12 novembro 2008

UM VAQUEIRO ANDANDO A PÉ - Carlos Eduardo Esmeraldo


Outro dia, vi num desses programas rurais que passam nas manhãs de domingo nas nossas tevês, uma inacreditável reportagem mostrando um vaqueiro tangendo o gado montando uma moto e vestido com calças gins e camisa polo. Confesso que fiquei com saudades dos tempos em que os nossos vaqueiros não se separavam de seus cavalos e do gibão. Bons tempos aqueles! Ah que falta do João Bentivi, Raimundo Manezim, e Pedro Mandú! Aqueles sim, eram vaqueiros de verdade! Não como esses janotas, que montados em cavalos mangas-largas, derrubam bois maltratados em um campo aberto. Ao lado de uma faixa de corridas, uma turba de idiotas a ovacionar seus tristes feitos. O vaqueiro de verdade enfrentava a caatinga e seus perigos com muita coragem. Ele e o cavalo eram criaturas que somente se separavam para dormir. Parece que nossos autênticos vaqueiros foram sepultados por essa coisa idiota chamada vaquejada, promovida por empresários de barulhentas e intoleráveis bandas de ruídos, que eles pensam ser forró.
O verdadeiro vaqueiro jamais era visto andando em carros, motos ou mesmo a pé. Para qualquer lugar que ele fosse era montado em seu cavalo.
A propósito de vaqueiros, lembrei-me de uma pequena historinha da tia Esmeraldina, a irmã mais velha da minha mãe. Ela era professora e com quase 80 anos, continuava sendo a única catequista do Sítio São José. Morava com o seu irmão, meu tio Zeco Esmeraldo e sua mulher Hélia Abath. Toda tardinha, um monte de crianças se reunia num calçadão existente na casa do tio Zeco para as aulas de catecismo. Certo dia, entre indagações de “o Pai é Deus?” “Sim o Pai é Deus”, repetiam as crianças. De repente, ouviu-se a voz da tia Esmeraldina, interrompendo seus ensinamentos,e exclamando com muita admiração, apontando para a estrada que passava a cerca de uns cem metros: “Olhem meninos, que coisa interessante, um vaqueiro andando a pé!” As crianças olharam e uma delas mais desinibida ousou discordar: “Dona Esmeraldina, aquilo lá não é vaqueiro coisa nenhuma. É um doido nu.” “Para dentro de casa todo mundo!” Falou minha tia, cortando deste modo a natural curiosidade das crianças.

Por: Carlos Eduardo Esmeraldo.

9 comentários:

  1. Amigo Carlos Eduardo Esmeraldo.

    Bom dia.

    O dep. Cel Mario da Silva Leal, em seu segundo mandato na Assembleia Legislativa, em 1953, convidou o Dep. Chico Monte, representante de Sobral para vi com ele conhecer suas propriedades em São Mateus, hoje Jucás. Chegando nas Tabocas fazenda sede,a boca da noite. No dia seguinte, mandou arreaiar dois cavalos e saiu na companhia do colega para uma vistoria de rotina. Conheceram primeiro as mangas das pastagens e em determinado lugar havia uma carniça, um animal morto já em adiantado estado de decomposição. O Cel Mario desceu do cavalo, apanhou a pata do animal morto e amarrou nas correias da sela e seguia sob a observação e curiosidade do Chico Monte. Por uma cancela deram entrada nas mangas das lavouras. Numa curva do rio havia um banco de areia, o Cel Mario desceu novamente do cavalo, apanhou a pata do animal morto, colocou em contato com a areia fazendo varios rastros. Depois jogou a pata fora em lugar impossivel de ser vista. Quando chegaram em casa o vaqueiro , que não pode ir junto, perguntou se estava tudo bem. O Cel Mario respondeu de forma positiva, porem advertiu que na manga das plantações havia um animal solto, visto haver rastos na areia do rio. O Vaqueiro foi ver e ao retornar disse: Cel Mario, na verdade axistem rastros na areia, mas eu estou invocado porque são de um cavalo velho que morreu na outra manga ha mais de tres mezes. O vaqueiro foi aprovado com distinção e louvor.

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  2. ERRATA: Onde coloquei calças gins, lei-se calças jeens. Será que essa palavra está aportuguesada?

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  3. Prezado Morais.
    Êta vaqueiriho porreta, como diz o baiano. Mas só para corrigir a ERRATA anterior: leia-se calças jeans. Gin é uma bebida e eu não bebo.

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  4. Carlos Eduardo.
    Uma vez, uma Freira do Colegio Santa Teresa, soube que o Alagoano sabia contar historias e anedotas e mandou um portador saber se o mesmo podia lhe contar algumas. Quando Alagoano foi abordado respondeu: posso só C... eu sei mais de 100. O portador voltou e respondeu para freira que ele não podia atender, estava muito atarefado.
    Assim como sei muitas de vaqueiro vou contar mais uma.
    Meu avô João Alves Bezerra residia em Arneiroz na fazenda Lagoa dos Currais. Nunca saiu de lá. Meu tio Jose de Morais Feitosa fixou residencia em Rondom, uma pequena porem progressista cidade do Parana. Se deu bem e foi levando os parentes aos pouco e um dia terminou levando os meus avós que não voltaram mais. Este fato causou um trauma de consequencias graves aos mesmos. Sempre que falavam em vaqueiro, bode, ovelha, fazenda o velho ia aos prantos. Um primo veio a passeio e axigiu que fosse com ele na fazenda para ele filmar um vaqueiro para levar e mostrar para os meus avós. Chegando na fazenda, por volta das quantro horas da tarde ouvimos o aboio do vaqueiro. O meu primo apanhou a filmadora e foi surpreendido com um vaqueiro montado numa bicicleta, chinela japonesa, bermuda e camisa do Flamengo e um boné do Lula.

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  5. Morais
    Nesse seu vaqueiro com camisa (com licença da má palavra)do Flamengo não se aproveitava nem o berro.

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  6. Dihelson
    Essa foto incrível que você inseriu deu nova dimensão ao tema que abordei. Muito obrigado.

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  7. Olá, Carlos,

    eheheheheh

    Eu bem que procurei bastante uma foto de um vaqueiro assim, de bicicleta, já estava desistindo quando encontrei essa. Simboliza a mudança de costumes do nosso Nordeste.

    Em suma:

    Até o sertanejo não é mais o mesmo!

    Abraços,

    DM

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  8. Carlos Eduardo Esmeraldo.

    O amigo não observou todos os detalhes do vaqueiro. Por essa razão disse que nada havia a aproveitar, nem o berro. Dei uma de BIDIM e cometi um crime de lesa poesia. Veja:

    Carlos, no meu vaqueiro
    Tem coisa que não é chula
    Dê uma alhada direito
    Que o boné era do Lula.

    Cuidado com o que diz
    Pois quando falo não erro
    Do comentario que fiz,
    Não aproveita nem o berro?

    Um bom recado lhe mando
    Mude logo esse seu jeito,
    Dê pru Lula mais respeito
    E cuidado com o Armando!

    Abraços.

    A. Morais.

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  9. Morais
    Que poeta, hem? Parabéns. Eu não consigo rimar nem alhos com bugalhos, Não conhecia essa sua qualidade. Você me levou a sentir dores no abdomen por tantas gargalhadas. A verdade é que diante da camisa do Flamengo, esqueci do boné do Lula.

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