28 dezembro 2008

CASAMENTO À MODA ANTIGA - Por Carlos Eduardo Esmeraldo


Antônio Esmeraldo da Silva, meu bisavô pelo lado paterno, passava dos vinte anos de idade, aí pelo último quarto do século dezenove, quando resolveu casar. Perguntou a um amigo quem seria uma moça bonita e de boa família com a qual pudesse desposar. Disseram-lhe para procurar Santana Gonçalves, filha do Coronel Pedro José Gonçalves da Silva, o famoso Coronel Pedro Anão. No Crato daquela época, há mais de 130 anos, as moças de família não saiam sozinhas pelas ruas, nem desfilavam pela Praça Siqueira Campos, que por sinal ainda nem existia. Provavelmente, numa noite de domingo, Antônio Esmeraldo se dirigiu à casa do futuro sogro. Em lá chegando, apresentou-se ao senhor Pedro José Gonçalves, dizendo que estava ali para pedir permissão para namorar sua filha Santana e depois casar-se com ela. O coronel Pedro Anão chamou sua filha e perguntou: “Santana, você conhece o Antônio Esmeraldo?” “Não senhor, meu pai.” Respondeu a moça. “Pois você vai casar com ele e a partir de hoje têm minha permissão para o noivado.” “Sim Senhor, meu pai.” Concordou a jovem. Assim sendo, dias depois se casaram e tiveram oito filhos, entre os quais: Pedro, (Monsenhor Esmeraldo, nome de rua no Crato), Antônio, o meu avô paterno e Pia, mãe de Huberto Cabral. Mas quis o destino, que aquela feliz união do meu bisavô não durasse muitos anos. A minha bisavó logo faleceu, sem que eu nunca soubesse de que mal. O meu bisavô, viúvo ainda moço, sentiu necessidade de um segundo casamento. Não pensou duas vezes. Voltou à casa do seu velho sogro para dessa vez pedir para casar com Nazarena, a caçula de suas cunhadas. Ao ouvir do pai a sentença de que ela iria casar com o cunhado Antônio Esmeraldo, a moça esboçou um tímido protesto: “Mas papai...” “Não tem mais coisa nenhuma! Vai casar com ele e estamos conversados!” E assim ficou decidido. Diziam-me os mais velhos, que a minha bisavó por afinidade, Mãe Zarena, como a chamávamos, ainda com seus quinze anos, não foi esclarecida como seria a vida de casada e na primeira noite não dormiu. Arrumava e desarrumava um grande baú, onde estava guardado o seu enxoval de noiva.
Anos mais tarde, um dos filhos do primeiro casamento do Antonio Esmeraldo e Santana, Antonio Esmeraldo, o filho, ainda adolescente, assistia ao casamento do seu tio Pedro Esmeraldo da Silva com Tereza Pinheiro, filha do Capitão Zeco dos Currais. Então o adolescente atrevido ao cumprimentar seu tio, disse: “Tio Pedrinho, sua noiva é muito bonita. Ela não tem uma irmã?” “Tem aquela ali. Mas você tem de esperar por ela.” Disse o noivo Pedro Esmeraldo da Silva ao seu sobrinho, apresentando sua jovem cunhada Ana, na época uma pré-adolescente de 12 anos. Assim ocorreu. O meu avô Antônio Esmeraldo, o filho, casou-se anos depois com Ana Pinheiro, aquela que viria a ser minha avó pelo lado paterno. Puxa, que família confusa! Pedro Esmeraldo da Silva foi o pai da minha mãe. Assim, o meu avô paterno era sobrinho do meu outro avô, Pedro Esmeraldo. E as minhas duas avós eram irmãs. Mas a confusão não para por aí. Os primos foram criados quase juntos, tamanho eram os laços de afinidade e de parentesco. Não foi surpresa para ninguém que dois desses primos viessem a casar. José, filho do Antônio e Ana, com Maria Amélia, filha do Pedro e Tereza. José Pinheiro Esmeraldo e Maria Amélia, meus pais, eram primos quase que carnais e tiveram dezesseis filhos, dos quais sou o mais novo deles. Deste total se criaram onze, restando oito ainda vivos e com boa saúde.
Assim eram os casamentos das famílias cratenses há mais de cem anos. A maioria deles realizados entre jovens com alto grau de consangüinidade, muitos até com algum impedimento, onde se tornava necessária a autorização prévia da autoridade eclesiástica. Se eles eram felizes? Se existe uma resposta afirmativa para essa pergunta, nós podemos encontrá-la numa descendência que sente orgulho dos seus antepassados. Sendo assim, podemos responder que sim. Naqueles tempos as pessoas viviam sem preocupações outras que não a de ter uma vida de retidão e trabalho.

Por: Carlos Eduardo Esmeraldo
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11 comentários:

  1. Além das citadas são filhas de Pedro José Gonçalves que se casaram com membros(as) das famílias Pinheiro e Esmeraldo e seus descendentes:
    1.Maria da Conceição casada com Joaquim Pinheiro B. de Menezes: mãe de 1.1 Antonio Pinheiro Gonçalves: pai de 1.1.1 Zélia Pimentel, mãe de Almir, Zelinha, Zenir e José Alberto 1.1.2 Ninete mãe de José Flávio Pinheiro Vieira; 1.2 José Pinheiro Gonçalves casado com minha tia-avó Santana Esmeraldo, pais de Madre Esmeraldo e Sávio Esmeraldo Pinheiro;
    2. Maria da Encarnação, casada com Epifânio Pinheiro Bezerra de Menezes, pais de Maria do Carmo (Tália Márcia)

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  2. Meu caro Carlos.

    Meus cumprimentos.

    Estes seus registros devem ser impressos por todos os descendentes da familia Esmeraldo e guardados como reliquias para posteridade. Uma bela lição de valor a familia.

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  3. Embora tenha casado algumas vezes , modernamente, tenho um grande respeito pelos casamentos à moda antiga.
    Minha avó paterna era filha do Cel.Aristides Ferreira de Menezes. Dizia-me que , Bezerra de Menezes, Ferreira , Lobo, Gonçalves,Norões, Pinheiro.... era tudo a mesma coisa. Meu avô paterno era Moreira Maia. Dizia-me que Moreira , Maia, Alencar Peixoto era tudo a mesma coisa.


    Não dá pra entender o emaranhado familiar. Mas os casamentos eram acertados e assertivos. Só a morte separava os casais.
    Hoje a gente escolhe por afinidades... Mas os critérios dos antigos , também visavam as afinidades de berço...
    Portanto , tudo certo , como "dois e dois são cinco". Importante é tentar ser feliz , e conseguir.


    Admiro, sobremaneira, o casamento de Carlos e Magali. Moderno , e ao mesmo tempo à moda antiga , no sentido maior da palavra : indissolubilidade , pela força do amor e amizade !


    Abraços.

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  4. Prezado Carlos;não sabe você o quanto admiro as histórias da nossa familia. Parabéns por mais esta. Só lembrando que dos filhos de Antonio Pinheiro Gonçalves, além dos dois citados por você neste comentário, nasceram mais 17 de um só casamento com Maria Leopoldina Pinheiro Teles(SINHÁ). Destes, encontram-se vivos: Maria Zélia Pinheiro Pimentel, Joaquim Pinheiro Teles, Ninete Pinheiro Vieira, José Jackson Pinheiro, Teresinha Pinheiro Pinto, Maria Lucia Pinheiro Teles e Francisco Pinheiro Teles, (este que faz o comentário).
    Abraços,
    Francisco.
    Crato-Ce.

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  5. Prezados Amigos: Morais e Socorro Moreira.

    Muito obrigado pelas palavras de vocês. Eu ainda não entendi direito a família Pinheiro, que descobri recentemente que sou tanto dela quanto Esmeraldo. Aquela é muito complicada mesmo. Socorro, não sei se você estava em casa de Rosineide, estudando com a turma do Dom Bosco, em junho 1964, quando eu retornei do meu primeiro semestre em Salvador. Magali estava presente. Vocês me cercaram de atenção e eu me senti o rei da cocada estragada.(é pior que a preta). Todas perguntavam se eu ia ficar morando na Bahia. E Franciria disse: acho que você vai ficar por lá e casar com uma baiana. Então respondi uma coisa meio profética que nunca esqueci: "vou me formar e voltar para casar com Magali". Dito e feito. São 36 anos que parecem um "breve piscar de um relâmpago." Um Feliz 2009 para vocês.

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  6. Meu caro carlos nao meixa muito neste maranhado de sobrenomes veja eu por aqui. Meu avo Cicero pinheiro bezerra de menezes pai de anusia pinheiro rolim casada com mozart gomes rolim que eram meus pais. Pontanto sou bisneto do papai zeco dos curruais e finalmente somos primos em segundo grau e vc nunca ouviu falr de mim, contudo ja nutro uma grande admiraçao por voce. jair pinheiro rolim

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  7. Meu caro carlos tenho alguma coisa sobre a familia pinheiro, tipo arvore genealogica. que vem desde o brigadeiro leandro bezerra paasando por papaai zeca dos currais e vai ate a nossa geraçao caso queira copia informe seu endereço. um forte abraço jair rolim

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  8. Meu caro carlos tenho alguma coisa sobre a familia pinheiro, tipo arvore genealogica. que vem desde o brigadeiro leandro bezerra paasando por papaai zeca dos currais e vai ate a nossa geraçao caso queira copia informe seu endereço. um forte abraço jair rolim

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  9. Amor predestinado. Acordo entre anjos !


    Abraços

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  10. Prezados Primos Francisco Pinheiro e Jair
    Obrigado pelas palavras de vocês. Sei que somos primos e isto muito me orgulha. Tenho um trabalho de José Geraldo M. Pinheiro que foi publicado na Revista Itaytera que já li várias vezes e, puxa, como tem primo casado com prima, tio com sobrinha, verdadeiro cipoal que fica difícil de entender. Ao citar o resumo acima, apenas tive a intenção de mostrar o parentesco com Zé Flávio,(um dos maiores escritores do Crato de hoje)e José do Vale (Outro grande escritor) que são atuantes no Blog do Crato. Este blog tem sido um local de encontro de pessoas amigas e parentes.
    Prezado Francisco: Fui muito amigo dos saudosos Raimundo, seu irmão, pessoa muito estimada e Luzanira.
    Prezado Jair. Embora não lhe conheça, pois você é um dos filhos mais novos de Anúsia, a Glória, sua prima e minha também, havia me falado sobre você. Fui colega e amigo do seu irmão Zé Francisco, já falecido e do "Ferrugem" e me lembro de vocês morando na casa dos Dois Leões, onde hoje está o Bradesco. Dos irmãos e irmãs de vovó conheci apenas tia Clotilde, a quem gostava de visitar na Praça da Sé e tia Rosinha, já velhinha vivendo seus últimos dias no Abrigo e vi uma vez o tio Epifânio, já um pouco caduco. Ao escrever esse texto, minha intenção foi a de homenagear as minhas duas grandes famílias. Estou, neste momento, de saída para o Crato, onde ficarei até o dia 4 de janeiro próximo. Desejo para vocês um Feliz 2009. Um grande abraço.

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  11. O nome de seu pai não é estranho. Por acaso em 1958 seu pai era o proprietário do Sítio dos Tanques no Municipio de MIlagres.

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