14 janeiro 2008

PROFETAS DA CHUVA PREVÊEM BOM INVERNO EM 2008

Abaixo, matéria publicada no jornal O POVO desta 2ª feira, 14/01/2008

INVERNO TARDIO
Profetas da chuva prevêem inverno bom

Rita Célia Faheina, enviada a Quixadá

"Inverno" (quadra chuvosa) favorável este ano, com chuvas maiores entre os meses de março e abril. É a previsão dos 30 profetas populares da chuva que se reuniram no município de Quixadá. Eles usam a natureza para as previsões

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Açude Cedro - Quixadá - No final do século XIX, entre 1886 a 1889 - período de grande seca - o imperador dom Pedro II ordenou a construção do primeiro reservatório de água do Ceará.

De mãos dadas, eles rezaram. Lourdinha, a única mulher do grupo, iniciava as orações: "Divino Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo de Vossa divina graça". Depois rezaram o Pai Nosso e a Ave Maria. Olhando pro céu, sem nenhum indício de chuva, terminaram o momento de louvor com o sinal da cruz. Era hora de anunciar as profecias. E elas chegaram a um consenso: vai ter 'inverno' sim, embora tardio, lá pra março e abril. Mas vai ser melhor do que no ano passado. A previsão é dos profetas populares da chuva que fizeram o seu encontro anual em Quixadá, no Sertão Central.

No XII Encontro, último sábado, debaixo das árvores numa área bem pertinho do Cedro, o histórico açude que o imperador dom Pedro II mandou construir no fim do século XIX, o grupo de 30 profetas anunciou a boa nova: 2008, diferente dos anos terminados em 8, vai ter chuva suficiente para plantar e colher. A maioria está otimista com o que chamam de "inverno". Na verdade, falam da quadra chuvosa que, historicamente, começa no próximo mês e vai até maio.

Diferente do ano passado, os profetas não contaram com a presença de meteorologistas da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), nem com a do professor Caio Lóssio Botelho, doutor em planejamento regional e geografia integral que estuda os fenômenos da região semi-árida.

O geógrafo enviou uma carta ao organizador do encontro, Helder Cortez, pedindo desculpas pela ausência, por motivo de viagem. Mas mandou a previsão por escrito concluindo que "o ano de 2008 será considerado um ano de chuvas". Já a equipe da Funceme anuncia para o período de quarta-feira, 16, a sexta-feira próxima, um workshop, em Fortaleza, para fazer a avaliação da quadra chuvosa.

A novidade do encontro foi a presença dos novos profetas. Até crianças que estão aprendendo com os pais e avós a observar a natureza e fazer experiências em determinadas épocas do ano para prever a chuva. "É um prazer está no meio de vocês, profetas, pessoas que conhecem e fazem a previsão das chuvas. Estou aprendendo com meu avô os ensinamentos e também vou ser um profeta popular", disse orgulhoso Renato Lino de Sousa Neto, 13, que acompanhou o avô Renato, 60, agricultor que aprendeu, também menino, a observar as árvores para fazer previsões.

Antônia Catarina Tavares da Silva, 12, está aprendendo com o pai Antônio Silva, no sertão do Custódio, em Quixadá, a observar os insetos e pássaros. "O inchu (colméia de forma globosa de abelha) quando enche de mel é sinal de chuva boa". E o que pai e filha prevêem são açudes cheios com as precipitações que anuncia no período da segunda quinzena de fevereiro até a primeira quinzena de maio. "Até o Cedro (que está com 8,1% de sua capacidade de 126 milhões de metros cúbicos de água) vai pegar muita água", diz Antônio e Catarina concorda.

O profeta Erasmo Barreira, de Cipó dos Anjos, a 50 quilômetros da sede de Quixadá fez uma homenagem ao pai José do Pino que completou 100 anos no último dia oito. "Foi ele que me ensinou a fazer as profecias do 'inverno' e, este ano, posso dizer com segurança depois de observar as plantas e o inchu, que vai ser bom, muito melhor do que no ano passado".

Mesmo com a saúde abalada, a voz fraca, Chico Mariano, um dos mais antigos profetas populares de Quixadá foi ao encontro e apresentou seu sucessor: André Luis Rabelo Lopes, 18. "Nós vamos ter 'inverno'. Este mês (janeiro) com pouca chuva, mas vai chover em março e abril. Dá pra criar legumes. Não é muita água, mas dá pra plantar e pra aumentar a água do Cedro (o açude)". André se disse orgulhoso de ter sido escolhido como sucessor de Mariano, "que é um homem culto".

Profetas de outros municípios como Luiz Gonzaga, de Camocim, que observa a circulação dos ventos, e Antônio Plácido Pinto, de Fortaleza, que estuda meteorologia há 20 anos, também foram ao encontro e anunciaram chuvas a partir de março. José Lázaro da Silva, de Jaguaruana, e Raimundo Marques, de Capistrano, também disseram que este será um ano com melhor quadra chuvosa do que em 2007.

E-MAIS

O segundo sábado do mesmo de janeiro é considerado o dia do profeta popular. Para fazer as previsões, ele se baseia em métodos de observação da natureza que aprenderam com seus antepassados. Há os que fazem previsões através do comportamento das formigas e abelhas, dizendo que se esses insetos começam a produção nos meses de agosto e setembro as chuvas já começam em janeiro.

Os profetas também observam a vegetação, a posição das estrelas, da lua, a cor do sol e das nuvens, a circulação dos ventos, além do comportamento e o canto dos pássaros. O encontro anual dos profetas da chuvas é promovido pela Câmara dos Diretores Lojistas de Quixadá e tem o apoio da Prefeitura de Quixadá.

O MUNDO DESORIENTADO QUE ESTAMOS CRIANDO E SEGUINDO


“Tudo passará, mas minhas palavras não passarão” – Jesus Cristo

Que mundo estamos criando, ou melhor ainda, que mundo desejamos construir? Tarefa difícil para qualquer um saber o rumo que estamos dando em nosso processo de criação humana. Estamos num grande e fantástico processo de inserção, adaptação e criação de uma realidade extremamente assombrosa. E na maioria do nosso tempo desocupado não nos damos conta o que de fato está acontecendo nessa realidade que se transforma, transmuta e se expande na direção de um imenso campo de possibilidades infinitas totalmente imprevisíveis e desconhecidas. Somos navegantes cósmicos em busca de um novo mundo de realização, evolução e conquistas. E nessa viagem perdemos o sentido, a orientação e o propósito do destino chamado vida. Os sinais dessa situação, de perda de consciência, podemos constatar com perplexidade quando se pergunta: qual é o propósito e sentido da vida? Poucos conseguem responder o enigma de estar consciente num mundo em construção e destruição – transformação dinâmica, cósmica e complexa! O ato de viver se torna um enigma, pois nada sabemos a respeito do que iremos encontrar lá na frente dessa viagem desconhecida. Sabemos aquilo que registramos num documento escrito por todos num processo coletivo de interpretação e codificação que denominamos de HISTÓRIA e CIÊNCIA. O passado é o tempo-espaço deixado para trás onde somente tomamos ciência do que foi feito, segundo a nossa ótica de viajante cósmico, mas não o que de fato foi ou é em si mesmo. Ser e fazer, paradoxalmente, se conectam e se desconectam no movimento super-dinâmico da grande obra-prima da vida criadora.

Somos e fazemos a vida num processo de construção ad infinitum. Lutamos, matamos, morremos, sofremos, amamos e fazemos coisas, objetos, artefatos de guerra, artefatos ideológicos, mecanismos sutis de dominação ideológica e psicológica etc. Acreditamos e desacreditamos, confiamos e desconfiamos, abrimos e fechamos nossos corações, enfim fazemos um mundo acontecer onde parte desse mundo controla e a outra parte é controlada. Exploramos e somos explorados por nossas convicções, ciências, filosofias, ideologias e religiões. Nada se mantém sustentável, tudo é provisório, efêmero e superficial. A essência se torna invisível num mundo onde a aparência é o foco ou centro de referência do que somos virtualmente e momentaneamente. A nossa identidade predominante é produto da nossa consciência comum como viajantes desorientados numa realidade que transcende a nossa capacidade de compreensão.

Partículas cósmicas nos atravessam, mas não vemos. Campos de energia nos envolvem, e nada sentimos. Mundos nos circundam e nada nos é perceptível. Deus nos aborda, e nada co-respondemos. Somos, portanto, uma gota de conhecimento tangível num oceano desconhecido intangível. O que é fundamento permanece e se eterniza como uma jóia preciosa que não perde – nunca1 – o seu brilho e valor, mas o que é circunstancial e temporal passa e morre na escuridão de sua desorientação ou entropia cósmica. É a lei da vida cósmica: somos criadores e devemos pagar um alto preço para a evolução de si mesmo! Por isso, não espere que lhe digam o que fazer – faça a sua evolução “aconte-Ser” aprendendo a escutar a si mesmo (intuição)!

Prof. Bernardo Melgaço da Silva
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