13 dezembro 2007

As Bandas Cabaçais e as Festas Religiosas Populares


Amigos leitores do Blog este texto foi retirado da minha dissertação de mestrado sobre A Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio de Barbalha, apresentada em agosto de 2000, na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Por ser um texto acadêmico, peço desculpas pelo formato do mesmo e excesso de citações.

Zabumba, Banda de Couro, Banda Cabaçal, Banda de Pífanos ou apenas Cabaçal é um conjunto instrumental de percussão e sopro constituído por um zabumba, bombo ou tambor de couro, uma caixa, também de couro, e dois pifes de taboca, soprados vertical ou horizontalmente. Em algumas localidades, como em Crato e em Juazeiro do Norte, um quinto instrumento foi acrescentado: um conjunto de pratos ou um triângulo.

Em Alagoas essas bandas são chamadas pelo sugestivo nome de “Esquenta Mulher”, pois, segundo Manoel Diegues Júnior, citado por Rosemberg Cariry, suas músicas provocam “alegria, dengo e agitação entre as mulheres”. Por sua vez, na Paraíba são conhecidas como Caboclinhos.[1] Seu repertório musical é variado, pois tocam xotes, baião, forró, galopes, marchas, modinha, valsinhas e outros estilos musicais.
Segundo J. de Figueiredo Filho, as Cabaçais tiveram origem em meio aos escravos africanos.[2] Outros estudiosos, porém, acreditam que elas são versões mestiças das primeiras bandas marciais do Brasil colônia, que souberam “adaptar ecologicamente o instrumental de procedência estrangeira[ibérica], dando-lhe o equilíbrio de registros sonoros e a formação típica com a qual se tradicionalizou”.[3] Por sua vez, Rosemberg Cariry ressalta a forte influência indígena em muitas de suas execuções musicais, “nas suas marchas de entrada, nas tocatas guerreiras e nas peças que lembram rituais mágicos e totêmicos, tais como o “Baião do Gigante”, “Maribondo”, “Dança do Sapo”, “Caboré”, “Briga do Cachorro com a Onça”, etc.”.[4]

J. de Figueiredo Filho destaca o aspecto onomatopaico das composições musicais e das danças do zabumbeiros. “O baião, escreve ele, é o gênero que mais gostam de tocar. PIPOCA é um baião que imita o milho pipocando no fogo. MARIBONDO é tão agressivo em notas agudas quanto aquêles insetos tão valentes e de ferroada tão causticante. CACHORRA é como se fosse a cadela a gritar com o açoite”.[5]

Os zabumbeiros, entretanto, ao mesmo tempo em que tocam suas canções, executam também coreografias, muitas delas imitativas dos movimentos dos animais tematizados. No “Caboré”, por exemplo, “os intrumentos imitam sons produzidos pelo pássaro(Athena brasiliensis), enquanto os membros da cabaçal desenvolvem uma dança, pulos e gingados patéticos e primitivos, que reproduzem os movimentos do caboré”.[6]

Para Rosemberg Cariry, essa “pantomima lembra em muita coisa os rituais mágicos dos antigos índios Cariris, que, através da imitação e do desencadear de forças sobrenaturais, procuravam a proteção do animal”. Finalizando a sua análise sobre as origens das Cabaçais, Rosemberg é incisivo: “Somos de opinião que as bandas cabaçais, em seu atual estágio, mesclam as diferentes influências dos povos ibéricos, negros e índios”.[7] Assim, o autor aponta para a circularidade cultural como processo constitutivo das bandas cabaçais existentes na atualidade. Ou seja, as bandas cabaçais são frutos da mistura de elementos culturais diferentes, presentes nas culturas indígena, africana e européia.

Um aspecto destacado pelos pesquisadores que se debruçaram sobre o estudo das Bandas Cabaçais, é a sua participação histórica nas festividades locais, seculares e religiosas. George Gardner, que esteve no Crato em 1838, registrou no seu livro “Viagens do Brasil”: “No terraço em frente ao templo, ondulava grande massa humana e meia dúzia de soldados disparavam, a espaços, seus mosquetes. A pouca distância tocava uma banda de música, dois pífaros e dois tambores, música de pior categoria, a correr parelhas com os fogos de artifício então exibidos”.[8]

Irineu Pinheiro, tratando da “religiosidade do povo cariri”, no início do século XX, informa da participação dos Zabumbas durante as procissões de São José nas estações de secas, quando a população, desenganada das autoridades terrenas, apelava para as forças divinas. A procissão ocorre com uma imagem roubada de alguma casa da comunidade, sendo devolvida depois do inverno e das boas colheitas: “Levam-no, então, à casa de onde tiraram, num andor, em procissão, a cantar benditos, à frente do cortejo alguém a soltar foquetes, na cauda músicas de couro com seus pífaros e zabumbas, cujos rataplans quebram o silêncio das noites sertanejas”.[9]

Recorro novamente ao grande folclorista J. de Figueiredo Filho. Ele registra dois momentos da participação dos zabumbeiros nas festividades seculares e religiosas nas cidades do Cariri. O primeiro registro refere-se às comemorações do primeiro centenário da cidade do Crato, em 1953, quando “cinco ou seis bandas desfilaram pelas ruas, a tocarem baião, sambas, marchas e valsinhas dolentes”. O segundo registro refere-se ao cortejo do pau da bandeira em Santana do Cariri. Sem informar o ano ou pelo menos o período, J. de Figueiredo Filho rememora: “Disse-me o vereador cratense José de Paula Bantim, cuja meninice foi passada em Santana do Cariri, que, outrora, durante o transporte do pau da bandeira, na festa da Padroeira local, os zabumbeiros e pifeiros trepavam-se na comprida haste, transportada da mata para a praça da Matriz, conduzida por uma grande multidão de devotos. Ali mesmo, bem aboletados e equilibrados, tocavam marchas e baião, ao espocar do foquetório”.[10]

Esses relatos mostram a intensa participação dos Zabumbas nas diversas festividades religiosas do Cariri, não sendo, portanto, uma peculiaridade deste ou daquel município. Agora, fica a pergunta: quais os motivos dessa forte ligação dos zabumbeiros com as festas religiosas?

Não possuo uma resposta para essa pergunta. Mas tenho certeza de que as explicações para tal questão podem ser encontradas na rica circularidade cultural, vertical e horizontal, que tem marcado tão fortemente a cultura e a religiosidade populares no Brasil, desde os tempos coloniais. Fica o desafio para estudos futuros.

Citações bibliográficas
[1] Rosemberg Cariry & Oswald Barroso. Cultura insubmissa: estudos e reportagens. Fortaleza: Nação Cariri Editora, 1982, p. 121-127.
[2] J. de Figueiredo Filho. O folclore no Cariri. Fortaleza: Imprensa Universitária, 1962, p. 79.
[3] Aloysio de Alencar Pinto. Citado por Rosemberg Cariry. Op. cit., p. 123.
[4] Rosemberg Cariry. Op. cit., p. 124.
[5] J. de Figueiredo Filho. Op. cit., p. 82.
[6] Rosemberg Cariry. Op. cit., p. 124.
[7] Idem, p. 124.
[8] Citado por J. de Figueiredo Filho. Op. cit., p. 77.
[9] Irineu Pinheiro. O Cariri: seu descobrimento, povoamento, costumes. Fortaleza: S. ed., 1950, p. 96. (Grifos do autor).
[10] J. de Figueiredo Filho. Op. cit., p. 78 - 87.
PEDRO CABEÇÃO

Manoel Patrício de Aquino (*)


Há alguns anos (não muitos) viveu em Crato um mendigo chamado Pedro Cabeção. Jamais se soube o seu completo nome de batismo. Ou jamais se quis sabê-lo... Mas Pedro era popularíssimo. Mormente entre a criançada, a quem sempre fazia rir (em especial quando metia o dedo polegar na boca, ou o fura-bolo, comprimindo-o para, em seguida, puxa-lo de repente a fim de conseguir sons engraçados (estampidos) com que agradecia as esmolas recebidas, ou simplesmente cumprimentar as pessoas.
Pedro andava sempre só, apoiado num velho cajado de “frei–Jorge”. Caxingando. Gemendo... Mas passava a maior parte do tempo “estacionado” numa calçada qualquer do centro da cidade, de preferência perto das esquinas ou nas proximidades da casa de Seu Mário Limaverde. Forrava o local com velhos e rotos panos e com pedaços de papelão. Tinha um banquinho de madeira, de um palmo de altura, onde, às vezes, se sentava ou expunha a desbotada lata de manteiga: seu caça-níqueis.
Apresentava, além da macrocefalia, outras bem visíveis deformações anatômicas, as quais, no entanto, não despertava a mínima curiosidade de ninguém, pois o importante mesmo era a sua enorme cabeça, que lhe valera a alcunha.
Pois bem, meu caro leitor. O Ceará de hoje, mais do que nunca, lembra-me o miserável Pedro Cabeção. Estado pobre. Paupérrimo. Com sua enorme e disforme cabeça (Fortaleza e a Região Metropolitana) e aleijões pelo resto do sofrido corpo. Mendigando pela televisão. E o seu homem do campo caxingando, gemendo, chorando... morrendo.
Desde a promessa do último brilhante da coroa do Imperador Dom Pedro II, que seria vendido, se preciso, para que ninguém aqui passasse fome, pouca – muito pouca coisa –mudou.
Quanto ao Cariri, que ninguém se engane: inobstante algumas aparências e apesar da propaganda enganosa, está perdendo, e feio a corrida do progresso.
Ah! velho Pedro Cabeção, faz pena! E dá vergonha!!!

(*) Manoel Patrício de Aquino, advogado, é Presidente do Instituto Cultural do Cariri.

Capitalismo Marxista II - A Sociedade de Consumo - Por Wilson Bernardo - Poeta Marginal.

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A hipocrisia nos faz negar a grande lata de conserva de consumo que é a geladeira. A arte tem funções de multiplicidade, no sentido de que a sua universalização requer sim a polemização, que se faz necessária, seja na literatura, no discurso, ou nas idéias contundentes. Por isso, nem sempre aceitas.

A hipocrisia humana se diverte nos conceitos puritanos e esquecem de que o vaso sanitário vos esperam sorridentes. Falar em merda ou não, seria aceitar ou não, de que são necessidades igualitárias que nos colocam no mesmo padrão sócio-econômico. Até porque, é a única ação humana que nos tornam iguais socialmente: - - defecando.

Bil Gates sabe fazer dinheiro, mas não constrói poemas, o que organicamente nos remete à igualdade na condição de humanos seres desumanos. A velha esquerda, seja em Cuba ou qualquer outra província, se mantêm sim ideologicamente pautada em antigos conceitos de socialização dos bens, assim como a igreja apost(a)olica romana, que tem discursos homilíacos da divisão dos bens, e a mesma não as faz, e te convence sadicamente de que tu é quem deverias dividir o pouco que seja com a plebe, ilhada nas obrigações da fé.

A esquerda quer HILUX sim, e charutos Cubanos e se manter no ideologismo retórico de emancipações de políticas sociais. A revolução russa é uma grande farsa, que manteve as elites da esquerda no patamar dos consumidores de caviar. Moral da história...Ao contrário do Klemlin, que não nega suas cores de guerra, a casa branca não tem nada de branca paz. Na essência, no Brasil tivemos insurreições como canudos e caldeirão que se caracterizaram muito mais como revoluções sociais do que a própria revolução russa. Preconceituosos senhores de idéias pré-elaboradas, com certeza copiadas em jargões sem nenhuma semântica moral e criativa.

Quero afirmar sim que santo de casa obra milagres (obra no sentido de obrar: defecar )e o cariri tem muitos intelectuais que não são ouvidos ou cultuados, o que essas pessoas preferem absorver como absorventes vaginais e filtrar a mesmice dos consumidos intelectuais da mídia elitista e jabariana de produtores capengas. Caetano, Gil e tantos outros nem sempre falam e produzem pérolas, mas o que fazem dita regras, e são deglutidas. Pois se fartem, degustadores de enlatados na geração fastfooda-se. Nossa província é o começo do mundo, a China é que é o fim do mundo. Nossa gente merece muito mais, e quando escrevo e faço arte, faço para o povo e as periferias, e não para as elites. A poesia marginal e a arte marginal, nasce ainda feto nos guetos sociais. Ao falar no rio grangeiro, o nosso canal, uma cidade moderna começa sim pela sua revitalização, e a recuperação sumária de tantos outros problemas concebidos pela sua má gestão e a falta de canalização dos esgotos. Não me é ofensivo o fato de me rotularem de como humorista e bêbado,até porque, antes de tudo o humor tem que ser inteligente, e muitos sóbrios não tem a capacidade de raciocínio lógico, e com isto os livros tornam-se para tais, uma grande incógnita.

Só se aprende a ler lendo, e a escrever, escrevendo. Pra essas pessoas agradeço e aceito as opiniões contrárias, minha arte não é obvia como tantas, ela é intrínseca à racionalidade irracional, o que na verdade o ser humano na sua prepotência habitual é a mais irracional e selvagem de todas as espécies. Vai aqui um recado sincero para tais opositores do novo capitalismo marxista:

APENAS UMA TEORIA.
O que Freud complica
Uma transa explica.
Fazer amor e se encontrar nos orgasmos é uma forma e uma maneira de se encontrar consigo mesmo.

Abraços, camarada velho mago dos teclados, e obrigado pela defesa prévia, senhor rábula Draconiano dos Olímpios campos gregos. Se vocês não entendem isto, o pai dos sábios vos esperam saudosos na velha resolução dos fatos não conhecidos, o tão antigo e irmão dicionário.

COMEDORES DE BATATAS!
A filosofia é inimiga
Da geração chip
Operadora GSM
Fastfood
McDonald´s
Batatas fritas
Que
USA
A ganância.

Wilson Bernardo - Poeta Marginal

Por: Wilson Bernardo.

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A gênese da Universidade Regional do Cariri pela capacidade visionária de um educador caririense


O Crato foi pioneiro na fundação de uma escola superior, no caso o vetusto Seminário São José, cujas pesadas portas foram abertas ao público em 7 de março de 1875. Mesmo restrito à formação de presbíteros católicos, o Seminário São José foi o marco inicial de uma história voltada à educação e ao ensino superior, praticamente, para com a grande parte do interior do Nordeste.


Somente quase um século depois, foi fundada uma instituição laica de ensino superior na região, no caso a Faculdade de Filosofia do Crato - FFC e, não por acaso, obra progressista da Igreja local que, na época, fins da década de 1950, tinha à testa Dom Vicente de Paula Araújo Matos, terceiro bispo da Diocese de Crato.


A FFC oferecia cursos na área de humanidades e ciências da natureza, como História, Letras, Pedagogia, Geografia e História Natural (depois curso de Ciências). Foi dirigida, ao longo de quase três décadas por pessoas de competência e respaldo, como Raimundo Oliveira Borges, José Newton Alves de Souza, Ivone Pequeno e Gonçalo Farias Filho.


Na década de 1960, foi encetada campanha pela sociedade caririense, liderada por pessoas do Crato, visando a instalação de uma universidade na região. O nome nasceu com a idéia: Universidade Regional do Cariri – URCA. Dentre os seus principais defensores, entusiastas e realizadores, merece destaque a pessoa de Antonio Martins Filho, que já tinha encabeçado a criação da Universidade Federal do Ceará, em 1954.


Em 1966, Martins Filho publicou o livro O universal pelo regional – definição de uma política universitária* , cujo um dos capítulos é o seu discurso de paraninfo da primeira turma de economistas formada, em 1964, pela Faculdade de Ciências Econômicas do Crato, fundada pela municipalidade cratense quatro anos antes. Nas entrelinhas deste discurso, Martins Filho deixa perceber a dimensão do sonho da região em sediar uma instituição universitária.


Região dotada de geografia privilegiada, possuidora de um potencial econômico, cuja exploração se acha aquém do necessário, suas terras e seu subsolo, suas águas e suas florestas são um desafio à capacidade criadora do homem para transformar a fisionomia subdesenvolvida do Ceará”. Assim Martins Filho descreveu a exuberância geoeconômica do Cariri, com a prerrogativa de não ter precisado citar o acervo paleontológico, a biodiversidade e a cultura popular da região.


E essa é uma tarefa difícil que só se transformará em realidade se, ao esforço dos habitantes, imbuídos de patriótica atitude, se somar a iniciativa redentora de homens que sejam capazes de utilizar técnicas científicas, especializados nos diferentes ramos do saber econômico(...)”. Aqui, Martins Filho só falta revelar aquele seu sonho, agora transformado em missão de criar universidades pelo Ceará afora, para redimir o cearense de sua histórica e triste sina de estado pobre e ignorante. Só faltou bradar com todas as forças do pulmão: Queremos a URCA também!, para em seguida, justificar o pleito:


“O Cariri já demonstrou, através do espírito progressista de vários de seus homens de negócio, que é capaz de lutar para vencer as negações do subdesenvolvimento. Exemplo convincente é o projeto Asimow, idealizado e posto em execução pela Universidade do Ceará, com a colaboração do Banco do Nordeste e ajuda da Universidade da Califórnia(...)". Mais uma vez, o Artífice de Universidades clama para o que parece dizer reconditamente: URCA, já!


Sem dúvida, um estado otimista de espírito para com o progresso do Cariri; porém, estrategicamente refreado pela necessidade prática, via educação superior: “O Cariri penetra numa nova época. A energia de ‘Paulo Afonso’, a instalação de novas indústrias, o aparecimento de órgãos culturais, notadamente as suas escolas superiores, são índices positivos de uma região que evolui decididamente e quer amanhã alcançar a grandeza. Na vanguarda dessa arrancada desenvolvimentista estão os valores culturais, mormente os da técnica, porque sua contribuição será, sem dúvida, decisiva para que se conclua o milagre iniciado”.


O milagre, iniciado naquela década, foi alcançado em 1986, quando o governador Gonzaga Mota assinou a lei de criação da URCA. E quem legou ao governador da época esta imensa e histórica honra, municiando-o de “régua e compasso” ? Foi uma geração de educadores que, para além das querelas, possibilitou ao Cariri sua entrada na civilização de fato.

Habemus Universidade: Felix ad satum!
(*) Fortaleza, Imprensa Universitária do Ceará
Obs.: Tem um blog específico sobre História, Cultura e Memória do Ceará, no qual estarei postando sobre esta e outras correlatas temáticas. Apareçam lá: http://historiaceara.blogspot.com

Atençao - Festa de Confraternização da família Blog do Crato ! - Dia 15 - Sábado.

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Será Sábado, dia 15 de Dezembro, no Café Estação, localizado no Largo da Rffesa em Crato. Todos estão convidados, inclusive dos outros blogs e websites da região do cariri.
Vamos fazer uma grande confraternização.

VAMOS TODOS !!!

- cada um paga seu consumo -

Sábado, 20:00

Abraços,

Dihelson Mendonça
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Hoje, no DN - Gado deve ser retirado da Floresta do Araripe.


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Brigadistas serão envolvidos no trabalho de monitoramento das atividades realizadas na Área de Proteção Ambiental (Foto: Antônio Vicelmo)

A presença de gado na Floresta Nacional do Araripe causa prejuízos à biodiversidade, segundo aponta a gerência da área

Crato. Com o apoio das Polícias Federal, Ambiental e do Departamento de Edificações, Rodovias e Transportes do Estado do Ceará (Dert), a gerência da Floresta Nacional do Araripe (Flona) determinou a retirada do gado que ocupa ilegalmente a área de proteção ambiental. De acordo com a gerente da Flona, Verônica Figueiredo, cerca de 600 cabeças de gado estão espalhadas na área. Os quase 60 pecuaristas que utilizam o pasto da floresta estão sendo notificados a retirar o gado, sob pena de serem enquadrados na Lei Nº 9.985, de 18 de julho de 2000, que proíbe práticas ou atividades que impeçam a regeneração natural dos ecossistemas da região.

A gerência da Flona está baseada também no Plano de Manejo que define como a floresta será explorada, o que inclui o zoneamento da propriedade, distinguindo as áreas de exploração, as zonas de preservação permanente e os trechos inacessíveis. O gado apreendido será transportado para os currais de Dert e só será restituído ao dono, mediante o pagamento de uma multa no valor de R$ 104,00 e uma diária de R$ 20,00 por cabeça. Depois de sete dias, o animal é levado para o Centro de Zoonozes. No caso do proprietário não procurar, o animal apreendido será doado a uma instituição de Cariri.

Nenhuma apreensão

A operação foi iniciada no último dia 3. Entretanto, até agora, não foi feita nenhuma apreensão. O gerente do Dert, no Crato, Luiz Salviano, informou que o órgão só tem condições de atuar na faixa de domínio das estradas estaduais. Apesar de algumas rodovias passarem por dentro da floresta, não foi localizado nenhum animal dentro dessa faixa.

A gerente da Flona, Verônica Figueiredo, informou que, a partir de hoje, a fiscalização será intensificada. O problema é a falta de funcionários para cobrir uma área de 39.262,326 hectares, abrangendo partes dos municípios Santana do Cariri, Crato, Barbalha e Jardim. Estão sendo acionados os brigadistas, moradores residentes na região, contratados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para combater incêndios florestais.

A presença do gado na reserva, segundo Verônica, causa grandes prejuízos à biodiversidade. Há informações de que alguns dos incêndios registrados na área foram provocados por criadores que botam fogo na área para renovação do pasto, com as primeiras chuvas.

A Floresta Nacional do Araripe fomenta e protege as matas existentes na chapada, como também protege as nascentes da área, conserva a fauna, além de promover facilidades de recreação pública e de combater incêndios florestais ocorridos na área.

Fauna e flora

O local tem expressivo potencial ecológico, nele encontrando-se diversas espécies da flora nativa que originam artigos de uso popular e científico, tais como fibras, borrachas, gomas não elásticas, ceras, tanantes, oleaginosas, produtos alimentícios e aromáticos. A fauna também apresenta-se bastante diversificada.

Parte da floresta, principalmente nas margens das rodovias, foi cercada com arame farpado. Entretanto, ainda há muitos locais em aberto, o que facilita a passagem de animais diversos, bem como a prática de atividades humanas que podem comprometer a preservação da área.

SAIBA MAIS

Conservação

A Floresta Nacional do Araripe tem uma importância relevante na manutenção do equilíbrio hidrológico, climático e ecológico da região. Constitui-se como importante refúgio para a fauna regional, inclusive para espécies ameaçadas de extinção. Como Unidade de Conservação de Uso Direto admite: pesquisa científica, recreação e lazer, educação ambiental, manejo florestal sustentável e turismo. Além disso, protege o solo, facilita a infiltração das águas pluviais alimentando o aqüífero do Araripe. Permite a conservação de um patrimônio genético de valor incalculável.

Mais informações:
Departamento de Edificações, Rodovias e Transportes (Dert)
(85) 3102.1224
(85) 8883.1329
Floresta Nacional do Araripe
(88) 3523.1999

Antônio Vicelmo
Repórter

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Entendendo os Índios Cariris - Por: Zé do Vale Pinheiro.


Entender os Cariris tal e qual eram, não é uma tarefa fácil. Hoje para compreender os povos ameríndios ativos e que viveram isolados até o momento do contato, precisa-se de uma série de estudos antropológicos de grande envergadura. Então, imaginemos a dificuldade de entender de trezentos a duzentos e cinqüentas anos após uma cultura que foi profundamente modificada pela presença da civilização européia. Para demonstrar a dificuldade darei alguns exemplos do impacto da catequese sobre o que era próprio dos Cariris e por ela passou a ser interditado ou proibido. Depois, noutra postagem, apresentarei uma síntese de como este pensamento chegou ao século XX entre remanescentes dos Cariris na Bahia.

Antes uma nota. O que apresentarei é uma alternativa de conhecimento ao telúrico caminho de um vulcão que explodiria hoje em nossas vidas vindas do centro da terra mágica dos Cariris. Na verdade o mais importante, talvez, seja compreender a dificuldade desta espécie de teogonia de nossa cultura e contextualizá-la na própria estrutura agrária nordestina, posterior aos Cariris. Seja considerar a estrutura do comércio mundial de mercadorias especialmente nos séculos XVIII e XIX como foi o caso do algodão. Há um interessante livro do Ralph Della Cava dando conta do papel que teve a avidez da revolução industrial inglesa por algodão, sua repercussão no nordeste brasileiro e no fenômeno do Padre Cícero.

Os trabalhos importantes como de Baptista Siqueira, Os Cariris do Nordeste, embora tenham um valor em si, ainda carecem de elementos importantes para o desvelamento destes povos. Existem tantas dúvidas, alguns avanços posteriores ao que foi publicado na primeira metade do século XX, que nem mesmo pelo fato de haver uma gramática escrita sobre a língua daquele povo, o seu verdadeiro modo de ser pode se identificar. Tudo se encontra sob a regência do modo de pensar e dos objetivos dos europeus. Na Arte da Gramática da Língua Brazílica da Nação Kiriri do Padre Luiz Vincencio Mamiani existem frase cujos exemplos revelam isso. Para dar exemplo da aplicação de uma determinada regra gramatical ele escreveu uma frase assim: moré sité carai do hipadzú. A frase em sentido geral seria: logo vem o branco teu amo, mas acontece que padzú quer dizer pai e, portanto, embora seja uma gramática para brancos e não para índios já há uma intenção sobre a mesma.

Ao se comparar frases em português e cariri no Catecismo, também escrito por Mamiani os exemplos demonstram que além da doutrina cristã, há a necessidade de se modificar o modo histórico da cultura destes povos. A respeito, um livro organizado pelo professor Robin M. Wright da UNICAMP, intitulado Transformando os Deuses – Os múltiplos sentidos da conversão entre os povos indígenas no Brasil, demonstra o grande impacto atual das religiões cristãs, especialmente de igrejas evangélicas americanas sobre a cultura destes povos na Amazônia atual. O fundo de todo estes trabalhos a conquista de povos por outros povos.

Voltando ao catecismo de Mamiani. Tudo indica que na cultura Cariri havia uma ligação entre a fonte das necessidades humanas e eles mesmos pela cadeia de parentesco mediada por entidades sobrenaturais. E esta ligação seria expressa pela partícula DZ e assim as palavras dzu (água), ebadzu (fonte) e em seguida padzu (pai), badzé (entidade mediadora do fumo, dos animais e das plantações). Esta ligação é desfeita para que pelo uso das mesmas palavras se encontre outra estrutura antropológica culturalmente européia.

Vejamos como seriam os mandamentos: : Dez yé suwaridzá Tupã wachánidikyé bó cucanghitéa ió Tupã; sete hohóde bó cucanghitéá só Ketcãhó(Os Mandamentos da Lei de Deus são dez: os três primeiros pertencem à honra de Deus e os outros sete ao proveito do próximo. 1 – Acá do bihé Tupãdi. (O primeiro: Amarás a um só Deus.) 2 – Peretówonghékié idzé Tupã enádi. (O segundo: Não nomearás o seu Santo nome em vão.) 3 – Enatékié mó Tupã buyédi.(O terceiro: Guardarás os Domingos e as festas.) 4 – Acá dó epadzú dó edé nódehédi (O quarto: Honrarás a teu pai e a tua mãe.) 5 – Pákiéá enádi. (O quinto: Não matarás). 6 – Ebytókiédí. (O sexto: Não fornicarás) 7 – Ecotókiédí. (O sétimo: Não furtarás). 8 – Emepedíkiédí (O oitavo: Não levantarás falso testemunho.) 9 – Eneyétákié fó idéinũádí. (O nono: Não desejarás a mulher de teu próximo). 10 – Eneyétákié fó iwanheréadí (O décimo: Naõ cobiçarás as cousas alheias). Benhérócríbar yé suwaridzá Tupã mó ró wacháni. 1. sucáwidó dó Tupã bó hohóeribae. 2. Sucá dodetçãhó mó sucá didóhó (Estes dez Mandamentos se encerram em dois, convém a saber: Amar a Deus sobre todas as coisas, e a seu próximo com a si mesmo.)

Agora como seria esta tradução ao pé da letra? Dez grandes falas saem da boca Tupã, três que são coisa boa do espírito de Tupã; sete que são coisa boa para proveito próprio. 1. Tu amarás um só Tupã. 2. Não chamarás demente o nome de Tupã. 3. Não farás por Tupã fogo do inferno. 4. Tu amarás teu pai e não desagradar-se-á da tua mãe. 5. Não matarás. 6. Tu não farás sexo com os moços. 7. Tu não furtarás. 8. Tu não levantarás falso testemunho. 9. Tu não desejarás a mulher dele. 10. Tu não desejarás as coisas dele. Se explica direito as grandes falas que saem da boca de Tupã em duas: 1. Amarás mais que tudo a este Tupã. 2. Amarás o próximo e amarás a si próprio.

Aqui as coisas saem do discurso de Deus (vejam que é Tupã uma entidade Tupi) através do catecismo dos padres. A doutrina mosaica se expressa naturalmente, mas logo no terceiro mandamento vem a interdição de um provável rito com fogo e o sexo se dirigindo a um determinada faixa de idade ao invés do ato em si como na regra geral. Outro dado é que nesta língua não existem os verbos ser, ter e estar e, portanto, a idéia de posse poderia ser bem distinta da prática comercial que vem por trás do não furtarás do catecismo. É provável que os pertences dos cariris fossem muito mais extensões de si mesmo do que um objeto de troca e menos ainda de manufatura para venda.


Desse modo a idéia de pertencer a um mundo mágico original é muito pouco improvável, o que sabemos e mentalizamos é o domínio de uma cultura por outra e sob este pesado manto um inconsciente mundo ainda impossível de ao menos se colocar no coletivo de Carl Gustav Jung. Claro que, salvo engano, por uma crença de que isso exista independente de qualquer dado empírico específico.

Relação dos Shows Musicais de Artistas do Cariri aprovados para 2008 no Centro Cultural Banco do Nordeste

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O Centro Cultural Banco do Nordeste - CCBN, acaba de divulgar a relação dos artistas aprovados para compor a programação do Centro Cultural Banco do Nordeste ( Fortaleza, Cariri e Sousa ) para o ano de 2008. O cariri foi amplamente beneficiado com inúmeras propostas, já que aqui, é um dos maiores celeiros culturais de todo o Brasil. É necessário que se ressalte a participação dos artistas caririenses, todos começando a se programar para os próximos anos, correndo atrás da sua arte e dos espaços.

E acho muito importante também, ressaltar sempre o enorme impacto que a vinda do Centro Cultural Banco do Nordeste está tendo para a vida cultural dessa região. Artistas que estavam praticamente parados e esquecidos no tempo, estão voltando às atividades. E tantos outros surgindo, influenciados por essa bela e louvável iniciativa. É da minha opinião pessoal, mas o Centro Cultural Banco do Nordeste já fez mais em divulgação da Cultura do Cariri em pouco mais de 1 ano e meio de existência, do que nos 30 anos que o antecederam.

R
elação dos Shows Musicais de Artistas do Cariri aprovados para 2008 no Centro Cultural Banco do Nordeste - CCBN. As propostas, avaliadas pela comissão interna de análise, comporão a programação do Centro Cultural Banco do Nordeste (Fortaleza, Cariri e Sousa) durante o ano de 2008. Shows de Artistas do Cariri: ( Edição compilada por Dihelson Mendonça. A lista total pode ser obtida diretamente do website oficial do BNB - http://www.bnb.gov.br/cultura )


Abidoral Jamacaru:
- Show Musical de Abidoral Jamacaru
- Curso de Apreciação de Arte

Luciano Brayner:
- Na frevura
- Canção para embalar mulheres doces

Dihelson Mendonça:
- Show de Lançamento do CD autoral - "A Busca da Perfeição"
- Concerto: Dihelson Mendonça interpreta Frederic Chopin

Geraldo Júnior:
- Show de lançamento do CD "Calendário"

José Gonçalves Pereira:
- Em Homenagem a Cultura

Saul Brito, Dihelson Mendonça, João Neto, Rachel Brito:
- Show: Cariri Samba-Jazz Quarteto - Estamos Aí - A Noite da BossaNova

Cleivan Paiva:
- Cleivan Paiva Trio

Glória Fate
- Glória Fate - 15 anos de Rock

Nando Nucce:
- Essencialmente Guilherme Arantes

Coral Schoenberg:
- Coral Schoenberg canta a MPB

Coral poço do som e quatro pianistas
- Canta, canta meninada

Duo Pianíssimo:
Concerto: Duo Pianíssimo interpreta "O quebra-Nozes"

Orquestra de Câmara do Conselho de Pais:
- Construindo o futuro com Arte

João Ferreira Neto:
- Não durma sem escutar

Banda de Pífanos Guarani:
- Guarani Choramingando

Ibbertson Nobre:
- Show Momentos

Orquestra cabaçal Píferos Pífano:
- Show "Luiz é a Luz" - Tributo a Luiz Gonzaga

Pablo:
- Viela de Roda Nordestina

Fatinha Gomes:
- Flôr Mariazinha

Herdeiros do Rei:
- Forró no Terreiro

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