24 novembro 2007

Templos históricos serão tema de Livro


Resgatar a beleza, história e importância de uma série de templos católicos espalhados pela Região sul do Ceará. Esse é o objetivo de um trabalho que está sendo feito pelo articulador cultural Jackson Bantim, o Bola, em parceria com o historiador Armando Lopes Rafael. O trabalho teve início com a preocupação de resgatar um pouco da história da Região, e não poderia deixar de passar pela própria história da Igreja.

O trabalho em breve será transformado em livro, com imagens de Jackson Bantim e textos de Armando Lopes Rafael. O prefácio é escrito por Dom Fernando Panico bispo Diocesano do Crato, que em um parágrafo diz que “ nesse rastro de memória o livro-álbum vai suscitar lembranças, é claro, de zelosos pastores, de momentos fortes de fé neles celebrados e que marcaram tantas famílias cristãs católicas do Cariri. Nisso enxergo as marcas deixadas, no tempo, por uma presença profunda dos que evangelizaram, daqueles que hoje evangelizam e de tantas gerações de fiéis cristãos. Vejo ainda as marcas de uma religiosidade arraigada em nossa gente caririense, geradora também de manifestações nascidas à sombra da cruz”.

A religiosidade que marca o povo caririense está em seus templos, e também em sua preservação. Com o passar do tempo e a banalização do sagrado, as pessoas parecem perder um pouco de seus referencias, de sua própria história. O trabalho em questão visa exatamente isso, fazer com que todos vejam nesses templos, não a história em si, mas uma parte importante e significativa da história da região, que passa pela história da Igreja, mas também de homens e mulheres, de fé, que querem preservar suas essências e suas origens.

O trabalho será transformado em livro, será um guia para vermos o passado, e também refletirmos sobre o futuro. Um momento para pensar, outro para vermos como no passado, alguns, foram tão cuidadosos com valores religiosos.No livro que será lançado veremos imagens de templos como a Capela do Seminário São José em Crato; a Igreja do Rosário em Barbalha; Igreja Matriz de São Pedro em Caririaçu, Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Milagres, em Milagres, dentre outros templos.
De acordo com Bantin, a idéia não poderia ter surgido em lugar melhor. Foi em uma viagem para Paris,(que beleza!) quando em uma conversa com Calé Alencar e Raimundo Aniceto, Bantin falou da importância de se fazer um resgate fotográfico das igrejas no Ceará. Idéia ficou muito tempo na cabeça, e foi parar no professor Carlos Rafael que apoiou o projeto possibilitando as condições de produção e impressão. Daí foi um pulo para conversar com Armando Rafael e outros historiados do Cariri, como Napoleão Tavares Neves. O livro será uma preciosidade sobre a forte e secular história do Cariri.

Originalmente postado por Tarso Araújo.
Repostagem: Dihelson Mendonça
Fotos: Jackson Bantim

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O Tédio - Henrique Hine



Venho doutor, fazer-lhe uma consulta. A doença que me punge e esteriliza a mocidade e o espírito, Resulta de uma chaga que nunca cicatriza.

Muito embora comum a toda gente, a de que sofro, atroz hipocondria, Tanto me torna pensativo e doente, que já não sei o que é paz nem alegria.. Sendo o mais sábio clínico do mundo, sois também um filósofo notável, do Peito humano auscultador profundo, curareis este mal inexorável.

Que me destrói o organismo fibra-a-fibra

Que me enevoa o cérebro e o condensa.

Eu tenho um coração que já não vibra

Suporto uma cabeça que não pensa.


Autor: Henrique Hine
Leitura: Antonio Vicelmo
Piano: Dihelson Mendonça
Música: O Cisne - Camille Saint Saens

( ouça no player principal )

As voltas que o mundo dá...


As voltas que o mundo dá...

Armando Lopes Rafael

"Você diz que devo morrer e que nada restará do meu nome, mas as canções que cantei serão cantadas para sempre". (Huexotzin, príncipe asteca - 1484)

Pensei escrever sobre um tema bem ameno para este domingo. Afinal, os leitores dos dias atuais - nos finais de semana - preferem ler sobre futebol, preferencialmente tomando uma cerveja gelada. Mas, criei coragem e resolvi encarar um desafio. Segue o comentário sobre um fato real e histórico...

Em 1917 os bolcheviques tomaram o poder na Rússia. Por ordem expressa de Lenine, o Czar Nicolau II, sua esposa e filhos foram impiedosamente e traiçoeiramente fuzilados. Com esses assassinatos, Lenine julgava que faria desaparecer, nas brumas da história, a instituição monárquica russa. Hoje sabemos que ele deu com os burros n’água!

Ah! as voltas que o mundo dá...

Os comunistas foram responsáveis pelo mais antinatural e desumano regime político que o mundo já conheceu. Segundo “O Livro Negro do Comunismo” mais de cem milhões de pessoas foram assassinadas para a manutenção desse regime, nos países onde se instalou. De 1917 a 1989, o socialismo real dominou as populações da União Soviéticas (e dos paises vizinhos anexados, que formavam a Cortina de Ferro) à custa do chicote e das baionetas. Nessas sete décadas, os comunistas usaram a tecnologia para escravizar; o poder para oprimir e a mídia para manipular e mentir. Praticaram atrocidades as mais diversas. Uma delas foi o assassinato do Czar Nicolau II. A partir de 1918 ninguém mais, na Rússia, falou sobre a família imperial.

Em 1989, após a queda do Muro de Berlim, o povo russo recuperou a liberdade perdida. Muitos, a partir daí, principalmente nas universidades, (lá, diferente daqui, ninguém quer saber mais de marxismo) se voltaram para restaurar as verdadeiras origens do que eles chamam “Mãe Rússia”. Ocorreu então a volta triunfal da memória do Czar Nicolau II e de sua família.

Primeiro iniciaram uma campanha para localizar os restos mortais do Czar e familiares. Após longas pesquisas conseguiram encontra-los. Depois forçaram o governo de Yeltsin a sepultar condignamente os venerandos despojos, com um pedido de perdão pela atrocidade cometida. Isso aconteceu em 17 de julho 1998, na Catedral de São Pedro e São Paulo, em São Petersburgo, onde estão enterrados os demais Czares. Devido ao interesse pelos Romanov (família imperial que reinou na Rússia de 1613 a 1917) farta literatura vem sendo publicada sobre eles.

Existe até um projeto na Duma (Câmara dos Deputados da Rússia) para que a atual bandeira tricolor daquele país volte a ter a águia bicéfala dos tempos da Monarquia. Em 19 de agosto de 2000 durante a festa da Transfiguração, Nicolau II e a família imperial foram canonizados, como mártires do comunismo pela Igreja Ortodoxa. O cinema adiantou-se à decisão dos bispos com «Os Romanov, Uma Família Imperial», filme de Gleb Panfilov. Ainda mais popular é o último disco de Elena Bogusheskaya, cantora de renome na Rússia, que lhe dedicou todas as canções e ainda pôs na capa uma imagem de Nicolau com uma aura dourada à volta da cabeça.

Hoje sabemos que matando o Czar e sua família os comunistas deram-lhes o direito de voltar. Existe um ditado popular russo que diz: “Tudo volta. Tudo”. Já no evangelho de João 12:24 também está escrito: “Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo caindo na terra, não morrer, fica ele sozinho; mas se morrer produz muitos frutos”. Maria Stuart, outra rainha assassinada, escreveu: “Em meu fim está meu começo”.

É este o caso de Nicolau II. Recentemente noticiou-se que será enterrada a múmia de Lênin, exposta no Kremlin. Enquanto isso o túmulo do último Czar, na Catedral de São Petersburgo, recebe flores todos os dias por parte das novas gerações russas.

São as voltas que o mundo dá...


Por: Armando Lopes Rafael

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DEZ RAZÕES PARA GOZAR DA AFEIÇÃO DE ALGUNS AMIGOS CRATENSES



No auge da polêmica sobre os ‘comentários ou não dos anônimos no blog CaririCult’, a minha personalidade foi questionada e até a simpatia manifestada de alguns para comigo foi taxada de “bajulação ” inconseqüente. No íntimo me senti gratuitamente ofendido e fiquei quieto, porem aborrecido.

Como sei que o que incomoda é o reconhecimento da minha importância no cenário cultural de nossa cidade, registro aqui, de propósito, a minha interferência direta em alguns projetos (que não os meus próprios) que contribuíram positivament para que o Crato continuasse sendo esta nossa “capital da cultura”:

1- Idealizei (com Geraldo Urano) do Festival Regional da Canção: até hoje o maior responsável pela construção da musicalidade caririense contemporânea;

2- Mantive (com o Grupo de Artes Por Exemplo) os Salões de Outubro: uma seqüência anual de salões de artes-plásticas que envolvia também música, teatro, poesia e dança;

3- Fundei (com Rosemberg Cariry e outros poetas e escritores da região) o Jornal Nação Cariri, depois transformado em revista literária;

4- Fundei (com Carlos Rafael Dias) da OCA-Officinas de Cultura Artes e Produtos Derivados, que até hoje articula e promove movimentos artísticos da cidade e que manteve o literário “Folha de Pequi”;

5- Ainda com Carlos Rafael Dias, pensamos e elaboramos o projeto da Fundação J. de Figueiredo Filho, defendida pelo vereador Ronald Albuquerque, votada e aprovada na Lei Orgânica do Município;

6- Produzi (sem patrocínio externo) o primeiro disco – AVALLON, DE Abidoral Jamacaru, eleito pela crítica especializada o melhor disco independente daquela década, e que recebeu o selo OCA;

7- Produzi, durante algum tempo, a banda “Pombos Urbanos” e que hoje se transformou na maravilhosa “NACACUNDA;

8- Fui diretor cultural da Solibel – Sociedade Lírica do Belmonte- e sob a nossa gestão é que se construiu as salas de aula que hoje existem, recuperamos o auditório Cristina Prata e retomamos todos os convênios com a Secretaria de Cultura do Estado na época. Ainda, trouxemos o maestro Johnatha David (fundador da escola de música Schomberg) para aprimorar conhecimentos dos alunos e regentes e renovar o repertório da orquestra;

9- Ergui o “NAVEGARTE” (poderia ter comprado uma Hilux!): um belo lugar com a galeria de arte José Nornando Rodrigues; sala de referência Artur Bispo do Rosário, com livros, revistas e catálogos de arte para a leitura do público; bar-café; espaço para festas e shows (2.000 pessoas), quando lá desfilaram músicos desde Nonato Luiz (violonista), Zé dos Prazeres, Socorro Alencar, Cacá Malaquias, João do Crato e Manel de Jardim, Corais de Crato, Fortaleza e da Catalunha, Waldick Soriano e uma dezena de bandas de rock de adolescentes do cariri que nas tardes de domingo invadia o lugar para realizar o “Rock, Pop Cariri”;

10- Dirigi, com José Flávio Vieira, a peça “A terrível Peleja de Zé de Matos contra o Bicho Babau nas Ruas do Crato” - uma opereta que é a maior declaração de amor até hoje feita a uma cidade e todos os seus ícones – com mais de trinta apresentações em todo o Ceará;

Prometi-me parar na décima, porque a décima primeira já seria a criação do blog “CaririCult”

Zumbi



Neste dia 20 de Novembro , quando se comemora o Dia Nacional da Consciência Negra, eu, um pretenso branco, pus-me a refletir sobre esta data , escolhida por coincidir com a morte do grande Zumbi dos Palmares, aqui no Ceará, nos idos de 1695. Reconheço que a Nação brasileira tem uma dívida impagável para com a raça negra e quaisquer medidas políticas que se tomem serão insuficientes para limpar a grande mancha de vergonha com que o período escravocrata tingiu a nossa história.
Arrancados de suas casas como animais, sob o beneplácito dos estados laico e religioso, transportados aos milhares , de forma subumana , a partir da primeira metade do Século XVI, aqui aportaram os negros , se transformando na força laborativa brasileira por mais de 300 anos. Construíram, com a força do seu sangue, o estranho país que , apesar de todos os infortúnios, aprenderam a amar. Sem nenhum direito civil, torturados de todas as formas possíveis, a raça negra carregou seu suplício até há pouco mais de 100 anos. A Lei Áurea, no entanto, não conseguiu interromper seu calvário: de repente se transformaram em levas de desempregados, perambulando, agora sem destino certo, e os anos que se seguiram, apenas confirmaram as raízes ainda profundamente excludentes da sociedade brasileira. Ainda hoje , imersos num agora mais sutil preconceito, os negros têm os piores salários, são os mais assíduos nas penitenciárias brasileiras e ainda perfazem as faixas de menor índice de desenvolvimento humano do país.
Na verdade, percebe-se claramente, que se a escravidão acabou oficialmente, a partir de 1888, oficiosamente ela apenas ganhou outros matizes e se arrasta faceira até os dias atuais. A elite capitalista brasileira achou pouco a exploração sistemática de uma raça por mais de 300 anos e terminou encontrando meios de continuar sugando o sangue de tantos, nas novas senzalas do país : as fábricas, as favelas, os presídios, as escolas públicas. Dia após dia, a cidadania da raça negra continua sendo açoitada nos novos pelourinhos : salários de fome, inacessibilidade ao trabalho, à segurança, à saúde e à educação, perseguição religiosa.
O Brasil não deve à raça negra apenas o sangue aqui derramado, num dos períodos mais sombrios e vergonhosos da nossa história. Nossa dívida é bem maior. Apesar de todas as agruras , todo sofrimento e perseguições, os negros conseguiram, de forma fenomenal dar a volta por cima. E nenhuma raça marcou mais a cultura brasileira. O Brasil é hoje um país negro na sua essência. Nossa música, por exemplo, tem profundas raízes afro: o samba, o baião, o lumdu, o maracatu de baque virado, o frevo. Sem o tempero africano a riqueza melódico/rítmica da música brasileira seria um mero espectro . Nossa culinária, também, sem o toque africano, existiria como tal ? E vejam que os escravos faziam sua culinária dos restos que sobravam das mesas dos senhores feudais: o sarrabulho. Deste toque de Midas nasceram : a feijoada, a panelada, o sarapatel, o chouriço, a buchada, a moqueca. A sobrevivência cultural fez, também, com que estabelecessem um sincretismo religioso que terminou por grassar por todas as classes sociais e, hoje, o Brasil é profundamente sincrético. Temos uma religião oficial mas que tem nuances específicas: um pouco de catolicismo, um tanto de judaísmo, um tiquinho de kadercismo, da umbanda e candomblé. A eles devemos também as nossas primeiras organizações de resistência à opressão: os quilombos. E Zumbi é , possivelmente, o primeiro herói nacional.
Assim, todas as reivindicações da raça negra ainda são mínimas se comparadas a tantas vidas que foram literalmente imoladas em nome da cultura brasileira. Eles merecem muito mais daquilo pelo qual lutam. Apenas estão pedindo um pouquinho da grande nação negra que é o Brasil e que eles, mais do que ninguém nesta terra, ajudaram a edificar. E é preciso entender que estão solicitando bem aquém do seu direito a companheiros da mesma raça, já que não existe um único brasileiro no planeta que não tenha o grandioso sangue negro borbulhando nas suas veias.



J. Flávio Vieira

Conferência Regional do Meio Ambiente: Reflexão e ação para salvar o planeta


Aconteceu ontem, 23, no auditório do SESI, em Crato, a Conferência Regional do Meio Ambiente, etapa que antecede a III Conferência Estadual (CEMA), que acontecerá de 13 a 15 de dezembro, em Fortaleza.
O cantor João do Crato abriu o evento, que contou com a participação de cerca de 150 pessoas, representando 14 municípios da região sul do estado. João do Crato interpretou, à capela, a composição A verdade e a mentira, de Pachelly Jamacaru e Patativa do Assaré. Em seguida foi composta a mesa diretora dos trabalhos, integrada por André Barreto (presidente do Conselho de Políticas e Gestão do Meio Ambiente do do Ceará), Nivaldo Almeida (secretário de Agricultura e Meio Ambiente do Crato), Eraldo Oliveira (gerente do Escritório Regional do Ibama), William Brito (Instituto Chico Mendes, que proferiu a palestra de abertura), Paulo Ney Martins (prefeito de Campos Sales), Geraldo Pinheiro (presidente da Câmara de Diretores Lojistas do Crato, representando o setor empresarial), Alda Ferreira (Associação Cristã de Base, representando os movimentos sociais) e Pierre Gervaiseau (Fundação Araripe, representando a sociedade civil). Nas palavras de abertura, ficou enfatizado o caráter reflexivo e proativo da Conferência.
Desfeita a mesa, o agrônomo William Brito proferiu uma substancial palestra sobre ecocidadania e mudanças climáticas (tema central dos debates), alertando para as conseqüências do desequilíbrio ecológico que se vem acentuando nas últimas décadas, decorrente da exploração desenfreada dos recursos naturais. Alarmante e preocupantes dados fornecidos na palestra dão conta de que onze dos doze anos mais quentes do planeta desde 1850, ocorreu no período de 1995 e 2006. O superaquecimento global vem acarretando elevação do nível do mar, secas no Brasil (em regiões tradicionalmente não afeitas ao problema climático, como Sudeste, Sul, Centro-Oeste e Amazônia), desertificação, diminuição da água potável, perda de lavouras e criação, pobreza, fome, doenças, migrações e violência. William Brito alertou ainda para os crônicos problemas ambientais que ultimamente vem ocorrendo com maior freqüência no Cariri, como os incêndios florestais, a biopirataria, que hoje é a terceira atividade ilegal , só perdendo para o tráfico de drogas e de armas; e a questão do lixo e dos recursos hídricos. Neste ponto, William Brito tocou na ferida exposta dos rios Batateiras e Salgado, mas lembrou que os outros rios e riachos da região, como Grangeiro, Carás, Salamanca e Ouro, passam pelos mesmos problemas de barramento e poluição.
A etapa seguinte foi a constituição de grupos de trabalho, divididos por temas (atividades produtivas, terra e água, cidades, macroestruturas e Agenda 21), para elaboração de propostas que serão encaminhadas às conferências Estadual e Nacional.
Após o almoço, houve a apresentação das propostas de cada grupo na plenária e eleição de delegados para a III CEMA.

Obs.: As fotos são de Luiz Carlos Salatiel.