06 novembro 2008

Para quem estiver em Fortaleza não deve perder! OSESP se Apresenta !


MÚSICA

Osesp no parque

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Neschling regeu a Osesp no palco do Theatro José de Alencar, em 2004, na passagem mais recente por Fortaleza: expectativa de novos concertos concorridos (Foto: Thiago Gaspar)

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Orquestra na estrada: a Osesp troca a Sala São Paulo por igrejas, teatros e parques Brasil afora

A Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo retorna a Fortaleza, para duas apresentações. A primeira este domingo, no Parque do Cocó. Na segunda-feira é a vez do TJA

A mais prestigiosa orquestra brasileira, em um concerto ao ar livre na capital cearense. Definitivamente o fortalezense ganha um bom motivo para agregar um programa diferenciado a este domingo: ouvir a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, alforriando a música erudita de seu confinamento às salas e teatros. O Parque do Cocó será palco para a interpretação de obras reconhecidas pelo grande público, por parte da orquestra cuja história conta com a decisiva colaboração do maestro cearense Eleazar de Carvalho.

A Osesp chega a Fortaleza também para uma apresentação, com um programa diferente, na noite de segunda-feira, no Theatro José de Alencar, palco onde foi aplaudida na última passagem por aqui, em dezembro de 2004. Noite de trânsito paralisado, ingressos esgotados e cadeiras extra, dado o interesse despertado pelo concerto. Naquela ocasião, o regente titular e diretor artístico da orquestra, John Neschling, comentava a turnê nacional da formação comparando-a à correria e ao frissom geralmente causados por bandas de rock. Desta vez, a turnê está no começo - com apresentações na Bahia, em Sergipe, Paraíba e Pernambuco, antes da capital cearense.

´A gente começou agora, né? Da outra vez, a gente começou em Brasília, fez Goiânia, Manaus... Até chegar em Fortaleza já tínhamos passado por vários lugares´, recorda Neschling, contrariando o próprio estereótipo ao se mostrar bem-humorado no diálogo com o Caderno 3 por telefone, desde as proximidades de Aracaju. ´E também não sei se porque da última vez a gente viajou junto com o Capital Inicial (risos)... Todo lugar que a gente ia, eles estavam também´.

O início da turnê 2008 é visto de forma alvissareira pelo maestro, que se tornou célebre pela reestruturação da Osesp, dando novo fôlego financeiro e político à orquestra a partir de 1997. Mas também dividindo opiniões - por exemplo, sobre a fama de ´linha dura´, o diálogo com os tucanos paulistas e os R$100 mil mensais de salários, pautas de recorrentes matérias e comentários. ´Agora, tocamos em Salvador três vezes, numa igreja, no Teatro Castro Alves e na Concha Acústica. E sempre cheio! Acho que estamos cumprindo com a nossa missão´, avalia, estendendo o olhar positivo ao atual momento da orquestra, em cujo comando permanece até 2010. ´A Osesp tá avançando sempre. Cada vez mais estabelecida, com mais assinantes, mais concertos, mais qualidade, mais projetos...´.

A atitude positiva não diminui nem com os ventos da propalada crise financeira internacional - os quais, ao menos por enquanto, não afetam o navegar da Osesp, afirma Neschling. ´A crise não nos atingiu ainda. Temos um contrato de gestão, e o que é necessário é que a Fundação Osesp renegocie esse contrato a partir de 2010. Mas não acho que é a Osesp que vai fazer diferença no Estado´, ameniza o regente. ´Às vezes o dólar sobe muito, e uma parte substancial do nosso orçamento depende do dólar. Espero que o Conselho consiga negociar bem´.

Sobre o financiamento da estrutura necessária a uma orquestra sinfônica - incluindo a contratação de músicos e a manutenção de um espaço próprio, como a Sala São Paulo -, o maestro reconhece que, apesar da crescente participação da iniciativa privada, a presença do Poder Público ainda é essencial. ´A participação privada jamais cobrirá todos os gastos da orquestra, ainda mais se ela se dispuser a fazer o trabalho que a Osesp faz´, destaca, sobre o grupo cujo orçamento anual supera os R$ 55 milhões. ´Em São Paulo temos tido um apoio muito grande da população e da iniciativa privada, pela qualidade da orquestra. A gente espera poder diminuir a participação do Estado e conseguir que a participação privada aumente. Mas nunca será uma orquestra privada´.

Desafino, mesmo, só quando o tema é o confronto com o ex-regente adjunto da Osesp, Roberto Minczuk, que, após supostas divergências sobre participações em outras orquestras e eventos, passou de braço direito a desafeto de Neschling. A secura das poucas palavras do maestro parece dizer muito: ´Eu nem lembro mais desse episódio´.

Ao ar livre

O repertório do concerto de domingo, no Parque do Cocó, deverá incluir obras conhecidas também pelo público nem sempre atento à música erudita. Entre obras de autores como Wagner, Tchaikovsky, Glinka, Verdi e Bruch, trechos de ´O Guarani´, de Carlos Gomes, e o famoso ´Bolero´ de Ravel devem fazer parte da apresentação, embora o programa não esteja de todo definido, como Neschling faz questão de ressaltar.

´Na verdade, não tá certo ainda. O programa dos concertos ao ar livre muda de dia pra dia, dependendo do que a orquestra toca. Temos ainda um concerto ao ar livre em João Pessoa antes, e vamos ver qual vai ser o programa´, deixa em aberto. ´Mas as apresentações como essa, ao ar livre, são sempre com um repertório um pouco mais acessível, sempre com obras mais populares, privilegiando o público´.

Lembrado de que, na turnê de 2004, o público de Fortaleza não pôde assistir à aclamada interpretação da Osesp para uma das obras de Gustav Mahler, então presente no programa executado em outras capitais, o maestro faz questão de justificar. ´O palco do Theatro José de Alencar é menor. Então vamos fazer o Brahms (a Sinfonia Nº1 em dó menor, Op. 68). O que não quer dizer nada, porque Brahms é tão bom quanto´.

Sobre outras obras a serem executadas em Fortaleza, Neschling destaca ainda ´Encantamento´ - ´Uma peça belíssima de Camargo Guarnieri, que estamos fazendo na abertura do concerto do Theatro José de Alencar´ - e ´O Guarani´ - ´Uma obra muito representativa, que é quase como o Hino Nacional. Não há uma razão especial, mas tocamos muitas vezes´.

Reportagem de Dalwton Moura
Jornal Diário do Nordeste

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