30 novembro 2007

Memória dos festivais da canção do Cariri comprova tropicalismo regional

O Colóquio Tropicalismo no Cariri?, acontecido na noite de ontem, 29, no Centro Cultural Banco do Nordeste, em Juazeiro do Norte, respondeu afirmativamente a resposta proposta.
Sim!, repercutiu intensamente no Cariri, na década de 1970, os ecos do polêmico e genial manifesto estético-musical lançado pelo mais criativo núcleo baiano durante a incendiária conjuntura cultural do Brasil sessenta (Caetano, Gil, Capinan, Tom Zé, Gal, Rogério Duarte; mas, com uma grande ajuda dos amigos Hélio Oiticica, Torquato Neto, Rogério Duprat, Nara Leão e Os Mutantes).
O Colóquio teve como debatedores Luiz Carlos Salatiel, Abdoral Jamacaru e José Flávio Vieira – hoje, todos conhecidos pelo trabalho consistente que vêm realizando ao longo das últimas quatro décadas, mas que foram projetados como compositores e-ou intérpretes nos famigerados festivais da canção do Cariri. O professor Roberto Marques, da URCA, autor de um livro sobre o tema, fez a abertura do debate.
O colóquio inaugurou o mais novo programa do CCBNB-Cariri, o Museu Vivo, que segundo o coordenador Anastácio Braga, pretende ser um espaço de discussão sobre questões pertinentes à cultura caririense, que estejam ainda merecendo uma análise e decodificação da sua importância para a formatação do atual cenário regional.
O ambiente, por demais aconchegante, proporcionou uma noite histórica, pelo menos para aqueles que têm uma salutar curiosidade sobre a história recente dos movimentos culturais caririenses e, principalmente, àqueles que têm laços de afetividade para com este evento que ainda hoje é lembrado como o mais relevante e propiciador acontecimento para a definição do Cariri como uma espaço eclético de musicalidade e contextos artísticos diversos, que foi o Festival Regional da Canção.
Para Luiz Carlos Salatiel, os festivais, a partir da qualidade das produções elaboradas na região e pela liberdade com a qual se manifestaram os artista locais, é um exemplo da sincronicidade do Cariri com o mundo.
De maneira, muito mais inconsciente do que previamente formulada, os artistas caririenses estavam antenados com o que acontecia na aldeia global, fazendo repercutir aqui todo o caldeirão efervescente que explodia em vários lugares do planeta.
O Colóquio deixou claro uma verdade: o Cariri faz parte dessa aldeia global, pois traz na sua história um sentimento varguardista, típico das paragens predestinadas a serem locus privilegiado da história.

Blandino, Zé Flávio, Stênio Diniz, Abdoral e Roberto Marques

Um comentário:

  1. É muito importante ressaltar sempre esses movimentos culturais dos anos 70 aqui na região, até porque se não o fizermos agora, essa história poderá não sobreviver até as próxima gerações.

    Estou procurando também preservar pelo menos o pouco que ainda resta da memória ANTERIOR a essa geração atual, já que infelizmente, muitos já estão a partir deste para outro mundo.

    Mas creio que um dia haverá alguém que faça por nós o que devemos fazer pelos nossos mais idosos, preservando a sua memória.

    Dihelson Mendonça

    ResponderExcluir

Visite a página oficial do Blog do Crato - www.blogdocrato.com - Há 10 Anos, o Crato na Internet.