25 janeiro 2008

CHAPADA DO ARARIPE ERA ASSIM... COMO SERA?

Domingo nublado.
Ouvir uma boa música (Chet Baker ou Dona Ciça do Horto?)...
ler um bom livro(Saramago ou Zé Flávio Vieira?)... que nada!!
Dia de encontrar amigos num desses belos sítios que circundam a nossa cidade e comemorar ao melhor estilo caririense (baião de dois com queijo de coalho, galinha caipira afogada no pequi, cajuina, cachaça e cerveja)
os sessenta anos de um grande amigo: Jefferson de Albuquerque Jr. Só isso? Não. Também participar da produção do seu projeto em vídeo do registro da nossa memória no que sefere à Chapada do Araripe: esse magestoso cenário natural que inspira as nossas canções, a nossa poesia, os nossos espetáculos, com suas fontes,
sua fauna e flora e suas lendas. Foi bom reencontrar estes amigos que transformam o trabalho em fonte de eterna juventude:
: Jefferson Jr. Renato Dantas, Jackson (Bola) Bantim, Abidoral Jamacaru, Blandino Lobo, Catulo Teles, Fernando Garcia (vejam as fotos do dia).

O Jornal A AÇÃO e a Romanização do Catolicismo no Cariri (Parte II)

Conforme salientamos na primeira parte deste texto, o Padre Pedro de Oliveira Rocha, em sua coluna “Alfinetadas”, orientava a conduta dos católicos nas mais diversas situações da vida. Ele dedicou especial atenção ao comportamento dos fiéis durante as festividades religiosas, momentos em que os devotos festejavam os santos padroeiros.

Queremos lembrar que o intuito deste texto é apresentar uma breve discussão em torno do processo de romanização no Cariri cearense a partir do jornal A AÇÃO. Mas o que foi o processo de romanização? Em síntese podemos dizer que o processo de romanização ou de reforma da Igreja Católica foi um movimento de reação ao regime de padroado que vigorou no Brasil, períodos colonial e imperial, que “visava colocar a instituição eclesiástica brasileira em sintonia com as diretrizes da Santa Sé, já estabelecidas desde o Concílio de Trento(século XVI) e reforçadas, mais tarde, pelo Concilio Vaticano Primeiro(final do século XVI)”, escreve o antropólogo Raimundo Heraldo Maués na sua tese de doutorado intitulada: Padres, pajés, santos e festas: catolicismo popular e controle eclesiástico – um estudo antropológico no interior da Amazônia(1995).

Esse processo de reforma assentou-se sobre três pilares: a unidade e autoridade dos bispos, a disciplina do clero e a regeneração da vida religiosa do povo. Em relação a este ultimo aspecto a intenção era purificar o catolicismo brasileiro dos “excessos”, “superstições” e “crendices”. Ou seja, enquadrar o catolicismo popular conforme as regras e normas emanadas de Roma.

É nesse sentido que vamos apresentar e discutir o texto do Padre Pedro de Oliveira Rocha “Festa de Verdade”, publicado em 13 de dezembro de 1942. No texto, Padre Rocha faz uma comparação entre a Festa da Imaculada Conceição, celebrada em Missão Velha e as festas religiosas “profanizadas” pela “mentalidade pagã”. Ele inicia o seu artigo caracterizando a Festa da Imaculada Conceição: “Festa de verdade. Festa cristã. Festa como a Igreja deseja.” Em seguida ele passa a criticar as festividades religiosas que são realizadas de forma diversa da desejada pela Igreja. Nesse sentido escreve: “Festas para muitos católicos, à água de laranjeira, são aquelas em que as avenidas se carnavalizam pelo destonteamento de cabeças de ventos, fazendo das noitadas de alegria cristã noitadas de profanação do sagrado.”

A profanação dos festejos religiosos, segundo o Padre Rocha, consistia na realização de danças e jogos durante os festejos, “muitas vezes às vizinhanças da Igreja”. Seguindo com suas críticas, ele salienta: “A pretexto de maior renda ou da vitória desse ou daquele partido, empregam-se todos os meios mundanos nas festividades, não faltando, em geral, os bailes em benefício da festa promovida. (...) E acontece sempre assim: renda fabulosa, mas o número de comunhões é reduzidíssimo”.

A posição do Padre Rocha refletia a posição dos bispos do Ceará e do Brasil. As “Determinações do Episcopado da Província Eclesiástica do Ceará”, de 1941 e 1944, apresentam no primeiro título, “Santificação das Festas”, as determinações referentes às festas religiosas. Assim se expressam os bispos das quatro dioceses do Ceará (Fortaleza, Crato, Sobral e Limoeiro do Norte): “São dignos de particular louvor os nossos Vigários que têm conseguido – como tanto se tem recomendado – expungir das festas religiosas de suas paróquias a mancha da profanação como que o jôgo, o baile, as bebidas alcoólicas tentavam conspurca-las.”

Após expor suas críticas aos festejos religiosos realizados “à moda pagã”, Padre Rocha enaltece a Festa da Imaculada Conceição ocorrida em Missão Velha, enfatizando o trabalho da comissão organizadora: “A comissão promotora, constituída dos elementos da melhor sociedade e sob o controle do Revdmo. Pe. Silvino Moreira,(..?) correu cristãmente, religiosamente, eucaristicamente, segundo os desejos e o pensamento da Igreja.” E acrescenta: “A ausência dos bailes não tirou o entusiasmo nem o deslumbramento do tríduo, como costumam assoalhar os amigos da futilidade.”

Ele conclui seu artigo, expressando o desejo de que todas as festas religiosas fossem realizadas conforme a da Imaculada, em Missão Velha: “Oxalá ocorressem sempre assim, aqui e noutras paróquias, as festividades religiosas, cheias de encanto litúrgico, saturadas do espírito de fé, espargindo o odor da verdadeira santidade. Como N. Senhor não seria mais glorificado, nos seus santos e nas suas festas, se os católicos compreendessem sempre o significado cristão das celebrações do rito católico!!!”

Como podemos perceber a intenção do Padre Rocha, em sintonia com as diretrizes da reforma, era erradicar das festividades religiosas as práticas que não eram condizentes com o catolicismo romano. Na realidade, o que está por trás desse embate são dois modelos de catolicismo: o popular, vivenciado pelo povo, sobretudo as camadas populares, desde o período colonial, e o oficial, praticado pelo clero. Mas essa discussão fica para um outro momento. Em breve, em novos textos, abordaremos essa problemática.

Por Océlio Teixeira de Souza

DUAS CRÔNICAS DE PEDRO ESMERALDO

Crato precisa de novos líderes

Em priscas eras, Crato foi bafejada pela sorte. Seus filhos ilustres exerceram papel relevante na esfera sócio-político do país. Desempenharam com habilidade e bravura todas as causas referentes a independência e a liberdade. Deram a esta cidade destaque em ampla região nordestina. Iluminados pela força de energia positiva trouxeram melhoramentos, galgando com muita ênfase de um progresso acentuado.
À custa de seu trabalho ativo conseguiram trazer pequenas indústrias, enlarguecendo o caminho do emprego, que foi o pilar do adiantamento favorável ao crescimento equilibrado.
Anteriormente, esta cidade foi grande produtora da cana de açúcar apoiado, pelo reforço do trabalho de seus filhos, manteve-se o centro de apoio comercial da região do Cariri.
Hoje, não temos mais aquela energia física e mental, tudo isso causado pela fraqueza dos nossos líderes, pois com a queda da cana de açúcar já que não souberam orientar os agricultores para modernização técnica de fabricação da rapadura. Daí então Crato caiu no esquecimento político.
Observamos que devemos partir para outras atividades, após a queda da rapadura, devemos substituir pela criação do gado leiteiro. Para isto, basta empurrar o barco, que seremos contemplado com a força do trabalho. Com toda certeza sairemos desta dificuldade. Por certo, aliviaremos a economia afastando-se da pobreza com o fantasma do desemprego.
Se assim fizermos, com força de vontade, afastaremos essa velharia antiquada de nossa administração, substituindo por pessoas dignas seguindo com dignidade avançaremos uma economia ativa, cobrindo de glória, evitando o desequilíbrio financeiro desta região.
Afirmamos que ultimamente, temos muita dificuldade, tudo isto causado pelo desequilíbrio de alguns políticos que permanecem numa acefalia que não é bom falar.
Contudo não há motivos de esmorecermos, temos de lutar e partir para a guerra, com fé e perseverança chegaremos lá.

22/01/2008


Mensagem de Otimismo

Soltamos fogos após o encerramento da apuração de conjunto de votos que o eleitor cratense depositou nas urnas no ano de 2004. Vibramos pela queda de uma oligarquia arcaica que assolava esta cidade.
Por sua vez, voltaremos a repetir esse mesmo ato de rebeldia, se este prefeito continuar com alguns secretários indiferentes, ficando alheio ao desenvolvimento, prejudicando a administração no seu bom desempenho.
Observamos o povo revoltado e desanimado com essa equipe que, até agora, nada fez pelo desenvolvimento do Crato, Suas ruas esburacadas e calçamentos defeituosos impedem o trânsito livre e satisfatório. Para se ter uma idéia da situação dessas vias públicas, há ruas abertas e calçadas pelo ex-prefeito Ariovaldo Carvalho. Queremos afirmar que esses dignos chefes políticos fazem vista grossa e não cuidam de solucionar os problemas com determinação e equilíbrio de força.
Toda administração deve perceber que o bom andamento do seu trabalho depende de sinceridade e qualidade social. A nosso ver, o bom administrador deve ser assessorado por bons secretários, que sejam dignos e tenham amor ao trabalho e consideração aos seus correligionários.
Não esqueceremos jamais das diabruras do secretário de educação que, por pirraça, fechou a escolinha Maria Amélia do Sítio São José. Essa referida escola foi construída pelo ex-prefeito Pedro Felício, serviu de elo cultural de jovens e adultos livrando o pessoal do analfabetismo. Por isso esse secretário deveria ter mais atenção e procurar solucionar o problema, dando condições àquelas crianças estudarem em sua própria localidade.
Por essa razão, queremos lembrar ao ilustre homem público que devem ser colocados para assessorá-lo pessoas capacitadas e versáteis em sua área e não gente vindo de outra parte, sem entender nadinha “no assunto escolar”.
É necessário que haja uma mudança no quadro administrativo, extinguindo algumas secretarias, pois assim poderemos respirar melhor e elevar o Crato com o trabalho sério, determinado, avançado principalmente na educação e na saúde.
Infelizmente, esse prefeito prometeu mudar a face do Crato, não teve sorte na escolha de alguns secretários. Esperamos melhores dias, substituindo os mais fracos e que traga desempenho com trabalho eficiente.
Temos que dar condições favoráveis ao trabalhador cratense, trazendo pequenas indústrias que aliviem o homem do fantasma do desemprego.
Faça isso, senhor Prefeito, pois temos certeza de que, com coragem, futuramente alcançará grande alegria.

22.01.2008

A atual bandeira do Brasil é feia?


Para atiçar mais lenha na fogueira - sobre a nota publicada pelo prof. Océlio Teixeira - transcrevo abaixo informações sobre a Bandeira do Império do Brasil (1822-1889) que foi "remodelada" pelos militares, servindo de inspiração para a atual - a da frase "Ordem e Progresso" - criada após o golpe militar que instituiu a República em 15 de novembro de 1889.


Bandeira do Império, adotada em 1822
Bandeira do Império, adotada em 1822

Em 7 de setembro de 1822 - um sábado de céu azulado -, recusando-se obedecer as ordens das Cortes Portuguesas, D. Pedro, às margens do riacho Ipiranga (Rio Vermelho - do tupi), em São Paulo, proclamou a emancipação política do Brasil. Depois de proferir o brado de "Independêcia ou Morte!" e de ordenar "Laços Fora!", arrancando do chapéu o tope português, exclamou: "Doravante teremos todos outro laço de fita, verde e amarelo. Serão as cores nacionais".

No dia 18, D. Pedro I firmou os três primeiros atos oficiais do Brasil independente.
No segundo decreto, decidiu criar um novo tope nacional e ordenou: "O laço ou tope nacional brasileiro será composto das cores emblemáticas: verde de primavera (cor da Casa de Bragança) e amarelo de ouro (cor da Casa dos Habsburgos da Imperatriz Leopoldina ...."


Escudo do Brasil Império, com os ramos de fumo e café, as
estrelas/províncias, a cruz de Cristo e a esfera armilar lusitana.


Escudo do Brasil Império, com os ramos de fumo e café, as estrelas/províncias, a cruz de Cristo e a esfera armilar lusitanaO terceiro decreto, publicado em 21/9/1922, criou a Bandeira Nacional: "... hei por bem e com o parecer do meu Conselho de Estado, determinar o seguinte: será, dora em diante, o escudo de armas deste Reino do Brasil, em campo verde, uma esfera armilar de ouro, atravessada por uma cruz da Ordem de Cristo, sendo circulada a mesma esfera de 19 estrelas de prata em uma orla azul; e firmada a coroa real diamantina sobre o escudo, cujos lados serão abraçados por dois ramos de plantas de café e tabaco como emblemas de sua riqueza comercial, representados na sua própria cor, e ligados na parte inferior pelo laço da nação. A bandeira nacional será composta de um paralelogramo verde, e nele inscrito um quadrilátero romboidal cor de ouro, ficando no centro deste o Escudo das Armas do Brasil".



A bandeira de 1822 era verde com um losango amarelo, como a atual, mas com as armas do império no centro, depois substituídas pela abóbada celeste de 1889. As cores verde e amarela representavam as Casas Reais de Bragança (do imperador D. Pedro I) e Habsburgo (da princesa Leopoldina).

O autor dessa bandeira, com a colaboração de José Bonifácio de Andrada e Silva, foi o pintor e desenhista francês Jean Baptiste Debret, que teve grande participação na vida cultural do Brasil, no período de 1816 a 1831.

Por: Armando Rafael
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Chuva no Cariri


Está chovendo na cidade do Crato desde ontem à noite. Agora são 06h07min e a chuva continua. A temperatura aponta 26°. Na imagem o bairro Vila Alta, na rua Antonina do Norte nas proximidades da sede da APAE. Outras cidades do Cariri também estão recebendo boas chuvas. Que Deus abençoe este inverno.

Acredite se quiser: Previsão do Tempo...e foto do dia - Chapada do Araripe




Foto: Dihelson Mendonça
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Hoje no DN - Cultivo de uva no Cariri tem boa produtividade

Serra do Araripe

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Uvas no Sítio Belmonte têm duas safras por ano. De dezembro a janeiro e de julho a agosto (Foto: Elizângela Santos)

O resultado da experiência iniciada no Cariri é uma uva com características praticamente orgânicas

Crato. Uma experiência ousada para uma região que não tem tradição no cultivo de uvas. Há três anos iniciada no município, vem mostrando um diferencial em termos de qualidade e produtividade, fazendo com que o produtor passe de uma fase de pesquisa experimental para investir de fato numa produtividade até voltada para exportação.

O empresário Gilberto Mendonça Filho não só acreditou nas condições produtivas da região, como investiu em pesquisas. Até trouxe um técnico húngaro para verificar a área de cultivo, no Sítio Belmonte, no sopé da Serra do Araripe. Enquanto isso, era chamado de louco pelos amigos e até agrônomos do Cariri que não deram aval para o plantio, onde estão sendo cultivados os dois hectares de uvas. Investiu na visão técnica de pesquisadores de outras regiões, a exemplo de Petrolina, e tecnologia européia, e não deu outra. Hoje já está retirando frutos da segunda safra. São duas safras por ano. De dezembro a janeiro e de julho a agosto. A idéia é dar continuidade por todo o semestre.

Segundo o empresário, poderia chegar a três safras, mas a meta é manter a boa qualidade dos frutos e não estressar a planta. O investimento em cada hectare é de R$ 45 a R$ 50 mil. A técnica usada é de ponta e os consultores internacionais. A cultura vem sendo assistida por técnico de Petrolina, de onde Gilberto Mendonça tirou a inspiração para plantar no Cariri. Ele conheceu diversos plantios bem sucedidos na Bahia, mas sua maior empolgação é com o resultado na região do Cariri. A uva doce, com cachos cheios e pouca acidez é o resultado de um clima favorável e de um solo fértil em relação ao semi-árido pernambucano.

Pequenos produtores

Após dois anos e meio já foi iniciada a fase de produção. Cada hectare envolve mão-de-obra de seis funcionários da própria área, beneficiando os pequenos produtores com uma cultura diferenciada, revertida em aprendizado e emprego, além do pequeno período do ano voltado para a cultura de subsistência.

Algumas variedades foram inseridas no cultivo inicial. O primeiro deles, uma espécie de uva Itália melhorada, não comum no comércio, por ser considerada de alta qualidade. O valor de mercado é acima da média, mas o preço do quilo varia entre R$ 2,00 e R$ 2,60.

A meta é não só cultivar uvas de mesa, mas para uma futura produção de vinho. Atualmente inicia uma experiência com a uva Benitaka.

A pretensão do empresário e produtor é chegar a retirar até 30 toneladas/ha, mas essa meta só deverá ser atingida em 2009. A ordem crescente de produtividade vem com o tempo. Atualmente chega a 5 toneladas. O técnico agrícola Alberto Flávio Silva Amorim veio especialmente de Petrolina para residir no Crato e dar conta da nova experiência. Para ele, conta como uma troca importante. É um clima diferenciado, sem dúvida, e um solo com melhor capacidade produtiva. O técnico afirma que essa é uma forma de enriquecer o seu conhecimento técnico, por ter uma experiência de trabalho no solo pernambucano, com um clima mais seco.

O resultado da experiência iniciada no Cariri, segundo Flávio, é uma uva praticamente orgânica, por não ter outros cultivos por perto, como acontece nas áreas de Petrolina.

Os pequenos produtores da área chegam a colher cerca de 150 quilos de uva a cada dia. Uma oportunidade de ganho favorável. A funcionária Iraneide Nunes trabalha há dois anos no cultivo e é moradora da área. Conhecia apenas milho e feijão. A adaptação no parreiral veio junto com o aprendizado. “É uma forma diferente de cultivo, em que a gente tem de ter um cuidado especial, observando o desenvolvimento do fruto”, afirma ela.

Mais informações:
Sítio Belmonte
(88) 3571.6956
sitiobelmonte@terra.com.br

Elizângela Santos
Repórter

Fonte: Jornal Diário do Nordeste - www.diariodonordeste.com.br
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BlogPoem - Rio Grangeiro - Wilson Bernardo



RIO GRANGEIRO

Enquanto a elite se diverte
em descargas
um rio de fezes corta minha cidade
que no mar desagua
o que o povo simplesmente complementa
des
carga. A carga caga.

Wilson Bernardo
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Três Sodade - Por Cleilson Ribeiro



Três Sodade
Cleilson Ribeiro
a primeira saudade, tinha o sonho
pendurado no cheiro do cabelo,
e um laço de fita, semeado,
num cocó enlinhado em novelo,
que nem rastro de chuva, madurava,
a cheirança da vida dilatava,
e levava o caba ao desespero.
A Segunda nasceu, um certo dia,
Na sangria dos ventos de janeiro,
Pedalava menina passarina,
Com sorriso invultado, flor de cheiro,
Por saber-se, mimosoa tocaiava,
Emboscava, feria, judiava,
E o caba matava em desespero.
A terceira saudade era de morte,
Feito corte de gume de facão,
Que pra mode sarar-se dessa sorte,
uma pá de meizinha dava não,
e da amar e querer se latejava
e a dor mais doída espocava
e cantava cigarra no verão.
da primeira saudade, trago a marca
labareda acesa no olhar
toda noite, vem ela lacerante
dissonante acorde nuclear
semear na viola uma cantiga,
que me faz um carinho de urtiga,
mode a pele em braseiro se queimar.
Da segunda saudade, trago o gosto
em um travo de beijo tão letal,
é um gole cortido no desgosto,
laminado da ponta de um punhal,
que eu sinto a cada novo dia
quando o sal que tempera a cantoria,
me dá um bote de mote tão mortal.
A terceira saudade ainda dói
e me mói o juízo, toda hora
é ingém moedô, que no meu zói
triturando, um engasgo, cantarola,
é por ela que canto o desencanto,
desembaínho, a lágrima dos pranto,
e prendo ela, pra nunca ir simbora.

Enviado para publicação por Wilson Bernardo.
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A Árvore e a Semente de um novo Tempo

Certa vez um pássaro disputou com outro pássaro um pequeno pedaço de pão em pleno vôo. E na disputa deixou cair lá de cima uma pequena semente de trigo. A pequena semente ao cair se chocou contra o chão. E meio atordoada procurou se refazer do susto. Em seguida, ainda assustada olhou para a árvore imensa e disse: “Senhora árvore, por favor me ajude. Eu não sei me defender. Tenho medo de ser comida e morrer. Vejo que a senhora é muito alta, forte e experiente”. Então a árvore respondeu dizendo: “Querida semente tu és muito pequenina, mas não tenhas medo que farei balançar os meus galhos de modo a saltar algumas folhas sobre ti e assim estarás salva dos predadores que existem nessa floresta. Eu tenho mais de um século de experiência”. E assim fez se balançar e várias folhas cairam sobre a semente de tal forma que ainda sobrou um pequeno buraco para a semente respirar e olhar para a grande árvore. A semente agradeceu e dirigiu-se novamente para a árvore e disse: “Puxa vida – cem anos! Por favor, gostaria que me dissesse como é ser um dia uma árvore grande, forte e bonita como a senhora?”. A árvore com muita doçura respondeu: “Querida semente és muito pequenina ainda para compreender essas coisas. Mas, mesmo assim direi algo de instrutivo. Eu sou uma espécie de árvore entre milhares e milhares delas que existem por aí na floresta. Mas, todas - inclusive você será também assim um dia! - são constituídas de três partes básicas: a raíz, o tronco e a copa. Todas elas têm um duplo crescimento: um em direção às profundezas do chão e o outro em direção ao firmamento do céu. Em outras palavras, uma parte sua estará enraizada na escuridão do mundo do chão-terra e a outra estará buscando luz, energia e claridade na imensão do cosmo. Somos assim, ou seja, temos dois impulsos de crescimento. Um nos puxando para baixo que é individual e o outro nos puxando para cima que é universal e holístico. Essa situação nos põe em conflito porque são duas forças que nos remetem para lados opostos. O mundo do chão é escuro, ás vezes úmido, ás vezes sêco, muitas das vezes duro, sofrido e bastante concreto. Esse crescimento é a base de nossa estrutura física. Por isso, temos que escolher com cuidado e prudência as substâncias e os alimentos que a natureza desse mundo nos oferece. Terás momento de fome, sede, calor, frio e solidão. A noite ficarás no escuro e de dia serás aquecida pelo sol; no verão serás alagada pelas águas da chuva; no inverno serás coberta de neve. O cupim e o homem são os nossos maiores predadores, por isso não guarde seu tesouro na terra mas no céu. Mas, não se preocupe porque o nosso criador nos criou com sensibilidade para nos protegermos e selecionarmos as coisas sem errar. Nada é dado, mas tudo é conquistado com perseverança e mérito. O teu esforço pessoal é o caminho para a sua fortaleza no mundo interior do chão. Nunca se esqueça de cuidar da parte superior da copa que liga você ao mundo transcendente do céu. Ela é extremamente importante tanto quanto a parte de baixo da raíz. Terás um desafio muito grande que é alimentar a raíz fortalecendo-a a cada dia, e ao mesmo tempo voltar-se constantemente para a luz transcendente do sol da vida. Agradeça sempre esse aprendizado porque é uma síntese da lei da vida criadora. Terás momentos difíceis e penosos principalmente quando a espécie humana se aproximar de ti. Muitos deles perderam a sensibilidade e não nos enxergam como uma parte sagrada da mãe-natureza, mas como objetos de uso e troca para o crescimento de suas riquezas egoístas. E mesmo que os homens lhe ataquem com serras, martelos, foices e palavras de ordem agressivas entenda que a sua missão é servir com Amor e morrer em vida dando sombras, frutos, alimentos, abrigos e água em suas raízes. Fazemos parte de um grande ecossistema da natureza em busca do equilíbrio cósmico. A vida é uma árvore que deverá dar bons frutos; os homens são árvores também. Muitos deles vivem apenas dentro do chão na escuridão e não percebem o valor da copa e da luz do céu. Um dia o homem perceberá um pouco tarde que o mal está na raiz da consciência. Nesse dia, novas sementes crescerão orientadas pelo céu de um novo tempo. Aceite ser transformada no altar da vida amorosa: é a Lei!”.

Por: Prof. Bernardo Melgaço da Silva
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