16 fevereiro 2008

O PISTOLÃO - Por: Francisco Leopoldo Martins Filho


O Pistolão, ou seja, a utilização de prestígio político em benefício particular é muito conhecida pelos brasileiros. Já não se admite, numa sociedade democrática de direito, que os interesses de um indivíduo, de um grupo, de um partido, se preponham aos interesses públicos. A vontade do povo, tal como se expressa nas urnas, será mais provavelmente atendida se os cargos administrativos forem ocupados à base de habilidades, sem cogitar de convicções políticas ou por conveniência pessoal, e com a criação de um serviço público que siga fielmente as diretrizes de qualquer partido que esteja no Poder.
Tornou-se, por exemplo, prática corriqueira e contumaz, diante da proibição pela Constituição Federal de 1988, de investidura em cargo ou emprego público sem prévia aprovação em concurso público, à celebração de “convênios” com entidades diversas com o fito de o Município contratar estagiário e cede-los ao Fórum de Justiça da Comarca para atender à solicitação de Juizes.
A contratação de pessoal por tempo determinado, conforme disposto na Constituição Federal, art. 37, inciso IX, visa ao atendimento de necessidade temporária de excepcional interesse público. A demanda de ingresso de pessoal para desempenho de serviço público, verificada em órgão do Poder Judiciário, no nosso entendimento, não se constitui em hipótese a ser albergada por lei que regulamente a contratação por município para atender à necessidade temporária de excepcional interesse público, com exceção à prestação de serviço em cartório eleitoral, durante o período eleitoral, desde que observado o prazo de 1 (um) ano, prorrogável, não excedendo a 1 (um) servidor por 10.000 (dez mil) ou fração superior a 5.000 (cinco mil) eleitores inscritos na Zona Eleitoral, bem como as demais disposições legais (art. 365 do Código Eleitoral e Lei Federal nº. 6.999/82).
A rigor, escapa à estrita competência municipal suportar despesas com a cessão de servidores municipais para atender a deficiências de pessoal do Poder Judiciário estadual, porquanto os servidores municipais devem exercer suas atividades nos órgãos e entidades as que estão vinculados e nas atribuições dos respectivos cargos, razão da admissão no serviço público municipal. Ademais, a cessão de servidores municipais ao Poder Judiciário acarreta inúmeros inconvenientes à imagem de lisura do poder judicante já que os susos citados servidores na sua maioria trabalham dando impulso a atos de andamento e expediente processual o que além de favorecer informações privilegiadas aos seus pistolões, podem dificultar o regular andamento dos processos instaurados em desfavor do município ou gestores.
Na verdade esta artimanha é para converter em substituto de dinheiro na compensação a milhares de trabalhadores que ajudam os partidos a vencer as eleições. Os empregados através do apadrinhamento são utilizados para construir máquinas políticas ou serem usados como “delatores” de processos adversos à municipalidade ou até mesmo a gestores municipais.
Eliminada uma possibilidade de pressão, pela Magna Carta de 88, ficou outra. A do Pistolão para a carreira. E ai é que entram em ação os padrinhos de promoção, aos quais se atribui a famosa expressão “o negócio é você entrar, o resto eu arranjo”. Ai em vez de carreira nasce o carreirismo, próprio a postos rendosos, sem nenhuma preocupação pelo aperfeiçoamento profissional. Os efeitos do Pistolão tanto trazem prejuízos à eficácia da organização quanto prejuízo pessoal aos competentes.
Há uma forma de deslealdade e corrupção muito mais sutil do que as formas óbvias de que geralmente ouvimos falar, e que é, até certo ponto, inconsciente. Consiste em uma falta de lealdade ao interesse geral, resultante de lealdades particulares em conflito.
Numa operação Pistolão, geralmente se destaca três figuras. O padrinho, que, conforme a situação adota o prestígio político ou as relações de amizade. O afilhado, quase sempre incompetente, um medroso diante da vida. E o intermediário, um diretor ou chefe, cúmplice, às vezes fraco ante as pressões.
O triângulo é terrível, suas três pontas, agudíssimas, furam qualquer plano correto que interesse ao coletivo.
Eles vêm diminuindo sua área, mas é preciso não esquecer deve ser desmantelado definitivamente. Quando surge a mentalidade de que a democracia só se fortifica na medida em que democracia é impessoalmente eficiente, velhos processos paternalistas entram em colapso.

Francisco Leopoldo Martins Filho
Pós Graduado em Direito Penal
Especialista em Danos Morais
E-mail: leopoldo.advogado@ig.com.br

OAB/CE 10.129
Fone: (XX85) – 9982-3843 / (XX88) – 3586-2001)
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Vale?


O prefeito Sanderval Bandeira pareceu preocupado naqueles dias. Seus secretários imaginaram que podia se tratar de alguma pendência familiar, alguma infuca de D. Generosa que, apesar do nome, virava uma cascavel de guizo cheio quando descobria alguma tramóia do nosso edil. O prefeito mantinha algumas gambiarras na redondeza, mas eram mais escondidas do que quenga de pastor. Seu secretariado nunca imaginou que as preocupações tivessem alguma causa ligada à administração de Matozinho. Sanderval simplesmente tinha o Fundo de Participação da cidade, como uma mera extensão da sua conta bancária. Montara uma quadrilha e saqueava os cofres matozenses sem nenhum pudor. O contador arrancava todos os cabelos da cabeça para fechar as contas no final do ano, tanto que era conhecido na vila pelo apelido de Mandrake. No último final de ano, já louco com tanto exercício de prestidigitação e ilusionismo , deu com a compra de um touro de raça para fazenda de Sanderval, além de um calção de banho caríssimo, coisa de mais de setecentos reais,feita, como sempre com dinheiro público. Como diabos ia colocar legalmente aquelas aquisições em meios aos afiados dentes da Lei de Responsabilidade Fiscal ? Mandrake procurou o edil e lhe explicou a impossibilidade de enquadrar aquelas compras nas pautas de Contabilidade Pública. Sanderval , resolveu salomonicamente a questão:
--- Que besteira é essa Mandrake ? Você é ou não contador ? Coloque a compra do touro na Secretaria de Tourismo e o calção coloque como gasto da Secretaria de Edu-calção! Pronto !
Com tamanha capacidade de contorcionismo, ninguém sonhou que os motivos da sisudez de Sanderval tivessem causa ligada à administração da cidade. À tardinha, o prefeito resolveu, por fim, reunir todos os correligionários que ocupavam cargos de confiança, naquela administração que carregava o auto-explicativo slogan : “Governando para Nós”. Portas fechadas e travadas, um Sanderval com cara de chupão de groselha abriu a alma. Lembrou a todos que há exatamente dois anos, para facilitar os gastos da máquina pública matozense, havia criado o Vale-Vale. De posse de um cartãozinho padronizado, assinado pelo prefeito, todos os secretários podiam fazer vales no comércio de Matozinho e arredores e a prefeitura se comprometia a pagar, após os devidos empenhos, a cada final de mês. Estava implícito que os gastos deveriam ser para as necessidades básicas de cada secretaria , já que Sanderval acreditava , piamente, nos seus funcionários. A experiência havia sido tão boa que aos poucos o Vale-Vale foi se estendendo para os demais escalões administrativos e até Pedro Tripa Velha que era auxiliar de limpador de tripa no matadouro da cidade, possuía um daqueles cartãozinhos mágicos. O problema, explicou Sanderval, é que vereadores da oposição, numa ciumeira danada, denunciaram o Vale-Vale no Tribunal de Contas da capital e como Sanderval não se bicava com o atual governador, mandaram vários auditores para fazer uma devassa miserável nas contas da sua administração, por mera perseguição política. Recebera , naquele dia, uma cópia do Relatório Final da Auditoria e, o pior, os vereadores de oposição tinham em mãos uma outra cópia há mais de dez dias e tinham enchameado em toda Matozinho as pequenas irregularidades encontradas.
Abriu uma resma de páginas que mais parecia uma apostila de Direito Constitucional e começou a enumerar as deformidades. A Secretaria de Igualdade Religiosa , criada para diminuir a briga entre o pessoal do Candomblé, da Igreja Católica e os Protestantes, encabeçada por Pedro Incelença , ligado à Seita dos “Zabelês Encarnados”, emitira em vales, só no ano passado, mais de sessenta mil reais, a maior parte em bares e na Boate Piriquitão , ali na Rua do Caneco Amassado. A Secretaria para Extinção da Pobreza, liderada pela elegante Sra. Matilde Bandeira, lançara mais de cem mil reais em vales , principalmente na compra de maquiagem, de vestidos , perfumes e sapatos e em salões de beleza. A Secretaria de Educação soltara mais de setenta mil reais em vales na compra de Revistas Masculinas, Aluguel de Filmes Pornôs e na aquisição e distribuição de CD´s de Bandas de Forró. O Secretário de Cultura e Esportes , Zequinha Bilu, por sua vez, largou mais de oitenta mil reais em vales principalmente na aquisição de quebra-queixo, passa-raiva, cavaco chinês e cavalos, possivelmente pensando em implementar o hipismo na região. O mais esquisito, no entanto, aconteceu na Secretaria de Saúde, Mundim Cibalena, o Secretário, torrou mais de cento e vinte mil reais em vales na compra de cigarro, pinga e , pasmem vocês, dois milhões de supositórios.Sanderval , então, explicou que o problema maior não se atinha às compras, mas ao desgaste político, pois a oposição já contava e aumentava as peripécias acontecidas com o Vale-Vale , em toda Matozinho. Pediu, então, que todos encontrassem, rapidamente, explicações convincentes para os gastos.
A elétrica língua do povo já chamuscava, àquelas alturas, as autoridades políticas da cidade. À noite, na praça da matriz, Rui Pincel, o filósofo da vila, fez o mais abalizado apanhado da questão do Vale-Vale :
--- Só um doido ou um cabra sabido demais, para criar um negócio desses. Estes secretários não têm condição de fazer vale nem com o dinheiro deles, quanto mais usando o dos outros, a fundo perdido ! Com pólvora alheia ninguém toma chegada ! O prefeito Bandalheira desta vez se superou ! A coisa foi tão feia que até Antonio do Vale, dono daquela oficina de consertar bicicleta, depois do Vale-Vale, resolveu mudara o nome, agora só quer ser chamado de Tõin das Bicicletas . De todas estas compras doidas feitas com os vales, pelos apaniguados do prefeito, só existe uma que eu acho que foi extremamente necessária: a dos dois milhões de supositórios. Depois de tanto fumo no povo de Matozinho, é bom um refresquinho no fiofó, num é seu Mundim Cibalena ?

J. Flávio Vieira

Ecologicamente correta



Quando Samanta conheceu Roque, durante um verão na Bahia, foi um espetáculo. O homem parecia um deus de ébano manobrando aquela escuna enorme como se estivesse em um Fusca. Tudo começou depois que a paulista workaholic se permitiu tirar férias após três anos de trabalho estressante numa empresa de importação e exportação. Estava à beira de um ataque de nervos quando seu médico lhe receitou dez dias de natureza pura. Era isso ou embarcar numa futura ponte de safena. E lá se foi Samanta, muito a contra gosto, branca como leite, hibernar na pousada perdida de uma praia deserta.
Na primeira noite, ela se surpreendeu: o barulho do mar embalou seus sonhos por 14 horas seguidas. No segundo dia, meio sem saber o que fazer com tantas horas livres, resolveu explorar a região. Acabou descobrindo um passeio pelas ilhas da redondeza. Estava no cais aguardando para em barcar na escuna “Rompe Mundo” quando um braço de pescador surgiu à sua frente, oferecendo amparo para que ela não perdesse o equilíbrio. A atração entre ela e Roque foi mútua. Samanta sentiu um arrepio ao fazer contato com aquele corpo forte e se dutor. Com um sorriso alvo e simpático, Roque, o capitão, desejou a todos boas-vindas, puxou a âncora e partiu sem tirar os olhos dela. O passeio foi inesquecível. O sol, o céu, o mar, as ilhas, a caipirinha de pitanga, o coco, o peixe na brasa, o bronzeado, a aragem que vinha do mar, o balanço das on das. Ela estava se sentindo no paraíso.
Aos poucos, seu cotidiano em São Paulo tornou-se uma imagem turva no fundo da memória. Nada mais tinha importância a não ser aquele momento mágico que ela estava vivendo. Os dias que se seguiram não foram diferentes. Samanta deu início a um tórrido romance com o capitão, com direito a sexo no convés sob a luz da lua, peixinho assado na areia de uma praia deserta, amor na rede da varanda e até coco tirado do pé. Estava esquecida do tempo e do espaço quando chegou o dia de ela voltar para os números, faturas e índices.
De volta a São Paulo, continuou a se corresponder com o amado. Mas não agüentou de saudade e decidiu mandar uma passagem para o deus de ébano. Foi um desastre. A magia dos trópicos começou a se diluir no aeroporto. Toda a elegância, charme e sedução de Roque tinham ficado na Bahia. Em São Paulo, ele parecia inadequado, não casava com a rapidez da metrópole, era um peixe fora d'água.
Samanta tentou dourar a pílula. Saiu com ele para fazer compras, mas não havia Daslu que desse jeito. O cara combinava só com Havaianas, bermuda e camiseta. Qualquer coisa a mais ficava fora do tom. Além disso, ele não sabia se comportar socialmente e não tinha papo com os amigos dela. Na cama, o tesão foi diminuindo até acabar de vez, quando ele, encantado com os confortos do apartamento de Samanta, começou a trocar o sexo pela televisão.
Depois que Roque se foi, Samanta desabafou seu desencanto com uma amiga que viajava sempre em férias pelo Brasil. Ouviu que namoro regional é namoro regional. Tirar o cara do hábitat destrói a paixão. A amiga tinha aprendido isso anos atrás, quando se apaixonou por um peão em Barretos. Hoje, ela já sabe que mulheres metropolitanas são mais flexíveis a parques temáticos. Entram no jogo e brincam de mulher de peão ou de pescador. Mas o inverso não acontece: “Da próxima vez que você se apaixonar por um cara de outro reino, deixe ele lá, na terra da fantasia. Nunca traga para o seu mundo um príncipe porque ele vira sapo”, aconselhou a amiga.
Samanta, que tinha tomado gosto por férias, prometeu a si mesma que, caso rolasse alguma coisa no próximo réveillon, em Fernando de Noronha, agiria de forma ecologicamente correta: o que for de Noronha fica em Noronha. Romances da fauna e flora locais devem ser preservados e jamais retirados do seu ecossistema.

Patricya Travassos é atriz, apresentadora do programa “Alternativa Saúde”, do canal GNT, e autora do livro “Esse Sexo É Feminino!” (Editora Símbolo/ O Nome da Rosa, 120 págs.)

I Festival Nacional de Cinema Ambiental e Eco-Cidadania - FAUNA


O I Festival Nacional de Cinema Ambiental e Eco-Cidadania - FAUNA acontecerá de 23 a 27 de maio de 2008, na região do Cariri (CE), com sede na cidade do Crato, estendendo-se pelas cidades de Juazeiro, Barbalha e Nova Olinda. O FAUNA CARIRI é um evento com a missão de incentivar as ações de promoção da eco-cidadania utilizando o audiovisual como referência principal. Pretende, também, contribuir efetivamente para a conscientização dos cidadãos na busca de uma nova aliança que assegure a todos os seres vivos e aos ecossistemas integridade, dignidade e direitos intrínsecos. Com um formato que o configura, já nesta primeira edição, como o maior festival audiovisual com temática ambiental do Nordeste, o FAUNA CARIRI terá a "água" como tema principal abordado em cinco mostras de cinema, dentre as quais uma competitiva nacional e uma internacional, cinco oficinas relacionadas ao ofício cinematográfico e à arte-educação, um workshop sobre turismo ecológico e um grande Seminário intitulado "Os Efeitos do Aquecimento Global e a Oferta Hídrica no Semi-Árido Nordestino", com a presença dos mais importantes especialistas no assunto. Durante o I FAUNA CARIRI serão realizadas várias ações educativas voltadas para incentivar a preservação ambiental e cultural do Cariri, sempre buscando inserir o ser humano no contexto ecossistêmico. As manifestações artísticas como pastoris, dramas, violeiros, bandas cabaçais, grupos de pífanos, mestres cordelistas, xilogravuras, mamulengos, ceramistas são ingredientes desse grande Caldeirão Cultural Nordestino, alicerçado na tradição dos saberes e fazeres populares. Por tudo isso o Cariri se constitui num rico tesouro ambiental e cultural da humanidade, que deve ser preservado. O Festival pretende, ainda, se inserir no calendário cultural do Ceará como um evento com a missão permanente de dar visibilidade e incentivar ações que tratem de temas relacionados ao meio ambiente.


Por: Nívea Uchoa
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Não minto - Eis a Prova colhida por mim !

Contra FOTOS não há Argumentos !

Olá, amigos,

Algumas pessoas se irritaram comigo pelo fato de eu ter dito aqui no Blog do Crato que a reforma do canal do Rio Grangeiro de 2003/2004 teria sido feita com Tijolo Furado. Em OFF até me acusaram de mentiroso. Fui averiguar a questão. Contra fatos não há argumentos. E principalmente quando se está munido da verdade das fotos.

Aqui está a prova de que eu falo a verdade, quando disse que lá foi realizada uma reforma de tijolo furado, num local aonde o canal, quando das enchentes, precisa ser de absoluta SOLIDEZ, e que os recentes problemas por que passou a parte recém-reformada do canal se deve em grande parte ao uso de tijolo furado e frágil. Resta ver e ouvir o que os Senhores engenheiros que projetaram aquela obra têm a dizer sobre o assunto.

Uma das fotos tirada por mim no dia seguinte, de uma das barreiras:


Reparem neste setor que está quebrado e ameaça cair ( foi assim que todos os outros racharam e posteriormente caíram com as enchentes ):

Agora, percebam o mesmo setor da foto de modo ampliado:


Mais ampliada:


E aí ??

A Solução para o Problema:

Procurei saber do atual gestor como irá fazer para resolver o problema. Ressalto aqui que também compartilho da opinião de alguns internautas de que as placas endereçando o problema ao gestor anterior não deveriam ter sido colocadas, e na minha opinião devem ser removidas imediatamente.

Consultado sobre o assunto, o prefeito do Crato Samuel Araripe declarou a seguinte nota:

"As placas foram colocadas no local, não no sentido de empurrar a responsabilidade com a barriga para a gestão anterior, como se não fôssemos resolver o problema, mas no sentido de alertar a população de que aquela obra não ocorreu na nossa gestão. Não queremos que paire nenhuma dúvida sobre isso. Agora, quero aqui deixar bem claro que nós estamos trabalhando no sentido de solucionar o problema, já há homens trabalhando no local, e já estou buscando os recursos para isso. Essa obra, se muito bem-feita, sairia aos valores de hoje, algo em torno de 10 milhões, para a recuperação definitiva. Para que se tenha uma idéia, o IPTU de um município como o Crato é em torno de mais ou menos 400.000 reais. Completamente insuficiente. Temos que buscar soluções na esfera estadual e federal. Não torcemos para que o pior aconteça. Não é verdade! Seria muita incompetência de nossa parte querer o mal para os Cratenses. Seria mais proveitoso ao município se esse acidente não houvesse acontecido. Todos ganhariam. Ganharia o povo, que não teria seu patrimônio destruído. Seria bom até para a administração atual, pois não precisaríamos refazer o que já foi refeito. Mas aconteceu. Paciência. Não foi nossa construção nem no nosso tempo. Mas quero deixar aqui bem claro que estamos aí para resolver todos os problemas da cidade, pois nós estamos aqui para isso. "

Samuel Araripe - Prefeito do Crato.

...
Resumindo: Espero que agora, os administradores, engenheiros e quem mais for necessário, possam acordar para o fato de que uma construção de um local por onde passa água em grande velocidade, e onde o volume é fantástico, só devem ser empregados materiais de grande durabilidade. Eu diria de primeira qualidade. Pois de nada adianta fazer e a água levar !

Por: Dihelson Mendonça
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A Loucura em Liberdade, um artigo de Cleide Correia sobre a loucura em Crato


Por Carlos Rafael Dias

O nº 5 da revista Tendência – Caderno de Ciências Sociais, publicação do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Regional do Cariri (URCA), lançada em setembro de 2007,- traz um interessante artigo de autoria da professora Cleide Correia de Oliveira(1), sob o título “A Loucura em Liberdade: Vivência e Convivência”(2). A partir da identificação de personagens considerados diferentes, ou “loucos”, que circulavam livremente nos espaços públicos da cidade do Crato, no período de 1930 a 1970, o artigo é um estudo sócio-histórico ancorado no método da história oral. No artigo, “a loucura narrada no cenário de Crato indica a existência de uma multiplicidade que revela a complexidade, a diversidade transcendendo o paradigma psiquiátrico tradicional, cujo princípio fundamental é a idéia de que o louco deve ser isolado da sociedade”. Este paradigma se apóia na idéia de que a intervenção médica para o tratamento da loucura deve prescrever necessariamente o isolamento do doente em casas especializadas – os temidos hospitais psiquiátricos. Somente por este aspecto, o artigo já teria o seu inegável valor como literatura médica. No entanto, para quem viveu em Crato no espaço cronológico escolhido pela autora como recorte de tempo , o artigo vale, e muito, pelo resgate de uma série de personagens que, pela singeleza de suas vidas, nunca interessaram à história oficial, mas que permanecem preservadas indelevelmente no imaginário de toda uma geração. O período abordado foi escolhido por abrigar dois marcos na história da saúde do Crato: a fundação da primeira instituição hospitalar na região do Cariri, o Hospital São Francisco de Assis, em 1936 (quando a sociedade local ainda convivia com a loucura em liberdade), e da criação do Hospital Psiquiátrico “Casa de Saúde Santa Tereza”, em 1970 (quando a loucura foi aprisionada).
Com a coleta de depoimentos de pessoas que conheceram os ditos personagens considerados diferentes, o artigo resgata a história de vida de nove loucos, verdadeiros tipos populares que marcaram época em Crato: Maria Caboré, Pernambucana, Tandôr, Compadre Chico, Dona Joaquina, Baixeirinha, Moipen, Pedro Cabeção e Antonio Corninho. Os relatos, com suporte de fontes secundárias, enfatizaram as características, as vivências e convivências desses personagens e revelaram situações tanto trágicas quanto cômicas. Esses “estranhos” personagens viviam em casas velhas, em ruínas e praças públicas, apresentando comportamentos que fugiam das normas sociais e dos mecanismos institucionais de controle.

SONHOS, MANIAS, DRAMAS E PAIXÕES

Entre esses personagens, alguns chegaram a transcender suas vidas de excentricidade e sofrimento, como foi o caso de Maria Caboré, “uma morena com estatura mediana, que gostava de usar pulseiras, bijuterias e colar doados pelos moradores da cidade. (...) Tinha um desejo muito forte de contrair núpcias com o “Rei de Congo”. As crianças da época conheciam esse desejo e exigiam que ela deglutisse objetos, como bola de gude, frutas pequenas e outros, em troca do casamento. Sendo assim, essa personagem fazia um grande esforço para engolir tais objetos, para casar-se com o referido Rei, fruto da sua imaginação.” Depois de morta, vitimada pela peste bubônica, na década de 1930, Maria Caboré passou a ser venerada como dispensatária de milagres. Até hoje, o seu túmulo, no dia de finados, é visitado por grande número de pessoas, que deposita flores e velas em retribuição às graças alcançadas.
Compadre Chico é outro personagem que merece destaque, pela sua fixa crença de que o regime monárquico seria restaurado no país e pela sua mania de planejar como este fato se daria. Com o seu imaginário subalterno, a quem chamava de Frutuoso, “planejava batalhas, nomeava comandantes, designava o local em que as tropas deviam postar-se para o ataque e, às vezes, marcava a data em que o Crato seria saqueado (...) em prol do retorno do imperador.”
O drama, não como uma ficção artística, mas como uma realidade cotidiana, sempre foi uma constante na vida desses personagens, como aquele vivenciado por Dona Joaquina, que viveu no Crato entre as década de 1940 e 1950. Trabalhava, junto com a filha, como doméstica, mas um dia abandonou a família e foi morar na Praça da Sé, sob um oitizeiro. Diariamente, sua filha deixava-lhe comida e um dia foi buscá-la quando o mal que a vitimou lhe acometeu.
Nas décadas de 1950 e 1960, um homem de estatura alta e de aspecto moribundo vagava pelas ruas da cidade, de porta em porta, com um prato de flandre já gasto, girando em um dedo da mão direita enquanto repetia, com voz diferente, uma locução: Moi... Moi... Moi... Moipen... Moipen... Moipen. Por isso, todos o conheciam por Moipen, sabendo, devido a sua inclinação religiosa, que a estranha palavra era uma corruptela que significava “uma esmola para Nossa Senhora da Penha”.
Para finalizar, não poderia deixar de citar outros dois personagens enfocados no artigo, responsáveis por situações de rara comicidade: Pedro Cabeção e Antonio Corninho.
Pedro Cabeção, assim conhecido devido a avantajada cabeça, ainda mais desproporcional devido ao seu corpo miúdo, tinha dois sonhos, que só veio a realizar depois de passar a perceber uma renda fixa por conta da aposentadoria: conhecer a estátua do Padre Cícero, na vizinha cidade Juazeiro do Norte, e adquirir um aparelho de rádio. Pedro vivia com uma tia que ao chegar em casa viu-lhe quebrando o rádio com uma pedra. Indagado por que fazia aquilo, Pedro respondeu que era por causa do rádio, que não parava de lhe aperrear, perguntando o tempo todo: você viu o cabeção por aí? Na verdade, ele se referia a um refrão de uma canção muito tocada pelas emissoras de rádio no início da década de 1970(3).
Já Antonio Corninho, que tinha ponto fixo na Rua da Vala (hoje rua Tristão Gonçalves), ficava bravo quando lhe tratavam pelo depreciativo sobrenome. Incontinenti, retrucava: “melhor ser corno do que ser prefeito. Prefeito é só quatro anos e corno é pra vida toda”. Não se sabe, porém, se a alcunha foi por conta de algum trauma sentimental, devido a uma infidelidade que lhe foi atribuída. Mas, os relatos sobre ele atestam a existência de um caso amoroso que ele manteve com uma louca a quem apelidavam de Macaúba, “a qual sempre aparecia grávida. Os dois viviam em eterna lua-de-mel, na rua Tristão Gonçalves, nos batentes do prédio onde funcionava o escritório da VASP, causando transtornos aos transeuntes.”
Lembro do dia em que Antonio Corninho morreu e como o fato teve uma grande repercussão na cidade.

Notas
1. Enfermeira. Professora Mestra Adjunta do Departamento de Enfermagem da Universidade Regional do Cariri – URCA, Crato – CE. cleide@urca.br.
2. Prêmio Jane da Fonseca Proença, 1º lugar – melhor trabalho de Enfermagem Psiquiátrica, Saúde Mental e Relacionamento Interpessoal – 54º CBEn.
3. Música “O Cabeção” de Roberto Corrêa e Sylvio Son, gravada pelos Golden Boys.

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Rede Blogs do Cariri

Olá, Pessoal,

Dando continuidade ao nosso projeto de expansão, levo até o conhecimento de todos que estamos adotando uma LOGO que já está embutida em todos os novos Blogs por mim desenhados, e podem também ser colocadas em outros blogs da região que o desejem, e possamos fazer a "troca de figurinhas". O Blog em questão coloca a logomarca ( que no momento está provisória e aponta para o Blog do Crato ), e nós também fazemos periodicamente a sua divulgação no Blog do Crato e no website centralizador.

O Objetivo é interligar os diversos blogs da região do cariri e de uma maneira que convirjam para uma central que dali será possível localizar todos ou a maioria dos blogs do cariri. A logomarca aponta provisoriamente para o próprio blog do crato, mas estou construindo um website centralizador de todos esses Blogs.

A logomarca ( provisória ):


Os Blogs que já fazem parte da Rede Blogs do Cariri:

Blog do Crato - O maior acervo do Crato na internet. Mais de 20.000 acessos mensais. Um blog multimídia, com TV, estações de Rádio, centenas de fotos, entrevistas, reportagens, e a responsabilidade de mais de 40 escritores dentre as mentes mais brilhantes do Cariri. Visite o Blog do Crato.

ZoomCariri. Blog conduzido por mim e o grande fotógrafo Pachelly Jamacaru, que tem por objetivo congregar todos os fotógrafos do cariri que vêm a fotografia como arte. Dicas, fotos, reportagens. Visite o Zoomcariri.


Sociedade Cratense: divulgação das fotos e eventos sociais detalhados, que exigem muitas fotos e uma cobertura ampla. Os mexericos, as novidades, e o glamour ( ! ) da sociedade Cratense. Visite o Blog Sociedade Cratense.


Blog de Wilson Bernardo: Wilson é uma incógnita. Um poeta Sui Generis que faz parte da constelação de poetas do Cariri. Um poeta que não quer ser chamado de diferente. Diferente são os outros. Ele é IGUAL... Visite o Blog Wilson Bernardo.


Blog de Abidoral Jamacaru: Um Ícone da música popular Caririense. Visite o Blog de Abidoral jamacaru.


Dihelson Mendonça. Meu Blog pessoal. Assim como minha vida, uma grande desorganização. O único blog que não pode ser chamado de Blog. Visite o blog de Dihelson Mendonça


Blog de Socorro Moreira: na minha opinião, a maior poetisa do cariri atualmente. Possuidora de uma sensibilidade que não vai só até à flor da pele, mas até os ossos, essa é minha homenagem a essa mulher de fibra, inteligente, e que retrata tão bem as coisas belas da alma. Visite o Blog de Socorro Moreira.


Blog de Mônica Araripe: Sem dúvida alguma, uma das mulheres mais marcantes que conheci nos últimos tempos. Com uma vocação inata para a filantropia, mônica expressa em cada ato, um gesto de solidariedade, sinceridade e amor ao próximo. Este Blog é dedicado a ela e a seus milhares de fãs. Visite o Blog de Mônica Araripe.


Garota Blog do Crato: Divulgando a beleza da mulher Cratense!. Visite o Blog Garota Blog do Crato.


O Clube da Besteira. Esse é um dos meus favoritos. Em parceria com jayro Starkey. Um blog de humor inteligente ( ma non troppo ), com sátiras bem-humoradas sobre a vida do homem moderno e suas inúmeras vississitudes. Visite o Clube da Besteira.


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Em construção, e para muito breve os Blogs de:

- João do Crato
- Luiz carlos Salatiel
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- Cleivan Paiva
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Informo ainda que era minha intenção fazer um Blog para Pachelly Jamacaru também, mas constatei que ele já existe. Pachelly mesmo o desenhou.

Por: Dihelson Mendonça
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Hoje no DN - Sítio Fundão - Reserva será Unidade de Conservação


Sítio Fundão

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O Engenho de Pau, ainda existente no sítio, desativado há mais de 50 anos, é atração turística (Foto: Cid Barbosa)

A 3km do Centro do Crato, o Sítio Fundão é a mais importante reserva ecológica particular da região do Cariri

Crato. O governador Cid Gomes assinou decreto tornando o Sítio Fundão, localizado neste município, Área de Interesse Social para desapropriação e criação de uma Unidade de Conservação de Proteção Integral, denominada “Parque Estadual Sítio Fundão”. A informação é do presidente do Conselho de Políticas e Gestão do Meio Ambiente (Conpam), André Esmeraldo Barreto, que se encontra no Crato acompanhando as negociações para a desapropriação da área e compra aos seus proprietários.

O governo do Estado atende à uma antiga reivindicação da comunidade cratense que estava preocupada com os freqüentes incêndios ocorridos no Fundão e a sua crescente devastação. No ano passado ocorreram dois incêndios. Um deles destruiu cerca de 40 hectares de mata nativa.

Localizado a três quilômetros do Centro da cidade, o Sítio Fundão é a mais importante reserva ecológica particular do Cariri. São 97 hectares de mata nativa, que mantém uma das mais ricas biodiversidades da região. A área é abastecida pela fonte da Batateira, que nasce no sopé da serra. Para o prefeito do Crato, Samuel Araripe, o decreto governamental atende também ao poder público municipal que, segundo afirma, tem se empenhado para conservar este “paraíso” que é o Sítio Fundão.

Além do patrimônio ecológico, o local conserva três equipamentos turísticos apontados como uma raridade. É uma casa de taipa com dois andares que, por sinal, está “caindo aos pedaços”; um engenho de pau, puxado por bois, desativado há mais de 50 anos e coberto pelo mato; e a estrutura de pedra de uma barragem construída pelos escravos.

Interligação

O presidente do Conpam, André Barreto, que é cratense, pretende fazer a interligação da área a ser preservada com outros pontos turísticos localizados no sopé da serra do município do Crato como, por exemplo, a Cascata, formada pelo Rio Batateira e a Nascente, onde funcionou a primeira hidroelétrica do Cariri, que iluminou o Crato antes da energia de Paulo Afonso.

O Sítio Fundão foi preservado graças à consciência ecológica de seu antigo proprietário, Jéferson de Franca Alencar. Enquanto vivo, ele não permitiu a sua degradação. Hoje, com o crescimento da violência, os herdeiros perderam o controle da reserva, que vem sendo utilizada como ponto de encontro de pessoas que usam drogas. Alguns dos incêndios ocorridos na área foram classificados como criminosos.

Mais informações:
Ibama - Praça Joaquim Fernandes Teles, 10, bairro Pimenta, Crato (CE) - CEP: 63.100-000 (88) 3521.1529
Fonte: Jornal Diário do Nordeste - www.diariodonordeste.com
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