22 março 2008

Notícias do Cariri - Coluna Tarso Araújo - Jornal O POVO

CARIRI

Tarso Araújo

22/03/2008 17:18

MISSÃO VELHA
A primeira paróquia criada no Cariri - em 28 de janeiro de 1747 - foi a de Missão Velha, tendo como padroeira Nossa Senhora da Luz. Doze anos após, (não se sabe a razão) a denominação foi mudada para Paróquia de São José. Depois de 261 anos, graças ao atual pároco João Bosco Lima, foi feita uma reparação a Nossa Senhora da Luz. Padre Bosco mandou confeccionar uma imagem de cimento da primeira padroeira e a colocou numa praça. Bem que ele poderia mandar esculpir uma imagem de madeira e coloca-la num nicho dentro da igreja-matriz. Em Juazeiro do Norte reside o escultor Franciné, que faz esse tipo de trabalho.

ANOTE: A SÉ DO CRATO
Concluídos os trabalhos de implantação do novo piso da catedral do Crato. E, pela primeira vez, tudo foi feito criteriosamente correto. Anteriormente, a cada novo melhoramento ali implantado, ocorria a destruição de parte da arquitetura do vetusto templo. Desta vez foi diferente! Colocou-se o novo piso de porcelanato, mas conservaram-se mostras dos mosaicos antigos existentes no presbitério e em duas capelas laterais ao altar-mor. Uma moldura de granito, para realçar esses mosaicos, foi afixada. Preservou-se, assim, a memória arquitetônica do vetusto templo. Graças ao bem elaborado projeto do arquiteto Waldemar Arraes Farias Filho e o bom senso do Cura da Sé, padre Edmilson Neves. Agora só falta a colocação de um altar de pedra para que a Sé de Crato fique com todas as exigências de uma catedral.

FLONA
Segundo o geógrafo João Ludgero, a avifauna da Floresta Nacional do Araripe é constituída de 34 gêneros totalizando 88 espécies, das quais duas são incomuns na região, uma é rara e duas fazem parte da lista dos animais ameaçados de extinção. Algumas das aves: Azul, Periquito, Chorró. Entre os animais: veado, cotia, tatu, tamanduá, onça, gato-do-mato, raposa, guaxinim...

CARIRIANAS
-O conhecido intelectual cratense José Newton Alves de Sousa, após a ler o livro Crato - evolução urbana e arquitetura (1740-1960), avaliou assim o trabalho de Waldemar Arraes Farias: "Trata-se de uma obra firmada em fontes fidedignas; um estudo oportuno e de elevada qualidade, em que, aos conhecimentos específicos do autor, se soma o natural amor à terra do seu nascimento".

-Sávio Cordeiro, professor da Urca e autor do livro O Beato Líder, viajou para Portugal com o objetivo de fazer pesquisas para a sua tese de doutorado.

-Aurélio Matias, professor da Urca, lançou seu livro: O Poder Político em Juazeiro do Norte - Mudanças e Permanências - As Eleições de 2000

O MILAGRE
Pouca gente está lembrada, mas o próximo ano (mais precisamente o dia 6 de março de 2009) assinalará os 120 anos da ocorrência do fenômeno da transformação em sangue - na boca da Beata Maria de Araújo - da hóstia que ele recebera, em comunhão, das mãos do Padre Cícero. Foi assim que teve início a famosa "questão religiosa" de Juazeiro do Norte. Cujas conseqüências vêm até os dias atuais. Será que a data vai passar em branco?

OUTRA EFEMÉRIDE
Já o dia 18 de julho de 2009 assinalará o centenário de fundação - em Juazeiro do Norte - do semanário O Rebate. Dirigido pelo padre Alencar Peixoto, o jornal foi criado com o objetivo de lutar pela elevação da Terra do Padre Cícero à categoria de cidade. Até hoje não apareceu nenhum intelectual caririense para escrever e resgatar a saga de O Rebate.

PAISAGISMO
A Praça Dirceu Figueiredo (mais conhecida como Praça da Prefeitura), em Juazeiro do Norte, está de visual novo. O projeto é de autoria da paisagista Fátima Canejo, que retirou grades de ferro enferrujadas, substituíndo-as por cercas naturais feitas com a planta pingo de ouro. Foram ali implantados: um jardim com cactos, pedras e refletores, além de mudas de ipê roxo e cana da índia. Aliás, as prefeituras das principais cidades do Cariri já deviam possuir seu departamento de paisagismo.

CALDEIRÃO
Lemuel Rodrigues da Silva, professor de História da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte - Campus Central Mossoró - está desenvolvendo pesquisas sobre a migração de norteriograndenses para a comunidade do Caldeirão do Beato José Lourenço. Ele deverá vir ao Cariri para pesquisar nos arquivos da diocese de Crato. Quem puder ajudar o professor Lemuel poderá manter contato com ele pelo e-mail lemuel@hotmail.com ou pelo telefone: (84) 8868 0950.

VIAGEM
Dom Fernando Panico embarca no próximo dia 30 para São Paulo. Vai participar da reunião dos bispos do Brasil promovida, anualmente, em Itaici, pela CNBB. Seu regresso está previsto só para o dia 12 de abril.
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Páscoa dos Carroceiros


Sábado de Aleluia
Minha mãe resolveu fazer uma festa para os Carroceiros do Crato.Resgata a paisagem bucólica de outras épocas ... Resgata a simplicidade de uma cidade sem trãnsito , só terra !
Daqui a pouco estarão estacionadas as nossas carroças , com todas as lamas das nossas ruas esburacadas , e molhadas de chuva .
Risos desdentados ; olhares miúdos e tímidos ; pulsos fortes e determinados ...
Comovente a festa desta Anja ... que reúne , em nome da Páscoa !

Artigo do ex-deputado João Alfredo - O POVO, 22-03-2008

Do velho Chico para o aquecimento global

João Alfredo (*)

No dia de São José, 19 de março, a Agência France Press veiculava as trágicas notícias de que a escassez de água já afeta mais de um bilhão de seres humanos no planeta e um terço da humanidade (2,4 bilhões) vive sem acesso à água de qualidade e, em função disso, a cada dia, 25.000 pessoas morrem, sobretudo crianças. Não se trata de falta, mas de distribuição desigual da água, seja entre os seus usos - 70% é destinada à agricultura, 20% para a indústria e apenas 10% para consumo humano, seja pela sua apropriação - enquanto, em média, um cidadão norte-americano consome 500 litros de água/dia, um africano da região saariana dispõe de apenas 10 a 20 litros de água/dia para uso doméstico. Trata-se, portanto, da injusta e desumana concentração da água (assim como de resto da propriedade da terra e da riqueza) por uma minoria que detém o poder político e econômico no planeta. Para o capital, água é mercadoria.
Para a maioria da população, água é um direito fundamental, pois fundamental à própria vida. É nesse contexto que se pretende comemorar (?) o Dia Mundial da Água. É momento de se refletir sobre os conflitos decorrentes do seu uso no mundo e em nosso país, em particular, que detêm 12% da disponibilidade de água doce no planeta, que, no entanto, concentra em uma única região, a Amazônica, 78% da produção hídrica nacional. É no seio dessa desigualdade regional, onde o semi-árido nordestino tem sido objeto de intervenções do poder público que tem alimentado a indústria da seca e a reprodução da dominação político-econômica por uma elite política insaciável, que se situa a transposição das águas do Rio São Francisco para o chamado Nordeste setentrional.
Um de seus aspectos mais dramáticos - e menos divulgados - é a questão da transferência das águas do Velho Chico para o Complexo Industrial e Portuário do Pecém, através do chamado "Canal da Integração" (ou "Eixão"). O discurso é a de que as águas virão para aplacar as necessidades do sertanejo (que, na verdade, vai ficar muito longe do caminho das águas), mas o real objetivo é "saciar a sede" de grandes empreendimentos industriais, que, além de extremamente poluidores, são devoradores de água e de energia: três (ou quatro) usinas termelétricas e uma siderúrgica, movidas a combustível fóssil (carvão mineral, principalmente).
É de todos conhecido que o combustível fóssil que mais contribui para o aquecimento global (em torno de 41%) é o carvão mineral, mas nem todos no Ceará somos conhecedores de todos os impactos sobre o ambiente e a saúde dessas usinas, dentre os quais se destacam a chuva ácida e as doenças pulmonares e cancerígenas. No entanto, o mais escandaloso é que tais empreendimentos utilizam, para o resfriamento de seus altos fornos, uma quantia absurdamente elevada de água. Calcula-se que uma siderúrgica necessite de cerca de 2 mil metros cúbicos de água por hora e que o seu consumo total seja equivalente a de uma cidade de 100 mil habitantes.
Pergunta-se, então: e quando se acrescem as termelétricas? Quanto de água do Velho Chico (que se afirma destinada à população) vai ser drenada para a fabricação do aço, para a acumulação do capital, para o aquecimento global? E para a população carente, vai sobrar água? É esse o "salto" para o desenvolvimento de que falava o governador em campanha? Com a palavra, o governo e o povo de nosso Estado.
(*) João Alfredo Telles Melo é advogado, professor de Direito Ambiental, ex-deputado e consultor de políticas públicas do Greenpeace Brasil

Igreja Católica intercede e "Dom Cappio" não será mais queimado na Malhação de Judas hoje !

- Acima: Joana D´Arc sendo queimada em praça pública -

P
arece irônico, mas a mesma igreja que torturou, matou, e queimou pessoas vivas na idade média, e segundo diversos renomados cientistas é responsável por mais de 500 anos de atraso no desenvolvimento da ciência, hoje, tomou posição inversa, e entrou para defender um boneco de pano que iria ser queimado em praça pública no largo da Reffesa em Crato simbolizando um dos seus membros. Acontece que o "homenageado" era a figura de Dom Cappio, um membro da igreja, conhecido na mídia global tanto pelas suas greves de fome, como pela sua luta contra a transposição do Rio São Francisco, que ainda é assunto polêmico. No lugar do boneco, agora salvo do fogo expiatório, será usado outra coisa, para simbolizar somente o repúdio contra a luta que Dom Cappio se empenhava, ou seja, a de ser contrário à transposição. É isso que será queimado hoje, sábado, dia 22 de março no largo da Reffesa em Crato, até porque o povo que votou, milhares de pessoas e que foi maioria, precisa de um Judas Iscariotes para a sua malhação. O povo sempre precisa de um Judas...

Vendo as mensagens postadas aqui no Blog, em que alguns se referem ao caso da malhação de Judas, de forma distorcida, como se fosse da crucifixão de Cristo, é interessante notar como os papéis se invertem, pois nessa estória toda, alguns estiveram a comparar o martírio do boneco de Cappio, e este passou de Judas a Jesus.

Se Cappio passou de Judas a Jesus poupado da cruz, Barrabás continua solto. A questão agora é descobrir quem é o barrabás na história toda, e que continua solto. Aliás, Barrabás sempre escapa, né ? Mas fica aqui o pensamento: "Queimar bonecos da igreja em praça pública não pode, mas queimar Joana D´arc e muitos outros naquela época podia. Se estavam certos naquela época, certamente que estariam errados hoje e vice-versa. O leitor escolhe, mas por favor, não peça para o povo escolher, porque senão, Jesus será crucificado e Barrabás será solto novamente.


Por: Dihelson Mendonça