20 fevereiro 2008

Romeiros voltam sem ter conhecido a catedral de Crato - por Armando Lopes Rafael

Hoje, 20 de fevereiro, diversos ônibus conduzindo romeiros que visitam Juazeiro do Norte, estiveram na catedral de Nossa Senhora da Penha, em Crato. Infelizmente, em virtude das obras de colocação do novo piso na igreja-mãe da diocese de Crato, os visitantes não puderam percorrer o interior do vetusto templo. O término dos trabalhos do novo piso da catedral de Crato está previsto para dentro de 30 dias.
Os ossos foram encontrados por operários nas proximidades do altar (Foto: LIA DE PAULA 29/5/2005)

Tem chamado a atenção o crescente número de ônibus – conduzindo romeiros do Padre Cícero – estacionados na Praça da Sé, no centro de Crato. O que eles vêm ver na Catedral de Nossa Senhora da Penha? É que naquela igreja ainda hoje é preservada a pia, na qual o Padre Cícero Romão Batista teria sido batizado em 8 de abril de 1844. Por iniciativa do Cura da Catedral, Padre Francisco Edmilson Ferreira Neves, a histórica pia batismal foi restaurada e numa parede da capela batismal foi colocado um quadro com fotocópia do registro de batizado do Padre Cícero.

Aliás, a vida desse sacerdote é rica em episódios controversos. Um deles é a data do seu nascimento. No quadro que o Cura da Catedral de Crato colocou na capela batismal, fotocópia tirada da folha 61 do Livro de Batizados de 1843 a 1845, consta:

“Cícero, filho legítimo de Joaquim Romão Batista Meraíba e de sua mulher Joaquina Ferreira Castão. Nasceu em vinte e três de março de 1844 e foi batizado pelo pároco solenemente com santos óleos nesta cidade do Crato em oito de abril do mesmo ano. Foram seus padrinhos seu avô paterno Romão José Batista e Antônia Maria de Jesus, do que para constar mandei fazer este assento em que me assino. Manuel Joaquim Aires do Nascimento”.

Como se sabe, o nascimento do Padre Cícero foi sempre comemorado a 24 de março. Quando de sua estada em Roma, em carta datada de 24 de março de 1898, endereçada a sua mãe, o próprio Padre Cícero escreveu: “Hoje, que faço 54 anos e véspera da anunciação da Mãe de Deus...”.

Os que escreveram sobre este sacerdote interpretam esta divergência de data cada um a sua maneira. Otacílio Anselmo via nessa troca um sinal da “vaidade doentia” do sacerdote, com o intuito de vincular seu aniversário natalício ao dia 25 de março, quando a Igreja Católica festeja a Anunciação à Virgem Maria. Já o médico-historiador Irineu Pinheiro, autor de “Efemérides do Cariri” fez ali constar: “Sempre sua família, seus amigos e ele próprio festejaram seu aniversário natalício no dia 24 de março...”.

Controvérsias à parte, o registro no livro de batismo dando a data de 23, ao invés de 24 de março, poderá ter sido apenas um lapso normal, bastante corriqueiro, fruto de engano na informação ao vigário Manuel Joaquim Aires do Nascimento, ou mesmo simples lapso de transcrição.










Espetáculo da natureza - Garças-vaqueiras retornam ao Cariri

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Garças no ninhal em Milagres. Durante o dia, a luta é pela sobrevivência. As aves se espalham nas várzeas do Cariri, alimentando-se de insetos (Foto: Antônio Vicelmo)

O espetáculo maior acontece no fim da tarde, quando voltam para os ninhos a fim de se reproduzirem

Milagres. Um espetáculo da natureza que encanta e emociona. As garças-vaqueiras estão de volta ao Cariri, tingindo de branco a paisagem verde do inverno. Chegaram como a Asa Branca no ronco do primeiro trovão e, seguindo a sina do retirante nordestino, vão embora depois das chuvas, à procura de alimentos noutras paragens. O ninhal está localizado na confluência dos municípios de Brejo Santo, Milagres e Abaiara, no Sítio Cajueiro, nas margens da CE-293.

Ali, as garças montaram o seu espetáculo que é encenado, no fim da tarde, quando voltam para os ninhos a fim de dar continuidade a uma das mais emocionantes cenas da natureza, a reprodução, o mistério da vida, a continuidade da espécie. Durante o dia, é a luta pela sobrevivência. As garças se espalham nas várzeas do Cariri, alimentando-se de insetos. É o controle biológico natural.

O agricultor Pedro Ramos da Silva, que mora ao lado do Ninhal, diz que as garças não incomodam. “Ao contrário, elas devoram as lagartas que prejudicam a lavoura”, afirma o lavrador, acrescentando que, depois que as garças chegaram, não apareceu nenhuma lagarta em sua roça de feijão.

O proprietário do terreno onde está localizado o ninhal, Vianey Sampaio, reclama da onda de moscas trazidas pelas garças. Estes insetos, de acordo com ele, estão impedindo a engorda do gado.

Companhia

Apesar do prejuízo, o agropecuarista gosta tanto da companhia das garças que chega ao ponto de espantar os gaviões, predadores naturais que rondam os bandos, pois eles comem os filhotes. Os biólogos advertem que espantar os gaviões é errado, quebra a cadeia alimentar. E é bom que se diga, apesar de serem milhares, as garças não causam problema ao meio ambiente. Pelo contrário. “Elas acabam atuando no controle da população de insetos”, diz o professor de Zoologia da Faculdade Juazeiro do Norte, Francisco Amarildo Pereira.

A dona-de-casa, Neiane Sampaio Cruz, reclama do mau-cheiro deixado pelas aves. Ela diz que a fedentina é insuportável. “Além disso, as moscas têm uma picada parecida com mutuca. Mesmo assim, o espetáculo oferecido pelas garças é gratificante”.

Esta semana, uma equipe de biólogos da Universidade Regional do Cariri (Urca) esteve no ninhal, fazendo um estudo sobre o comportamento das garças. As pessoas que moram nas proximidades esperam uma informação sobre os males que as aves podem causar à saúde humana.

Aparecimento

O professor Amarildo, que é biólogo, informou que ainda não sabe o motivo do aparecimento dessa espécie na região do Cariri, é uma incógnita, haja vista a escassez de informação sobre essa ocorrência no Estado do Ceará.

“É provável que o seu deslocamento para a região esteja relacionado com o período chuvoso do Cariri e regiões vizinhas, proporcionando-lhes alimentos, formando assim um habitat adequado”.

Apreciar a beleza natural de um ninhal de garças, segundo Amarildo, pode parecer piegas, mas preservar é uma motivação fundamental, já que o perigo representado pelas extinções das espécies pode ser estendido a todos.

Enquete
A importância das garças para os moradores

Neiane Sampaio
Dona-de-casa
'Mesmo com a fedentina, o espetáculo oferecido pelas garças é gratificante para quem pode presenciá-lo´.

Vianey Sampaio
Agropecuarista
'Cheguei ao ponto de espantar os gaviões, predadores naturais que rondam os bandos, pois eles comem os filhotes´.

Pedro Ramos da Silva
Agricultor
'As garças não incomodam. Pelo contrário, estas aves devoram as lagartas que prejudicam a lavoura´.

Francisco Amarildo Pereira
Professor de Zootecnia
'Apreciar a beleza natural de um ninhal de garças-vaqueiras pode parecer piegas, mas preservar é uma fundamental´.

Antônio Vicelmo
Repórter


Mais informações:
Professor Francisco Amarildo Pereira
Rua Walter Roriz, 80 - Jardim Ceará
(88) 3555.1362

Fonte: www.diariodonordeste.com.br