26 janeiro 2007

BlogPoem - DECADÊNCIA - Dihelson Mendonça

Alô, amigos,

Gostei da idéia do nosso prezado Dr. J. Flávio e resolvi atrapalhar todos os leitores deste Blog, e publicar aqui alguns poemas meus. Peço minhas sinceras desculpas aos poetas tão ilustres aqui presentes, e à aqueles que me inspiraram e me ensinam a construir tais versos, meus professores: Fagundes Varela, Antero de Quental, Augusto dos Anjos, Olavo Bilac, Alberto de Oliveira, Álvares de Azevêdo, Luiz Vaz de Camões, Charles Baudelaire, e tantos outros que compartilham as minhas noites insones. Minhas sinceras desculpas.

Abraços.





DECADÊNCIA

(11/09/1995)


dedicado a C.Baudelaire


Chove!
Sobre os telhados dos sobrados esquecidos.
Silenciando ao longe o horizonte
ao ermo da tarde outonal, radiante
e à sombra dos lampioões enegrecidos.


paira-me nos olhos um olhar estranho
qual o refletir de infinitos sóis
ouço em tons frementes de mil bemóis
intensos e tristes, de um amargor insano!


Férteis plagas, de perenais lampejos
a despertar-me no corpo os divinais desejos
de u'a era distante, qual espelho turvo...

...mas a podridão dos anos é que me desperta !
traz-me ao caminho de sombras e de alegria incerta
pois eis-me estranhamente aqui, alquebrado e curvo !



* * *

Dihelson Mendonça - 1995

BlogPoem - LEMBRANÇA IMORTAL - Dihelson Mendonça





LEMBRANÇA IMORTAL


O ar tao docemente trouxe o aroma
De outras eras passadas
À sombra frágil dos eucaliptos
Rasgou assim a minha consciência
E brilhou na claridade da minha juventude!

Sons longínquos de uma era distante,
O cheiro da fumaça de madeira,
O frescor da tarde, a liberdade imensa,
E a paz celestial da minha rua...

Meu pai sentado a ler numa cadeira,
Minha mãe a coser cantarolando em plena sala,
Gatos dormiam, cansados da noite insone estrebuchados
E ao longe se via as nuvens talentosas a esculpir o céu.

A brisa de junho causava um frio temporário
E eu via algum transeunte a passar na rua
Talvez um estudante rumo à escola
Talvez um velho, (meu reflexo) a ruminar os anos vencidos.

As montanhas guerreavam pela exuberância da beleza.
E a flora rejuvenescia a cada chuva,
A vida era doce, minha Mãe um anjo,
E nesta época Eu era imortal.

Para onde foi a minha graça?
Que fizeram da minha mocidade?
Em que página de um livro escondi a minha vida?
Talvez as pedras o saibam,
Talvez as nuvens a tenham tecido
Na imensidão do céu...
E quem sabe, o sonho acordado de uma vida assim
Talvez nunca tenha sido por mim sonhado...


* * *

Dihelson Mendonça - 2003

O Secretário René Barreira visita a URCA

O Secretário da Ciência, Tecnologia e Educação Superior do Ceará (SECITECE), Prof. René Barreira, passou a manhã desta sexta (26) no Campus do Pimenta da URCA. Ele veio acompanhado do Secretário-Adjunto, Mauro Oliveira, e participou de um café-da-manhã em companhia dos administradores da Universidade Regional do Cariri, de Samuel de Alencar Araripe (Prefeito de Crato), Rommel Feijó (Prefeito de Barbalha), Prof. Luís Carlos Uchôa Saunders (Reitor Pró-Tempore da UFC), secretários municipais de Crato, pró- reitores da UFC, professores e alunos da URCA, além de três dezenas de convidados.

Após a explanação do Reitor, houve o pronunciamento do Secretário René Barreira, que apresentou suas metas à frente da SECITECE. Ele afirmou que a meta principal é fortalecer as universidades estaduais, através de um crescimento sustentável. Ele também citou o Geopark como uma importante conquista a ser consolidada.

Ao final, representantes dos servidores e dos estudantes fizeram suas reivindicações ao Secretário, como o Plano de Cargos e Carreiras e melhorias na infra-estrutura utilizada pelos alunos.
Por: Armando Rafael

O NÁUFRAGO - Dihelson Mendonça




O NÁUFRAGO

"O mar é triste como um cemitério"

Os mares naufragaram no meu pranto!
Sim! com suas cores e infinitas velas
debulhadas em lágrimas, as caravelas
cingiram na luz do luar um brilho insano

No "clair de Lune" da última melopéia,
vieram sereias que aos marujos encantam
cantaram brisas que do além-mar se alteiam
verteram lágrimas que os céus encantam

E ao ruidoso cessar dessas tempestades
quando a bonança a reboar nas vagas ermas
ruiu em mim qual edifício, nas cidades

Ao caos medonho a seca atroz já me afaga
e triste, a flagelar nas duras termas,
invejarei inda me afogar na profundez das vagas!


Dihelson Mendonça - 1991


 

Novo Disco do Grande Abidoral


Está em processo de gravação o terceiro disco de um dos mais improtantes compositores cearenses : Abidoral Jamacaru. Com quarenta anos de estrada e toda uma vida dedicada beneditinamente à Arte, Abidoral por fim volta aos estúdios, após um interlúdio de seis anos. Seus dois primeiros discos "Avalon"( este gravado em vinil e depois remasterizado) e "O Peixe" são cults. A direção musical é de Lifanco e o nome provisório do CD : Bárbara. Nosso compositor é reconhecido por nomes como Nélson Mota, Zeca Baleiro, Chico César. Falta apenas ser reconhecido por boa parecela seus conterrâneos. Tá certo que ninguém é profeta na sua terra, mas não custava nada as rádios veicularem um pouco a boa música caririrense. Pedir bom gosto, já é pedir demais.

BlogPoem


Prefiro as máquinas que servem para não funcionar:
quando cheias de areia de formiga e mugos -- elas
podem um dia milagrar de flores.
(os objetos sem função têm muito apego pelo abandono.)
Também as latrinas desprezadas que servem para ter
grilos dentro -- elas podem um dia milagrar violetas.
(Eu sou beato em violetas.)
Todas as coisas apropriadas ao abandono me religam
a Deus.
Senhor, eu tenho orgulho do imprestável!
( O abandono me protege.)

Manoel de Barros