02 março 2008

As três imagens da padroeira do Crato (3ª e última parte) - por Armando Lopes Rafael


Imagem de Nossa Senhora da Penha durante os trabalhos de restauração - feitos por Maria Gabriella Federico - em 2006.
Fotos de Waldemar Arraes Farias Filho.
3ª imagem, a atual

A atual imagem de Nossa Senhora da Penha, ora venerada no altar-mor da nossa Catedral, foi adquirida pelo primeiro bispo de Crato, Dom Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva, tendo sido aqui recepcionada em 1921. Mons. Rubens Gondim Lóssio escreveu que ela “foi adquirida na Europa”. Entretanto, está gravado na base da estátua: Luneta de Ouro, Rio, 1920, comprovando que ela foi adquirida, quando nada, através da famosa loja de esculturas religiosas localizada na Rua do Ouvidor, no Rio de Janeiro.

Uma curiosidade: quando da chegada da nova imagem houve fortes e ostensivas reações de segmentos da comunidade cratense que não queriam a substituição da antiga estátua ( segunda) da padroeira pela nova. A prudência de Dom Quintino fê-lo retardar a entronização da nova imagem na igreja-mãe da diocese. Dom Quintino faleceu em 1929 sem colocar a nova representação de Nossa Senhora da Penha na Sé Catedral. O segundo bispo da diocese, Dom Francisco de Assis Pires, assumiu o bispado em 1932, mas aguardou sete anos para entronizar a terceira imagem da padroeira dos cratenses.

Durante 17 anos a estátua permaneceu guardada,no interior da Sé. Sobre ela escreveu Monsenhor Rubens: “De tamanho bem maior que o natural, (mede cerca de 1,80m,esculpida em madeira) em atitude de quem aparece para defender o pastorzinho Simão, prosternado ao lado direito, enquanto o temível crocodilo se arrasta à esquerda, o vulto impressionante tem uma beleza encantadora. Trazida com dificuldades até esta Cidade Episcopal, teve a Imagem festiva recepção, em 1921, quando o povo acorreu ao seu encontro, na estrada do Buriti, onde se congregaram cerca de 32 zabumbas. Todavia, continuou ela guardada, até que, preparada a mentalidade do povo e feita a reforma da Capela-Mor por Dom Francisco de Assis Pires, colocaram-na no altivo e gracioso nicho de onde preside às funções do Culto e aos destinos do Crato. No dia 1º de setembro de 1938, foi-lhe dada a bênção do Ritual e, a partir de então, não tem ela cessado de conceder a todos as maiores graças e as melhores bênçãos”.

Em 2006, devido aos trabalhos de conservação efetuados no interior da na Catedral a imagem de Nossa Senhora da Penha foi retirada – pela primeira vez – do alto do nicho, no qual estava há 68 anos. Esse acontecimento levou muita gente à Catedral, na manhã de uma segunda-feira, 03 de julho daquele ano. Entretanto, após a descida da imagem, uma surpresa: constatou-se a existência de várias rachaduras na escultura.

Preocupado, o Cura da Catedral, Padre Edmilson Neves Ferreira, procurava um profissional para recuperar a imagem. Atendendo seu apelo mantive contato com a Profª. Olga Paiva, funcionária do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional–IPHAN, 4ª Superintendência Regional sediada em Fortaleza. A Profª. Olga indicou para o trabalho a restauradora italiana Maria Gabriella Federico. O restauro da imagem durou cerca de três semanas. E, depois de recuperada – pela primeira vez – a terceira imagem da padroeira do Crato percorreu, em procissão, as ruas da cidade que a tem como Rainha e Protetora. A população – durante dos trabalhos de restauração e no dia que percorreu as ruas centrais de Crato – teve oportunidade de ver de perto, e até tocar/oscular, sua querida padroeira.

(O texto sobre as 3 imagens da Padroeira de Crato são de autoria de Armando Lopes Rafael)

Carta para Samuel Araripe sobre a Av. Frei Carlos Ferrara - Por Guilherme

Olá, Dihelson Mendonça!!!!

Vejo que a sua pessoa está sempre em contato com o prefeito municipal da cidade do Crato e sempre leva sugestões e reclamações dos habitantes de nossa terra. Gostaria que vossa senhoria perguntasse ao Sr. Prefeito Samuel Araripe onde está o recurso que já estava no caixa da prefeitura no ano de 2007 para ser construído a Av. Frei Carlos Maria de Ferrara em frente a RFFSA. EU, me recordo muito bem quando o Prefeito disse que o dinheiro já estava em caixa e já iria começar as obras. Obs: Tenho uma admiração muito grande pela administração de Samuel Araripe, mas gostaria de saber onde está o recurso e quando as obras serão iniciadas.

Muito Obrigado. (Espero respostas)

Guilherme.

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Nota:
Olá, Guilherme,

Perfeitamente. Acho sua pergunta muito pertinente e responsável. Vamos averiguar se esse recurso existe e aonde está guardado. Vou publicar a sua carta no Blog, e pedir ao Samuel que fale a respeito do assunto. De antemão lhe repasso o que me lembro de uma das últimas vezes que conversei com ele, ele me disse que era uma vergonha para o Crato não ter uma só rua ou avenida com o nome do fundador da cidade, Frei Carlos, e que essa avenida que ele estaria construindo, iria se chamar frei carlos. Creio que ela só será construída agora, logo após a chegada do trem, mas como falei, vou perguntar e obter a resposta que vc, eu e tantos outros esperam. Muito obrigado por participar. O lance é esse, cobrar, reivindicar, afinal, eles foram eleitos para cuidar dos nossos interesses. Sem hostilidades, mas fazendo o que o povo deseja.

Um grande abraço,

Dihelson Mendonça
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Boato sobre a vinda das Lojas Americanas para o Crato

Boatos, boatos...

R
onda um boato na cidade de que uma filial das lojas Americanas estaria preparada para vir pra a cidade do Crato. Diversos órgaos da imprensa chegaram a noticiá-la, mas a coisa parece meio emperrada. Conversando com transeuntes próximo ao local aonde seria instalada a loja ( que seria no prédio onde funcionava a loja de F.C Pierre ), ouvi dizer que a loja estava receiosa de vir, pelo fato do Camelódromo estar ali perto localizado, e não possuir uma segurança adequada, onde têm butijões de gás sem segurança, etc e etc... seria bom que depois nós pudéssemos averiguar até que ponto isso é verdade.

E seria muito bom se a atual administração de Samuel Araripe pudesse por em prática urgentemente a idéia do Shopping popular.

Dihelson Mendonça
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Cartas dos nossos Leitores - Alessandra Moreira - Belém do Pará.


Oi Dihelson, tudo bem?

Sei que você não me conhece, mas eu acompanho o seu trabalho como músico e já tive oportunidade de te assistir tocar em alguns eventos. Você é muito talentoso, parabéns! sem dúvida um dos melhores musicos do brasil. Eu sou da Ponta da Serra, mas hoje eu moro em Belém, porém me mantenho informada dos acontecimentos através do Blog do Crato e Cia. Pois bem: Navegando pelos blogs linkados ao blog do crato dei no blog de Farias Brito e li um texto que muito me emocionou. É o texto "Os Herois da Minha Infancia". O texto me fez reviver coisas da minha infancia também, mas o que mais me comoveu foi a citação do seu nome como um dos hérois, pois o meu filho de cinco anos vive a martelar um teclado de brinquedo e dizer que ele é Dihelson Mendonça. O curioso é que ele só te assistiu pelo youtube, junto com o pai que também é seu fã. Continue assim, Dihelson, sendo nosso ídolo, principalmente um espelho para os nossos filhos. Obrigada por você existir. São os agradecimentos de:

Alessandra Moreira da Silva Jardim
Jorge Jardim
Jorge Moreira Junior Jardim
Abraços de nós todos


NOTA:

Agradeço profundamente essa mensagem de carinho de todos vocês, e mesmo sem conhecer o pequeno Jorge Júnior, também passei a ser seu fã, pois conseguiu ter sensibilidade de apreciar aquelas coisas complexas que postei no youtube direcionadas apenas aos músicos eruditos já é sinal de que ele possui no mínimo, um ouvido extraordinário para a idade. Faça-o ouvir muita música clássica e Jazz. E Música Popular Brasileira. Ler muito. Ler sobre a vida dos compositores. Ler sobre a história da música e estudar, estudar e estudar! Meu CD deve sair em breve, coisa de uns 3 ou 4 meses, e quero enviar um pra ele de presente.

Um grande abraço,

Dihelson Mendonça
www.dihelson.com
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Hoje no DN - Trabalho de carpir resiste no Cariri

RITUAL DE DESPEDIDA

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Na última quarta-feira, dona Rosinha encomendou a alma da amiga Maria de Pedro Contente (Foto: Elizângela Santos)

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Dona Rosinha com as amigas de reza, Josefa de Sousa Marinho e Maria Aparecida da Silva

Juazeiro do Norte. “Adeus meus filhos que eu já vou embora, me encomende a Deus e a Nossa Senhora...”. O canto de despedida tem o nome de cada integrante da família. Faz parte do repertório esquecido das mulheres que choravam e faziam chorar o defunto alheio. Um sentimento de solidariedade das carpideiras, que não eram pagas para derramar lágrimas em velório, já que essa prática se deu apenas na Europa. No Brasil, passou a ser encarada como uma missão.

Rosalva da Conceição Lima, dona Rosinha, de 87 anos, desde os 12 acompanha velórios. O aviso da encomenda de alma vem por uma voz misteriosa. À noite, quando vai dormir, se for mulher, vem avisar. Da mesma forma, uma voz masculina, se for homem. O portador na porta pela manhã ou à tarde confirma. São anos dedicados à reza, tirando ofícios e terços nos velórios, cânticos e chorando.

Dona Rosinha é uma personagem rara na história de Juazeiro do Norte. Lembra de momentos marcantes. Um deles a morte do Padre Cícero, quando tinha 14 anos. Aos 15, se casou. Da união, teve cinco filhos, a pobreza e a fome, falta de médico e remédio foi vitimando um a um. Nascia e depois morria. “O que durou mais tinha seis anos”, diz.

E assim, morreu pai, mãe, marido, os irmãos, um deles deficiente físico, ficou aos cuidados de dona Rosinha. Também morreu. “Fiquei cega de tanta fome e sono”. Depois recuperou a vista. Um olhar brilhante, distante, e um riso no rosto. Como alguém que conviveu tanto tempo diante da morte e do sofrimento, convivendo ainda com a dor e a solidão, como ela mesmo diz: “sou número um no mundo”, pode ser tão feliz. A carpideira, que nem sabe o que significa esse nome, tem a resposta na ponta da língua de que o dia de todos chegará. É algo muito normal.

A senhora franzina na quarta-feira passada, bem cedo, estava atarefada pela manhã. Mais uma alma para encomendar. Era “Maria de Pedro Contente”, uma velha amiga da Rua do Horto, onde reside há mais de 35 anos. Quando chegou à casa, tinha gente rezando. Acompanhou até o final para em seguida iniciar o seu. A amiga Maria Aparecida Silva é do Apostolado da Oração e sempre que pode vai junto. São as Missionárias das Santas Missões Populares. Tem até certificado pendurado na parede de casa. Desde 1950, dona Rosinha assumiu a missão de ser zeladora da igreja, isso depois de nove comunhões nas primeiras sextas-feiras dos nove primeiros meses do ano. “Continuarei sendo zeladora até morrer. Enquanto andar, irei rezar por quem me chama”, acrescenta.

Vida sofrida

Dona Rosinha é de Alagoas. Uma vida ´severina´. Aos 6 anos, enfrentou a estrada com os pais e mais dois irmãos, a pé, para Juazeiro do Norte. Na época, a notícia dos milagres de Juazeiro ganhava o mundo. Quando morou mais próxima ao Centro da cidade, acompanhava quem morria por lá. “O pessoal ia me chamar de bicicleta ou de carro, como ainda fazem”. Mas, as funerárias, conforme a carpideira, fazem um papel de cuidar do defunto. “Já cheguei a ficar sozinha com o morto e a família todinha vai dormir. Aí chega um bêbado pela madrugada, gente que conheço, e só no amanhecer o povo vem chegando”, conta.

São histórias de dor e sofrimento. A morte, para dona Rosinha, é um alívio para os que sofrem. “Chorei muito, sentindo aquela dor das pessoas que perdem um ente querido. Não tem quem não chore. Hoje, as lágrimas secaram. Às vezes, três dias depois do enterro lembro e começo a derramar lágrimas”, conta.

Os cânticos de uma noite inteira faziam a família e até quem não conhecia o falecido cair no choro. O “Pranto de Nossa Senhora ” é um deles, considerado muito penoso. “Ninguém ficava sem chorar”, diz dona Rosinha. Amanhecia o dia com a “Ladainha Cantada”, “Ofício Cantado de Maria Valei-me”, e haja bendito até o dia raiar. Essa prática, conforme ela, praticamente não existe mais. “O povo começou a fazer bagunça nas sentinelas”, lamenta a carpideira.

´DIA DE HORROR´
Rezadeira participou de enterro do ´Padim´

Juazeiro do Norte. “Um dia de horror em Juazeiro”. É dessa forma que dona Rosinha faz referência ao dia 20 de julho de 1934. Um mar de gente seguia nas ruas de Juazeiro do Norte e as mulheres gritavam desesperadas sendo, a partir daquele momento, ovelhas sem pastor. Aos 14 anos, dona Rosinha, em meio à multidão, seguia até o Socorro para enterrar Padre Cícero. “Foi o dia mais triste”, lembra.

Tem gente, segundo ela, que não acredita, mas chegou a participar de missas onde estava presente o “Padim”, naquele momento suspenso de ordens. Não podia celebrar, mas estava rezando de joelhos, assistindo outro sacerdote fazer a celebração. Comungava. Era um cidadão comum. “Uma prova de humildade do Padre Cícero”, diz dona Rosinha.

Na Matriz de Nossa Senhora das Dores, uma zeladora presente. Amiga de monsenhor Murilo de muitos anos. Ele sempre a visitava em sua casa e no dia 23 de dezembro fazia a renovação. “Rosinha, tu vai viver muito tempo ainda saltitando nessa ladeira do Horto”, dizia o monsenhor.

E dona Rosinha, cheia de vida, logo cedo, às 4 horas, levanta, faz o café “para esquentar as carnes” e pega na palha, trançando o chapéu. Este é o seu passatempo, até que chegue o próximo portador.

Elizângela Santos
Repórter