autores, que fazem parte do quadro de cronistas permanentes. Os outros, são comentaristas e colaboradores, que tem a mesma importância para o Blog, mas são colaboradores ocasionais.

Atenciosamente,

Dihelson Mendonça

Foto do Dia - Crato - Ontem, 13 de Maio de 2008 - Av. Duque de Caxias.


Acima: Foto da Av. Dique de Caxias tirada à partir do Museu de Arte Vicente Leite.

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OceanAir cancela vôos em Juazeiro - Por Elizângela Santos para o DN

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Em Juazeiro do Norte, a OceanAir atendia a uma demanda de 9 mil passageiros por mês. Nos primeiros quatro meses do ano, a empresa conseguiu ter quase o número de passageiros verificado em todo o ano passado (Foto: Elizângela Santos)

A reestruturação da empresa aérea OceanAir atingiu os vôos para Juazeiro do Norte e pega todos de surpresa

Juazeiro do Norte. A OceanAir cancelou seus quatro vôos para o Aeroporto Orlando Bezerra de Menezes, nesse município. A determinação acontece logo agora, quando o aeroporto comemorava a conquista de mais um vôo diário — da linha Juazeiro/ Recife/ Brasília — pela GOL. Ao invés de seis, passa a ter apenas dois vôos diários. O anúncio pegou de surpresa a sociedade caririense e os próprios funcionários da OceanAir. Foram demitidos sem aviso prévio e apenas dois ficaram prestando informações e orientações aos passageiros. O primeiro dia sem vôos foi na segunda-feira, após o anúncio oficial na sexta-feira última.

A empresa atendia a uma demanda de 9 mil passageiros por mês. A preocupação em torno do cancelamento envolve questões relativas ao desenvolvimento de infra-estrutura e construção do terminal de passageiros. A reestruturação da empresa, que passará a ser Avianca Brasil, foi o principal motivo do fechamento. Cerca de 11 funcionários, de acordo com o superintendente regional da Infraero, Edson Fernandes, ficam sem emprego, mas um responsável da empresa já se encontra em Juazeiro para resolver o problema trabalhista dessas pessoas.

No Brasil, a OceanAir estava atuando com 40 bases e fechou 11 delas. Juazeiro estava na oitava colocação em número de passageiros. Nos primeiros quatro meses do ano, a empresa conseguiu ter quase o número de passageiros de todo o ano passado. Conforme o superintendente da Infraero, isso representa 200% a mais. Foram 35 mil vôos, sete mil a mais do que em 2007. Por três meses, durante ano passado, a OceanAir deixou de operar, por conta de uma parceria de compartilhamento de vôos com a BRA. Fernandes considera, mesmo assim, um grande aumento que não é justificativa para a empresa deixar de operar na região do Cariri.

A manutenção das aeronaves e a diminuição no número das que estão em operação poderão também ser justificativas da empresa, para a mudança de bandeira, no caso a Avianca Brasil. “O mais lamentável não é apenas o fato de perder a empresa, que prestou um bom serviço em Juazeiro, mas é não poder receber outra por não termos uma estrutura adequada”, afirma Fernandes. Em fevereiro deste ano deveria estar atuando na região a empresa TAM, que até encomendou pesquisa e se empolgou com o potencial da região. Mas a falta de estrutura para receber aeronaves de grande porte tem inibido a vinda de outras operadoras. O vôo inaugurado na segunda-feira pela GOL teve atraso por conta dessas limitações.

Mesmo com a recuperação feita há cerca de quatro anos pelo governo Lúcio Alcântara, por meio de um convênio com a Infraero, a pista de 1.900 metros se torna obsoleta em relação às exigências das empresas aéreas. Mesmo construída, não foi homologada, ou seja, não existe oficialmente.

Cada uma das empresas teve que se adequar à realidade apresentada pelo aeroporto e se limitar com aviões de menor porte. Mais R$ 10 milhões tem de ser gastos para o reforço da pista, segundo estima o superintendente regional. Essa verba está garantida até o fim do ano, por meio de emenda da bancada federal dos deputados da região do Cariri.

O Aeroporto está dentro de uma área de mais de 1 milhão de metros quadrados, incluindo a parte construída do terminal de passageiros. O projeto de lei, que prevê a doação de terreno da área do aeroporto, já foi sancionado pelo governador Cid Gomes. Caso não houvesse o cancelamento de vôos, o aeroporto de Juazeiro estaria quase com o mesmo número de João Pessoa, capital da Paraíba, atualmente com sete.

DEMANDA

"O cancelamento de vôos pegou todos de surpresa. A Oceanair atendia à demanda crescente na região"

Edson Fernandes
Superintendente da Infraero

SAIBA MAIS

Horários

Com o cancelamento dos vôos da Oceanair, o Aeroporto Orlando Bezerra de Menezes, em Juazeiro do Norte, passa a contar apenas com os seguintes horários: GOL, 1h40 (desembarque, vindo de Fortaleza); 4h35 (embarque - Fortaleza); GOL, 15h30 (desembarque de Brasília/ Recife), saindo às 16 horas (Juazeiro/ Recife/ Brasília)

Ampliação

O projeto de desenvolvimento do Aeroporto Regional vem sendo discutido há alguns anos, por conta da grande demanda existente de passageiros. O crescimento em 2007 foi de 38% em relação ao ano anterior, com uma média de 152 mil passageiros. A previsão para este ano era de 180 mil pessoas. Os recursos para o projeto poderão ser obtidos por meio do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), mas ainda não estão garantidos.

ELIZÂNGELA SANTOS
Repórter

Mais informações:
Aeroporto Orlando Bezerra de Menezes
Avenida Virgílio Távora, 4.000
Juazeiro do Norte (CE)
(88) 3572.0700 / 3572. 2118

O MUNDO POR UM FIO DE DESORDEM E DESTRUIÇÃO DE VALORES, JUSTIÇA E NATUREZA


As notícias que nos chegam todos os dias apontam para a necessidade de uma grande mudança de atitude e solidariedade para com toda espécie viva. Crianças sendo jogadas do prédio, maltratadas, exploradas e ignoradas; terremotos que estremecem regiões do tamanho do Brasil e matam milhares de inocentes; tornados que provocam caos e destruição de cidades ricas e pobres; chuvas prolongadas que destroem trabalho e esperança de milhões; políticas que destroem a liberdade de expressão e criam feudos autoritários sobre os direitos da verdade. É nesse caldo de dramas e destruições que nos perguntamos: quando vai acontecer comigo, com você leitor e com a nossa família?
As tragédias humanas e ecológicas não estão escolhendo endereço e data. A qualquer momento podemos sofrer tanto pela arrogância, ganância e insensibilidade das regras das leis humanas quanto pela força da lei natural dos ciclones, furacões, terremotos, tempestades, tornados, secas e aquecimentos globais. Olhamos para a tela da TV e nos sentimos distantes e protegidos sentados num sofá macio e colorido, cercados por frágeis paredes em nossas casas e espaços ideológicos e visões de mundo limitadas. E nenhum sofrimento alheio e distante nos comove nos vários papéis que assumimos: professor, advogado, promotor, juiz, empresário, comerciante, jogador, artista, agricultor, presidente, inventor etc.
Em cada papel que nos identificamos escondemos nossas verdadeiras identidades: seres planetários e criadores de mundos. Enquanto nos preocupamos em ver a derrota e a humilhação do outro, esquecemos que amanhã mesmo nossos chãos já não serão mais seguros; nossas águas já não serão mais potáveis para beber e plantar; nossas florestas já não serão mais verdes e imunes às queimadas criminosas de mãos capitalistas; nossos filhos já não serão mais inocentes das drogas, das ideologias e das lavagens cerebrais que embalam crenças e discursos retóricos de palanque; nossos corpos já não sentirão o efeito dos valores e energias negativas acumuladas durante uma vida inteira de brigas, confusões desnecessárias, picuinhas, ofensas e ranços - por causa disso perecerão nas dores (do câncer e outras doenças) inevitáveis na ignorância cósmica de si!
O que é mais prioritário: fazer o outro curvar a cabeça ou lutar para construir um mundo melhor sem as mazelas do ego e das leis naturais que cobram – agora! - um equilíbrio cósmico? A resposta das mentes doentes não pode ser outra: a destruição da imagem e da alteridade sem o perdão do outro. O que predomina é a cultura “RAMBO” moderna: vence o mais forte e o mais competente com as armas e valores dos homens – é a regra! Mas, nossa pequena visão racional de mundo tridimensional, com um cérebro que não processa com sensibilidade e eficiência toda a inteligência que nos foi dada por Deus, continuará na sua hipnose legal, normal e animal, a querer mudar e curvar o outro sem perceber a fragilidade moral que nos sustenta de pé quebrado numa sociedade doente, global, corporativa e insensível.
E quando é que acordaremos? Quando o fio da vida arrebentar de vez. E não está longe de acontecer. Por isso, precisamos conectar mais com a vida do que romper os elos afetivos com problemas tão pequenos como uma ofensa ou briguinha individual ou coletiva de adulto-criança que não suporta viver sem se birrar com o outro irmão. A vida do planeta é muito mais importante do que essa atitude pequena demais de cobrar a lei sem perdoar.

Prof. (DSC) Bernardo Melgaço da Silva

Nota do Blog do Crato:

Parabéns, Prof. bernardo. Ainda bem que não somos poucos a combater e criticar o modelo dessa sociedade que prega a inversão de valores. Há muito tempo que o homem chegou ao fundo do poço, mas alguns insistem em continuar cavando...

O Trio de Pé de Serra contra o Forró Eletrônico - Texto enviado por Davi Arruda Campos.

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Foto acima: Encontro de 2 mestres da sanfona: O Brasileiro Dominguinhos e o Argentino Richard Galliano.

A peleja da sanfona, zabumba e triângulo, representantes da música regional autêntica, contra a vulgaridade e o frenesi histérico das 'bandas' eletrônicas

José Nêumanne

O paraibano Antônio Barros é um ídolo da música regional junina no Nordeste: compôs mais de 600 canções, muitas das quais foram sucessos absolutos de intérpretes como Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, Jackson do Pandeiro, Trio Nordestino, Três do Nordeste e Ney Matogrosso (Homem com Agá). Mas isso não evitou que protagonizasse um episódio no mínimo contraditório para um artista de sua importância: foi contratado para abrir o show cuja atração principal era a banda Cascavel, da qual ele, sua parceira e mulher Cecéu e a filha dos dois, a cantora Maíra, nunca ouviram falar. No entanto, a cidade de Aroeiras, no interior da Paraíba, estava em polvorosa com a chegada da banda e ele recebeu o cachê e instruções rigorosas para deixar o palco assim que a banda chegasse. Ao fazê-lo, testemunhou o frenesi histérico com que a atração principal da noite foi recebida por seu público. O fato marcante registrou a transição do forró de pé de serra, cultuado por ele e outros grandes artistas, como Santanna Cantador, Flávio José, Nando Cordel, Dominguinhos e outros, para o forró eletrônico, produzido no Ceará.

Capitaneadas por um empresário pra lá de bem-sucedido residente em Fortaleza, bandas com instrumentos eletrificados e nomes semelhantes, formadas por instrumentistas anônimos, todos funcionários do mesmo patrão, dominam a programação musical das emissoras de rádio e televisão e reinam absolutas nos palcos do interior do Nordeste nas festas juninas. Manoel Gurgel, o imperador do forró cearense, se dá ao luxo de propor parcerias aos grandes compositores regionais, numa tentativa de cooptá-los, da mesma forma como faz com programadores de emissoras de AM e FM em praticamente todas as cidades dos nove Estados nordestinos. Mas pelo menos nisso ele ainda não obteve êxito.

Ao contrário, os representantes da música regional junina autêntica no Nordeste começam a reagir contra a invasão do forró eletrônico. E acabam de encontrar um aliado absolutamente inesperado... na Suíça. Tudo começou em Patos, no sertão e no meio do mapa da Paraíba, cidade onde se diz que se pode fritar ovos no cimento da calçada, tão quente se faz presente o sol por lá. Pierre Landot, herdeiro de um grupo multinacional de indústrias farmacêuticas, se instalou em sua zona rural, onde estabeleceu uma fazenda para criar bovinos, ovinos e caprinos. Com os peões instalados em sua propriedade, ele aprendeu a amar os trios de forró de pé de serra formados por sanfona, zabumba e triângulo. E os apresentou a seu amigo cineasta Bernard-Roberto Charrue, que acaba de produzir o longa metragem Paraíba, Meu Amor, cujo título foi inspirado na canção homônima de Chico César, nascido um pouco além de Patos, em Catolé do Rocha, nas proximidades de Brejo do Cruz, berço de Zé Ramalho.

O cineasta suíço registrou em imagens coloridas o inesperado encontro do acordeonista de jazz francês Richard Galliano, elevado ao panteão dos maiores instrumentistas da Europa, com o sanfoneiro pernambucano Dominguinhos, herdeiro reconhecido pelo Rei do Baião e herói do europeu. O duelo entre o jazzista e o forrozeiro se deu no palco principal do lugar onde se realiza o que se chama 'o maior São João do Mundo': o Parque do Povo, em Campina Grande. O francês também acompanhou Chico César na canção-título e contracenou com dois sanfoneiros paraibanos, Pinto do Acordeon, que mora em João Pessoa, e Aleijadinho de Pombal, cidade que fica entre Patos e Catolé do Rocha.

Concluído o preito cinematográfico ao forró autêntico, em plena temporada de resistência contra o forró eletrônico de Manoel Gurgel, o resultado foi apresentado em Karlsruhe, na Alemanha. E com tal êxito que está sendo prevista ainda este ano uma 'noite do forró', no Festival de Jazz de Montreux, na Suíça, com os protagonistas do documentário. Um dia depois de o filme ter sido lançado no Cine Bangüê, no Espaço Cultural José Lins do Rego, em João Pessoa, todos estes artistas populares se reuniram com mais 50 forrozeiros na estréia do filme no auditório da Federação das Indústrias da Paraíba (Fiep), em Campina Grande. Para lá acorreram Flávio José, apontado por Dominguinhos como seu herdeiro; o patriarca Antônio Barros com suas Cecéu e Maíra; Santanna Cantador, natural de Juazeiro de Padre Cícero e com um timbre muito semelhante ao de Gonzaga; e outros astros do forró de pé de serra, para os quais a vulgaridade do duplo sentido pornográfico das 'bandas' eletrônicas (como a Calcinha Preta) não é somente uma questão de decência, mas de sobrevivência.

O filme de Charrue não tem a qualidade do documentário de Wim Wenders sobre o resgate da música tradicional cubana graças ao espetáculo produzido pelo guitarrista americano Ry Cooder, Buena Vista Social Club. Mas pode ser que ele venha a se tornar no ponto de partida para o resgate da mesma autenticidade que o autor da trilha sonora de Paris, Texas evitou que se perdesse no Caribe, impedindo que o forró de pé de serra seja sepultado no sertão pelo comercialismo urbano das bandas de Manoel Gurgel.

José Nêumanne, jornalista e escritor, é editorialista do Jornal da Tarde

Fonte:
http://txt.estado.com.br/editorias/2008/03/22/cad-1.93.2.20080322.15.1.xml

Texto enviado por Davi Arruda Campos
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A Ciência Primeira - Prof. Bernardo Melgaço.


A CIÊNCIA PRIMEIRA

A ciência em toda a sua história foi uma atividade humana em busca de respostas e revelações sobre a realidade em seus diversos contextos, níveis e dimensões. Historicamente a ciência buscou responder o enigma da ordem, da causa e da origem de tudo. A realidade sempre se revelou ao homem insatisfeito e inquiridor, mas também guardou segredos tornando a busca humana sempre incompleta e indefinida. A ciência avança em cada descoberta, mas sempre se depara com o silêncio cósmico como se fosse uma falha natural e proposital colocada pela realidade em sua eterna manifestação de princípios e leis naturais. As ciências surgiram com o esforço espetacular da mente humana em querer compreender esse silêncio nas diversas facetas da realidade aparente e ao mesmo tempo invisível e transcendente. Hoje temos vários tipos de ciência tais como as naturais, humanas, formais e sociais dentre tantas outras. As falhas foram sempre preenchidas com as críticas científicas, mas apesar disso a realidade continuou incessantemente criando inúmeras outras falhas provocando novas críticas num eterno movimento entre buracos e espaços preenchidos nos tempos vividos pela consciência humana. Nesse sentido, o diálogo nunca cessará entre a ciência e a realidade.

Hoje, empregamos no campo científico uma nova abordagem para dialogar com a realidade. E essa nova abordagem nasceu da necessidade humana em querer saber mais a respeito da estrutura sutil da matéria. No final do século XIX e início do século XX as mentes brilhantes de vários cientistas daquela época abriram uma porta da percepção que permitiu a ciência ver mundos jamais vistos pela mente e os sentidos humanos. A ciência rompeu com barreiras conceituais e ideológicas impregnadas nas teorias cartesianas e newtonianas e assim transcendeu a percepção e construção racional da ciência desse período histórico de sucesso. Uma nova linguagem, atitude e visão de realidade surgiu decorrente do salto qualitativo dado pela ciência a partir do final do século XIX. Mas, apesar desse salto qualitativo a ciência não percebeu que precisava desenvolver uma outra ciência paralela. A outra ciência paralela é a ciência de si ou a ciência-primeira: a ciência da ciência ou a metaciência.

Tudo indica, entretanto, que nesse século XXI a física quântica se aproximará das bases conceituais e metodológicas da ciência-primeira. Acredito que pelo fato da física quântica ter penetrado nos domínios da matéria sutil e ter-se defrontado com níveis de energia em diversos estratos da realidade microcósmica - e também pelo fato de alguns cientistas já terem percebido que o que chamamos de “consciência” é energia pura manifestada em decorrência das potencialidades humanas naturais intrínsecas - teremos num futuro muito próximo a compreensão definitiva de que a energia humana é parte indissociável da energia cósmica criadora presente no universo.

Em outras palavras, a ciência do futuro será aquela que unirá ciência e espiritualidade em prol da unidade e do equilíbrio ético-ecológico. Isto implica dizer que chegaremos definitivamente a percepção de que nossos valores éticos contribuem significativamente no diálogo profundo com a natureza e na formatação do mundo que criamos. Em síntese, a ciência do futuro constatará definitivamente que consciência é energia criadora e vice-versa, ou seja, que energia é também consciência criadora. Por isso, que a responsabilidade de todos – mesmo! - no “controle de qualidade” (aperfeiçoamento) dos pensamentos e sentimentos será vital para a preservação do planeta e da vida sustentável nele. Pois, se gerarmos pensamentos (ou visões de mundo) infundados (as) e estreitos (as) o mundo será conseqüência direta do que criamos nesse domínio sutil da consciência-energia: dor ou Amor, escuridão ou luz.

Prof. Bernardo Melgaço da Silva
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Escravidão no Crato do século XIX – 1ª parte - Por: Prof. Ms. Darlan de Oliveira Reis Junior


Prof. Adjunto do Departamento de História da URCA

A instituição escravista esteve presente na vida social e econômica brasileira por mais de três séculos. A escravidão tornou-se a engrenagem central do sistema produtivo, tanto no período colonial como após a independência política em relação a Portugal. Em várias regiões do território, marcadas por diferenças nos mais variados aspectos - sejam elas geográficas, culturais, econômicas, étnicas – um dos elementos condicionantes da formação social era a presença da instituição da escravidão, tanto indígena como negra.

A estimativa da população escrava na província cearense em 1864 era de 36 mil habitantes. O censo de 1872 apresentava 31.975 escravos, perfazendo 4,4% da população escravizada no Brasil, ao passo que a província do Rio de Janeiro detinha 39,7% dos escravos. Tal questão levou os historiadores a se debruçarem sobre o assunto, não só na análise dos motivos que tornaram o Ceará uma província onde a escravidão teve menor presença, mas também sobre as relações de trabalho não-escravistas que existiram para atender à necessidade dos proprietários de terras cearenses.

A realidade no Cariri cearense não se demonstrava diferente do restante da província. Qual foi a presença da mão-de-obra escrava na Vila Real do Crato, durante as décadas de 20 e 30 do século XIX, período de transição, no processo histórico de independência do Brasil?

Nas diversas obras, desde as contemporâneas à escravidão como as posteriores, muito se escreveu sobre as atividades econômicas desenvolvidas na região do Cariri durante o século XIX, mas quase nada se falou sobre as pessoas que realizavam as atividades. Quando muito, referências gerais sobre os trabalhadores, sejam livres ou escravos.

Um escravo em qualquer lugar do Brasil possuía as mesmas características. Ao mesmo tempo em que do ponto de vista jurídico era considerado como uma propriedade, sua humanidade se manifestava em seus desejos, revoltas, submissões, sonhos, amores e trajetórias. Todos os escravos tinham uma história. História que não pode ser silenciada.

Dessa maneira, mesmo que o número de escravos tenha sido menor no Ceará em relação a outras províncias como a do Rio de Janeiro, isso não nos exime, como historiadores, de estudar e compreender o fenômeno da escravidão em terras cearenses. Homens, mulheres e crianças viveram sob o jugo da escravidão. Sofreram os mesmos maus tratos e exploração que os escravos em outros locais. Trabalharam, desenvolveram laços de amizade e união, lutaram e rebelaram-se como escravos nas demais províncias. Na Vila Real do Crato não foi diferente. Existiu aqui, tanto a formação de quilombos, como a presença de mão-de-obra escrava e negra sendo utilizada nas mais diversas atividades.

Tendo o escravo como referencial, partimos para o estudo da importância desse tipo de trabalhador na economia cratense, nas décadas de 20 e 30 do século XIX. Buscamos descobrir qual era o percentual de escravos envolvidos em atividades produtivas e não-produtivas e a importância desse tipo de trabalhador no universo das propriedades existentes. A partir da confirmação da presença do trabalhador cativo nas atividades econômicas na Vila Real do Crato, poderemos proceder à análise de sua importância para aquela formação social. Conhecida mais pelas suas manifestações culturais (em um sentido estrito) e religiosas e também pelos movimentos políticos, como o da Confederação do Equador, sobre a escravidão que existiu ali, pouco se escreveu, assim como sobre as condições de vida dos escravos e as relações sociais que se estabeleceram.

Por: Prof. Darlan Reis
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