30 janeiro 2008

Máscaras

O deputado carioca Alberto Brizola apresentou, há uns três anos, projeto de lei na Assembléia Legislativa daquele estado, no mínimo estapafúrdio. Reza o tal projeto sobre a proibição do uso de máscaras durante o carnaval. Na visão do legislador, esta medida arrefeceria a onda ou tsunami de violência que tem contaminado a mais charmosa cidade do mundo. Só num único dia, na baixada fluminense, 30 pessoas haviam sido chacinadas, num massacre praticamente inédito no Brasil. Que culpa tinham ? Uma só: estavam no local e na hora errados. Nossa violência urbana consegue fazer mais baixas que guerras em países conflitados. Aqui o somatório das violências doméstica, do trânsito, do tráfico, das ruas, dos morros é suficiente para nos tornar uma nação em guerra constante. Salve-se quem puder!
É possível que, em meio a esta saraivada eterna de balas, o deputado Brizola tenha gestado esta solução mirabolante. Na visão de Alberto, os assaltantes aproveitam as festas mominas para, mascarados e inidentificáveis, cometerem seus atos ilegais. Pulularam protestos no Rio contra a lei que se mostra, claramente, inócua e tem a função única de desacreditar mais ainda a atividade legislativa neste país. Estes senhores, enfatiotados, pagos regiamente pelo povo, incapazes de destilar uma só gota de suor, deviam ao menos manter um silêncio obsequioso , ao invés de tentar mostrar tão descaradamente, sua inutilidade. Primeiro , os assaltantes do Rio já não têm pejo de cometer delitos à plena luz do dia, de rosto descoberto. Depois, como aquele massacre demonstrou, a violência, infelizmente, não acontece só no carnaval. O sangue de inocentes jorra, todo o dia, de uma fonte perene e contínua. Simplesmente o tráfico tem dado mostras seguidas de que é mais organizado que a polícia( que joga, invariavelmente no mesmo time) ,mais que o governo do Rio, que a Assembléia Legislativa. No Rio, ao contrário do que se divulga, não existe um Governo paralelo, prevalece , sim, um governo único e organizadíssimo: o tráfico.A razão de ele ter se aperfeiçoado tanto administrativamente é uma só: o tráfico assumiu todas as funções sociais que seriam da alçada constitucional do Estado. Ali, como em tantos outros locais do país, absorveu para si as funções de poder executivo, legislativo e judiciário. Tirar a máscara do folião , caro Brizola, é tão inócuo quanto cuspir no rio de lava que escorre do vulcão, na inglória tentativa de torná-lo extinto.
Ademais, se o preclaro parlamentar fosse melhor observador, descobriria que a nobre atividade de dissimular, de vestir vários papéis no palco da vida , quem melhor exerce é o político. Ninguém neste país usa tantas máscaras e desempenha tantos papéis. A mal disfarçada máscara de honesto, o adereço de profundo religioso, a maquiagem de solidário e bondoso, a fantasia de pai dos pobres, o figurino de caridoso – o político faz-se um artista na arte de representar a comédia bufa no nosso pesado cenário cotidiano. Assim, parece esquisito ver o deputado envergar uma cruzada contra suas próprias hostes, querendo proibir aquela indumentária que é a farda básica de qualquer político brasileiro : a máscara.
E não pára por aí, meu caro deputado. Gostamos todos de apreciar a espontaneidade das crianças que, quando não querem , dizem não e quando estão tristes choram e esperneiam. A civilização cobriu os adultos de escudos e disfarces. Os manuais de etiqueta e postura , as diretrizes religiosas, as regras de cunho moral são todos freios que a humanidade nos foi impondo.Assim , dissimuladamente, vamos rindo por fora e chorando por dentro. Somos delicados na superfície enquanto imprecamos palavrões intimamente. Conseguimos até amar sem amor. No fundo, todos carregamos a dualidade do anjo-demônio. Estes artifícios são talvez uma maneira de mostrar apenas nossa face angelical, amenizando o cheiro de enxofre que ameaça escapar dos nossos porões. A máscara está também, meu caro Brizola, nas bases fundamentais da sociedade.Todo mundo é um pouco zorro- Don Diego; às vezes pousa de Clark Kent, outras de Super-Homem. A face que se contempla no companheiro de trabalho, no amigo próximo, na esposa é apenas um reboco preparado para esconder o essencial, o verdadeiro—muitas vezes , talvez, porque não teríamos coragem de olhar para o fundo do abismo.
Sem a máscara, caro deputado, não existiria qualquer organização político-social. Por incrível que possa parecer , os únicos neste mundo que têm a coragem de aparecer sem nenhum disfarce, nus na crueza dos seus gestos e dos seus sentimentos , são justamente aqueles que o senhor pensa em proibir de usar uma máscara inócua num simples baile de carnaval.

J. Flávio Vieira

Vamos enviar notícias do Crato ? - Nota do Editor.


Olá, Pessoal,

Estou formulando a seção: "O Crato em Notícia", que pretendo apresentar de forma periódica, mas no Crato é meio complicado encontrar as notícias ( Vicelmo que o diga ). Seria preciso contratar repórteres ( essa é sua função - buscar notícias ).

Como não temos repórteres, dependemos de outros sites e blogs.

Peço à todos que para que as notícias não se tornem tendenciosas de só mostrar um lado da história, enviem-me outras notícias da cidade, para que possamos complementar e formar uma espécie de jornal da cidade. Mas um jornal feito com base na imparcialidade e credibilidade. Isso só é possível se todos os setores resolverem colaborar enviando notícias.

Dihelson Mendonça

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Carnaval da Saudade - Um turbilhão de Alegria - Por Álvaro Dantas

O Crato é uma cidade de inúmeras festas e esse carnaval da saudade foi um verdadeiro show de alegria, amizade e simpatia. Várias gerações estiveram unidas no salão do Crato Tênis Clube, neste último sábado, 26, para relembraros velhos e inesquecíveis bailes de carnaval da era de ouro do "Cratinho de Açucar", onde nos reuníamos com foliões daqui e de outras cidades e a animação era geral e todos, numa só família, sem nenhuma agressividade, pulando, vibrando, cantando, dançando...

E foi exatamente assim o Carnaval da Saudade: um pulo ao passado. Boas lembranças e agradáveis recordações!!! A orquestra Anos Dourados, de Peranmbuco, animou a festa e não parou um só minuto. O salão ficou cheio, a alegria foi contagiante, onde reinou um clima de paz e amizade de toda a família cratense e seus convidados. Revivemos o frevo pernambucano
e as boas e lindas marchinhas antigas. Afora isso, foi resgatado e valorizado os blocos fantasiados, os cordões, as máscaras, os colares, as fantasias e muita chuva de confetes e serpentinas, mantendo viva a alma dos carnavais de antigamente. Destaque especial foi a marca registrada do Bloco Pequifolia, liderado pelos foliões Maninho Lóssio, Bebeto Pinheiro e Antonio Honor Filho, a partir do momento do aquecimento, no bar "Cantinho do Pimenta", ao lado da pracinha, por trás do Tênis Clube. Com os estandartes nas mãos percorremos as as ruas até o clube, onde todos nós, unifomizados com camisas amarelas, gola vermelha no pescoço e nas mangas, com os dizer "Bloco Pequifolia - O Tempero da Alegria", entramos no Clube num córdão único. Cumprimentado pelo vocalista da orquestra, atravessamos o salão várias vezes e dezenas de pessoas, gente bonita, sempre alegre e feliz, acompanharam o arrastão. Sem dúvida, a atração da festa!!! Foi o primeiro Carnaval da saudade que participei e, desejando que este evento seja uma tradição no calendário social da cidade, antecipo aos demais e proponho o próximo Carnaval da Suadade para o sábado magro, no dia 14/02/2009. Merece parabéns os serviços de ornamentações do clube com formas e cores vivas, de bom gosto. Kaíka, organizador do baile, e seus colaboradores são dignos de nossos aplausos pela qualidade da festa e por ter resgatado os valores culturais da sociedade cratense em que todos nós, filhos e amigos do Crato, estivemos unidos por laços de amizade, sorriso no rosto, num momento de raro prazer. Realmente este Carnaval da Saudade foi um verdadeiro turbilhão de alegria!!!

Por: Alvim.
(Álvaro Barreto Dantas - Cratense, filho de Moacir Ribeiro Dantas e Irene
Barreto Dantas, residente em Fortaleza-CE).

* Confiram as fotos nos endereços:
www.blogdocrato.com
www.zoocariri.com
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