19 novembro 2007

"Os Sertões" em Quixeramobim


Quem viu, certamente voltou transformado!
Uma verdadeira concelebração às Artes Cênicas.

O Uzyna Uzona, o grupo do Zé Celso, trouxe para Quixeramobim , esta ópera brilhante de 30 horas de duração !

Um trabalho que começou a ser montado desde 2002,
narrando toda saga de Canudos sob a ótica retilínea de Euclides mas com a lente caoscósmica do grande Zé Celso.

O Espetáculo, apesar da via sacra, é simplesmente emocionante
e teve um público diversificado que simplesmente esgotou todos os ingressos e expectativas.

Quem não viu ainda tem a oportunidade de ir até Canudos a partir do Dia 28 de Novembro onde o Espetáculo vai ser reapresentado na íntegra. Arrume a mala aí!

Os falares dos Portugueses e dos Cariris - Segunda Parte

Bandeirante Domingos Jorge Velho (1641-1705)


Dos falares ameríndios do Brasil Colônia apenas os Cariris e o Tupis ficaram registrados.


Antes de desenvolver a frase, um evento fortuito. Se é que em nossas vidas as coisas sejam desta natureza. Então, à narrativa: era um domingo do final dos anos setenta. Visitava, pela primeira vez, a Biblioteca Nacional, localizada na Rio Branco, em frente à Cinelândia. Era uma visita turística, sem objetivo de pesquisa, um passeio pelo centro da cidade. Naqueles anos o Teatro Municipal tinha boas programações de Óperas entre junho e agosto e nos domingos à tarde costumávamos ir na galeria. Antes a Biblioteca. No final da visita, já de saída, no alto da escadaria da entrada principal, a Biblioteca vendia alguns livros antigos. Quem gosta de livros tenta achar algo. Fui e tive uma das grandes surpresas da minha vida.


Vendiam-se, por alguns cruzeiros (a moeda da época), cópias do Cathecismo da doutrina Cristã na Língua Brasílica da Nação Kiriri. Comprei uma delas e a tenho aqui na prateleira. Aliás pelo que sei, o Alemberg da Fundação Casa Grande também a tem. Lendo o material vi que havia, também, uma Gramática Kiriri. Anos após, pretendendo trabalhar com um personagem para um romance, retornei á Biblioteca Nacional e pesquisei numa edição da própria biblioteca e cópia fiel da original, edição de 1877, a gramática. Fiquei alguns dias a copiando, até que venci a timidez e procurei saber os custos de uma microfilmagem do texto inteiro. A biblioteca oferecia tal serviço, contratei e comprei a cópia. Em seguida, isso era no início dos anos 90, soube de uma empresa que digitalizava tais imagens, inclusive com um programa auto-executável e de pronto fiz dez cópias em CD. Doei um para Violeta Arraes para que ficasse com a URCA.


Isso a minha experiência agora vamos aos fatos. A igreja católica foi um dos esteios para a colonização do Brasil. O papel desta em relação aos índios já foi abordado largamente, mas os testemunhos remotos da profunda ligação dela com os indígenas se encontra nas orações de Anchieta e nos sermões do Padre Vieira. Resumindo para chegar ao que quero dizer: primeiro os Jesuítas seguiram com as boiadas em direção às nascentes dos rios além do Recôncavo Baiano. O trabalho de criar aldeias, agrupar tribos, atrair povos não contactados, foi central para a expansão da colônia e do ciclo do boi que abriu os sertões nordestinos para os Europeus. O passo seguinte foi o conflito entre os indígenas sob a guarda dos catequistas e dos donos de boiadas. Os motivos eram variados, mas principalmente promovidos pela expansão de novas fronteiras para o gado. Na foz do Rio Salitre no São Francisco (perto de Juazeiro da Bahia) houve um massacre que atingiu centenas entre mulheres, crianças e homens. Na raiz destes conflitos é que nascem as diferenças entre Jesuítas e a Casa da Torre em Salvador. Isso resulta na expulsão do Jesuitas e na vinda do Capuchinhos da ordem Franciscana.


Na primeira metade do século 16 um padre Capuchinho, italiano, resolveu registrar um catecismo bilíngue em português e cariri. Como veremos na terceira parte isso foi uma burocracia eclesiástica infernal. O Padre Mamiani pretendia reproduzir os ensinamentos para seus irmãos de ordem na sucessão do ensino religioso dos Cariris. O Catecismo foi publicado por volta de 1620 e praticamente não foi reproduzido mais até 1946 quando a Bibliteca o republicou.


Depois o próprio Mamiani fez uma Gramática e esta é, junto com uma gramática Tupi da época os únicos registros de línguas faladas na época da colonização. O mais importante, naqueles grupamentos primitivos que se chamavam Tapuias (índios andejos, dispersos em grupos multilíngues, que vagavam pelo interior do nordeste) não restou nenhum registro de época de seus falares, a não ser esta gramática dos índios Cariris.


Em relação aos Cariris, o Emerson Monteiro já realçou a Guerra dos Bárbaros ou a Confederação Geral dos Cariris que assumiu proporções interestadual de luta (atingindo o Rio Grande do Norte, Paraíba, algo do Ceará e finalmente o Piauí). Outro dado é que à frente da luta contra a Confederação, estiveram vários Bandeirantes, entre eles Domingos Jorge Velho. Este bandeirante antes de 1671 já perseguia índios no nordeste brasileiro, esteve, inclusive, na Chapada do Araripe, explorando os rios Salgado e Icó. Jorge velho esteve à frente da tomada de Palmares. Perseguiu os índios Pimenteira no Piaui e em seguida expulsou os Cariris, guerreou os índios Icó e Sucurus e destruiu os povos calabaças e coremas na Paraíba. Depois fundou um arraial em Piancó sofrendo um ataque dos Cariris que o destrui. Em seguida o Bandeirantes exterminou o grupo Cariri.


Sem dúvida a guerra do Cariris decorre da restauração portuguesa de Pernambuco pela expulsão dos Holandeses e a consequente politica de apropiação de terras de algumas tribos como paga da guerra. Algumas tribos, especialmente do Rio Grande do Norte haviam se aliado com os holandeses. De qualquer forma, a restauração foi um marco de fortalecimento da ocupação e expansão territorial portuguesa no nordeste brasileiro. Esta, finalmente marca a colonização do Ceará, que ocorreu pelo interior dos afluentes do São Francisco (Riacho da Brígida) ou pela calha do Jaguaribe a partir de Fortim.

Encontro no Calçadão - HOJE à tarde estarei lá no calçadão para filmagens. Apareçam !


Pessoal,

Hoje é Segunda-feira, dia do tradicional encontro semanal no Calçadão.
Começa mais ou menos lá pelas 16 horas, perto da lanchonete Cinelândia.

Peço aos membros que se desejarem fazer alguma matéria, reportagem, filmagem,
levem seus entrevistados para lá, a fim de realizarmos.
Devo chegar por esse horário de 16 horas, quando tem sol adequado para as filmagens.
Tenho vários projetos que creio devem interessar a muita gente.

Abraços,

Fotos: Dihelson Mendonça

Nossos Ilustres Visitantes e Leitores... ENVIE SUA FOTO !



Diferentemente da galeria de membros, logo abaixo, que são as pessoas que constróem o Blog do Crato, e que escrevem, essa galeria aqui é dos nossos visitantes e leitores. Peças também essenciais a todo o processo.

N
a primeira foto acima, o ilustre André Herzog, ex-reitor da Urca, a quem saudamos, acompanha nosso Blog do Crato. Quem nos trouxe essa notícia foi nosso membro Armando Rafael, seu amigo, e que é professor da Urca. Salve, Salve! Na foto central, a ilustre Primeira Dama do Município, a sempre alegre e simpática Mônica Araripe é uma das fãs de carteirinha do nosso Blog. Grande entusiasta do nosso Blog, Mônica não perde um artigo ( isso quem me disse foi o próprio Samuel Araripe ), rs rs , e pude comprovar na resposta imediata que obtive dela hoje à noite quando publiquei um artigo aqui no Blog. Que bom ter você aqui, Mônica! Salve simpatia! Na foto da direita, nem precisa apresentar, pois todos o conhecem: O Prefeito Samuel Araripe também é leitor assíduo do Blog do Crato. Isso mesmo! Samuel, sempre antenado nos últimos acontecimentos, como uma pessoa atual e verdadeiramente dinâmica ( e aqui nem me refiro a suas atividades como prefeito, e sim, como ser humano ), tem acompanhado sempre que possível, o que se tem escrito aqui, nossas campanhas para salvar o Rio batateiras e o Sítio Fundão, nossa luta pela criação de uma agenda cultural anual para o Crato, nossa luta pela valorização do patrimônio histórico da cidade, etc, etc. Ficamos muito contentes com a presença de Samuel Araripe aqui no Blog, pois ele é uma peça essencial em todos esses projetos que nós temos para a cidade. Um homem muito franco, muito sincero. Essa foi a impressão que ele me causou ao deixar-se entrevistar por cerca de 1 hora para o nosso Blog. ( por sinal, a entrevista está em DVD ). Quem me trouxe a notícia do leitor Samuel Araripe, foi inicialmente, nosso membro, grande Davi Arruda, mas o próprio Samuel Araripe me disse com sua própria voz. Logo abaixo, da esquerda pra direita: O homem das notícias, Antonio Vicelmo acorda de madrugada, quando eu nem fui dormir, e já começa lendo tudo pela frente, para preparar seu Jornal do Cariri. O homem é uma antena viva! Ao lado, grande entusiasta da cultura, presidente do Instituto Cultural do Cariri -ICC , grande batalhador, Nezim Patrício. Ao lado dele, Raimundo Bezerra Filho, assessor institucional da Fecomércio SESC-SENAC-IPDC, um dos grandes nomes desta região, e além do mais, ligado ao SESC, foi peça essencial para a Nona Mostra SESC Cariri de Cultura. Salve Salve !

... depois tem mais outras fotos...

Com mais de 15.000 visitas por mês, obviamente, fica impossível postar as fotos de todo mundo que visita o Blog do Crato, meus amigos! Mas quero criar mesmo que timidamente, uma galeria dos Ilustres. Pessoas renomadas, que pela sua notoriedade junto à população, ou profundamente inseridas no contexto da cidade, do estado, ou do Brasil, não se pode deixar passar despercebido sem registrarmos aqui. Até para ressaltarmos qual o perfil das pessoas que lêem nosso Blog do Crato.

De maneira geral:

LEITOR DO BLOG DO CRATO - ENVIE A SUA FOTO! - para meu e-mail, ou para o e-mail do Blog. Estou criando uma página a ser fixada em uma das abas laterais, uma imensa galeria de fotos dos visitantes, que sei que são muitos. Ao enviar a foto, envie um pequeno histórico de 1 parágrafo pequeno sobre sua pessoa.

Um Abração,

Dihelson Mendonça

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