21 dezembro 2007

DANDINHA, para Sempre!

Fui aos meus arquivos que são de produções artísticas do Cariri e revisitei a obra poética, lírica e clássica de: Bernardina Vilar de Alencar Costa, ou, simplesmente a inesquecível “Dandinha Vilar”. Nascida no sítio Lameiro em 1922, Dandinha deixou uma obra literária de uma beleza ímpar. São poemas saudosos, sentimentais, escritos com as canetas do coração e as tintas da alma! Vejam essa pérola:

O RETRATO

Sala deserta, na penumbra imersa
E na parede um quadro pendurado;
Sobre os frangalhos de um tapete persa,
Lá no canto um piano empoeirado.

Contra os vitrais, na direção inversa,
Um móvel antigo, sujo, desbotado;
Como a mostrar cumprir sorte adversa
Um divã noutro canto abandonado.

Abri a porta. Entrei. Tudo era triste.
Na solidão apenas a certeza
De que mais nada ali já não tem dono.

Mas qual! Num desafio que assim resiste,
Um retrato sorrindo sobre a mesa
No mais letárgico e tétrico abandono.


Dandinha em vida publicou dois livros de sonetos. Publicou vários poemas em livros e revistas de circulação Caririense. Foi professora, vereadora e por dezoito anos exerceu mandato. É minha parceira musical. Estou gravando o meu terceiro CD em que estamos parceiro na música: Paralelas. Hoje, dia 21, de dezembro 1997, fazem dez anos que eu não diria de morte, mas, que ela foi chamada a escrever glórias-poéticas nas alturas! Então, temos por lá, como sabemos que em todo canto tem um cratense, uma adorável poetisa recitando para anjos boquiabertos!

Foto Telma Saraiva//Divulgação.

5 comentários:

  1. Bom.

    Eu gostaria de conhecer outros poemas de Dandinha Vilar, pois sinto que minha alma se atrai por seu estilo, que embora bem mais simples que por exemplo, uma Cecília Meireles, um Olavo Bilac, ou um Fernando Pessoa, ainda assim, conseguem transmitir muito bem com o dom da sua palavra.

    São raros os poetas que escrevem em versos, e principalmente sonetistas que posso verdadeiramente tirar o chapéu, após se ver tantas coisas lindas já escritas por Fernando Pessoa, Guerra Junqueira, Bocage, Alberto de Oliveira, etc. É como a música. tantas coisas belas já foram feitas, que chega a ser crime tentar escrever algo em certos sentidos. Por isso, gostei dos versos dessa poetisa. Vou procurar ler mais os seus escritos.

    Um grande abraço,

    Dihelson Mendonça

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  2. Vale ler, Dihelson, vale conhecer a sua obra literária!
    abraço

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  3. Pachelly, estou ávido para ouvir essa parceria que parecia inusitada. Valeu pela homenagem a esta que bem representa o espírito guerreiro das mulheres cratenses.

    Um grande abraço!

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  4. Ficou legal Rafa, o encontro de duas gerações! O clássico e o despojado! Quando um dia vc ouvir, vai me dizer o que achou, sim?
    Abraço

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  5. A respeito de Dandinha Vilar, veja comunidade do Orkut onde estou postando todos os seus sonetos. o nome da comunidade é:
    BERNARDINA VILAR

    Ela é do ano de 1928
    Obrigada por divulgá-la.

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