18 outubro 2007

Show NACACUNDA Sesc / Crato

Confederação dos Cariris

Emerson Monteiro

Qualquer distanciamento, através das cavernas da imaginação, propicia considerar o clima reinante no meio dos nativos das terras brasileiras diante da presença intrusa do europeu, que desembarcara a fim de ocupar o território e usurpar-lhes, dentre outros bens, a liberdade original da vida em sua natureza virgem e ameaçar a própria sobrevivência, pela força bruta de armas desconhecidas, que soltavam faíscas pela boca, de lâminas amoladas e do brilho das armaduras metálicas, senhores de baraço e cutelo, sequiosos de riqueza e poder.
Porém a coisa não se deu conforme pensado.
Há capítulos heróicos, insanos, que demonstram tratar-se de gentes corajosas e treinadas as tribos dos primeiros habitantes donos naturais deste universo.
Duas extremas reações, denominadas Confederação dos Tamoios e Confederação dos Cariris, impuseram baixas e medo nos colonizadores, durante décadas. A segunda, também chamada de Guerra dos Bárbaros, verificou-se no sertão nordestino, entre as áreas do Rio Grande do Norte, Ceará, Pernambuco, Piauí e Paraíba, quando os indígenas de tribos diversas aliaram-se para expulsar os invasores, isto durante 30 longos anos.
Em face do terror e da arbitrariedade impostos pelos portugueses, no ano de 1686, os índios Janduins, vivendo nos pagos de Açu, Mossoró e Apodi, saíram dizimando populações estrangeiras e destruindo o que achavam nas suas posses.
Do Rio Grande do Norte, a revolta coletiva desaguou no vale do Jaguaribe, no Ceará, espraiando-se pelas capitanias de Pernambuco, Paraíba e Piauí, envolvendo as nações, dentre elas, de Icós, Quixelôs, Canindés, Tremembés, Crateús, Jenipapos, Anacés, Acriús, etc.
Em 1688, dois anos depois do início dos combates, o governador-geral Frei Manuel da Ressurreição recorreu aos bandeirantes de São Paulo e São Vicente, exterminadores contumazes de selvagens, no sentido de enfrentar a resistência. Com a participação das guarnições locais, vieram Domingo Jorge Velho, Matias Cardoso e João Amaro Maciel Parente, iniciando a chacina que marcaria as priores atrocidades nos palcos do Nordeste.
Das lutas, em favor dos lusitanos pelejavam índios domesticados, renegados de suas origens, costume trazido pelos brancos dominadores, que somavam nas lutas degredados criminosos trazidos da Europa, ao preço da anistia das penas.
Os colonos viveram tempos de incerteza no decorrer do conflito, dificuldade vencida na destruição dos guerreiros nativos. Em 1713, os indígenas confederados atacaram Aquiraz, sede da capitania cearense, eliminando 200 pessoas, enquanto os demais habitantes do lugar fugiam para a fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, na foz do rio Pajeú, ocasionando desse modo a transferência dos interesses para onde hoje se situa Fortaleza, a capital do Estado.
Em consequência, as tropas do coronel João de Barros Braga subiriam de Jaguaribe até o litoral, em defesa de Aquiraz, com a chamada Cavalaria do Certam, formada de mestiços e índios mansos, em trajes de couro, pacificando a área sob o pretexto de uma guerra justa, exterminando os gentios e ferindo de morte os planos da Confederação.

EXPOSIÇÃO FOTOGRAFIA

Sob o título: “ESCONDERIJOS” os alunos do Colégio Ágape inauguraram nas suas dependências, uma exposição no mínimo curiosa e muito criativa! Maiores detalhes, acesse o www.zoomcariri.com

Dihelson Mendonça fará palestra hoje no Rotary Club do Crato


O Rotary Club do Crato - RCC, o mais antigo clube rotário do interior do Ceará, com 70 anos de existência, fará homenagem, em sua reunião ordinária de hoje, ao Dia do Compositor, transcorrido no último dia 7.
Atendendo a convite do presidente do RCC, Luiz Wellington Brandão, o músico e compositor cratense Dihelson Mendonça será homenageado em nome da categoria e fará a ordem do dia, ministrando palestra na qual tratará dos conceitos de música, história da música, composição e uma análise crítica da Arte e Cultura contemporâneas, levando para a música questionamentos sobre a degradação da Arte e principalmente da música, que vem sofrendo nos últimos anos pela manipulação por parte do cartel da mídia e dos "coronéis" eletrônicos do Forró, que monopolizaram os meios de comunicação a serviço de uma música medíocre, pornográfica e alienatória.
A palestra e homenagem acontecerão hoje, às 20 horas , na sede do clube, Parque Grangeiro, com acesso franqueado aos interessados.


Dados sobre o palestrante
Considerado por muitos como um dos grandes talentos musicais da nova geração de músicos cearenses, o tecladista/arranjador/compositor Dihelson Mendonca, nascido em Crato-CE em 1966, já demonstrou o seu talento, tocando lado a lado com os grandes nomes da música Instrumental brasileira, tais como: Hermeto Pascoal, Gilson Peranzzetta, Mauro Senise, Arismar do Espírito Santo, Toninho Horta, Vinícius Dorin (Saxofonista), André Marques, Itiberê Swarg (Baixista) , Márcio Bahia (Baterista), Beto Batera ( Irmão do Carlos Bala - baterista ), Carlinhos Patriolino, Márcio Resende, Nenê (Baterista), Cleivan Paiva (Guitarrista com quem mantém um dueto de Jazz) , dentre tantos outros.
Aclamado por onde tem passado, Dihelson possui um estilo eclético e virtuoso, que cativa a platéia. Compositor de cunho erudito e pesquisador da música pianística e do Jazz. Considera-se principalmente um pianista de Jazz, embora seja capaz de executar com grande "performance" alguns dos estudos mais difíceis de Liszt e Chopin.


foto: Odair Santos

Efemérides do Cariri

Posse da primeira diretoria do Instituto Cultural do Cariri

O Instituto Cultural do Cariri – ICC foi fundado em 4 de outubro de 1953, mas sua primeira diretoria só veio a tomar posse 14 dias depois, no dia 18. Portanto, há 54 anos. Irineu Pinheiro, no livro Efemérides do Cariri, assim registrou o fato:

"1953, 18 de outubro – Sessão de posse da primeira diretoria do Instituto Cultural do Cariri, fundado no Crato em 4 de outubro do mesmo ano. Foi a seguinte a sua diretoria: dr. Irineu Pinheiro, presidente; padre Antonio Gomes de Araújo, vice-presidente; José de Figueiredo Filho, secretário-geral; Antonio Levi Epitácio Pereira, segundo secretário; Amaro José da Costa, tesoureiro. Comissão de Sindicância e Finanças: dr. Raimundo de Oliveira Borges, Antonio Teodorico Barbosa e Joaquim Pinheiro. Comissão de Organização da Revista: José de Figueiredo Filho, Pedro Gonçalves de Norões e Francisco S. do Nascimento. Comissão de Ciências, Letras e Artes: dr. Décio Cartaxo, dr. Aluísio Cavalcante e João Ranulfo Pequeno."

O ICC, depois de um “longo e tenebroso inverno”, felizmente, dá sinais de que recobra o vigor de sua tradição de serviços prestados à região. Em grande parte, graças aos esforços de sua atual diretoria, com destaque para os incansáveis Manoel Patrício, o Nezim (presidente) e Huberto Cabral (secretário-geral),- o ICC voltou a ser uma instituição-referência da cidade do Crato e região do Cariri. Merece todos os nossos elogios e reconhecimento, a construção de sua imponente sede própria, a campanha para a implantação, no Crato, do Centro de Ciências Agrárias do Campus da Universidade Federal do Ceará no Cariri e a renovação do seu quadro de sócios. Agora, só resta a revitalização da revista Itaytera, órgão literário do Instituto, que vinha sendo editada anualmente desde a sua fundação e que vem sofrendo solução de continuidade há cerca de uns quatro anos. No entanto, uma comissão, integrada por Armando Rafael (atual vice-presidente) e Glauco Vieira (sócio-acadêmico), está trabalhando para fazer voltar, já no próximo semestre, este importante periódico.