05 março 2008

Um caso de hipnose alcoólica

Emerson Monteiro

No meu tempo de criança, entre as décadas de 50 e 60 do século que passou, morei como minha família no prédio em que ora se instala a Escola Tia Joana, no bairro Pinto Madeira, em Crato. Ao lembrar dessa fase, junto com os fiapos de lembranças vem a imagem de Ataulfo Alves, o compositor brasileiro, a lembrar quando era feliz e não sabia. Pois bem, nesse período da meninice, à semelhança dele, fui feliz, sim, sem, contudo, dar conta disso.

Logo na frente do edifício, uma esquina de dois andares, térreo e primeiro, rodeava chão de barro vermelho intenso, com nove mangueiras e algumas fruteiras mais, pinheiras, goiabeiras, sirigüeleiras, capitaneadas por imensa timbaúba, que dominava a lateral que dava para a rua Padre Ibiapina, motivo de sombra agradável quase o ano todo, além de vários pés de sabiá.
Esse era o território em habitávamos, eu, Everardo, meu irmão, Jorge Ney, meu primo, e os meninos da rua, dos quais lembro com facilidade Chico Antônio, Zé Roberto, Valdir Filho, Roberto Brito (Beto), Flávio, Vavá, Otacílio e os filhos de Bianô, dos quais esqueci os nomes. Éramos sempre acompanhados de perto por outros, já mais crescidos, também de nossa inteira amizade, Chico Zé, Aglézio, Junival, Aroldo, Renato, Lindolfo, Ivan, Ivanildo, Jaime, Zé Nilton e mais alguns que agora não querem chegar à tela da memória.

Formávamos turma unida, alimentada nas brincadeiras e nas conversas de encontros sucessivos e espontâneos. Aquele espaço físico era o tanto suficiente ao nosso convívio fraternal. Havia em torno restos de muros que justificavam assentos onde nos estabelecíamos, secundados por toros de cedro depositados por perto, matéria prima da serraria de meu pai, vizinha da casa.

De acordo com períodos habituais, rolavam diferentes jogos diários. Bila. Triângulo. Pião. Dama. Carro de mão. Bicheira. Bang-bang. Esconde-esconde. Contações de histórias. Bola. Comentários de filmes. Coleções de revistas. Selos. Música. Aventuras mil. Um padrão inusitado de coisas que faziam a cabeça da turma original do bairro. Sem saber, formávamos uma irmandade verdadeira, com a diferença de que, nos momentos de tomar banho, fazer as refeições e dormir se buscava as casas individuais.

Quando, no entanto, iniciei este comentário, o objetivo precípuo destas divagações seria outro, o qual não pretendo aqui abandonar. É que, numa determinada fase ali do bairro, subindo a rua Vicente Tavares Bezerra, no cruzamento da Padre Ibiapina, passava, de vez em quando, um homem esquisito, a andar duas ou três dezenas de passos e parar fixo, no meio da rua e do tempo, chovesse ou fizesse sol. Olhava à frente, extático, e ficava sem ação de qualquer movimento; nem as pestanas ele batia. Demorava dez, quinze minutos, no máximo, na posição. Despertava da catalepsia e avançava algumas braças mais, até parar de novo. Isso causava na gente impressão forte, sobretudo por ninguém saber explicar o que provocava aquilo. Saibamos, apenas, dele se tratar de um alcoólatra que sofria de mal hipnótico em conseqüência do vício.

Os meninos, porém, viam com naturalidade e respeito a cena do homem estacionado, em horas e dias repetidos. Depois, acompanhado das outras circunstâncias, esta também sumiria e ficaram comigo aspectos vagos da ocorrência, quadro próprio aos estudos médicos, que, na certa, explicam a razão que, então, desconhecíamos.

PATATIVA 100 ANOS DE NASCIMENTO - Por Tarso Araújo


PATATIVA 100 ANOS DE NASCIMENTO

100 anos de nascimento de Patativa do Assaré, uma das mais importantes figuras da cultura popular do Brasil. Patativa está sendo homenageado em sua terra natal. Uma série de eventos acontecem até o dia 5, quando Patativa faria 99 anos. As comemorações do centenário irão se estender pelo ano. Em 2009 nos 100 anos muitas serão as ações e atividade alusivas aos 100 anos de nosso poeta, com certeza, maior de todos.

Foto: fonte: blog do pé.

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Hoje no DN - Polêmica nacional - STF decide se País deve utilizar células-tronco

EM PESQUISAS

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Vida saudável: Tiago Pinto é portador de amiotrofia espinhal. Sua mãe, Rafaela Machado Pinto, faz campanha em favor da pesquisa com células-tronco (Foto: Álbum da família)

Lei de Biossegurança gera polêmica e provoca discussões entre cientistas e grupos religiosos

Quando começa a vida, durante ou após o período embrionário? As respostas para estas questões que tanta polêmica vem causando no Brasil serão dadas hoje pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Está na pauta de julgamentos uma Ação Direta de Inconstitucionalidade contra a utilização de células-tronco embrionárias (extraídas de embriões congelados há mais de três anos e com a autorização dos pais) em pesquisas científicas.

Seja qual for a decisão tomada pelo STF, a resposta à constitucionalidade do artigo 5º da Lei de Biossegurança, que permite o uso de células-tronco de embriões em pesquisas, deverá gerar polêmica.

O fato reacende as discussões travadas entre Ciência e Igreja, que existem, praticamente, desde o início das civilizações. De um lado, os cientistas argumentam que a proibição é um retrocesso para a ciência, uma vez que mesmo proibindo as pesquisas, os embriões nunca gerarão vida, por não estarem em condições de serem aproveitados.

Do outro, prevalece o discurso da supremacia da vida, reforçado pela Igreja Católica, que considera que existe vida desde a concepção e que a utilização dos embriões congelados seria interrupção da vida.

“As pesquisas com células-tronco representam a esperança de cura e tratamento de doenças graves. É somente a partir do avanço dessas pesquisas que milhares de pessoas poderão ter de volta uma qualidade de vida”, ressalta a vice-presidente da Associação Brasileira de Amiotrofia Espinhal, Rafaela Machado Pinto.

Conforme ela, a Abrame - instituição criada por um grupo de pais e portadores de amiotrofia espinhal, com o objetivo de divulgar a doença genética que causa atrofiamento dos músculos e melhorar a qualidade de vida dos afetados - vem trabalhando fortemente pela aprovação das pesquisas.

De acordo com Rafaela, colocar na mesma mesa de discussões a questão do aborto e das pesquisas com as células-tronco não é coerente. “Não é questão de religião, é de ciência. Vários estudos já mostraram que se não existem células nervosas, não existe vida e, portanto, não é aborto”, diz.

A proibição da utilização dos embriões nas pesquisas seria um retrocesso e o que é necessário é a regulamentação do processo”, considera.

As pesquisas com células-tronco embrionárias podem ter impacto na vida de pelo menos 5 milhões de brasileiros que convivem com lesões físicas irreversíveis, causadas por acidentes ou por doenças genéticas. A estimativa é da organização não-governamental Movimento em Prol da Vida (Movitae), a partir de dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), da Sociedade Brasileira de Diabetes e de outras associações que reúnem portadores de deficiência.

Pela vida

Já a Igreja Católica defende que a vida começa na concepção e que a utilização das células-tronco embrionárias seria um atentado à vida. A Campanha da Fraternidade deste ano, realizada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), traz como tema “Fraternidade e Defesa da Vida”, colocando em discussões não só as pesquisas com células-tronco, mas também o aborto, a eutanásia.

Ao ser contra as pesquisas com células tronco, a CNBB diz que a Igreja faz defesa da vida, que é sua posição básica fundamental. Para a Igreja, a Lei de Biossegurança abre caminho para a legalização do aborto e para o desrespeito à vida.

A articuladora da Campanha da Fraternidade da Regional Nordeste I, Mônica Pimentel, destaca que o tema vem sendo trabalhado nas comunidades, com enfoque de que a vida deve se respeitada acima de tudo. “Deus é o criador da vida, que merece respeito desde a sua concepção”, disse.

Segundo Mônica, com uma linguagem simples, mas fundamentada no texto base da Campanha, a população entende que a utilização de células tronco em pesquisas científicas é contra a defesa da vida.

QUALIDADE DE VIDA
Famílias na esperança da cura

As células tronco representam esperança de vida para muitas famílias que convivem com pessoas com doenças graves, como Mal de Parkinson e Alzheimer, paraplegia, atrofias musculares, insuficiência cardíaca, entre outras.

Tiago Pinto, de dez anos, é uma dessas pessoas que poderiam ser beneficiadas com uma melhor qualidade de vida a partir do avanço das pesquisas científicas realizadas com células tronco. Ele é portador de amiotrofia espinhal, uma doença genética que causa atrofia muscular séria, colocando a vida da criança em risco.

Os pais do garoto são incansáveis na busca de meios para melhorar a sua qualidade de vida. Rafaela Machado Pinto, que também é vice-presidente da Associação Brasileira de Amiotrofia Espinhal (Abrame), e o empresário José Filho conseguiram amenizar os efeitos da doença do filho e fazer com que Tiago tenha uma vida normal. Ele está na 6º série, é inteligente, faz fisioterapia diariamente e consegue se manter saudável, sem outras doenças causadas pela atrofia.

Rafaela Pinto têm consciência de que seu filho possa não usufruir dos avanços trazidos pelas pesquisas com células-tronco. “Ninguém pode especular quando a cura ou tratamento de várias doenças vão chegar. O importante é saber que as pesquisas estão acontecendo e que um número enorme de pessoas, um dia, vai ser beneficiada por isso. Nós, enquanto sociedade, temos que lutar por isso”, destaca ela.

O empresário José Filho afirma que as pesquisas com células-tronco, ao contrário do que defende a religião, podem devolver a vida de muitas pessoas. “As pesquisas podem dar esperança a pessoas portadoras de um espectro enorme de doenças. Não se pode, no calor da discussão, relacionar o aborto com as células tronco”, argumenta o pai do garoto.

Restrições

“Se for para utilizar os embriões que serão jogados no lixo, eu sou a favor das pesquisas com células-tronco. O que não aprovo e acho que Deus também não acha muito correto é fabricar embriões para serem utilizados nas pesquisas”. A opinião é da aposentada Josefa Cileda Gomes dos Santos, que é paraplégica há oito anos.

Segundo ela, no caso da paraplegia, Mal de Parkinson e de Alzheimer, somente a célula embrionária, que é capaz de se transformar em qualquer tecido, conforme as pesquisas, poderia representar a esperança de cura, tratamento ou uma melhor qualidade de vida.

“No mundo existem milhões de embriões congelados que serão descartados e que poderiam ser utilizados nas pesquisas. Mas a partir do princípio religioso e ético, a fabricação de embriões para pesquisas não é certo”, disse Cileda, que também milita pela aprovação das pesquisas com células-tronco no Brasil.

Paola Vasconcelos
Repórter


Fonte: www.diariodonordeste.com.br

Hoje no DN - Abertas atividades pelo Dia da Mulher

Cariri


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Fotos de mulheres assassinadas no Cariri marcam eventos promovidos na região (Foto: Antônio Vicelmo)

Crato. “Uma vida sem violência é um direito das mulheres”. Com este slogan, foi aberta a programação comemorativa ao Dia Internacional da Mulher, festejado próximo dia 8. É uma semana de palestras, debates, shows, apresentações de filmes e uma exposição de cordéis, denunciando a violência contra as mulheres. As atividades serão concentradas no auditório do Centro Cultural do Araripe, na antiga Rffsa.

Um dos assuntos discutidos é a Lei Maria da Penha que estipula a criação, pelos tribunais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal, de um Juizado Especial de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher para dar mais agilidade aos processos. Um desses juizados já está funcionando em Juazeiro do Norte. Nestes últimos seis anos, segundo levantamento feito pela Associação das Mulheres do Cariri, foram assassinadas 121 mulheres. A maioria dos processos enfrenta a morosidade da Justiça. A foto de algumas das mulheres vítimas da violência foram expostas no Centro Cultural.

Detalhes

Com a criação desses juizados, segundo a coordenadora da Semana da Mulher no Crato, Mara Guedes, as investigações serão mais detalhadas, com depoimentos também de testemunhas. Antes, o crime de violência doméstica era considerado de “menor potencial ofensivo” e julgado nos juizados especiais criminais junto com causas como briga de vizinho e acidente de trânsito.

Mais informações:
Conselho da Mulher
(88) 3521.6317