25 outubro 2007

Arquitetura histórica de Crato

Anos atrás, esteve em Crato uma equipe de arquitetos de Portugal fazendo um levantamento das edificações históricas da Princesa do Cariri que formam o seu patrimônio histórico. Eis o resultado:
Estação da RFFSA, Desativada e hoje Centro Cultural em Crato
Estação da RFFSA, Desativada e hoje Centro Cultural em Crato
  • Igreja da Sé (Matriz de Nossa Senhora da Penha - uma das mais antigas edificações da cidade)
  • Palácio Episcopal (sede da Diocese do Crato)
  • Casa de Câmara e Cadeia (Museu Histórico e Museu Vicente Leite)
  • Gruta de Lourdes (datada de 1938, Col. Santa Teresa - Projeto de Agostinho Baumes Odísio)
  • Colégio Santa Teresa
  • Capela do Colégio Santa Teresa
  • Palácio Episcopal (Palácio do Bispo)
  • Banco Caixeiral
  • Crato Tênis Clube (Projeto do Arquiteto "Mainha" - José de Barros Maia)
  • Reitoria da URCA (antiga sede da Fundação Padre Ibiapina)
  • Abrigo de Idosos
  • Escola Técnica de Comércio
  • Igreja de São Francisco
  • Igreja de São Vicente Ferrer
  • Casa onde Nasceu Vicente Leite no sítio Recreio
  • Seminárioo Sagrada Família (atual Hospital Manuel de Abreu)
  • Hospital São Francisco de Assis
  • Praça Francisco Sá (mais conhecida como Praça de Cristo Rei)
  • Casa de Caridade (fundada no século XIX pelo Pe. Ibiapina)
  • Colégio Diocesano do Crato
  • Crato Hotel
  • Grande Hotel (Edifício Figueira Telles - prestes a ser demolido - um dos primeiros hotéis modernos do Crato)
  • Correios e Telégrafos
  • Casa do Padre Lauro Pita
  • Edifício Lucetti - o Primeiro edifício de apartamentos do Crato hoje bastante deteriorado
  • Edifício da Câmara Municipal - Onde funcionou a primeira biblioteca pública do Crato
  • Cemitério N. Sra. da Piedade com a capela (do século XIX)
  • Parque de Exposições Pedro Felício Cavalcante
  • Complexo de edifícios da Faculdade Católica do Cariri (atrás fica a Rádio Educadora)
  • Coluna da hora encimada por Cristo Redentor - projeto do Escultor Italiano Agostinho Balmes Odísio
  • Antiga Estação Ferroviária (datada de 1926)
  • Seminário São José ( construído em 1875)
  • Museu de Fósseis (Casa do Júri - Local onde foi julgado Pinto Madeira-Praça da Sé)
  • Sobrado do coronel Antônio Luís (uma das casas mais antigas do Crato ainda preservada)
  • Cassino Sul Americano
  • Bar Ideal (o primeiro clube social do Crato inaugurado em 1916 - a fachada foi recentemente destituída de seu elementos decorativos)
  • Praça da Sé


Existem também resquícios de fachadas, casas térreas e sobrados - todos localizados no centro histórico da cidade - que ainda resistem a ações de "modernização". Porém, infelizmente, estão desprotegidos por Lei de tombamento. Infelizmente, de algumas décadas para cá, boa parte do centro histórico cratense tem sido demolido para dar lugar a estabelecimentos comerciais e outros prédios, incluindo até mesmo a casa de Bárbara de Alencar no Crato, próxima à Igreja da Sé, que foi destruída para dar lugar à atual Coletoria. O centro hístórico do Crato é limitado, ao sul, pela Praça da Sé; a norte, pela Praça Juarez Távora(popularmente conhecida como Praça de São Vicente); a leste, pela rua Tristão Gonçalves e, a oeste, pela rua Dom Pedro II.

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CARIRI 31 DE OUTUBRO A 03 DE NOVEMBRO

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1º centenário de Criação da Diocese de Crato

Dom Fernando Panico (*)


Nos dicionários nós podemos encontrar definições de centenário como: “espaço de cem anos; comemoração secular; relativo a cem”.
Quando o homem atinge essa idade, nos regozijamos porque teve uma vida longeva e pode viver e repassar muitas experiências a outras gerações. Se uma cidade ou uma instituição atinge os cem anos de sua criação, quanta festa se faz para não deixar passar em branco tal acontecimento. Cem anos é, pois, um marco que não nos escapa.
A Diocese de Crato foi criada aos 20 de outubro de 1914, pelo Papa Bento XV, com a Bula Pontifícia “Catholicae Ecclesiae” (Igreja Católica). Logo, distamos apenas sete anos da comemoração secular desse fato. Foi a segunda diocese a ser criada no Ceará, pois Fortaleza o fora aos 06/06/1854 e Sobral somente em 10/11/1915.
Uma primeira reflexão se impõe. No contexto histórico, que importância trouxe esse ato do Papa Bento XV para nós? O Sul do Ceará estava ainda desprovido de meios de comunicação eficientes com a capital e com os demais Estados brasileiros. As carências eram muitas então. No Cariri ocorriam fatos relevantes na religiosidade popular, que inspiravam atenções e temores às autoridades eclesiásticas e civis da época. As repetidas secas assolavam e dizimavam populações. A chamada “peste” – o célera – grassava vez por outra. Onde então buscar razões para essa decisão pontifícia?
Passados 93 anos, sendo eu o 5º Pastor Diocesano desta Igreja de Crato, fico a imaginar que as mesmas dificuldades acenadas induziram à criação da nova Diocese. Todavia, para além delas, vislumbro que o zelo pastoral impelia a um renovado ardor missionário. Claro que os métodos e meios usados foram aqueles próprios da cultura e da prática religiosa vigentes no final do século XIX e início do século XX. A Igreja é divina, mas também é humana e experimenta a vigência do comportamento humano, seu jeito de se portar, pensar, administrar etc. Era preciso trazer ações de evangelização melhor planejadas para esta região. Impunha-se uma mais efetiva presença da Igreja (clero) nesta região.
O primeiro Bispo, Dom Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva, era filho de Quixeramobim, mas sua família havia migrado para Lages de Afonso Pena, hoje Acopiara. Ordenado sacerdote, foi logo enviado para Goianinha (Jamacaru), no município de Missão Velha, onde se inicia no pastoreio. Vindo para o Crato, foi vigário da Paróquia de Nossa Senhora da Penha por longos anos, tendo recusado nomeação para bispo no Estado do Piauí. Veio juntar-se a outros insignes padres que muito deram de si para a fé de nossa gente.
Prometo não esquecer dos meus predecessores, Dom Francisco, Dom Vicente e Dom Newton, mas quero me deter naquele primeiro pastoreio, o de Dom Quintino. Imagino suas muitas dificuldades e inquietações, quer na formação da estrutura física da nova Diocese, quer na condução dos primeiros passos desta Igreja, enquanto sinal sacramental no Cariri.
O território era praticamente a metade do Estado, pois passando pelos Inhamuns, parte do Sertão Central e parte do Vale do Jaguaribe, cobria todo o Cariri. A ferrovia estava em expansão no trecho Iguatu/Crato. Estradas eram precaríssimas. O telégrafo, meio avançado de comunicação à época, era limitado.
Dom Quintino recebe em sua nova diocese duas pendências a serem trabalhadas pastoralmente: o caso do Pe. Cícero Romão Batista e também a do Caldeirão do Beato José Lourenço. Não se ignorem as muitas questiúnculas políticas e o coronelismo vigente nestes sertões. Ele não se deixa intimidar por nenhuma dessas dificuldades. Fez-se presença em todo o território diocesano. Pensa no religioso, mas não ignora e nem se omite quanto ao social. A formação do clero é uma preocupação tão forte quanto o foi a educação da juventude.
Como não pensar, desde logo, numa significativa comemoração deste lapso centenário? Como não se alegrar com as conquistas? Quantos nomes, quantos esforços, quantos sacrifícios, quantas feridas e quantos louros a merecerem nosso mais profundo respeito e nossa imensa gratidão. Aliás, gratidão secular. O Evangelho, antes semeado por levas de missionários, entre os quais faço questão de mencionar Frei Carlos Maria de Ferrara e o Pe. Mestre Ibiapina, agora tinha sangue próprio na semeadura, pois um clero ilustre foi-se formando aqui mesmo, no já centenário Seminário São José, casa sólida que encima a colina do Bairro que herdou seu nome.
Esses fatos e essa história nós queremos elevar e realçar nestes próximos sete anos, pois nossa gente precisa tê-los em mira, assim como as personagens que os construíram, ano após ano.
Como atual Bispo Diocesano, encareço a todos os diocesanos que embarquem no “trem missionário”, que já está passando e vai nos conduzir a um porto seguro. É preciso acordar, impõe-se saborear e, juntos, empreendermos, com as bênçãos de Jesus Cristo e a proteção constante da Mãe da Penha, a viagem centenária, com um coração repleto de gratidão a Deus e aos construtores dessa trajetória. As Santas Missões Populares são um passo certo rumo ao centenário da Diocese de Crato.

(*) Dom Fernando Panico, 61, bispo diocesano de Crato

Raimundo de Oliveira Borges



Emerson Monteiro

Isso que dizem de ser a vida humana mera fagulha ao vento exige comprovação, sobretudo diante da existência deste amigo, Raimundo de Oliveira Borges, que ora demonstra de perto a experiência firme de viver durante cem anos uma idade plena de realizações. Ele, sim, pode falar do existir e contar da tradição e da peleja de três gerações sucessivas que testemunha com fidelidade e coragem.
Escritor emérito, publicou mais de uma dúzia de livros. Advogado e professor, marcou de jeito indelével a consciência das centenas de alunos, dentre os quais sou, com satisfação, um deles. Tribuno de rara qualidade, porfiou no júri, praticando fala rica, profícua, no êxito de momentosos processos. Líder comunitário, efetivou importantes funções, em Crato, havendo exercido a direção das Faculdades de Filosofia, de Direito e de Ciências Econômicas. Presidente do Instituto Cultural do Cariri, sobreviveu a nossa simpática academia de letras numa fase das mais dificultosas, quando ao seu lado estive. Se bem que cabe, ainda, considerar o seu desempenho virtuoso de pai extremado, fino de trato e humor, tranqüilo, de espírito desarmado, palestrante versado na melhor literatura, poeta dotado de sensibilidade, pessoa exemplar, afeita sob os princípios dignos e imprescindíveis da civilização que usinou durante todo tempo, conhecendo a história do povo, bem relacionado, cordial e valoroso paladino das causas essenciais, na prática política e nos penhores da liberdade consciente.
Doutor Borges, por tudo isto e outros predicados, marca a sociedade cearense interiorana com personalidade ímpar de quem merece privar o convívio honrado e fértil dos justos. Elencar qualidades que lhe são de dever torna-se tarefa leve, aos moldes do estilo e da pena que maneja no exercício da escrita, por meio dos livros que subscreve, dotados de emoção, memórias produzidas no fogo da responsabilidade social que a isto se obrigou exercitar.
Eu, ainda menino, tomei conhecimento de seu talento através dos júris que, na década de 60, de comum, eram retransmitidos através dos microfones da Rádio Araripe de Crato. Admirado, ouvia seus discursos deveras impressionantes, tanto pela cultura vasta, quanto pela facilidade na argumentação, demonstrações de sapiência jurídica e ilustre universalidade. Fora eleito orador da sua turma de 1937, na Faculdade de Direito do Ceará, contemporâneo de figuras destacadas na vida pública posterior do nosso Estado.
Instalou-se em Crato desde 1942 e aqui até hoje permanece conquistando espaço próprio, ao lado da gente boa, ordeira e laboriosa deste lugar abençoado.
No dia 02 de julho do corrente ano de 2007, época exata do transcurso de um século de sua vida, o doutor Raimundo de Oliveira Borges se nos afigura querido em face de todos os que lhe privam da convivência, ele que representa, em breves traços, um desses personagens inesquecíveis e marcantes dos romances imortais, ricos dos atributos puros e sublimes das almas vitoriosas.

Artigo: Emerson Monteiro
Fotos: Dihelson Mendonça