25 julho 2007

Sessão de Cinema: DZU´NHURAE - Filme de Pachelly Jamacaru em Cartaz!

Para assistir ao filme, siga o link abaixo, no Portal do Crato:

www.portaldocrato.com

Olá, pessoal,
É com grande satisfação que trago ao Portal do crato, o filme do cineasta cratense pachelly Jamacarú, chamado DZU´NHURAE, que significa "O filho das águas". Trata-se da estória de um homem que tomado de uma consciência de seus antepassados indígenas da região do cariri, recebe a incumbência de preservar os mananciais de água... e mais...

Vale a pena conferir...
DZU´NHURAE pra vcs!

Abraços,

Dihelson Mendonça

O homem e a folha

Entardece no mundo.
O céu plúmbeo está pintado em tons de roza-cinza-azul e anuncia a possibilidade de chuva naquela pequena reserva de floresta tropical. Pequenos animais buscam as suas tocas adivinhando um temporal. Um homem já velho, magro e nu, caminha tranquilamente atravessando a paisagem. Sua face foi esculpida pelo tempo e expressa a paz que carrega dentro de si. Começa a chover. Um forte vento balança as folhagens das árvores. Folhas secas começam a cair. Uma delas, em movimento anguloso e lânguido parece aproveitar o vento para bailar. O homem observa com naturalidade e abre um sorriso: a folha transformara sua queda de morte numa dança? Continua seu caminho com muito mais tranqüilidade. Absorve todos os tons que a luz lhe oferece. Ouve os pássaros, o som das águas e...vozes de crianças que parecem brincar. Fica atraído pela algazarra. Anda mais naquela direção até uma pequena cachoeira que derrama suas águas num pequeno lago. Numa miragem, crianças-curumins pulam no poço, bebem água da fonte se enlameiam e se banham. O homem abre um largo sorriso e deita-se na água como se o poço fosse sua cama. Nesse mesmo instante a folha que o perseguia imita o homem. Os dois flutuam. Parecem descansar. Silêncio profundo. A folha se assenta sobre o corpo do homem. Ele, como num ritual, pega a folha delicadamente e a observa por algum instante. Conversam em silêncio. Depois, o homem velho pega a folha e a coloca num pequeno córrego para que siga o seu bailado. A folha flutua e navega sem destino. Cadê o homem? No poço apenas uma criança-curumim brinca com a lama e se banha.
A noite chega com uma lua nova brilhante no céu.

Luiz Carlos Salatiel
Rio, junho 2005/julho 2007

Pachelly Jamacarú canta para o Portal do Crato!

Clique no botão do Player abaixo para assistir:


O Cantor e Compositor Cratense Pachelly Jamacaru canta "Brasileiro Blues" para o deleite dos visitantes do Blog do Crato e do Portal do Crato.

Música linda, de uma sensibilidade poética e musical marcantes, como a obra desse singular compositor popular refinado!

Dihelson Mendonça

Oração dos Estressados...



Oh Deus, porque só nesta semana apareceram-me tantos picaretas disfarçados, gente 171, e gente pedindo alguma coisa de mim? Porque não aparece gente para ME ajudar também ? Porque ao meu portão, Senhor, de cada 10 que batem, 7 é de gente que me faz perder meu tempo, inoportunos, ou pedir alguma coisa emprestado ( quem empresta, não presta ) ? Senhor, dai-me tempo de fugir de todos os que me perseguem pelo infernal telefone celular que não para de tocar. Dai-me sossego de um lugar aonde essas coisas não funcionem e onde esse povo não me ache. Dai-me a paz de me livrar de gente que sem querer me ajudar, ainda me atrapalha pedindo cópias de fotos, de filmes, de shows, de tudo !

Dos pedintes de cópias de fotos, Shows e DVDs - Livrai-nos Senhor!
Dos 171 que se disfarçam de ajudantes - Livrai-nos Senhor!
Dos que chegam sem avisar, sem planos só para tomar nosso tempo - Livrai-nos, Senhor !
Dos que nos alugam 1 hora de Celular pensando que não temos o que fazer - Livrai-nos Senhor !

Amém!
Feliz Sábado!

Reflexões sobre a Ineficácia do modelo cultural do SESC/ BNB frente à Mídia


Esta é uma mensagem de reflexão sobre a eficácia/ineficácia dos métodos usados para divulgação cultural por parte do BNB, SESC e algumas secretarias de cultura.

Desejo de antemão parabenizar todas essas entidades, que fazem um trabalho único em prol de uma sociedade pensante e de divulgação cultural.

Como é sabido por muitos, o Banco do Nordeste do Brasil, através dos seus Centros Culturais têm promovido ao longo de muitos anos, excelentes shows e eventos culturais simplesmente magníficos. Bem como o SESC, a Secult, e alguns mais.
Por exemplo, estou acompanhando ativamente o II Festival BNB da Música Instrumental, um evento gigantesco, que reúne simplesmente "a nata" da música instrumental do Nordeste. O Sesc também tem se empenhado ativamente em uma interminável série de eventos culturais.

Minha preocupação e meu alerta é que, como observador do "modus operandi" da mídia e seus comparsas, o método de divulgação cultural empregado pelo BNB, SESC e afins é quase que totalmente ineficaz, senão vejamos:

Em Crato, terminou hoje, a famosa EXPOCRATO, evento anual promovido pela prefeitura Municipal e apoiado pela iniciativa privada que toma conta do setor de shows. Aconteceu este ano que o II Festival BNB de música instrumental coincidiu com a Expocrato.

Aconteceu que a iniciativa privada criou uma grande campanha na mídia para divulgar seu evento, e os shows terríveis de bandas de forrró podres, se realizaram, como em todos os anos anteriores, em palcos enormes ao ar livre, onde a população pode ter acesso. Estima-se que a cada noite, cerca de 30.000 a 50.000 pessoas tiveram contato, e foram levados a conhecer, incentivados a gostar e passar a ser apreciador da degradação cultural que foi divulgada, promovida e incentivada pela ExpoCrato.

Metodologia diferente dos eventos do Sesc e BNB, onde os shows aconteceram em ambientes fechados, onde 40 ou 50 pessoas ( por show ) assistiram aos eventos.

Ou seja, eu acho que estamos perdendo a batalha, não por falta de boa vontade nem de investimento, mas de metodologia. Precisamos urgentemente rever esses conceitos e métodos.
De que adianta promover um mega-evento desses, caro, pagar bem aos músicos e quase ninguém comparecer?

"De que adianta acender uma lâmpada e escondê-la debaixo de uma cama?"

Porque se sabe que ao se criar uma sala de espetáculos e anunciar que ali vai haver um Concerto, só vai a esse evento quem já gosta desse tipo de música. Dizendo diferentemente, só vai assistir aos eventos do BNB e do SESC, as pessoas que já gostam desses estilos, ou os amigos dos executantes. Talvez, raramente , uma pessoa aqui e acolá passem por curiosidade para ver o que está havendo ali...

Será que não seria mais interessante que o BNB, o SESC e a SECULT promovessem certos tipos de eventos ao Ar livre onde a população , a MASSA pudesse ver e assimilar ?

Que tal se o BNB se associasse aos governos municipais a fim de realizar parcerias sempre visando grandes espetáculos ao ar livre? Já que Maomé não vai à montanha, que a montanha vá a Maomé !!!

Já imaginou se esse festival de música instrumental fosse realizado em uma Mega-estrutura ao Ar livre em cooperação com o poder municipal ? Quantas pessoas veriam o evento? 30, 40 , 60 como hoje ??
Não, eu lhes digo, levaríamos 10.000, 20.000 ou mais pessoas , se também investíssemos na mídia em publicidade!
Um dos fatores mais importantes no processo de aculturação é o tempo de exposição.
Por exemplo, porque somente aproximadamente 3 a 5% da população gosta de Jazz e de música Clássica?
Porque elas não tem acesso a esse tipo de música. Nem o rádio nem a TV tocam esse tipo de música.
Então, como as pessoas irão gostar de uma coisa que nunca ouviram ?
Eu não posso culpar as pessoas por gostarem de Bruno e Marrone nem de Aviões do Forró, porque é somente isso que eles estão recebendo! Eles não conhecem outra coisa. E as entidades que deveriam fazê-las conhecer outras realidades, estão elitizadas, certas pessoas tem até medo e vergonha de entrar num auditório para ver um show de arte.

Sempre me vem a preocupação de que a maioria das pessoas não está sabendo do que acontece dentro dos auditórios do BNB.
Tenho procurado através de meus vários websites, divulgar, convidar pessoas a comparecerem aos eventos do BNB, mas isso ainda não é suficiente.

Há muito tempo, alguém suficientemente inteligente, descobriu que o método de divulgação boca a boca não era muito eficaz e para isso inventou a IMPRENSA.
Há muito tempo, a indústria da mediocridade, que propaga a degradação da arte observou que haveria de fazer parceria com a MÍDIA.

Pois é tempo de acordarmos e assimilar esses métodos.
É interessante como se pode aprender com as táticas do inimigo.
É interessante observar como o "SomZoom" soube inteligentemente investir num satélite para propagar o seu madito forró para os 4 cantos do Brasil.

Quem tem a mídia tem o poder. E quem tem a mídia É o poder.
Vejam vocês quem são os proprietários das estações de rádio do Brasil? Os políticos.

Então, eu acho que é tempo de criarmos o que eu chamo de "A CORRENTE DO BEM", onde Artistas, produtores, autoridades esclarecidas, pessoas de bem em geral, possam se integrar a esse grande movimento, procurar soluções mais eficazes para contra-atacar a ignorância que vem ganhando terreno nessa luta desigual.

Não devemos nos confinar aos gabinetes, nem aos auditórios.
Imensas somas são gastas ineficazmente, ou elitisticamente, quando poderíamos ganhar as ruas e conquistar mais pessoas.

-> A não ser que eu esteja enganado, e o propósito seja a manutenção de uma cultura elitista!

Devemos arrumar formas de ganhar as ruas.
A Arte e a Cultura PRECISAM URGENTEMENTE sair de dentro das 4 paredes dos auditórios e passar a se apresentar em praças públicas, onde aí sim, levaremos cultura ao camponês, aos jovens, e à todas as pessoas que ainda não foram consumidas inteiramente pela indústria da mediocridade.

Os eventos do BNB e SESC são magníficos e mais e mais pessoas precisam conhecer e apreciar!
Levemos os artistas aonde o povo está. Na praça!
Ou aceitemos que essa guerra já está perdida!

Pensemos com carinho acerca desses dados preocupantes, e que me chega a tirar o sono!
Aguardo comentários.

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Dihelson Mendonça

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