16 outubro 2008

A crise e o Brasil


(Matéria da "Folha de S.Paulo")
15/10/2008 - 21h06
Empresas brasileiras perdem US$ 89,5 bilhões em um dia, diz consultoria
da Folha Online
Levantamento realizado pela consultoria Economática aponta que as empresas brasileiras perderam US$ 89,5 bilhões em valor de mercado em um dia, de ontem para hoje (15). O estudo considera 294 empresas.

Entenda como a crise dos EUA afeta o Brasil
Segundo a consultoria, no dia 14 as companhias somavam valor de mercado de US$ 691,261 bilhões. Nesta quarta elas fecharam em US$ 601,663 bilhões
Nos Estados Unidos, ainda segundo o levantamento da Economática, o valor de mercado de 1.237 empresas norte americanas estudadas caíram US$ 990 bilhões em um dia. A soma caiu de US$ 10,959 trilhões para US$ 9,968 trilhões.
As três maiores quedas entre empresas americanas e brasileiras são do setor de petróleo e gás. A Exxon Móbil tem a maior queda individual de valor de mercado já que hoje perdeu US$ 52,5 bilhões, a segunda maior queda é o da Petrobras com US$ 21,4 bilhões e a terceira é a Chevron com perda de valor de US$ 17,5 bilhões.
A Vale do Rio Doce aparece em sexto no ranking entre americanas e brasileiras com queda de US$ 15,4 bilhões em seu valor de mercado.
Bovespa
A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) estendeu seu pregão por meia hora e amargou perdas de 11,39%, a maior queda desde 10 de setembro de 1998. O câmbio disparou, e após uma pesada ação do Banco Central, fechou a R$ 2,16.
Os investidores tiveram um alívio apenas momentâneo com as medidas trilionárias para resgatar o sistema financeiro. Hoje, o foco se concentrou sobre a "economia real": a perspectiva de que as economias centrais entrem em recessão, com repercussões sobre o restante do planeta.
A Bolsa brasileira acionou novamente o "circuit breaker", às 14h24, interrompendo o pregão por meia hora. O intervalo não foi suficiente para os investidores se acalmarem: o índice Ibovespa continua a sinalizar quedas cada vez maiores e no pior momento do dia, apontou uma retração de 14,72%.
Na Bolsa brasileira, as ações líderes, Vale e Petrobras, tiveram baixas na casa dos dois dígitos, de 15,16% e 12,08%, respectivamente.


7 comentários:

  1. E ainda tinha gente que dizia que a crise não iria afetar o Brasil...

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  2. Meu Caro Armando Rafael.

    Bom dia.

    Apesar de não conhecer o ramo da economia, o que me preocupa é que sempre o mais forte, o que tem maior poder de barganha, transfere com maior facilidade os proplemas para os menos protegidos. Veja bem, na Varzea-Alegre tinha um Senhor que num determinado dia, na hora do almoço, disse para os filhos: Quem não almoçar ganha um real! O primeiro aceito. O Segundo estou de acordo e assim com cinco reais economizou o almoço dos cinco filhos. Na hora do jantar os meninos com o BUCHIM seco, desesperados aguardando os alimentos o Velho disse: Só janta quem der um real. Os cinco reais estavam de volta no bolso do velho. È importante que se saiba de que lado estamos. Do lado que manda ou do lado que obedece.

    Abraços.

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  3. O que mais revolta é que voce ve G7, G10, G20 etc, correndo para se reunir para salvar banqueiros! Eu nunca vi estes se reunindo as preças para discutir a A fome e a Aids na África, O desemprego mundial, odesmando dos EUA e por ai vai.

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  4. Fonte: Redação Terra

    Economia Nacional
    Senador: Meirelles admite que crise pode afetar Brasil

    Marina Mello
    Direto de Brasília

    Em conversa com o relator do Orçamento de 2009, Delcídio Amaral (PT-MS), o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles admitiu nesta quinta-feira que a crise financeira internacional é grave e poderá afetar o desempenho da economia brasileira no ano que vem.
    Segundo Delcídio, Meirelles demonstrou preocupação com a previsão de crescimento para o ano que vem.
    "Ele fez uma explanação clara de que a situação é delicada. Não há motivo para ninguém estar otimista. As bolsas estão em queda, há uma insegurança política nos Estados Unidos, evidente que a preocupação agora é com o crescimento", disse.
    De acordo com o senador, por causa dos efeitos da crise, a previsão de orçamento para o ano que vem deverá ser alterada com cortes principalmente na área de custeio.
    "Que haverá cortes, não tenho dúvida e para nós o que interessa é o valor, não onde vai cortar. Onde, ainda tem que ser conversado com o governo, mas eu acho que deveria ser no custeio. Tem espaço para cortar", afirmou.
    Segundo ele, também poderão surgir cortes de verbas para concursos e na revisão de reajustes dos servidores.
    O senador, no entanto, disse que ainda é cedo para se detalhar tais cortes e garantiu que o reajuste do salário mínimo previsto para o início do ano que vem está mantido.

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  5. LE MONDE - OTIMISMO DE LULA DIANTE DA CRISE É FACHADA

    "Apesar do otimismo de Lula, o Brasil não ficará imune à crise, afirma uma reportagem publicada na edição desta quarta-feira no jornal francês "Le Monde". "A Bolsa de São Paulo, a mais importante da América Latina, levou uma chicotada. Nenhum dos 66 títulos que compõem seu principal indicador, o Ibovespa, foi poupado", afirma o jornal. Segundo o diário francês, apesar do "otimismo de fachada de Lula", que há alguns dias declarou que o Brasil "está vacinado contra crise", o país não escapará ileso da tormenta financeira. O "Le Monde" afirma que a queda da bolsa brasileira está diretamente ligada a outro fenômeno associado à crise: a queda do preço das commodities, que representam metade do superávit do Brasil. "Sozinhas, a Petrobras e a Vale do Rio Doce representam 35% do índice da bolsa. O agronegócio teme uma baixa substancial da demanda, principalmente na Índia e na China, além de um salto no preço dos gastos com o setor e um ressecamento do crédito rural."
    Para o "Le Monde", o real é outra grande vítima da crise, tendo se desvalorizado em 50% em relação ao dólar desde sua melhor cotação, no dia 1º de agosto. "A queda do real resulta da grande demanda de dólares por parte das empresas. Ela deve-se também ao comportamento dos investidores, que após terem comprado em massa produtos em real muito rentáveis, os venderam para comprar dólares ou outras moedas."

    (Folha Online)

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  6. Lula balança
    por Sérgio Malbergier

    Pela primeira vez na história do governo Lula, o vento econômico global mudou e agora sopra contra o Brasil. Chegou a hora da verdade, o grande teste de sua liderança. E ela balança.

    Desde 2003, Lula operou bem em meio a um dos maiores e mais abrangentes ciclos de expansão econômica do planeta. Com instinto apurado e carisma, estimulou abonados e descamisados, numa virtuosa convergência de forças produtivas.

    Os resultados foram impressionantes. Os investimentos cresceram com vigor por 18 trimestres, junto com renda, emprego, crédito, confiança. Lula tornou-se o presidente com a maior aprovação da história deste país.

    Mas veio o crash financeiro global, presságio do crash econômico global. E Lula entrou em modo de negação. Passou semanas dizendo que não era conosco, tripudiando os EUA, dando pitos e conselhos irônicos ao colega George W. Bush.

    Mas a crise já está entre nós, também é nossa. O dólar dispara, a Bovespa despenca, investimentos são suspensos, fábricas param a produção, o crédito às empresas seca. Isso não é uma marola, como previu Lula, mas um tsunami.

    Como seu governo demorou a agir, o câmbio ficou solto demais num mundo em convulsão. O dólar deu um grande salto, e agora o custo de alguma imprescindível estabilidade cambial será maior.

    As divisões dentro da equipe econômica acentuam a sensação de falta de rumo, de hesitação. É verdade que o cenário está incerto demais para criar convicções sobre o que fazer. E agir errado pode ser ainda mais danoso do que não agir.

    Mas há um perigo real e imediato de o presidente se deixar seduzir pelo canto das velhas sereias de que o Estado vai salvar nosso crescimento. O voluntarismo econômico sempre trouxe catástrofe ao Brasil.

    E a tentação heterodoxa aumentará junto com as crescentes dificuldades econômicas e também políticas. Os reveses do presidente nas eleições municipais, principalmente em São Paulo, mostram como o projeto petista de manutenção do poder com a candidatura Dilma é frágil. Já Serra se fortalece.

    Lula precisa descer do pedestal. Ficou muito mais difícil governar o Brasil.
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    Sérgio Malbergier é editor do caderno Dinheiro da Folha de S. Paulo. Foi editor do caderno Mundo (2000-2004), correspondente em Londres (1994) e enviado especial a países como Iraque, Israel e Venezuela, entre outros. Dirigiu dois curta-metragens, "A Árvore" (1986) e "Carô no Inferno" (1987). Escreve para a Folha Online às quintas.
    E-mail: smalberg@uol.com.br

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  7. Quando um paquiderme gigante, como os EEUU, balança, os "roedores" ao seu redor tremem. Basta dizer que há cerca de dez anos, os “tigres asiáticos” quebraram e houve um "Deus nos acuda" no Brasil. Todos os descontroles da economia causados pela incompetência tucana foram justificados pela quebradeira daqueles países. Vejam que não foi nenhum país do primeiro mundo, mas países "emergentes" no dizer eufemístico da grande imprensa neoliberal do país tupiniquim. Mas hoje (dia 20.10.08) o Índice Bovespa está em alta, o dólar está valendo quase "dois mim reis", depois de ter sido cotado a quase três reais na semana passada. A situação agora é bem diferente da semana passada. Não resta dúvida que o momento atual é outro. Agora o Brasil não tem dívida de 200 bilhões de dólares e nem está obrigado a praticar os desmandos do FMI. É importante que o presidente diga que a crise não afetará o Brasil. Pois se ele dissesse o contrário, num mercado de alta especulação como o de capitais, (verdadeiro cassino oficializado) tudo se agitaria além das esferas possíveis e imaginárias. Mantenho a esperança que essa crise gerada pela avidez de lucro do capital não venha a jogar por terra todo esforço construído na nossa política econômica dos últimos seis anos. E o pior é que tem muita gente torcendo para que o Brasil se “lasque”, como se isso não fosse também afetar todos nós mortais. Somente os grandes capitalistas e os políticos das altas esgferas se salvariam.

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