16 junho 2007

BlogPoem


Deslavra


Passei anos e anos a olhar

para as coisas que se destroem.

Muros de pedra, casas antigas

, alpendres estrangulados

pelo cerco do musgo e das lianas.

Mas nunca pensei que tudo isso

também fosse passando,

devagarinho,

para os donos do lugar.

Nem que o lugar se tomasse de ruínas;

nem que as ruínas pudessem ser vistas

como um ricto necessário

da paisagem senil: nódoa apenas do trauma silvestre.


Este som que nos guarda.


Jorge Tuffic