03 dezembro 2008

A vantagem de (ainda) existir oposição no Brasil



No Senado

Jereissati reafirma que Petrobras tem crise de caixa


O senador cearense cobrou do governo, em seu discurso, um esclarecimento sobre o motivo que leva o preço da gasolina no Brasil ser o mais caro do mundo

Depois que vários integrantes do governo e o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificaram de terrorista e irresponsável a atitude da oposição de levantar suspeitas sobre a saúde financeira da Petrobras, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) voltou à tribuna do Senado nesta terça-feira para rebater as acusações. Ele reafirmou o que disse na semana passada de que existe uma crise de caixa na Petrobras e que a própria estatal confirmou as operações de empréstimo feitas junto à Caixa Econômica Federal e ao Banco do Brasil para capital de giro. "O empréstimo não foi para investimentos, mas para despesas do dia-a-dia da empresa. O que dissemos aqui no plenário foi confirmado por todos. A crise de liquidez está no balanço da própria empresa, identificando que ela tem a pagar mais do que tem a receber a curto prazo", afirmou o senador, que recebeu solidariedade de colegas da oposição. Segundo ele, a Petrobras teria recebido tratamento privilegiado "uma vez que a taxa de juro (da operação) foi abaixo do mercado". Ele enumerou alguns fatores que estariam praticamente dobrando os custos operacionais da estatal, como o aumento do número de funcionários em cerca de 30 mil ao longo do governo Lula, terceirização, prestadores de serviço, patrocínio e publicidade. O senador cobrou do governo, em seu discurso, um esclarecimento sobre o motivo que leva o preço da gasolina no Brasil ser o mais caro do mundo. "Foi reduzido o preço do petróleo, mas a Petrobras não pode baixar o preço da gasolina, porque senão vai arrebentar ainda mais seu caixa", disse. "Pagamos a gasolina mais cara do mundo, quase três vezes o que se paga nos Estados Unidos e mais do que na Europa. Se compararmos com produtores de petróleo, o preço da nossa gasolina é quatro, cinco vezes maior", completou. Ele disse ter recebido com estranheza as declarações do presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, de que a empresa vai cortar investimentos. Segundo Jereissati, Gabrielli não falou em cortes de custos e, desse modo, "temos que nos preocupar é com a política econômica do País". Dos senadores da base aliada, apenas o petista Eduardo Suplicy (PT-SP) se pronunciou, afirmando que o presidente da Petrobras terá oportunidade de esclarecer todas as dúvidas em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, marcada para o dia 11.

7 comentários:

  1. A nota abaixo foi publicada na revista EXAME:

    Petrobras: efeito da crise sobre fornecedores preocupa

    O diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, disse hoje que a companhia preocupa-se em como a crise financeira poderá atingir seus fornecedores. "A cadeia de fornecedores é imensa e um grande número de empresas está em dificuldade", disse, completando que "esperamos que a crise passe nos próximos 12 meses, mas se não passar, aí é que está a nossa preocupação".

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  2. Crise é crise...
    Durante o governo de FHC o governo teve de socorrer (com o PROER) alguns bancos brasileiros que estavam ameaçados de quebrarem.
    Agora o governo Lula (acertadamente, diga-se de passagem) enviou ao Congresso uma MP igualzinha ao antigo PROER.
    Veja a notícia abaixo:

    "O Senado aprovou hoje, dia 2, a MP (medida provisória) 442, que permite ao Banco Central socorrer pequenos e médios bancos em dificuldades financeiras. Em troca, o BC receberá como garantia a carteira de crédito desses bancos e poderá também interferir na gestão dessas instituições. A medida provisória, agora, vai para a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva".

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  3. Armando: postei ontem um texto que se referia ao Senador Jereissati. Acho que esta tua postagem vem na lida da outra versão. Isso é salutar e não adianta ficarmos discutindo qual o melhor PROER se o do FHC ou do Lula. Isso é bobagem e não vamos gastar nossas experiências de vida com tal Fla X Flu.

    Agora ao que de fato postei sobre o Senador Jereissati? Hoje mesmo no Globo vem a notícia que um grupo de senadores veio em solidariedade a Jereissati. E por incrível coincidência o Senador lembrou que o pai era do PTB no governo Vargas e que defendeu a fundação da Petrobrás. Isso eu acredito que o Senador tem um raiz no assunto. O que não pode deixar-se de criticar é 1) o próprio senador como deu vazão ao assunto do empréstimo no calor de uma crise econômica e no dia seguinte o valor das ações da Petrobrás despencaram e 2) o modo desvairado como a impressa ao invés de analisar a matéria, torce pela aliado e faz oposição ao que não é aliado, como é este caso do Jereissati e o do caso de Haroldo Lima, presidente da ANP, quando antecipou num seminário interno da FGV as descoberta do Pré-sal e toda a mídia caiu de pau como inside information para manobras da bolsa.

    Esta é a questão básica. Não podemos simplesmente fazer o corte colagem de matérias da mídia, nesta altura temos de analisar, à luz de nossas posições e conhecimentos, os fatos.

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  4. A economia não interessa quem a conduza é uma coisa só. As causas, as consequencias, os remedios são os mesmos. Quem tem o comando que os aplique e quem está fora tira da vareda e fala bonito. E nessa historinha o povo se lasca. Inconsequente é o presidente Lula negar, depois ser comprovado o emprestimo e o ministro Bernardo dizer que estranho seria a Petrobras fazer emprestimo a Caixa.

    Abraço Armando.

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  5. Durante o governo do senhor Tasso Jereissati, o Banco do Estado do Ceará-BEC, à época um dos mais sólidos bancos do país, de uma hora para outra foi federalizado sem maiores explicações, gerando verdadeiro caos social.
    Tamanha barbaridade ficou conhecida como “queima de arquivo”, já que uma montanha de dinheiro público teria sido utilizada para concessão de empréstimos fraudulentos e irregulares a empresários de alto coturno, amigos do rei.
    O valor apurado em tal transação (R$ 900 milhões), que deveria ser aplicado no fortalecimento da Coelce, escafedeu-se, evaporou-se, sumiu e até hoje ninguém sabe onde foi parar.
    Já no BNB, instituição séria e reconhecidamente composta por técnicos do mais alto gabarito, o senhor Tasso Jereissati emplacou na presidência o velho, dileto e desonesto amigo Byron Queiroz, que durante os oito anos em que durou o governo do amigo-irmão, patrocinou grotescas e portentosas fraudes naquela instituição, quebrando-a em mais de uma oportunidade, conforme reconhecido pelo próprio Banco Central, Comissão de Valores Mobiliários, Auditores Independentes e Ministério Público Federal.
    Um detalhe: instado, à época, pelas autoridades ditas competentes,a explicar o “porquê” do BNB ter concedido às empresas do senhor Tasso Jereissati empréstimos em valores superiores aos estipulados pelas próprias normas da instituição, o senhor Byron Queiroz afirmou desavergonhadamente que “o Tasso é um cliente VIP” ( Este, por sua vez, em reconhecimento, sarcasticamente afirmou que “se não fosse o Byron Queiroz o BNB teria sido extinto ou privatizado”).
    Com os bens indisponíveis e condenado em uma das ações que responde na Justiça (as outras ainda correm), Byron Queiroz,hoje, presumivelmente acobertado pelo padrinho-senador, continua a circular livre, leve e solto( e, dizem, a prestar serviços do PSDB). O trancafiarão algum dia ???
    No tocante à Caixa Econômica, apenas uma certeza: como o seu "modus operandi" não guarda qualquer similitude com os métodos mafiosos empregados pela turma do Tasso, a momentânea dificuldade de caixa deve ser creditada à restrição do crédito externo, em razão da crise mundial no sistema financeiro. Mas, será que existe alguém que duvide que a Petrobrás tem bala na agulha para honrar tão inexpressivos compromissos assumidos ???
    Já com relação à contratação de servidores para o serviço público, via concursos, o presidente Lula apenas tenta, literalmente, refundar, refazer ou recriar o Estado Brasileiro, que lhe foi entregue esvaziado, desmantelado, arrasado e destruído.
    Pelos tucanos, é bom ninguém esquecer.

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  6. AS COINCIDÊNCIAS DE TASSO


    Tasso branda no senado contra o empréstimo da CEF à Petrobrás. Estranho. Deve-se deixar uma empresa séria com a Petrobrás sem caixa? Ou seria apenas coincidência esses "brandos éticos" do empresário-senador no exato momento que mesma Caixa Econômica vetou o empréstimo de 2 bilhões que a Oi queria para comprar a Brasil Telecomunicações? Obvio que é coincidência, afinal, o senador-empresário não está levando em conta que seu irmão é um dos donos da Oi. A vida tem dessas coisas, muitas coincidências...

    Por Airton de Farias
    Por: RastreadoreS de ImpurezaS

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  7. Pessoal:
    No pronunciamento do Senador o FOCO CENTRAL foi o abaixo:

    1 - A Petrobrás fez ou não fez um empréstimo junto a Caixa Econômica Federal de 2 bilhões de reais para capital de giro?
    É verdade ou mentira?

    2 - O ministro das Minas e Energia, Edison Lobão (da "base do governo, claro, indicado por Sarney) afirmou que a Petrobrás passou por dificuldades financeiras "momentâneas" o que a forçou a contrair o empréstimo?
    É verdade ou mentira?

    3 - No 3º trimestre de 2008 quando o Barril de petróleo era vendido a 100 dólares a Petrobras teve problemas de caixa. Agora o barril caiu para 50 dólares.
    É verdade ou mentira?

    4 - A gasolina vendida no Brasil é a mais cara do mundo.
    É verdade ou mentira?

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